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Preocupações

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.02.21

Não é que não esteja atento ao que por Portugal se vai passando, ou que não haja temas de interesse, mas o facto de não escrever muito por aqui não quer dizer menor apreço por esta minha casa, pelos seus leitores, ou que não esteja preocupado e ocupado.

Porém, nem sempre todas as matérias que neste momento me atormentam serão de grande interesse para quem tem outros interesses e não está a viver os factos na primeira pessoa.

E para que quem está aí possa perceber o que digo e continuar a acompanhar o que se vai passando deste lado do mundo de onde escrevo por estes dias, deixo aqui alguns links do que noutro lado se publicou:

equívocos

perguntas

vacinas

E até breve.

Um descalabro

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.02.21

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O gráfico ontem publicado pelo Diário de Notícias que ilustrava uma notícia com o título "Portugal é o segundo país mais mortal da UE e o segundo do mundo" é bem o espelho do estado a que o país foi conduzido.
Se, por um lado, o Governo confiava na responsabilidade dos portugueses quando se predispôs a abrir a "janela" do Natal e do Fim do Ano, não é menos verdade que foram esses mesmos portugueses que mais contribuíram com a sua irresponsabilidade para a presente situação.
Depois, talvez tenha havido um excesso de confiança por parte das autoridades, que a somar-se a uma gestão errante e à emissão de sinais contraditórios por parte de alguns dirigentes, contribuíram decisivamente para o descalabro que se lhe seguiu.
A correcção do actual quadro e um regresso à normalidade possível continuam por isso, e não obstante todos os recados dos especialistas, a ser no mínimo problemáticos.
O país e os portugueses empobreceram muitíssimo mais do que aquilo que seria expectável com uma gestão mais conservadora, mais impopular e mais previdente desde o início, que tivesse antecipado sempre os piores cenários e houvesse sido acompanhada de medidas mais duras que não contemporizassem com a rua e os comentadores do "sistema".
Sei que de pouco ou nada vale o que por aqui se opina. Até porque não sendo especialista na matéria me limito a observar a realidade e a procurar a informação que está ao alcance de todos para me ir esclarecendo e pensando nos problemas que nos afligem.
Espero, posto isto, que o processo de vacinação possa avançar e concluir-se o mais depressa possível, sem novos atropelos, facilitismos e "golpes baixos" como aqueles que têm sido relatados.
Essa é uma das vertentes impostas pelo Covid-19 ao nosso quotidiano futuro e até que seja possível um regresso o mais parecido possível com a liberdade de que antes desfrutávamos.
A outra decorre dos resultados da “excursão” que a OMS promoveu a Wuhan.
Pensar que alguma vez, mais de um ano depois do que aconteceu, seria possível chegar a alguma conclusão sobre a origem do vírus seria pouco mais do que pura ilusão.
Com o terreno devidamente limpo, com o anfitrião a esconder os dados em bruto, com toda a gente amestrada, sem que quem investiga tivesse liberdade de se poder deslocar e contactar com quem queria e como queria sem o espartilho dos controleiros da praxe, o mais natural era que os resultados fossem inconclusivos. E não passassem das boas intenções.
Outra coisa, ademais, não seria de esperar da organização da "excursão". Estava-se a ver que a forma condescendente, para não dizer subserviente, como a OMS admitiu ser tratada, e participar numa encenação, para poder entrar no país, já trazia em si e antecipava que o objectivo principal da empresa seria ilibar o anfitrião, mais o regime, de qualquer responsabilidade no que aconteceu.
Ao admitirem que esse seria o caminho – a meu ver errado – para o “sucesso”, esqueceram que ficaria sem resposta a principal razão para que só depois de muita insistência internacional e na sequência dos acontecimentos do ano passado fosse proibido o comércio de espécies selvagens nos mercados.
E aí cometeu-se um erro de julgamento. A China ignorou que a falta de transparência e de resultados conclusivos funcionariam contra si, e não só a estigmatizam ainda mais aos olhos da opinião pública mundial, como tornam mais claro que o caminho a percorrer para a credibilidade e respeitabilidade internacional ficaram mais estreitos, com o consequente aumento, daqui para a frente, do escrutínio internacional das suas acções. De todas.
Uma pseudo-investigação como a que a OMS conduziu no país, sujeita às baias impostas pelo regime, se internamente pode responder às necessidades de propaganda e afirmação, funcionará externamente sempre contra si e contra a imagem internacional do país e dos seus dirigentes, o que se agrava quando se vê que o inquilino da Casa Branca mudou e o desanuviado clima político em Washington limita hoje, como nunca, a margem de manobra da liderança chinesa.
Sem sabermos o que o Ano Lunar do Boi nos reserva, pouco mais haverá do que confiar nas vacinas e na providência, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para sairmos do vergonhoso lugar em que as estatísticas do Covid-19 nos colocaram.

Uma gestão para pobres

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.02.21

"Nos depósitos, a CGD fará com que as contas CaixaPoupança Reformado, CaixaPoupança, CaixaPoupança Emigrante e CaixaProjecto vejam a sua remuneração baixar de 0,015% para 0,005%, a partir dos 250 euros. (...)

Na CGD, relativamente a cartões de débito, o custo da disponibilização sobe dos 18 para os 19 euros (mais imposto do selo) para os cartões do tipo Caixa Maiores Acompanhados, Caixa IU, Caixa Débito, Caixautomática Electron, Caixautomática Maestro, Maestro RE, Caixa Activa, Débito Nacional, Caixa Azul e Visa Electron RE.

O levantamento de dinheiro ao balcão com caderneta ficará também mais caro, dada a implementação de uma comissão única de 4,65 euros mais imposto do selo, que eleva o preço para 5,15 euros.

Atualmente, o levantamento ao balcão com caderneta custa 3,00 euros (3,12 com o imposto). (...)

Na CGD, as transferências efetuadas para outros bancos através do 'site' do banco ou da aplicação móvel vão aumentar de 80 para 95 cêntimos, a que se acresce o imposto do selo (99 cêntimos no total), tal como acontecerá em transferências internacionais."

Enquanto não os põem na TAP a mostrar que o seu valor tem asas, alguém tem de pagar os bónus do "bispo" Macedo e demais apóstolos.

Pena é que algumas instituições do Estado, das quais não se pode fugir, nos obriguem a ter uma conta na CGD.

Notas breves

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.02.21

Um dia é a notícia de que o presidente da câmara “subtraiu” – termo constante da sentença judicial – dois quadros do atelier de uma artista para os oferecer a uma ministra que agora irá devolvê-los.

No outro é um administrador hospitalar que "à má fila" mandou vacinar a mulher e a prima recepcionista.

Depois é a outra autarca que exerce voluntariado, e que por esta última razão se achou com direito a fazer-se vacinar primeiro que alguns mais necessitados.

Antes tinha sido o imbróglio do currículo do procurador, mais as aulas que não poderiam ser à distância, antes de poderem voltar a ser, de acordo com as razões do ministro do “eduquês” que disse que “estamos melhor preparados do que estávamos no passado”. Nota-se.

Isto sem esquecer as sucessivas listas de deputados da nação para vacinação, ou o clima destrambelhado (será cansaço?) que grassa pelos lados da administração interna.

