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Delito de Opinião

Coisas de nada

Teresa Ribeiro, 07.01.26

É possível estabelecer e até construir uma relação, por limitada que seja, com base na troca rotineira de muito poucas palavras? Tão vazias de conteúdo quanto o são as palavras que fazem parte do protocolo da civilidade básica? Tenho meditado nisto desde que, há vários anos, passei a trabalhar em edifícios de escritórios com portaria 24 horas.

“Bom dia”, “Boa Tarde” e “Até amanhã” é ao que se resume, na maior parte das vezes, o “diálogo” que mantenho com os vários porteiros de turno. E, no entanto, tenho de todos eles uma opinião diferente. E o inverso, não duvido, é também verdadeiro.

Claro que é o tom de voz e a boa ou má qualidade do contacto visual que aqui fazem a diferença. Com uns simpatizo, com outros não. Àqueles que me cativaram mais, cumprimento num tom diferente, que reforço com um sorriso. Não o faço deliberadamente, é espontâneo. A modulação da minha voz e a expressão do meu rosto mudam automaticamente, ajustando-se em fragmentos de segundo ao meu interlocutor do dia. 

Não me ocorre uma relação diária que seja mais minimal que esta. E é isso que a torna interessante como objecto de estudo. Revela de forma inequívoca o poder da expressão facial na comunicação entre estranhos, a facilidade com que reagimos aos detalhes e construímos a partir deles um juízo de valor, a ligeireza com que formamos opiniões mesmo não sabendo nada de nada acerca das pessoas que entraram no nosso campo de observação. Em suma, a futilidade que subjaz à construção da imagem do outro.

Estou ciente de tudo isto e no entanto não consigo evitar  ter opiniões diferentes sobre cada uma das pessoas que diviso na portaria do prédio. Ignoro o que se passa nas suas vidas. Não lhes conheço um único pensamento. São, para todos os efeitos, estranhos com quem me cruzo todos os dias. Estranhos com rostos a que reajo. Como se dois rostos quando se olham fossem reagentes químicos. 

Extrapolando para relações mais complexas, por exemplo como as que estabelecemos com os estranhos que julgamos conhecer dos media e da política, acabamos a meditar sobre a fragilidade e arbitrariedade de avaliações, que dependem, muito mais do que gostaríamos, da linguagem não verbal. Há cada vez mais carreiras políticas que se constroem e alimentam disto. Só disto. Porque, ainda que informados, deixamos.

Comprar para esquecer

Teresa Ribeiro, 05.12.25

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Nada como passar pelo supermercado para apreciar o efeito de rebanho que as campanhas natalícias provocam nos consumidores. Parecem abelhinhas numa colmeia. E isto já se observa há semanas. Os senhores que nos pastoreiam lá sabem por que o Natal deve começar cada vez mais cedo. Apesar de termos uma vida difícil, gastamos mais quando pressionados. É esta a premissa número 1 de um bom marketeer.

O consumidor é um animal manso e obediente. Já assumiu que o Natal começa em Outubro e que a febre das compras tem de se cumprir, com ou sem dinheiro para gastar, logo se vê. Como se consegue este efeito multiplicador? É um mistério da fé. A verdade é que todos os anos os congestionamentos de trânsito em torno dos centros comerciais e as filas quilométricas para os caixas do supermercado se cumprem. Aos que resistem a esta via crucis por terem a mania que são diferentes, restam as pequenas excentricidades como a de só comprar em lojas de rua, de preferência no bairro, ou melhor ainda, fazer as compras natalícias ao longo do ano. Também há quem teime em festejar o Natal apenas a partir do dia 1 de Dezembro, como antigamente. Sou um orgulhoso membro deste grupo de resistentes. De alguma forma sinto que me redime de todo este desconcerto consumista em que me deixo arrastar.

Também compro quase tudo em lojas de rua. Menos mal. De resto compro, compro e compro o Natal como se não houvesse amanhã. Talvez para esquecer - visto que não tenho filhos ou sobrinhos pequenos, nem netos - que o Pai Natal não existe.

