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Vai chamar cobarde a outro

por Pedro Correia, em 23.06.17

Prossegue em velocidade acelerada a estratégia de contenção de danos políticos por parte do Governo. Com a ministra da Administração Interna, antes tão discreta, agora a desdobrar-se em declarações - aparentemente mais preocupada com a gestão da própria imagem do que com a clarificação dos diversos pontos ainda demasiado obscuros da tragédia de Pedrógão, o 11.º incêndio mais mortífero à escala mundial desde 1900.

"Era fácil demitir-me, rolava uma cabeça e o problema continuava. Teria sido cobarde fugir da adversidade", declarou a ministra em entrevista à RTP. Sem pensar que com esta frase estava a chamar cobarde ao seu companheiro de partido Jorge Coelho, que com inatacável hombridade, na noite da tragédia de Entre-os-Rios (em que morreram 59 pessoas, menos cinco do que agora em Pedrógão) anunciou ao País a sua demissão da pasta do Equipamento Social. "A culpa não pode morrer solteira", justificou na altura o governante. E muito bem.

Gesto cobarde? Nem por sombras, senhora ministra. Pelo contrário, foi um gesto adequado a quem faz questão de preservar a ética republicana, o bom nome das instituições políticas e a dignidade do Estado. Aliás o próprio Jorge Coelho, embora sem mencionar expressamente Constança de Sousa, aproveitou a sua intervenção de ontem à noite na Quadratura do Círculo para deixar a seguinte recomendação: "Aconselho os agentes políticos, todos aqueles que têm responsabilidades, a falar pouco. Não se preocupem muito em estar a dar entrevistas. Não é época para isso. É época para resolver os problemas."

Espero que a ministra tome a devida nota deste bom conselho.

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46 comentários

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De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:19

A demissão de um ministro não se destina a "resolver problemas".
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De Anónimo a 23.06.2017 às 15:27

Se não se destina a resolver problemas, o melhor é estar quieto.
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De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 15:29

</i>A demissão de um ministro não se destina a "resolver problemas".

Muito bem. Para que serve, então?

Se é para o ministro mostrar arrependimento pelo que (não) fez, então a demissão de Coelho servia (ele devia estar arrependido de não ter reforçado a ponte), mas a demissão de Urbano de Sousa não serve (ela não tem que estar arrependida de nada).

Se a demissão de um ministro não serve nem para mostrar arrependimento nem para resolver um problema, então para que raio serve?
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De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:39

Agora há aqui comentários em estereofonia. Autêntica câmara de eco.
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De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 15:58

Pois, os comentários estão de facto em estereofonia, mas conviria que o Pedro respondesse a pelo menos um deles, esclarecendo porque é que, em sua opinião, Urbano de Sousa se deveria demitir (se é que deveria), e em que é que a sua situação é similar à de Coelho no passado.
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De Pedro Correia a 23.06.2017 às 17:03

1. O desastre da "protecção civil".

2. O apagão do SIRESP.

3. O errático comportamento da GNR.

4. A morte de 64 pessoas.
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De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 17:08

A ministra não tem culpa de nenhuma dessas 4 coisas. O SIRESP é uma coisa que existe já há muitos anos, não foi feito pela ministra, é uma parceria público-privada que o Estado fez há bastantes anos e que tem que honrar. O comportamento errático da GNR no terreno não é culpa da ministra, que não estava lá; a ministra não pode ser responsabilizada pelo comportamento de cada patrulha da GNR. As 64 pessoas morreram em grande parte porque se meteram à estrada quando deveriam ter ficado quietas em suas casas.
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De Pedro Correia a 23.06.2017 às 17:18

A ministra é o vértice supremo da cadeia de comando e como tal não pode eximir-se ao fracasso registado pelos serviços públicos, incapazes de impedir a morte de 64 cidadãos cuja integridade física devia ter sido salvaguardada pelo Estado.
O jogo de passa-culpas não funciona quando se registam 64 óbitos. Só no tempo do Salazar é que a morte de 700 pessoas nas cheias de 1967 passou impune.
Em democracia não existe impunidade.
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De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 17:25

Tretas. A ministra não tem culpa, logo, não tem nada que se demitir. Um ministro não se demite só porque as coisas correram (muito) mal; um ministro demite-se se tem culpa de as coisas terem corrido mal.

Em democracia não existe impunidade.

Conversa de chacha. Conversa oca de político. Não se pune uma pessoa que não tem culpa. Pune-se uma pessoa que é culpada.
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De Pedro Correia a 23.06.2017 às 17:29

Imagino o Salazar com essa "conversa oca de político" dizendo aos seus próximos que não promoveria nem autorizaria nenhuma demissão ministerial após as trágicas cheias de 1967.
"Foi responsabilidade do Além, estivemos à mercê da inclemência divina", poderia ter afirmado o ditador.
E de facto ninguém se demitiu. Apesar de ter havido 700 mortos.
Felizmente vivemos em democracia, não em ditadura.
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De Nebauten a 23.06.2017 às 19:24

Meu caro Lavoura! Claro que a ministra, nem ninguém agiu com dolo( exceto se fogo posto) Mas a culpabilidade tem natureza diversa: negligência, imprudência , imperícia. Assim havendo uma cadeia hierarquizada e organigrâmica, que faz depender a Proteção Civil , do MAI, a ministra pode ser "acusada" de imperícia ou negligência.
E existe ainda outra forma de culpa, que é a mais grave de todas, mas não ilegal. A consciência de cada um. E nas forças de segurança o sentido de honra leva a que o comandante vá a frente e responda pelos seus homens. É o chamado Espírito de Corpo (111*Curso de Comandos)
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De Pedro Correia a 23.06.2017 às 22:55

Vera Jardim (PS):
«Quando os serviços falham, quem responde é o responsável máximo.»
http://rr.sapo.pt/artigo/86813/pedrogao_grande_ha_responsabilidade_politica_a_tirar

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