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É perturbador o caso da violação e assassinato da Irmã Tona por alguém que tinha acabado de ajudar. O "alegado" assassino e "alegado" violador é um toxicodependente recém saído da prisão.

O retrato escrito da vida da Irmã Tona fala de alguém que, mais do que tudo, era uma pessoa generosa ao ponto de dedicar a sua vida a ajudar com alegria os que mais precisam. Não era assistente social remunerada pela tutela, não seria beneficiária da ADSE, nem viu o seu horário de trabalho reduzido a 35 horas no inicio da legislatura que entretanto terminará.

Não quero aqui elaborar nenhuma teoria sobre os desgraçados dos drogados, nem sobre a reinserção social nem sobre os serviços públicos que lidam com esses casos, mas apenas sublinhar o silêncio que este caso mereceu na nossa imprensa e na boca dos que se advogam defensores das mulheres oprimidas e vitimas de violência.

Comparando o tratamento mediático que mereceu o assassinato de Marielle Franco e a ausência de qualquer reacção sobre este caso macabro, concluo que mesmo para as vítimas de violência sexual há tratamentos diferentes. A irmã Tona era uma irmã religiosa e isso colocou-a do lado errado da história.

Perante tal diferença como podemos avaliar a honestidade intelectual dos donos da nova moral e dos novos costumes?


34 comentários

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De Anónimo a 18.09.2019 às 13:48

Na mouche
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 13:59

Paulo, percebendo, e lendo crítica similar escrita pelo bispo do Porto, sejamos intelectualmente honestos. O jornalismo segue os temas quentes, os assuntos políticos e sociológicos marcantes da actualidade. Por essa razão percebo, mas não aceito, que não se tenha prestado tanta atenção ao caso. Tal como percebo, mas não aceito, que se preste mais atenção a umas vítimas, do que a outras (ex:vítimas de atentados terroristas na Europa vs vítimas de subnutrição). É assim.
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 14:04

Também me parece que a comparação que faz entre as vítimas peca por falta de relação causal . Uma foi vítima, possivelmente, de um doente (não serão todos os toxicodependentes, de alguma forma, nalgum lado da sua vida, vítimas de algo, ou de alguém?). No outro tem um caso, claro, de assassinato político.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 14:17

Entre uma notícia e tantas que chegam a motivar petições promovidas pela Amnistia Internacional... há muitos pontos intermédios. E este caso não aconteceu do outro lado do Atlântico nem na África Subsariana, foi em São João da Madeira.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 14:20

E atenção a essa lógica, se um destes dias alguém se lembra de classificar os perpretadores de violência doméstica como doentes volta tudo à estaca zero.
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 14:31

Paulo, responsabilidade (cada um deve ser castigado pelos seus actos) é diferente de culpa (aqui além do castigo há uma avaliação moral, espiritual, que dá lugar aos chavões sem sentido de "diabo", "monstro" etc) . Acredito, após ter lido bastante sobre o tema, que ninguém escolhe ser quem é. Existem comportamentos monstruosos, mas não existem monstros, apenas Homens com vidas de pesadelo.

Sugestão :

https://www.wook.pt/livro/comportamento-robert-m-sapolsky/21685514

Neurobiologia do Mal :

https://youtu.be/XsiGLqBuVxs

Abraço e obrigado pela pachorra
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 15:27

Entendo o debate mas quando se dá um tratamento desigual a alguém que cometeu um crime, nomeadamente um crime violento, com mais ou menos consideração pela circunstância do criminoso, desvaloriza-se o efeito dissuasor e pedagógico das penas. O sociedade questiona-se do conceito da justiça especialmente em reincidentes, como é este caso.
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 15:42

Sim, é verdade. O relativismo, a causalidade encontrada sempre fora do Indivíduo, independente da sua vontade, pode promover uma normalização de comportamentos anormais. O grande perigo do Relativismo (da causalidade social, em tudo o que é individual) é desbotar a fronteira entre sanidade e insanidade. A páginas tantas, deixa de haver diferença. Aliás, dentro da área médica, a especialidade com maior impacto social e político é a psiquiatria (o contestário, o revolucionário, o justiceiro, o milionário, como sociopata).

