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Estátuas dos nossos reis (210)

por Pedro Correia, em 24.03.19

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D. Pedro V (1853-1861)

 

Autor: Victor Bastos

Ano da inauguração: 1870

Localização: Castelo de Vide, na Praça D. Pedro V

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.03.19

«Exclusão e rebaixamento do outro. Rebaixamento este tanto maior quanto maior for a veneração de um Passado, na maioria das vezes mítico, na maioria das vezes construido à custa do Outro. Aliás a união nacionalista sacrifica o futuro, raiz de toda a decrepitude, no altar do Passado, simbolo da imaculada virtude - venera-se um passado mítico e nunca verdadeiro. Daí o nacionalismo ser o regime da emoção irracional, da adoração fanática de símbolos, de mitos, de figuras irreais - o orgulho nacional provém mais de um Ser imaginado, morto, do que um Real, presente e vivo. O Nacionalismo nasce do Romantismo e como este tem sempre na Morte, no Sacrifício, no Martírio o seu leitmotiv.

Tem sido esse o grande problema português, pois verdadeiramente somos vincadamente nacionalistas pois grande e longo é o nosso Passado, a nossa história, em grande parte mítica, criada por romancistas e não historiadores. Habita ainda no nosso inconsciente colectivo o Portugal Imperial, que amargamente nos serve de comparação ao canto ibérico que somos. E daí advém o nosso insidioso mal-estar. Não sermos capazes de esquecer. Não sermos capazes de andar para a frente sem olhar para trás. Daí o tropeço.»

 

Do nosso leitor Pedro Vorph. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.03.19

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Homens de Pó, de António Tavares

Romance

(edição Dom Quixote, 2019)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Canções do século XXI (720)

por Pedro Correia, em 24.03.19

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Leituras

por Pedro Correia, em 23.03.19

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«É assim que sabemos que amamos outra pessoa, acho eu, quando não conseguimos ter uma experiência sem desejar que a outra pessoa estivesse ali ao pé de nós, a vivê-la também.»

Kaui Hart Hemmings, Os Descendentesp. 183

Ed. Presença, Lisboa, 2012. Tradução de Maria do Carmo Figueira

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Estátuas dos nossos reis (209)

por Pedro Correia, em 23.03.19

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D. Pedro V (1853-1861)

 

Autor: Anatole Calmels

Ano da inauguração: 1867

Localização: Lisboa, na Sala do Despacho do Palácio da Ajuda

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Complicar o que é simples

por Pedro Correia, em 23.03.19

Temos a mania de complicar o que é simples. O que logo se detecta na linguagem comum. Reparo tantas vezes na expressão "bom dia para si", hoje de uso corrente, como se um claro e belo "bom dia" não bastasse como saudação. Ou na quantidade de vezes que alguém, em diálogo connosco ou perorando na pantalha, inicia uma frase com esta inútil bengala retórica, insuflada de pleonasmos bem à lusitana: "Na minha opinião pessoal..."

Sempre tive a sensação de que o desdobramento das frases em inúteis partículas vocais é inversamente proporcional àquilo que se sente. O que vale para a expressão oral funciona também para a escrita. Quando dava formação a estagiários no jornalismo, recomendava-lhes esta regra: nunca usem palavras com mais de dez caracteres em títulos. Há que simplificar o que parece complicado. No nosso idioma, o essencial fica quase sempre dito em vocábulos de escassas letras: luz, lua, dom, mar, mágoa, ler, cor, água, som, ar, dor, dar, ver, rio, calor, frio, flor, sol, amor. 

Tanto se fala em mudar, reformar, transformar: comecemos por alterar o modo como falamos. Toda a verborreia é dispensável. Libertemo-nos dela, como um acto higiénico. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.03.19

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O Instinto Supremo, de Ferreira de Castro

Romance

(reedição Cavalo de Ferro, 8.ª ed, 2019)

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Canções do século XXI (719)

por Pedro Correia, em 23.03.19

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Estátuas dos nossos reis (208)

por Pedro Correia, em 22.03.19

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D. Pedro V (1853-1861)

 

Autor: José Joaquim Teixeira Lopes

Ano da inauguração: 1866

Localização: Porto, na Praça da Batalha

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Estrelas de cinema (28)

por Pedro Correia, em 22.03.19

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PRISIONEIRO DA FAMA

**

Certos realizadores alcançam merecida celebridade com um só filme e ficam a partir daí reféns desse êxito, tornando-se incapazes de conseguir uma obra ao nível da inicial. É o que parece estar a acontecer com o alemão Florian Henckel von Donnersmarck, autor de uma das melhores longas-metragens deste século, o incomparável A Vida dos Outros, centrado na sinistra omnipresença da polícia política no quotidiano totalitário da antiga República "Democrática" Alemã.

