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Reciprocidade.

por Luís Menezes Leitão, em 17.09.18

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Eu, se estivesse no lugar do João Lourenço, depois dos calções de banho de Marcelo na praia da Ilha e das jeans de António Costa em revista às tropas, trataria a viagem de Estado a Portugal exactamente da mesma maneira. Optaria por isso por surgir em todas as ocasiões solenes com uma roupa leve e desportiva. O único senão desta estratégia é que Novembro em Portugal costuma ser muito frio.

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A estratégia do PSD.

por Luís Menezes Leitão, em 16.09.18

Primeiro eram "fake news", depois foi alguém que deu com a língua nos dentes. Mas isso é acessório perante o principal. O principal é a Direcção achar que é normalíssimo o PSD andar de mão dada com o Bloco, avalizando uma proposta deste completamente absurda e que tinha sido arrasada por todos os outros partidos. Para logo a seguir assistir-se a ser a proposta do PSD a ser arrasada por todos os outros partidos, incluindo o próprio Bloco, que pelos vistos nem foi capaz de lhe agradecer o favor… Pode a Direcção achar que pôr o PSD a fazer um discurso ideológico de extrema esquerda contra os especuladores e o grande capital é uma jogada política genial. Eu digo que isto é jogar à roleta russa com uma metralhadora pesada. Vamos ver quem tem razão.

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Eleições já.

por Luís Menezes Leitão, em 14.09.18

Também já tinha pensado nesta possibilidade. A atitude negocial de António Costa neste momento parece ser a de quem quer eleições já, o que faz todo o sentido. As sondagens dão-no próximo da maioria absoluta, o Bloco está ferido de morte e o PCP não passa da cepa torta onde sempre esteve. Já o PSD desistiu de fazer oposição e o CDS é pequeno demais para o incomodar. Antecipar eleições para agora é por isso o ideal, ainda mais quando estão a surgir no horizonte sinais de crise económica, o que leva a pensar que daqui a um ano a situação possa já não estar tão favorável para o governo.

O cenário parece ser assim a não aceitação das exigências comunistas e bloquistas no orçamento, colocando os parceiros da geringonça na alternativa de engolirem esse sapo ou irem para eleições, as quais só o PS deseja. No estado em que esses partidos estão, o mais provável é que acabem por engolir o sapo, ou até mesmo um elefante se ele surgir no orçamento.

Mas, se por acaso algum destes partidos rejeitar o orçamento, é manifesto que o PSD não pode substituí-los no apoio ao PS, votando favoravelmente o orçamento. Por muito más que sejam as actuais condições políticas para disputar eleições, o PSD não se pode transformar numa muleta do PS, o que seria mortífero para o partido, deixando este de ser encarado como alternativa e ficando a ser frito em lume brando durante um ano num limbo em que não seria governo nem oposição. Se António Costa fizer esse jogo de poker e o PCP e o BE pagarem para ver, o PSD não tem outra possibilidade senão fazer o mesmo. Apostar no confusionismo político é que não.

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A exumação de Franco.

por Luís Menezes Leitão, em 14.09.18

Por cá, na altura do PREC, Carlos Fabião propôs no Conselho da Revolução que se fosse desenterrar Salazar e fazer-lhe um julgamento público, colocando o cadáver em tribunal no banco dos réus. Para seu grande desapontamento, os seus companheiros tiveram o bom senso de lhe dizer que achavam essa ideia completamente absurda. Em Espanha parece que anda a faltar aos deputados esse mais elementar bom senso. Franco está morto e enterrado. Desenterrá-lo é perfeitamente idiota.

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Rio sem regresso.

por Luís Menezes Leitão, em 13.09.18

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Apoiei Rui Rio nas últimas eleições internas do PSD porque a alternativa era Santana Lopes e deste já se conheciam os resultados que teve quando foi líder do PSD, entregando a maioria absoluta a Sócrates. Mas o que aqui se refere demonstra que Rio está a colocar o PSD num estado comatoso. Agora, depois de toda a gente ter arrasado a taxa Robles, vai o PSD propô-la em absoluto delírio político. Rio está tão obcecado em ter votos à esquerda, que não percebe que está a alienar todo o eleitorado natural do PSD.
 
Esta estratégia de Rui Rio já foi tentada uma vez por Freitas do Amaral que quis deslocar o CDS para a esquerda, com a sua tese da equidistância entre o PS e o PSD. O resultado foi desastroso em termos eleitorais, uma vez que, se Freitas do Amaral tinha deixado de gostar do seu eleitorado tradicional, este também deixava de gostar dele. Quanto à esquerda, embora tivesse achado que Freitas do Amaral era uma agradável surpresa, obviamente nunca votou nele. E assim se afundou o CDS, o que não impediu Freitas do Amaral de passar a apoiar o PS, indo depois para ministro de Sócrates.
 
Rui Rio aparece agora a abraçar as propostas do Bloco de Esquerda, contra o que o PSD sempre pensou sobre este assunto, e em vez de combater a geringonça, prefere atacar os seus críticos internos. Com este tipo de estratégia, Rui Rio pode aspirar a ser ministro da geringonça, ou até líder do Bloco, procurando melhorar as propostas absurdas que este faz. Mas para líder do PSD não parece manifestamente talhado. Quando um líder de um partido não se revê nos militantes do seu partido, há um manifesto equívoco que é preciso resolver. Ou o líder muda de partido ou o partido muda de líder. E isto tem que ser resolvido rapidamente, sob pena de entrarmos num rio sem regresso.

