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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 19.09.19

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Jorge Assunção: «Não encontro nenhum optimismo nesta subida dos "empregos verdes". A explicação é simples: eles crescem porque os governos desviam recursos de outras actividades económicas para os subsídios às energias renováveis. Perante isso, não é de estranhar a criação de empregos no sector. Os empresários, lendo os sinais que são dados pelos governantes, encontram nessa área uma oportunidade de negócio. O problema está que o sector não é rentável por si: sem subsídio, dá prejuízo.»

 

Luís M. Jorge: «- Giggio, vene qui. / - Si, Dom Giuseppe. / - Questo problema de Mora Guedi, stai tratati? / - Si, Dom Giuseppe. No é ancora um problema. / - Bene, bene. E anche... / - Si, Dom Giuseppe... / - ...Questo altro problema de Giuseppe Manueli Fernanddi. Come vai? / - Stai tratati, Dom Giuseppi. Anche essi Fernandi no é ancora um problema.»

 

Paulo Gorjão: «Os ministros polémicos de José Sócrates, entretanto, quase que desapareceram de circulação. Onde andam Mário "Jamé" Lino, Jaime Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, ou Alberto Costa? Estão de férias? A intenção não poderia ser mais óbvia: a última coisa que o PS quer nas televisões são as caras impopulares do Governo. Logo, nada como reservar-lhes um papel discreto. Watch and learn

 

Eu: «Aníbal Cavaco Silva vive o seu pior momento desde que chegou ao Palácio de Belém. O rocambolesco episódio das suspeitas sobre escutas, com o envolvimento directo do seu principal assessor como suposto intermediário oculto na génese de uma notícia de jornal, revela uma Presidência da República com falta de sentido de Estado - o que, lamentavelmente, contraria o essencial do percurso político de Cavaco e o contrato de transparência que firmou com os portugueses.»

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Canções do século XXI (899)

por Pedro Correia, em 19.09.19

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Contra a tentação da carne

por Pedro Correia, em 18.09.19

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Pensava eu que uma universidade era um espaço de liberdade. Afinal não: é um espaço de interdição. Mais de meio século após a proclamação de Maio, que proibia todas as proibições, eis que a reitoria coimbrã, confundindo a academia com uma creche, restabelece a velha ordem com novos rótulos, tratando estudantes adultos como membros de um rebanho pastoreado pelos tele-evangelistas de turno que anunciam pragas bíblicas a quem ceder à tentação da carne.

«Razões ambientais» estarão na origem da decisão de eliminar o consumo da carne de vaca nas 14 cantinas a cargo da academia coimbrã, que se ufana assim de ser a «primeira universidade portuguesa neutra em carbono». Eis ao que chegámos: à universidade "neutra", onde a unicidade impera e os mais recentes dogmas em matéria de pureza alimentar são aceites sem um assomo de rebelião juvenil. «Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada», anuncia com requintes de terror milenarista o douto reitor, Amílcar Falcão. Não podia ter retórica mais adequada nem apelido mais propício ao aplauso do partido animalista.

Os puritanos norte-americanos na década de 20 impuseram a Lei Seca. Agora os mastigadores de rúcula cá do burgo, com igual fúria proibicionista, pretendem impor com força legal os seus hábitos alimentares invocando - como os prosélitos de qualquer fé - o primado da moral pública, que se quer descontaminada e sã. Nada de novo debaixo do sol. Só me espanta o silêncio resignado - ia a escrever bovino - das associações de estudantes de Coimbra. Comem (algas e tofu) e calam. O que vai seguir-se? Substituição compulsiva da cerveja por água da bica? Imposição de cintos de castidade em material biodegradável? Recolher obrigatório para cumprir as horas de sono que as normas sanitárias recomendam?

