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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 17.01.21

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Ana Vidal: «Se isto não é o povo, onde é que está o povo?»

 

Bandeira: «Para o homem deitado, toda a porta é um alçapão.»

 

Carlos Faria: «O estilo de governação de [Carlos] César nasceu logo na campanha eleitoral que o levou à sua primeira vitória: num comício pediu um sinal a Guterres para baixar o preço na ligação Lisboa-Açores, o que foi dado. Daí em diante, com a República quase sempre nas mãos do PS e numa época de gastos fáceis, a política nos Açores teve por norma uma fonte de financiamento assegurada em Lisboa e a omnipresença do poder regional criou uma teia onde o emprego, a vida social e empresarial ficou nas mãos do presidente do Governo e do seu partido.»

 

Luís M. Jorge: «Numa cerimónia discreta, as cinzas do malogrado Carlos Castro foram ontem derramadas para o respiradouro de uma estação de metropolitano da Brodway, perto de Times Square. Lá em baixo, na plataforma da rua 42, Martin Ribashkin sacudiu algumas partículas de caspa do sobretudo de caxemira. O jovem Abdul Qasim Malik tragou um shish kebab com inesperado sabor terroso. Lamar Williams teve outra crise de asma e perdeu o transporte para Coney Island. Duas estudantes japonesas fotografaram os passageiros recortados pela atmosfera turva, porosa, quase espectral. A mais nova estagiária da High Life, periódico de mexericos e vernissages, espirrou três vezes e sentiu uma súbita inspiração.»

 

Rui Rocha: «Os Estados Unidos da América estavam profundamente divididos na sequência do ataque de que foram vítimas, em Tucson, a Congressista Democrática Giffords (ferida) e 19 outras pessoas (6 mortos). A discussão nacional estava extremada e, tendo começado em torno das razões que estão por trás deste tipo de violência, tinha-se já estendido a temas como a segurança individual e colectiva, as leis sobre porte de arma ou a reforma do sistema público de saúde. Com evidente aproveitamento político por parte de conservadores e liberais. Neste cenário, levantou-se a voz de Barack Obama, num discurso de elogio fúnebre às vítimas que serviu também para unir a nação em torno de valores essenciais.»

 

Eu: «Há cinco anos, todos os cenários jornalísticos estavam montados para uma bipolarização nas eleições presidenciais. Para muitos comentadores e vários jornalistas que tomavam decisões editoriais, apenas dois candidatos contavam: Cavaco Silva e Mário Soares. Esta é a lógica do sistema: raciocinar em dicotomia simples. Ou simplista. Um cenário que envolva mais que duas opções faz confusão a muita gente. (...) Nem o melhor jornalismo escapa a esta lógica maniqueísta. Só isto explica que o Expresso tenha publicado uma edição de 40 páginas a uma semana das presidenciais sem mencionar numa só linha o candidato Fernando Nobre, subitamente riscado da corrida a Belém em nome de critérios “jornalísticos” semelhantes aos que levaram os apaniguados de Estaline a apagar as imagens de Trotsky das fotos da Revolução de Outubro.»

Canções do século XXI (1385)

por Pedro Correia, em 17.01.21

Frases de 2021 (3)

por Pedro Correia, em 16.01.21

 

«Tornámo-nos no país que importa ventiladores e exporta enfermeiros.»

Ana Rita Cavaco, em declarações ao jornal i (12 de Janeiro)

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Vale a pena ler (7)

por Pedro Correia, em 16.01.21

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«A essência de escrever não é ser descoberta. A essência de escrever é descobrir a minha verdadeira voz interior. A essência de escrever é descobrir o mais profundo do meu ser em cada letra, em cada palavra.»

Cátia Santos, Escrita de Alma

 

«Filipa Leal tão depressa nos mostra aquilo que sente no momento, numa antecipação em relação ao futuro, como nos leva até à infância e às memórias das férias passadas em Vigo – as idas ao El Corte Inglés e tudo o que lá comprava em pequena. A leitura deste livro [Fósforos e Metal Sobre Imitação de Ser Humano] foi uma experiência muito intimista, quase como se estivesse a conversar com alguém que conheço bem..»

