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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 11.11.18

Fernando Pessoa não gostava de viajar. No Livro do Desassossego do seu quase heterónimo Bernardo Soares escreve o seguinte:

"Que é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente; não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação, que nasce das viagens? Posso tê-la saindo de Lisboa até Benfica, e tê-la mais intensamente do que quem vá de Lisboa à China, porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma. «Qualquer estrada», disse Carlyle, «até esta estrada de Entepfuhl, te leva até ao fim do mundo.» Mas a estrada de Entepfuhl, se for seguida toda, e até ao fim, volta a Entepfuhl; de modo que o Entepfuhl, onde já estávamos, é aquele mesmo fim do mundo que íamos a buscar.

Condillac começa o seu livro célebre, «Por mais alto que subamos e mais baixo que desçamos, nunca saímos das nossas sensações». Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos. As verdadeiras paisagens são as que nós mesmos criamos, porque assim, sendo deuses delas, as vemos como elas verdadeiramente são, que é como foram criadas. Não é nenhuma das sete partidas do mundo aquela que me interessa e posso verdadeiramente ver; a oitava partida é a que percorro e é minha.

Quem cruzou todos os mares cruzou somente a monotonia de si mesmo. Já cruzei mais mares do que todos. Já vi mais montanhas que as que há na terra. Passei já por cidades mais que as existentes, e os grandes rios de nenhuns mundos fluíram, absolutos, sob os meus olhos contemplativos. Se viajasse, encontraria a cópia débil do que já vira sem viajar. Nos países que os outros visitam, visitam-nos anónimos e peregrinos.

Nos países que tenho visitado, tenho sido, não só o prazer escondido do viajante incógnito, mas a majestade do Rei que ali reina, e o povo cujo uso ali habita, e a história inteira daquela nação e das outras. As mesmas paisagens, as mesmas casas eu as vi porque as fui, feitas em Deus com a substância da minha imaginação".

Não me revejo nada nesta afirmação e por isso gosto de viajar. A viagem não só nos faz sair da monotonia de nós mesmos, como também nos transforma, fazendo a que cheguemos diferentes quando regressamos. Por isso decidi escolher para blogue da semana um excelente blogue destinado a viagens. O Joland Blog é assim o blogue da semana.

 

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A condessa de Abranhos.

por Luís Menezes Leitão, em 07.11.18


Depois destas declarações da Ministra da Cultura, a prometer que o Museu de Évora vai "tornando-se no primeiro Museu Nacional a sul do Sado", só me apetece recordar a célebre personagem ministerial criada por Eça de Queiroz:

"Outra circunstância que torna mais admiráveis esses serviços, é o facto do Conde – tendo dado todo o seu tempo ao estudo das questões sociais – jamais se ter ocupado do conhecimento subalterno da geografia. Segundo ele dizia, nunca pudera reter todos esses nomes esquisitos e bárbaros de rios, cordilheiras, vulcões, cabos, istmos! Assim, por exemplo, nunca compreendeu, confessou-mo muitas vezes, esses cálculos estranhos de graus, latitudes e longitudes, nem dava grande crédito à ciência da navegação (…).

Uma ocasião, na Câmara, ele falava de Moçambique como se considerasse essa nossa possessão na costa ocidental da África.

Alguns deputados mais miudamente instruídos desses detalhes, gritaram-lhe com furor.

– Moçambique é na costa oriental, Sr. Ministro da Marinha!

A réplica do Conde é genial:

– Que fique na costa ocidental ou na costa oriental, nada tira a que seja verdadeira a doutrina que estabeleço. Os regulamentos não mudam com as latitudes!

Esta réplica vem mais uma vez provar que o Conde se ocupava sobretudo de ideias gerais, dignas do seu grande espírito, e não se demorava nessa verificação microscópica de detalhes práticos, que preocupam os espíritos subalternos".

EÇA DE QUEIROZ, O Conde de Abranhos.


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Maria Guinot (1945-2018)

por Luís Menezes Leitão, em 03.11.18

Lembro-me bem da surpresa geral que houve em 1984 quando esta canção ganhou o festival da canção da RTP. Mas toda a gente reconheceu que apesar de não ser nada festivaleira, era a canção mais bonita que tinha aparecido em festivais. Hoje, no dia em que Maria Guinot partiu, deixando um silêncio no meio de tanta gente, recordo a beleza desta canção.

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In memoriam.

por Luís Menezes Leitão, em 01.11.18

 

Hoje é um dia em que recordo sempre a maior tragédia que alguma vez atingiu Portugal. Não apenas matou 60.000 pessoas num único dia, como também destruiu completamente o que era então a cidade de Lisboa, não nos deixando quase nenhum edifício para recordar os tempos passados.

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A nova candidatura de Hillary Clinton.

por Luís Menezes Leitão, em 30.10.18

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Hillary Clinton admite voltar a concorrer à presidência dos Estados Unidos. Espera-se naturalmente o mesmo retumbante sucesso que teve da outra vez, em que arrasou completamente a candidatura de Donald Trump.