Como se tudo isso não fosse digno das lendas nocturnas de um castelo no sopé dos Cárpatos, ainda se têm de ouvir as desvergonhas daquela serigaita que tão depressa se queixa da falta de enfermeiros para acudirem às necessidades da pandemia, como logo a seguir recrimina o Governo por querer contratar no estrangeiro os que não há e que fazem falta.

E antes do epílogo, que nunca se sabe quando e como será, ainda há o pandeireiro televisivo que também anima, sabe-se lá porquê, as reuniões do Conselho de Estado, mais conhecido como o topo gigio de Fafe, quando critica as decisões do Governo sobre o confinamento, desdizendo tudo o que ele próprio dissera semanas antes, sem sequer se dar ao trabalho de referir que estava equivocado, mal informado ou que simplesmente se enganara.

De tudo isto se tem feito, como diz um amigo, a espuma dos dias. Afastar a espuma dos dias que nos cega, escapar ao desvario que nos persegue, é o exercício que vos sugiro.

E para isso nada como começar por ler uma interessante entrevista de André Corrêa d’Almeida, na linha do muito que tem dito e escrito, e de onde retirei a seguinte frase: “porque não é preciso muita ciência para se achar inconcebível que um deputado que está na comissão parlamentar que trata da privatização da EDP seja ao mesmo tempo quadro superior do banco que faz a assessoria aos chineses que estão a comprar a empresa. Ou que um conselheiro do Banco de Portugal seja, imagine-se, gestor de um fundo de investimento”. 

Para concluir estas breves linhas, sendo o rectângulo tão pequeno que se torna impossível ficar mais do que alguns minutos a olhar para ele, sob pena de delirarmos, atente-se no que um qualificado anónimo escreve no Politico sob o sugestivo título “To Counter China’s Rise, the U.S. Should Focus on Xi”.

Há mais mundo para lá da nossa porta. É preciso manter a sanidade.

Imbatível

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.02.21

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"Ricky Taylor decided to hand the car over to Albuquerque for the final stints, having been given the option to stay in the car. 

"It was absolutely the right decision, he's a superstar - he won the world championship in the WEC last year - and we always knew he was the one we wanted in our car," said Taylor."

Parabéns, Filipe Albuquerque, extensivos à Wayne Taylor Racing, ao Hélio Castro Neves, ao Alexander Rossi e à Acura Konica Minolta.

Mais uma fantástica corrida, mais uma exibição de grande classe, e no final uma mais do que merecida vitória nas 24 Horas de Daytona

Blogue da semana

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.01.21

Escritora, poetisa, editora, tem uma escrita simples, directa e cristalina. Como convém a quem quer escrever bem.

Muitas vezes sinto-me próximo da sua sensibilidade e da forma como olha para as coisas.

E, depois, tem essa inquestionável vantagem de escrever em páginas com fundo branco, que tornam a sua escrita mais luminosa. E que muitos ainda não perceberam como facilitam a leitura, fazendo-a muito menos cansativa do que a registada em fundos escuros.

Se queriam mais uma razão para ficarem em casa, cumprindo responsavelmente as necessidades de confinamento impostas pela pandemia, então aproveitem para visitar a Maria do Rosário Pedreira, e na sua companhia percorrerem algumas Horas Extraordinárias, "as horas que passamos a ler".

Confreiras e confrades

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.01.21

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Cumprindo uma tradição que já leva décadas, a Confraria dos Enófilos de Macau realizou o seu jantar anual nas vetustas e sempre acolhedoras instalações da Residência Consular, que foram as do Hotel Bela Vista, ali paredes-meias com a Fortaleza do Bom Parto, outrora debruçada sobre a que foi a belíssima Baía da Praia Grande.

Este ano, devido à pandemia, sem a participação da Hong Kong Wine Society, foi num acolhedor fim de tarde que o Grão-Mestre dirigiu a cerimónia de entronização dos novos confrades que juraram “divulgar os valores da cultura da vinha e do vinho, em Macau e no resto do mundo”, consumindo-o “com constância e moderação” para alcançarem sucesso “em tão nobre tarefa”.

Como habitualmente, a refeição foi acompanhada por vinhos portugueses – Espumante Soalheiro Alvarinho, Minho, 2018, Vinha do Monte Branco, Alentejo, 2017 e Quinta de S. José Tinto, Douro, 2017, para a recepção; Casal de Santa Maria, Mar de Rosas,  Colares, 2019, Pera Manca Branco, Alentejo, 2017, e Papa Figos Tinto, Douro, 2017, para o jantar; e Sandeman Port Old Tawny 10 anos, Graham’s Port Old Tawny 20 anos, Warre’s Vintage Port 2016, Pintas Vintage Port 2011, Warre’s Vintage Port 2000 e Moscatel de Setúbal 1996, para o final – sendo precedida por uma prova cega, na qual participaram cerca de quatro dezenas de enófilos.

A prova foi dedicada em exclusivo a tintos produzidos no Douro, tendo sido seleccionado um lote de oito preciosidades.

Para quem se interessa por estas mundanidades deixo aqui o resultado a que se chegou:

  1. Xisto, 2015;
  2. Quinta da Romaneira, Touriga Franca, Vinhas Velhas, 2017;
  3. Quinta das Murças, Reserva, 2015;
  4. Quinta da Gaivosa, 2015;
  5. CARM CM, 2013;
  6. Chryseia, 2015;
  7. Quinta do Monte Xisto, 2016;
  8. 100 Hectares, Vinha Velha Gold Edition, 2015.

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Certezas e incógnitas

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.01.21

6806a96c97d38a60f82aeb9af39bc928.jpeg(Créditos: Mário Cruz/EPA)

 

O filme das presidenciais terminou como começou. Sem surpresas, com muito verbo e pouca chama.

Que Marcelo Rebelo de Sousa iria ser reeleito não havia dúvidas a partir do momento em que António Costa resolveu, por sua alta recriação, endossar-lhe por antecipação o apoio do PS. Cumpre dar-lhe os parabéns.

As duas únicas verdadeiras dúvidas desta eleição resultavam do valor que a abstenção poderia atingir numa situação muito diferente da registada em qualquer uma das eleições anteriores – numa fase crítica da pandemia, com a economia em crise acelerada e o desemprego e o défice a aumentarem – e qual o número de votos e a percentagem que o candidato vencedor iria obter.

A abstenção ultrapassou ligeiramente os 60%, o que volta a ser um número extraordinário pela dimensão já que representa um universo de mais de seis milhões e meio de eleitores, mas que ainda assim poderia ter ascendido a valores superiores não fosse ter-se dado o facto de André Ventura ter ido a votos.

O candidato incumbente também conseguiu ultrapassar a fasquia dos 60%, contrariando várias sondagens e projecções, e cometendo o feito de vencer em todos os concelhos do país. Marcelo obtém cinco anos depois da primeira eleição mais oito pontos percentuais e aumenta significativamente o número de votos (mais 122 mil votos), tornando-se evidente que tanto ele como o regime saem amplamente reforçados com este resultado.

A percentagem de votos brancos e nulos continua a ser pouco relevante como reflexo de um qualquer sinal de descontentamento em relação ao regime, e a abstenção, pelas suas múltiplas e variadas razões, não permite outra conclusão que não seja a do desinteresse e alheamento de uma parte enorme do eleitorado pelo destino do país. É lá com eles. Se querem continuar à margem continuem, mas depois não se queixem das escolhas.