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Sondagem.

por Luís Menezes Leitão, em 06.09.18

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Esta sondagem da Aximage confirma o óbvio. Procurar fechar os olhos a escândalos, como pretendeu fazer o Bloco, com o caso Robles, nunca dá bom resultado. E adoptar a ausência como estratégia, como fez o PSD no Verão, só contribui para que o CDS capitalize, já que a política tem horror ao vazio. O resultado destes erros de palmatória é um "jackpot" para António Costa nas negociações do orçamento de Estado. O PCP e o BE vão aceitar de cruz tudo o que o PS exigir, apenas pelo pavor de irem já a eleições com estas sondagens. E se, por acaso não o fizerem, fá-lo-á o PSD de Rio precisamente pelo mesmo motivo. Aí está como em política os erros se pagam muito caro.

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As eleições no Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 27.08.18

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É difícil uma revista conseguir retratar melhor o sentimento que hoje assola o Brasil. Aqui em São Paulo, onde me desloquei em viagem de trabalho, ninguém tem quaisquer saudades de Dilma Rousseff, que acusam de ter deixado a economia de rastos, embora considerem que Temer trouxe apenas melhorias insignificantes. Quanto a Lula, apesar da sua enorme popularidade, ninguém o dá como possível candidato, mesmo que seja libertado, em virtude da lei da ficha limpa que ele próprio fez aprovar. O seu substituto Fernando Haddad teve um mandato desastroso como prefeito em São Paulo, nem sequer tendo conseguido ser reeleito, pelo que não levará os votos dos apoiantes de Lula, a menos que este se envolva intensamente na campanha dele, para o que teria que ser libertado. Os mercados veriam com bons olhos a eleição de Alckmin, do PSDB mas este não descola nas sondagens e tem o maior índice de rejeição dos candidatos. Quanto a Bolsonaro, espera na sombra, nem sequer se dando ao trabalho de ir aos debates, esperando ser eleito da mesma forma que Collor o foi em 1989, como um tiro no escuro por parte daqueles que não queriam ver Lula na presidência, e que deu o resultado que se sabe. Mas, nesta eleição, aqueles que votarem não estarão iludidos, sendo o pavor e a rejeição que vão ditar as escolhas do eleitorado, que bem pode dar um grito nas urnas. "Les jeux son faits".

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Obrigado, Santana Lopes.

por Luís Menezes Leitão, em 27.08.18

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Pela segunda vez o PS vai agradecer a maioria absoluta que lhe proporcionou. Merece desde já ser feito militante honorário, uma vez que faz mais pelo resultado eleitoral do partido do que qualquer líder do PS.

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O vídeo da polémica

por Luís Menezes Leitão, em 21.08.18

vídeo de Centeno é um exercício normalíssimo de congratulação pelo fim de um programa de resgate que nunca mais acabava. Não deveria ter sido recebido com nada mais do que um simples bocejo. Que tenha irritado o louco Varoufakis que, se o deixassem, tinha incendiado a Grécia e por arrasto toda a zona euro, não espanta. Já espanta a quantidade de seguidores irresponsáveis que continua a ter nos partidos da geringonça em Portugal. Mas isso tem uma explicação: o que permitiu a construção da geringonça foi o ataque à ideia de austeridade virtuosa, ainda que Centeno se tenha sempre baseado nessa política. Vê-lo dizê-lo de forma expressa provocou o choque nessas almas sensíveis. Aprendam de uma vez que estão a apoiar um governo que executa rigorosamente uma política de austeridade. Por muito que Costa negue o óbvio e por muitas mascaradas que surjam nos orçamentos de Estado.

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O combate aos incêndios de António Costa.

por Luís Menezes Leitão, em 07.08.18

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 "Luís, vê lá como fico a olhar assim para os... Achas que fica bem assim? Ou fica melhor assim?"

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O novo partido.

por Luís Menezes Leitão, em 05.08.18

O partido de Santana Lopes tem tantas hipóteses de singrar como as teve o partido Nova Democracia, de Manuel Monteiro. Ambos apenas tinham para oferecer aos eleitores o desgosto de um ex-líder por já ninguém lhe ligar nenhuma no partido que liderou. Como mensagem política é muito pouco e como estratégia de poder ainda menos. Os 1,9% que uma sondagem hoje dá a esse novo partido, sob o efeito da novidade, não dão para nada e nunca tirarão qualquer maioria à esquerda. Quando Santana Lopes perceber onde se meteu, quererá voltar ao PSD, como agora quer Manuel Monteiro voltar ao CDS, mas já será tarde. Entretanto, já que nenhum dos partidos actuais lhe serve, pode fundar todos os partidos que ache adequados ao seu ego. Chapéus há muitos, e partidos também.

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Madonna em Cuba.

por Luís Menezes Leitão, em 02.08.18

Não tenho paciência nenhuma para estas vedetas que vêm para cá, abusando do deslumbramento dos indígenas, para depois compararem o país a uma Cuba ou acharem que parou no tempo de Salazar. Mas, de facto, desde que a geringonça chegou ao poder, está muito parecido com uma Cuba. Em que outro país europeu a câmara da capital lhe tinha oferecido 15 lugares de estacionamento a preços irrisórios para depois ouvir estas declarações? De facto, é graças ao fado, futebol e Fátima que os portugueses continuam a andar distraídos com a actuação dos nossos políticos.

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 29.07.18

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Tem sido interessante ver os blogues que habitualmente se manifestam contra a gentrificação e a especulação imobiliária em Lisboa entrarem num silêncio sepulcral quando um dos seus ídolos maiores, o Ricardo Robles, é apanhado com a boca na botija. Há, porém, um blogue que não o fez. O Vôo do corvo tem publicado até à exaustão todas as notícias e comentários que têm surgido sobre o caso do especulador Ricardo Robles, incluindo aqueles que reconhecem que "o vereador da Câmara de Lisboa comprometeu a sua legitimidade para criticar politicamente a especulação imobiliária quando esteve disposto pessoalmente a beneficiar dela". Pela honestidade e isenção que demonstra no combate que tem vindo a travar, o Vôo do corvo é por isso o nosso blogue da semana.

