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Ambiente de trabalho V

por Teresa Ribeiro, em 14.03.19

Não sei quando e porque se inventou a norma  de etiqueta que estabelece que nunca, em caso algum, se deve declinar propostas ou convites com um rotundo e inequívoco "não". A verdade é que se tornou uma escola. E no entanto para quem fica suspenso de uma resposta não existe nada mais desgastante. Espero, ou não espero? Mudo de planos? Procuro novos interlocutores?

Tudo o que se obtém é silêncio ou um discurso reticente feito de promessas vagas. Em vez de fumo branco, sai nevoeiro cerrado. Névoa que nos faz perder tempo e isso em ambiente de trabalho tem impacto na  eficiência, o que é grave. 

A quem aproveita esta atitude? Não consigo entender. De um lado espera-se e desespera-se, do outro empata-se. Evitar um "não", em primeira análise, pode parecer simpático e até educado mas em termos práticos resulta muito pior. Leva o outro a impacientar-se, a ter de insistir, a levar com desculpas standard e por fim a perguntar-se se o gesto é deliberado, não passando, nesse caso, de uma grosseira manifestação de arrogância. 

Aonde é que isto conduz? Seguramente, a nada que interesse.

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 10.03.19

Na sociedade atomizada do instagram e do facebook, podemos dispensar a presença física do outro, mas nunca a sua opinião sobre nós. Para viver em palco, precisamos de público.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Temos cadáveres no armário

por Teresa Ribeiro, em 08.03.19

Os cadáveres têm um problema. Não espalham fake news, nem cavalgam movimentos mediáticos para perseguir indiscriminadamente os homens. Limitam-se a ser.

Não por acaso, desta vez não há polémica no ar. As cavaleiras andantes, que noutras situações se apressam a defender o macho ibérico, não se manifestam. As militantes do Not Me (nome que inventei por oposição ao #MeToo), que desvalorizam as queixas das mulheres que denunciam assédios e discriminações, insinuando que só é vítima quem quer, calam-se.

À medida que este macabro cortejo engrossa, torna-se difícil sustentar que em Portugal, no século XXI, a misoginia é um epifenómeno instrumentalizado para efeitos de propaganda pelas lésbicas, galdérias e mal amadas do costume.

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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 03.03.19

Não é raro suspirar, porque da sua prosa, tão pessoal, saem autênticas pérolas, mas ele também me faz rir, pois sentido de humor não lhe falta. O pior é que também me desperta inveja - sentimento reles, eu sei - da sua elegância de estilo. Para me redimir destes meus impulsos mesquinhos, partilho aqui e já a minha admiração pelo autor de A Página Negra, o blogue desta semana.

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No pasa nada

por Teresa Ribeiro, em 06.02.19

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Falta cerca de um mês para o Dia Internacional da Mulher, o dia em que todos os jornais falam dos problemas da condição feminina, desde a discriminação no trabalho à violência doméstica e no entanto quando passei de manhã pela banca dos jornais (ainda gosto de consultar as primeiras páginas assim, ao vivo e a cores), que vi eu? 

Manchete do i - "Já morreram mais mulheres, proporcionalmente, em Portugal do que no Brasil"

Manchete do JN: "Só num ano Estado apoiou 18 órfãos de violência doméstica (maioria dos casos são de crianças que viram a mãe morta pelo pai)

Manchete do Público: "Violência doméstica - 85% dos casos não resultam em acusação (no caso do duplo homicídio do Seixal, MP abriu inquérito apenas por coacção e ameaça)

Pois, houve mais um crime, particularmente chocante, daí esta concertação noticiosa. O Correio da Manhã, no seu estilo inconfundível, publica: "Monstro estrangula filha com as mãos (violência doméstica levou mãe da bebé a pedir ajuda à PSP)

Leio estas manchetes e penso nas negacionistas do "Not Me" (nome que eu agora inventei por oposição ao #MeToo), que tomam a sua experiência pessoal pelo todo afirmando que não se passa nada. Bem sei que a discussão há um ano acendeu-se por causa de uma situação muito menos dramática, a do assédio. Mas faz sentido separar os dois fenómenos? No país onde se mata mulheres que se farta o assédio não existe? E já agora, juntando outro tema que também é caro às negacionistas: a discriminação no trabalho, também é falácia?

A sério?

