Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Vestais ofendidas aos gritinhos

por Pedro Correia, em 03.05.18

cifuentes-crema[1].jpg

Cristina Cifuentes apanhada pela videovigilância num supermercado em 2011 

 

1

O excelente conjunto de  grandes reportagens feitas pela SIC a partir dos depoimentos prestados por José Sócrates e outros arguidos do caso Marquês em sede de investigação criminal - e que nos permitiu conhecer melhor a dimensão da golpada - chocou alguns deontólogos da nossa praça, que rasgaram as vestes em sinal de escândalo.

Credo, pode lá ser, ai Jesus, Nossa Senhora!

Não sei em que limbo vegetam estas vestais agora aos gritinhos que parecem não habitar o mesmo planeta em que as gravações secretas do ex-Presidente norte-americano Richard Nixon - que tanto contribuíram para o seu afastamento da Casa Branca - foram reproduzidas em tudo quanto se assumia como imprensa de referência nos EUA e deram a volta ao mundo a partir daí.

Nem parecem viver a escassas centenas de quilómetros da capital espanhola, onde a presidente da Comunidade de Madrid, Cristina Cifuentes, acaba de ser forçada a demitir-se na sequência imediata da divulgação pública das imagens de uma câmara de videovigilância colhidas em 2011 num supermercado madrileno que a mostravam a enfiar na mala dois cosméticos no valor de 43 euros.

Estas imagens, que há muito deviam ter sido apagadas por imperativo legal, foram afinal guardadas para utilização no momento político mais propício - que chegou agora. Primeiro, difundidas no jornal digital OK Diario, depois em todos os restantes órgãos de informação. Sem vestais indignadas com a violação do "direito à imagem" da senhora, que vinha sendo apontada como possível sucessora de Mariano Rajoy na liderança do Partido Popular.

 

2

Alguma utilidade teve o meritório trabalho assinado pelos jornalistas Amélia Moura Ramos, Luís Garriapa e Sara Antunes de Oliveira. De então para cá, certamente por coincidência, não têm faltado enfim as vozes socialistas que foram quebrando um pesadíssimo silêncio de quatro anos imposto por António Costa em torno do famigerado caso Sócrates.

Agora já não temos apenas a indómita Ana Gomes, clamando contra o esbulho em termos inequívocos: «Há um facto insofismável: a relação especial e privilegiada de Sócrates com Ricardo Salgado. Pelos vistos, estava às ordens dele e até fez negócios à conta dele. O PS não pode pôr isto debaixo do tapete.»

Agora já ouvimos o outrora esfíngico presidente e líder parlamentar socialista falar sem rodeios em entrevista à TSF: «Ficamos entristecidos e até enraivecidos com isto: que pessoas que se aproveitam dos partidos políticos, e designadamente do PS, tenham comportamentos desta dimensão e desta natureza. Evidentemente que ficamos revoltados com tudo isto.»

E até um dos deputados que noutro ciclo político se destacou entre os mais ferozmente socráticos, como João Galamba, vem desabafar desta forma desabrida na SIC Notícias: «Um ex-primeiro-ministro que foi secretário-geral do PS acusado de corrupção, branqueamento de capitais, etc, é algo que envergonha qualquer socialista. E o caso de Manuel Pinho, idem.»

 

3

Cada vez mais isolado está o ex-jornalista, ex-secretário de Estado da Comunicação Social e ex-membro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social Arons de Carvalho.

Quase só ele é hoje capaz de declarar, referindo-se ao antigo primeiro-ministro, de quem sempre foi muito próximo: «Não acho reprovável uma pessoa viver com dinheiro emprestado. (...) Quer o Manuel Pinho quer o José Sócrates não foram ainda condenados. Temos de esperar sem intervir e sem comentar.»

Tese que, levada à prática, nos forçaria a esperar cerca de uma década para comentar casos que prometem arrastar-se nos tribunais.

Felizmente, de dia para dia, há cada vez menos gente no próprio Partido Socialista a pensar assim.

Felizmente nos órgãos de informação dignos deste nome não vigora a doutrina Arons, com a sua lei do silêncio.

Felizmente o jornalismo resiste. Contra todas as vestais que pretendem transformá-lo numa sessão de chá das cinco com amáveis torradinhas barradas de manteiga.