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A geringonça da hipocrisia.

por Luís Menezes Leitão, em 27.07.18

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O que caracteriza a geringonça é de facto a sua refinada hipocrisia. Dizem que andam a tentar combater a especulação imobiliária, enquanto se dedicam a ela nos seus negócios privados. Depois de António Costa ter conseguido o enorme prodígio de ganhar 100% na venda de um imóvel no prazo de um ano, enquanto exerce as funções de primeiro-ministro, agora é este rapaz que ultrapassa todos os recordes, comprando um imóvel por 347 mil euros e a seguir pondo-o no mercado por 5,7 milhões. Isto por parte de quem andava a dizer à boca cheia, que Lisboa é uma cidade cada vez mais para ricos e menos para lisboetas. Ele lá saberá do que fala. Estranha-se é que não tenha apresentado o seu passado como investidor imobiliário quando se candidatou no programa do Bloco de Esquerda a Lisboa, onde seguramente teria tido um resultado eleitoral diferente. A hipocrisia e a fraude política estão de facto no coração da geringonça.

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Uma oportunidade perdida?

por Luís Menezes Leitão, em 26.07.18

Esta é uma excelente análise, sendo manifesto que as coisas não estão a correr bem a Rui Rio. Só que a política é uma realidade dinâmica e as coisas podem mudar a qualquer momento. Durão Barroso teve um início complicado como líder da oposição e Guterres vaticinou que não havia uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão. Mas bastou a Durão Barroso ganhar as autárquicas para Guterres sair com estrondo. Se as tivesse perdido teria de ser Durão Barroso a sair de líder do PSD. O futuro político de Rui Rio não se joga agora mas em 2019. Que se desenganem aqueles que já andam por aí a vender a pele do urso.

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O novo líder do PP espanhol.

por Luís Menezes Leitão, em 21.07.18

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Pablo Casado, o homem que durante a crise catalã insinuou que Puigdemont poderia acabar por ser fuzilado, como Companys o foi em 1940, acaba de ser eleito presidente do PP. É manifesto que de Espanha não sopram bons ventos.

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A vitória de Puigdemont.

por Luís Menezes Leitão, em 19.07.18

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Mais uma vez Puigdemont consegue uma vitória estrondosa sobre a justiça espanhola, que decidiu retirar o mandato de captura internacional depois de nunhum país ter aceitado perseguir o líder catalão por delito de rebelião. Há muito tempo que se sabe que um Estado democrático não pode perseguir pessoas por delitos políticos, sendo isso o que significava esta perseguição aos independentistas. Aliás muitos continuam presos sem culpa formada apenas por motivo das suas convicções política, e até já lhes foi retirado pelos tribunais o mandato que o povo lhes conferiu. O debate político não se faz nos tribunais e as ideias políticas combatem-se com outras ideias políticas. Neste âmbito Pedro Sánchez foi inteligente ao propor um novo estatuto para a Catalunha, que pudesse ser referendado pelo povo catalão, o que congelaria as pretensões independentistas por muitos anos. Os tribunais espanhóis é que parece que não desistem do seu intuito de entrar no jogo político, activando e desactivando mandados de captura internacionais consoante lhes convém politicamente.

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Certezas.

por Luís Menezes Leitão, em 13.07.18

Quem ouve no Parlamento os discursos do PCP e do BE e os ataques sucessivos ao PS não tem dúvidas nenhumas de que a maioria parlamentar da geringonça está forte e estável. Da mesma forma que ninguém duvida que o que Jean-Claude Juncker ontem teve foi um forte ataque de ciática.

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Trump e a Europa.

por Luís Menezes Leitão, em 12.07.18

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Marcelo foi para a Casa Branca falar de vinho e futebol e Costa agora afirma que não se ganha nada em confrontar Trump. Os estados europeus não cumpriram a exigência de Trump de passarem a gastar 3% do PIB em defesa e agora pelos vistos vão dizer que sim a uma subida para 4%. Se bem estou a perceber, a estratégia da Europa para lidar com Trump é aceitar tudo o que ele propõe e depois não fazer absolutamente nada. A sério, estão convencidos de que um homem de negócios americano, que chegou a Presidente dos Estados Unidos, se deixa enganar assim? A continuarmos nisto, a NATO já era.

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A luta de Pedro Sánchez contra o Vale dos Caídos.

por Luís Menezes Leitão, em 09.07.18

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Visitei o Vale dos Caídos na minha adolescência. Guardo a recordação de um lugar impressionante, onde a memória da guerra civil se encontra sempre presente, com os túmulos de Franco e Primo de Rivera lado a lado. Franco, mesmo depois de décadas a governar Espanha, quis ser enterrado no Vale dos Caídos, querendo que a posteridade o recordasse apenas como o vencedor da guerra civil espanhola. Parece que quando morreu propuseram um brinde a Felipe González, que respondeu não ter qualquer prazer em festejar a morte de um único espanhol. Mas Pedro Sánchez, o imitador de Costa, é pequeno de mais para gestos destes. Como se não lhe bastassem os conflitos da Espanha actual, acha que deve é bater em mortos e ajustar contas com o passado. D. Quixote e a sua luta contra os moinhos de vento continua a representar bem o espírito espanhol. Pelo menos dos socialistas lá do burgo.

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Croácia-Rússia.

por Luís Menezes Leitão, em 08.07.18

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O que mais me divertiu no jogo de ontem foi assistir à troca de cumprimentos entre a presidente croata e o primeiro-ministro russo.