Rita da Nova, Rita da Nova

 

«Que frio que está. Dou por mim a cruzá-los e a soprá-los como o meu pai fazia nos dias de Inverno em que se lembrava de Moçambique, esta terra é um gelo, dizia ele e a minha mãe troçava dele, isto é Lisboa, sabes lá tu o que é frio, homem. Facilmente nos tornamos na ausência dos nossos pais. Mas o meu pai, ao contrário de mim, tinha uma caligrafia elegante, dava um balanço teatral com a mão antes de começar a escrever e concedia uma rara paciência à lentidão da sua própria mão, sabes lá tu o que é frio, homem e as pontas de dos dedos também a gelarem-se-me agora, por cima do teclado, essa bênção sem rasuras dos impacientes que escrevem, esta terra é um gelo, Lá, agora, seria Verão.»

Cristina Nobre Soares, Em Linha Recta

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«Governo preparado para manter restrições até à Primavera»

Nos próximos dois meses vão morrer tantas pessoas como nos últimos dez.

 

«Lisboa no limite, Centro e Alentejo mal e Norte a piorar»

Situação de pré-rotura de muitas unidades do Serviço Nacional de Saúde está a agravar-se devido à pandemia.

 

«Hospital de campanha fechado há meses por falta de médicos»

Unidade de contingência, com 58 camas, está no estádio Universitário desde Junho e nunca foi utilizada.

 

«DGS selecciona cancros que não podem ficar por operar»

Documento define prioridades entre doentes com intervenções inadiáveis face ao fecho de blocos operatórios.

 

«Portugal é o quarto país da Europa com as casas mais frias»

Nesta lista, só Bulgária, Lituânia e Chipre estão pior que nós.

 

«Aquecer a casa na vaga de frio: são 36 cêntimos por hora»

Consumo global de electricidade cresce 10% este mês, mas subida do consumo doméstico pode ser ainda maior.

 

«Imigração cai 9% em ano de pandemia»

Em 2019, estrangeiros haviam contribuído para 12% dos nascimentos em Portugal, atingindo um peso inédito na natalidade.

 

«Investimento público foi a grande vítima do défice zero»

Milhões de euros gastos pelo Estado não chegam sequer para compensar o desgaste das infra-estruturas.

 

«PIB pode cair até 7% este trimestre»

Caso as estimativas se confirmem, a economia portuguesa terá encolhido 8,2% no ano passado.

 

«Marcelo volta à rua sob tutela da DGS»

Presidente da República já fez mais de 80 testes à Covid-19.

 

«Assembleia da República reduz trabalhos»

Parlamento volta a realizar apenas dois plenários por semana, mantendo a redução do número de deputados por sessão.

 

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 16.01.21

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Ana Vidal: «Acabo de ver na televisão Sócrates anunciar, no Qatar: "Viemos para ficar". Finalmente, uma boa notícia!»

 

Fernando Sousa: «Um Presidente dito de todos os portugueses e com ambições a continuar no cargo devia perguntar ao Governo, já hoje, o que aconteceu no Centro de Acolhimento de Xabregas, questão que deveria interessar igualmente qualquer dos concorrentes às eleições do dia 23. Um Governo dito socialista e partidário da inclusão social não devia esperar sequer que alguém lhe perguntasse para explicar o que se passou. Uma Justiça à altura das suas obrigações não deveria esperar nem por um nem por outro.»

 

Luís M. Jorge: «O PS nada lucra em denunciar as ligações de Cavaco Silva ao BPN. A rapaziada de Sócrates compreende os riscos de uma escalada entre gangs rivais. Para cada Oliveira e Costa existem dois Varas, para cada Loureiro há três Coelhos, para cada filho do Presidente um enteado do Primeiro-Ministro. O BPN é um assunto desta campanha porque isso interessa ao Bloco de Esquerda.»

 

Rui Rocha: «Defensor de Moura é um candidato presidencial a que sobram causas, lutas e bandeiras. Tantas são que não ouso sequer enumerá-las. Isso tornaria este post demasiado longo. Por outro lado, correria o risco de esquecer alguma. Sendo todas tão fundamentais, tal constituiria uma tremenda injustiça. Agora, não posso passar em claro que existe uma causa que Defensor invoca mas, na prática, não defende. Refiro-me à protecção dos animais. A pulga (que também deve ser protegida apesar de ser irritante) já me tinha ficado atrás da orelha aquando do vergonhoso despedimento da Águia Vitória. Não ouvi de Defensor uma palavra, numa situação em que se impunha que jogasse ao ataque. Acaso o candidato questionou os fundamentos da decisão? Inteirou-se sobre a existência de justa causa? Nada. Não mexeu um grão de alpista.»