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Pensamento da semana

por Luís Menezes Leitão, em 21.10.18

"O velho mundo está a morrer. O novo tarda a aparecer. E neste lusco-fusco nascem os monstros." (António Gramsci).

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

 

 

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Ministros demitidos enquanto aprovavam orçamento.

por Luís Menezes Leitão, em 20.10.18

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Para mim, isto é demasiado baixo para constituir sequer falta de sentido de Estado. Representa pura e simplesmente deslealdade e grosseria para com pessoas que, bem ou mal, estavam a exercer com sacrifício um cargo público.

 

Adenda: Este se calhar aparece agora a dizer isto tão rapidamente porque tem medo de ser também demitido sem o saber.

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A segunda volta das eleições brasileiras.

por Luís Menezes Leitão, em 12.10.18

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O que esta sondagem demonstra é que os brasileiros neste momento estão com mais medo do que pode trazer um outro governo do PT do que de Bolsonaro. Se defendesse efectivamente a democracia, Haddad deveria renunciar e deixar Ciro Gomes disputar a segunda volta. Este não tem anticorpos e poderia facilmente derrotar Bolsonaro, unindo à sua volta todos os seus opositores. Já se viu que Haddad não consegue fazer isso. Pelo contrário, aparece a dar entrevistas em que não é sequer capaz de criticar o que se passa na Venezuela e até chegou a propor eleger uma assembleia constituinte como Maduro fez. Isto num momento em que o Brasil assiste a uma verdadeira invasão de refugiados venezuelanos, em fuga do regime de Maduro. Com esse discurso e essa atitude, não me parece que Haddad consiga vencer Bolsonaro.

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O silêncio dos deputados.

por Luís Menezes Leitão, em 11.10.18

Parece que alguns deputados do PSD se andam a queixar de ser silenciados por Fernando Negrão. Mas eles não podem simplesmente pedir a palavra como no "Mr. Smith goes to Washington"?

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A comédia de Bolsonaro.

por Luís Menezes Leitão, em 10.10.18

Se há coisa que os comediantes televisivos americanos sabem fazer é arrasar completamente um candidato. Não conseguiram impedir desta forma a eleição de Trump, mas não há dúvida de que na altura lhe causaram bastante mossa. Mesmo que isso não o impeça de ganhar as eleições, a tareia que Bolsonaro leva neste vídeo é absolutamente épica.

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Lula e Haddad.

por Luís Menezes Leitão, em 09.10.18

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Tem havido grande comparação entre as actuais eleições presidenciais brasileiras e as presidenciais portuguesas de 1986, onde Freitas do Amaral, que tinha tido 46% na primeira volta, acabou derrotado por Mário Soares que conseguiu subir de 25% para 51% na segunda volta, unindo toda a esquerda em seu redor. Mas o grande feito de Mário Soares na altura foi ter conseguido ultrapassar Salgado Zenha, que tinha o apoio do Presidente Eanes. Soares estava com uma popularidade baixíssima, depois de um governo desastrado, e Eanes tinha níveis de popularidade estratosféricos. O problema foi que Salgado Zenha tentou colar-se demasiado a Eanes, dizendo constantemente que na presidência o iria sempre ouvir e seguir. Na altura a Associação Académica da minha Faculdade organizou uma sessão de esclarecimento em que os alunos faziam perguntas aos candidatos, sendo as perguntas arrasadoras. A Zenha um aluno perguntou-lhe apenas isto: "Se ele fosse eleito, Portugal iria ter um Presidente da República, na verdadeira acepção da palavra, ou iria ter um pau mandado?" Fiquei nessa altura convencido de que a candidatura de Zenha tinha acabado ali. E também me está a parecer que desta forma este não vai longe.

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As eleições no Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 08.10.18

Os resultados das eleições brasileiras mostram um país à beira do abismo, com um candidato de extrema-direita radical quase a ser eleito à primeira volta. Isto é um sintoma de uma sociedade em colapso, onde um povo está disposto a trocar a sua liberdade por uma simples promessa de segurança. Mas é verdade que a insegurança no Brasil atingiu o extremo. Estive em São Paulo no fim de Agosto e, quando me levaram a jantar, avisaram-me de que podia estar tranquilo porque o carro era blindado. No dia seguinte de manhã, vi na televisão que um desgraçado que tinha ido de bicicleta comprar pão, como fazia todos os dias, fora morto sem qualquer motivo, apenas por uma bala perdida. Pensei logo que num país que se deixa chegar a este ponto tudo pode acontecer.

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A crise na Catalunha.

por Luís Menezes Leitão, em 01.10.18

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Se alguém julgava que a repressão sobre os independentistas catalães resolvia alguma coisa, hoje descobriu, passado um ano do referendo, que está tudo na mesma ou ainda pior. Enquanto Pablo Casado acha agora que se devem ilegalizar todos os partidos independentistas, o governo de Sánchez já reconhece que a carga policial de há um ano foi um erro e que só o reforço do autogoverno da Catalunha pode resolver a profunda crise territorial, política, económica e social a que a obstinação do governo de Rajoy conduziu a Espanha. Enquanto que em Barcelona se exige a República, o Rei de Espanha evita sequer aparecer em público nestes dias. E perante as aspirações independentistas do povo catalão não vale a pena afirmar que já há muitos habitantes da Catalunha que têm o castelhano como língua materna. Também havia muitos habitantes da Irlanda que tinham o inglês como língua materna e não foi por isso que a Irlanda deixou de ser independente do Reino Unido. O movimento independentista irlandês chamava-se precisamente "Sinn Féin" que significa em irlandês "nós sozinhos". Para qualquer movimento independentista é sempre apenas isso o que está em causa.

