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Pensamento da Semana

por Francisca Prieto, em 12.08.18

“As mulheres são feitas de raparigas. Aos quarenta ainda deitam a língua de fora como aos quinze.” (Herman de Conick)

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Entretanto, em Moscovo

por Francisca Prieto, em 23.06.18

LENINE E O KAPITAL A SEUS PÉS

 

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Totós

por Francisca Prieto, em 28.04.18

Começas a sentir os primeiros sinais de que te dás com um grupo de totós dos livros quando, num jantar, referes que tens um exemplar da Servidão Humana autografado pelo próprio Somerset Maugham e se sucedem suspiros de admiração. Mais tarde, escutas um sussurro de alerta quando confessas que compraste no ebay um jogo da Penguin, que é um cruzamento de Trivial Pursuit com Jogo da Glória, onde em vez de queijinhos se podem ganhar livrinhos e que, caso se calhe na casa errada, se pode ter de devolver livros já ganhos à biblioteca ou ir parar à torre do Conde Drácula. Gera-se um bulício, todos querem marcar uma data para uma jogatana e fazem-te prometer com código de honra que não avanças para uma partida sem ser com eles. Como se tivesses outros amigos em pulgas para ganharem livrinhos e avançarem quatro casas para o farol da Virginia Woolf.

Mas é na ocasião em que se discute o Grande Romance Americano que as sirenes da totozice livreira começam a tocar com toda a pujança. Alguém que está a ler o Moby Dick aparece a vibrar com ilustrações de baleias retiradas da internet e mencionadas pelo próprio Melville na obra. Enquanto alguns convivas confessam o tédio excruciante que sentiram ao virar dezenas de páginas com descrições pormenorizadas sobre a anatomia deste mamífero, outros entusiasmam-se e declaram querer atirar-se de imediato ao romance. Percebes finalmente que está tudo louco quando alguém, no auge do entusiasmo, se lembra que podíamos organizar um evento idêntico ao que se desenrola uma vez por ano em New Bedford: 25 horas consecutivas a ler em voz alta a obra de Melville. O pior é que estavam a falar a sério.

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Pensamento da Semana

por Francisca Prieto, em 18.03.18

Num carro, enquanto percorremos quilómetros lado a lado, atingimos um grau de intimidade que, noutras circunstâncias, só seria possível após anos de convivência. Muito rapidamente e de forma quase instintiva aprendemos o ritmo de cada um, respeitamos os silêncios e lançamos gargalhadas desbragadas num uníssono cúmplice. Muito facilmente nos tornamos amigos para a vida de pessoas com quem jamais nos cruzaríamos se não tivéssemos embarcado na mesma viagem.

 

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Cá Por Casa

por Francisca Prieto, em 19.02.18

Adolescente Prieto, ó mãe, tenho uma coisa para pedir. Então diz lá. É que lá na escola, como estamos na quaresma, não fazem pão com chouriço à sexta. Ai sim? Pois, em vez de pão com chouriço, fazem pão com Nutella. E é tão bom, mas tão bom, mãe. É um granda pão, assim cheio de Nutella. Queria pedir-lhe se na próxima sexta feira posso levar dinheiro para comprar seis pães, mãe. Assim, todos os dias levava um para comer na escola.
E eu ah e tal, que Cristão e tal.

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Contra Todas as Expectativas

por Francisca Prieto, em 10.02.18

Vens de uma reunião de book club onde se discutiu literatura francesa, ou melhor, onde a literatura clássica francesa serviu de pretexto para se chegar a temas tão actuais como a discrepância social, a liberdade sexual ou a importância da educação.

Numa época em que o tema da igualdade de géneros se instalou em cima da mesa, dás por ti a apontar o dedo ao mito do príncipe encantado. Insurge-se uma das convivas, criticando que se trata de uma questão cultural, que as meninas das sociedades ocidentais ainda crescem induzidas a sonhar serem salvas por enxovais e cortinados.

Gera-se o debate, atiram-se argumentos irrefutáveis para um lado e para o outro, cresce a polémica no meio de vozes acesas, até que, por fim, as oito mulheres sólidas, independentes e de mente aberta, acabam por concordar que sim, que não há qualquer dúvida de que uma rapariga quer, pelo menos uma vez na vida, enfiar-se dentro de um vestido para fazer juras de amor eterno.

