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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 24.05.20

O Sapo destacou há poucos dias o blogue do Luís Soares, que não conhecia, a propósito da colecção de fotos do americano Neal Slavin, que ele publicou, sobre Portugal no tempo da ditadura. Chamou-me a atenção, vi, gostei muito daquelas imagens, tão expressivas, que nos mostram um país a preto e branco, muito distante da realidade que conhecemos. Daí ser esta a minha escolha para blogue da semana.

Ele e a avó

por Teresa Ribeiro, em 20.05.20

Se fosse uma criança, ninguém estranharia tanto desvelo com a senhora sua avó, uma simpática anciã que completou recentemente 89 primaveras. Mas ele passa dos 40. É um homem feito, com uma vida. Tem muitos amigos, conquista-os facilmente, pois é uma pessoa naturalmente empática. E tem uma veia artística, que se transformou na base de muitas actividades em que não raras vezes é o elemento aglutinador: ele canta, toca, faz teatro, não pára quieto e no entanto tem sempre tempo para visitar, mimar, cuidar, daquela avó.

Podia ser um segredo bem guardado, esse amor desmedido que lhe dedica, mas não há qualquer espécie de pudor na sua atitude. Ele adora-a publicamente. Nas redes sociais lá estão selfies dos dois, notícias dos passeios e das patuscadas onde a leva em família.

Em tempo de pandemia, como seria de esperar, tornou-se de uma vigilância tão obsessiva, que me faz sorrir: “Não saias, é perigoso!”, “Não vás, eu vou!”, “Fulano quando te foi visitar usou máscara?”, “Não abras a porta a ninguém!”, diz-lhe quando lhe telefona do escritório.

Derreto-me com este amor tão fora de moda. Com a naturalidade que ele coloca em todos estes pequenos gestos. Como se fosse normal… (Será normal?) Olho à volta, procuro e não encontro exemplos que se aproximem sequer desta vontade de desfrutar até ao limite do possível a companhia de alguém que se sabe ter o tempo contado. Desta espécie de respiração boca a boca que ele lhe faz para a conservar motivada, bem-disposta, contente com a vida.

Em tempo de coronavírus, quando o que está a ganhar força em certos sectores da sociedade é esta miserável onda de darwinismo social que defende como um mal menor o sacrifício dos velhos em prol dos demais, este amor do Hugo pela avó parece, mais que nunca, um adorável anacronismo.

Oxalá

por Teresa Ribeiro, em 07.05.20

À medida que a torre de escritórios onde trabalho volta a ganhar vida, começam a surgir situações como a de ontem: quando ia a entrar, uma rapariga preparava-se para sair, de modo que avancei, segurando na porta, que tem uma mola forte, para ela passar. Acto contínuo a menina passa e quando está bem em cima de mim, prega-me com um sorridente "obrigada" nas bochechas. Nem eu, nem ela tínhamos máscara. Hoje, pelo sim, pelo não, usei uma.

Imagino que incidentes destes começam agora a acontecer, aos milhares, todos os dias. A par das mais variadas manifestações que expressam a euforia do desconfinamento. Na segunda-feira, quando descia a pé o jardim do Campo Grande, topei uma miúda que conheço bem. Estava com um grupo de amigos, todos num alvoroço, ao colo uns dos outros, a matar saudades da vida. Por acaso sei que a mãe dela tem um grave problema de saúde que a coloca na primeira linha para... Enfim, tudo isto é inevitável, mas confesso que esta sensação de me encontrar à mercê da consciência cívica dos outros, me está a causar bastante desconforto.

Vamos, é claro, surfar uma segunda onda em grande estilo, lá mais para o Outono. Nessa altura, ainda hei-de ver muita desta gente que agora tanto se alvoroçou contra as abusadas interferências do Estado, a correr para o SNS a gritar pela mãe. Oxalá me engane...