Os basbaques erguem hossanas em louvor ao "progresso" contido nas novas tábuas da lei. Muitos totalitarismos começam assim: com caução "científica" e proselitismo higienista em nome de um ideal de pureza, sem um sopro de contraditório. Nunca é de mais recordar que o maior tirano que o mundo conheceu era vegetariano militante, muito amigo dos animais e quis impor o seu padrão alimentar ao mundo inteiro.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.09.19

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O Rapaz que Conquistou o Mundo, de Trent Dalton

Tradução de Fátima Tomás da Silva

Romance

(edição HarperCollins Ibérica, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 18.09.19

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Paulo Gorjão: «Mais um dia que passa e o PSD continua a discutir, por culpa própria, nomeadamente da líder, questões laterais. É a vida. José Sócrates agradece...»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A democracia portuguesa e as instituições não podem ficar reféns dos assessores de Belém ou de São Bento que se movimentam pela calada com a conivência, a protecção e, nalguns casos, admitamos, com o desconhecimento dos seus chefes.»

 

Eu: «O Presidente do Irão voltou a negar, de forma totalmente irresponsável, a existência do Holocausto. Falando perante milhares de apoiantes em Teerão, Ahmadinejad desceu hoje ao nível de qualquer cabeça rapada neonazi proclamando que o extermínio de judeus pelo regime hitleriano  "é uma mentira baseada numa história mítica e impossível de provar". Na próxima semana, este indivíduo irá discursar num dos palcos mais respeitáveis do planeta - a Assembleia Geral das Nações Unidas.»

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Fora da caixa (10)

por Pedro Correia, em 18.09.19

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«Tentámos tudo, mas foi impossível

Pedro Sánchez, presidente em exercício do Governo espanhol

 

Não conheço político mais afortunado que António Costa: as circunstâncias acabam sempre por favorecê-lo. Bafejado pelo ciclo de fortes estímulos introduzidos pelo Banco Central Europeu às economias periféricas durante esta legislatura, pela manutenção em baixa das taxas de juro e do preço do petróleo durante o mesmo período e pela nova estratégia global de Bruxelas, hoje muito mais compreensiva e benevolente para Portugal do que no quadriénio anterior. Aconchegado pelo abraço fraterno de um Presidente da República em quem não votou. Favorecido pela rendição dos partidos à sua esquerda, que da noite para a manhã puseram termo aos clamores contra o pacto de estabilidade e silenciaram os insistentes apelos à «renegociação da dívida», assinando de cruz quatro orçamentos do Estado. Robustecido enfim por uma crise sem precedentes neste século do maior partido à sua direita, onde até já se registou uma cisão.

Ainda há governantes assim, cada vez mais raros nesta era de turbulências: parecem sempre a coberto de ventos incómodos. Faltava a Costa a cerejinha em cima do bolo eleitoral, surgida nas últimas horas com a confirmação da ruptura entre o PSOE de Pedro Sánchez e o Podemos de Pablo Iglesias que levará os espanhóis novamente às urnas, a 10 de Novembro, para escolherem o próximo elenco do Congresso dos Deputados - as quartas eleições legislativas em quatro anos. Nem Sánchez nem o partido hermano do Bloco de Esquerda se entenderam nas negociações subsequentes às legislativas de 28 de Abril  para uma solução governativa estável e coesa. Porque o PS de lá é mais fraco do que o nosso e o BE deles tem maior expressão eleitoral do que o congénere luso. Consequência: Espanha permanece há cinco meses sem governo em plenas funções e com um parlamento que se limita a cumprir serviços mínimos.

Costa aponta a dedo para a bagunça no país vizinho e acena aos eleitores de cá com a palavra mágica: estabilidade. Até isto o ajuda a pedalar para a cobiçada meta da maioria absoluta.

Reafirmo: não conheço político com tanta sorte.

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Canções do século XXI (898)

por Pedro Correia, em 18.09.19

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Há vida para além da bola

por Pedro Correia, em 17.09.19

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Debate Costa-Rio foi ontem acompanhado por 2,7 milhões de telespectadores. Demonstração clara de que as pessoas se interessam por política. E só não acompanham mais porque os canais de televisão pouco mais têm para oferecer do que telenovelas e futebol. Aliás, à hora do debate, um dos putativos canais de "notícias" dava destaque... à bola.

 

Foram estes os outros debates com maior audiência:

Costa-Sousa (SIC) - 1,1 milhões de espectadores

Costa-Silva (SIC) - 1,065 milhões de espectadores

Costa-Cristas (TVI) - 935 mil espectadores

 

Costa lidera, portanto - não só nas sondagens, mas também nos debates.