 

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Ambiente de trabalho IV

por Teresa Ribeiro, em 22.01.19

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Fala-se muito dos millenials, a nova geração que está a dar dores de cabeça aos empregadores por ser muito exigente, independente, e difícil de reter. Dizem que mudam de emprego como quem muda de camisa, que preferem não trabalhar a ser mal pagos e que valorizam o work-life-balance, ou seja, não estão dispostos a deixar-se consumir por cargas horárias excessivas. Desenvolver carreira numa determinada área já não é, para muitos deles, um objectivo. Quais camaleões, estão preparados para mudar de rumo a todo o momento, desde que tal resulte em maior qualidade de vida.

Ressentidos, muitos empregadores chamam-lhes egoístas e mimados. Acusam-nos de terem sido educados por pais que lhes deram tudo, algo que os transformou em seres desprovidos do mais leve espírito de sacrifício. 

A perspectiva dos monstrinhos egoístas é diferente. Queixam-se de serem alvo, por sistema, de propostas miseráveis, que fazem tábua rasa dos anos de formação académica que consumiram a preparar-se para ter uma boa vida. Dizem também que os salários que lhes propõem não asseguram autonomia. Olham para o mercado de trabalho e percebem que é o salve-se quem puder. Conforme o seu contexto e características pessoais, uns aprendem a competir sem ética, outros desistem e enveredam por uma adolescência sem termo (são os tão comentados nem/nem, que não trabalham nem estudam), outros ainda apostam num modo de vida alternativo, baseado no improviso, trabalho intermitente e estilo de vida frugal.

O que não se diz é que estes meninos relapsos não nasceram de geração espontânea. Na verdade millenials e empregadores são faces da mesma moeda. A cara e a coroa, o verso e o reverso desta nova cultura do trabalho.

Uns não existiriam sem os outros. 

 

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 30.12.18

 

À nossa escala, as árvores são um símbolo de eternidade.

 

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Postal de Natal II

por Teresa Ribeiro, em 20.12.18

No supermercado, secção de chocolates:

- Ajuda-me lá a escolher.

- Olha, estes são óptimos.

- Ah, nem pensar! São muito caros. 

- E estes?

- Está melhor, mas mesmo assim não quero gastar tanto.

- Ehehe! Forreta!

- Ouve, afinal qual é a relação que eu tenho com os filhos do Jaime? Nenhuma! Os miúdos não querem saber de mim para nada. Vejo-os só no Natal! Para que hei-de então gastar dinheiro com eles? Levo um chocolate para cada um, só porque parece mal não lhes dar nada! 

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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 16.12.18

Defender o quadrado há 13 anos, como Sofia Loureiro dos Santos faz, é desde logo um acto de resistência. Ainda bem que ela se mantém firme no seu posto, porque não lhe falta sentido crítico e um olhar atento sobre o quotidiano. Esta semana é o blogue que destacamos.

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Postal de Natal

por Teresa Ribeiro, em 14.12.18

No metro:

- Vais à tua irmã no Natal?

- Não sei, se for é só por causa da miúda.

- Ah, pois, a miúda vai protestar se não fores.

- Mas se for, digo logo que não posso estar muito tempo porque no dia seguinte é dia de trabalho!

- Boa! 

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Glenn em estado de graça

por Teresa Ribeiro, em 12.12.18

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                                                    A Mulher

Mal entrei, reparei que na sala – uma pequena sala de cinema de Lisboa – a plateia era quase exclusivamente feminina. Eram quinze mulheres para um homem. Sorri do presumível efeito dissuasor que um filme chamado “A Mulher”, no original “The Wife”, terá nas audiências masculinas. Se o título fosse “O Homem”, no original “The Husband”, o efeito no público feminino não seria igual, por razões culturais que curiosamente viriam a ser afloradas, minutos depois, na tela.

“A Mulher” é a adaptação cinematográfica da obra homónima de Meg Wolitzer e conta a história de uma mulher que nos idos de 60 desistiu de uma promissora carreira literária por acreditar que no mundo editorial, dominado por homens, jamais conseguiria vingar. Em vez de arriscar, escolheu ser a sombra do marido, um homem que não se inibe de lhe predar o talento. Cliché? Pode ser, mas Glenn Close – o filme é ela – consegue passar de uma forma tão intensa e todavia tão subtil a frustração, a dor do recalcamento, que não é possível vê-la apenas na pele daquela personagem. Ela encarna o mal larvar que anulou gerações de mulheres, soterradas pelo sexismo e pelos seus efeitos nas suas escolhas de vida. Conheci, conheço ainda hoje casos similares. Quem não conhece? Mulheres de asas cortadas rentes, presas ao estereótipo de cuidadoras, não raras vezes acabando a ser mães dos próprios maridos, eternas crianças ineptas, incapazes de tratar das minudências da vida. Visto assim o filme transmuta-se num comovente tributo a essas anónimas senhoras, pilares de pesadas arquitecturas familiares, musas exclusivas de génios, fazedoras de reis. Porém fá-lo sem pieguices, ou vestígios de demagogia e com Glenn Close em estado de graça.

