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É perturbador o caso da violação e assassinato da Irmã Tona por alguém que tinha acabado de ajudar. O "alegado" assassino e "alegado" violador é um toxicodependente recém saído da prisão.

O retrato escrito da vida da Irmã Tona fala de alguém que, mais do que tudo, era uma pessoa generosa ao ponto de dedicar a sua vida a ajudar com alegria os que mais precisam. Não era assistente social remunerada pela tutela, não seria beneficiária da ADSE, nem viu o seu horário de trabalho reduzido a 35 horas no inicio da legislatura que entretanto terminará.

Não quero aqui elaborar nenhuma teoria sobre os desgraçados dos drogados, nem sobre a reinserção social nem sobre os serviços públicos que lidam com esses casos, mas apenas sublinhar o silêncio que este caso mereceu na nossa imprensa e na boca dos que se advogam defensores das mulheres oprimidas e vitimas de violência.

Comparando o tratamento mediático que mereceu o assassinato de Marielle Franco e a ausência de qualquer reacção sobre este caso macabro, concluo que mesmo para as vítimas de violência sexual há tratamentos diferentes. A irmã Tona era uma irmã religiosa e isso colocou-a do lado errado da história.

Perante tal diferença como podemos avaliar a honestidade intelectual dos donos da nova moral e dos novos costumes?


5 comentários

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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 14:04

Também me parece que a comparação que faz entre as vítimas peca por falta de relação causal . Uma foi vítima, possivelmente, de um doente (não serão todos os toxicodependentes, de alguma forma, nalgum lado da sua vida, vítimas de algo, ou de alguém?). No outro tem um caso, claro, de assassinato político.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 14:20

E atenção a essa lógica, se um destes dias alguém se lembra de classificar os perpretadores de violência doméstica como doentes volta tudo à estaca zero.
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 14:31

Paulo, responsabilidade (cada um deve ser castigado pelos seus actos) é diferente de culpa (aqui além do castigo há uma avaliação moral, espiritual, que dá lugar aos chavões sem sentido de "diabo", "monstro" etc) . Acredito, após ter lido bastante sobre o tema, que ninguém escolhe ser quem é. Existem comportamentos monstruosos, mas não existem monstros, apenas Homens com vidas de pesadelo.

Sugestão :

https://www.wook.pt/livro/comportamento-robert-m-sapolsky/21685514

Neurobiologia do Mal :

https://youtu.be/XsiGLqBuVxs

Abraço e obrigado pela pachorra
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 15:27

Entendo o debate mas quando se dá um tratamento desigual a alguém que cometeu um crime, nomeadamente um crime violento, com mais ou menos consideração pela circunstância do criminoso, desvaloriza-se o efeito dissuasor e pedagógico das penas. O sociedade questiona-se do conceito da justiça especialmente em reincidentes, como é este caso.
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 15:42

Sim, é verdade. O relativismo, a causalidade encontrada sempre fora do Indivíduo, independente da sua vontade, pode promover uma normalização de comportamentos anormais. O grande perigo do Relativismo (da causalidade social, em tudo o que é individual) é desbotar a fronteira entre sanidade e insanidade. A páginas tantas, deixa de haver diferença. Aliás, dentro da área médica, a especialidade com maior impacto social e político é a psiquiatria (o contestário, o revolucionário, o justiceiro, o milionário, como sociopata).

É de importância fundamental a criação, o fortalecimento da moralidade, como efeito dissuasor (ex: a sociedade inglesa vitoriana)

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