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Viver habitualmente

por Pedro Correia, em 07.05.17

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Dia triste para os apreciadores de emoções fortes: o moderado e "cinzento" Emmanuel Macron, o ex-ministro que diz não ser de esquerda nem de direita,  venceu por esmagadora margem a eleição presidencial francesa. Batendo Marine Le Pen, por dois terços dos votos expressos nas urnas.

Notícia desanimadora para os tudólogos que passam o tempo a gritar que vem aí o lobo. Afinal o novo inquilino do Palácio do Eliseu não quer retirar a França da União Europeia, não quer voltar ao franco, não quer encerrar as fronteiras, não quer cortar os vínculos militares com a NATO, não quer estabelecer "parceria privilegiada" com Moscovo, não quer revoluções na quinta economia mundial. Só quer viver habitualmente.

Ainda não foi desta que o lobo chegou - tal como sucedera na  Áustria e na Holanda. O povo francês revelou mais maturidade e sensatez do que os putativos intérpretes das massas populares anteviam em trepidantes tribunas televisivas, onde qualquer teoria da conspiração ajuda sempre a cativar audiências.

Coisa chata, admito. Uma imensa maçada.


10 comentários

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De Peregrino a Meca a 08.05.2017 às 09:11

Quer dizer, sim e não. Um partido de inspiração fascista, demagogo e mentiroso descarado (mais que a média política, portanto) obteve 11 milhões de votos em França... difícil de ficar contente.
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 10:11

Em Novembro de 1946, o Partido Comunista venceu as eleições legislativas francesas, conquistando 28,3% dos votos e fazendo eleger 182 deputados (cerca de 1/3 do elenco parlamentar).
O PCF era estalinista, puro e duro, adepto da ditadura do proletariado e de obediência cega ao imperialismo soviético.
A França sobreviveu à invasão hitleriana, à ditadura fascista de Pétain e ao PCF como partido maioritário. Há-de sobreviver também ao extremismo xenófobo de Marine Le Pen.
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De Einstürzende Neubauten a 08.05.2017 às 12:16

As pessoas, no fundo, sabem que embora hoje os tempos sejam complicados, complexos, existiram outros que o foram mais. E embora estejam aí os movimentos ditos extra-partidários, a" bem da nação", intitulados "populistas", a democracia liberal tem demonstrado resiliência, nos seus fundamentos, e isso devemo-lo ao Estado Social. É por isso urgente aos partidos democratas europeus não se esquecerem das virtudes desse Estado Social, não o avaliando apenas com contas de mercearia, mas sim como garante do Estado de Direito e da própria democracia. Enquanto o Estado Social funcionar o poder não cairá na rua, e com ele a democracia.

Outra das vantagens do mundo mais global é serem as mudanças radicais/revoluções mais difíceis, em virtude da interdependência dos vários países, o que em certo sentido evita partidos e programas políticos de "fechamento" - nacionalismo, protecionismo, xenofobia - típicos de partidos não democráticos.

Le Pen poderia funcionar na década de 20-30, ou num qualquer país/reino africano-asiático esquecido no mapa, mas num mundo "ligado" isso é complicado, sobretudo em países desenvolvidos "ocidentais".
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 12:53

De acordo no essencial. Quanto à comparação com tempos anteriores, muito mais atribulados. Quanto às vantagens de um mundo mais global. E quanto aos horizontes estreitos do nacionalismo.
"O nacionalismo é a guerra", alertava Mitterrand.
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De Einstürzende Neubauten a 08.05.2017 às 12:26

Pedro, sabendo que sabe, esse viver habitualmente do salazar é bem diferente do de hoje. O de salazar era aceitar e não protestar, a bem da ordem , qualquer tipo de injustiça ou aspiração justa. Era aceitar a sociedade hierarquizada, as desigualdades que se queriam naturais. Hoje felizmente isso mudou.

Tenho andado a ouvir/ler os discursos de salazar e pergunto-me como foi possível este homem ter estado tanto tempo no poder - um discurso barroco, demasiado erudito, para uma população analfabeta, uma figura nada carismática, a começar pelo tom "rachado" da voz.....como foi possível....

Mais que pelo tempo em que o Estado Novo se manteve no poder - muitos países europeus tiverem o fascismo no Poder - devia-nos envergonhar mais o tipo de ditador/ditadura que tivemos.

E sim Salazar e o Estado Novo eram fascistas:

Milícia e Forças paramilitares - ex: Legião
Projecto de renovar o Homem - ex: Politicas de Espirito
Nacionalismo
Valores militares axiomáticos, tornados como modelos - Ordem e Disciplina
Repulsa pela democracia pluripartidária - o demoliberalismo de Salazar



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De Baudolino a 08.05.2017 às 14:21

E quanto à força dos símbolos, aqui vai um exemplo, entre tantos outros (há a famosa fotografia no estádio nacional dos meninos a fazer a saudação romana ao estilo riefenstalh...) que provavelmente já conhece: http://duas-ou-tres.blogspot.pt/2015/06/nazis.html
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De Einstürzende Neubauten a 08.05.2017 às 16:57

Obrigado pela foto. Não conhecia. Os cintos da Mocidade tinham na fivela o S, de Salazar...o que é engraçado é o homem ter-se de submeter, contra sua vontade, a essas charlatanices dos "ultras" do regime. Mas para Salazar, ao contrário da imagem construída, desse mito de homem desprendido, manter-se no Poder valia todo o sacrifício.