É de importância fundamental a criação, o fortalecimento da moralidade, como efeito dissuasor (ex: a sociedade inglesa vitoriana)
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De Costa a 18.09.2019 às 21:14

"(...) não serão todos os toxicodependentes, de alguma forma, nalgum lado da sua vida, vítimas de algo, ou de alguém?". Talvez o sejam, Vorph. Mas todos, ou quase, creio, fomos ou somos, na nossa vida, objecto de injustiças, revezes, prolongadas incertezas, abusos impunes e isso não nos legitima sem mais a opção por condutas censuráveis. Somos, isso sim, supostos ultrapassar esses obstáculos sem pôr em causa o bem-estar alheio.


Permita-me a analogia: a abjecta tirania do fisco, por exemplo, não fundamenta uma minha entrada aos tiros por uma repartição de finanças dentro, por muito que essa tirania (longe vá o agoiro, mas - e para qualquer um de nós, como bem se sabe - não é impossível e dentro da mais estrita legalidade) me arruíne o nome e a bolsa; e por demonstrado e paulatino erro do fisco.

A sociedade - desde logo os poderes instituídos e pelo menos formalmente de intocável legitimidade - espera que eu me sujeite a essa tirania com obediência e decoro, pague primeiro e proteste depois, pelos canais apropriados, gritantemente ineficazes que sejam e, se entender tudo isso insuportável, contra ela me manifeste; mas sempre civilizadamente, dentro dos estritos limites da lei, obedecendo aos poderes instituídos e desde logo sem pôr em causa a vida dos seus agentes.

Onde quero chegar é aqui: ao contrário, parece-me, de si (de si e do politicamente correcto destes tempos) não vejo por estes tempos que espécie de específica atenuante, pelo menos de apreciação social, antes mesmo da cominação jurídica, se possa invocar, a favor de alguém e da repercussão pública dos seus actos pelo facto de se ser toxicodependente.

Não me parece aceitável, neste tempo, que se invoque desconhecimento do potencial (e muito concretizável) inferno que pode ser desencadeado pelo consumo de drogas ilícitas. E não só estas, bem sei.

Não estamos já nesses tempos de aparente lenda das décadas de 60 e 70 do século passado. Isso é passado, goste-se ou não; por cada brilhante canção pop, ou qualquer outra manifestação de génio artístico, em cuja génese tenha estado, mais ou menos verdadeiramente, o consumo de drogas há uma imensidão de histórias de horror provocadas por esse consumo. E isso hoje é mais do que sabido; só o ignora quem quer. Não é concebível que alguém "se meta na droga" sem disso saber; um tal grau de ingenuidade não é crível.

Não me passa pela cabeça negar-lhes, aos toxicodependentes, a ajuda pública que como cidadãos - e cidadãos afligidos por uma especialmente perigosa condição - lhes é devida. Mas essa e nenhum outro estatuto de especial tolerância pelos seus actos (desde logo o acto primordial de algures no tempo terem começado a consumir e, como parece ser de esperar, a coisa ter ficado descontrolada), ou de menorização das consequências dos mesmos, ou de desconsideração da dignidade das suas vítimas e do horror que lhes foi imposto. Como não me passa pela cabeça negar o cuidado médico ao fumador afligido por um cancro ou ao alcoólico de fígado arruinado. Nem me passa isso pela cabeça, nem passa que um ou outro, apenas porque fumador ou alcoólico, eventualmente se sintam - e tal lhes seja até reconhecido - credores de especial consideração e prioridade no tratamento das doenças que tais hábitos há muito demonstradamente pelo menos ajudam a surgir e agravar-se. Nem creio que eles reclamem tal prioridade.

Em suma, e arriscando ser fulminado, não vejo o toxicodependente como um coitadinho. Nem o seu crime merecedor por isso de especial atenuação na forma como seja publicamente exposto

O resto, Vorph, é o habitual entre nós, entre os bem-pensantes de perene turno (parece que com algumas excepções, desde que recentemente se descobriram por cá, dir-se-ia que com verdadeiro estupor, a violência doméstica - mas desde que do homem sobre a mulher; e a poluição - mas desde que provocada pelos malditos automobilistas e produtores de carne bovina): ignorar a vítima (uma freira, por estes dias, dificilmente e por definição integraria a nova martirologia), desculpar o agressor (desde logo um toxicodependente; ainda se fosse um automobilista...), e culpar a sociedade (você, eu, todos, e que vai aceitando isso com tanto gosto que parece querer repetir e apurar a fórmula que a trouxe aqui).