O menos visto? Martins-Silva, na SIC Notícias, apenas com 68.100 espectadores.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.09.19

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Uma Solidão Demasiado Ruidosa, de Bohumil Hrabal

Tradução de Ludmila Dismanová

Romance

(edição Antígona, 2019)

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Fora da caixa (9)

por Pedro Correia, em 17.09.19

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«Estamos a viver num período de desaceleração geral de grande parte das economias europeias

António Costa, no debate com Rui Rio (ontem)

 

Rui Rio venceu esta noite o mais badalado debate da campanha eleitoral em curso. Teve a tarefa facilitada: em vez de lhe surgir um "animal feroz", para usar uma expressão popularizada por um antigo líder do PS, saiu-lhe um bonzo propenso à beatitude. António Costa, embalado por todas as sondagens, entrou em estúdio com ar de quem passara parte da tarde a dormir uma boa sesta. Faltava-lhe ânimo para uma refrega. E, sobretudo, faltava-lhe motivação: Rio anda há quase dois anos a dizer que o seu principal desígnio estratégico é tirar o Bloco de Esquerda da área da governação e rubricar grandes pactos de regime com o PS. Música para os ouvidos socialistas.

O presidente do PSD seguramente não se encostou ao travesseiro durante a tarde. Na mais recôndita parcela do seu instinto político deve ter soado enfim uma campainha de alarme: se desperdiçasse o tempo de antena proporcionado por este debate - transmitido em simultâneo por três canais de televisão - podia desde já fazer as malas, de regresso definitivo ao suave aconchego doméstico do seu Alto Minho.

Decidiu, portanto, ser combativo. E fez bem: assim o que resta da campanha promete tornar-se menos desinteressante. Naquele seu estilo peculiar de quem parece sempre um recém-chegado à política, apesar de não lhe ser conhecida outra actividade relevante nos últimos 35 anos, Rio falou de coisas concretas. Dos novos salários dos magistrados, em chocante disparidade com os dos professores. Da queda sem precedentes do investimento estatal, sujeito às cativações do ministro Centeno. Da enorme degradação dos serviços públicos. Da carga fiscal que não cessa de aumentar. Da actual execução orçamental na saúde, inferior à registada nos duros anos da tróica. Dos 330 mil portugueses que abandonaram o País nesta legislatura, num silencioso êxodo que noutros tempos daria notícias de abertura nos telejornais.

Bastou-lhe isto para sobrepor-se num debate ao qual chegou com expectativas pouco acima do zero, dadas as suas prestações anteriores e o seu insólito hábito de gastar energias a combater jornalistas e empresas de sondagens em vez de dar luta aos rivais políticos.

O bonzo, à sua frente, parecia surpreendido com o assomo de protagonismo de quem até aí só lhe merecera um aceno de condescendência, não isento de comiseração. A dado passo, terá até sentido um vago impulso de se sujeitar ao confronto verbal. Mas a inércia levou a melhor. Picou o ponto, debitou os chavões da praxe («devolvemos rendimentos», «temos contas certas», etc.), foi advertindo a massa ignara para a «desaceleração» que está prestes a chegar - quase como se falasse no diabo - e deu-se por satisfeito com a sofrível prestação. «Poucochinho», diria ele se estivéssemos em 2014. Falando não de si próprio, mas de outro.

Esta tarde - sou capaz de apostar - volta a dormir uma boa sesta outra vez.

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 17.09.19

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Ana Margarida Craveiro: «José Sócrates é, possivelmente, o político mais mal-educado que alguma vez tivemos o desprazer de aturar. A entrevista a Maria Flor Pedroso, na Antena 1, elucida bem a pessoa intratável, arrogante e sem qualquer respeito que nos governou nos últimos quatro anos e meio. Não responde a perguntas directas, rejeita qualquer crítica. Por volta do minuto 16, chega a imitar a voz da jornalista, como uma criancinha mal-educada.»