Admira-me como esse homem rural, adepto de galinhas chinesas e tinto do Dão, não ter sido corrido pelos militares/"ultras" do regime. Não havia mais ninguém, em Portugal, doutor em Finanças?

Esse pacóvio teve o seu momento mais brilhante, ao enamora-se da francesa, viajada, que lhe deu volta ao credo....risível de tão pequenino...Salazar a ter uma ereção...

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De isa a 08.05.2017 às 12:38

"Viver habitualmente"... continuando a procurar a "Chave" no sítio errado.
Tentei explicar muita coisa, de várias maneiras e, até falei de física quântica mas, hoje, deixo-lhe uma metáfora que, não me surpreende, se disser ser mais "confusa" do que o costume

Numa noite escura, alguém que passava viu um homem, visivelmente agitado, procurando algo, debaixo de um candeeiro iluminado e, amavelmente, perguntou:
-Perdeu alguma coisa?
-Perdi as minhas chaves.
-Aqui?
-Não, além (apontando para a escuridão)
-Se as perdeu ali porque as procura aqui?
-Porque ali está escuro e não vejo nada.

Uma coisa é certa, aqueles a quem a sua intuição lhes diga que há algo de errado no Sistema onde vivemos, o melhor é não ouvirem ninguém e seguirem a sua intuição, desconfiando, especialmente, de tudo o que pareça acaso ou coincidência.

Há vários caminhos para chegar ao conhecimento dos factos, desde acreditar em Deus esperando milagres ou até ouvir os mais recentes cientistas falarem de energia mas, entre chamar alma ou energia, neste final de mais uma civilização, como tantas que encontramos ao longo da História, nesta, desaparecerá o paradigma esquerda/direita, para ficar, apenas, a minoria que controla e os controlados, alguns dos quais que se contentam com "migalhas", uma espécie de capatazes e carrascos numa versão modernizada

Com limitação de espaço para explicações, em parte irrelevantes, para quem quiser continuar a procurar "debaixo do candeeiro", para além de perguntas e sugestões, não se pode fazer mais nada.
Dito isto, o mais importante será que tipo de energia, frequência e vibração escolhem servir, conscientemente, procurando várias versões dos factos, duvidando, questionando, investigando... e... não é fácil.
“Two percent of the people think; three percent of the people think they think; and ninety-five percent of the people would rather die than think” - George Bernard Shaw

Podem tirar-nos tudo, excepto a nossa Consciência Moral e Livre Arbítrio e, só assim, podemos fazer a diferença para construir o tal Mundo melhor que todos parecem querer mas, procurando no sítio errado ou, pior, deliberadamente encaminhados para procurar debaixo de "candeeiros".

Só falta um texto e, nem me lembro a quem mas, disse não ler coisas "amAricanas", só gostar em português, algo estranho para um fã do globalismo onde, só na Europa, se falam muitas línguas e, suponho, ser conveniente, não a querer transformar numa Torre de Babel... isso seria conveniente para quem? ("decidir confundir-lhes as línguas para impedir que prossigam com sua empreitada...") A empreitada de serem, realmente, Livres?

Se Físicos quânticos falam que temporalmente, passado, presente e futuro acontecem simultaneamente e que até se podem ligar diversos pontos temporais... uma profecia índia, deixa de parecer disparate.

"One day... there would come a time, when the earth being ravaged and polluted, the forests being destroyed, the birds would fall from the air, the waters would be blackened, the fish being poisoned in the streams, and the trees would no longer be, mankind as we would know it would all but cease to exist..."

"I'm going to send you to four directions and over time I'm going to change you to four colours, but I'm going to give you some teachings and you will call these the Original Teachings and when you come back together, with each other, you will share these, so that you can live and have peace on earth, and a great civilization will come about."

Corrupção, ganância, pobreza, consumismo, injustiça, concentrando sempre mais Poder nuns poucos, são características predominantes, acompanhadas por um avanço tecnológico, nunca esquecendo armas de destruição: nucleares, químicas, biológicas, armas supressoras de resistência ou vigilância, nas mãos dos que, realmente, subsidiam os dois lados das guerras, os conflitos, espalham o caos, deliberadamente porque querem, apenas, Controlar Tudo e Todos.

"There will be an awakening of the people, and the sacred fire will again be lit.
A leader will not be the one that talks the loudest, boasts of successes or has the support of the elite. Leaders will be those whose actions speak the loudest, the ones that have demonstrated wisdom and courage and have proven that they work for the benefit of all."
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De Anónimo a 08.05.2017 às 12:51

Não vale a pena meter a cabeça debaixo da areia e induzir os outros a fazer o mesmo.
A grande questão que aqui se dirime não é se um partido ou um movimento demagogo, racista e xenófobo ganha ou não ganha as eleições.
Mas, isso sim, se o caduco sistema, dito democracia liberal, está ou não moribundo, exalando os últimos suspiros.
E, quanto a isso, não há dúvida nenhuma.
A França não foi exceção.
Felizmente!
João de Brito
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De Einstürzende Neubauten a 08.05.2017 às 13:07

Os partidos "do sistema", sim atravessam uma travessia no deserto. Talvez por lá se percam, para sempre. A democracia liberal, não. Está aí e para continuar. Fale com essa geração que mais ano, menos ano votará. Ninguém quer politicas de fechamento. Os partidos de recrutamento complusivo.
A "malta" que acima de tudo a liberdade e sabem que de fora não vem somente bichos papões. Muitos adolescente tem "amigos" russos, coreanos, americanos, etc...sabem que os Tártaros já não existem, nem as terras de Gog

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