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Viagem ao Egipto (15).

por Luís Menezes Leitão, em 19.01.17

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Continuando a descer o Nilo, chega-se de madrugada a Edfu, onde se encontra o templo dedicado a Hórus, o deus-falcão, que simboliza o poder da vingança. Efectivamente, de acordo com a religião egípcia, Osíris, o deus da vida e rei do Egipto, seria assassinado por seu irmão Seth, o deus do deserto, que lhe roubaria o trono, abandonando o seu corpo despedaçado no Nilo. Mas a sua mulher Ísis reconstituiria o corpo, conseguindo gerar postumamente um filho, Hórus. Este resolve terminar com o reinado maléfico de Seth, devolvendo a ordem ao Egipto e concretizando a ressurreição de Osíris. O mito simboliza a eterna luta do bem e do mal, sendo que o termo Seth está na origem da palavra Satã, que simboliza o diabo nas três grandes religiões. Para além disso, a luta do sobrinho contra o tio, para recuperar o trono roubado ao pai, está na base da obra imortal de Shakespeare, Hamlet.

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Curiosamente, a imagem de Hórus, que era um deus bom, assustaria imenso os cristãos, que ocuparam este templo após o édito de Tessalónica, que proibiu os templos pagãos. Julgando que Hórus representava o diabo, os cristãos picavam a sua imagem, não sabendo que o verdadeiro diabo era Seth, depois Satã. Mais uma vez, verifica-se ser verdadeira a célebre capacidade do diabo de enganar as pessoas.

DSC00484.JPG

Por este templo andou Gulbenkian, sendo que as fotografias que aqui tirou serviram de modelo à estátua que está hoje na Fundação, na Praça de Espanha. Justifica-se por isso tirar uma fotografia semelhante para a posteridade.

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5 comentários

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De Luís Lavoura a 19.01.2017 às 09:32

Julgando que Hórus representava o diabo, os cristãos picavam a sua imagem

Mais ou menos como os talibans destruíram os Budas de Bamian à bomba, também os cristão se divertiram a destruir relíquias religioso-culturais do passado.
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De Costa a 19.01.2017 às 10:40

"Divertiram"? Em todo o caso, diversão ou coisa sentida de forma diversa, fizeram-no, os cristãos, no passado. No passado, precisamente. Entretanto evoluíram; evoluiu, a Humanidade.

Ou nem toda a Humanidade (e torna-se legítimo perguntar se alguma dela não o será apenas por mero acaso - ou fatalidade - biológico), como o Lavoura cuida de pressurosamente demonstrar.

Uma precisão, creio, de extrema importância.

Costa
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De Luís Lavoura a 19.01.2017 às 10:54

Entretanto evoluíram

Evoluíram não, mudaram. Ou, se calhar, degeneraram. É tudo uma questão de ponto de vista.

Diz-se que "quem sai aos seus, não degenera". Também se poderia dizer que "quem sai aos seus, não evolui". Ou que "quem sai aos seus, não progride". É, mais uma vez, tudo uma questão de pontos de vista.

Os chineses, que não são propriamente um povo pouco evoluído, ou primitivo, ainda hoje continuam a, alegremente, demolir todos os edifícios velhos quando querem construir novos. Não se preocupam minimamente em preservar coisas velhas e - na ótica deles - sem valor.
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De Costa a 19.01.2017 às 12:14

Eu tenho para mim que o desaparecimento de instituições como a Inquisição e de práticas como os autos-de-fé (colocando a questão em termos e com exemplos particularmente simples e, creio, pacificamente consensuais), representa algo mais do que mera mudança. E seguramente não se trata de degenerescência. De modo que me ocorreu chamar-lhe "evolução".

Para o Lavoura, todavia, é tudo uma questão de ponto de vista. É de crer assim que tudo - e em qualquer época e contexto - é para ele, explicável, legítimo e defensável.

Mentiria (eu) se ficasse surpreendido.

Costa

Ps.: quanto aos chineses e à sua "óptica" (com "p", creio, pois não me parece que estejam em causa questões de otorrinolaringologia), pudesse a coisa não nos ser tão próxima. Mas algo me faz temer que experimentemos crescentemente e de forma desagradavelmente submissa as particularidades dos seus conceitos. Embora no que respeite a tratar o antigo como velho (leia-se sem préstimo ou valor) e ao desprezo pela Natureza, nós, portugueses, não necessitemos de lições de ninguém. É coisa muito de nosso orgulho.
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De V. a 20.01.2017 às 20:43

Não. O Islão não separou a fé (o paradigma intelectual) do fascismo de costumes e sobrevive largamente pelo medo da punição e não tolera outras no seu espaço: é uma religião mais violenta e inferior e só lhes dá para construir barracas.

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