A morte, essa perigosa socialista

por Teresa Ribeiro, em 28.04.20

A turma do resfriadinho está a ficar nervosa. Quer o povo na rua, a bulir, que é para isso que o povo serve, mas o mundo continua paralisado. Muito religiosa, esta seita sempre sacrificou tudo ao seu deus todo poderoso. O deus universal a quem na América chamam dólar e por cá é conhecido por vários nomes: massa, carcanhol, pilim, papel, taco, pastel, graveto, caroço, bago, guito... Quase tudo designações carinhosas, pois como diz a canção, "money makes the world go around".

De facto não há quem o possa negar, até os corações mais empedernidos, que teimam em colocar a vida humana acima da vida empresarial, admitem que não se pode viver muito tempo sem facturar. E é neste equilíbrio de prioridades que agora se está a jogar tudo. Só que não é fácil, pois estamos a falar de uma quadratura do círculo, em que ir trabalhar pode ser um perigo, apesar de ser perigoso não ir trabalhar. Mas já divago...

A turma musculada do resfriadinho considera que já se perdeu demasiado tempo com este choradinho. A Covid-19, afirmam a brandir estatísticas, mata menos que uma gripe vulgar. De facto os números, esses sonsos, servem para provar tudo e o seu contrário, portanto quando a turma do resfriadinho apresenta as suas contas, bate tudo certo.

O problema é quando a senhora da foice chega e lixa tudo. Contra factos não há estatísticas que valham e na pantalha nunca se viu nada assim. Gatos pingados sem mãos a medir, valas comuns abertas em Nova Iorque (dá para acreditar?). No Brasil já se viu familiares enterrar os seus próprios mortos por falta de coveiros disponíveis e até já houve defuntos a sair da pista em hora de ponta e a aterrar no funeral errado. Itália, Espanha, França, Reino Unido, o mundo dito civilizado ficou de joelhos e tudo por culpa dessa senhora que se veste de negro, mas cuja lingerie só pode ser vermelha.

Essa perigosa socialista que - já se percebeu - tem ligações óbvias ao lobby dos ambientalistas, com a sua foice (onde será que pôs o martelo?!), anda a gozar com quem só quer voltar ao business as usual, desacreditando a sua versão dos factos. Mas que estúpida!

No escritório

por Teresa Ribeiro, em 16.04.20

A miúda da limpeza, antes tão antipática, agora presenteia-me com um belo sorriso sempre que nos cruzamos no átrio do prédio. Também o porteiro mais sisudo dos cinco que aqui rodam por turnos já não me responde com um grunhido quando lhe dou os bons-dias. Sente-se no ar um certo sentimento de irmandade entre os que resistem ao confinamento doméstico.

Na semana passada, quando soou o alarme por incúria de um dos inquilinos e todos os que se encontravam no edifício tiveram de descer, é que percebi quantas pessoas permanecem aqui. Contei pouco mais de vinte, quando nesta torre de doze andares trabalhavam várias centenas, que por sua vez recebiam em consultas, ou reuniões outras tantas. Entre população fixa e flutuante, por cá circulavam milhares de pessoas por dia.

Agora a minha rotina é simples. Entro, desinfecto-me, instalo-me à secretária frente ao computador. Ao escritório não vai mais ninguém. Tenho os gabinetes todos para mim, por isso quando falo ao telefone aproveito para fazer footing. Do fundo do meu gabinete até à sala de reuniões são 26 passos. Do gabinete contíguo ao meu até à porta de entrada, são 15.

Ja comparei a vista que todos os gabinetes têm para a rua. Em boa verdade já o tinha feito assim que para aqui nos mudámos, há cerca de um ano. Mas agora sei exactamente quais são os melhores ângulos de cada janela para ver o que se passa no exterior.