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Bye Bye Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 07.07.18

Bye Bye Brasil. Foi uma pena, uma vez que depois da desilusão do Mundial passado, esperava ter visto este ano um Brasil na sua melhor forma. Mas há que reconhecer que não foi o caso. O futebol praticado não foi convicente e a equipa parecia apostar toda na fama de Neymar, a meu ver totalmente injustificada. Aliás, não percebo como é que o PSG pagou 200 milhões por um jogador cuja maior especialidade são as simulações e as fitas em campo. Perante um adversário temível, como a Bélgica já tinha demonstrado que seria, depois da reviravolta no jogo com o Japão, o Brasil não soube jogar com o dinamismo e a concentração adequadas. Bastou um autogolo inicial e a equipa já não foi capaz de dar a volta ao resultado. Esperemos que no Qatar as coisas fiquem melhores, mas para isso é manifesto que a equipa tem que ser outra. É preciso uma revolução total na selecção brasileira, a começar já.

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A proposta do PAN.

por Luís Menezes Leitão, em 06.07.18

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Eu odeio touradas e até apreciaria que o país não as tivesse. Dito isto, acho que foi uma total loucura o projecto do PAN para as proibir, e que o BE, PEV e alguns deputados do PS votaram favoravelmente. Parece que não se lembram do que foi Barrancos e de como o Estado se viu forçado a recuar numa proibição legal centenária que a vila nunca aceitou aplicar. Queriam estes deputados de uma assentada criar 300 Barrancos em Portugal, contribuindo para o descrédito ainda maior do Estado, ou até provocar no séc. XXI um movimento semelhante à Maria da Fonte? A irresponsabilidade desta gente é confrangedora. Conheçam primeiro o país em que vivem antes de proporem leis irrealistas.

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Salvar o planeta (2).

por Luís Menezes Leitão, em 06.07.18

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A explicação para esta notícia deve ser muito simples. Resulta seguramente da tabela de preços do Senhor Obama: 1) Fazer uma conferência sobre ambiente: 500.000; 2) Responder a perguntas dos jornalistas: 500.000; 3) Partilhar o palco com políticos: 500.000; 4) Ficar a dormir na cidade: 500.000. Total: Dois milhões. Como só lhe pagaram a primeira tranche, só têm direito a 1) e o senhor Obama dá a conferência e vai a seguir imediatamente dormir a Madrid. Só uma perguntinha: quem é que vai pagar por este enorme contributo para a salvação do planeta?

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A queda de uma Angela.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.18

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Quando escrevi uma crónica para o i que saiu hoje sobre este assunto, estava longe de imaginar que o resultado final de toda esta deriva na Europa sobre a questão das migrações seria uma derrota colossal de Angela Merkel às mãos do seu Ministro do Interior Horst Seehofer, líder da CSU. Desde Setembro de 2015 que Seehofer tem vindo a criticar a decisão de Merkel de abandonar unilateramente a regra de Dublin — que obriga os processos de asilo a serem tratados pelo país a que os refugiados chegam em primeiro lugar — em ordem a permitir o acolhimento desses refugiados pela Alemanha. Trata-se de uma decisão humanitária, mas com custos políticos sérios, uma vez que grande parte do povo alemão não a compreendia, tendo sido esse o principal factor que levou ao crescimento eleitoral da AfD. Merkel não se preocupou com esse crescimento, a partir do momento em que conseguiu reeditar a grande coligação com o SPD. Mas Seehofer vai ter eleições na Baviera no Outono e a AfD poderia ameaçar seriamente a sua CSU, se esta não tomasse uma posição firme na questão dos refugiados. Seehofer ameaçou com a sua demissão do governo, que poderia destruir a coligação, e agora ganhou em toda a linha. Merkel viu-se obrigada a abandonar a sua política de abertura aos refugiados e concordou inclusivamente com a criação de "centros de trânsito" para recambiar os refugiados de volta ao país da Europa onde entraram em primeiro lugar.

 

Fez-se uma cimeira europeia sobre a questão das migrações, com decisões patéticas, como "centros de acolhimento" na costa africana, que obviamente já foram rejeitados por todos os países africanos da zona. Mas pelos vistos essa cimeira europeia, destinada a ir em socorro de Merkel, não impediu que a mesma fosse politicamente trucidada por Seehofer. Merkel pode continuar como chanceler, mas é manifesto que já não dá as cartas na política alemã. Hoje assistiu-se à queda de uma Angela.

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Transparência na gestão autárquica.

por Luís Menezes Leitão, em 02.07.18

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Acho que é sempre um modelo de transparência uma autarquia que arrenda por tuta e meio um terreno de um palácio municipal de grande valor histórico e a seguir exibe publicamente um contrato de onde risca o nome do outro outorgante. E, já agora, a Madonna entende o suficiente de português para ter assinado este contrato? Se fosse em qualquer outro país civilizado, o Presidente da Câmara de Lisboa já estaria na rua. Mas como em Portugal não há capacidade de indignação, continuaremos sempre na nossa apagada e vil tristeza.

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Salvar o planeta.

por Luís Menezes Leitão, em 01.07.18

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Parece que Barack Obama está empenhado em salvar o planeta e por esse motivo vem ao Porto dar uma conferência. Os 500.000 euros que vai receber pela conferência em nada prejudicam a enorme nobreza do objectivo.

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Portugal no Mundial (fim).

por Luís Menezes Leitão, em 30.06.18

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Resultado óbvio. A defesa de Portugal era um buraco e o meio-campo não existia. No primeiro jogo Cristiano Ronaldo levou a equipa às costas, mas nos jogos restantes os adversários garantiram que isso não voltaria a acontecer. No Mundial, mais do que os valores individuais, são as equipas que fazem a diferença. E o Uruguai já tinha demonstrado que possui uma equipa a sério. Hoje limitou-se a confirmá-lo.