 

Eu: «Pode uma organização virtual, acerca da qual pouco ou nada se sabe, constituir uma ameaça para a segurança dos estados contemporâneos, dinamitando o segredo das malas diplomáticas em nome da necessidade de tornar tudo "transparente"? A resposta é afirmativa. E resume-se numa palavra que percorreu 2010: WikiLeaks. Se a política é a arte do possível, a diplomacia internacional perante a ameaça permanente da quebra do sigilo tornou-se uma tarefa quase impossível. Algo sem dúvida preocupante. Porque a alternativa à diplomacia costuma ser a guerra.»

Canções do século XXI (1384)

por Pedro Correia, em 16.01.21

Presidenciais (7)

por Pedro Correia, em 15.01.21

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Terça à noite, na RTP, houve um espectáculo dentro do espectáculo: seis candidatos presidenciais, reunidos no Pátio da Galé, debateram com um sétimo candidato, que ali só compareceu por via digital. Privilégio de rei-soberano, que não se digna descer ao povoado. Mesmo que o "povoado", como era o caso, se situe no Terreiro do Paço.

Os primeiros falaram sem máscara. O que se manteve à distância fez questão de aparecer com ela. Apesar de se encontrar em casa. «Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?», interrogava-se há nove meses Ferro Rodrigues, segunda figura do Estado português. Sem imaginar que, nove meses depois, a primeira figura nem a dispensaria no aconchego das paredes domésticas.

O "presidente dos afectos", que distribuía abracinhos e beijinhos, deu agora lugar ao "presidente dos infectos", que se resguarda de si próprio na solidão do lar. Quem diria que se trata do mesmo intrépido aventureiro que noutro século se atreveu a mergulhar na poluição do Tejo?

Belles toujours

por Pedro Correia, em 15.01.21

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Gene Tierney

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 15.01.21

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Fernando Sousa: «Entre a Chamusca e a Vala do Carregado, já só sobra um punhado de palafitas, como a Palhota, guardada à vista por Humberto Vasconcelos, que sem nada a ver com a história trocou, há anos, o jornalismo por outra luta insana, a de restaurar, com a Isabel, casas e barcos, a própria memória, sem a qual o futuro chegará um dia sem sentido. "Estou aqui construindo o novo dia com uma expressão tão branda e descuidada que dir-se-ia não estar fazendo nada. E, contudo, estou aqui construindo o novo dia!" (António Gedeão). Um abraço de admiração para o último dos avieiros.»

 

João Carvalho: «SIC-Notícias, bloco noticioso das 10 horas. No alinhamento, não tarda a surgir pela enésima vez a informação lançada ontem e prosseguida noite fora: «Renato Seabra continua detido.» Continua, não é? E qual é a notícia? Não há pachorra. Este jornalismo é que continua a fazer-se. Este jornalismo é que deve ser noticiado. Mas não devia ser assim. Tão-pouco a RTP devia andar a afinar pelo mesmo diapasão. O que também devia ser notícia. Grave.»

 

Laura Ramos: «Mais do que a crise económica, acredito que a ignorância complexada é o pior inimigo da Europa XXI.»

 

Rui Rocha: «A situação tunisina demonstra a possibilidade de revoluções democráticas no mundo árabe, com origem exclusiva na revolta contra a corrupção e a injustiça social e  em que o fundamentalismo religioso não assume qualquer papel activo.»

 

Teresa Ribeiro: «É tão frágil, tão vulnerável e tão doce que apetece proteger. Tão frágil, tão vulnerável e doce que se torna irresistível. Tão doce e frágil e vulnerável que não pode viver sem mim. Tão doce, tão doce. Tão vulnerável. E frágil. Que não pode viver sem mim, que neura. Que aperto. Tão vulnerável mas tão vulnerável que não se aguenta. Tão vulnerável e tão doce. Bye bye, que pena.»