É estranho voar à solta dentro desta gaiola, mas mais estranho será quando voltarmos ao normal e nos juntarmos. Possivelmente de máscara e com desinfectante à porta, como nos laboratórios. A analogia é apropriada, pois teremos muito que testar ao nível da gestão das distâncias e dos protocolos sanitários.

Eu, que sempre me queixei da mania tuga de espetar com dois beijos em quem não se conhece, assim que somos apresentados, dou comigo a antecipar a nostalgia do beijinho entre outras manifestações que me parecem já tão distantes no tempo.

Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 05.04.20

Não fique em casa... se não quer ficar sem emprego - este é o dilema que se coloca hoje a milhares de pessoas. Uma realidade escondida que a comunicação social não está a revelar, nem é aflorada pelo governo.

No país das pequenas e micro empresas as ruas podem estar desertas, pode já não existir concentração de gente nos espaços públicos, mas há locais de trabalho onde as regras do estado de emergência não estão a ser aplicadas. Ao contrário dos estabelecimentos comerciais, fáceis de fiscalizar, esses espaços funcionam entre quatro paredes, escondidos em edifícios de escritórios ou até em prédios de habitação. 

Soube pela DECO que nos últimos dias têm chovido no seu departamento júridico pedidos de aconselhamento de profissionais que estão a ser coagidos a continuar a trabalhar em espaços exíguos, onde o distanciamento de segurança é impraticável.

Entendo que é o desespero que conduz a esta insensatez, mas a verdade é que enquanto estas situações persistirem, as medidas de mitigação são um saco roto, por onde a pandemia continuará a expandir, prolongando ainda por mais tempo esta agonia em que todos vivemos.

A propósito deste assunto, aproveito para dar um recado ao PAN: foi importante indicar os serviços veterinários como uma das actividades  essenciais que o governo deve autorizar durante a pandemia, mas entre estes existem milhares de clínicas e consultórios sem o mínimo de condições de segurança sanitária. Porque funcionam em espaços tão reduzidos que é impossível manter distanciação mínima e sem equipamentos adequados (máscaras e luvas eficazes contra o vírus). Só esta área de  negócio bastará para infectar boa parte da população, pois faz atendimento público, nas piores condições, por todo o país - foi divulgado num congresso veterinário que em Portugal há mais clínicas veterinárias do que em Espanha!!

Só os hospitais veterinários deviam manter a porta aberta nestas circunstâncias, caros senhores, por isso, por favor, façam serviço público e em vez de proteger os vosso amigos veterinários, cuidem, primeiro que tudo, da população. Obrigada!

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

No mercado

por Teresa Ribeiro, em 04.04.20

Desloco-me ao mercado a uma sexta-feira para evitar o movimento dos sábados e deparo-me com o movimento dos sábados a uma sexta-feira. Não há como evitar os outros. As ruas estão desertas, mas é um engano. Entre portas continua a viver-se em comunidade, porque a vida está, desde há muito, organizada assim.

Mas há diferenças. Agora a mole divide-se entre temerosos e temerários. Aqueles que usam máscara identificam-se logo, tal como acontecia nos tempos em que havia futebol e seguiam para o estádio de cachecol e bandeirinha. Mas os adeptos da equipa adversária, apesar de não usarem distintivos, também se revelam sem qualquer subtileza. São os que ostentam olímpico desrespeito pelas novas normas sociais. Falam, movimentam-se, com alarde. Os mais afoitos ainda arriscam apertos de mão.

Na zona da peixaria, a banca mais popular do mercado continua com movimento e Rosa, que a dirige com mão de ferro, também faz questão de mostrar de que fibra é feita. Entra e sai da banca, escolhe o peixe com desembaraço, e não se inibe quando reconhece entre os seus habitués gente da sua equipa. Ei-la, toda sorrisos, a dois palmos de um cliente a quem trata por doutor. Pequena, franzina, à frente de uma equipa de homens, talvez descendentes de pescadores, aprendeu há muito que entre os seus, o respeito conquista-se à força de coragem para desafiar os elementos. Ele, quem sabe, convenceu-se de que a distância de classe o vai preservar, como sempre, de tudo.

