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Viagem ao Egipto (4).

por Luís Menezes Leitão, em 07.01.17

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ex-libris do Cairo é o Museu Egípcio, seguramente o mais rico museu do mundo em arte egípcia, ainda que um dos últimos a ser fundado. Efectivamente poucas pessoas sabem que o primeiro museu egípcio do mundo é o museu de Turim, resultante da aquisição da colecção de Bernardino Drovetti, que foi Cônsul da França no Egipto entre 1825 e 1829, período durante o qual recolheu colecções fantásticas de peças, múmias, e papiros. Drovetti propôs-se vender a sua principal colecção ao  Estado Francês, mas foi rejeitada essa proposta, acabando por isso a mesma por ser comprada por uma fortuna em 1824 pelo Rei Charles Felix do Piemonte, que instalou o museu na sua capital, Turim. A inveja que causou noutras cidades europeias esse magnífico museu (que já visitei) levou a que Charles X de França adquirisse a Drovetti outra parte da colecção para integrar o Louvre. Finalmente uma última parte da colecção seria adquirida pelo prussiano Karl Lepsius, que com base nela fundou o Museu Egípcio de Berlim.

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Enquanto que em toda a Europa se fundavam museus a partir das peças subtraídas ao Egipto, o Egipto permanecia apenas como um museu a céu aberto, de onde qualquer pessoa podia retirar tudo. Só em 1858 foi criado o Serviço de Antiguidades do Egipto, que pretendeu evitar a pilhagem das peças, tendo desempenhado papel importante nessa criação Auguste Mariette, conservador do Louvre, que ofereceu a sua colecção pessoal para fundar em 1863 o museu do Cairo, no Bairro de Bulak. Em 1900 transitaria para a Praça Tahrir onde ainda hoje se encontra, mas está em fase de acabamento um novo museu, um grande edíficio nas proximidades.

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Na suas notas de viagem sobre o Egipto, Eça de Queiroz recorda a sua visita ao Museu de Bulak: "O Museu fica à beira do Nilo. As suas varandas abrem sobre a água que corre em baixo, larga e luminosa junto a um bosque de palmeiras. O Museu é novo, branco, polido, envernizado, estofado, alcatifado. Ali estão reunidas vetustas antiguidades egípcias, velhas de milhares de anos, tiradas do fundo dos templos, da escuridão das sepulturas, das câmaras obscuras dos pilones. Estátuas de faraós, ainda com a pintura fresca e delicada, esfinges, toda a sorte de deuses, com cabeças de cães, de chacais, de dromedários, de abutres; deuses nus, delgados, com grandes colares sobre o peito, coroados de plumas de avestruz, de crescentes, de flores de loto; estátuas hieráticas, sentadas, com as mãos espalmadas sobre os joelhos; figuras de sacerdotes e de negros; múmias de faraós, de rainhas, de ibis, de gatos, de bois e de crocodilos; colares, jóias, símbolos religiosos, armas de guerra; pequenas figuras de deuses com que se cobre o peito das múmias; anéis, escaravelhos, sinetes — todas aquelas maravilhas perdidas estão ali, numeradas, classificadas, limpas, asseadas, sob as suas vitrinas novas".

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Hoje não é exactamente assim. O grande problema do Museu do Cairo é que é mais um depósito do que um museu. Não havendo uma ordenação clara das diversas salas, o visitante perde-se entre peças oriundas de períodos históricos muito distintos. Em qualquer caso é uma emoção encontrar pela primeira vez peças tão famosas como o casal Rahotep e Nofret, e admirar a beleza de uma mulher egípcia, sempre jovem apesar dos seus 4.000 anos de idade.

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