A candidata Ana Gomes tentou fazer o que lhe era possível obtendo, apesar de tudo, um resultado honroso. Meio milhão de votos permitir-lhe-ão assegurar a continuação no espaço público, eventualmente a participação numa próxima contenda. Não mais do que isso. Não passou a ter mais peso dentro do PS, não pode aspirar a federar a esquerda, o discurso continuará a ser feito de tiradas sem grandes consequências. O mais interessante, todavia, será o facto de não obstante a ausência de grandes apoios, sem uma máquina profissional organizada no terreno, ainda assim ter travado André Ventura.

O resultado de Ventura e da gente que conseguiu reunir-se em seu torno, que vai de descontentes comunistas à extrema-direita provinciana, congregando franjas do centro-direito e de estratos mais desfavorecidos atraídos pela mensagem xenófoba e demagógico-populista, é duplamente enganador. A votação obtida no interior e no Alentejo e Algarve, onde conseguiu o segundo lugar, à frente de Ana Gomes e cilindrando o candidato comunista, não pode passar despercebida e será um sinal de alerta para os partidos tradicionais.  De qualquer modo, a entrada de Ventura nos dois dígitos é uma consequência da abstenção, da ausência de verdadeira competição à direita e de candidatos fortes à esquerda.

Sem um programa de governo minimamente coerente, com um caderno de merceeiro cheio de gatafunhos e frases feitas para agradar à populaça que gostaria de ascender às tetas do regime; sem quadros capazes, entre bem-intencionados, artilheiros e cadastrados, os dois dígitos evaporar-se-ão rapidamente nas autárquicas e nas próximas legislativas. O simples facto de Ana Gomes, sozinha, e com uma esquerda polarizada, ter ficado à sua frente, é uma vergonha para o discurso machista e taberneiro que aspirava chegar à segunda volta. Quando muito, Ventura, na melhor das hipóteses, dará uma volta ao Marquês de Pombal se o seu amigo dos pneus conseguir ser campeão.

O candidato João Ferreira ficou dentro do que seria de esperar de um partido que nem sequer no Alentejo, no Algarve ou em Setúbal consegue segurar o seu eleitorado. Esmagado por Ventura. O PCP devia pensar nos frutos que tem colhido com a sua ortodoxia franciscana. Os votos de castidade, pobreza ideológica e obediência ao “centralismo democrático” mantê-lo-ão vivo apenas dentro das paredes da Soeiro Pereira Gomes enquanto houver alguém que de quando em vez limpe o pó aos ícones. Os milhares de euros gastos em campanha por João Ferreira e o PCP são obscenos para o péssimo resultado obtido. Os comunistas deviam pedir contas aos seus dirigentes. 

Assinale-se ainda a continuação do desmoronamento do mito Marisa/Bloco de Esquerda. Podem queixar-se do PS, da falta de convergência e de unidade à esquerda, ou de qualquer outra coisa que lhes sirva, que o certo será sempre a falta de visão estratégica da sua direcção política. Quer antes, quer agora. O tempo do BE passou. E convenhamos que andar atrás de Ventura e da sua rapaziada não é grande cartão de visita para ajudar à eloquência do discurso ou dar lições de moral à esquerda.

Refira-se o bom resultado de Tiago Mayan Gonçalves que duplica os votos e a percentagem da Iniciativa Liberal de 2019. Esperemos pelas autárquicas e pelas legislativas para ver até onde poderão chegar perante o definhamento acelerado do CDS-PP.

Quanto ao simpático Vitorino Silva, o “Tino de Rans”, pois continuará a ser isso mesmo, embora agora com menos 30 mil votos.

A grande incógnita reside então em saber o que fará o Presidente da República daqui para a frente com 2,5 milhões de votos no actual cenário de pandemia, decisivo para o que nos espera, perante um Governo que dá sinais de errância e falta de consistência política, que vai abrindo brechas quase diariamente, por vezes pelas razões mais inexplicáveis e cada vez mais evidencia sinais de precisar de mudanças em várias pastas, das quais as mais urgentes serão seguramente o Ambiente, cuja gestão tem sido um fiasco, a Educação e as Infraestruturas e Habitação.

E também de que maneira influenciará futuras escolhas no PSD, o aparecimento de um novo partido ou admitirá antecipar eleições legislativas num cenário de reforço da sua legitimidade.

De um lacrau sabe-se com o que se pode contar. De Marcelo, como de Paulo Portas, nunca se sabe até que ponto o calculismo e o oportunismo políticos condicionarão a decisão futura.

 

(editado às 11:00 de Lisboa para correcção do número de votos conquistados por MRS em relação a 2016) 

Saúde e direitos: um retrato

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.01.21

tdmradio.jpgPermitam-me que chame a vossa atenção para o excelente trabalho radiofónico da jornalista Diana do Mar, da TDM-Rádio Macau, sobre o difícil equilíbrio entre a saúde e os direitos numa região que não tem casos locais há largos meses.

Os depoimentos dos entrevistados, entre os quais destaco o da Prof. Vera Lúcia Raposo, da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, são incontornáveis, dão uma imagem correcta das preocupações de muitos residentes e dos problemas a que pode conduzir o excesso de zelo, a xenofobia e o nacionalismo serôdio.

Consonância

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.01.21

"É também uma medida absurda, cujos fundamentos não conhecemos. Suspender voos a partir de Portugal tendo como argumento as ligações entre Portugal e o Brasil é, com todo o respeito, completamente absurdo" (14 de Janeiro de 2021)

"O Governo decidiu interromper totalmente os voos para o Reino Unido e do Reino Unido para Portugal a partir das 00:00 do próximo sábado, de forma a diminuir os riscos de contágio com base na nova variante" (21 de Janeiro de 2021)

Esperança

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.01.21

3313.jpg(Kevin Lamarque/Reuters)

Our history has been a constant struggle between the American ideal that we are all created equal and the harsh, ugly reality that racism, nativism, fear, and demonization have long torn us apart. 

The battle is perennial. 

Victory is never assured.

Through the Civil War, the Great Depression, World War, 9/11, through struggle, sacrifice, and setbacks, our "better angels" have always prevailed. 

In each of these moments, enough of us came together to carry all of us forward.

And, we can do so now. 

History, faith, and reason show the way, the way of unity.

We can see each other not as adversaries but as neighbors.

We can treat each other with dignity and respect.

We can join forces, stop the shouting, and lower the temperature.

For without unity, there is no peace, only bitterness and fury.

No progress, only exhausting outrage.

No nation, only a state of chaos.

This is our historic moment of crisis and challenge, and unity is the path forward.” (Joe Biden, 46th President of the USA)

 

Chris Wallace, o incontornável jornalista que, entre outros prémios, venceu três Emmy, disse ter sido o melhor discurso que ouviu na tomada de posse de um presidente dos EUA.

Eu não sei se terá sido. Não tenho nem a memória, nem a experiência, nem o conhecimento de Wallace.