Ter tempo

por Teresa Ribeiro, em 19.03.20

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Olho lá para fora, espantada por ter vagar para "estar à janela", como  se dizia no tempo dos meus avós. Observar o movimento na rua, ou a falta dele, sem propósito é algo que só se fazia em férias. A diferença é que agora o sentimento é de opressão e não de liberdade. Estamos com tempo.

Jorram nas redes discursos inspiradores sobre como é bom tê-lo e as partilhas, como soi dizer-se, dos passatempos a que podemos voltar para gozar em família. Se nuns casos não passa do teatrinho comportamental que tantos gostam de exibir com o único objectivo de continuar, desta vez em modo de combate, a cuidar da sua "brutal" imagem pública, noutros é, com certeza, sincero. Mas por mais transparente que seja o propósito de animar a malta, esta resiliência de espírito soa a desespero. Não é crítica, trata-se apenas de uma constatação. Tenho a mania, pouco saudável, de olhar para o que se me oferece sob todos os ângulos.

Junto a mim, o meu gato segue os pardais que saltitam à volta da cevadilha que está em frente ao prédio, com rancor. Ele é que está bem. Continua a viver na ignorância, dentro da sua bolha, desvalorizando com altivez todos os privilégios de que goza. O conforto, a segurança, comida no prato. Tudo o que lhe dá, imagino, uma parva sensação de imortalidade. Mas já estou a resvalar para o discurso moralista que queria evitar. Comparar-me com ele seria um imperdoável cliché...

Então e o exemplo de Macau?

por Teresa Ribeiro, em 14.03.20

Porque será que Macau, cuja medida emblemática foi decretar o uso obrigatório de máscaras em espaços públicos, é apresentada como exemplo espectacular de controlo bem sucedido do Covid-19 e ao mesmo tempo por cá, médicos e autoridades sanitárias desvalorizam a importância dessa protecção?

Terá a ver com a ruptura de stocks? De repente é a única explicação que me ocorre, mas que não justifica que profissionais de saúde andem por aí a espalhar que o uso de máscara só é relevante para quem já está contaminado.

É pró menino e prá menina! (tem de ser)

por Teresa Ribeiro, em 07.03.20

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Já tive acesso a muita informação que fundamenta bem a razão de ser das quotas de género, informação que se encontra sem esforço como esta, esta, e esta. Podia continuar, porque o que não faltam são estudos e exemplos que demonstram que o sexismo resiste apesar dos movimentos de protesto e dos discursos politicamente correctos e portanto é óbvio que só por via administrativa se consegue corrigir esta injustiça.  Mas não quero provocar náuseas a quem deplora este tema. No dia 8 vai ser a hecatombe do costume com notícias e mais notícias sobre a situação feminina, quase todas muito más, a intercalar as do coronavírus e do futebol, por isso serei breve. Quero só partilhar uma história que me ficou na memória desde que a li, em março de 2018, numa edição da revista de uma associação empresarial, que não circula nas bancas, chamada “Comunicações”. Num artigo à volta deste tema das quotas, assinado pela jornalista Ana Sofia Rodrigues, às tantas, lê-se:

"...Para eventuais cépticos de que esta revolução cultural é absolutamente necessária, deixamos um último exemplo. A socióloga Kristen Schilt (Universidade de Chicago) e o professor Matthew Wiswall ( Universidade do Wisconsin), compilaram dados em três congressos de transexuais. Tentaram medir o seu desempenho profissional antes e depois da mudança de sexo. Os resultados a que chegaram são sugestivos. Os homens que mudaram para o sexo feminino passaram a ganhar menos (cerca de 10% menos). Já as mulheres que passaram para o sexo masculino ficaram a ganhar mais (cerca de 7,5%). São exatamente as mesmas pessoas, só mudaram de sexo. Dá que pensar."

