Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Vai levar a palma ao Saraiva

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.02.17

"Basta o residente não ser “habitual”, isto é, ser estrangeiro ou ter regressado de uma estadia de mais de cinco anos fora do país, para Portugal ser um domicílio fiscal muito agradável. No portal das finanças, está confessado o objectivo de “atrair beneficiários de pensões obtidas no estrangeiro”. Resultou no caso da Suécia, donde as partidas para Portugal terão triplicado entre 2011 e 2014."

 

Se António Costa tivesse alterado o regime teria feito mal porque Portugal precisava dessas receitas. Como até agora ainda não o alterou, António Costa faz mal na mesma. É lógico, de acordo com a irrepreensível lógica do historiador Rui Ramos.

Apenas lamento que Rui Ramos não tivesse perguntado na altura, isto é, no tempo do governo da coligação PSD/CDS-PP, quando essas partidas da Suécia para Portugal ajudaram a compor as contas de Vítor Gaspar e de Maria Luís Albuquerque (e ainda assim foram insuficientes para atingirem um défice de acordo com as exigências de Bruxelas), se também então podíamos ser suecos.

É que se o Governo de Passos Coelho (o das ajudas de custo e despesas de representação), do "Dr." Relvas (o da licenciatura a jacto) e do Dr. Macedo (o dos vistos gold) me tivesse permitido, nessa altura, ser sueco, talvez hoje, a milhares de quilómetros, não me sentisse tão português e tão parecido com os gregos de cada vez que transfiro dinheiro para pagar as contribuições da minha futura reforma.

 


20 comentários

Sem imagem de perfil

De Fernando Oliveira a 28.02.2017 às 10:38

Não vou defender RR.
Julgo no entanto que o sentido da crónica de RR não é a que o sr. entendeu.
(e por isso lamenta).
Na minha opinião o tema central é a carga excessiva dos "indígenas" em relação aos estrangeiros.
Se estou a ver mal, tentarei ver melhor na próxima vez, obrigado.




Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 28.02.2017 às 11:04

Mas olhe que eu, e todos os portugueses que pagam impostos, sempre pagaram a carga excessiva dos "indígenas" sem terem direito às contrapartidas dos suecos. O que aconteceu com todos os governos. E essa carga excessiva já vem de trás (até houve um "aumento colossal" que levou à demissão de um ministro das Finanças).
Enfim, não temos nem o Estado dos suecos nem as isenções dos estrangeiros. Mas temos o RR para se queixar dos Costas que deviam ter feito o que os Coelhos não fizeram.
Sem imagem de perfil

De Costa a 28.02.2017 às 11:21

Eu lógica diria que o primeiro parágrafo do seu texto não se fundamenta na irónica qualificação que v. faz da lógica de Rui Ramos. Isso será, arrisco, um seu artifício para malhar publicamente num historiador de direita e figura já tida como ódio de estimação (um deles) da sempre moral e intelectualmente superior esquerda. Bem o sabemos "malhar na direita" é, desde há algum tempo e por voz especialmente autorizada, não só direito sagrado como dever prazenteiro de quem se enquadra no que por estes dias é gente de bem e de patriotismo.

Afinal v. não questiona uma só vez a substância da argumentação de R. Ramos. Atira-lhe com um passado onde afirma existirem, sob cor política diferente, os mesmos vícios. O que, presume-se, inocenta, desculpabiliza, purifica os vícios actuais. É também nisso aliás que nos vamos alegremente afundando: na pueril atitude do menino que apanhado a fazer disparates logo aponta o dedo, em berreiro, ao outro menino que os terá feito antes e sem ser castigado. E a partir daí, dessa superior e clarificadora argumentação, pretender prosseguir o assunto é inadmissível e quase(?) de lesa-pátria.

Infantilidades descaradamente proferidas, pelos "governantes", pelos "representantes do povo" e pelas suas clientelas, com o semblante grave e austero da solenidade parlamentar, com a vibrante fúria do patriota ofendido, com a dignidade da função de Estado e com a desfaçatez do mais impenitente e impune dos charlatães.