Será desta que ela leva o oscar para casa?

 

Título original: The Wife

Realização: Bjorn Runge

Com: Glenn Close, Jonathan Pryce, Christian Slater

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 02.12.18

Na política, na economia, no convívio social, nos relacionamentos amorosos, nas relações laborais e até nos media,  nunca a verdade foi tão irrelevante como hoje.

 

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Mr. Facebook

por Teresa Ribeiro, em 15.11.18

Recebi hoje no meu email uma notificação do Facebook a avisar-me de que a minha prima (que morreu em Junho) faz hoje anos. É em momentos destes que se percebe até que ponto abrimos a porta à tecnologia digital para entrar na nossa vida. Fosse o Facebook um mensageiro humano e já muitos de nós o teríamos saneado por ser tão invasivo, tão insistente, tão presente, tão manipulador e por vezes, como hoje me aconteceu, chocante.

 

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Tradições

por Teresa Ribeiro, em 09.11.18

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Na China havia, como é sabido, a tradição de enfaixar os pés das meninas desde a mais tenra idade para que não crescessem mais que uns ideais dez centímetros. O sofrimento atroz que resultava da compressão dos ossos e das unhas por forma a impedir o normal crescimento do pé era justificado por motivos estéticos: um pé minúsculo era considerado mais atraente e os passinhos doridos das donzelas, a sublinhar a sua fragilidade, algo de muito erótico. Na  Índia, o costume de queimar vivas as viúvas junto à pira funerária do seu falecido marido (o sati), embora proibido, parece que chegou ao século XXI (há registos de sacrifícios realizados em 2006) nalgumas comunidades hindus. A excisão genital feminina, outra prática bárbara que impende sobre as mulheres, essa está longe de ser erradicada. 

As "tradições" são assim: difíceis de combater. Nem todas refletem o lado mais pérfido dos seres humanos, mas as que o fazem felizmente têm sido pouco a pouco desacreditadas pela civilização, embora - e esse é um traço comum - sob os mais vivos protestos das camadas conservadoras.

Os elos mais fracos - mulheres, crianças, idosos, pessoas doentes - têm sido ao longo dos tempos as vítimas preferenciais de muitos rituais, que sob falsos pretextos mais não fazem do que dar largas à agressividade larvar que faz parte da natureza humana. Mas se no mundo civilizado a que pertencemos a censura social já está perfeitamente estabelecida relativamente a maus tratos infligidos a outros seres humanos, quando se fala de animais, o consenso desaparece. Defender seres que estão abaixo da condição humana é subir mais um patamar civilizacional e isso demora tempo. 

Pessoas e animais não estão no mesmo plano, nem têm os mesmos direitos, mas a discussão não é essa. O que está em causa quando se fala de maus tratos a animais mais do que o sofrimento da vítima é a atitude do flagelador e a complacência que deve ou não existir face à crueldade que manifesta. No fundo é a tolerância relativa ao prazer da carnificina, ao gozo de provocar sofrimento num ser capaz de sentir com todas as fibras do seu corpo a atrocidade a que está a ser sujeito, que se discute. E essa é a questão de fundo da tourada. Algo que os aficcionados pretendem iludir quando falam da "arte do toureio". Mas de eufemismo em eufemismo a que se referem eles, quando elogiam a "festa brava"? À estética. Às chiquelinas, aos pasos dobles, ao confronto estilizado entre homem e besta. A visão crua da realidade, a de que no fundo gozam com a tortura de um bicho, não lhes interessa.

Fossem os toiros robots, as praças ficariam vazias. Porque a festa brava precisa de sangue. Sem sofrimento, sem aquela luta desesperada e inglória do bicho pela sua vida, não seria a mesma coisa.

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Ambiente de trabalho III

por Teresa Ribeiro, em 02.11.18

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As estatísticas sobre a quebra de rendimentos em Portugal, mesmo dos profissionais que têm elevados níveis de formação, são devastadoras. Segundo dados do INE, os licenciados ganham hoje menos 17,7% de salário médio mensal líquido do que há uma década. Anabela Carneiro, uma docente da Faculdade de Economia do Porto, citada há duas semanas pelo Expresso, revelou num estudo que em 2000 tínhamos 8% de trabalhadores a receber o salário mínimo; em 2015 já eram 21% e em 2016, 23,3%.