52 comentários

Sem imagem de perfil

De jo a 03.05.2018 às 10:45

Mistura tudo como é seu hábito.

A utilização abusiva de imagens tiradas num interrogatório, com a divulgação das causas desse interrogatório.

Parece apresentar duas linhas de defesa:
1 - Se um indivíduo cometeu um crime, então tudo o que se faça contra ele é legítimo.
2- Há outros que fizeram coisas semelhantes.

A primeira demonstra uma compreensão da democracia que só fica atrás da dos presidentes dos nosso clubes de futebol.
A segunda deixa de ser válida quando se atinge a idade mental de três anos, mais coisa menos coisa.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 12:05

Vou instalar uma câmara de videovigilância aqui no blogue a ver se finalmente fica desvendada a sua identidade, caro Arons.
Sem imagem de perfil

De jo a 04.05.2018 às 13:49

Que cansativo!
Já disse que lhe dou uma cópia do CC se me facultar uma cópia do seu.

Nunca me disse para que precisava da minha identidade.

Talvez se formos por outra aproximação:

Diga-me quem é que eu tenho que declarar que sou para se sentir satisfeito, não quero que lhe falte nada. Tenho a sensação que encasquetou que eu sou não sei quem e só se sente satisfeito se eu lhe confirmar o que julga que sabe - mas não sabe.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 04.05.2018 às 13:51

Mais uns gritinhos, vá. Faça lá um esforço.
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 03.05.2018 às 11:23

Uma pequena Grande diferença!

As imagens dos interrogatórios da Operação Marquês provieram do DCIAP. As outras de umas câmaras de segurança de uma loja.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 12:04

No plano da "violação do direito à imagem" os dois casos colocam-se exactamente ao mesmo nível.
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 03.05.2018 às 12:54

Sim. Mas no plano simbólico não. Uma violação de um Direito é sempre crime. Mas se essa ilegalidade provier de um agente pertencente a um Órgão de Soberania ou de Segurança esse ilícito criminal tem moldura penal agravada . Crimes idênticos, mas penas diferentes, pelo que representam, simbolicamente, as Instituições de Justiça e Segurança.
Imagem de perfil

De Sarin a 03.05.2018 às 13:34

Mas não no plano da integridade da notícia. Ou da Justiça, já agora.
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 03.05.2018 às 13:58

Para mim ler a notícia é suficiente, mas percebo os fetichistas do top less! Não é contudo a minha praia.
Imagem de perfil

De Sarin a 03.05.2018 às 20:17

Não é top less, é nudismo do rei... e da Dinamarca!
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 03.05.2018 às 15:15

Faça um julgamento com jurado e verá se a integridade da justiça se mantem.
Imagem de perfil

De Sarin a 03.05.2018 às 20:10

Por isso aos jurados, onde os há, está proibido ouvir ou falar sobre a matéria em julgamento que não no tribunal.
E por isso nos casos mais mediáticos ou mediatizáveis o tribunal determina o isolamento.


Há falhas. Não significa que as não melhoremos.
Mas certamente não as melhoraremos se as ignorarmos.
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 03.05.2018 às 21:24

Olhe que não :

Lembra-se deste muito mediatizado :

http://www.cmjornal.pt/maissobre/ana-saltao
Imagem de perfil

De Sarin a 04.05.2018 às 01:06

Não me lembro de ser um caso muito mediático, mas crimes de sangue só acompanho em séries televisivas e livros, por isso não poderei confirmar ou contradizer essa sua afirmação.

Está a querer dizer que os jurados passaram informações durante ou após o julgamento? ou que foram influenciados pela opinião pública?


Ou que não foi determinado isolamento? O juiz é que decide a sua necessidade, e suponho que não esteja contemplado no ordenamento jurídico português dado que os jurados não podem ser prejudicados nos seus direitos e garantias.
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 04.05.2018 às 09:22

Vê pouca televisão e vê poucos jornais - durante semanas manchete do Correio da Manhã.