Tudo ao mesmo tempo.

Quanto à substância da coisa, diga-me: que governo uma vez no poder de facto pôs fim às medidas que um outro, anterior e de diferente cor, tivesse aplicado com o objectivo de sacar dinheiro (por favor poupe-me à ladaínha da reposição de rendimentos - a quem a teve... -; porque prontamente anulada pela pressão fiscal sobre bens sem os quais por estes dias não se vive)? E lhes pôs fim disso resultando, em termos líquidos, pagarem as pessoas de facto menos para viver?

Porque não põe este governo fim a estas práticas iníquas de favorecimento de estrangeiros? Coloque-se sim esta questão.

Corrija-se o erro. E depois, por elementar justiça ou necessidade política de fazer sangue ou o que se quiser, investigue-se o passado da coisa e quem tem responsabilidades em quê.

Costa
Sem imagem de perfil

De Jorg a 28.02.2017 às 11:22

Olhe eu acho que os dados desta moscambilha relacionada com "ser sueco", inspirada ahimé pelos governos da "direita" certamente, terão de ser objecto de devido controlo e tratamento estatístico por parte da Autoridade Tributária e Aduaneira com apeso atestando autorizada publicação!! Ainda para mais que, como acertadamente assinala, cheira ali a falta de permissão do Passos Coelho, do eterno Relvas, do Macedo (que, surpresa, apanhado a mentir, se demitiu logo, o tótó..), do Gaspar e da Maria Luís. E olhe que o Núncio também anda lá metido, o sacana....

E olhe o que isso representa, "p'ás pessoas" coisas importante: acaba o excesso de zelo no despejo de famílias com dívidas ao Fisco e deixa-se de tanto autuar quem não pagava portagens na auto-Estrada...

Acrescente-se ainda que se pode, de forma transparente combater a perjoração que, difusa, se constata com o "ser português" fora de portas. Em França ou no Brasil, esvaziava-se o anedotário de personagens lusos do estereotipo de pobre-diabo rustico transmontano, em Itália, encorajava-se a revisão semântica do "fare il portoghese" que, comumente se associa a pessoas que entram sem pagar num recinto onde está ter lugar um espectáculo ou na Turquia, onde a significação "portukal" como "laranja" reduz méritos da recente história de Portugal aos governos do Prof. Cavaco Silva e eventualmente Passos Coelho.
Tal perjúrio...não, queria antes dizer perjoração [perjúrio é aquilo que o geringonço Cemtino anda a reiteradamente cometer no parlamento..! ] ..

Tal perjoração, ainda de recente acentuada com a expressão "geringonça" (até o famélico Hamon, um candidato socialista françês a presidente que aparece em 4o. ou 5o. lugar nas sondagens, de visita ao burgo ibero-atlântico, arranjou logo "jingle" cómico a custa da "pronunciation"..) tem de ser substituida por aquela que emana da industria relojoeira suiça, e.g. onde entre os topo-de-gama da IWC Schaffenhausen incluí a sofisticada série "Portugieser", fina joalharia mecânimente sofisticad que claramente deixa para trás tralhas de pechibeques geringonçados....
Sem imagem de perfil

De sampy a 28.02.2017 às 13:14

A lógica infalível de um socialista resignado: se o PSD fez, o PS também pode fazer. Se está errado agora, também estava errado antes; e por isso está certo agora.
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 28.02.2017 às 14:41

Custa-me a entender como é que os suecos que vieram viver para Portugal ajudaram a compor as contas do Vítor Gaspar e da Maria Luís se, como se sabe, aqui não pagam impostos directos. Ajudaram-se foi a eles próprios, fugindo aos impostos, como acontece frequentemente entre nós, aliás sem grande censura pública. E os impostos na Suécia não são pêra doce...
Se o Sérgio puder provar que está há mais de 5 anos a residir no estrangeiro, também poderá beneficiar dessa regalia, não lhe convindo, penso eu, que o Costa altere a legislação aplicável.
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 28.02.2017 às 15:05