A comparação com o que se passa nos países da UE, deprime: Segundo os dados mais recentes da consultora Adecco, um português tem de trabalhar quatro meses para ganhar o salário médio de um dinamarquês. Apesar de a economia estar a crescer, a verdade é que os salários não descolam. Para um trabalho que fiz sobre este assunto há poucas semanas, tanto a Experis, empresa de recrutamento do grupo Manpower, como a Randstad, sua concorrente, assumiram que nem mesmo nas áreas altamente especializadas, em que há falta de mão-de-obra em Portugal, os empregadores estão dispostos a abrir os cordões à bolsa. Ou seja, entre nós, a lei da oferta e da procura não funciona. E essa, informaram-me, "é uma originalidade portuguesa".

Mas se há coisa que o empresariado indígena aprecia é mostrar que acompanha as novas tendências. Ultimamente tem revelado muito entusiasmo com uma das ideias que aparece vinculada à nova cultura do trabalho que nasceu com a tecnologia e os millenials: a de que a felicidade no emprego, algo reconhecido como fundamental para aumentar a produtividade, não depende apenas do salário. Entrevistas, artigos de opinião, seminários, andam a enxamear os media com esta ideia que de nova não tem nada, mas que parece que só agora calou fundo no espírito dos empregadores de todo o mundo civilizado. É claro que bom ambiente, reconhecimento, flexibilidade de horários e uma série de pequenas regalias são factores importantes para "reter talento", como agora se usa dizer, mas só fazem sentido se estivermos a discutir a situação de profissionais que auferem um salário que lhes permite pagar as contas e ter uma vida autónoma. Ver gente que prefere prescindir de trabalhadores que fazem falta a aumentar-lhes o salário salivar com esta estratégia é, simplesmente, patético. Excitados com a ideia de poupar mais umas coroas e enganar uns quantos tolos cultivando a imagem de empresários modernaças, não querem perceber o óbvio: que a receber uma miséria ao fim do mês, ninguém é feliz. 

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Ambiente de trabalho II

por Teresa Ribeiro, em 22.10.18

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Creio que tudo começou com a glorificação das chamadas soft skills. Em teoria, um profissional vale mais se, além de conhecimento técnico, revelar qualidades como empatia, iniciativa e dedicação, entre outras tantas características fofinhas. O pior é quando, cientes dessa sobrevalorização, emergem no mercado de trabalho pessoas cujo maior talento é o da capacidade de autopromoção. Conheço gente que faz voluntariado não porque tenha qualquer vocação para tal, mas porque pode fazer a diferença num currículo. Fazer MBAs e pós-graduações tornou-se, por este motivo, um desporto de alta competição, em que a suposta sede de conhecimento não passa de um engodo para potenciais empregadores.

A indústria do "parecer" está pujante, as fake skills em alta. É por isso que a pouco e pouco, em todos os sectores, encontramos os melhores performers em lugares de topo. Há pessoas destas, com funções executivas, que saltam de área em área de actividade, sem possuir os mais elementares conhecimentos relativos às matérias sobre as quais tomam decisões. Por mais hábeis e inteligentes que muitas sejam, é claro que nestas circunstâncias os erros tornam-se inevitáveis.

Há uma incompetência larvar que tem a ver com isto e está a minar todos os sectores e a destruir os mais vulneráveis. 

 

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Jornalismo de referência: o estado da arte

por Teresa Ribeiro, em 19.10.18

Expresso. Edição em papel de 13 de outubro. O título "A reforma que Rio quer fazer em Segredo", desperta-me a curiosidade. Começo a ler. O texto do artigo revela que o PSD entregou aos partidos com assento na AR uma proposta para um pacto de reforma da Justiça. No segundo parágrafo afirma-se que esta iniciativa de Rui Rio "foi considerada estranha por diversos responsáveis  dos partidos" abordados pelo Expresso, "sob condição de anonimato". O jornalista que assina a peça escreve a seguir que "ninguém quis fazer a desfeita de recusar à partida a iniciativa, mas tudo é considerado "insólito", entre outras razões por "partir do pressuposto de que os partidos devessem chegar a acordo sobre a reforma da Justiça".