Blogue da semana

Teresa Ribeiro, 18.10.25

É uma sessão de tortura quando o condomínio é vasto, pois há sempre alguém que discorda da opinião geral, ou que não respeita a agenda de trabalhos e suspende a discussão em curso com considerações laterais. Se o imóvel já tem uns anitos, pior ainda, porque ao problema de chegar a consensos soma-se os que da idade do prédio resultam. Nestas condições as horas passam, a custo. O serão distende-se noite fora e não há nada que nos salve da... reunião de condomínio. Facilita, porém, conhecermos as regras que regulam estas agremiações heterogéneas e forçadas, por isso recomendo desta vez um blog de carácter utilitário, boa fonte para quem gosta de se preparar para a luta. Esta semana o vizinhos.blog é o blogue da semana.

O homem mais bonito do mundo

Teresa Ribeiro, 16.09.25

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Envelhecer também é isto. Ver desaparecer um após outro os adultos que amámos ou admirámos quando éramos crianças ou adolescentes. Não é comparável a dor face à morte de um parente chegado ou amigo, com a que experimentamos quando nos morre alguém que amámos à distância, diluídos num colectivo de fãs anónimos. Mas movidos por emoções, às vezes tão antigas, podemos surpreender-nos com uma sensação de perda tão funda, tão nossa, que nos confundimos.

Robert Redford foi o meu sex symbol. Durante muito tempo sei que eu e uma infinidade de mulheres pelo mundo inteiro concordámos em considerá-lo o homem mais bonito do mundo. Que ainda por cima – oh céus! – somava beleza a talento e atitude, atributos que lhe granjearam prestígio e o respeito dos seus pares.

Derreti-me ao vê-lo em “O Nosso Amor de Ontem”, ao lado de Barbra Streisand, invejei a fascinante Faye Dunaway, que foi par dele em “Os Três Dias do Condor” e adorei a dupla que fez com Paul Newman, o homem que o lançou para o estrelato em “Dois Homens e um Destino” (voltariam a contracenar em “A Golpada”). Não vou despejar aqui todos os títulos de filmes que vi com ele. Os poucos que falhei foram rodados no final da carreira, por razões atendíveis: às nossas pessoas reais, não podemos fazer isso, mas numa relação de celulóide, ainda que íntima, é fácil evitar, sem culpa, interpor rugas e cabelos brancos nas lembranças que queremos preservar sem mácula. No caso, as da minha paixão eterna e desmesurada – porque adolescente – pelo homem mais bonito do mundo.

Era aqui que eu descia

Teresa Ribeiro, 03.09.25

Era nesta estação de metro que eu descia, todos os dias, para vir para o escritório. Era, mas deixou de ser no dia em que a entaiparam para começar umas obras. Ignoro se trataram logo de pôr os cartazes a informar sobre a data de conclusão das mesmas. A minha experiência dizia-me que só daí a muito tempo eu teria a serventia daquela ala da estação de volta, por isso nem liguei. Ontem passei por lá e, curiosa, fui ver, enfim, o que os tais cartazes diziam. Para o caso de não se ler muito bem na foto, reproduzo a informação da C.M.L.: conclusão das obras em 24.6.24; retirada do tapume  em 5.2.25.

A câmara e o metro no seu melhor. Nem se dão ao trabalho de actualizar. Afinal escrever o quê? Para quem? Para os utentes? Essa gentinha sem rosto que por necessidade ou por capricho escolhe não andar de carro em Lisboa?

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Agenda escondida?

Teresa Ribeiro, 06.08.25

Num país onde enfrentamos problemas demográficos graves, anunciar medidas que vão dificultar mais a vida às mães que trabalham parece absurdo. Como JPT já referiu no post abaixo que também dedicou ao tema, não são estas alterações à lei laboral que vão fazer a diferença na vida das empresas, por isso só encontro uma lógica nisto, a que se destina a promover o retorno das mães ao aconchego do lar. Sim, há cada vez mais vozes a defendê-lo. Para muitos, afirmar que "a família está em primeiro lugar" é desejar nada menos que o regresso do velho modelo: mulheres em casa, a cuidar dos filhos, homens na rua a ganhar a vida. Só não o proclamam aos quatro ventos, porque sentem que ainda não chegou o momento. Mas a agenda já circula por aí. Escondida. 