 

Eu: «Menos um tirano no activo: a revolta popular que estalou há duas semanas na Tunísia acaba de derrubar o general Ben Ali, que ocupava o palácio presidencial em Tunes desde 1987 e se especializou em organizar eleições fraudulentas em que obtinha sistematicamente 99% dos votos. O seu consulado despótico pertence já ao passado: agora rumo ao exílio, o general não encontra país disposto a dar-lhe guarida - a começar pela dúplice França, que tanto o auxiliou a prolongar-se no poder. Ben Ali, convém recordar, foi um dos ditadores a quem o Governo português estendeu a passadeira vermelha em Dezembro de 2007, por ocasião da  lamentável cimeira UE-África.»

Canções do século XXI (1383)

por Pedro Correia, em 15.01.21

Simbolismo

por Pedro Correia, em 14.01.21

Ministra do Trabalho surge infectada horas antes de novo apagão que condenará mais largos milhares de pessoas ao desemprego. Curioso simbolismo.

Presidenciais (6)

por Pedro Correia, em 14.01.21

  

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Lembro-me bem da emoção e do sentido de responsabilidade que senti ao votar pela primeira vez, aos 18 anos. O cuidado que tive ao analisar programas eleitorais e propostas dos candidatos - a "politizar-me", como então se dizia. Lembro-me bem da sensação de que, do ponto de vista da participação cívica, acabara de transpor uma etapa fundamental, atingindo a idade adulta.

Falo hoje com jovens de 18 anos e não encontro nada disso. Não sabem nada de política, não querem saber, não tencionam votar nem conhecem nenhum amigo que pense fazê-lo. Chegámos a isto, em quatro décadas de regime democrático.

Gostava de ver debatido nesta campanha o tema - cada vez mais preocupante, cada vez mais urgente - do progressivo divórcio entre os jovens e a democracia participativa. Nenhuma instituição sobrevive sem rituais - e nenhum deles é tão relevante como o voto. Acontece que os jovens portugueses - à semelhança do que vem sucedendo na generalidade dos países europeus - não votam, em larga percentagem, sem que isso pareça causar a mínima preocupação aos candidatos nem aos comentadores enredados no politiquês dos serões televisivos. Os políticos falam para serem escutados pelos comentadores e estes falam para serem escutados pelos políticos, num circuito fechado que apenas contribui para pôr os eleitores ainda mais à distância.

Pressinto que estas serão umas presidenciais marcadas pela maior taxa de abstenção de sempre, com destaque para a abstenção dos eleitores com menos de 30 anos.

Há sete candidatos, com uma média de idades de 50,5 anos (o mais velho tem 72 anos, o mais novo festeja amanhã o 38.º aniversário). Até agora, não ouvi uma palavra de qualquer deles sobre a deserção dos jovens. Apesar de poucos temas terem a gravidade que este tem.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 14.01.21

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João Carvalho: «Não sei se transmitiram alguma mensagem de solidariedade nem em que frequências teria sido enviada, seja lá o que isso for. Não creio que o visado já esteja acusado, a não ser por alguma comunicação social. Não imagino o que é que uma maçã possa ter que ver com o caso, mas sugiro vivamente que seja suspensa a produção do vinho de Cantanhede e Bairrada por uns tempos e passe a ser distribuído sumo de maçã àquela gente. Certos jornalistas incluídos.»

 

Leonor Barros: «Nos últimos tempos aquele que está acima de todos deixou de ser Presidente para ser candidato e terá sido nessa condição que elucidou uma transeunte numa acção de campanha. Agarrado à sua risonha Maria, atirou à mulher atenta que a sua Maria, outra desvalida, tinha trabalhado a vida inteira e que recebia de reforma uns oitocentos euros e que tinha de ser ele a sustentá-la ou a ajudá-la, varreram-se-me as palavras com a tristeza e o coração apertado. Uma miséria. E ninguém dá a mão a estas pobres almas? Um peditório nacional? Uma campanha de recolha de bens?»