Sim, os suecos vivem de pão e água, dormem em tendas instaladas nos jardins dos empreiteiros da Quinta do Lago e deslocam-se à boleia pela Via do Infante quando vão a Sevilha aos amendoins. Uns pelintras.
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 28.02.2017 às 15:33

Eu não escrevi isso, caro Sérgio. Eu sei que os suecos que optaram por viver em Portugal são, de uma maneira geral, da classe média que, no seu país, mais do que em Portugal, está sobrecarregada de impostos. E que tomaram essa decisão não só pelo nosso sol, mas também para fugirem à canga do fisco.
O que me custa a aceitar é que se considere, como o Sérgio considerou, que essa gente veio ajudar a compor as contas do Vitor Gaspar e da Maria Albuquerque mais do que os simples turistas que por aqui passam.
E também notei que esse tratamento fiscal favorável é coisa de que o Sérgio também pode aproveitar.
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 28.02.2017 às 16:28

Pois não. Então e os impostos indirectos não contam? Tem ideia dos gastos desses reformados "classe média" e suas famílias em Portugal? Do valor das casas que compraram, por exemplo, para se instalarem, muitos recorrendo a sociedades offshore? Dos gastos em restaurantes, bares, supermercados? Do que gastaram em advogados, notários, escrituras, registos, imt, imi...
Portugal está em saldo há muito tempo. Não sei se tem a noção disso.
Quem diz suecos, diz holandeses, ingleses, dinamarqueses, alemães, iranianos, franceses, irlandeses, americanos, etc..
Queria que o Costa os pusesse na fronteira, "à Trump", para o RR ficar satisfeito? Que os esfolasse, como o Governo PSD/CDS-PP fez aos portugueses enquanto a rapaziada deles fazia "comboios" no Copacabana Palace? E a seguir o Costa fazia uma campanha para os que não precisam de "rebajas", como os sauditas, a família do Mugabe e os empresários angolanos do regime, é isso?
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 28.02.2017 às 18:25

Assim, sim, eu também acho bom ter-se aberto as nossas portas aos estrangeiros que queiram acabar a suas vidas em Portugal, pelo menos em parte. E sei bem do contributo positivo que esses estrangeiros trouxeram e trazem à nossa economia. Mas nem toda a gente pensa dessa forma. Legitimamente. Como também me parece legítimo que se peça ao nosso governo para baixar a carga fiscal que impende sobre quem aqui nasceu, aqui vive e aqui trabalha.
Só estranhei é que se diga, a meu ver um bocado a despropósito, que esses estrangeiros vieram dar um jeito às contas do Vitor Gaspar e da Maria Luís, embora aceite que, por via disso e indirectamente, as nossas contas públicas tenham melhorado, tal como melhoraram com o aumento do turismo, sendo que, neste caso, não foi necessário transformar Portugal num paraíso fiscal, nem seria necessário baixar, como se fez, o IVA da restauração, a meu ver erradamente.
Com esta argumentação mais parece que, sem razão, se quer defender o actual governo e atacar o governo anterior, tirando daí também benefícios.

Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 01.03.2017 às 03:21

Está equivocado e continua a atirar ao lado.
O que eu critiquei foi o facto do RR apontar responsabilidades a AC por uma situação que vem detrás, pela qual o actual PM não teve qualquer responsabilidade e da qual todos beneficiamos.
Não estou a defender o actual nem o anterior Governo, limitei-me a apontar uma incongruência de quem se dedica a atacar o actual Governo e a defender o anterior.
Muito ou pouco, a mim parece-me óbvio que os gastos dos estrangeiros em Portugal ajudam a equilibrar as contas do país.
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 01.03.2017 às 03:34

