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Delito de Opinião

O meu super ídolo

Joana Nave, 21.07.21

Quando nascemos não vemos logo todos as cores, nem de forma nítida e só focamos a uma distância reduzida. À medida que crescemos a visão torna-se mais colorida, límpida e abrangente. Os nossos pais ou cuidadores são as pessoas que vemos diariamente e em quem depositamos a nossa confiança e amor. Depois, vamos alargando o leque e trazendo para o círculo dos afectos aqueles que duma forma ou doutra nos cativam.

É normal que as crianças desenvolvam especial carinho pelos educadores, professores, treinadores, e por aí fora. À medida que vamos frequentando grupos, também aí tendemos a desenvolver laços de amizade com várias pessoas. A pessoa que dirige é aquela que mais amamos ou odiamos, consoante o grau de admiração. Estas pessoas têm um papel fundamental na educação e formação das crianças, mas também enquanto adolescentes e jovens, e até como adultos. O líder de um grupo é responsável pela orientação e formação de valores e crenças, seja um grupo desportivo, de teatro, xadrez, música, religião, entre muitos outros. Quando esse líder abusa do seu poder de influência, através da manipulação, usurpação, mentira, humilhação e força, estamos perante uma perturbação grave da formação do indivíduo.

A experiência que decorre de situações desta natureza provoca distúrbios de aceitação, confiança e aprendizagem, porque são associados a uma natureza negativa, que é maléfica ao desenvolvimento do ser humano. Somos seres sociais e precisamos do nosso contexto social para crescermos de forma sólida e estruturada, mas quando as bases são abaladas a construção tende a desmoronar e o renascer dos escombros pode ser muito difícil e tortuoso. Acredito que é por terem receio de como enfrentar esta tão grande adversidade no caminho, o colocar em causa escolhas e crenças enraizadas, o investimento de tempo e dinheiro em causas que se revelam infrutíferas, que tantas pessoas adiam a decisão inevitável, que negam os factos que têm diante de si e preferem não ver o óbvio, porque a dura realidade é cruel e é preciso um esforço muito maior do que continuar a subjugar a vida aos interesses dos outros.

Não sendo fácil abraçar a mudança, é inegável que ela é necessária, que é a única via libertadora da opressão, que é a força motriz única e necessária para abraçar novos desafios, que são escolhas livres das amarras que antes foram impostas. Ser livre para escolher, decidir e usufruir dos frutos dessas verdades. Se não há liberdade de pensamento, se a opinião individual não é tida em consideração, se em vez de um círculo temos uma pirâmide, em que ouvimos a cascata cadente, em vez de elevar a cúpula pelos degraus trilhados, então não pode ser verdadeiro.

A dieta que funciona

Joana Nave, 14.07.21

Dizem que os algoritmos captam títulos sonantes, por isso resolvi dar a este texto um título que o tornasse apelativo aos mais cépticos, aos menos curiosos e aos que se estão nas tintas.

Se ainda estão a ler, não fiquem desiludidos porque não vou falar de dietas, ou de alimentação saudável, porque não tenho formação na área e não quero iludir ninguém, vou apenas especular um pouco sobre vários conceitos que acho interessantes e que estão relacionados com o comportamento alimentar.

Quando eu era criança a regra era comer, e se não comesse era um verdadeiro sarilho, porque barriga cheia era sinal de saúde e o contrário não, a falta de apetite era logo sinónimo de doença. Entenda-se ainda por comer, não comer pouco ou o suficiente, mas o chamado comer bem, ou seja, comer muito. Em termos de diversidade alimentar tudo estava bem desde que se fosse alternando religiosamente entre peixe e carne.

Com o passar dos anos muita coisa mudou, a roda dos alimentos ajustou-se a novas realidades, surgiram doenças associadas a hábitos alimentares e a certo tipo de alimentos, e difundiu-se uma forma de comer mais natural, por oposição aos muitos descuidos alimentares que uma sociedade em desenvolvimento, principalmente tecnológico, fomenta por nos roubar tempo para os tachos.

O leque de opções actuais é vastíssimo e vou enumerar apenas algumas das que conheço: vegetarianismo, veganismo, plant-based, paleo, mediterrâneo, entre muitas outras. Há quem não queira colocar a si próprio o rótulo, mas opte predominantemente por um estilo de alimentação, e depois há as pessoas que comem de tudo, mas que não comem alimentos com glúten, ou lactose, ou processados, e por aí fora.