Depois daquele filme que lhe rendeu o Óscar de 2006 para melhor película não falada em inglês, Von Donnersmarck esteve quatro anos sem trabalhar, rompendo o silêncio com uma indigente fita de pseudo-acção intitulada O Turista, que se resumia a uma colecção de trepidantes bilhetes-postais com Angelina Jolie em pose permanente para capa de revista. Seguiu-se um intervalo ainda maior: regressa agora, oito anos depois, com um thriller psicológico que nos faz regressar novamente a tempos sinistros - iniciados em 1937, no apogeu do nazismo, em Dresden, arrasada pela aviação aliada em 1945; depois entre as ruínas desta cidade que lentamente se ergueu das cinzas, sob o domínio soviético. Tanto os esbirros de Hitler como os de Estaline condenavam a "arte degenerada" que seduzia Kurt Barnert, jovem candidato a pintor. Em 1961, poucas semanas antes de ter sido levantado o Muro de Berlim, Kurt consegue enfim fugir para a Alemanha Ocidental e estudar fora dos cânones do “realismo socialista”, na libérrima academia de Düsseldorf.

Filme bem-sucedido? Não: um filme falhado. Prisioneiro da fama, o realizador comporta-se como um daqueles cozinheiros com falta de noção das proporções, que acabam de meter demasiados ingredientes na panela, pecando por excesso e condenando os comensais à obesidade. Nestas três horas de exibição caberiam três filmes: o primeiro, e mais interessante, desenrolado na Alemanha hitleriana, centrado na relação entre o pequeno Kurt e a sua tia antinazi (papel desempenhado pela deslumbrante Saskia Rosendahl); o segundo, com interesse mediano, em que o vemos atingir a maioridade nos anos de chumbo da ocupação soviética, tendo por sogro um sinistro médico do III Reich convertido ao comunismo; o terceiro, manifestamente falhado, já em solo livre, entre 1961 e 1966.

Desta amálgama resulta uma evidência: Von Donnersmarck foi incapaz de de editar o seu próprio filme, eliminando as cenas redundantes e desnecessárias. Sentiu talvez que teria entre mãos algo equivalente a um épico - e a verdade é que alcançou nomeações para o Globo de Ouro e o Óscar de Hollywood em língua não-inglesa. Mas Nunca Deixes de Olhar está muito longe de ser um novo Doutor Jivago - e não é David Lean quem quer.

Uma referência ainda ao medíocre título português, inspirado no da versão norte-americana ("Never Look Away"). Nada a ver com "Werk ohne Autor", título de origem, que deveria ter sido traduzido por "Obra Sem Autor".

 

 

Nunca Deixes de Olhar. Título original: Werk ohne Autor. Produção alemã (2018). De Florian Henckel von Donnersmarck. Com Tom Schilling, Sebastian Koch, Paula Beer, Saskia Rosendahl, Oliver Masucci, Cai Cohrs, Ina Weisse.

Duração: 189 minutos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.03.19

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As Três Mortes de um Homem Banal, de Nuno Amaral Jorge

Romance

(edição Planeta, 2019)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 22.03.19

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Saskia Rosendahl

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Canções do século XXI (718)

por Pedro Correia, em 22.03.19

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Frases de 2019 (8)

por Pedro Correia, em 21.03.19

 

«Sou uma criança que diz que outras pessoas me estão a roubar o futuro.»

Greta Thunberg, activista ambiental sueca de 16 anos, protagonista de um movimento internacional contra a inacção dos Estados face às alterações climáticas

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Estátuas dos nossos reis (207)

por Pedro Correia, em 21.03.19

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D. Pedro V (1853-1861)

 

Autor: desconhecido

Ano da inauguração: 1861

Localização: Lisboa, no Palácio de São Bento

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O Papa que quis ser maestro

por Pedro Correia, em 21.03.19

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Quando era pequenino, Jorge Mario Bergoglio – primeiro Papa oriundo do continente americano – queria ser maestro. Sentia-se vocacionado para conduzir orquestras que acompanhassem óperas italianas – as mesmas que escutava religiosamente todos os sábados, na companhia da mãe, filha de um modesto carpinteiro, na rádio nacional argentina. A avó materna, ouvindo-o exprimir tal vocação, disse-lhe: «Mas para isso é preciso estudar. E para estudar é preciso esforço, não é fácil…»

Foi uma das lições que a vida transmitiu ao futuro chefe da Igreja Católica: nada de relevante se consegue sem trabalho árduo e persistente. «Graças a Deus tive os meus quatro avós até tarde», recorda hoje o Papa. Os pais, oriundos de uma região pobre de Itália, viram-se forçados a rumar à Argentina na década de 20: o primeiro idioma que este filho de emigrantes aprendeu em casa foi o dialecto piemontês. Uma das suas recordações mais antigas remonta a Agosto de 1945, quando tinha oito anos, no quintal lá de casa: chegou uma vizinha alvoroçada e comunicou à família que a guerra terminara.