Admito, no entanto, que seja essa a verdade para quem, sendo filho de Mike Wallace, acompanha a política do seu país pelo menos desde que em meados da década de 60 do século passado, como adjunto daquele que foi “o homem mais confiável da América”, Walter Cronkite Jr., cobriu a II Convenção Nacional do Partido Republicano.

Mas não custa perceber, mesmo para quem não segue regularmente o que se passa na vida pública dos EUA, que depois de quatro anos caóticos na Casa Branca, em que a ignorância, o nepotismo e a loucura andaram de braço dado com a mentira, a irresponsabilidade, a trafulhice e a vigarice, o simples facto de se sentir que existe um regresso à norma, às instituições, à racionalidade e à civilidade constituem um respirar fundo, um aliviar da tensão e um reagrupar de energias para fazer face a um difícil futuro.

A tomada de posse de um Chefe de Estado é sempre um momento solene, prenhe de simbolismo, incerteza e esperança.

Esperança nos homens e nas instituições. Esperança nas exigentes tarefas de manutenção da paz, também no equilíbrio entre as diferentes instituições e os poderes que representam. Esperança na capacidade dos povos e das nações superarem a adversidade e construírem algo de útil em que todos se possam rever, sem que se desprestigie a história, se arrisque a confiança no presente e se hipoteque a que um dia se espera que seja a herança do futuro.

Quaisquer que venham a ser as contingências do dia-a-dia da vida política norte-americana ou as vicissitudes das suas relações externas, num mundo que atravessa uma crise profunda, num país dilacerado pela pandemia, pelo racismo sistémico e socialmente desequilibrado, o apelo de Biden à unidade e aos princípios fundacionais da democracia que tanto entusiasmou Tocqueville, constituiu o mais poderoso estímulo para a reconstrução de um país fracturado e a abertura de uma nova página no relacionamento internacional dos EUA, com o regresso deste a uma agenda de responsabilidade e ao convívio internacional através da imposição de um rumo definido.      

Não será fácil juntar os cacos deixados pelo seu antecessor, restabelecer um diálogo sereno e profícuo nas duas câmaras do Congresso, e encetar um caminho nas relações externas que permita a recuperação da confiança dos parceiros e o respeito de adversários e inimigos declarados.

Ciente da magnitude da tarefa que o espera, com o apoio de uma mulher que é o melhor exemplo do espírito de compromisso que emergiu de Filadélfia, Biden começou pelo mais difícil, pelo apelo à unidade nacional.

Saber se conseguirá levar a carta a Garcia é outra questão, para a qual só teremos resposta definitiva dentro de quatro anos.

Por agora, sabemos apenas que começou uma viagem e que todos, dentro e fora dos EUA, esperam da dupla Biden/Harris quase o impossível. De que ainda assim o mais fácil era começar por fazer esquecer, o que conseguiu, o troglodita a quem sucedeu. E esse só por si seria um bom começo.

Mágoas

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.01.21

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"What is clear to the Panel is that public health measures could have been applied more forcefully by local and national health authorities in China in January. It is also clear to the Panel that there was evidence of cases in a number of countries by the end of January 2020. Public health containment measures should have been implemented immediately in any country with a likely case. They were not. According to the information analysed by the Panel, the reality is that only a minority of countries took full advantage of the information available to them to respond to the evidence of an emerging epidemic."

Enquanto não vêm criticar o painel independente e contestar as conclusões, leia-se o que ficou escrito no segundo relatório intercalar da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Para mim, perante a informação que ao tempo possuía, pareceu-me evidente que não se prestou a devida atenção ao assunto em tempo oportuno.

Apesar de na altura já serem muitos os casos, se na China se escondeu, na Europa e no resto do mundo ignorou-se o que se estava a passar. Recordo-me de ter querido comprar máscaras em Portugal, no final de Janeiro e início de Fevereiro de 2020, e de não as haver disponíveis para venda. Foi preciso encomendá-las. E de não haver qualquer controlo nas fronteiras e nos aeroportos. Ainda ninguém tinha pensado nisso. Depois viu-se, está-se a ver, o que aconteceu.

Tudo o resto já é passado, servindo agora de muito pouco o envio da missão da OMS à China. A evidência que houvesse há muito que terá desaparecido atento o tempo decorrido, e partindo do princípio de que nada se eliminou, de pouco servindo nesta altura uma investigação controlada ao milímetro pelos anfitriões e devidamente "protegida" pelos capatazes habituais.

As preocupações de natureza política prevaleceram sempre sobre as exigências de transparência e de saúde pública. E isso aconteceu no início da pandemia, prolongou-se durante as fases iniciais de combate, tardando-se no reconhecimento da gravidade, desvalorizando-se os sinais que se multiplicavam ao nível de uma simples gripe por parte de uns quantos pobres de espírito impantes na sua ignorância, e teve um momento alto na forma destemperada como se reagiu ao pedido australiano para que fosse feita uma investigação internacional independente à origem do vírus.

Como se fosse a imposição de sanções comerciais a quem apenas clama por verdade, e um discurso xenófobo e pindericamente nacionalista, que permitisse escamotear a necessidade de uma investigação. Que seria sempre do interesse de todos, a todos poderia beneficiar, e acaba por acontecer tarde e a más horas, quando já não é possível esconder tudo o que de errado se fez e se pretendeu que o mundo não conhecesse.

Calculo que nunca haverá nenhuma assunção de culpa, nem isso é compatível com a altivez da pose e das respostas dos muitos que falharam clamorosamente na gestão política e sanitária da pandemia.

E se em Portugal surgirá quem aponte o dedo à irresponsabilidade e falta de sentido cívico e de pertença de muitos, também me parece incontornável que o pulso e a liderança não se impuseram, sobrando voluntarismo, insensatez e microfones. 

Os mortos ficam para as estatísticas. Todos perdemos muito. E continuaremos a perder. Algumas sequelas físicas e psicológicas serão permanentes. E as culpas, essas, acabarão proporcionalmente distribuídas em prol da cooperação futura entre as instituições e entre os países.

Para que tudo prossiga na paz do Senhor e do partido. Qualquer que seja a estrela que nos guie. Até à próxima catástrofe.

Um Inverno longo, frio e ventoso

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.01.21

O ano de dois mil e vinte e um começou como acabou o seu antecessor.

Um pouco por todo o mundo, com mais ou menos restrições, muita ou pouca irresponsabilidade, e os inevitáveis aproveitamentos políticos, a pandemia do covid-19 continua, como que a dizer-nos que o Ano Lunar do Rato só terminará em meados de Fevereiro e até lá ainda muito mais poderá acontecer.

Se olharmos para trás verificaremos que a pandemia, que aqui em Macau entrou oficialmente em 23/01/2020, quando o Chefe do Executivo decidiu, em boa hora, cancelar a habitual parada, foi apenas mais um, o mais nefasto, entre todos os acontecimentos que marcaram o ano que findou.

Se a chegada da ansiada vacina, a conclusão do acordo entre a União Europeia e o Reino Unido, ou entre aquela e a China, ou o resultado das eleições nos EUA ainda nos podiam transmitir alguma esperança quanto ao futuro, os acontecimentos desta semana voltaram a chamar-nos a atenção para os tempos difíceis que aí vêm.