Uma das ideias que mais confusão me fazem, e esclareço desde já que é apenas a minha opinião, baseada na minha experiência, é a questão do jejum intermitente. Percebo a ideia de que a redução de calorias, por saltar uma ou várias refeições e ter o cuidado de não compensar nas seguintes, promove o emagrecimento, mas não entendo os benefícios defendidos pelas pessoas que o praticam. Em termos de comportamento alimentar parece-me um risco, porque exige uma auto-disciplina muito grande e um esforço físico e mental que não são sustentáveis a médio e longo prazo, porque não proporcionam equilíbrio. Esta ideia é ainda completamente antagónica da que defende que não devemos saltar refeições, que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia, que não almoçar e depois comer muitos snacks ou um jantar pesado faz mal, entre outras.

Por tudo isto, defendo que a melhor dieta é a que funciona para cada um. Gosto da expressão reeducação alimentar e acho que faz sentido. Acredito que o melhor de tudo é o equilíbrio, escutar o nosso corpo e comer o mais natural possível, com respeito e harmonia por nós, pelos outros e pelo planeta. Claro que nem sempre é possível e está tudo bem, desde que a consciência esteja sempre presente nas escolhas que fazemos, que aceitemos que há dias e fases menos boas, mas que depois podemos voltar ao nosso ritmo, com tranquilidade. Eu tenho fases em que podia comer o pequeno-almoço ao almoço e ao jantar, fases em que não consigo comer peixe, nem carne, em que podia comer só fruta. Tenho fases em que cozinho tudo de raiz e outras em que coloco no forno pizzas, rissóis, croquetes, ou então como apenas uma torrada. Acredito que o que faz bem é o que me faz bem a mim e não aos outros, por isso aceito quem só bebe líquidos, quem não come, quem se mata a fazer exercício físico para queimar calorias, porque este templo que nos deram para cuidar só depende de nós e, ainda que o partilhemos, nascemos e morremos com ele e a responsabilidade é inteiramente nossa.

Viver devagar

Joana Nave, 23.06.21

Viver devagar. Abrandar o ritmo, saborear cada momento, colocar intenção e atenção em tudo o que fazemos. Parece tão simples, como utópico. Tão próximo, como distante. Talvez seja a realidade de quem vive fora das grandes cidades, tenha um trabalho em part-time, ou tenha uma rede de suporte muito grande e organizada, que lhe permita não ter de ocupar o tempo livre com tarefas domésticas e afins.

Sempre procurei ser consciente em relação a tudo o que faço, respirar lentamente, sentir os cheiros, degustar os aromas e estar em contacto com a natureza, sempre que possível. Procurei instruir-me de forma abrangente, ler muito, ouvir música e escrever sobre o que estava a sentir. No entanto, a sensação de frustração, de correria constante, de pressa em vez de vagar, de pouca ou nenhuma atenção ao pormenor, é avassaladora. Vivemos tempos agitados, mesmo quando somos obrigados a parar a mente teima em preencher os espaços em branco, em estar permanentemente numa busca constante por algo que a ocupe, porque a mente é traiçoeira e quer estar sempre em vantagem.

O Yoga e a meditação ajudam, mas apenas se lhes dermos espaço para fazerem parte do nosso dia-a-dia, interiorizando a prática como uma rotina e não apenas como mais uma tarefa na lista de afazeres. Cada pessoa tem a sua forma de relaxar, tirar prazer da vida, mas é muito comum não darmos prioridade aos momentos prazenteiros, com a desculpa de que é só mais um esforço e depois já vamos ter todo o tempo do mundo para nos dedicarmos ao que realmente gostamos de fazer.

Querer estar mais presente, ter um espaço limpo, organizado e minimalista dá imenso trabalho, pelo que o ideal é traçar esses objectivos e ir com calma no caminho para os atingir. Ir fazendo tudo aos poucos, pequenas tarefas de cada vez, sem pressa de chegar, caminhando passo a passo, com a lentidão própria de quem quer sentir que a vida flui com calma e ligeireza. É com foco no momento que se vai vivendo devagar, que se vai tirando prazer das pequenas coisas e enriquecendo uma vida singular.