Uma inspectora da PJ suspeita de dar 12 tiros na sogra.
Imagem de perfil

De Sarin a 04.05.2018 às 12:54

Obrigada :)

Eu lembro-me do caso, e lembro-me de ter pensado até que ponto é que a investigação iria ser auditada, perante tal resultado; mas não me apercebi de que a mediatização fosse além da repetição até à náusea das mesmas peças jornalísticas.
Mas é como disse e o Kälhau constatou: quando chega a parte dos crimes de sangue, mudo página e canal.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 03.05.2018 às 11:33

"Nem parecem viver a escassas centenas de quilómetros da capital espanhola" Nós conseguimos viver a palmos dos antros de sarjeta sem os ver nem apalpar.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 12:06

Imagino que possam ao menos ser detectados pelo olfacto.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 03.05.2018 às 11:54

"Felizmente o jornalismo resiste."
O jornalismo... e Rui Rio.
Apesar das vestais, que tudo fizeram (e fazem) para o tramar.
João de Brito
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 12:01

Rio desta vez revelou reflexos rapidíssimos: demorou apenas uma semana a reagir.
Imagem de perfil

De José da Xã a 03.05.2018 às 12:06

Pedro,

na nossa sociedade há neste momento dois tipos de pessoas: os lesados do BES e os incomodados do PS.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 12:07

E há os lesionados. Sócrates é um deles: tem levado tanta canelada dos "camaradas" por estes dias...
Imagem de perfil

De José da Xã a 03.05.2018 às 12:17

Tarde piaram!
É que isto de ser "afilhado" de Mário Soares... teve os seus custos.
Libertados agora desse espartilho e com as eleições legislativas no horizonte o PS só tem que se demarcar do antigo dirigente.
De outra forma arriscar-se-á a perder uma eleição que parece, assim à distância, convictamente ganha.
Abraço.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 21:16

Separar as águas, neste caso, é um acto da mais elementar higiene.
Sem imagem de perfil

De Costa a 03.05.2018 às 14:16

Eu diria que na nossa sociedade há de facto dois grandes tipos de pessoas: os funcionários públicos, os únicos que o Poder e a geringonça que o constitui tomam, já sem ponta de vergonha, como credores de homenagem e preocupação públicas (o poder, a geringonça e até, parece, de recentes declarações, o actual líder do PSD); e os outros, os pagantes, os que sustentam o "virar da página da austeridade" (ainda por cima largamente ilusório) dos primeiros. Sustentam e, tudo indica, gostam

Percebe-se e, tudo visto, isso terá até bem pouco de verdadeiro fundo ideológico. É quanto aos primeiros e ao segundo, pura lógica eleitoral de quem nem admite deixar de ser poder, ou quer lá voltar pelo caminho mais seguro (afinal cada funcionário público facilmente significará, pelo menos, uns três ou quatro votos).

Quanto aos pagantes disto tudo, verdadeiros cidadãos de segunda, deve ser masoquismo.

Costa
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 22:46

O fundamental, para mim, é que a justiça funcione. E funciona, como temos visto. Por mais que alguns insistam em matar o mensageiro. Como se a mensagem fosse irrelevante.
Sem imagem de perfil

De JS a 03.05.2018 às 12:28

Excelente porque exposto claramente. Mas algo de novo?.
Publicar o detalhe, a "lista dos devedores" sim, mas também nada de novo.
Afinal quem tem poder há muito que conhece essa lista.
E, por isso mesmo -basta ver quem está contra a divulgação, mesmo que numa salinha esconça :-) - tem boas razões para não querer a sua divulgação.
Nada de novo. Alguém, num Banco intervencionado, assinou os créditos.
Nada de novo. Alguém não cumpriu com o esforço da dívida.
Nada de novo. As entidades reguladores e fiscalizadoras ou não têm poder, ou legislação adequada ... foram de facto inoperantes.
Nada de novo. A AR e os Governos decidem deitando o dinheiro dos contribuintes para cima dos problemas. Não lhes custa nada. É só aumentar um imposto ou dois.
...
Então o que é novo ?.
Será o factor Rui Rio que afinal ainda nunca tinha sido líder do PSD, nem nunca esteve no governo?.
Porquê a animosidade das bancadas do "seu" partido?.
Rui Rio é alguém, agora com um mínimo de poder, vindo de fora graças a um sistema político oligárquico. Sem lastro e conluios?. Já o fez na CMdP. Veremos.
Como demonstra o caso Trump, nos EUA, a história do "cleaning tha swamp"?.
Será possível?. Veremos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 22:53

