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Viagem ao Egipto (10).

por Luís Menezes Leitão, em 13.01.17

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Em Mênfis podemos ver uma enorme estátua derrubada daquele que foi seguramente o maior faraó do Egipto: Ramsés II, o Grande. O seu reinado foi longuíssimo, situando-se aproximadamente entre 1279 a.C. e 1213 a.C., pelo que várias gerações de egípcios apenas conheceram Ramsés II como seu faraó. Esse período foi extremamente próspero, tendo o faraó casado várias vezes, sendo a sua principal esposa a rainha Nefertari, e deixado inúmera descendência. Por isso se diz que grande parte dos egípcios são descendentes de Ramsés II.

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Ramsés II não foi, no entanto, conhecido por grandes feitos militares, mas antes pela grande arte do político, que é a propaganda, e que o levou a espalhar estátuas monumentais por todo o Egipto. O seu maior feito militar é a batalha de Kadesh, que travou na Síria contra os hititas, mas que na realidade acabou por se revelar um fracasso, não tendo Ramsés II conseguido tomar a cidade. A lenda, no entanto, diz que Ramsés II foi abandonado pelos soldados em pleno combate mas que, após uma prece ao deus Amon, este interveio a seu favor, permitindo-lhe vencer e esmagar os hititas completamente sozinho. Como dizia John Ford, no filme O homem que matou Liberty Valance, "quando a lenda é mais interessante do que o facto, imprima-se a lenda".

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Olhando esta estátua derrubada de Ramsés II, lembrei-me do célebre poema Ozymandias, que Shelley escreveria em 1818, também após olhar para uma estátua deste faraó, aqui na tradução de Eugénio da Silva Ramos:

Ao vir de antiga terra, disse-me um viajante

Duas pernas de pedra, enormes e sem corpo,

Acham-se no deserto. E jaz, pouco distante,

Afundando na areia, um rosto já quebrado,

de lábio desdenhoso, olhar frio e arrogante

Mostra esse aspecto que o escultor bem conhecia

Quantas paixões lá sobrevivem, nos fragmentos,

À mão que as imitava e ao peito que as nutria

No pedestal estas palavras notareis:

"Meu nome é Ozimândias, e sou Rei dos Reis:

Desesperai, ó Grandes, vendo as minhas obras!"

Nada subsiste ali. Em torno à derrocada

Da ruína colossal, areia ilimitada

Se estende ao longe, rasa, nua, abandonada.

 

Só que Shelley escreveria antes da descoberta do Vale dos Reis, onde se encontrou a múmia de Ramsés II. E, curiosamente, quando em  1976 a múmia teve que viajar para Paris para ser tratada de um fungo que a consumia, o governo francês decidiu receber a múmia no aeroporto com honras de chefe de Estado. No Egipto o passado e o presente estão eternamente ligados e, mesmo após três mil anos, ninguém se esquece de prestar as honras devidas ao Grande Faraó.


2 comentários

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De Luís Lavoura a 13.01.2017 às 10:02

Esse período foi extremamente próspero, tendo o faraó casado várias vezes [...] e deixado inúmera descendência.

Eu não diria que o período foi próspero (aliás, o Egito antigo foi regularmente vítima de cheias menores do que o habitual, que causavam regularmente fome), mas sim fértil ou fecundo!
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De VSM a 15.01.2017 às 18:48

Diz a história (ou diz quem a escreveu...) que os hititas nunca foram derrotados em nenhuma batalha e jamais perderam uma guerra. Eram tão senhores do seu nariz que se extinguiram por iniciativa própria.

Cumprimentos

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