Notícias em fast motion

Teresa Ribeiro, 05.08.25

Se já tinha esta rotina desde há tempos, agora ainda me empenho mais em mantê-la. Jornais na TV, só os vejo com 30 a 40 minutos de atraso. Margem segura para escapar aos intervalos de pub e que me permite ver quais foram as notícias do dia em dez, vá lá 15 minutos, caso alguma me tenha feito parar o botão do fast forward

Este exercício revela com evidência até que ponto - não sei se por preguiça, se por falta de recursos humanos - nos servem despudoradamente quatro ou cinco temas ao jantar, sempre os mesmos, como se mais nada houvesse para noticiar. A abrir, os fogos e fenómenos climáticos extremos noutras paragens. Depois, as urgências hospitalares que fecharam. A seguir, Gaza e Ucrânia. E para rematar, futebol, que a época já começou, o que é um alívio - com os programas de comentário político em férias, há que preencher o vácuo com bola. 

Sobretudo na abertura dos jornais faço questão de não abrandar. Mesmo aceleradas, aquelas reportagens com bombeiros e gente do campo em aflição despertam-me uma sensação de impotência indizível. Podiam pescar aleatoriamente reportagens de verões anteriores que não se notaria a diferença. Tudo igual. Como se de um rito macabro se tratasse.

Blogue da semana

Teresa Ribeiro, 28.06.25

Para os apaixonados por História, o blogue da Cristiana Vargas é um lugar muito apetecível, onde a propósito de fotos antigas e objectos de museu, entre outros documentos, ficamos a saber de episódios que são - diz ela e eu concordo - O Sal da História. Ir a banhos ao passado refresca-nos sempre as ideias quanto ao presente que temos, por isso deixo aqui a sugestão. Esta semana passem por aqui e surpreendam-se.

Ganhar a rua

Teresa Ribeiro, 08.03.25

Há semanas, na rubrica “O Homem que Mordeu o Cão”, que passa na Rádio Comercial, ouvi o Nuno Markl contar a seguinte história:

Uma mulher, que gostava de fazer jogging, após várias tentativas viu-se obrigada a desistir, com grande frustração, da sua corrida porque sempre que saía à rua para treinar sentia-se insegura, perseguida pelos olhares e dichotes dos homens com quem se cruzava. Até que um dia teve uma ideia: comprou uma peruca, um bigode postiço, um fato de treino masculino e assim disfarçada de homem experimentou voltar a correr. Foi um descanso. A partir daí nunca mais quis outra vida.

A história faz-nos sorrir, mas revela de forma bem clara a diferença que ainda existe entre ser homem e ser mulher num mundo supostamente civilizado.

Infelizmente não faltam exemplos de casos trágicos de discriminação sexual, mas esses inspiram muitos e muitas a pensar “isto não é comigo, não faz parte do meu mundo protegido”. Puro engano. O diabo, como diz o povo, está nos detalhes.

A última das três Marias

Teresa Ribeiro, 04.02.25

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Entrevistei-a o ano passado para o Público, a propósito do relançamento da obra de Maria Lamas "As Mulheres do Meu País". Então com 86 anos, a última das 3 Marias conservava no olhar a fibra da rebeldia, algo que contrastava em absoluto com a sua evidente fragilidade física. Esse desconcerto enterneceu-me, expôs de forma explícita o que ela era, o que sempre fora. Na altura estava a ser requisitada para várias coisas ao mesmo tempo. Entrevistas na televisão, noutros jornais, coisas que tinham a ver com as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Não escondia o cansaço nem a felicidade de ter de ser obrigada a andar numa roda-viva. Se nunca ninguém a impedira de fazer da sua vida o que queria, não seria a idade a dobrá-la.

