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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 17.11.19

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João Carvalho: «Armando Vara diz que quer "esclarecer tudo", mas só se houver "condições para o fazer", pois não sabe “o que vai acontecer” no interrogatório, nem se terá “acesso" à matéria probatória. O que ele quer é responder a questões “concretas” e conhecer o que realmente sobre ele pende, em vez de ser confrontado com acusações “genéricas”. Complicado? Não. Se for conforme os seus desejos, Vara está disposto a pôr tudo em pratos limpos, mas não o tudo-tudo: só o tudo cirúrgico.»

 

Luís M. Jorge: «Uma parte da direita propõe arrastar o debate sobre o casamento entre homossexuais, se possível, até à consulta popular. E eu, ingénuo, a pensar que existiam assuntos mais importantesproblemas urgentes, que diziam respeito a todo o país

 

Paulo Gorjão: «Pessoalmente sou a favor do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, mas muito reticente quanto à adopção. Se no primeiro caso estão apenas em causa os interesses de duas pessoas, no segundo já se envolve os interesses do adoptado. Esse é para mim um debate muito menos maduro do que o primeiro. Naturalmente, necessita de amadurecimento e de tempo.»

 

Eu: «Achei revoltante que esse canal de televisão - nem fixei qual é - tenha dado tempo de antena, naquela ocasião precisa, a uma pessoa que se encontrava sob um evidente choque emocional. Manda o código deontológico dos jornalistas que não sejam recolhidos depoimentos nestas circunstâncias. Infelizmente, esta norma está a tornar-se letra morta. Pelo contrário, quanto maior for hoje a oportunidade para explorar despudoramente as circunstâncias dramáticas na vida de qualquer de nós, lá está um microfone estendido, lá está uma câmara ligada, lá está um repórter mandatado por uma chefia fechada num gabinete qualquer - tudo pronto a servir as emoções alheias ao domicílio.»

Canções do século XXI (958)

por Pedro Correia, em 17.11.19

Leituras

por Pedro Correia, em 16.11.19

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«Um minuto inteiro de felicidade! Afinal não basta isso para encher a vida inteira de um homem?»

Fédor DostoievskiNoites Brancas (1848), p. 140

Ed. Europa-América, 1973. Colecção Livros de Bolso Europa-América, n.º 52. Tradução de Carlos Loures

Grandes romances (28)

por Pedro Correia, em 16.11.19

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SEM TECTO, ENTRE RUÍNAS

O Anjo Mudo, de Heinrich Böll

 

Este romance é uma pequena obra-prima. Heinrich Böll escreveu-o em 1950. Chegou então quase a ir ao prelo, mas acabou por ser editado só em 1992 - sete anos após a sua morte. O argumento invocado pelo editor que se desinteressou do manuscrito foi elucidativo dos gostos da época: «Uma extrema e decidida aversão, por parte do público, a todos os livros que tenham alguma coisa a ver com a guerra.»

Percebe-se o incómodo. O Anjo Mudo é um relato amargo, impiedoso e desencantado da Alemanha do pós-guerra, coberta de ruínas depois de Hitler ter desencadeado, com demencial fúria belicista, um conflito que deixou a Europa junada de cadáveres. Böll, forçado a combater durante seis anos como soldado de infantaria, situa o início da acção em Maio de 1945 - precisamente no termo da guerra em solo europeu.

Virava-se uma página da História. No entanto, para os jovens alemães que chegaram a envergar a farda nazi, mesmo contra vontade, não havia remissão possível. Tinham sobrevivido por caprichos do destino. Mas o futuro jamais seria deles.

 

«Ele festejou o início da paz sentado num caixote de lixo a comer lenta e cerimoniosamente as suas fatias de pão e a contar pensativo as moedas que recebera de troco da padeira.»

O jovem protagonista - alter ego do autor - que regressa a Colónia, sua irreconhecível cidade natal, terá de recomeçar do zero. Falta-lhe o ânimo, porém. Durante duas semanas, mantém-se praticamente prostrado. Quando lhe dizem que a paz vigora enfim na Alemanha, ele responde, com a sageza dos antigos: «Eu sei que a guerra acabou, mas paz?» (recorro à tradução de Cláudia Porto, para as edições ASA).

Tinha razão. Da ruínas irrompia uma sociedade onde a corrupção moral era já bem evidente. Böll teria ocasião, em toda a sua obra posterior, de denunciar essa sociedade que erigia altares ao deus-dinheiro. Tal denúncia, aliás, está já presente neste livro. Mas O Anjo Mudo é sobretudo um dos mais notáveis exemplos daquilo a que este romancista viria a apelidar de «literatura de escombros».

 

39326[1].jpgQuando em 1974 Soljenístine foi expulso da União Soviética, por delito de opinião, muitas cabeças pensantes do chamado "mundo livre" viraram a cara para o lado, fingindo ignorar o facto. Böll figurou entre as honrosas excepções, fazendo questão de abraçar o confrade perseguido pela repressão comunista.