E repare numa coisa. Aquilo que o Tiro ao Alvo desvaloriza, considerando que não tem significado nas contas de Portugal, levou a ministra das Finanças sueca a queixar-se,e escreve RR, a atacar "um dos paraísos fiscais que mais prejudica a tesouraria sueca".
Então, um país como a Suécia tem necessidade de se queixar? Portugal é assim tão prejudicial às finanças da Suécia? Em que ficamos? Aquilo que pesa na Suécia afinal não pesa nada nas contas em Portugal?
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 01.03.2017 às 10:10

O Sérgio pergunta: "aquilo que pesa na Suécia afinal não pesa nada nas contas em Portugal?" e eu respondo: o que está em causa são os impostos directos, nomeadamente IRS, que os suecos não pagam na Suécia, nem pagam em Portugal.
Além disso eu disse que o contributo dos suecos (e dos outros) para a nossa economia é significativo e, por essa via, ajudam a equilibrar as nossas contas públicas, mas em valor pouco significativo.
E tem razão, eu não entendi o artigo do RR como um ataque ao governo actual por uma situação que vinha de trás, mas, isso sim, pelo ataque o nosso primeiro-ministro fez ao governo anterior a propósito dos offshore.
Sem imagem de perfil

De AMS a 01.03.2017 às 03:11

Já me pos a rir com essa do comboio no Copacabana Palace. Claro que na altura não achei piada nenhuma, porque enquanto eles por lá alegremente apitavam o comboio eu por cá enfardava como um cristo, expiava os meus pecados de ter andado a viver acima das minhas possibilidades.
Sem imagem de perfil

De JSP a 28.02.2017 às 21:07

Ah! A "clubite", a eterna "clubite"...
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 01.03.2017 às 03:21

Sim, nisso RR nunca se equivoca.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 01.03.2017 às 01:41

O último parágrafo do seu texto, é grotesco, podia ter sido escrito pelo Galamba ou pelo Miguel Abrantes.
Quanto ao resto, num país que vive da caridade internacional como é o nosso, todos os que para cá venham viver acompanhados do dinheiro dos seus rendimentos são benvindos.
Como o mercado dos reformados europeus é muito disputado pelos países da Europa meridional, agora que o Norte de África está impraticável é aproveitar, tendo em linha de conta as condições que os nossos concorrentes oferecem a essas pessoas. Todos sabemos que com vinagre não se apanham moscas.
A única queixa que ouço a alguns suecos que conheço, é que de uma maneira geral os vinhos portugueses são mais baratos na Suécia do que em Portugal. Mas isso já são "contas de outro rosário".
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 01.03.2017 às 03:27

Opiniões à parte sobre o Galamba e o tal de Abrantes, os portugueses que andaram a fazer sacrifícios, a apertar o cinto e a cortarem nos salários, trabalhando o mesmo ou mais mas recebendo menos, e a quem Passos Coelho agradeceu os esforços feitos, devem ficar satisfeitos ao saberem que afinal vivem da "caridade internacional". Uns chulos, quer V. Exa. dizer.
E quanto aos vinhos, há-de me dizer onde é que na Suécia são mais baratos para eu pedir aos meus amigos suecos para me mandarem uns contentores.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 01.03.2017 às 14:07

Um país (estado+empresas+familias) que deve 4,5 vezes o seu PIB ao estrangeiro, vive de quê? Só em Janeiro deste ano a divida aumentou 2000 milhões. Se não fosse o BCE, se calhar metade da população já andava de alpercatas.
Quanto ao preço dos vinhos portugueses lá fora: pense em meia duzia de marcas que estejam à venda na Suécia e pergunte aos seus amigos suecos quanto é que custam no país deles. Depois compare com o preço que esses vinhos custam em Portugal, principalmente se forem consumidos em restaurantes. E depois de fazer esses exercícios, encomende lá os contendores que quiser...
Sem imagem de perfil

De JSP a 01.03.2017 às 19:42

Meu caro autor do "post" , chama-se a isso "desviar para canto"...

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D