Ordenado sacerdote aos 33 anos, Bergoglio teve ocasião de testemunhar outros períodos em que Deus parece ter-se divorciado do destino humano. Durante a brutal ditadura argentina, por exemplo, foram assassinadas pessoas de quem estava próximo. Incluindo uma amiga comunista do Paraguai que costumava emprestar-lhe livros e a quem agora agradece por tê-lo «ensinado a pensar»: prisioneira política alvo de torturas, acabaria morta em 1977 por um método muito associado a esse regime: meteram-na num avião e lançaram-na ao mar.

 

Diálogo com agnóstico

 

São revelações contidas no livro Um Futuro de Fé, nascido de um conjunto de doze conversas travadas entre Fevereiro de 2016 e Fevereiro de 2017, no Vaticano, entre o Sumo Pontífice e o sociólogo francês Dominique Wolton, especialista em comunicação e autor de obras similares com o filósofo Raymond Aron (1981), o arcebispo de Paris Jean-Marie Lustiger (1987) e o presidente da Comissão Europeia Jacques Delors (1994).

«O homem é, fundamentalmente, um ser comunicante», disse o Papa ao assumido agnóstico que durante um ano foi seu interlocutor na modesta Casa de Santa Marta que lhe serve de residência após ter recusado viver no sumptuoso Palácio Apostólico onde se alojavam os anteriores pontífices.

Com três diplomas universitários (licenciaturas em Engenharia Química e Filosofia, doutoramento em Teologia), Bergoglio tornou-se o Papa Francisco em 13 de Março de 2013. À conversa com Wolton – exprimindo-se «num francês melhor do que faria crer», segundo o sociólogo – lembra esses dias que lhe mudaram a vida para sempre. Chegou a Roma vindo de Buenos Aires, onde era arcebispo, «com uma pequena mala e um bilhete de regresso.» Nem lhe passava pela cabeça, confessa, sentar-se no trono de São Pedro: «Havia três ou quatro “grandes” nomes… Para os corretores de apostas em Londres, eu era o 42.º ou 46.º»

Nesse fim de tarde, foi apresentado ao mundo como novo líder espiritual de mais de mil milhões de católicos. «Boa noite» foi a primeira mensagem que dirigiu à multidão concentrada a seus pés. Porquê? «Não sabia que outra coisa dizer naquele momento.»

 

Chaplin e Dostoievski

 

Outras frases marcantes acompanham o pontificado deste bispo de Roma que se manifesta contra os fundamentalismos, exprime sérias reservas à globalização que «destrói a diversidade» e admite ter uma aversão inata à hipocrisia. Algumas das mais significativas surgem neste livro-entrevista dividido em oito capítulos e que talvez deva ser lido a partir do último – o mais confessional, em termos humanos. Eis três delas: «Cuidado com o analfabetismo afectivo»; «Não confundamos a felicidade com um sofá»; «É preciso construir pontes e derrubar muros.»

Um Futuro de Fé revela-nos um Papa que na Argentina natal sentiu necessidade de fazer psicanálise. Que fala de Platão, Hegel e Dostoievski. Que menciona filmes como Tempos Modernos e A Festa de Babette. Que se comove ao ver o quadro A Conversão de São Francisco, de Caravaggio. Que aponta a vantagem suprema da religião: «Lembra-nos que é necessário elevar o espírito para o Alto a fim de construir a cidade dos homens.» E que partilha o que sentiu ao visitar o antigo campo de extermínio de Auschwitz: «Vi como era o homem sem Deus.»

 

............................................................... 
 
Um Futuro de Fé, do Papa Francisco, em diálogos com Dominique Wolton (Planeta, 2019). Tradução de Maria Leitão. 342 páginas.
Classificação: *****
 
 
Publicado originalmente no jornal Dia 15

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.03.19

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Declarações de Guerra, de Vasco Luís Curado

Recolha de depoimentos de militares que participaram nas três frentes de guerra em África (1961-1974)

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Canções do século XXI (717)

por Pedro Correia, em 21.03.19

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Estátuas dos nossos reis (206)

por Pedro Correia, em 20.03.19

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D. Fernando II (1836-1853)

 

Autor: Pedro Anjos Teixeira

Ano da inauguração: 1985

Localização: São Pedro de Sintra, na rotunda do Ramalhão

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O nosso livro






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