Dá que pensar, caras e caros negacionistas (que também os há, e de que maneira, relativamente a este assunto).

Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 29.02.20

Acredito no potencial transformador de uma sociedade civil forte, por isso blogues como este inspiram-me e acredito que possam incentivar outros a participar mais activamente nas causas públicas. O Inspiração para a Ação é a minha escolha para blogue da semana.

Ódios e animais de estimação

por Teresa Ribeiro, em 22.02.20

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Claro que há quem fique indiferente às imagens dos galgos de João Moura. Ele há gente para tudo. Mas imagino que entre as pessoas que considero decentes e fazem do ódio ao PAN uma bandeira, haja bastantes que agora estejam com problemas na cervical. De tanto virarem a cara para o lado...

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Sou pró vida boa

por Teresa Ribeiro, em 13.02.20

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Inesquecível, aquela cena em que o Conde de Almásy, interpretado por Ralph Fiennes, pede à enfermeira Hana, a personagem de Juliette Binoche, que o mate. Não falam. Ele pede-lho com o olhar e ela desaba em lágrimas. O seu paciente inglês, um destroço humano com o corpo totalmente queimado, fartara-se de tanto sofrer. Por isso, a soluçar, ela obedece e liberta-o.

Quantos dos que hoje integram os movimentos "pró vida" se terão comovido com esta cena? E quantos destes terão, no escurinho do cinema, compreendido e aceite a decisão daquela enfermeira? O cinema, porque nos torna omniscientes enquanto espectadores, é por vezes muito eficaz a desatar os nós morais que nos tolhem o raciocínio.

"O Paciente Inglês", a obra-prima de Anthony Minghella, não passa, porém, de um filme. Falemos pois da realidade. Por exemplo, a de Ramón Sampedro, o marinheiro que ficou tetraplégico após um acidente de mergulho. A sua história é muito conhecida porque deu um outro filme: "Mar Adentro", de Alejandro Amenábar. E deu um filme porque ele teve de lutar, durante oito anos, para conseguir fazer suicídio assistido, tendo até escrito um livro em que partilha os seus estados de alma. Chamou-lhe "Cartas desde o Inferno".

Ramón Sampedro viveu durante 30 anos preso a uma cama e a um corpo inerte. Só de imaginar que tal me pudesse acontecer, angustia-me. Que sofrimento atroz! Enquanto faço este simples exercício, que é o de tentar colocar-me na pele do outro, penso naqueles que se sentem no direito de proibir o suicídio assistido e então pergunto-me: com que autoridade?

Instalados no conforto das suas vidinhas sem dor, dizem que o que é preciso é apostar nos cuidados paliativos, sabendo que o que não faltam são exemplos de pessoas que recebem cuidados paliativos de excelência e que mesmo assim querem morrer. Os cuidados paliativos não resolvem tudo, essa é a verdade. Mas os donos da ética preferem ignorá-lo, ocupados que estão a colocar os seus princípios humanistas acima da incómoda realidade.

Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 05.01.20

 

Não há sentimentos grátis.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 15.12.19

Sou visita desta casa há muitos anos, porque nela encontro sempre o que procuro: matéria de reflexão, escrita escorreita, de onde se olha para fora (não para o umbigo) e espírito de cidadania. Passem por lá, pois esta semana este é o blogue que se recomenda.

Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 08.12.19

 

Na minha relação afectiva com o Natal, gosto sobretudo dos preliminares.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

 

Ter ou não ter filhos

por Teresa Ribeiro, em 13.11.19

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Verifico que anda por aí muita gente indignada com os jovens, por não quererem ter filhos. Acusam-nos de egoísmo, como se a decisão de procriar fosse um acto cívico e não algo de profundamente pessoal. Quando se atribui a nossa preocupante baixa natalidade à falta de condições de vida, logo se levantam vozes indignadas a clamar que antigamente as pessoas viviam muito pior e tinham mais filhos.