Costa
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 22:05

"Mas todos, ou quase, creio, fomos ou somos, na nossa vida, objecto de injustiças, revezes, prolongadas incertezas, abusos impunes e isso não nos legitima sem mais a opção por condutas censuráveis. Somos, isso sim, supostos ultrapassar esses obstáculos sem pôr em causa o bem-estar alheio."

E porque razão uns superam e outros não? Será porque o material com que somos feitos é diferente, sobretudo por dentro? (não vou entrar em pormenores que requeiram jargão para serem entendíveis; sei que compreenderia mas tornava a resposta secante).

Seguindo a lógica do amigo Costa, tudo se resumiria a uma força, ou a uma falta de vontade. A vitima seria-o por não ter conseguido ultrapassar os "obstáculos". O perigo dessa visão é dar azo a que as vitimas poderem ser responsabilidades pelas suas faltas, por fragilidade , por fraqueza, pela falta de força, incapazes de ultrapassar os revezes da fortuna. Em ultima analise não haveria vitimas, apenas vitimização.

PS: já existe um ramo nas ciências jurídicas chamada de neurodireito.


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De Costa a 18.09.2019 às 23:47

Do neurodireito, fico a saber. Não havia nos meus tempos, pelo menos como disciplina de licenciatura, mesmo sendo pré-Bolonha.

Adiante. Fiquei sem perceber de que vítima escreve você, Vorph. Será que refere como vítima o agressor que o foi por não conseguir ultrapassar os "obstáculos". E a vítima das suas acções será o quê, uma vítima menor? Um dano colateral do infeliz que a agrediu, vítima, este sim, de ser feito de um "material diferente, sobretudo por dentro?

Insisto no que referi antes: um toxicodependente que me mate, num acto desencadeado pelo alegado "material diferente que de que seja feito", mata-me tanto quanto me mata o metódico, frio e calculista inimigo político que entenda ser seu dever em nome de um, para ele, bem maior, matar-me por discordar do que eu, por exemplo, pense (e longe de mim a ideia de que eu ou os comentários que por aqui deixo possam merecer tão alta e perigosa importância). O dano terminal e irreversível é o mesmo e não vejo onde se possam encontrar factores de exclusão ou redução de culpa no vago conceito de ser feito de um material diferente (sobre o segundo caso nem vale a pena continuar).

A vida não é assim tão simples. Não se limita a "força" ou "falta de vontade". Nem eu o pretendi sustentar. E você sabe perfeitamente disso. Mas daí até olhar uma dada - e grave, tão mais grave quando mais do que conhecidos, de há muito, os seus potenciais efeitos, desde logo sobre terceiros - falta de força ou de vontade com a bonomia que leva a uma desculpabilização (salvo, evidentemente, demonstrada patologia que assim o faça concluir) ou especial tolerância e leniência na apreciação de uma acção que teve gravíssimas consequências, vai uma grande distância.

Parece-me que, nela, estamos, você e eu, em pontos diferentes.

Costa
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De Vorph Valknut a 19.09.2019 às 09:10

(salvo, evidentemente, demonstrada patologia que assim o faça concluir)

Estamos de acordo. Onde talvez discordemos é na existência de livre arbítrio. Se ele não existir, como já disse, deve haver responsabilidade, mas não culpa (deve haver castigo, e se o houver, tratamento).

Deixo aqui algo que julgo interessante. Cumprimentos.

Over the course of many years Raine and his team scanned the brains of numerous murderers and nearly all showed similar brain changes. There was reduced activity in the pre-frontal cortex, the area of the brain which controls emotional impulses, and over activation of the amygdala, the area which generates our emotions.

So it seems that murderers have brains that make them more prone to rage and anger, while at the same time making them less able to control themselves.

But why does this happen?

Raine's studies suggest that part of the reason may be childhood abuse, which can create killers by causing physical damage to the brain. The pre-frontal cortex is especially vulnerable

One of the prisoners that Raine scanned was Donta Page, a man who brutally murdered a 24-year-old woman when she caught him breaking into her home. As a baby Page was frequently shaken by his mother, and as he got older the abuse got worse. His mother would use electrical extension cords, shoes, whatever was handy. These were not once a year beatings, they were beatings that occurred almost daily

"Early physical abuse, amongst other things could have led to the brain damage, which could have led to him committing this violent act," Raine says.