 

Enquanto leio vem-me à lembrança a quantidade de vezes que ouvi figuras de vários quadrantes políticos defenderem pactos de regime que viabilizassem as reformas estruturais de que o país carece em áreas sensíveis, uma delas a da justiça. Por isso não percebi o que pode ter de insólito uma iniciativa deste tipo. Continuo a ler, já com a percepção clara de que ao texto pretensamente jornalístico subjaz a opinião de quem o assina.

Segue-se um subtítulo que é, em si mesmo, uma opinião: "ideias concretas e princípios vagos". E o jornalista prossegue exprimindo de facto a sua opinião sobre o documento que diz que consultou: "Mistura ideias concretas, algumas originais, com princípios vagos e propostas de temas a debater em que o PSD não revela a sua posição". Diz isto a primeira vez, no final do terceiro parágrafo; a segunda vez , no quinto parágrafo ("a par de ideias concretas também as há bastante vagas - enunciação de princípios ou objectivos sem explicação de como fazê-lo"). Chegada a este ponto pergunto-me: Mas numa proposta para debate de vários itens não basta enunciá-los, ou é preciso detalhar opiniões prévias?

Continuo a ler. No sétimo parágrafo o jornalista repete a crítica: "Há outras questões que o documento do PSD levanta, mas sem definir uma posição". No oitavo parágrafo, lê-se: "...Parece ser uma ideia que o PSD apadrinha, mas não fica claro no documento". Seis linhas depois, o jornalista volta a afirmar que o documento do PSD "não explica". Cinco linhas depois, insiste: "O documento não avança com qualquer análise". E vão seis!

Nessa mesma página, num segundo texto sobre o assunto, assinado pelo mesmo jornalista sublinha-se a mesma ideia: "... Que medidas em concreto? Que tipo de ponderação? O documento não esclarece" (3º parágrafo). No parágrafo seguinte escreve-se: "...o assunto é despachado em pouco mais de cinco linhas, sem qualquer proposta concreta". E no que se segue: "...mais uma vez sem mais pormenor sobre propostas concretas". 

Na secção Gente nesta mesma edição do jornal, das quatro alfinetadas que constam neste espaço, três são para Rui Rio. Finalmente uma nota no editorial faz-me saber que o líder do PSD enviou um email para militantes do partido a acusar o Expresso de publicar mentiras e bla, bla, bla. Fiquei esclarecida. Trata-se mesmo de jornalismo de trincheira. Mas eu que - juro - não sou apoiante de Rio e já agora nem dos passistas, nem dos centristas que também querem fritar o Rio, para ter acesso por 3.80€ a uma resenha das notícias da semana tenho que levar com isto?

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A CP no seu melhor

por Teresa Ribeiro, em 16.10.18

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Linha do Douro. Apanho de manhã o comboio em Ferradosa para seguir até ao Pinhão e mergulho na janela para um banho de beleza inesquecível. Esta linha tem a responsabilidade imensa de revelar ao mundo um dos nossos maiores tesouros paisagísticos. Em termos de interesse turístico, está no top.

Tirei da mochila uma daquelas barritas de cereais com mel, práticas para trazer em viagem. Com o calor estava peganhenta, de modo que quando terminei o meu frugal repasto decidi passar pelos lavabos do comboio para lavar as mãos. Este é o momento em que tenho de me desculpar por não me ter lembrado de voltar para trás, tirar o telemóvel da mochila e fazer uma foto para provar que o que descrevo a seguir é em rigor o cenário que se me deparou mal abri a porta: No chão jazia a tábua da sanita. O rolo de papel higiénico parecia ter sido desenrolado por um gato. A olho diria que estavam dois metros de papel espalhados pelo chão. O cheiro era tão nauseabundo que optei por travar a porta com o pé, para não ter que snifar aquele concentrado de urina em ambiente fechado. Cereja no bolo: água? Não havia.

Note-se que fiz este passeio de manhã, estava o comboio em circulação há um par de horas, se tanto. Por isso nem o argumento da sobrecarga de utentes pode valer à CP uma boa desculpa. Simplesmente vergonhoso! 

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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 15.10.18

Num país em que os consumidores são a classe mais desprotegida e alvo constante de abusos, o que o jornalista Pedro Andersson faz neste blogue é autêntico serviço público. Por esse motivo escolho o Contas-Poupança para blogue da semana.

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 09.09.18

Optimismo e pessimismo são resultado estatístico. Em regra, as pessoas optam por um ou outro aplicando ao seu histórico o cálculo de probabilidades. A maior ou menor incidência da variável sorte  na sua experiência de  vida determinará a atitude predominante.

 

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