Falámos de feminismo, perguntei-lhe o que pensava das mulheres – tantas – que fazem questão de se declarar “femininas e não feministas”. Respondeu-me: “Sinto que há muitas mulheres que não têm consciência de tudo o que foi conquistado. Durante anos e anos andaram mulheres a lutar pelos seus direitos e sofreram muito. Foram presas, espancadas, humilhadas. Eu fui insultada e espancada na rua. Enquanto me batiam disseram-me ‘Isto é para aprenderes a não escreveres como escreves’.”

 Ela e as outras duas marias (Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa) tiveram a ousadia de escrever um livro, “As Novas Cartas Portuguesas”, onde se falava das necessidades afectivas das mulheres e do seu desejo de emancipação. Lançado em 1972, foi considerado pornográfico pelo anterior regime e imediatamente apreendido. Estas recordações ainda lhe incendiavam o olhar. Era um orgulho. O seu e o das mulheres que sentia representar.

Na hora da despedida, agradeço-lhe tudo o que ajudou a conquistar para mim, para a minha filha e, quem sabe, para uma futura neta. E fica a promessa: pela parte que me toca, sempre honrarei a memória das feministas do meu país.

Nos 100 anos do cinema Tivoli

Teresa Ribeiro, 19.12.24

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Para quem adora Lisboa e cinema como eu, não lhe pode ter resistido. Frequento o Tivoli desde criança. Vi nesta sala, com a minha mãe, o incontornável "Música no Coração", numa das várias reposições que lá estiveram. E a Gata Borralheira. E outros filmes de bonecos que me prepararam para outras emoções, mais adultas, tendo sempre o celulóide de permeio. Mais tarde apaixonei-me por Robert Redford, para mim até hoje o homem mais bonito do mundo, quando o vi em "O Grande Gatsby", ao lado de Mia Farrow (desculpa, Leonardo Di Caprio, mas não chegas lá). Tantas vezes saí da velha sala da avenida a flutuar que quando me surgiu a oportunidade de contar a sua história em livro, para assinalar os 100 anos de vida, exultei. Não foi trabalho, foi a possibilidade de poder escrever uma longa carta de amor a um dos amores da minha vida de cinéfila e de lisboeta. Claro que por dever profissional pus de parte a minha história com o Tivoli. Mas ela inspirou-me para ir em busca das muitas histórias que tantos de nós guardámos dele. Garimpei e consegui, acho, demonstrar que não sou caso único. "Tivoli cem anos na nossa vida" (uma edição da UAU, em parceria com a Have a Nice Day) é um tributo a uma das salas mais icónicas de Lisboa onde se conta também o que fomos e vivemos ao longo do último século, através dos depoimentos de muitas das pessoas que lhe deram vida. 

À venda no site da ticketline.

Blogue da semana

Teresa Ribeiro, 22.09.24

De vez em quando lá venho eu ao Restos de Colecção. No muito trabalho que tenho desenvolvido à volta da memória empresarial, este blogue tem-me sido útil. Verdadeira ferramenta de trabalho. Mas além destas pesquisas orientadas para um determinado tema, também faço incursões onde o único objectivo é deixar-me levar por memórias avulsas. E o que eu gosto de entrar nesta máquina do tempo! Esta semana recomendo-o, o que é uma forma modesta de agradecimento pelo muito que me tem dado.

Impotência e ódio

Teresa Ribeiro, 18.09.24

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Tenho consciência de que não posso fazer nada a não ser ver arder. Isso corrói cá dentro. Mistura uma enorme sensação de impotência com velhos rancores, pois assisto a mais do mesmo há décadas. Agora, com as alterações climáticas, os incêndios metem os de antigamente num chinelo. É tudo em bom, avassalador. E a minha mente, com requintes de masoquismo, começa a imaginar os detalhes. Os animais que morrem nesse inferno, os insectos, tão necessários ao nosso ecossistema. Quanto às vidas humanas perdidas ou destruídas nem há palavras.

Já me cansam as declarações de circunstância dos políticos. Todos os que ainda os ouvimos sabemos, com o saber da experiência feito, que para o ano, pelo Verão, repeti-las-ão de ar consternado para as câmaras das televisões. Houve reportagens  que vieram a público sobre os negócios que se alimentam dos incêndios florestais. Calculo que não é fácil mexer nesse vespeiro, mas ainda não vi nada de consistente a ser feito contra estas redes criminosas. Também não vi nada de consistente a ser feito, a nível nacional, quanto à prevenção. Consistente é apenas a ideia que tenho de que uma vez passada a "época dos fogos", vai continuar tudo na mesma.