 

Ana Vidal: «É bom que a Europa tenha a inteligência necessária para resolver os problemas de integração dos seus imigrantes: a avaliar por este e por muitos outros estudos sobre demografia europeia, não há incentivos à natalidade que os substituam na importante tarefa de repovoar o velho continente, que cada vez mais merece esse nome. A Europa está em vias de transformar-se num gigantesco lar de idosos, a quem latino-americanos e africanos mudarão fraldas compradas em lojas de chineses.»

 

João Carvalho: «Ainda sem solução, o caso da "campanha negra" do PS, e já o PSD cresce na luta por uma escuridão simétrica: depois das sucessivas referências mórbidas da líder, Preto surge na onda com novo episódio bem obscuro. Cada vez vejo tudo mais negro. Ainda acabo por ir votar de gravata preta.»

 

Paulo Gorjão: «Manuela Ferreira Leite diz estar preparada para o surgimento de "mais histórias" até ao final da campanha eleitoral. Ou seja, com esta manobra de antecipação ficámos a saber que há questões que provavelmente estão a ser levantadas pelos jornalistas e que a líder do PSD espera que venham a aparecer antes do dia 27 de Setembro.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Quando há dias Ferreira Leite dizia que não queria espanhóis "metidos" na política portuguesa, esqueceu-se que os nossos vizinhos, mesmo contra a sua vontade, estão "metidos" na política europeia. Foi este facto, aliás, que conduziu aos compromissos que levaram à reeleição de Durão Barroso e, triste ironia, que permitiu a Manuela Ferreira Leite trazer para a campanha interna a lembrança sobre a filiação partidária do reeleito presidente da Comissão.»

 

Eu: «[Um dos dez erros de José Sócrates foi] o incumprimento de algumas das mais emblemáticas promessas eleitorais de 2005 - relativamente aos impostos, ao crescimento económico, ao referendo europeu e à criação de empregos, nomeadamente.»

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Canções do século XXI (897)

por Pedro Correia, em 17.09.19

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Lavourada da semana

por Pedro Correia, em 16.09.19

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Claramente, a depressão é um problema que a[c]tualmente aflige muito a direita política, como se constata com o aumento do número, da parte de autores dessa tendência política, de posts sem sentido, irracionalistas, ou sobre temas perfeitamente estúpidos.»

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.09.19

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As Batalhas do Caia, de Mário Cláudio

Romance

(reedição D. Quixote, 2.ª ed, 2019)

"O autor escreve com a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 16.09.19

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Ana Vidal: «Estive hoje numa reunião curiosa: seis mulheres (de diversas idades) em volta de uma mesa, a discutir assuntos relativos a uma grande empresa do país. Metade delas pertencia à cúpula executiva dessa empresa. Homens? Só um, e por breves momentos: entrou silenciosamente, serviu cafés e águas e saiu da mesma forma discreta.»

 

João Carvalho: «Berço dos Beatles, Liverpool é uma cidade portuária que conservou através dos tempos uma imagem triste: húmida, sem vida nocturna, sem atracções, desinteressante e com um fraco comércio.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Irrita-me que me queriam enganar e acho incrível que depois daquilo que foi feito por Manuela Ferreira Leite como ministra das Finanças, que só não vendeu a Ponte 25 de Abril no e-Bay porque não pôde, e no actual contexto de crise europeia e mundial, ainda haja quem acredite que aquela alminha que ontem passou pelo Gato Fedorento seria capaz de fazer melhor no momento que atravessamos.»

 

Eu: «Por mais treinado que esteja o nosso olhar, podemos sempre equivocar-nos em relação às cidades, como em relação às pessoas. Mais do que uma questão de perspicácia, é uma questão de perspectiva. E de oportunidade.»

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Canções do século XXI (896)

por Pedro Correia, em 16.09.19

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 15.09.19

Se há blogue de estimação, cá na da casa, é este. Desde os primeiros dias do DELITO. Falo por mim: aprecio a escrita da Joana - em particular os relatos das suas viagens, muito para lá da vulgata turística, e as suas evocações da geração de 60 e de pessoas que ela bem conheceu naqueles tempos que traziam a marca inequívoca do pioneirismo. Na política, na religião, na cultura, nos costumes. Na própria linguagem.