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# Ele Não?

por Luís Menezes Leitão, em 01.10.18
Acho a estratégia de combate a Bolsonaro que está a ser seguida no Brasil completamente errada. Um slogan de campanha a dizer "ele não" equivale a dizer "todos menos ele", o que dá a entender aos eleitores que nenhum outro candidato é suficientemente bom para lhe disputar a eleição. Isso também aconteceu nos EUA em que o partido democrata, em vez de louvar as qualidades de Hillary Clinton, assentou a campanha nos defeitos de Donald Trump, com o resultado que se viu. Esse é um erro básico de estratégia em qualquer campanha. Como dizem os especialistas, "there's no such thing as bad publicity".

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Eleições à vista?

por Luís Menezes Leitão, em 30.09.18

Ontem foi Jerónimo de Sousa a dizer que era preciso um novo governo. Hoje é Catarina Martins a ameaçar votar contra o orçamento, a menos que Costa cumpra uma exigência impossível de cumprir. Parece manifesto que os queridos parceiros da geringonça já querem abandonar rapidamente este barco. Resta agora saber se Rui Rio vai querer assumir-se como muleta deste governo ou dá a Costa o destino que a sua votação eleitoral em 2015 lhe deveria ter traçado desde o início. Mas com as constantes demissões que a sua estratégia de ligação ao PS está a causar no PSD, não me parece que Rui Rio tenha grande alternativa. Está hoje na mesma posição de Passos Coelho, que também apostou inicialmente na colaboração com Sócrates, e a quem disseram que ou havia eleições no país ou havia eleições no partido. Claro que as eleições no país neste momento podem ser um maná para António Costa, que seguramente não deseja outra coisa, e uma tragédia para os restantes partidos. Só que é uma tragédia inevitável. Marcello Caetano, também ele uma personagem trágica, disse uma vez que é um erro pensar que se pode deixar de ir a Alcácer-Quibir. O destino está escrito nos astros.

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O aumento da função pública.

por Luís Menezes Leitão, em 28.09.18

Este anúncio de aumentos na função pública é o mesmo esquema de sempre de governar para as clientelas, normalmente sem qualquer pudor de as enganar. Sócrates também aumentou os funcionários públicos em 2,9% em ano eleitoral. Logo a seguir às eleições estabeleceu cortes de salários entre 5 a 10% para os funcionários públicos, levando-lhes ainda mais do que os tinha aumentado. Só me espanta é que ainda haja gente que acredita nestas medidas eleitoralistas.

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A ONU a rir-se.

por Luís Menezes Leitão, em 26.09.18

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Acho inacreditável que uma assembleia geral da ONU se permita rir do Presidente dos Estados Unidos, sabendo-se que é esse o país que sustenta a organização e que pode muito bem cortar a sua contribuição. A assembleia geral deveria respeitar quem lhe paga e ouvir atentamente os discursos, como se espera num forum internacional. Desde o tempo de Ronald Reagan que estou habituado a o resto do mundo considerar os presidentes republicanos como imbecis e idiotas. Quando são democratas, já são uns génios, mesmo no caso da desastrada presidência de Carter, que até permitiu reféns americanos no Irão. Ninguém consegue perceber que, se o presidente americano fosse um imbecil, nunca teria chegado a presidente dos Estados Unidos. E quanto a rir-se de Trump, muitos o fizeram durante as eleições americanas. Viu-se o resultado.

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 23.09.18

Faço questão em recomendar blogues políticos, que nos permitem ter uma visão consequente do que se propõe para a sociedade. Na verdade, entre uma imprensa que optou pela vaguidade absoluta e umas redes sociais que se caracterizam pelo imediatismo do simples comentário, encontrar textos com uma reflexão política mais aprofundada é cada vez mais raro, o que só se consegue nos blogues. Tal tem sido feito pelo Corta-Fitas, ao qual nada tem escapado, designadamente esta manobra de mau gosto em torno da não recondução da PGR e o regresso de Passos Coelho. É por isso a nossa escolha para blogue da semana.

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A não recondução da PGR.

por Luís Menezes Leitão, em 20.09.18

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Nunca achei bem que se fizesse uma questão nacional em torno da recondução da PGR, mas também sempre me pareceu que a solução natural seria a sua recondução, face ao brilhante trabalho que desenvolveu. Comecei a ter dúvidas quando, conhecendo Marcelo, vi a primeira página do Expresso, o que me pareceu ser uma manobra de diversão, o que o desmentido de Marcelo só confirmou. A questão é que a procuradora estava a ter demasiado protagonismo e isso Costa não perdoa e Marcelo muito menos. Ou muito me engano ou a nova PGR vai ter um total "low profile". Como convém ao actual poder político.