Ser criança no mundo actual

Joana Nave, 02.06.21

Ser criança é um dom, ser criança em espírito, quando a armadura que a reveste se vai tornando mais sólida, mais definida, mais conhecedora. A criança é um estado de espírito que habita em nós, que influencia a percepção das coisas que vemos e sentimos.

No mundo ser criança é um verdadeiro desafio, daqueles que nos fazem tropeçar a cada instante. Cair, levantar, erguer a cabeça e seguir em frente. Abraçar o desconhecido com a alegria contagiante da descoberta, da primeira vez. Subir ao cume, sem olhar para trás, sonhar cada vez mais alto.

As distracções aprisionam a criança, tornam-na preguiçosa, vulnerável, à mercê do que é instantâneo e efémero. A comparação, a cobiça, destroem a essência, a pureza.  A vontade nem sempre é inata, nem sempre assoma quando mais precisamos, é preciso relembra-la e cuida-la como o nosso bem mais precioso. É a vontade que guia os nossos passos, que semeia o desejo que faz nascer a energia de que necessitamos para viver cada dia. E é na alegria, a mais genuína e verdadeira, a que nos leva às lágrimas de emoção, à dor de barriga comprimida com o riso contagiante, que encontramos a única criança interior que jamais nos abandona, mas que pede a todo o instante a nossa máxima atenção e cuidado.

Ser criança é uma verdadeira dádiva, que devemos homenagear diariamente, enaltecer e louvar, permitir que se liberte, que encontre o seu semelhante em cada gesto e sorriso que a despertam para a vida.

Faço 40, e agora?

Joana Nave, 26.05.21

Cada ano que passa surge como uma nova oportunidade, de fazer mais, melhor, ou apenas tentar manter o nível. Não me recordo exactamente dos primeiros anos de vida e da forma como me senti quando celebrei os meus primeiros aniversários. As fotografias imortalizaram os sorrisos, os bolos, as roupas, mas não captaram a essência.

Quando olho para os meus filhos vejo neles toda a energia e vontade de crescer, de passar para o nível seguinte. É tão importante ser crescido, ter direito à sua própria voz, tomar decisões sem limites, fazer escolhas arrojadas sem o sermão da advertência, castrador. Lembro-me de querer o mesmo que eles, avançar, seguir em frente, ter o meu destino nas minhas mãos, arriscar sem receio, lutar pelos meus sonhos e ideais. De querer tanto abraçar o futuro, fui-me esquecendo de viver o presente, que se ia escapando por entre os dedos, a correria desenfreada de querer sempre mais, de acumular experiências e também coisas. Passei três décadas neste estilo de querer e, só na viragem da última década, me apercebi que muitas coisas eram um verdadeiro contrassenso, porque à medida que ia tomando consciência dos problemas ambientais, da saúde mental, das relações, fui continuando a encher o baú das recordações, para me manter segura com o peso da minha bagagem.

Foi preciso ser mãe, de um e mais um, para perceber que a vida nos desafia constantemente a sair da nossa zona de conforto para abraçarmos a verdadeira felicidade, que só se encontra na liberdade. Esta liberdade é a que nos liberta das amarras dos preconceitos, do peso que carregamos. Quando somos brutalmente desafiados a lutar contra nós próprios, contra crenças enraizadas profundamente, começamos a questionar o que nos rodeia. Primeiro, a dependência, sabermos que não podemos olhar só para nós, porque outros, seres imaturos, indefesos, desprotegidos, precisam de nós, dos nossos cuidados, atenção e sobretudo amor. Depois, o espaço, aprender a ter o nosso espaço dentro do colectivo, adaptarmos as nossas vidas a novas necessidades. Claro que podemos não aprender nada com isto, ganhar muito dinheiro, arranjar uma boa ama, uma empregada e uma casa maior.

No entanto, o verdadeiro desafio é a mudança, criar espaço dentro do que já existe, simplificar, deixar para trás, organizar horários, criar rotinas e novos hábitos. Quando chegamos a este ponto estamos verdadeiramente preparados para viver a restante metade das nossas vidas, pelo menos a expectável e com qualidade mental. Sabemos o que nos agrada, o que nos faz sentir bem, o que nos perturba e o que devemos evitar. Sabemos as horas de sono que devemos dormir, a quantidade óptima de exercício, o que vestir nas várias ocasiões, o que dizer, o que queremos ouvir, e acima de tudo sabemos aceitar.