Os números do covid-19 voltaram a disparar em todo o mundo. No Japão, na Coreia, em Portugal, no Reino Unido, na Alemanha, e até na China, onde havia sido pomposamente decretada a vitória do Partido Comunista sobre o vírus e mais de nove milhões já terão sido vacinados, voltaram a surgir casos locais em diversas regiões.

A fiabilidade dos números conhecidos é duvidosa, como também o foi a dos anteriores, pois dir-se-ia que os infectados que vão sendo descobertos nunca transmitiram o vírus a ninguém até esse momento. São descobertos e pronto. Não há progressão nos números. De qualquer modo, o simples facto de se saber da existência de novos casos e do agravamento da situação é um péssimo sinal para todos. O vírus é pouco patriótico, não distingue entre patriotas e estrangeiros, e não se comove com o permanente reforço da pulsão totalitária do regime.

De igual modo, o que aconteceu no Capitólio, e que se vinha antevendo antes mesmo das eleições de 3 de Novembro pp., demonstra o grau de loucura que se apoderou do inquilino da Casa Branca e até onde pode ir a cegueira narcísica de um presidente que tem sido um exemplo acabado dos dramáticos resultados a que pode conduzir a falta de educação, a ignorância e uma deficiente formação da personalidade quando confrontadas com o exercício do poder político. Nada de que em Portugal ou no resto da Europa não houvesse já exemplo nas últimas décadas, assim se vendo como os efeitos desses défices se comportam tanto à esquerda como à direita, apresentando resultados idênticos.

Não menos grave, mas bem mais preocupante pelas consequências de que se pode revestir para os residentes e para as relações entre a China e o resto do mundo, em especial com a União Europeia, os EUA, os parceiros e aliados políticos destes e alguns países asiáticos como o Japão e a Coreia do Sul, foram os acontecimentos da semana que passou em Hong Kong.

Na linha do que já vinha de trás, desde a imposição da entrada em vigor da nova Lei de Segurança Interna, e à revelia da Lei Básica de Hong Kong e da autonomia internacionalmente consagrada da Região, do adiamento das eleições legislativas ao afastamento de opositores políticos e à intimidação de jornalistas, foi tudo invariavelmente justificado com a pandemia e a defesa da integridade e segurança do Estado.

Acontecimentos menores face à dimensão da acção policial do passado Dia de Reis quando mais de cinco dezenas de pessoas, entre ex-deputados e activistas políticos, putativos candidatos às eleições, advogados e simples cidadãos cuja única actividade cívica conhecida seria a protecção de minorias étnicas e deficientes, foi detida com fundamento na violação da referida Lei de Segurança Nacional, naquele que foi o mais preocupante de todos os sinais transmitidos à população.

Ao contrário do que pensa o primeiro-ministro português, as relações económicas com a China são indissociáveis do que se está a passar em Hong Kong, e também em Macau, pese embora a displicência e o “interesseirismo”, e também ignorância, com que para os lados do Palácio das Necessidades se está a acompanhar e avaliar a situação.

O comunicado emitido pelo Gabinete da União Europeia em Hong Kong, sublinha que “as detenções penalizam actividade política que devia ser considerada totalmente legítima em que sistema político que respeite princípios democráticos básicos”, e constituem a última indicação de que “a Lei de Segurança Nacional está a ser usada pelas autoridades de Hong Kong e do interior para sufocar o pluralismo político, o exercício dos direitos humanos e as liberdades políticas protegidas pelo direito de Hong Kong e o direito internacional”.

Esta será, contudo, uma forma muito diplomática de dizer que se está a violar de forma grave o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, em vigor em Hong Kong e Macau, e a fazer uma aplicação retroactiva da Lei de Segurança Interna, tratando como crimes situações que não o eram antes da entrada em vigor desse diploma.

Aquilo a que se assistiu não foi, até porque os tempos são outros, nenhuma reedição da Kristallnacht ou de um 11 de Setembro, nem sequer de coisa que se assemelhe. Nada de confusões. Foi, sim, uma actuação absolutamente ilegal sob a capa da legalidade, prepotente e abusiva dirigida contra o exercício de direitos cívicos e políticos legítimos, local e internacionalmente consagrados.

Não há nada de ilegal, nem de atentatório contra a segurança de nenhum Estado, salvo se for um Estado autoritário, em pretender-se participar em eleições democráticas e transparentes, de acordo com as leis vigentes, utilizando métodos democráticos e sem recurso à violência, visando vencê-las, obter a maioria dos lugares no órgão legislativo e assim, por essa via, mudar as políticas do Governo.

Nem se vê de onde possa vir a ilegalidade da escolha dos melhores candidatos, daqueles que estariam de acordo com os participantes mais aptos a representar os interesses dos eleitores, através do recurso a eleições primárias, num processo democrático de escolha, à semelhança do que acontece em qualquer democracia, levado a cabo à luz do dia, de forma absolutamente pacífica e respeitando as exigências do combate à pandemia.

Compreende-se que seja difícil a Portugal perceber o que se está a passar quando tem em Pequim um crânio da diplomacia que está convencido, e ainda por cima di-lo, que os “macaenses” são titulares de documentos que lhes permitem viajar livremente na China, o que o leva a distinguir macaenses de nacionais portugueses residentes em Macau da mesma forma que distingue chineses de portugueses. Como se os macaenses, na sua esmagadora maioria, não fossem cidadãos como os outros, e eles próprios não fossem cidadãos nacionais e não se identificassem como portugueses de Macau.

Há muitos que por estas bandas, sendo macaenses de origem e/ou estrangeiros residentes, e não só, não vivendo dos subsídios e das negociatas que alguns ainda vão conseguindo, nem por isso deixam de se preocupar.

O modo como de uma forma mais ou menos sub-reptícia se vão colocando entraves ao exercício de direitos consagrados, vendo no seu exercício actos de subversão, interpretando-se as leis nos termos que mais convenham ao poder político, mostra que a aproximação entre sistemas não se faz pela valorização do segundo sistema, com a consequente manutenção de garantias, mas antes pela via acelerada da aproximação aos modelos de controlo policial e burocrático típicos dos estados autocráticos.

Ignorar isto para se assegurar o bem-estar de meia-dúzia de bajuladores, em prejuízo de toda uma comunidade que aqui quer continuar a viver e a trabalhar sem que para isso tenha de ver cerceadas as suas liberdades, incluindo a de se deslocar sem mais entraves do que os necessários ao controlo da pandemia, além de ser estúpido é desconforme aos valores constitucionais e à história. Não à história passada, mas à recente.

Sem confiança, sem respeito pela palavra, entre meias-palavras, propaganda e promessas vagas, brindando, sorrindo e comprando e vendendo vistos ou empresas, pode-se seguramente continuar a procriar, mas não será possível assegurar um futuro com dignidade.

E sem dignidade, estendendo a mão à esmola de quem financia a escola e a exposição, a edição do livro correcto, ou nos leva em excursão, versejando loas, só por ilusão se viverá de costas direitas.

Menos ainda se estará protegido das intempéries, do frio e do vento cortante que chegam com a monção de Inverno. Nem em Portugal, nem em parte alguma.

Uma aventura na Feira de Carcavelos

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.01.21

Com o distanciamento que a ausência permite, a paciência que me vai faltando, e mais por uma questão de cidadania do que por genuíno interesse nos fulanos, lá vou acompanhando os “debates” (vamos admitir que sim, que são) entre os candidatos presidenciais que saíram em sorte aos portugueses.