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Ética republicana.

por Luís Menezes Leitão, em 29.06.18

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Um exemplo típico da ética republicana é este parecer do parlamento, a dizer que os deputados podem declarar a morada que quiserem para efeitos de receber subsídio de deslocação, que ninguém se vai dar ao trabalho de os fiscalizar. Não me espantaria que a esmagadora maioria dos deputados passasse de repente, em consequência deste parecer, a residir na Ilha do Corvo. O que o país sabe hoje sobre os nossos políticos é apenas isto: que não há limites para a sua falta de vergonha.

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PSL.

por Luís Menezes Leitão, em 28.06.18

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Não tenho paciência nenhuma para as fitas de Santana Lopes. O seu governo foi um desastre para o PSD, que atirou para uma derrota história, permitindo a maioria absoluta do PS de Sócrates, que depois conduziu o país à bancarrota. Agora também teve grandes responsabilidades na derrota autárquica, fazendo o partido hesitar meses na candidatura a Lisboa, a que depois renunciou devido ao compromisso com a Santa Casa. Esse compromisso naturalmente desapareceu logo para se candidatar à liderança do PSD contra Rui Rio, onde até teve uma votação razoável, podendo ser o rosto da oposição no partido. Mas a oposição a Rui Rio também desapareceu logo no dia inaugural do Congresso, quando entraram os dois de braço dado, fazendo uma lista única. Pouco tempo depois, rompe outra vez com Rui Rio, mas no PSD já ninguém lhe ligou nenhuma. Agora anuncia um novo partido, o que também já anda a anunciar desde 1996, o célebre Partido Social Liberal, com a sigla PSL. Só o nome do partido já mostra a contradição em que Santana Lopes vive desde sempre, sendo o seu projecto político apenas o seu próprio ego. Que forme o novo partido, que rompa com ele, que forme outro ainda, e que volte a formar outro mais uma vez. A mim preocupa-me mais o combate político contra este governo.

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Futebol e política (2).

por Luís Menezes Leitão, em 27.06.18

Até Israel aproveita o jogo Portugal-Irão para fazer propaganda política.

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Portugal no Mundial (3).

por Luís Menezes Leitão, em 26.06.18

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A análise da imprensa internacional é clara no sentido de que o desempenho da selecção portuguesa não convence ninguém. Valeu-nos o resultado, e especialmente ter mandado de volta para o Irão o Carlos Queiroz, desejando sinceramente que os ayatollahs não o deixem sair de lá.

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Afinal Bruno de Carvalho regressa!

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.18

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Um adversário moralizado.

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.18

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Mesmo com o Carlos Queirós no comando da equipa.

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O fim da telenovela.

por Luís Menezes Leitão, em 24.06.18

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Durante meses o país seguiu com interesse a telenovela do Clube de Alvalade. Foi uma intriga bem enredada, onde houve de tudo: moções de confiança, acusações de crimes de terrorismo, demissões colectivas, destituições recíprocas de órgãos do clube, criação de órgãos transitórios, providências cautelares, processos disciplinares com suspensões preventivas, etc., etc.. Mas a telenovela acabou abruptamente ontem, com o presidente a ser destituído pelos sócios por 71% dos votos, precisamente os mesmos sócios que há quatro meses lhe manifestaram total confiança por 90% dos votos, mesmo depois de ele fazer uma cena semelhante às que tem feito nos últimos dias. Para o fim ser em beleza, o presidente que há dias declarava ser o maior adepto do clube, já comunicou que vai afinal abandonar o clube. Não se sabe se isto significa que vai para um mosteiro ou se pretende candidatar-se a presidente de outro clube. Livra!

 

No mesmo período em que decorria esta telenovela, a América declarou uma guerra comercial à Europa, com a Europa a ripostar. Ao mesmo tempo a crise dos refugiados provocou uma divergência profunda entre os vários países europeus, com a Itália e Malta a recusar receber barcos humanitários, enviados para Espanha e a Hungria a aprovar uma lei que criminaliza o apoio humanitário aos refugiados. A própria chanceler Angela Merkel pode cair por causa da sua política relativa aos refugiados. Quanto a América, a presidência mostrou a sua brutalidade nestas questões, com o próprio Trump a ser forçado a recuar na sua política de separação de famílias.

 

Em Portugal a geringonça já viu melhores dias, a execução orçamental está com problemas, e as greves multiplicam-se, sem que o governo consiga dar solução aos protestos. Quanto à oposição, parece que é neste momento o PSD que adopta uma atitude bipolar, não sabendo se quer ser muleta do governo ou manter-se na oposição.

 

Mas ninguém no país reparou em nada disto, preferindo seguir a telenovela Bruno de Carvalho. Está assim claramente demonstrado o poder que o futebol tem de manipulação das massas, coisa que Salazar já tinha percebido com a sua teoria dos três Fs. A esse apelo do futebol não escapa nenhum português, nem sequer eu próprio. Por isso vou terminar esta análise para ir assistir aos jogos do Mundial.

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Futebol e política.

por Luís Menezes Leitão, em 23.06.18

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Ainda para aí uma enorme polémica com o facto de, no interessantíssimo jogo Sérvia-Suíça, que os suíços venceram por 2-1, dois jogadores suíços de origem kosovar terem festejado os golos da Suíça fazendo com as mãos o símbolo da águia das duas cabeças, no intuito de insultar a Sérvia. A intenção pode ser essa, mas o acto parece falhado. O símbolo da águia das duas cabeças é extremamente comum e não exclusivo da Albânia. Tendo sido o antigo brazão do Império Bizantino, foi depois adoptado pelo Sacro Império Romano Germânico e pelo Império Russo, constando hoje das bandeiras da Rússia e da própria Sérvia. Por outro lado, os dois jogadores são de origem kosovar, que não tem qualquer águia bicéfala na sua bandeira, embora a esmagadora maioria da população seja albanesa. Se a intenção do gesto era insultar a Sérvia, acho que podia ter sido escolhido um gesto mais elucidativo.