 

Rui Rocha: «A disputa eleitoral tem decorrido, como se sabe, em regime de aguaceiros. Estes com a particularidade de caírem sob a forma de água inquinada que vai enlameando o terreno. No fundo, essa é a consequência de uma falta de respeito latente pelos eleitores. Mas, tratando-se de patologia em que a dor apenas aflige, de forma directa,  o corpo da Democracia, só a sentem os que lhe estão muito próximos. Aqueles que a estimam de tal maneira que tomam por suas as dores democráticas. Todos os outros nos vamos distraindo dessa dor e esquecendo que ela é, por direito, também nossa.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Francisco Seixas da Costa não passou por Macau. Helena Sacadura Cabral também não. São ambos insuspeitos, quer pela sua coerência, quer pela frontalidade com que assumem as suas posições. Ler o que o primeiro escreveu e a segunda comentou deixou-me a sensação de que uma vez mais não fui injusto no que escrevi sobre esta coisa. O livro corresponde na íntegra à imagem que o general também quis passar de si enquanto andou por Macau, pese embora isso não tivesse nada a ver com o que por lá andou a fazer.»

 

Sónia Morais Santos: «Até pode haver a crise e o FMI e o desemprego e os políticos que temos e o IVA a subir e as contas para pagar e as cheias e o amigo que morreu e a infância conturbada que tivemos e a falta de amor que sentimos e um divórcio litigioso e uma maleita crónica e outras fatalidades que nos vão acontecendo. Pois sim. Mas há coisas piores. Há sempre coisas piores. E estamos cá. E há um céu azul e uma brisa com cheiro a mar e risos de crianças e o abraço de alguém. E o sabor do chocolate e o beijo de um filho e o elogio de quem se admira e um pôr-do-sol no Verão. E a viagem sonhada e a música que nos toca e um encontro de amigos e uma pintura que nos prende o olhar e o brinde a uma boa notícia e o livro que nos comove. E a vida.»

Canções do século XXI (1382)

por Pedro Correia, em 14.01.21

Frases de 2021 (2)

por Pedro Correia, em 13.01.21

 

«Vai haver vida para além da pandemia.»

Jerónimo de Sousa, ontem, falando aos jornalistas no Infarmed

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Achismo lusitano (2)

por Pedro Correia, em 13.01.21

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«Acho que o Presidente da República tem de contribuir para soluções.»

Ana Gomes, no debate com Marcelo Rebelo de Sousa (9 de Janeiro)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 13.01.21

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Ana Vidal: «Fugia-nos o chão debaixo dos passos hesitantes, teimosamente paralelos, cuidando de que não houvesse o menor perigo de convergência. Fugia-nos o passado, o presente e o futuro, deixando-nos suspensos num limbo impossível. Fugíamos nós, enfim, mestres de todas as fugas. Fugíamos um do outro, dos outros e de nós próprios. Fugíamos, convictos. E nunca mais nos encontrámos. E nunca mais nos perdemos.»

 

Bandeira: «Acertar por pouco: errar ao lado.»

 

Fernando Sousa: «Não tenho um filme da minha vida - tenho vários. Confesso que quando me perguntam qual foi o que mais me marcou, isso me aborrece. Li algures que Jennifer O' Neill, hoje com 62 anos, vai reaparecer este ano no écrã. Não sei se me apetece voltar a vê-la; para mim, ela será sempre a Dorothy de Verão 42

 

João Carvalho: «Apesar do afastamento do bispo do Porto, Salazar não conseguira que a Igreja o substituísse, nem evitara o epíteto de "exilado político". Podia dar a batalha como ganha, mas não fôra limpa como lhe seria conveniente e, ainda por cima, não vira todas as suas vontades satisfeitas pela Igreja — apenas algumas e, mesmo assim, fora do tempo útil — tanto em relação a D. António Ferreira Gomes como a outros membros do clero. O que o presidente do Conselho não parecia adivinhar é que havia uma guerra surda já em marcha contra o regime, além da guerra aberta que vai estalar em África, e que aquela batalha, mal resolvida pelo cardeal-patriarca nesse dia 13 de Janeiro [de 1961], era apenas uma pequena parte dos confrontos que iam seguir-se.»