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Um país de opereta.

por Luís Menezes Leitão, em 19.09.18

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Eu julgava que neste país existiam leis que puniam os bloqueios de estrada e a ocupação da via pública, impedindo a normal circulação do trânsito. Afinal parece que em Portugal é possível fazer uma manifestação a utilizar carros indevidamente estacionados para cortar a via pública nas principais cidades do país, causando o caos no seu funcionamento e prejudicando centenas de milhares de pessoas. E as autoridades, em lugar de cumprirem a lei, até se dispõem a colaborar nesse objectivo, cortando elas mesmas o trânsito e reservando as vias para o estacionamento dos manifestantes. Digam lá se isto não é um país de opereta.

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Reciprocidade.

por Luís Menezes Leitão, em 17.09.18

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Eu, se estivesse no lugar do João Lourenço, depois dos calções de banho de Marcelo na praia da Ilha e das jeans de António Costa em revista às tropas, trataria a viagem de Estado a Portugal exactamente da mesma maneira. Optaria por isso por surgir em todas as ocasiões solenes com uma roupa leve e desportiva. O único senão desta estratégia é que Novembro em Portugal costuma ser muito frio.

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A estratégia do PSD.

por Luís Menezes Leitão, em 16.09.18

Primeiro eram "fake news", depois foi alguém que deu com a língua nos dentes. Mas isso é acessório perante o principal. O principal é a Direcção achar que é normalíssimo o PSD andar de mão dada com o Bloco, avalizando uma proposta deste completamente absurda e que tinha sido arrasada por todos os outros partidos. Para logo a seguir assistir-se a ser a proposta do PSD a ser arrasada por todos os outros partidos, incluindo o próprio Bloco, que pelos vistos nem foi capaz de lhe agradecer o favor… Pode a Direcção achar que pôr o PSD a fazer um discurso ideológico de extrema esquerda contra os especuladores e o grande capital é uma jogada política genial. Eu digo que isto é jogar à roleta russa com uma metralhadora pesada. Vamos ver quem tem razão.

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Eleições já.

por Luís Menezes Leitão, em 14.09.18

Também já tinha pensado nesta possibilidade. A atitude negocial de António Costa neste momento parece ser a de quem quer eleições já, o que faz todo o sentido. As sondagens dão-no próximo da maioria absoluta, o Bloco está ferido de morte e o PCP não passa da cepa torta onde sempre esteve. Já o PSD desistiu de fazer oposição e o CDS é pequeno demais para o incomodar. Antecipar eleições para agora é por isso o ideal, ainda mais quando estão a surgir no horizonte sinais de crise económica, o que leva a pensar que daqui a um ano a situação possa já não estar tão favorável para o governo.

O cenário parece ser assim a não aceitação das exigências comunistas e bloquistas no orçamento, colocando os parceiros da geringonça na alternativa de engolirem esse sapo ou irem para eleições, as quais só o PS deseja. No estado em que esses partidos estão, o mais provável é que acabem por engolir o sapo, ou até mesmo um elefante se ele surgir no orçamento.

Mas, se por acaso algum destes partidos rejeitar o orçamento, é manifesto que o PSD não pode substituí-los no apoio ao PS, votando favoravelmente o orçamento. Por muito más que sejam as actuais condições políticas para disputar eleições, o PSD não se pode transformar numa muleta do PS, o que seria mortífero para o partido, deixando este de ser encarado como alternativa e ficando a ser frito em lume brando durante um ano num limbo em que não seria governo nem oposição. Se António Costa fizer esse jogo de poker e o PCP e o BE pagarem para ver, o PSD não tem outra possibilidade senão fazer o mesmo. Apostar no confusionismo político é que não.

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A exumação de Franco.

por Luís Menezes Leitão, em 14.09.18

Por cá, na altura do PREC, Carlos Fabião propôs no Conselho da Revolução que se fosse desenterrar Salazar e fazer-lhe um julgamento público, colocando o cadáver em tribunal no banco dos réus. Para seu grande desapontamento, os seus companheiros tiveram o bom senso de lhe dizer que achavam essa ideia completamente absurda. Em Espanha parece que anda a faltar aos deputados esse mais elementar bom senso. Franco está morto e enterrado. Desenterrá-lo é perfeitamente idiota.

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Rio sem regresso.

por Luís Menezes Leitão, em 13.09.18

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Apoiei Rui Rio nas últimas eleições internas do PSD porque a alternativa era Santana Lopes e deste já se conheciam os resultados que teve quando foi líder do PSD, entregando a maioria absoluta a Sócrates. Mas o que aqui se refere demonstra que Rio está a colocar o PSD num estado comatoso. Agora, depois de toda a gente ter arrasado a taxa Robles, vai o PSD propô-la em absoluto delírio político. Rio está tão obcecado em ter votos à esquerda, que não percebe que está a alienar todo o eleitorado natural do PSD.
 