 

Em qualquer caso, acho que o gesto demonstra duas coisas. A primeira é que o conflito dos Balcãs continua bem vivo, como aliás sempre esteve e sempre continuará a estar. Quando lhe sugeriram que a Alemanha interviesse nos Balcãs, Bismarck limitou-se a responder que os Balcãs eram uma terra horrível que não valia o sangue de um único soldado alemão. Imagine-se por isso o que será a União Europeia com a entrada da Sérvia, do estado artificial do Kosovo (onde a população se sente albanesa), da própria Albânia e da Macedónia, agora "do Norte" para não ofender a Grécia. A União Europeia vai passar a ter como membros uma série de países muito amigos. Não admira por isso que o Reino Unido se tenha querido pôr a milhas.

 

A segunda é que a actual configuração dos países europeus como "melting pots" é perturbadora para as suas selecções nacionais. Não consigo conceber que um jogador da Suíça queira festejar com o símbolo da Albânia (ou do Kosovo, ou do que quer que seja), países que nem sequer foram apurados para o Mundial, em lugar de utilizar o símbolo da cruz helvética, que é o país a que pertence e cujas cores é suposto defender. Acho que mais do que um insulto à Sérvia, isto foi um insulto à Suíça. E deveria ser a própria Suíça a punir exemplarmente os seus jogadores por esta triste figura. Se querem reproduzir no futebol o conflito nos Balcãs, vão jogar para os Balcãs.

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Os novos inadiáveis.

por Luís Menezes Leitão, em 21.06.18

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Recordo-me que nos finais de 1977 havia um grupo no PSD, chamado de opções inadiáveis, que a única coisa que pretendia era transformar o PSD numa muleta do PS. Quando ganharam um congresso, Sá Carneiro foi imediatamente para casa. Quando regressou, os inadiáveis não aceitaram a derrota e o PSD sofreu uma cisão, com o abandono de 37 deputados, a que Sá Carneiro prontamente respondeu com a formação da AD e a primeira maioria absoluta do centro-direita em Portugal. Agora voltamos a ter por aí inadiáveis a querer servir de muleta ao PS. Será este o actual projecto político do PSD? Se for, não vai longe.

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Portugal no Mundial (2).

por Luís Menezes Leitão, em 21.06.18

O jogo de ontem ia parecendo Alcácer-Quibir. E desta vez o Desejado mal se viu.

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O novo PSD.

por Luís Menezes Leitão, em 19.06.18

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Este novo PSD "colaborante" e "acutilante", que apresenta propostas que servem o país, mesmo no caso de perder as eleições, pode ser muito simpático, mas está condenado à derrota. Rio não segue Passos Coelho, mas imita-o na atitude do "que se lixem as eleições". Não deu bom resultado na altura e não vai dar agora.

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Portugal no Mundial.

por Luís Menezes Leitão, em 18.06.18

Que lindo grupo nos saiu. Depois do embate com Castela, agora é suposto irmos atacar Marrocos. Por El Rei e São Jorge aos Mouros!  

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Anúncio.

por Luís Menezes Leitão, em 13.06.18

Ontem afinal não houve conferência de imprensa. Mas não desesperem. A de hoje já foi marcada para as 14 horas.

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O despedimento de Lopetegui.

por Luís Menezes Leitão, em 13.06.18

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Acho muito bem a selecção espanhola ter despedido Lopetegui. Era o que faltava que uma selecção admitisse que o seu treinador na vésperas do campeonato do mundo andasse a negociar a ida para o principal clube do seu país, quando deveria estar era concentrado nos jogos que tem que disputar. "Peseteros", como bem dizem os espanhóis, não fazem falta nenhuma. E se alguém espera que Portugal vá ter facilidades no jogo com Espanha por causa disto que se desengane. Não se cuidem, não!

 

P.S. Já agora parece-me também o momento adequado para recordar esta música.

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Pergunta.

por Luís Menezes Leitão, em 12.06.18

A que horas é a conferência do Bruno de Carvalho hoje?

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O estado das relações internacionais

por Luís Menezes Leitão, em 10.06.18

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Costuma dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. Esta foto bem pode considerar-se histórica e demonstradora do actual estado das relações internacionais.

 

Demonstrando a realização do seu slogan "make America great again", o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o único que aparece sentado, na pose de um monarca, a quem pedem para ouvir os seus súbditos, mas que o faz com enfado, de braços cruzados, com a linguagem corporal já a demonstrar que não vai aceitar nenhuma exigência. Tensa, apoiando-se na mesa, e curvada, a demonstrar cansaço, a chancelerina Merkel bem tenta fazer-se ouvir e convencer o presidente americano. Ao seu lado o presidente francês Macron tenta dar-lhe apoio, adoptando uma atitude mais simpática e distendida. Mas o presidente americano parece não lhes ligar, evidenciando um manifesto desdém por ambos. Atrás, o primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe assiste à cena com distanciamento, testemunhando a inutilidade dos esforços dos representantes dos países europeus.

 

Acho que nunca a decadência da Europa no mundo actual foi demonstrada de forma tão evidente. Neste momento a América largou a Europa sozinha e esta aparece em reuniões internacionais numa posição de pedinte dos Estados Unidos, a quem estes não ligam nenhuma. Se as pessoas continuarem a não querer ver o que está diante dos seus olhos, vamos ter um grande sarilho.