Certamente que irei votar, se a tal me permitirem, embora não saiba muito bem em quem.

Em todo o caso, se há uma coisa para que os tais debates podem servir é para nos mostrar, a todos os níveis, o grau de indigência, despudor e impreparação de alguns feirantes.

O apelo serôdio, populista e demagógico é uma constante. Um tipo vê-os para ali a arengar, com som ou sem som, ora de braços no ar ou de dedo em riste, com ar irado ou pose de cura, e não se nota qualquer diferença.

É claro que estou a exagerar. E a ser injusto para com o candidato Marcelo, que com todos os seus defeitos, apesar de tudo, merecia ter outro leque de convivas.

Admiro-lhe o poder de encaixe, naquela sua postura evangelizante, e até um certo estoicismo na forma como recebe as críticas que lhe são dirigidas. E como ouve alguns dislates que não seriam tolerados nas mesas de matraquilhos de algumas tabernas que outrora existiam em Lisboa.

Há, todavia, um candidato que mesmo por qualquer razão inexplicável não consiga ir à segunda volta já mostrou todas as virtudes de se ter uma democracia consolidada. Refiro-me ao candidato Ventura.

Pode-se não gostar do estilo, ou da voz, naquela postura de contentinho aos pulinhos, endiabrado, cheio de certezas coladas a cuspo, entre a estatura tridimensional de um Marques Mendes e a pose de um forcado gingão do "tipo Chicão", mas o homem é um poço de qualidades. No debate com o candidato Marcelo isso pareceu-me evidente. De tal modo que me fez lembrar o engenheiro Sócrates na fase pré-empréstimos a fundo perdido.

É um gosto vê-lo e ouvi-lo naquele fervor nacionalista e patriótico que faria as delícias do Presidente Xi ou de Ali Khamenei. A forma como exibiu e agitou as fotografias que levou, e que confundiram tanto o candidato Marcelo como deverão ter divertido o tal de Mamadou, apresentando a França como um exemplo de presidencialismo (daria chumbo numa oral da FDL), fizeram-me lembrar um quinquilheiro simpático, de bigodes, usando umas gravatas verdes ou lilases berrantes, que combinava a preceito com uns sapatos de cor creme e um fato cinzento, que quando eu era miúdo vendia tapetes na Feira de Carcavelos.

O tipo, enquanto agitava o tapete colorido que queria impingir a quem passava, gesticulando e impedindo sempre um exame mais atento, não fosse dar-se o caso da peça ter um salpico do molho da bifana, avançava, qual Jerónimo, “com todo o respeito” para exaltar as qualidades do poliéster, que era “quase lã do Cáucaso”, e a excelência do “ponto industrial”, informando desde logo os potenciais interessados da falta de qualidade dos tapetes dos concorrentes e do modo como baixavam os preços e atacavam os seus produtos para o impedirem de vender a tralha que promovia.

Não desfazendo, se aquele senhor que o candidato Ventura admira conseguiu convencer um bando de montanheses, peludas e barbudos saídos das profundezas do Alasca, das cavernas do Colorado e dos bordéis do Nevada, a entrarem pelo Capitólio com bandeiras da Confederação, em “chewbacca bikini”, e desafiando a autoridade da polícia e as regras do jogo democrático, tão queridas ao deputado candidato, também será de admitir a hipótese deste se apurar para uma segunda volta.

E até para uma terceira. Basta que haja mais uma ronda de debates e a vacina não lhe chegue a tempo.

Uns lambões

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.12.20

img_432x243$2020_12_15_22_58_43_998384.jpg(créditos: Rodrigo Antunes/Reuters)

Quando se está longe do rectângulo e são muitas as preocupações, creio que para quem está fora haverá a tendência para desvalorizar as lutas de pintos e carapaus em que o país regularmente se envolve.

Os motivos para que tal suceda são muitos. Os actores que temos ainda não têm a classe de alguns dos agentes dos livros de Le Carré, Green ou Maugham. As histórias são muitas vezes requentadas. A informação que chega é normalmente má, pouco esclarecedora; não raro tendenciosa.

Acontece, todavia, que, por vezes, graças à televisão e à miríade de novas tecnologias ao alcance de qualquer um, se estabelece uma ligação directa entre tais personagens e os cidadãos em geral, qualquer que seja o ponto do globo onde se encontrem.

É por isso que um tipo poderá estar num lugar nos confins da Antártida a fazer o seu trabalho, em sossego, e de repente surge um curto-circuito e vê os dias perturbados pelas armas que desapareceram e foram recuperadas sob o olhar seráfico das lunetas de um qualquer ministro da Defesa, que não sabia, não sabe e nunca soube de nada, ou pela voz tonitruante do senhor das Infra-estruturas e da Habitação.

Quando se pensa que as coisas poderão estar a acalmar, logo nos chegam boas novas dos pastéis de Belém, das traquinices do professor (a)Ventura, das lições de inglês do treinador do Benfica, das acolhedoras visitas do líder do CDS a empresários e chefes de cozinha em greve de fome, ou dos assentamentos de vigas em que de tempos a tempos se envolve a malta da Administração Interna. E, depois, como se não pudesse passar sem marcar o ponto, lá aparecem o Costa do entrudo e o gigantone de Boliqueime.

O traço comum a todas estas figuras é o modo como se fazem ouvir. À medida que perdem autoridade fixam o olhar e engrossam a voz. Segurem-se que vem aí o Carmo e a Trindade.

Mas ao lado destes há outros, que não se sabe bem de que filme vieram, nem para que peça seguirão. Estes vêm normalmente dos assentos puídos das estruturas da administração pública, tendo ultimamente tendência para passarem longas horas a debitar conselhos diante de microfones e câmaras de televisão, que podem ir da melhor forma de ir à horta da vizinha apanhar umas couves até às mil e uma maneiras de se empacotar o Covid-19.

E quando todos esperavam que o dr. Macedo, da CGD, ou o dr. Mexia, ex-EDP, do alto da suas convicções patrióticas, se apresentassem ao serviço na TAP, para mostrarem aos sindicatos e aos portugueses como se podem fazer milhões com a prata da casa, sem se empurrarem os prejuízos para debaixo do tapete, nem se sobrecarregar o estado social com assalariados pequeno-burgueses, crentes e reformados depenados, assim aliviando as preocupações de Pedro Nuno Santos, eis que chega a proposta de um candidato a rei mago de se antecipar a celebração do Dia de Natal para a véspera.

Creio que a proposta é fascinante, maravilhosa mesmo, e capaz de gerar um movimento transversal à sociedade portuguesa, quem sabe se com repercussões internacionais, no sentido de se levar essa ideia mais longe, explorando todas as suas vertentes, como forma de antecipação do fim da pandemia.

Se foi possível adiar o Europeu de futebol e mudar os Jogos Olímpicos, é óbvio que faz todo o sentido mudar o Natal, e por essa via será possível mudar o mundo, dar a volta às previsões da OMS e ignorar todas as reticências que têm sido colocadas sobre o momento em que se regressará à normalidade.