Entre as Brumas da Memória merece ser distinguido como nosso blogue da semana. Vai ficar aqui durante sete dias a acompanhar-nos ainda mais.

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Fora da caixa (8)

por Pedro Correia, em 15.09.19

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«António Costa teve sempre um papel de procura da solução e não do problema.»

Jerónimo de Sousa, em entrevista à Lusa (24 de Agosto)

 

Com a mesma cadência a que regressam as andorinhas em cada Primavera, quando surge uma campanha eleitoral logo se erguem vozes a questionar a "ideologia" de alguns partidos.

Tudo normal. Estranho apenas nunca ouvir tais vozes começarem por suscitar dúvidas sobe a "ideologia" do Partido Comunista.

Se obedecesse ao ideário marxista-leninista, aplicado em vários países com os brilhantes resultados que sabemos, o PCP seria um partido de raiz revolucionária, adversário consequente da "democracia burguesa" e dos "interesses de classe" a ela associados. Mas tornou-se afinal um partido reformista, companheiro de estrada da social-democracia que noutros tempos costumava diabolizar com a sua inflamada retórica.

Nestes quatro anos, o partido da foice e do martelo viabilizou as "políticas de direita do governo PS" plasmadas em quatro orçamentos do Estado sujeitos à disciplina orçamental ditada por Bruxelas e ao menor investimento público de sempre na democracia portuguesa. Orçamentos que o PCP aprovou sem pestanejar: nunca mais lhe ouvimos um sussurro contra o malfadado "pacto de agressão" nem a firme exigência de "renegociação da dívida".

Insolitamente, ninguém questiona os dirigentes comunistas sobre os defuntos princípios sepultados numa esconsa gaveta dum obscuro gabinete na Rua Soeiro Pereira Gomes. Sinal dos tempos: hoje, no PCP, só a "paciência" é revolucionária.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.09.19

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Fernão de Magalhães e a Ave-do-Paraíso, de João Morgado

Consultoria histórica e prefácio de José Manuel Garcia

Romance histórico

(edição A Esfera dos Livros, 2019)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 15.09.19

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João Carvalho: «No regresso do Prós e Contras, os líderes dos mini-partidos procuraram desesperadamente encontrar os seus espaços. Não foi fácil: de cada vez que um tentava expor a sua visão – e com raras excepções – era quase certo que declarava estar "de acordo com o que disse o dr. Garcia Pereira" (Manuel Monteiro incluído). Pode assim concluir-se que, desta vez, quem ficou sem espaço para declarar o vencedor foram os analistas de serviço, pois o vencedor foi escolhido voluntariamente pelos adversários e com o programa ainda no ar: Garcia Pereira, por evidência e exclusão de partes.»

 

Paulo Gorjão: «A propósito do TGV, o PSD acusa José Sócrates de não defender o interesse nacional exactamente no quê? Na elaboração do traçado, se bem percebo, não é. É no cronograma de execução? Mas como, exactamente, é que Sócrates não defende(u) o interesse nacional? É outra coisa? O quê, muito concretamente?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A Lusa divulgou esta tarde uma notícia segundo a qual a líder do PSD andou em campanha pelo cidade e distrito de Santarém, acompanhada pelo cabeça-de-lista às legislativas, Pacheco Pereira. Enquanto isso, referiu a Lusa, o candidato do PSD à Câmara Municipal, Moita Flores, anda pela Suíça a visitar "fornos crematórios". Para lá do mau gosto desta visita, Moita Flores, que já disse em Agosto admitir votar PS nas legislativas, com a sua atitude volta a mostrar que prefere ir respirar outros ares, no caso alpinos, à companhia da dr.ª Manuela Ferreira Leite e de Pacheco Pereira.»

 

Eu: «O MRPP quer a "renegociação de todos os tratados e acordos" que vinculam Portugal à União Europeia. Carmelinda Pereira, do POUS, diz praticamente o mesmo de forma mais sintética: "Ruptura com esta UE!" José Pinto Coelho, do PNR, proclama: "A UE escraviza Portugal!" Ficando assim demonstrado que as diferenças entre a extrema-esquerda e a extrema-direita são mais ténues do que muitos imaginam.»

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