A novidade da semana - ensaiada em escadinha, como mandam as regras - foi a quarentena finalmente imposta pelo PS a esse "activo tóxico" chamado Sócrates.
Começou com Carlos César, prosseguiu com Galamba e hoje até o chefe máximo, no seu estilo sibilino, veio separar as águas.
Surge com quase quatro anos de atraso. Mas vale mais tarde que nunca. E deixa definitivamente sem discurso a 'troupe' dos defensores oficiosos do putativo melhor amigo do engenheiro Carlos Santos Silva. Que são, aliás, cada vez menos. Depois da deserção de Galamba e Pedro Adão e Silva, já restam poucos.
Imagem de perfil

De Sarin a 03.05.2018 às 13:21

Sou contra o fazer notícias com o preço do casaco do filho ou com a ementa dos almoços, como fizeram no Jornal Económico e no Correio da Manhã e provavelmente noutros órgãos de comunicação social.
Sou contra julgamentos em praça pública - seja das vestais seja da chusma que pede linchamento.
Sou contra interferências em investigações judiciais em curso.
Sou contra a divulgação parcial de audições enquanto não encerrado o julgamento, ainda que sejam pertença do Ministério Público.

Sou a favor da divulgação dos factos. Sem manipulações pró ou contra.
Sou a favor do esclarecimento - não da devassa disfarçada de notícia.
Sou a favor da opinião pública - mas não da saturação da opinião pública.
Sou a favor de um jornalismo de informação - e não da especulação.

Espremido o sumo noticioso desde o princípio, escreveu-se mais sobre o modo de vida e o carácter de José Sócrates do que sobre os mecanismos que permitiram e permitem o tráfico de influências, a corrupção, o branqueamento de capitais. Estes não estão sob investigação judicial nem sob escrutínio público - e se calhar deviam, porque o que aconteceu com Sócrates só foi inovador na dimensão, e enquanto nos entretemos a discutir a subserviência do amigo benemérito os canais que tal permitiram estão abertos a terceiros.

A Justiça é lenta. Os motivos desta lentidão seriam também uma excelente matéria jornalística de serviço público e encheria páginas diariamente durante anos. A par com as dos escândalos em que Sócrates e outros nos envolveram. Mas provavelmente não venderia tanto.



Aproveito para relembrar o Pedro que as gravações divulgadas de Nixon e de Cifuentes foram as que deram origem aos processos de investigação e demissão, não foram as de processos em construção nem foram gravadas pelos investigadores judiciais.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 13:47

Se é «contra a divulgação parcial de audições enquanto não encerrado o julgamento, ainda que sejam pertença do Ministério Público», condena todos os órgãos de informação à censura.
Aliás, se só fosse possível noticiar casos em tribunal com a sentença transitada em julgado na última instância de recurso, nem era necessário haver jornalistas: qualquer escrivão de tribunal servia para arauto do 'consumatum est'.


Essa é a lógica que serviu ao salazarismo para abafar o escândalo dos Ballets Rose nos anos 60 e proibir categoricamente qualquer alusão ao assunto nos jornais. A lógica da ditadura.
O célebre caso Alves dos Reis, por exemplo, jamais teria sido divulgado antes da condenação definitiva.

Tudo quanto se passa com Sócrates é novo, portanto tudo é notícia.
Nunca em Portugal alguém com tantas responsabilidades políticas e governativas havia sido indiciado e processado por crimes deste teor, incluindo corrupção.

Quanto à origem das gravações, é irrevelante do ponto de vista jornalístico. Se tem interesse público, noticia-se.
Lamento decepcioná-la, mas toda a jurisprudência emanada do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem tem feito prevalecer a liberdade de informação sobre os chamados direitos de personalidade - incluindo o direito à imagem.
O Estado português, aliás, já foi condenado várias vezes por causa de sentenças judiciais restritivas no âmbito da liberdade de informar.

Como ensinou Orwell, um dos mestres mais autorizados desta profissão, «jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade.»
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 03.05.2018 às 14:22

Pedro sem querer fazer demagogia :

Presumo que para vincar a notícia escrita seja lícito, em nome do Direito à informação, tornar públicas ,num cenário de guerra , as imagens de vitimas desvisceradas, com o argumento de se informar o Público sobre a verdadeira natureza da guerra- uma realidade sem filtros.