É verdade. Antigamente as grandes proles encontravam-se, sobretudo, nos dois extremos da sociedade, ou entre os ricos, ou em meios muito pobres. Mas neste último caso a vinda de cada filho ao mundo era encarada de uma forma bem diferente da que temos hoje como lógica e natural. Já contei aqui esta história, mas por ser verdadeira, vale a pena recordar: nos anos 40, a minha mãe, então pouco mais do que uma criança, ouviu chocada um camponês confessar que preferia que lhe morresse um filho, do que uma vaca, "porque os filhos arranjam-se de borla, enquanto que as vacas custam muito dinheiro".

É deste portugalinho miserável que os críticos da juventude de agora têm saudades? Sim, antigamente o povinho multiplicava-se bastante, mas não era porque estivesse preocupado em contribuir activamente para a sustentabilidade da segurança social. Tinha muitos filhos porque não os planeava e não os planeava por ignorância, por inércia e porque não tinha perspectivas nem a ambição  de conquistar uma vida melhor para si e para os seus. O que tem isto a ver com generosidade?

Curiosamente, muitos dos que culpam os jovens pela baixa taxa de natalidade são os mesmos que desprezam os "chorões" que se queixam da vida. Os fãs do modelo de sociedade liberal que entretanto se instituiu continuam a subescrever o discurso passista "se não estão bem, mudem de país" (esquecendo que, nesse caso, os filhos que possam ter, vão nascer no estrangeiro). Recordo que um dos seus postulados é, como proclamava Thatcher, "there´s no such thing as society, there are individuals". Quem acredita nisto não tem sequer moral para acusar seja quem for de egoísmo.

Se os nossos jovens tendem a cuidar dos seus interesses imediatos, até porque na sua esmagadora maioria não têm rendimentos suficientes para fazer planos a longo prazo, estão apenas a ser sensatos. Escolher não ter filhos, quando não recebem o suficiente para sair de casa dos pais, mais do que sensato é uma opção responsável.

Querem mais gente a nascer? Dêem condições a estes miúdos. É que hoje, felizmente, as pessoas já não procriam como bichos, pois cada filho que decidem ter é valorizado, como qualquer ser humano merece.

 

Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 06.10.19

Os negacionistas seguem uma lógica cristalina, fácil de perceber. Já os que admitem que os problemas ambientais existem e derivam da acção humana, ao mesmo tempo que afirmam o seu ódio metódico aos ambientalistas, tenho dificuldade em entender.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 05.10.19

Li este post, gostei da forma, concordei com o conteúdo e foi de impulso: escolhi o Der Terrorist para blogue desta semana. 

Cheeese!

por Teresa Ribeiro, em 30.08.19

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Muito antes das redes sociais, que nos empurram para uma noção de felicidade mais concorrencial, já nos fotografávamos a sorrir. Há puristas que consideram mentirosas essas fotos sociais e de família, mas eu fui sempre benevolente em relação à questão. Se fotografar é parar o tempo, então é natural que se deseje ter dele o ângulo mais favorável.

Nunca valorizei tanto as mentirosas fotos de família como quando comecei a perder as pessoas que me faziam mais falta. A minha família, como tantas famílias normais, era disfuncional, mas o que preciso reter dela são as imagens que mais combinam com as minhas saudades e essas, são as felizes.

O reflexo de fotografar tudo o que mexe, 365 dias no ano, que veio com os telemóveis, retirou, de alguma forma, estatuto às fotografias. São muitas, demasiadas, acumulam-se, anulam-se, esquecem-se demasiado depressa. É pena. O tempo não gira com mais vagar só porque somos vorazes a fixá-lo. Mas o hábito de mentir para a fotografia mantém-se incólume. A velha necessidade de recriar os momentos que vivemos e de sorrir, sorrir sempre. 


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