 

noiva.jpg

 

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Cá Por Casa

por Francisca Prieto, em 22.01.18

Recebo por SMS:
"A Medicare acompanha os Seniores de Portugal
O Goucha ja aderiu e voce esta a espera de que?"
Não sei o que responda. Se começo pelo Senior, se pelo Goucha.

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Pelo Mundo

por Francisca Prieto, em 19.01.18

Quando estás nos confins da Birmânia, em casa de um artesão, e as imagens decorativas da sala são, nada mais, nada menos, do que dois posters do Cristiano Ronaldo e um da selecção portuguesa.

Ronaldo.jpg

Birmânia 2017

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Cá Por Casa

por Francisca Prieto, em 16.01.18

blá, blá, blá, blá, ó mãe, a minha amiga tal de tal, quando se zanga fica rude. Rude mesmo, mãe. E eu, ai sim, então e tu, Rita, quando te zangas, como é que ficas? E ela, eu fico raivosa e agressiva, mãe. Raivosa e agressiva, mas não fico rude. E eu, enfim, muito mais descansada. Pelo menos não fica rude.

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Pelo Mundo

por Francisca Prieto, em 15.01.18

Era uma vez um monge que estava a tirar uma fotografia a uma janela de um templo, em contraluz. Os viajantes que passavam por perto ficaram fascinados com a imagem, e resolveram fotografar o monge a tirar uma fotografia a uma janela de um templo, em contraluz. Depois o monge virou-se de repente e, quando percebeu que estava a ser fotografado por uma multidão, desatou-se a rir. Os viajantes, apanhados em flagrante delito, também se riram.
Às vezes, o humor é uma linguagem universal que se basta.

 

monje.jpg

Birmânia 2017

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Imperdível Porque é Extraordinário

por Francisca Prieto, em 14.01.18

Regresso ao teatro com a comoção de quem regressa a casa. Deixo-me embalar no ritmo de um bom texto, divirto-me com os pormenores de encenação, com a forma como a tela vazia do palco se vai pincelando em jogos de movimento, em marcações, em soluções improvisadas. E penso sempre nos actores, nas pessoas que estão por detrás das histórias, que fazem aquele trabalho porque não lhes faz sentido estar na vida a fazer outra coisa.

ACTORES, em cena no São Luiz, é uma celebração a tudo isto. Uma peça tão bem montada que dá vontade de continuar a ver mesmo depois do pano cair.

A sério. A não perder.

Até 28 de Janeiro, de quarta a domingo.

 

Actores.png

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Do Que É Imperdível

por Francisca Prieto, em 06.12.17

Quando vamos ver um espectáculo e saimos de lá divertidos, emocionados, surpreendidos, sabemos lá. Quando temos vontade de dizer a toda a gente que não percam, que vão a correr comprar bilhetes, que gritem por uma sessão extra. É isso.
Teatro Trindade. Encenação de Beatriz Batarda e Marco Martins. Só mais este fim de semana. Imperdível.

 

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Pensamento da Semana

por Francisca Prieto, em 09.09.17

 

Antes meditação do que medicação.

 

 

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Do Pico

por Francisca Prieto, em 21.07.17

Há uns quantos dias que fazes tenções de te sentar a escrever sobre as gentes do Pico. Mas não tens conseguido baixar o volume do que se passa à tua volta de forma a estruturar o que trouxeste debaixo da pele.

Quando começaste as tuas primeiras viagens, preferiste lugares longínquos, sempre na ideia de que os Açores era um destino para visitar na meia idade.

Hoje, ainda que muitos dias te sintas uma miúda, tens essa meia idade. Talvez tenha sido por isso que foste finalmente aos Açores. Mas o que não podias prever era que antes da meia idade e antes de teres calcorreado mundo, nunca irias conseguir perceber a Ilha do Pico. Nunca terias um aperto a disparar do coração para a garganta de tanto que tu, que não percebes nada de ilhas, que não tinhas qualquer interesse em ver baleias e que queres lá saber de rocha vulcânica, sentes que aquele recanto do mundo faz parte de ti.

Nunca poderias imaginar que o azul cerrado do Atlântico, que te entra pelos olhos a cada curva da estrada e que se mistura com os muretes negros que acondicionam a vinha, te levariam de volta à simplicidade da tua essência.