Esta estratégia de Rui Rio já foi tentada uma vez por Freitas do Amaral que quis deslocar o CDS para a esquerda, com a sua tese da equidistância entre o PS e o PSD. O resultado foi desastroso em termos eleitorais, uma vez que, se Freitas do Amaral tinha deixado de gostar do seu eleitorado tradicional, este também deixava de gostar dele. Quanto à esquerda, embora tivesse achado que Freitas do Amaral era uma agradável surpresa, obviamente nunca votou nele. E assim se afundou o CDS, o que não impediu Freitas do Amaral de passar a apoiar o PS, indo depois para ministro de Sócrates.
 
Rui Rio aparece agora a abraçar as propostas do Bloco de Esquerda, contra o que o PSD sempre pensou sobre este assunto, e em vez de combater a geringonça, prefere atacar os seus críticos internos. Com este tipo de estratégia, Rui Rio pode aspirar a ser ministro da geringonça, ou até líder do Bloco, procurando melhorar as propostas absurdas que este faz. Mas para líder do PSD não parece manifestamente talhado. Quando um líder de um partido não se revê nos militantes do seu partido, há um manifesto equívoco que é preciso resolver. Ou o líder muda de partido ou o partido muda de líder. E isto tem que ser resolvido rapidamente, sob pena de entrarmos num rio sem regresso.

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Sondagem.

por Luís Menezes Leitão, em 06.09.18

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Esta sondagem da Aximage confirma o óbvio. Procurar fechar os olhos a escândalos, como pretendeu fazer o Bloco, com o caso Robles, nunca dá bom resultado. E adoptar a ausência como estratégia, como fez o PSD no Verão, só contribui para que o CDS capitalize, já que a política tem horror ao vazio. O resultado destes erros de palmatória é um "jackpot" para António Costa nas negociações do orçamento de Estado. O PCP e o BE vão aceitar de cruz tudo o que o PS exigir, apenas pelo pavor de irem já a eleições com estas sondagens. E se, por acaso não o fizerem, fá-lo-á o PSD de Rio precisamente pelo mesmo motivo. Aí está como em política os erros se pagam muito caro.

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As eleições no Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 27.08.18

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É difícil uma revista conseguir retratar melhor o sentimento que hoje assola o Brasil. Aqui em São Paulo, onde me desloquei em viagem de trabalho, ninguém tem quaisquer saudades de Dilma Rousseff, que acusam de ter deixado a economia de rastos, embora considerem que Temer trouxe apenas melhorias insignificantes. Quanto a Lula, apesar da sua enorme popularidade, ninguém o dá como possível candidato, mesmo que seja libertado, em virtude da lei da ficha limpa que ele próprio fez aprovar. O seu substituto Fernando Haddad teve um mandato desastroso como prefeito em São Paulo, nem sequer tendo conseguido ser reeleito, pelo que não levará os votos dos apoiantes de Lula, a menos que este se envolva intensamente na campanha dele, para o que teria que ser libertado. Os mercados veriam com bons olhos a eleição de Alckmin, do PSDB mas este não descola nas sondagens e tem o maior índice de rejeição dos candidatos. Quanto a Bolsonaro, espera na sombra, nem sequer se dando ao trabalho de ir aos debates, esperando ser eleito da mesma forma que Collor o foi em 1989, como um tiro no escuro por parte daqueles que não queriam ver Lula na presidência, e que deu o resultado que se sabe. Mas, nesta eleição, aqueles que votarem não estarão iludidos, sendo o pavor e a rejeição que vão ditar as escolhas do eleitorado, que bem pode dar um grito nas urnas. "Les jeux son faits".

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Obrigado, Santana Lopes.

por Luís Menezes Leitão, em 27.08.18

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Pela segunda vez o PS vai agradecer a maioria absoluta que lhe proporcionou. Merece desde já ser feito militante honorário, uma vez que faz mais pelo resultado eleitoral do partido do que qualquer líder do PS.

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O vídeo da polémica

por Luís Menezes Leitão, em 21.08.18

vídeo de Centeno é um exercício normalíssimo de congratulação pelo fim de um programa de resgate que nunca mais acabava. Não deveria ter sido recebido com nada mais do que um simples bocejo. Que tenha irritado o louco Varoufakis que, se o deixassem, tinha incendiado a Grécia e por arrasto toda a zona euro, não espanta. Já espanta a quantidade de seguidores irresponsáveis que continua a ter nos partidos da geringonça em Portugal. Mas isso tem uma explicação: o que permitiu a construção da geringonça foi o ataque à ideia de austeridade virtuosa, ainda que Centeno se tenha sempre baseado nessa política. Vê-lo dizê-lo de forma expressa provocou o choque nessas almas sensíveis. Aprendam de uma vez que estão a apoiar um governo que executa rigorosamente uma política de austeridade. Por muito que Costa negue o óbvio e por muitas mascaradas que surjam nos orçamentos de Estado.

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O combate aos incêndios de António Costa.

por Luís Menezes Leitão, em 07.08.18

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 "Luís, vê lá como fico a olhar assim para os... Achas que fica bem assim? Ou fica melhor assim?"