Pergunto, quem avalia o Interesse Público quando nem os jornalistas encontram consenso? Caberá a cada um decidir?

O que acresenta à informação da notícia,citada, ela vir acompanhada de imagens , senão o voyeurismo , numa clara violação ao Estatuto dos Jornalistas?

Quanto a Orwell também os génios são capazes de bestiais genialidades. Levando ao absurdo veja bem ao que nos levaria - ao jornalismo brasileiro de sarjeta.
Imagem de perfil

De Sarin a 03.05.2018 às 14:27

Mas, Pedro, eu não preconizo o direito à imagem ou a limitação da liberdade de imprensa.

O que não aceito é a utilização jornalística de gravações ou de factos descobertos no âmbito de uma investigação judicial enquanto não encerrado o processo!

Uma coisa é ter investigação jornalística, paralela e com fontes próprias, outra é ter a Justiça ao serviço dos jornalistas.
Caramba, Pedro, no interesse da Liberdade de Imprensa as fontes estão protegidas. Mesmo que contrariando o interesse da Justiça. Porque não exige a mesma protecção das fontes à Justiça? É que eu defendo a separação de poderes. Incluindo a este nível.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 22:57

À justiça o que é da justiça, ao jornalismo o que é do jornalismo.
Eu cuido do jornalismo, da liberdade de imprensa e do direito à informação. Os agentes judiciais que tratem da protecção das suas fontes.
De resto, desde que o processo é aberto, por imperativo legal, aquelas imagens passam a estar disponíveis pela defesa dos arguidos e por qualquer entidade que se tenha constituído como assistente - além dos mais diversos intervenientes processuais, incluindo funcionários da Polícia Judiciária e do Ministério Público.
Imagem de perfil

De Sarin a 04.05.2018 às 02:04

Não sabia que a SIC, ou o CM ou outro qualquer órgão de comunicação social, se tinham constituído assistentes :)


Claro que cuida, Pedro, e não espero que profissionais do sector estejam dispostos a ceder um milímetro. O problema surge quando as desigualdades nos milímetros cedidos pela Justiça levam os cidadãos a questionar porque não é este desequilíbrio de forças alvo de matéria jornalística, ou até que ponto é que a revelação de algumas fontes não será também "do interesse público".

Um jornalista pode ser um cidadão do Mundo, mas continua a ser um cidadão.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 04.05.2018 às 08:31

Não sei se a SIC ou a CMTV se constituíram assistentes: se podem fazê-lo, é bom que o façam e provavelmente fizeram-no. Porque assim prestam melhor serviço informativo a quem acompanha estes canais de televisivo. E só prestam bom serviço se relatarem o que sabem, não se omitirem aquilo que é do interesse geral em benefício de qualquer interesse particular, seja de quem for.
Recordo que as normas processuais penais que vigoram em Portugal foram aprovadas pelo governo de José Sócrates. Incluindo o registo filmado dos depoimentos prestados pelos arguidos em sede de investigação criminal.
Imagem de perfil

De Sarin a 04.05.2018 às 11:49

Como deve ter percebido, não me refiro apenas ao trabalho da SIC, com o qual não concordo por uma questão de princípio.

Não é querer ocultar, é não querer que a Justiça seja também circo e fogueira.
Porque tudo pode ser, afinal, classificado como do interesse geral, e seria interessante saber quem fará tal classificação, Pedro... mas talvez fosse apenas interessante para alguns e não para a generalidade. Porque não houve tal preocupação com o interesse geral quando foi o caso dos submarinos, caso internacional em que corruptores são condenados por corrupção sem haver corrompidos; ou no caso das Secretas, no qual acusados de violação de Segredo de Estado não se puderam defender por estarem obrigados ao Segredo de Estado. Ou talvez eu esteja enganada e nada disto, nenhum destes mecanismos e das leis que os suportam, seja do interesse geral e o que interessa mesmo é saber como o Zezito gastava o dinheiro porque talvez seja verdade que o interesse da generalidade acaba quando não se pode personificar a asneira e traduzi-la em comparações.

