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Velhos? Só os novos!

por Teresa Ribeiro, em 21.12.17

meia-idade.jpg

 

- Fazes quantos anos?

A aniversariante respondeu, com voz sumida, quase envergonhada: "27". Família e amigos, percebendo o desconforto, começaram com as piadas  de circunstância: "Já só faltam 3!". E riam, enquanto espetavam os dedos.

A cena aconteceu há dias, mas nada tem de invulgar. Oficialmente deixa-se de ser jovem aos 25 e a cultura instalada sobrevaloriza tanto a juventude, que ninguém quer deixar essa zona de conforto. Mas experimente alguém, que já passou os 45, mostrar-se incomodado com o envelhecimento. Caem-lhe logo em cima, com clichés como  "o que interessa é manter o espírito jovem", ou "a vida começa aos 40".

Acho normal que não se goste de perder as formas, nem o contorno das linhas do rosto e ainda mais natural reagir com desconforto ao aparecimento de dores de costas, insónias ocasionais, enfim, os achaques que nos lembram que nunca se escapa impune à passagem dos anos. Mas lamentar a perda da figura em que nos reconhecemos durante a vida inteira e a falta de vigor que o envelhecimento implica, agora é tabu.

Comentar algo do género é habilitarmo-nos a sessões espontâneas de aconselhamento psicológico, a diagnósticos sumários de depressão e a toda uma série de equívocos que o melhor mesmo é não arriscar, ou então alinhar no discurso que não por acaso agora faz escola e que é o do elogio do envelhecimento feito por "raparigas" de meia idade.

O que elas dizem? Invariavelmente que se sentem jovens, pois não se reconhecem na idade que têm. Ou seja, mudam de assunto: para contornarem a parte incómoda da questão, a da indesmentível degradação física e respectivo desconforto,  falam da discrepância entre o ritmo de envelhecimento do corpo, que é mais rápido, e o do espírito. E fazem-no como se essa não fosse a regra que se aplica a toda a gente. 

Manobras de diversão à parte,  a verdade é que a mesma sociedade que leva jovens a sentirem-se absurdamente velhos, impõe aos que já começam a sê-lo a lei da rolha. Como se o envelhecimento fosse uma falta demasiado grave, para ser discutida sem filtros, à frente dos outros.

 

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11 comentários

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De Anónimo a 21.12.2017 às 18:16

Sim, sim, clichés há muitos. Até me faz lembrar um post recente de Helena Sacadura Cabral. Eufemismos ... mas a realidade é que não gosto de envelhecer e perder qualidades mesmo dizendo que me sinto jovem e etc. Mas, quer eu queira quer não, vou acabando aos poucos.
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De Teresa Ribeiro a 22.12.2017 às 11:05

A Helena Sacadura Cabral é uma daquelas raras pessoas sobre as quais podemos dizer que não têm idade. Quem a conhece, e eu tenho esse privilégio, reconhece-lhe uma energia e uma força interior absolutamente excepcionais. No seu caso tudo o que diz acerca de não se sentir com a idade que tem, é pura verdade. Frontal como é, jamais alinharia no discurso politicamente correcto que eu aqui estou a comentar. Neste post falo de verniz, não de autenticidade.
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De Anónimo a 22.12.2017 às 12:57

"raras pessoas sobre as quais podemos dizer que não têm idade" Dizer, podemos. Pode-se dizer o quisermos, o problema é que podemos dizer coisas que não correspondem á realidade. Pensando bem não é problema, dizer o que nos vem á cabeça até é divertido.
Mas de facto não existe ninguém que não tenha idade.
"o que diz acerca de não se sentir com a idade que tem, é pura verdade" nesta (de não se sentir) já posso acreditar. Ela não sente mas os outros sentem. Não tenho o privilégio de a conhecer pessoalmente, só da televisão. É quanto basta para eu ter a certeza de que tem idade e até sinto, mais ou menos, quantos anos tem.
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De Luís Lavoura a 21.12.2017 às 18:27

Oficialmente deixa-se de ser jovem aos 25

Como assim? Oficialmente deixa-se de ser jovem aos 40.

Pelo menos na política é assim. As juventudes partidárias aceitam gente até aos 40.

Ainda ontem estava a ouvir descrever Inés Arrimadas, a política catalã, como "jovem". Mas ela não é nada jovem, já tem 36 anos (creio), já está bem longe da beleza da juventude.

De resto, dizer que a juventude acaba aos 25 é um disparate. As mulheres atingem o pico da beleza aos 26. Se formos pela força física, tanto homens como mulheres estão no topo aos 19, ou seja, muitíssimo antes dos 25.
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De Teresa Ribeiro a 22.12.2017 às 10:53

Se entretanto não foi revisto, o limite para se ter um cartão jovem (ainda existe? penso que sim...), era os 25 anos. Para o fisco, a partir dos 25 anos e mesmo que ainda esteja dependente financeiramente dos pais, uma pessoa deixa de ser considerada como dependente. Até arranjar emprego fica no limbo fiscal. Não existe. Oficialmente a juventude acaba, portanto aos 25.
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De Beatriz Santos a 21.12.2017 às 23:09

Ora aí está. É isso mesmo. Mas por que carga de água alguém que se sente envelhecer não pode afirmá-lo. É facto que não entendo. Essa história da juventude do espírito irrita-me soberanamente, uma pessoa sem se lembrar do que comeu ao almoço, esquecida do nome das pessoas, dos livros, e sei lá de que mais e a dizer, ah, eu tenho um espírito jovem. Qual quê, o espírito também tem idade. Além disso, também me parece questão intrincada haver gente - que não é assim tão pouca - a dizer-me que não se sente com a idade que tem senão quando vê as fotos. Será que não têm espelho em casa?! É que eu, por mais que queira não consigo sentir-me jovem (e nem preciso do espelho). Digo mais, sinto-me sempre com a idade que tenho. Houve mesmo um ano em que me senti durante 365 dias com um ano a mais. Portanto, gozei dois anos da mesma idade. Dá vontade de dizer, ó pá, deixem-me ser velha, tal não está a moenga.
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De Teresa Ribeiro a 22.12.2017 às 10:55

Eheh! Tenha cuidado, ainda a vão acusar de não saber envelhecer...
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De Anónimo a 22.12.2017 às 14:28

Pois eu cá envelheço mesmo sem saber. Até me recuso mas não adianta.
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De Beatriz Santos a 22.12.2017 às 17:07

E alguém sabe?! Cada um é velho pela primeira vez:). Diz uma colega com alguma graça, "é que há workshops de tudo, mas ninguém me explicou tintim por tintim o que acontece quando envelhecemos, eu não estava preparada para isto, pá".
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De Anónimo a 22.12.2017 às 17:19

A Helena Sacadura Cabral pode explicar (e, se calhar é fácil, basta fingir que não estamos a notar).
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De Anónimo a 03.01.2018 às 00:29

Eu tenho 69 e sinto-me jovem para amar uma mulher de qualquer idade-dos 45 aos 55.
Óscar

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