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O indeferimento liminar (3)

por Luís Menezes Leitão, em 09.06.18

E já agora convém recordar o célebre epigrama de Bocage:

 

Inda novel demandista

Um letrado consultou,

Que depois de cem perguntas,

Tal resposta lhe tornou:

 

- "Em Cujácios, em Menóquios,

Em Pegas, e Ordenação,

Em reinícolas, e estranhos

Tem carradas de razão.

 

Sim, sim, por toda essa estante

Tem razão, razão demais".

- Ah, senhor! (o homem replica)

Tê-la-ei nos tribunais?".

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O indeferimento liminar (2).

por Luís Menezes Leitão, em 09.06.18

A propósito de indeferimentos liminares, contaram-me uma história antiga:

 

Houve um célebre advogado que uma vez deu uma conferência sobre a indissolubilidade do casamento católico por divórcio face à concordata de 1940, antes da sua revisão em 1975. Nessa altura o código civil considerava que renunciavam ao divórcio os cônjuges casados catolicamente, o que levou ao desespero de imensas pessoas, já com outras relações, e que não podiam celebrar um segundo casamento. Mas o advogado referiu que tinha descoberto uma solução jurídica para o assunto. É que por lei as renúncias tinham que ser expressas, não podendo por isso considerar-se válida uma renúncia tácita, razão pela qual se deveria considerar admissível o divórcio nos casamentos católicos em que não houvesse renúncia expressa a esse direito. E a seguir afirmou triunfante que já tinha inclusivamente pendente em tribunal um processo de divórcio de um casamento católico.

 

A assistência fica admirada com a exposição dessa nova tese. As pessoas olham umas para as outras e perguntam espantadas: "Mas como é que ninguém se lembrou disto há mais tempo?". E o interesse pela nova descoberta jurídica fica assim lançado na assistência, começando a falar-se em mais processos com esse fundamento.Só que imediatamente a seguir o advogado acrescenta: "Claro que o tribunal indeferiu liminarmente a petição. Mas eu recorri e estou à espera de ganhar". Aí a assistência rompe em gargalhadas, e a conferência termina e com ela a descoberta jurídica.

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O indeferimento liminar.

por Luís Menezes Leitão, em 09.06.18

Não tenho qualquer simpatia por Bruno de Carvalho e sempre achei, desde a sua eleição, que seria um péssimo presidente para o Sporting. Apesar de ser benfiquista, tenho pena de ver um clube histórico do nosso país no estado em que se encontra. Agora parece-me que a verdade tem que se sobrepor às mistificações que são apresentadas. Qualquer jurista sabe o que significa ler numa providência cautelar: "Pelo exposto, indefere-se liminarmente o presente procedimento cautelar. Custas pelo requerente". Pelos vistos há muito jornalistas e comentadores que ignoram esse dado elementar.

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Frank Carlucci (1930-2018)

por Luís Menezes Leitão, em 04.06.18

 

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Há homens que tiveram um papel decisivo na história de um país, mas fazem-no de forma tão discreta, que passam quase despercebidos. Frank Carlucci foi um desses homens, tendo permitido aos Estados Unidos retomar o controlo da situação em Portugal, que em 1975 ameaçava descambar perigosamente para o comunismo.

 

A saída dos militares para a rua no dia 25 de Abril de 1974 apanhou os americanos de surpresa, tanto assim que o Embaixador dos Estados Unidos, Stuart Nash Scott, um político que via Portugal como um destino de reforma, se encontrava nesse dia em Londres, num jantar da Harvard Law School. Quando regressou a Portugal viu-se incapaz de controlar a situação. Aquando do 28 de Setembro, Spínola chegou a contactá-lo para pedir o auxílio da NATO, ficando sem saber que resposta dar, até que Spínola caiu. Com Vasco Gonçalves no poder a situação foi-se agravando até que Carlucci chega a Lisboa como embaixador, a 24 de Janeiro de 1975. Imediatamente se espalha pelo país o rumor de que o novo Embaixador americano pertencia à CIA, gerando o ódio das forças revolucionárias. Otelo comenta imediatamente que, se o Embaixador americano era membro da CIA, não seria possível garantir a sua segurança em Portugal. Ouvindo estas palavras Mário Soares entra em pânico, uma vez que as mesmas poderiam ser um pretexto para uma intervenção militar dos EUA para garantir a segurança da sua embaixada. Toma, por isso, a iniciativa de telefonar a Carlucci. Diz-lhe para não ficar assustado, que o General Otelo era uma pessoa temperamental, e que não deveria ser levado a sério. Carlucci responde imperturbável: "Não se preocupe. Já falei com o General Otelo e ficou tudo esclarecido".

 

O que se tinha passado? Carlucci encontrou à entrada da Embaixada uma manifestação violenta de pessoas que a queriam invadir. Pergunta o que estava a causar aquilo e dizem-lhe que foram as declarações do General Otelo. Toma a iniciativa de telefonar a Otelo, dizendo-lhe o seguinte: "Não sei quem o senhor é, mas sei que não tem competência, de acordo com as normas portuguesas, para declarar o embaixador americano persona non grata. Por isso faz favor de me enviar uma tropa para proteger a Embaixada, uma vez que foram as suas declarações que causaram isto". Otelo assim fez e nunca mais a Embaixada voltou a ser incomodada. E afinal o Embaixador americano era mesmo da CIA tendo ido para Director da agência anos depois.