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O novo partido.

por Luís Menezes Leitão, em 05.08.18

O partido de Santana Lopes tem tantas hipóteses de singrar como as teve o partido Nova Democracia, de Manuel Monteiro. Ambos apenas tinham para oferecer aos eleitores o desgosto de um ex-líder por já ninguém lhe ligar nenhuma no partido que liderou. Como mensagem política é muito pouco e como estratégia de poder ainda menos. Os 1,9% que uma sondagem hoje dá a esse novo partido, sob o efeito da novidade, não dão para nada e nunca tirarão qualquer maioria à esquerda. Quando Santana Lopes perceber onde se meteu, quererá voltar ao PSD, como agora quer Manuel Monteiro voltar ao CDS, mas já será tarde. Entretanto, já que nenhum dos partidos actuais lhe serve, pode fundar todos os partidos que ache adequados ao seu ego. Chapéus há muitos, e partidos também.

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Madonna em Cuba.

por Luís Menezes Leitão, em 02.08.18

Não tenho paciência nenhuma para estas vedetas que vêm para cá, abusando do deslumbramento dos indígenas, para depois compararem o país a uma Cuba ou acharem que parou no tempo de Salazar. Mas, de facto, desde que a geringonça chegou ao poder, está muito parecido com uma Cuba. Em que outro país europeu a câmara da capital lhe tinha oferecido 15 lugares de estacionamento a preços irrisórios para depois ouvir estas declarações? De facto, é graças ao fado, futebol e Fátima que os portugueses continuam a andar distraídos com a actuação dos nossos políticos.

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 29.07.18

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Tem sido interessante ver os blogues que habitualmente se manifestam contra a gentrificação e a especulação imobiliária em Lisboa entrarem num silêncio sepulcral quando um dos seus ídolos maiores, o Ricardo Robles, é apanhado com a boca na botija. Há, porém, um blogue que não o fez. O Vôo do corvo tem publicado até à exaustão todas as notícias e comentários que têm surgido sobre o caso do especulador Ricardo Robles, incluindo aqueles que reconhecem que "o vereador da Câmara de Lisboa comprometeu a sua legitimidade para criticar politicamente a especulação imobiliária quando esteve disposto pessoalmente a beneficiar dela". Pela honestidade e isenção que demonstra no combate que tem vindo a travar, o Vôo do corvo é por isso o nosso blogue da semana.

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A geringonça da hipocrisia.

por Luís Menezes Leitão, em 27.07.18

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O que caracteriza a geringonça é de facto a sua refinada hipocrisia. Dizem que andam a tentar combater a especulação imobiliária, enquanto se dedicam a ela nos seus negócios privados. Depois de António Costa ter conseguido o enorme prodígio de ganhar 100% na venda de um imóvel no prazo de um ano, enquanto exerce as funções de primeiro-ministro, agora é este rapaz que ultrapassa todos os recordes, comprando um imóvel por 347 mil euros e a seguir pondo-o no mercado por 5,7 milhões. Isto por parte de quem andava a dizer à boca cheia, que Lisboa é uma cidade cada vez mais para ricos e menos para lisboetas. Ele lá saberá do que fala. Estranha-se é que não tenha apresentado o seu passado como investidor imobiliário quando se candidatou no programa do Bloco de Esquerda a Lisboa, onde seguramente teria tido um resultado eleitoral diferente. A hipocrisia e a fraude política estão de facto no coração da geringonça.

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Uma oportunidade perdida?

por Luís Menezes Leitão, em 26.07.18

Esta é uma excelente análise, sendo manifesto que as coisas não estão a correr bem a Rui Rio. Só que a política é uma realidade dinâmica e as coisas podem mudar a qualquer momento. Durão Barroso teve um início complicado como líder da oposição e Guterres vaticinou que não havia uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão. Mas bastou a Durão Barroso ganhar as autárquicas para Guterres sair com estrondo. Se as tivesse perdido teria de ser Durão Barroso a sair de líder do PSD. O futuro político de Rui Rio não se joga agora mas em 2019. Que se desenganem aqueles que já andam por aí a vender a pele do urso.

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O novo líder do PP espanhol.

por Luís Menezes Leitão, em 21.07.18

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Pablo Casado, o homem que durante a crise catalã insinuou que Puigdemont poderia acabar por ser fuzilado, como Companys o foi em 1940, acaba de ser eleito presidente do PP. É manifesto que de Espanha não sopram bons ventos.

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A vitória de Puigdemont.

por Luís Menezes Leitão, em 19.07.18

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Mais uma vez Puigdemont consegue uma vitória estrondosa sobre a justiça espanhola, que decidiu retirar o mandato de captura internacional depois de nunhum país ter aceitado perseguir o líder catalão por delito de rebelião. Há muito tempo que se sabe que um Estado democrático não pode perseguir pessoas por delitos políticos, sendo isso o que significava esta perseguição aos independentistas. Aliás muitos continuam presos sem culpa formada apenas por motivo das suas convicções política, e até já lhes foi retirado pelos tribunais o mandato que o povo lhes conferiu. O debate político não se faz nos tribunais e as ideias políticas combatem-se com outras ideias políticas. Neste âmbito Pedro Sánchez foi inteligente ao propor um novo estatuto para a Catalunha, que pudesse ser referendado pelo povo catalão, o que congelaria as pretensões independentistas por muitos anos. Os tribunais espanhóis é que parece que não desistem do seu intuito de entrar no jogo político, activando e desactivando mandados de captura internacionais consoante lhes convém politicamente.

