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É perturbador o caso da violação e assassinato da Irmã Tona por alguém que tinha acabado de ajudar. O "alegado" assassino e "alegado" violador é um toxicodependente recém saído da prisão.

O retrato escrito da vida da Irmã Tona fala de alguém que, mais do que tudo, era uma pessoa generosa ao ponto de dedicar a sua vida a ajudar com alegria os que mais precisam. Não era assistente social remunerada pela tutela, não seria beneficiária da ADSE, nem viu o seu horário de trabalho reduzido a 35 horas no inicio da legislatura que entretanto terminará.

Não quero aqui elaborar nenhuma teoria sobre os desgraçados dos drogados, nem sobre a reinserção social nem sobre os serviços públicos que lidam com esses casos, mas apenas sublinhar o silêncio que este caso mereceu na nossa imprensa e na boca dos que se advogam defensores das mulheres oprimidas e vitimas de violência.

Comparando o tratamento mediático que mereceu o assassinato de Marielle Franco e a ausência de qualquer reacção sobre este caso macabro, concluo que mesmo para as vítimas de violência sexual há tratamentos diferentes. A irmã Tona era uma irmã religiosa e isso colocou-a do lado errado da história.

Perante tal diferença como podemos avaliar a honestidade intelectual dos donos da nova moral e dos novos costumes?


34 comentários

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De Vorph Valknut a 19.09.2019 às 09:10

(salvo, evidentemente, demonstrada patologia que assim o faça concluir)

Estamos de acordo. Onde talvez discordemos é na existência de livre arbítrio. Se ele não existir, como já disse, deve haver responsabilidade, mas não culpa (deve haver castigo, e se o houver, tratamento).

Deixo aqui algo que julgo interessante. Cumprimentos.

Over the course of many years Raine and his team scanned the brains of numerous murderers and nearly all showed similar brain changes. There was reduced activity in the pre-frontal cortex, the area of the brain which controls emotional impulses, and over activation of the amygdala, the area which generates our emotions.

So it seems that murderers have brains that make them more prone to rage and anger, while at the same time making them less able to control themselves.

But why does this happen?

Raine's studies suggest that part of the reason may be childhood abuse, which can create killers by causing physical damage to the brain. The pre-frontal cortex is especially vulnerable

One of the prisoners that Raine scanned was Donta Page, a man who brutally murdered a 24-year-old woman when she caught him breaking into her home. As a baby Page was frequently shaken by his mother, and as he got older the abuse got worse. His mother would use electrical extension cords, shoes, whatever was handy. These were not once a year beatings, they were beatings that occurred almost daily

"Early physical abuse, amongst other things could have led to the brain damage, which could have led to him committing this violent act," Raine says.

But only a small proportion of those who have a terrible childhood grow up to become murderers. Could there be factors that predispose us to murder?

A breakthrough came in 1993 with a family in the Netherlands where all the men had a history of violence. Fifteen years of painstaking research revealed that they all lacked the same gene.

This gene produces an enzyme called MAOA, which regulates the levels of neurotransmitters involved in impulse control. It turns out that if you lack the MAOA gene or have the low-activity variant you are predisposed to violence. This variant became known as the warrior gene.

About 30% of men have this so-called warrior gene, but whether the gene is triggered or not depends crucially on what happens to you in childhood.

Jim Fallon, professor of psychiatry at the University of California, has a particularly personal interest in this research. After discovering a surprisingly large number of murderers in his family tree he had himself genetically tested and discovered he had an awful lot of genes that have been linked to violent psychopathic behaviour.

As he puts it: "People with far less dangerous genetics become killers and are psychopaths than what I have. I have almost all of them"

But Jim isn't a murderer - he's a respected professor.

His explanation is that he was protected from a potentially violent legacy by a happy childhood. "If you've the high-risk form of the gene and you were abused early on in life, your chances of a life of crime are much higher. If you have the high-risk gene but you weren't abused, then there really wasn't much risk. So just a gene by itself, the variant doesn't really dramatically affect behaviour, but under certain environmental conditions there is a big difference".

https://www.bbc.com/news/magazine-31714853
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De Vento a 19.09.2019 às 12:40

Esses estudos que ocorreram há vários anos só têm de conclusivo o seguinte: os factores podem influenciar mas não determinam.
Portanto, a patologia criminal seri circunstancial se as circunstâncias gerais forem as mesmas. Todavia, os criminosos vivem no mesmo ambiente que todos os demais e estudos mostram que o seu nível de inteligência e cognição é superior à média. Logo, estão em situação de poder discernir.

Chessman, também conhecido pelo lanterna vermelha, que esteve no corredor da morte por 14 anos descreveu suas acções e arrependimento em vários livros, um deles com o título: O menino era um criminoso.
Al Capone e muitos outros também não tiveram uma infância feliz: e?

Hitler, segundo a história, também não teve uma infância feliz. Portanto, está tudo justificado para si.
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De Vorph Valknut a 19.09.2019 às 16:43

Justificação, não é o mesmo que expiação. Responsabilidade não é o mesmo que culpa (na culpa existe essencialmente uma preocupação com a punição e não tanto com a compreensão. E para o combate, prevenção, do crime é mais importante a compreensão, do que o castigo).

A maioria dos psicopatas tem uma inteligência acima da média, ou seja um córtex pré frontal normal. Contudo a maioria dos serial killers apresenta uma amígdala (estrutura na base do crânio responsável pelo medo, ansiedade, violência ) anormalmente pequena - ou seja, não têm medo do castigo, do sofrimento que podem infligir, auto-infligir, em consequência das suas acções. Não sentindo medo têm mais propensão para comportamentos agressivos. Apresentam também alterações anatómicas no núcleo cingulado anterior, estrutura relacionada com o estabelecimento de uma relação de empatia com os outros. Depois também existem variantes genéticas que promovem uma disfunção comportamental ex : genes relacionados com a serotonina (níveis anormalmente altos, ou baixos) , que em determinados ambientes/estímulos, (abuso infantil, stress crónico) podem despoletar comportamentos agressivos. Finalmente, alguns assassinos têm alterações neurológicas permanentes na ligação entre o córtex pré frontal e o sistema limbico /amígdala (semelhante à que existe, temporariamente, nos adolescentes) que se traduz numa impulsividade comportamental.

A neurobiologia está ainda na sua aurora, mas julgo que vai dar suporte científico à visão de Destino (Santo Agostinho, era apologista da existência de destino?? Não me recordo )

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De Vento a 20.09.2019 às 07:08

Aquilo que você designa por justificação a sociedade dá-lhe o nome de protecção e prevenção. E sim, a sociedade reprime, no sentido de evitar novos episódios.
Por outro lado a ciência, e a neurociência já começa a compreender, que acima dos mecanismos genéticos e esquemas cerebrais existe algo que se designa por vontade e depende do próprio e não do outro, ainda que no caso em apreço possar existir uma interdisciplinaridade e complementaridade (à vontade, entenda-se). O cristianismo a essa vontade deu-lhe o nome de Fé, aquela que antecipa as realidades ainda não visíveis, mas que podem acontecer.

Por outro lado, o medo também é responsável pela violência, quer colectiva quer individual. E a dimensão da amígdala não prova absolutamente nada na matéria em causa, nem se pode atribuir uma relação de causa-efeito.

Em Agostinho existe uma visão de destino eterno da alma, tal como é a visão cristã. Porém o destino em termos do cristianismo é a redenção alcançada e pré-figurada na Cruz, local onde o pecado morre e ocorre a ressurreição. É esta morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida a visão de destino cristã.

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