Não me sinto mais sábia, mais ponderada ou determinada, como também não sinto que tenha desperdiçado o meu precioso tempo de juventude, sinto que estive num processo de aprendizagem, que é contínua, aprendi muito, umas vezes acertei, muitas outras errei, mas continuo a querer fazer mais e melhor, com mais leveza, com mais certeza que o caminho é o que realmente importa e não tanto os objectivos que o definem.

Blogue da semana

Joana Nave, 08.04.18

Esta semana trago-vos mais uma das minhas inspirações: Pick Up Limes. É um blogue sobre nutrição e hábitos de vida saudáveis, dois temas que me fascinam e que quanto mais pesquiso mais me dou conta da imensidão de conhecimento que envolvem. Sempre que posso, tento aplicar esta aprendizagem na minha rotina diária e sinto-me muito bem em fazê-lo. Dêem uma espreitadela, não se vão arrepender!

Pensamento da semana

Joana Nave, 11.03.18

Evoluímos dos sacos de pano para os sacos de plástico, do que é reutilizável para o que é descartável, e agora, no auge da evolução humana, em que fazemos compras sem sair de casa, voltamos aos sacos de pano, porque é ecológico e sustentável e a reutilização é afinal a melhor alternativa.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Da saudade

Joana Nave, 12.02.18

Saudade, não da dor que perdurou, até que o tempo a disfarçou com dias de sol e conversas animadas, onde os risos tomaram o lugar da amargura. Saudade de um dia ter tido o que hoje não volta, de ter sentido o que hoje é apenas fragmento de uma memória eterna. É um sentimento atroz este que nos persegue por toda uma vida, que é um rasto que deixamos e que nem os muitos ventos apagam, que se faz sombra para sempre e que reside naquele cantinho secreto da memória, onde guardamos as lembranças ténues da vida singular que sonhámos ter. Tudo o que nos marca profundamente reside em nós até deixarmos este mundo, e talvez até depois continue a acompanhar a nossa alma. Saudade de ter sonhado e hoje a realidade se apresentar tão distinta, tão mais cruel. Saudade da inocência que alimenta o desejo de sermos o que sonhamos, de acreditarmos que podemos mudar o mundo, concertando o que está mal. E agora que acordo para o dia que se me apresenta, invade-me um misto de raiva e desalento, por não ter forças para mudar nada do que está terrivelmente errado.

A vida dos outros

Joana Nave, 05.02.18

Quando olho pela janela imagino o que se passa do outro lado de cada vislumbre que avisto. As pessoas que passam apressadamente, os animais que vagueiam em busca de alimento, as luzes que revelam famílias reunidas em torno de uma mesa, os bancos de jardim onde alguém se senta a descansar, as esplanadas onde copos vazios se acumulam, depois de refrescarem as bocas sedentas que riem e aplaudem o sol de Inverno que os aquece. Vejo tanto coisa e prendo-me no instante que passa, no momento que capto por entre o vidro límpido, sem reflexo. São vidas comuns, singulares, com as suas pequenas vitórias, mediadas por alguns fracassos. Detenho-me um pouco mais num jovem casal, ambos com ar sisudo, parecem não ter grande prazer em estar juntos. Ela percorre o telemóvel com o dedo, ele fuma distraidamente. O empregado de mesa surpreende-os com dois cafés. Ele esboça um esgar de agradecimento, ela não tira os olhos do ecrã. Entretanto, o sinal muda para verde e o carro arranca, prosseguindo a sua marcha. Relembro aquele jovem casal... Ou são só amigos, ou estão fartos um do outro!

