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Viagem ao Egipto (6).

por Luís Menezes Leitão, em 09.01.17

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A apenas 25 km do Cairo encontra-se uma das sete maravilhas da antiguidade, e a única que chegou aos nossos dias: as pirâmides de Gizé, sucessivamente erguidas por três faraós, pai, filho e neto: Quéops, Quéfren e Miquerinos. As pirâmides foram sendo sucessivamente menores, ou porque nenhum dos descendentes se quis equiparar ao seu antecessor, ou mais prosaicamente porque foi faltando a capacidade para construir obras tão grandes. Na verdade, os historiadores especulam se as pirâmides foram construídas com trabalho escravo, ou com recurso a trabalhadores livres, pagos com cerveja. Seja qual fosse o processo, é arrepiante pensar o esforço sobre-humano que foi necessário, não apenas para transportar todos estes blocos, mas também para os colocar sucessivamente uns sobre os outros, em forma piramidal.

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Sobre a Grande Pirâmide, Jean-François Champollion, o decifrador dos hieróglifos do Egipto, disse que temos uma tendência natural para imaginar as coisas muito melhores do que elas são, pelo que ficamos decepcionados quando as vemos ao vivo, mas que era impossível ter esse sentimento em relação à Grande Pirâmide, face à sua monumentalidade. É, de facto, assim. A Grande Pirâmide deslumbra-nos desde o primeiro momento em que a vemos e no sopé da mesma ficamos completamente esmagados pela sua dimensão, e pela capacidade que teve em resistir a todas as invasões do Egipto. Parece que estamos a ouvir Napoleão a proclamar: "Soldados de França! Do alto destas pirâmides quarenta séculos vos contemplam". E de facto as pirâmides de Gizé são das poucas construções humanas com vocação para a eternidade.

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O que não deixa de ser profundamente irónico é que do homem que mandou construir a Grande Pirâmide para perpetuar a sua glória, o faraó Quéops, apenas restou uma pequena figurinha em marfim, exposta no Museu do Cairo. Chegaram até nós estátuas, e inclusivamente, múmias de outros faraós, que nos permitem conhecer o seu aspecto, mas de Quéops apenas esta minúscula imagem. Em qualquer caso será sempre recordado como o criador do maior símbolo do Egipto.

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