Por mim, interessa-me é saber como o ganhou, para poder discutir e corrigir os mecanismos que lhe permitiram ganhos ilícitos. Interessa-me ver como e durante quanto tempo esticarão o processo, e talvez então se discuta o sistema judicial a sério, porque agora a opacidade é tal que se lançam estatísticas mas não se devassam os comos e os porquês.
Interessa-me ver se e como o Estado será ressarcido, porque o Código Penal bem precisa de clarificar se os direitos e garantias de um indivíduo se sobrepõem aos direitos da sociedade ou não.
Interessa-me, além de ver os criminosos julgados e condenados, saber se serão ou não impedidos de exercer funções no Estado e por quem ou por quanto tempo, e talvez se aproveite depois para discutir esta história de "cumprir a pena é pagar a dívida à sociedade" já que o registo criminal inibe o exercício de algumas funções mas os cargos políticos não fazem parte da lista.
Tudo matéria que não tem sido do interesse geral, eu sei, e os outros zezitos agradecem.


Continuo a respeitar a Liberdade de Imprensa e a deplorar as muitas oportunidades perdidas em favor da opacidade.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 03.05.2018 às 14:40

Não sendo o casaco notícia, não deixa de ser quem o paga e quanto vale o retorno para tanta bondade.
Imagem de perfil

De Sarin a 03.05.2018 às 19:19

É a isso que chamo saturação da opinião pública, factos fatinhos e casacos para distrair, fazer render o peixe.

Entre uma distracção e um berloque de notícia, vendem-se mais uns jornais, aumentam-se umas audiências e a malta corta no casaco de quem nos despiu mas ninguém pergunta alto: já estão corrigidos os mecanismos que o permitiram???
Espreite o BASE, se não espreitou já, e terá um bom exemplo.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 03.05.2018 às 21:24

Ensine-me a base que frequenta.
Imagem de perfil

De Sarin a 04.05.2018 às 01:33

Um mapa interessante das contratações públicas e outros contratos firmados por entidades públicas ou que, sendo particulares, recebam subvenções e apoios estatais (cf definido no Código das Contratações Públicas).


http://www.base.gov.pt/Base/pt/Homepage


Um mapa extraordinariamente esburacado.

O Código dos Contratos Públicos tem sido alterado, mas as notícias e a discussão saem em voz baixinha... porque o testemunho do primo do vizinho da porteira do prédio do Sócrates tem sido mais fixe.
E como estes, outros mecanismos.
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 04.05.2018 às 09:25

Obrigado pelo link!
Imagem de perfil

De Sarin a 04.05.2018 às 12:56

De nada :)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 03.05.2018 às 13:31

O Salgado e todos os banqueiros, mesmo o Champalimaud,, que se “REPRAVITIZARAM” após a estupidez das nacionalizações abrilistas, os banqueiros viraram todos uns sofisticados “Alves dos Reis”, ou seja, fabricantes de dinheiro.

Os velhos e os novos banqueiros subornaram, e gozaram com todos os políticos de meia tigela destes 40 anos, de LIBERDADES totais para os espertos.

Reaça
Imagem de perfil

De Paulo Sousa a 03.05.2018 às 20:25

Quem é que não podia faltar hoje no site do PS a assinalar os 45 anos do partido???
https://www.instagram.com/p/BiUJu2AA38E/
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.05.2018 às 22:58

Que assombração em dia de aniversário.
Sem imagem de perfil

De Herr Von Kälhau a 04.05.2018 às 08:10

Imagem de perfil

De Sarin a 05.05.2018 às 04:55

Mas... não deveria ter sido no ano passado??
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 04.05.2018 às 10:59

Sobre a lei espanhola, nada sei.
Sobre a lei americana no tempo de Nixon, também não sei nada.
Mas sei que a lei portuguesa proíbe a divulgação daquelas imagens sem a autorização dos filmados.
Proíbe e proíbe muito bem, a meu ver. Eu também não quero que jamais filmagens ou fotografias minhas sejam exibidas sem a minha autorização.
Portanto, a divulgação das imagens violou frontalmente a lei.
É claro que o Pedro Correia se está a cagar para a lei, tal como já aqui disse.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 04.05.2018 às 13:52

Não utilizo esse vocabulário, próprio da Segunda Mais Elevada Figura da Nação.
Que, conforme confessou, se está "cagando para o segredo de justiça".

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D