A nossa vida

Joana Nave, 29.01.18

Passamos a maior parte do nosso tempo a fazer coisas de que não gostamos. Trabalhos que não nos completam, um trânsito infernal, tarefas domésticas, e ainda temos de conviver com o cinismo dos que nos rodeiam, porque são seres amargurados pelas suas próprias vidas medíocres, e que encontram algum consolo em tornar a nossa vida num pequeno inferno. Para sair desta roda que gira enquanto o tempo passa é preciso, em primeiro lugar, entender que não somos o reflexo que vemos diariamente, que temos uma essência mais profunda, que anseia por uma existência justa, equilibrada e feliz. Temos de ir ao âmago do nosso ser e descobrir aquilo que nos caracteriza, o que realmente nos define, e que uma vez em marcha não dá lugar aos espaços mortos que tentamos preencher diariamente com os meros desabafos de uma vida miserável. Depois, é preciso ter coragem para mudar, para dar um basta ao que temos tido e ousar ter e ser mais. É um virar a página definitivo, escalar a montanha da nossa ousadia e, ao chegar ao topo, sentir a força do vento que nos faz fechar os olhos e inspirar o sopro da verdadeira mudança, da vida única para a qual fomos talhados, e sentirmos a liberdade de sermos nós próprios e isso bastar.

Há políticas que até fazem sentido

Joana Nave, 22.01.18

Quem me conhece sabe que sou uma espécie de anti-política. Não me interessa, tudo o que sei abomino e acho até que é uma perda de tempo. Se sei do que falo, sei. Para ter impacto na vida social, não precisamos de fazer parte de um grupo partidário, há tantas outras formas... Hoje em dia, existem milhares de movimentos activistas que têm mais impacto que a política, mas mais importante ainda, que fazem mais com menos recursos, que não necessitam de facções e politiquices, de caciquismo, e afins. Pessoas que fazem a diferença, que influenciam os outros e que têm um impacto positivo na sociedade.

No entanto, esta semana dei por mim a pensar que o meu alheamento não me está a permitir louvar algumas boas políticas que andam por aí. Fiquei surpreendida, no verdadeiros sentido da admiração, por saber que o Governo está a influenciar a redução do consumo de açúcar e sal. É certo que a mudança de comportamentos é cultural e hábitos enraizados não se alteram de ânimo leve, mas cada pequeno gesto conta, rumo a uma vida mais saudável. Já agora, devia haver incentivos para que as pessoas fizessem mais exercício físico, que não apenas a moda das corridas e os circuitos de manutenção.

Parece-me claramente que o mundo está a evoluir em termos de expansão da consciência, estamos a tornar-nos mais atentos à forma como o nosso comportamento afecta o planeta. Ainda assim, há muita falta de civismo, muita cegueira face aos problemas ambientais, e será importante que haja políticas cada vez mais interventivas para mudar o que é necessário.

A política não me fascina, mas devo louvar o que de bom se faz.

A importância da consistência

Joana Nave, 15.01.18

Sermos consistentes é das coisas mais importantes da nossa vida. A consistência dá-nos um rumo, mas também nos dá credibilidade. Se formos consistentes fidelizamos os nossos seguidores, as pessoas começam a confiar e a esperar por nós. Por outro lado, a inconsistência gera desinteresse a até esquecimento. Por isso, temos de nos focar na consistência, se queremos crescer com sustentabilidade, se queremos inspirar confiança em quem nos segue. Temos de ser persistentes, metódicos, pragmáticos, fiéis e verdadeiros. No entanto, não podemos ser cegos às adversidades, aos contratempos e às surpresas. A palavra de ordem é flexibilidade. Pessoas consistentes e flexíveis conquistam o mundo e inspiram os que as rodeiam. É por tudo isto que escrevo hoje, para me manter fiel ao que me propus para este novo ano, para que a escrita seja uma prioridade e uma constante da minha vida, e para que mesmo com sono eu não deixe que o meu objectivo perca força, deixando de publicar esta crónica no início de mais uma semana. Ainda que a flexibilidade seja uma força maior, a consistência, pelo menos hoje, venceu.

Já não sou dona do meu tempo

Joana Nave, 08.01.18

O tempo, esse hiato que medeia entre o que é e não é, que foi calendarizado para que pudessemos organizá-lo, tem-me fugido por entre os dedos. De manhã acordo e já estou atrasada, já tenho pouco tempo para todas as coisas que me propus fazer. As horas sobrepõem-se umas nas outras e quando me apercebo, são 22h00 e ainda nem sequer jantei! Dizem-nos que somos donos do nosso tempo, que podemos fazer com ele o que quisermos, que é tudo uma questão de organização e gestão de prioridades, mas e quando tudo o que fazemos são prioridades?  A palavra urgente torna-se banal quando dita de forma tão constante, apenas para chamar a nossa atenção de que temos mesmo de tratar daquele assunto.