Especial avarias

Teresa Ribeiro, 18.09.24

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Saber se determinado elevador nas nossas estações está ou não a funcionar deixou de ser uma incógnita! No nosso site já pode visualizar o #EstadodosElevadores que permite saber quais os elevadores das nossas estações que se encontram inoperacionais - anuncia o Metro na sua página de Facebook. Achei ternurenta esta preocupação de informar os utentes sobre o estado da inoperacionalidade do metro. Aguarda-se com impaciência o lançamento da mesma funcionalidade relativa a escadas rolantes.

Livros de cabeceira (6) - série II

Teresa Ribeiro, 31.08.24

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Os títulos do meio, comprei-os na Feira do Livro. Li-os com a pressa e o vagar que dispenso às obras dos meus autores de estimação. Com pressa, porque confiante no prazer da sua leitura fico com vontade de as tragar de uma vez. Com vagar porque ao mesmo tempo antecipo o vazio que se segue quando chego ao fim de um livro que me encanta. E então demoro-me, relendo passagens que me impressionaram pela elegância e inteligência da escrita. Sublinho-as, tento retê-las para mais tarde recordar. De Ian McEwan e Javier Marías, dois dos meus amores literários, não posso dizer que em nada são iguais, pois têm em comum a capacidade de descrever com minúcia a complexidade da natureza humana, através de personagens tão interessantes e bem desenhadas que acabo a meditar nelas como se fossem gente.

Dispus na mesa de cabeceira os livros por ordem de leitura, portanto antes destes dois autores li Svetlana Aleksiévitch. Nunca tinha lido nada dela. Ainda bem que ganhou o prémio Nobel em 2015, porque o mais provável era demorar muito mais tempo a descobri-la. "A Guerra não tem rosto de mulher" é o resultado de um trabalho de pesquisa jornalística extraordinário sobre mulheres que combateram durante a II Guerra Mundial. Através dos depoimentos recolhidos, a escritora bielorrussa mostra bem como é diferente a relação mental das mulheres com a guerra e também como foi ocultado e/ou desvalorizado durante décadas o seu papel na frente. Como se fosse um embaraço.

Agora estou a acabar de ler Olga Tokarczuk. Também é uma estreia para mim. Este "Outrora e outros tempos" foi o seu primeiro grande sucesso. Mal entrei nele, percebi porquê. A escrita dela é poderosa, original. Mergulha o leitor num universo paralelo, onde mistura fantasia com realidade, um ardil para chegar a verdades incómodas e profundas, que aborda numa linguagem muito simples e depurada, quase infantil, sempre com a história recente da Polónia como pano de fundo. Foi Nobel em 2019, com toda a justiça.

Blogue da semana

Teresa Ribeiro, 30.06.24

Conversa connosco, o Luís Eme, mas sempre através de imagens e não me refiro só às fotos que ilustram cada post. A conversa dele é assim, muito cinematográfica, pelo tom coloquial que emprega e pelos episódios que vai vivendo e tão bem descreve. Se lhe apetece dois dedos de conversa, passe pelo Largo da Memória e deixe-se levar pelo olhar sempre atento, mas nada aborrecido do Luís. É a minha sugestão para blogue da semana.

Blogue da semana

Teresa Ribeiro, 16.03.24

Em epígrafe, os membros deste fórum prometem: "Não desistiremos enquanto a nossa capital não for aquilo que pode ser: uma das cidades com melhor qualidade de vida do mundo." Não são palavras vãs. Ao longo dos anos, esta militância por Lisboa sente-se. Sempre atentos ao espaço público da cidade, eles vigiam, denunciam, cuidam. Sem agenda política. Num país em que a sociedade civil quase não tem expressão, iniciativas como esta devem ser saudadas. Por isso escolho o Fórum Cidadania Lx para blogue da semana.