Ficas a saber histórias de baleeiros, desses homens que por valentia, galhardia e fome, se atiravam ao mar em botes para levar um punhado de dólares para casa. Ficas a saber que o terreno da ilha era tão árido e rochoso que não havia forma de cultivar os alimentos mais essenciais. Percebes, mais uma vez, a fome. Ficas a saber que se importou terra do Faial para distribuir pela base rochosa e plantar vinha. Que se fizeram pequenos rectângulos de rocha vulcânica em redor da vinha para proteger as uvas do vento e da humidade. Que hoje, esse engenho de sobrevivência, que tornou a paisagem estarrecedora, é património da UNESCO. Que o vinho é diferente de qualquer outro que tenhas experimentado porque te escorrega pela garganta e te deixa no palato um rasto a sal idêntico ao que levas no corpo depois de um dia a mergulhar

Descobres a estrada do meio da ilha, debruada a hortenses de todas as cores, que tens de partilhar com manadas de vacas que não conhecem sinais de trânsito.

A montanha é omnipresente e tens vontade de a subir, mas ainda não calhou embarcares nessa aventura.

Deitas-te à noite com a chinfrineira dos cagarros, sabendo que mesmo ali defronte moram baleias, golfinhos e tubarões.

E sabes, sem perceber exactamente porquê, que tudo aquilo passará irremediavelmente a fazer parte de ti.

 

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A América

por Francisca Prieto, em 27.06.17
Lembras-te que, quando eras da idade da Rita e ias a Lisboa, o teu pai, que tinha mau génio, te levava a almoçar ao Great American Disaster. O teu pai era um paradoxo de onde saltava uma palmada à mesma velocidade que criava rituais de amor inesquecíveis.
Para ti, comer um hambúrguer e beber um batido no Great American Disaster era o mais próximo de ir à América que conhecias.
Anos mais tarde, foste para a América durante muito tempo. E o teu pai escrevia-te cartas muito compridas que, de tanto pormenor, te traziam com alegria de volta a Portugal. Mesmo quando a tua avó morreu, mesmo quando o teu irmão teve um acidente de mota do qual levou uma data de tempo a recuperar.
Mas a tua América começou ali, naqueles almoços onde podias escolher tudo o que quisesses, até rebentar. Na verdade, foi o teu pai, que nunca foi à América, quem te mostrou pela primeira vez a grandeza daquele continente.
Hoje foi a tua vez de levar a tua filha à América num copo de batido de morango. E esperas que lhe tenhas conseguido despertar o mesmo gosto que a ti te fez querer calcorrear o mundo.

 

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 16.06.17

Bloomsday é o único feriado literário do mundo. Celebra-se na Irlanda, no dia 16 de Junho, que é o dia do ano que James Joyce escolheu para o desenrolar da narrativa da sua obra Ulisses. A história, famosa por se passar num só dia, segue a vida e os pensamentos de Leopold Bloom das 8 da manhã do dia 16 de Junho de 1904, até à madrugada do dia seguinte.

As celebrações tomam várias formas, desde representações de cenas do livro com roupas da época, leituras, palestras, visitas a lugares referenciados na história ou até mesmo a reprodução do pequeno almoço que Leopold Bloom tomou na manhã de 16 de Junho. Inclui fígado e rins, juntamente com outros ingredientes típicos de um pequeno almoço irlandês frito.

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 15.06.17

Definição de Clássico, por Alan Bennett:



"a book everyone is assumed to have read and often thinks they have".

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 31.05.17

COMENTÁRIOS EM CARTAS DE REJEIÇÃO DE EDITORES:

 

O RETRATO DE DORIAN GRAY – Oscar Wilde

(1891)

“Contém elementos desagradáveis”

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 29.05.17

COMENTÁRIOS EM CARTAS DE REJEIÇÃO DE EDITORES:

 

UMA CONSPIRAÇÃO DE ESTÚPIDOS – John Kennedy Toole

(1980)

“Obsessivamente estúpido e grotesco”.

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 27.05.17

COMENTÁRIOS EM CARTAS DE REJEIÇÃO DE EDITORES:

 

O DEUS DAS MOSCAS – William Golding

(1954)

“Não nos parece que tenha sido bem sucedido a trabalhar uma ideia que admitimos poder ser promissora”.

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O nosso livro






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