But only a small proportion of those who have a terrible childhood grow up to become murderers. Could there be factors that predispose us to murder?

A breakthrough came in 1993 with a family in the Netherlands where all the men had a history of violence. Fifteen years of painstaking research revealed that they all lacked the same gene.

This gene produces an enzyme called MAOA, which regulates the levels of neurotransmitters involved in impulse control. It turns out that if you lack the MAOA gene or have the low-activity variant you are predisposed to violence. This variant became known as the warrior gene.

About 30% of men have this so-called warrior gene, but whether the gene is triggered or not depends crucially on what happens to you in childhood.

Jim Fallon, professor of psychiatry at the University of California, has a particularly personal interest in this research. After discovering a surprisingly large number of murderers in his family tree he had himself genetically tested and discovered he had an awful lot of genes that have been linked to violent psychopathic behaviour.

As he puts it: "People with far less dangerous genetics become killers and are psychopaths than what I have. I have almost all of them"

But Jim isn't a murderer - he's a respected professor.

His explanation is that he was protected from a potentially violent legacy by a happy childhood. "If you've the high-risk form of the gene and you were abused early on in life, your chances of a life of crime are much higher. If you have the high-risk gene but you weren't abused, then there really wasn't much risk. So just a gene by itself, the variant doesn't really dramatically affect behaviour, but under certain environmental conditions there is a big difference".

https://www.bbc.com/news/magazine-31714853
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De Vento a 19.09.2019 às 12:40

Esses estudos que ocorreram há vários anos só têm de conclusivo o seguinte: os factores podem influenciar mas não determinam.
Portanto, a patologia criminal seri circunstancial se as circunstâncias gerais forem as mesmas. Todavia, os criminosos vivem no mesmo ambiente que todos os demais e estudos mostram que o seu nível de inteligência e cognição é superior à média. Logo, estão em situação de poder discernir.

Chessman, também conhecido pelo lanterna vermelha, que esteve no corredor da morte por 14 anos descreveu suas acções e arrependimento em vários livros, um deles com o título: O menino era um criminoso.
Al Capone e muitos outros também não tiveram uma infância feliz: e?

Hitler, segundo a história, também não teve uma infância feliz. Portanto, está tudo justificado para si.
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De Vorph Valknut a 19.09.2019 às 16:43

Justificação, não é o mesmo que expiação. Responsabilidade não é o mesmo que culpa (na culpa existe essencialmente uma preocupação com a punição e não tanto com a compreensão. E para o combate, prevenção, do crime é mais importante a compreensão, do que o castigo).

A maioria dos psicopatas tem uma inteligência acima da média, ou seja um córtex pré frontal normal. Contudo a maioria dos serial killers apresenta uma amígdala (estrutura na base do crânio responsável pelo medo, ansiedade, violência ) anormalmente pequena - ou seja, não têm medo do castigo, do sofrimento que podem infligir, auto-infligir, em consequência das suas acções. Não sentindo medo têm mais propensão para comportamentos agressivos. Apresentam também alterações anatómicas no núcleo cingulado anterior, estrutura relacionada com o estabelecimento de uma relação de empatia com os outros. Depois também existem variantes genéticas que promovem uma disfunção comportamental ex : genes relacionados com a serotonina (níveis anormalmente altos, ou baixos) , que em determinados ambientes/estímulos, (abuso infantil, stress crónico) podem despoletar comportamentos agressivos. Finalmente, alguns assassinos têm alterações neurológicas permanentes na ligação entre o córtex pré frontal e o sistema limbico /amígdala (semelhante à que existe, temporariamente, nos adolescentes) que se traduz numa impulsividade comportamental.