Pessoalmente, não estou convencido de que haja qualquer vantagem em se regressar ao tempo anterior à pandemia porque isso nos colocará à mercê de nova pandemia. Um dia são as galinhas, no outro são os porcos, a seguir vêm os morcegos e os pangolins, e não se sai disto.

Daí que o ideal seja acolher a proposta daquele senhor, sugerindo eu que se tenha a visão suficiente de levar além da imaginação essa proposta de antecipação do Natal para 24 de Dezembro.

É que sendo neste momento poucas as hipóteses de se dar cabo do vírus, mesmo com vacinas, antes de meados de 2021, talvez seja possível queimar algumas etapas, antecipando desde já o Carnaval para o Dia de Ano Novo, celebrando a Páscoa na terça-feira de Carnaval e a Missa do Galo de 2021 em 24 de Abril, que seria a véspera do Natal “em liberdade”, que poderia voltar a ser celebrado num dia 25, com o que ganharíamos oito meses de uma assentada.

Tudo isto teria também correspondência nos calendários eleitorais e políticos, pois os mandatos do Presidente da República e do Primeiro-Ministro também passariam muito mais depressa, com os consequentes ganhos em termos orçamentais e a redução do período entre eleições. Poupava-se nos mandatos, nos discursos, nas comissões de inquérito, nas greves e até nas prescrições de uns quantos processos judiciais.

O mesmo se passaria com os mandatos dos líderes partidários, antecipando-se congressos e despachando-se desde já o dr. Rio, poupando-o a maiores sofrimentos, bem como ao Chicão a vexames culinários, e ao camarada Jerónimo à perda de mais um título para os lados da Luz. Já o Bloco poderia evaporar-se ainda mais depressa, dando sentido aos porfiados esforços que a sua direcção tem feito nesse sentido. 

Enfim, não quero ser demasiado optimista. Não digo que fossem só vantagens. Seria sempre muito difícil separar o par Pinto da Costa/Ana Gomes, por exemplo, como fazer o Sporting chegar mais depressa ao título com o VAR, ou ver a tal Cristina eliminar o cheiro a fritos dos canais por onde passa. Mas restaria sempre essa esperança do CR7 jogar mais duas ou três épocas.

Fundamental era mesmo que não se alambazassem com as compotas. Lá porque estão ao fundo das escadas e andam há anos a dar cabo do mel e das bolachas, não quer dizer que possam fazer tudo por antecipação. Ninguém gostaria de os ver rebolar porta fora, com o rebanho do PAN, antes da chegada das vacinas e de fazerem a digestão das broas e do bolo-rei.

Caso perdido

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.12.20

PÚBLICO -

O PCP realizou o seu XXI Congresso. Como todos os congressos anteriores, foi um êxito retumbante. Eu atrever-me-ia mesmo a dizer que não há congresso, qualquer que seja o partido político português, que não seja um êxito. Mas os do PCP normalmente ainda são mais extraordinários. 

Muitas foram já as análises efectuadas. Da preparação ao evento, sem esquecer as intervenções de dirigentes e militantes, numa reafirmação da sua cada vez mais desfocada visão do mundo.

Aqui quero apenas salientar um aspecto que continua a acentuar-se, mas que nem por isso leva o PCP a procurar encontrar as razões e, eventualmente, a mudar. Trata-se da contínua quebra do número dos seus militantes, no que são acompanhados por outros partidos nacionais que recusam ou não conseguem renovar-se tal a forma como estão agrilhoados à sua própria mediocridade.

Na análise que ontem publicou, o Público salienta a descida do número de militantes nos últimos oito anos, isto é, de 60 484, em 2012, para 54 280, em 2016, até aos 49 960 de 2020. Ou seja, uma queda de 17,4%.

Se recuarmos um pouco mais verificamos que em 1983 o PCP tinha 200 753 militantes; em 1996 eram 140 000; e em 2006 esse número atingia 80 000. Entre 2006 e 2012 o PCP perdeu quase 20 mil militantes.

Nas Teses apresentadas ao XXI Congresso continua-se a sublinhar que "[o] Partido, para agir e desempenhar o seu papel de vanguarda na concretização dos seus objectivos, precisa de uma organização forte, estruturada e ligada às massas", esclarecendo-se que o número actual de militantes resulta de "uma redução ligada ao facto do número de recrutamentos não ter compensado o número de camaradas que deixaram de contar como membros do Partido", o que parece ser uma evidência lapalissiana, mas acrescenta-se que tal é devido "principalmente em consequência de falecimentos".

Durante anos procurei averiguar as razões para essa quebra, como fiz em relação a outros partidos, não me ficando pelo "principalmente". Até hoje o PCP não esclareceu, nem quer esclarecer, quantos dos que deixaram de constar como militantes saíram das suas listas por terem falecido, por descontentamento com a linha ideológica, por não concordarem com as práticas internas do partido ou por qualquer outra razão que os levasse a abandonar a militância.

Dizer apenas que a maior parte dos que saem representam "principalmente" falecimentos é o mesmo que não dizer nada. E o facto de 49% dos militantes do PCP terem mais de 64 anos, e apenas 11,4% terem menos de 40 anos, também não ajuda muito, porque não só não consta que nos outros partidos "morram" tantos militantes como no PCP, como se sabe que nos outros há quem não fique à espera da hora da morte para ser abatido nos cadernos de militantes.

Escrevia o Pedro Correia que depois da derrocada eleitoral nos Açores o PCP irá continuar a aprender à sua própria custa com as eleições que hão-de vir.

Não comungo desse optimismo. Aprender à sua própria custa ainda seria uma forma de aprender. Não me parece que possa vir a ser esse o caso.

Porém, olhando para a evolução dos números dos militantes do PCP ao longo das últimas décadas, para as teses do último e de todos os outros congressos que o antecederam, ouvindo os discursos e vendo a forma como vai diminuindo a influência política e social do partido, dir-se-ia que não querem aprender nada. Recusam-se a aprender, como também rejeitam mudar as lentes que usam, por mais riscadas e picadas que estejam, tentando convencer os outros de que aquelas é que são boas porque não partem de cada vez que caem ao chão. Ouvir alguns dos seus dirigentes hoje ou há quarenta anos é exactamente a mesma coisa.

O mundo mudou. O PCP e os seus dirigentes ainda não se aperceberam disso. E dos militantes que se aperceberam o PCP diz que só se libertam na hora da morte. 

Sem mudar de lentes e a manter-se a constância de "falecimentos" dos seus militantes, com mais alguns congressos, o PCP arrisca transformar-se definitivamente num fantasma que andará pelo meio de quatro paredes à procura da sua sombra.

Enquanto lá fora a luta continuará. Sem o PCP. E com andrés e venturinhas descendo a Avenida da Liberdade.