 

Marta Romão: «O quê, achas que há razões para ser optimista? Que estupidez, não andas a ler jornais? Não vês televisão? Olha as pessoas a ir ao Banco Alimentar, as cantinas das escolas que abriram nas férias para fornecer refeições aos alunos, as fábricas a fechar? Não vês isso? Ah, achas que isto vai melhorar? És mesmo anjinho. Estes gajos são todos uns ladrões, querem é encher-se à nossa custa. A mim não me enganam mais, nem levam mais o meu voto. Há-de ser branquinho. Melhor, nem meto lá os pés. É uma vergonha este país. Nunca há-de andar para a frente. Qualquer dia, até somos comprados pelos chineses. Já estão cá tantos a viver, é quase porta sim, porta não. Se os espanhóis não estivessem também à rasca já tinham entrado por aqui adentro. E se queres saber, se calhar até era melhor.»

 

Rui Rocha: «São dez e meia e estou nos serviços administrativos de uma Universidade. Espero a minha vez para levantar um certificado de que preciso com urgência. Espero sentado. Estou instalado com uma comodidade austera. Adequada. Os meus pés batem no chão, preparando-se para o momento em que me hão-de levar até à acolhedora secretária onde são atendidos os utentes. Sou o próximo. Antecipo o momento tão ansiado. Já é indisfarçável o gozo da vitória. O jovem que estava a ser atendido levanta-se. De súbito, constato uma insuspeitada agitação vinda do lugar onde a amável funcionária estava sentada. A sua mão, que eu suspeitara bem mais delicada, apanha sei lá eu onde uma pequena placa. E, com uma rotação de pulso improvável, vira-a para mim, colocando-a em cima da mesa: ENCERRADO. A outra mão, entretanto, ficara completamente livre para pegar no telefone e anunciar a alguém que estava na hora do cafezinho

 

Eu: «Estes dados desmentem de algum modo a relevância concedida pela maioria dos comentadores televisivos a Defensor Moura enquanto manifestam o seu irreprimível desdém por Nobre. Acontece que o cidadão comum, à revelia destes comentadores, revela interesse por alguém com o percurso de vida, a capacidade de iniciativa, a militância cívica e a independência do fundador da AMI.»

Canções do século XXI (1381)

por Pedro Correia, em 13.01.21

Presidenciais (5)

por Pedro Correia, em 12.01.21

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A CAMPANHA QUE NÃO EXISTE

Estas presidenciais pós-natalícias têm vindo a transformar-se num nítido nulo, totalmente dominadas pela pandemia em curso. Os protagonistas políticos cederam palco aos virologistas. Existe apenas um vago ruído de fundo nos fugazes intervalos da monotícia Covid. A democracia segue dentro de momentos.

Ligada ao ventilador, em estado comatoso, esta campanha que já nasceu moribunda esteve ontem à beira de ser eutanasiada. Com o candidato favorito das sondagens, Rebelo de Sousa, a anunciar ao País que era portador de infecção. Quase todos os outros, que tinham estado com ele em dias anteriores, entraram em estado de prevenção profiláctica, recolhendo ao domicílio. E a campanha parecia ter congelado de vez.

Esta era a notícia da noite de ontem. A notícia desta manhã contradisse a anterior: Marcelo voltou a submeter-se ao teste e desta vez acusou negativo ("acusar negativo", neste caso, é positivo, o que simboliza bem o quadro geral de trapalhada em que vivemos). O jornalismo mais cortesão pode respirar de alívio: como noutros tempos se escrevia, «Suas Majestades e Altezas passam sem novidade em suas importantes saúdes».

O destino parece sorrir ao hipocondríaco Marcelo, positivo-negativo. Os adversários estão anestesiados, a militância política ficou reduzida a quase nada, o quadro sintomatológico do País é alarmante - o que favorece a benevolente figura do Chefe do Estado, zelador e cuidador do reino. 

Quando o inquilino de Belém se constipa, os portugueses sentem-se engripados. Marcelo já atraía eleitores de vários géneros - agora atrai também o eleitor comovido que ontem sentiu um susto ao supô-lo atingido pelo malfadado vírus. Incluindo ainda alguns dos quase 700 mil compatriotas que em 1976 votaram em Pinheiro de Azevedo, à época internado numa unidade de cuidados intensivos devido a um enfarte de miocárdio.

Ao voto por antecipação, que este ano deve ser mais elevado que nunca, junta-se o voto por comiseração. Os adversários de Marcelo têm motivos para tremer. E não é do frio.


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