A neurobiologia está ainda na sua aurora, mas julgo que vai dar suporte científico à visão de Destino (Santo Agostinho, era apologista da existência de destino?? Não me recordo )

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De Vento a 20.09.2019 às 07:08

Aquilo que você designa por justificação a sociedade dá-lhe o nome de protecção e prevenção. E sim, a sociedade reprime, no sentido de evitar novos episódios.
Por outro lado a ciência, e a neurociência já começa a compreender, que acima dos mecanismos genéticos e esquemas cerebrais existe algo que se designa por vontade e depende do próprio e não do outro, ainda que no caso em apreço possar existir uma interdisciplinaridade e complementaridade (à vontade, entenda-se). O cristianismo a essa vontade deu-lhe o nome de Fé, aquela que antecipa as realidades ainda não visíveis, mas que podem acontecer.

Por outro lado, o medo também é responsável pela violência, quer colectiva quer individual. E a dimensão da amígdala não prova absolutamente nada na matéria em causa, nem se pode atribuir uma relação de causa-efeito.

Em Agostinho existe uma visão de destino eterno da alma, tal como é a visão cristã. Porém o destino em termos do cristianismo é a redenção alcançada e pré-figurada na Cruz, local onde o pecado morre e ocorre a ressurreição. É esta morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida a visão de destino cristã.
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De Maria Dulce Fernandes a 18.09.2019 às 14:14

A igreja " estava a pedi-las"?pelo menos parece essa a mensagem que os media
querem fazer passar.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 14:23

Não diria tanto, mas que irrita muita gente que a Doutrina Social da Igreja tenha sido posta por escrito há mais tempo que o Kapital de Karl Marx, isso irrita.
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 14:58

Paulo, a Doutrina Social da Igreja foi escrita em resposta aos movimentos políticos socialistas. E o seu sucesso, talvez, relacionado com o silêncio da Igreja perante a exploração industrial do século XIX.
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De O SÁTIRO a 20.09.2019 às 03:20

sem dúvida.
desee Cristo que o Cristianismo/Catolicismo fez opção pelos pobres.
os primeiros cristãos eram pobres e ajudavam os pobres
Gregório MAGNO..(um dos 3 grandes--MAGNO papas juntamente com LEÃO MAGNO E JOÃO PAULO II MAGNO) filho de pais riqíssimos vendeu as enormes herdades na sicilia e itália para acudir aos habitantes da peninsula destruída pelas invasões bárbaras.
e há muitos outros exemplos
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 15:17

Tenho de fazer uma correcção, o Kapital de Karl Marx é anterior à primeira encíclica desta temática social, mas como bem disse aqui o lucklucky, a esquerda não aprecia a concorrência e isso explicará também o ruidoso silêncio sobre este triste episódio.
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De Vento a 18.09.2019 às 18:21

Paulo, a Doutrina Social da Igreja é parte de sua acção evangelizadora e remonta à morte de Cristo, muito antes da perseguição aos primeiros cristãos. Não se confunda, portanto, o manifesto de Marx com as datas de determinadas encíclicas para demonstrar o indemonstrável, isto é, quem surgiu primeiro.

A historia papal escrita da Doutrina Social da Igreja inaugura-se oficialmente em 1891com a encíclica Rerum Novarum (Papa Leão XIII), mas foi marcada por outros documentos pontifícios, muitos deles comemorando aniversários da primeira grande encíclica social. Tal foi o caso da Quadragésimo Anno de Pio XI (1931); das Radiomensagens de Pio XII (1941,1951); da Mater et Magistra de Joâo XXIII (1961); da Carta Apostólica "Octogesima Adveniens" de Paulo VI (1971); Laboem Exercens de João Paulo II (1981) e Centesimus Annus de João Paulo II (1991). Muitos outros pronunciamentos da Igreja trataram da questão social, entre os quais se assinalam inúmeras radiomensagens de Pio XII, as encíclicas Pacem in Terris, de João XXIII (1963); Populorum Progressio, de Paulo VI (1967); e Solicitudo Rei Socialis, de João Paulo II (l987). Cabe também aqui uma referência ao Sínodo dos Bispos de 1971, sobre a Justiça no mundo e ainda a um número incalculável de pronunciamentos das Conferências Episcopais, tratando dos problemas sociais específicos de cada país.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 19:31

Concordo. Fiz a correcção porque o sentido do meu comentário anterior não era rigoroso.
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De Anónimo a 18.09.2019 às 14:53

Tem que ver com a relativa importância no sistema de valores da Vitimologia Utilitária do Marxismo