Há quem diga que as mulheres têm a vantagem do multitasking, mas hoje em dia esta prática é reconhecida como uma forma de distracção e ineficiência, porque somos mais produtivos se nos concentrarmos numa tarefa de cada vez. O verdadeiro desafio consiste em preencher as 24 horas de um dia completo com descanso, trabalho, tarefas domésticas, pausas para comer, lazer, exercício físico, amigos e família. Não importa a ordem, importa dedicar um pouco do nosso tempo a cada uma destas áreas.

A minha sugestão passa por parar e pensar em como estamos a gastar o nosso tempo, se há alguma área que esteja a ser negligenciada, se podemos sobrepor algumas para tornarmos o nosso tempo mais proveitoso. No fim do dia, antes do merecido descanso, importa analisar se foi um dia bem passado e se estamos alinhados com os nossos objectivos. Contudo, quando dou por mim é quase meia noite, não fiz metade do que queria e, de olhos cansados e desilusão no rosto, reconheço que já não sou dona do meu tempo...

Blogue da semana

Joana Nave, 29.01.17

A minha escolha desta semana vai para um blogue que considero muito inspirador: Becoming Minimalist. Mais que uma tendência, considero o estilo minimalista uma escolha para simplificar a complexidade com que somos confrontados diariamente nas nossas vidas demasiado preenchidas. Menos pode ser mais, se nos focarmos no que é essencial e no que traz verdadeiro valor acrescentado, no que nos completa e permite saborear o momento presente, sem estarmos presos ao caos com que enchemos os espaços que nos rodeiam e, principalmente, a nossa mente.

Do princípio ao fim (23)

Joana Nave, 15.10.16

"UMA VEZ, tinha eu seis anos, vi uma imagem magnífica num livro sobre a Floresta Virgem chamado "Histórias Vividas". Era uma jibóia a engolir uma fera. Copiei o desenho para vocês poderem ver como era."

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Logo no primeiro parágrafo somos impelidos a entrar no mundo da imaginação...

O meu exemplar deste livro é de 1987, a par das marcas do tempo, tem também as do manuseamento.

Foi-me oferecido pela minha Mãe, como todos os livros que li durante a minha infância e juventude.

Não me recordo do número de vezes que o reli, mas sei que foram muitas.

É um daqueles livros intemporais e que se recomenda em qualquer idade. É didáctico, interessante e mágico.

O Universo do Principezinho mostra-nos tesouros escondidos em cada um de nós. Sempre que o lemos descobrimos uma nova forma de entender o Eu e o Outro.

Blogue da semana

Joana Nave, 21.08.16

Ultimamente, tenho seguido mais blogues estrangeiros do que nacionais. Não é algo que caracterize como bom ou mau, pois há bons blogues em todas as línguas, ou pelo menos em português e inglês. A descoberta dos blogues é como a história das cerejas, escolho um e vem outro por arrasto, e por aí adiante. Ao fim de algum tempo, há uns que deixam de me interessar e outros, que de início nem me prenderam muito a atenção, mas que aqui e ali começam a despertar o meu interesse, ao ponto de os seguir semanalmente e por vezes até diariamente. É um desses blogues que tenho para vos sugerir: Jenny Mustard. Os Mustard são um tanto ou quanto excêntricos e têm um estilo de vida minimalista, que a meu ver se revela um pouco utópico, mas que me inspira a simplificar a minha vida. Espreitem e digam-me o que acham!

Blogue da semana

Joana Nave, 29.02.16

Não tenho tido muito tempo para leituras, nem para a escrita, mas tenho visto uns vídeos no youtube, naqueles 15 minutos a caminhar para as 8 da manhã em que, com olhos ensonados, como as minhas papas de aveia e tento abstrair-me do longo dia que tenho pela frente. Os vídeos não me obrigam a um grande esforço de concentração, vejo-os quase sem ter de ligar o cérebro, o que naquela hora matinal é fundamental para começar o dia com relativa tranquilidade. Claro que por trás dos vídeos estão blogues, blogues que me inspiram e que me distraem dos compromissos e obrigações, blogues que ganham prémios na sua área de especialização e que me enchem de orgulho por serem bons blogues, escritos em Português.

Assim, deixo-vos a minha sugestão para blogue da semana: Made by Choices.