 

A paralisação do processo revolucionário em Portugal deve-se a Carlucci ter aceitado o pedido de Costa Gomes para se organizar uma ponte aérea, que retirou os retornados das antigas colónias. Carlucci percebeu logo que a fervura revolucionária precisava de uma boa dose de água fria, e que essa era o regresso dos retornados, furiosos com a reviravolta que a revolução tinha causado nas suas vidas. E de facto assim foi. Grande parte dos militares revolucionários quis por tudo evitar esse regresso e Rosa Coutinho chegou a afirmar que a ponte aérea tinha sido o maior crime contra o 25 de Abril que foi praticado. Foi graças a Carlucci que a mesma foi realizada e a fúria revolucionária foi travada.

 

Há uns anos Carlucci deu uma entrevista a Miguel Sousa Tavares e foi mais uma vez muito reservado. O jornalista bem insistia em que era importante para a História que ele transmitisse a sua versão dos factos. A isso ele respondeu: "Há coisas sobre que não falo, nem sequer para a História". E de facto, como bom agente que era, levou consigo os segredos para a sepultura.

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A geringonça espanhola.

por Luís Menezes Leitão, em 01.06.18
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Aquando das últimas eleições espanholas, tive um almoço com um colega espanhol em Lisboa. Iniciámos a refeição com uma sopa à alentejana e a certa altura perguntei-lhe se a Espanha poderia imitar Portugal com Pedro Sanchéz a criar uma geringonça espanhola para derrubar Rajoy. A resposta dele foi a seguinte: "A geringonça portuguesa é como esta sopa à alentejana. Alimenta, mas não tem muitos ingredientes. A nossa geringonça seria uma verdadeira sopa à espanhola, com imensos ingredientes, entre os quais os partidos independentistas. E estes exigiriam cedências inaceitáveis ao governo espanhol para lhe dar o seu apoio. O PSOE não tem condições para alinhar nisso".

 

Esse vatícinio verificou-se e não só Rajoy manteve o governo, como também lançou uma guerra sem quartel aos independentistas catalães, com o apoio entusiástico de Albert Rivera e também um apoio sem reservas de Pedro Sánchez, que sabia ser a luta independentista catalã muito impopular no resto da Espanha. Rajoy desencadeou assim uma luta acesa contra a Catalunha, mantendo o art. 155 até ao limite, governando a região com quatro deputados, rejeitando as decisões do parlamento catalão, recusando ministros do governo, etc., etc. Só que aí perdeu o seu apoio parlamentar, uma vez que o ódio que causou aos independentistas catalães e por arrastamento aos nacionalistas bascos foi de tal ordem que a estes partidos passou a bastar um simples estender da mão de Pedro Sánchez para lhe darem o seu apoio.

 

Quando saiu a sentença do caso Gürtel, Pedro Sánchez, em queda sucessiva nas sondagens, viu chegada a sua oportunidade. Lançou uma moção de censura construtiva que facilmente lhe permitiu chegar à nomeação como primeiro-ministro de Espanha. Rajoy bem falou num governo de Frankenstein, imitando a reacção de Passos Coelho ao diabo que a geringonça traria, e Albert Rivera desesperou por não haver eleições, quando todas as sondagens lhe estão a dar o primeiro lugar. Mas, na política como na guerra, quem com ferros mata com ferros morre, e quem se lança com fúria cega ao combate numa frente, pode muito bem desguarnecer a rectaguarda. Hoje o ataque de Pedro Sánchez, que muitos davam como acabado, foi mortífero, lançando um ataque certeiro aos partidos à sua direita.

 

É muito provável que tudo isto acabe mal e que a tal sopa à espanhola seja um caldo bem grosso, totalmente indigerível para Espanha. Mas neste momento o cozinheiro acaba de demonstrar que a mesma pode ser preparada para ser servida. A geringonça também foi possível em Espanha.

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O novo governo italiano.

por Luís Menezes Leitão, em 01.06.18
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Lembro-me da candidatura de Pintasilgo às eleições presidenciais de 1986, em que ela apresentou praticamente um programa de governo que se propunha executar a partir da presidência. Essa candidatura naufragou num célebre debate com Mário Soares em que este candidamente lhe perguntou como seria possível executar esse programa se era o parlamento que escolhia o governo. Ela imediatamente respondeu que não aceitaria um governo que não executasse o seu programa. Soares limitou-se a replicar: "O parlamento reitera a confiança no governo e ao presidente só resta renunciar ao cargo". A candidatura de Pintasilgo acabou aí.

 

Foi praticamente isso o que se passou em Itália com o Presidente Sergio Matarella a rejeitar o governo de coligação saído do Parlamento, por incluir na pasta das Finanças o eurocéptico Savona, e a querer nomear um "governo técnico", presidido por Carlo Cotarelli, não por acaso um antigo funcionário do FMI. Para tal muito contribuíram as declarações do comissário alemão Günther Öttinger, que disse que os mercados iriam ensinar os italianos a votar de maneira correcta. Tal foi oferecer de bandeja a Salvini uma futura vitória eleitoral, após a garantida rejeição do "governo técnico" no parlamento. Aí é que os mercados entraram em pânico, com o comissário alemão a pedir desculpas aos italianos e o presidente viu-se forçado a aceitar de novo a coligação Salvini-Di Maio. Para não perder totalmente a face, deram-lhe um prémio de consolação com Savona a sair da pasta das Finanças, ainda que tenha passado provocatoriamente para os Assuntos Europeus. Mas é manifesto que a sua capacidade de influenciar o novo governo ficou reduzida a zero.

 

Tudo isto demonstra que as sucessivas ingerências da União Europeia nos assuntos internos dos Estados-Membros não conduzem a bom resultado. Em democracia o voto dos eleitores é soberano e não são aceitáveis tutelas externas. A União Europeia devia ter aprendido com o Brexit, mas pelos vistos não aprendeu nada. A continuarem assim, isto não vai acabar bem.

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