O facto da senhora ser religiosa anula os pontos positivos de vitimologia que tem por ser mulher - na presente escala de valores Marxista.
Ela ao ser religiosa e ajudar os desfavorecidos torna-a numa concorrente ao Estado Socialista. E sabemos como o Marxista odeia a competição, neste caso do que chamam "caridadezinha"

Já o drogado - que são sempre elementos úteis a mostrar a fealdade da sociedade capitalista -mantém por isso mesmo pontos de vitimologia mesmo que cometa crimes. Em alguns casos especialmente se os cometer.
Neste caso os pontos Marx-negativos do drogado ser homem são anulados pelos pontos Marx-positivos de ser um drogado.
O drogado está protegido porque é uma pessoa completamente dependente. Que é o objectivo final do Marxismo.


Logo o Jornalismo Marxista fica calado, em silêncio. Não ligaram os telemóveis e foram buscar opinião de X , Y, Z. táctica habitual para transformar uma notícia num caso que lhes permite passar a mensagem, não houve manifestações. Os artistas também ficaram calados...

lucklucky
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De Anónimo a 19.09.2019 às 01:12

Concordo Luck

Se este post não tivesse sido escrito não teria reparado na ausência de nomeação em todo o lado !
Vi a noticia no Observador e mesmo assim estava lá meio perdida.

WW
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De Bea a 18.09.2019 às 16:06

Duas mulheres que ingloriamente perderam a vida em defesa daquilo em que acreditavam. Merecem ambas a nossa admiração. E os culpados, por mais atenuantes que existam, são isso mesmo, homicidas. A condição de cada uma, se era política, religiosa, ou o que fosse, é secundária.
Era freira, e depois? mais respeito lhe era devido. Não era paga pelo serviço que prestava, não procurava um lugar ao sol, servia a Deus servindo os homens. Violar e matar?! Só pode ser uma mente doente. Mas não pode ficar sem castigo e sem tratamento. Talvez se devesse também investigar o apoio que é dado a toxicodependentes. E digo-o sem conhecimento de causa, que não sei sobre este caso mais do que aqui foi dito.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 16:23

Subscrevo.
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De jo a 18.09.2019 às 17:16

"Comparando o tratamento mediático que mereceu o assassinato de Marielle Franco e a ausência de qualquer reacção sobre este caso macabro, concluo que mesmo para as vítimas de violência sexual há tratamentos diferentes. A irmã Tona era uma irmã religiosa e isso colocou-a do lado errado da história."

Mediaticamente não são comparáveis, um é um assassinato politico, que implica que existem grupos de pessoas que pensam que assassinar quem se lhe opõe é legítimo. O outro é uma violação seguida de assassínio, não creio que haja grupos a defender a violação e o assassínio em Portugal.

Claro que uma vida tirada é sempre uma violência irreparável e imperdoável, mas não é esse o único critério de jornalismo.

Mesmo dizer que há donos da moral e bons costumes parece duvidoso, o caso da Irmã Tona teve impacto mediático, se não tivesse não estaríamos a falar dele.

Não pretende afirmar que tem se indignado igualmente com todos as violações e assassínios que acontecem no mundo, com certeza.
E decerto que ficaria muito admirado se dissessem que ao escolher os casos com que se indigna se arroga em dono da moral.
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De Paulo Sousa a 18.09.2019 às 19:58

Tem razão. Nas notícias que ouvi sobre o assassinato da Marielle havia uma referência sexual nos detalhes que não memorizei e erradamente assumi que também tinha sido violada. Afinal essa referência era sobre a sua orientação sexual que para o caso não importa. O caso é realmente diferente e não é comparável enquanto vitimas de violência sexual.
A questão de fundo do meu texto, onde tento apontar que o caso da Irmã Tona não mereceu a divulgação que outros casos têm por se tratar de um elemento do clero, mantém-se no entanto de pé. Veja-se a resposta da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR): “Não esquecemos nenhuma vítima. Gostaríamos que o bispo fizesse o mesmo”. Será abusivo interpretar que como existiram outros crimes horrendos praticados por membros do clero ela perdeu o direito a uma reacção por parte da associação que supostamente defende as mulheres. A UMAR é inclusiva mas também selectiva.
https://www.publico.pt/2019/09/18/sociedade/noticia/bispo-porto-freira-feministas-1887012
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De Vorph Valknut a 18.09.2019 às 20:32