Acabou a bebedeira

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.11.20

Aos poucos, o circo das eleições presidenciais estadounidenses vai chegando ao fim.
Passada a fase do folclore, dos foguetes, do barbecue e da bebedeira, perdidas que foram mais de quarenta acções judiciais nos tribunais federais, num deplorável espectáculo de sombras em que se seguiu um guião escrito por um fantasma e com executantes medíocres, por cujo rosto escorria a tinta mais ordinária, chegou a hora da ressaca.
Torna-se evidentemente natural que a bebedeira não poderia ser eterna, pois todos sabemos que, também, nem o amor o é, sendo assim natural que assentada a poeira as coisas comecem a regressar à normalidade.
É verdade que nada voltará a ser como antes. Trump está politicamente morto, aguardando-se agora as exéquias. Obama não voltará; os Clinton e os Bush fazem parte dos livros de história. A página virou-se.
Neste momento, o palco pertence a Joe Biden. E por muita desconfiança que se pudesse ter relativamente às suas propostas, às suas capacidades físicas e intelectuais e à composição da equipa, o que ontem se viu justifica a mais fundada das esperanças.
Num discurso curto, claro e bem articulado, alinhavando as linhas de força da política interna e externa dos EUA para os próximos quatro anos, rodeado de gente devidamente qualificada, experiente e de uma honradez a toda a prova, Biden foi capaz de fazer em poucos minutos o que há mais de quatro anos não se via: apresentar um discurso de Estado sem floreados, mentiras, graçolas de mau gosto e ignorância.
No ouvido ficou-me a frase de que “America leads not only by the example of power, but by the power of the example”, o que não sendo tudo diz muito.
A partir de Janeiro veremos o que acontece, mas o simples facto de passar a haver um programa e uma agenda na Casa Branca, depois de quatro anos de bacanal político, delírio, insânia e balbúrdia melbrookiana são afinal uma pequena prova, se não da existência de Deus, pelo menos de que também a loucura não é eterna.

E este é um excelente sinal para o futuro. Para todos nós que ainda acreditamos nalguma coisa antes de nos levarem para a vida eterna.

Uma corrida de sonho

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.11.20

img2072910259Miguel-Oliveira.jpg

Miguel Oliveira produces a masterclass performance to secure victory on home soil in the Portuguese MotoGP

Oliveira completed a stellar weekend with victory at his home GP, three-seconds ahead of a jubilant Miller - who consolidated the Manufacturer Championship for Ducati.

Para quien tuviera alguna duda el portugués Miguel Oliveira las despejó todas este domingo rubricando el Gran Premio de su vida en MotoGP en el regreso del GP de Portugal al circuito de Portimao y además con un siempre difícil Grand Chelem, pole, victoria, vuelta rápida en carrera y liderando todas las vueltas, su segundo triunfo del año y tercero de KTM en este increíble año para la fábrica de Mattighoffen que ha llegado para quedarse entre los grandes de la categoría reina.

Imaginer qu’arrive ce qu’il s’est passé ce dimanche dépasse l’entendement. Mais non, inutile de se frotter les yeux ou de se pincer: Miguel Oliveira a bien remporté la course. Et quelle victoire !

Il GP dei saluti si chiude nel segno di Miguel Oliveira, profeta in patria.

Miguel Oliveira dominated his home Grand Prix at Portimao to secure his second victory of the 2020 MotoGP season. Oliveira, who started from pole, led from start to finish and pulled the pin almost instantly. The Tech3 KTM rider posted fastest lap after fastest lap in the opening few laps and pulled away from the chasing pack.

Miguel Oliveira heeft de Grote Prijs van Portugal in de MotoGP gewonnen. De KTM-coureur had een dag eerder de poleposition veroverd op het circuit van Portimão en hield de leidende positie in de race vast. 

Miguel Oliveira dio una auténtica exhibición. Vuelta rápida tras vuelta rápida, el portugués disparaba su ventaja por encima de los cuatro segundos antes de llegar incluso al ecuador de la carrera.

Depois de fazer história ao conquistar a sua primeira vitória este ano na Estíria, o português conseguiu a primeira pole da sua carreira e logo no GP de Portugal, não vacilou e deu uma autêntica lição de como pilotar, para no final vencer com larga vantagem sobre o segundo classificado.

Miguel Oliveira n’ose y croire. Lui le pilote satellite KTM Tech3 que personne n’attendait sur le podium à l’aube d’une saison 2020 qui aura bouleversé tous les pronostics, le voilà désormais double vainqueur en MotoGP. Et si le Portugais avait profité de l’attaque de Jack Miller sur Pol Espargaro dans le dernier virage pour leur chiper in-extremis la victoire en Autriche, son récital du jour ne souffre d’aucune contestation possible. Immédiatement échappé en tête depuis la pole, le pilote de Guy Coulon aura été tout simplement intouchable du premier au dernier tour. Sur une autre planète, Oliviera a sans doute réalisé le rêve d’une vie en remportant un Grand Prix MotoGP à domicile.

Era il favorito, partiva dalla pole con una KTM super competitiva: l’unica incertezza era la tenuta alla pressione. Ma Miguel Oliveira non ha sbagliato, ha retto bene la pressione e dopo essere transitato in testa alla prima curva ha allungato passaggio dopo passaggio, fino a creare un vantaggio imbarazzante per gli avversari.

Punto y final a esta temporada de MotoGP. Puso la guinda sobre el pastel un Miguel Oliveira totalmente intratable en el Autódromo Internacional do Algarve. Lideró todas y cada una de las vueltas de la carrera, no dejó que absolutamente nadie le tomara ni un segundo la primera posición, se escapó y cruzó primer por meta bajo la bandera ajedrezada.

He was just the best rider, this weekend and today.

Fica assim feita a crónica da corrida de Portimão.

Blogue da semana

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.11.20

Tenho dúvidas de que caia exactamente na categoria dos blogues, embora admita que sim. Ele próprio define-se como um "nonpartisan fact tank that informs the public about the issues, attitudes and trends shaping the world". Todavia, o modo como se processam as entradas, com diferentes autores e sobre diversas áreas temáticas, levam-me a que efectivamente o considere um blogue. Um pouco mais sofisticado, mas ainda assim um blogue. E uma das suas variantes (Decoded) apresenta-se de facto como um blogue.

Por tudo isso, mas em especial pelo manancial de informação que contém e vai disponibilizando sem qualquer custo, entendi ser oportuno aqui trazer o Pew Research Center, cuja actualidade, fiabilidade dos dados e rigor de análise fazem dele um local incontornável para melhor entender os dias de hoje. Dentro e fora dos Estados Unidos da América.

É este o meu blogue da semana. 

Uma mini-série que vale a pena

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.11.20

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Trata-se de uma série muito recente da plataforma Netflix, com apenas três episódios, cada um deles com cerca de 25 minutos. Os três episódios, com os títulos The Right to Vote, Can You Buy an Election e Whose Vote Counts, têm locução de Leonardo Dicaprio, Selena Gomez e John Legend, por eles desfilando académicos, políticos em geral, congressistas e senadores dos Republicanos e dos Democratas.

Cheia de informação actual e pertinente, divulgada, explicada e discutida em termos que a todos são acessíveis, foi uma das minhas últimas agradáveis surpresas.

Do sistema eleitoral ao gerrymandering, com exemplos tirados da realidade que ajudam à compreensão de algumas minudências, sem esquecer as questões relativas ao voto por correspondência, ao peso da história e da tradição constitucional e jurídica, é um verdadeiro e muito interessante curso para leigos, e não só, em questões políticas e eleitorais dos EUA.

Pela sua actualidade perante o que se está a passar nas terras do Tio Sam, não poderia deixar de aqui trazê-la e de a todos recomendar.

Definitivamente a não perder.


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