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Certezas.

por Luís Menezes Leitão, em 13.07.18

Quem ouve no Parlamento os discursos do PCP e do BE e os ataques sucessivos ao PS não tem dúvidas nenhumas de que a maioria parlamentar da geringonça está forte e estável. Da mesma forma que ninguém duvida que o que Jean-Claude Juncker ontem teve foi um forte ataque de ciática.

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Trump e a Europa.

por Luís Menezes Leitão, em 12.07.18

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Marcelo foi para a Casa Branca falar de vinho e futebol e Costa agora afirma que não se ganha nada em confrontar Trump. Os estados europeus não cumpriram a exigência de Trump de passarem a gastar 3% do PIB em defesa e agora pelos vistos vão dizer que sim a uma subida para 4%. Se bem estou a perceber, a estratégia da Europa para lidar com Trump é aceitar tudo o que ele propõe e depois não fazer absolutamente nada. A sério, estão convencidos de que um homem de negócios americano, que chegou a Presidente dos Estados Unidos, se deixa enganar assim? A continuarmos nisto, a NATO já era.

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A luta de Pedro Sánchez contra o Vale dos Caídos.

por Luís Menezes Leitão, em 09.07.18

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Visitei o Vale dos Caídos na minha adolescência. Guardo a recordação de um lugar impressionante, onde a memória da guerra civil se encontra sempre presente, com os túmulos de Franco e Primo de Rivera lado a lado. Franco, mesmo depois de décadas a governar Espanha, quis ser enterrado no Vale dos Caídos, querendo que a posteridade o recordasse apenas como o vencedor da guerra civil espanhola. Parece que quando morreu propuseram um brinde a Felipe González, que respondeu não ter qualquer prazer em festejar a morte de um único espanhol. Mas Pedro Sánchez, o imitador de Costa, é pequeno de mais para gestos destes. Como se não lhe bastassem os conflitos da Espanha actual, acha que deve é bater em mortos e ajustar contas com o passado. D. Quixote e a sua luta contra os moinhos de vento continua a representar bem o espírito espanhol. Pelo menos dos socialistas lá do burgo.

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Croácia-Rússia.

por Luís Menezes Leitão, em 08.07.18

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O que mais me divertiu no jogo de ontem foi assistir à troca de cumprimentos entre a presidente croata e o primeiro-ministro russo.

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Bye Bye Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 07.07.18

Bye Bye Brasil. Foi uma pena, uma vez que depois da desilusão do Mundial passado, esperava ter visto este ano um Brasil na sua melhor forma. Mas há que reconhecer que não foi o caso. O futebol praticado não foi convicente e a equipa parecia apostar toda na fama de Neymar, a meu ver totalmente injustificada. Aliás, não percebo como é que o PSG pagou 200 milhões por um jogador cuja maior especialidade são as simulações e as fitas em campo. Perante um adversário temível, como a Bélgica já tinha demonstrado que seria, depois da reviravolta no jogo com o Japão, o Brasil não soube jogar com o dinamismo e a concentração adequadas. Bastou um autogolo inicial e a equipa já não foi capaz de dar a volta ao resultado. Esperemos que no Qatar as coisas fiquem melhores, mas para isso é manifesto que a equipa tem que ser outra. É preciso uma revolução total na selecção brasileira, a começar já.

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A proposta do PAN.

por Luís Menezes Leitão, em 06.07.18

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Eu odeio touradas e até apreciaria que o país não as tivesse. Dito isto, acho que foi uma total loucura o projecto do PAN para as proibir, e que o BE, PEV e alguns deputados do PS votaram favoravelmente. Parece que não se lembram do que foi Barrancos e de como o Estado se viu forçado a recuar numa proibição legal centenária que a vila nunca aceitou aplicar. Queriam estes deputados de uma assentada criar 300 Barrancos em Portugal, contribuindo para o descrédito ainda maior do Estado, ou até provocar no séc. XXI um movimento semelhante à Maria da Fonte? A irresponsabilidade desta gente é confrangedora. Conheçam primeiro o país em que vivem antes de proporem leis irrealistas.

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Salvar o planeta (2).

por Luís Menezes Leitão, em 06.07.18

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A explicação para esta notícia deve ser muito simples. Resulta seguramente da tabela de preços do Senhor Obama: 1) Fazer uma conferência sobre ambiente: 500.000; 2) Responder a perguntas dos jornalistas: 500.000; 3) Partilhar o palco com políticos: 500.000; 4) Ficar a dormir na cidade: 500.000. Total: Dois milhões. Como só lhe pagaram a primeira tranche, só têm direito a 1) e o senhor Obama dá a conferência e vai a seguir imediatamente dormir a Madrid. Só uma perguntinha: quem é que vai pagar por este enorme contributo para a salvação do planeta?