UMAR?!!!! Eu só conhecia a LUAR. Andam todos lunáticos
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De Vento a 18.09.2019 às 18:38

Paulo, o crime é hediondo. Mas estaria o criminoso em condições para avaliar a sua acção? Tenho dúvidas, por desconhecer.
Marielle Franco foi vitima de um plano orquestrado para eliminá-la, isto é, com premeditação. Ainda que eu pense que Marielle politicamente não era muito honesta, pois era capaz de defender bandidos e não as vitimas dos bandidos, e muitas dessas vítimas também foram policias negros, estou em crer que o tratamento judicial dos criminosos não pode ser feito porque as vítimas eram mulheres, mas pelo seu acto e a vontade no acto.
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De Anónimo a 18.09.2019 às 22:05

Vento uma das boas reacções à violência doméstica é que o marido estar bêbado quando bate na mulher não serve de desculpa.

E falamos de violência domestica que não incluí violação como neste caso que implica mais complexidade de acção e capacidade mental.

lucklucky
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De Vento a 19.09.2019 às 10:03

A questão não se coloca tendo em vista a desculpa, mas as agravantes.

Se eu atropelasse acidentalmente alguém e esse alguém perdesse a vida, eu continuaria como homicida, mas homicídio involuntário. E isto não me desculpabilizaria, mas desagravaria.

Se alguém estiver são e souber que vai conduzir e ainda assim embebedar-se e ocorrer a mesma situação, o homicídio é na mesma involuntário, mas agrava-se pelo facto de ter cometido anteriormente um acto ilícito: condução em estado de embriaguez.

Se alguém em estado de embriaguez der uma bofetadas à mulher ou a quem for seria sempre necessário avaliar as circunstâncias, não para desculpabilizar mas para agravar ou desagravar.
A violência doméstica pode ser tudo, até pode ser resultado da provocação de uma mulher (ou homem) que, nesta situação, na da provocação, colocou-se a jeito para uns piparotes. E quem provoca o crime também comete crime.
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De O SÁTIRO a 20.09.2019 às 03:34

Os donos do pensamneto dominante em portugal e europa (media, politicos, intelekutuais) são em regra ATEUS JACOBINOS...
odeiam o cristianismo de tal forma que o querem substituir pelo islamismo
o ministro da educação de Hollande disse isso mesmo
--não queremos o catolicismo de volta porque perdemos a liberdade............

isto num país com centenas de ..NO GO ZONE.....onde impera a barbárie da SHARIA

o modo como os atentados na nova zelândia e sri lanka foram noticia nos media e sintomático...
o pasquim "público" chamou aos atentados contra muçulmanos ...crime racista ,,na 1ª página com foto das mesquitas....

sobre o sri lanka não utilizou obviammente qualquer adjetivo e postou uma foto de uma imagem destruída.....nada do interior das igrejas

pior: o assassino na nova zelândia era confesso admirador do egime comunista chinês.
os assassinos no sri lanka eram muçulmanos ultra praticantes e ...doutorados..

outro episódio muito relevante tem a ver com o Brunei
o sultão decretou a lapidação de mulheres ( se SUPOSTAMENTE tiverem relações sexuais antes ou fora do casamento) e de gays...
sobre as mulheres não há novidade...são assassinadas assim na maior parte dos 53 países muçulmanos..IRAN MALDIVAS SAUDITAS PAQUISTÃO AFEGANISTÃO SUDÃOSOMÁLIA etc..

a novidade estava nos gay...
o que fizeram os LGBTI..?
NADA CALADINHOS....RABINHO ENTRE AS PERNAS....SILÊNCIO TOTAL....NADA DE ORGULHO GAY (exceto Elton John...)
obviamente o problema estava no ISLAMISMO DO SULTÃO

feministas? NADA CALADINHAS...COVARDES...COMO ESTÃO COM AS PRISÕES NO IRAN PARA QUEM NÃO USA HIJAB

mas é frequente ver ""feministas"" semi nuas diante de bispos...na praça de s. pedro...etc...diante de mesquitas??
NEM PENSAR COVARDIA ACIMA DE TUDO

e assim se explica o silêncio sobre a IRMÃ TONA...

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