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A queda de uma Angela.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.18

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Quando escrevi uma crónica para o i que saiu hoje sobre este assunto, estava longe de imaginar que o resultado final de toda esta deriva na Europa sobre a questão das migrações seria uma derrota colossal de Angela Merkel às mãos do seu Ministro do Interior Horst Seehofer, líder da CSU. Desde Setembro de 2015 que Seehofer tem vindo a criticar a decisão de Merkel de abandonar unilateramente a regra de Dublin — que obriga os processos de asilo a serem tratados pelo país a que os refugiados chegam em primeiro lugar — em ordem a permitir o acolhimento desses refugiados pela Alemanha. Trata-se de uma decisão humanitária, mas com custos políticos sérios, uma vez que grande parte do povo alemão não a compreendia, tendo sido esse o principal factor que levou ao crescimento eleitoral da AfD. Merkel não se preocupou com esse crescimento, a partir do momento em que conseguiu reeditar a grande coligação com o SPD. Mas Seehofer vai ter eleições na Baviera no Outono e a AfD poderia ameaçar seriamente a sua CSU, se esta não tomasse uma posição firme na questão dos refugiados. Seehofer ameaçou com a sua demissão do governo, que poderia destruir a coligação, e agora ganhou em toda a linha. Merkel viu-se obrigada a abandonar a sua política de abertura aos refugiados e concordou inclusivamente com a criação de "centros de trânsito" para recambiar os refugiados de volta ao país da Europa onde entraram em primeiro lugar.

 

Fez-se uma cimeira europeia sobre a questão das migrações, com decisões patéticas, como "centros de acolhimento" na costa africana, que obviamente já foram rejeitados por todos os países africanos da zona. Mas pelos vistos essa cimeira europeia, destinada a ir em socorro de Merkel, não impediu que a mesma fosse politicamente trucidada por Seehofer. Merkel pode continuar como chanceler, mas é manifesto que já não dá as cartas na política alemã. Hoje assistiu-se à queda de uma Angela.

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Transparência na gestão autárquica.

por Luís Menezes Leitão, em 02.07.18

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Acho que é sempre um modelo de transparência uma autarquia que arrenda por tuta e meio um terreno de um palácio municipal de grande valor histórico e a seguir exibe publicamente um contrato de onde risca o nome do outro outorgante. E, já agora, a Madonna entende o suficiente de português para ter assinado este contrato? Se fosse em qualquer outro país civilizado, o Presidente da Câmara de Lisboa já estaria na rua. Mas como em Portugal não há capacidade de indignação, continuaremos sempre na nossa apagada e vil tristeza.

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Salvar o planeta.

por Luís Menezes Leitão, em 01.07.18

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Parece que Barack Obama está empenhado em salvar o planeta e por esse motivo vem ao Porto dar uma conferência. Os 500.000 euros que vai receber pela conferência em nada prejudicam a enorme nobreza do objectivo.

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Portugal no Mundial (fim).

por Luís Menezes Leitão, em 30.06.18

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Resultado óbvio. A defesa de Portugal era um buraco e o meio-campo não existia. No primeiro jogo Cristiano Ronaldo levou a equipa às costas, mas nos jogos restantes os adversários garantiram que isso não voltaria a acontecer. No Mundial, mais do que os valores individuais, são as equipas que fazem a diferença. E o Uruguai já tinha demonstrado que possui uma equipa a sério. Hoje limitou-se a confirmá-lo.

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Ética republicana.

por Luís Menezes Leitão, em 29.06.18

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Um exemplo típico da ética republicana é este parecer do parlamento, a dizer que os deputados podem declarar a morada que quiserem para efeitos de receber subsídio de deslocação, que ninguém se vai dar ao trabalho de os fiscalizar. Não me espantaria que a esmagadora maioria dos deputados passasse de repente, em consequência deste parecer, a residir na Ilha do Corvo. O que o país sabe hoje sobre os nossos políticos é apenas isto: que não há limites para a sua falta de vergonha.

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PSL.

por Luís Menezes Leitão, em 28.06.18

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Não tenho paciência nenhuma para as fitas de Santana Lopes. O seu governo foi um desastre para o PSD, que atirou para uma derrota história, permitindo a maioria absoluta do PS de Sócrates, que depois conduziu o país à bancarrota. Agora também teve grandes responsabilidades na derrota autárquica, fazendo o partido hesitar meses na candidatura a Lisboa, a que depois renunciou devido ao compromisso com a Santa Casa. Esse compromisso naturalmente desapareceu logo para se candidatar à liderança do PSD contra Rui Rio, onde até teve uma votação razoável, podendo ser o rosto da oposição no partido. Mas a oposição a Rui Rio também desapareceu logo no dia inaugural do Congresso, quando entraram os dois de braço dado, fazendo uma lista única. Pouco tempo depois, rompe outra vez com Rui Rio, mas no PSD já ninguém lhe ligou nenhuma. Agora anuncia um novo partido, o que também já anda a anunciar desde 1996, o célebre Partido Social Liberal, com a sigla PSL. Só o nome do partido já mostra a contradição em que Santana Lopes vive desde sempre, sendo o seu projecto político apenas o seu próprio ego. Que forme o novo partido, que rompa com ele, que forme outro ainda, e que volte a formar outro mais uma vez. A mim preocupa-me mais o combate político contra este governo.

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