Por estas e muitas outras atitudes de irrepreensível coerência em defesa da liberdade de expressão, Heinrich Böll (1917-1985) tornou-se uma espécie de "consciência moral" da Alemanha. Denunciando atitudes iníquas dos políticos de vários matizes, as sementes nazis que germinam no inconsciente colectivo germânico e o lado lunar do "milagre económico" alemão do pós-guerra. Uma das suas mais célebres novelas, A Honra Perdida de Katharina Blum, é um tiro certeiro no sensacionalismo da imprensa que só visa o lucro fácil. Devia ser lida por todos os jornalistas nestes tempos de progressiva diluição das regras deontológicas.

A Academia de Estocolmo concedeu-lhe o Nobel em 1972 «por uma escrita que, articulando uma ampla perspectiva do tempo histórico que é o seu com uma rara sensibilidade na construção de personagens, contribuiu para a renovação da literatura alemã».

 

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Palavras elogiosas que bem podem aplicar-se a O Anjo Mudo. Raras vezes como nestas páginas, por exemplo, a fome foi descrita em termos tão perturbantes numa obra de ficção: «Comer já não era uma bela necessidade, mas sim uma lei tenebrosa que obrigava as pessoas a devorarem, a devorarem a todo o custo, sem que a sua fome fosse saciada, pelo contrário, aumentava.»

É uma escrita ancorada no real, com destaque para a experiência do autor como combatente na mais injusta e mortífera de todas as guerras, que marcou profundamente a sua obra. Mas uma escrita que nunca se limita a ser uma reprodução automática do quotidiano, recriando-o com inegável talento artístico. Sempre em nome da dignidade humana.

 

Em 1950, os alemães queriam literatura de evasão. Böll tinha algo muito diferente para lhes dar. «As pessoas sobre as quais escrevemos viviam nos escombros. Nós, os escritores, identificávamo-nos com elas», observou o escritor anos mais tarde.

Nada mais custa, por vezes, do que encarar a realidade. Por isso esta obra esperou 42 anos para surgir nas livrarias. Hoje ganha um novo significado, com tantas guerras que ressurgem por aí.

 

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Anteriores textos desta série:

 

O Anão - O Infra-homem

Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch - A lei do frio e da fome

A Mancha Humana - A América vista ao espelho

Os Maias - O século XIX aqui tão perto

Sinais de Fogo - Do amor e da guerra

A Escola do Paraíso - Esta Lisboa de Outras Eras

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.11.19

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Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes

Romance

(reedição Bis, 34.ª ed, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 16.11.19

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Adolfo Mesquita Nunes: «A corrupção, sobretudo se instalada e sistémica, não se resolve com leis relativas à sua criminalização, que aliás já existem e que são aplicadas precisamente pelo e com o sistema. Resolve-se com a drástica diminuição das hipóteses de corrupção, só possível com uma redução substancial dos pequenos poderes que hoje atribuímos ao Estado.»

 

Luís M. Jorge: «Os colegas ausentes deixaram saudades mas, vendo o lado positivo, assim não faltou comida. O chef André Magalhães esteve bem: o creme de castanhas com presunto estaladiço pareceu-me excelente, o bacalhau salgado mas as migas saborosas, o naco de porco très outonal, o leite creme de marmelos um achado, os vinhos muito adequados ao preço (melhor o branco que o tinto). As castanhas assadas, infelizmente, más — despeçam o fornecedor. O espaço é magnífico, o jardim amável, a mesa redonda é ideal.»

 

Eu: «Há uma linhagem histórica que une Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler, aos actuais dirigentes do Hezbollah: comungam do ódio visceral aos judeus, prestam o mesmo culto à violência e partilham o gosto atávico pela censura de obras literárias. Incapazes, portanto, de entender estas palavras que Eleanor Roosevelt dedicou à obra imortal de Anne Frank: "Um dos mais argutos e tocantes comentários sobre a guerra e o seu impacto nos seres humanos que jamais li."»

Canções do século XXI (957)

por Pedro Correia, em 16.11.19

Leituras

por Pedro Correia, em 15.11.19

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«Todas as mulheres gostam de ouvir falar de si mesmas.»

Ian FlemingOperação Relâmpago (1961), p. 203

Ed. Portugália, Lisboa, 1965. Colecção James Bond, n.º 5. Tradução de H. Silva Letra

Sobre a Catalunha (7)

por Pedro Correia, em 15.11.19

O apoio à suposta "independência" da Catalunha prossegue em recuo acelerado. Segundo uma sondagem agora divulgada pela próprio Executivo autonómico catalão, apenas 41,9% dos habitantes naquela região são favoráveis à ruptura com Espanha enquanto 48,8% dos consultados nesta pesquisa de opinião não escondem a oposição ao separatismo.

Desde Junho de 2017 que não se registava uma percentagem tão baixa de apoio aos independentistas. Perdem suporte popular em proporção inversa ao barulho que vão fazendo nos jornais e televisões favoráveis à causa separatista. E também aos aplausos recebidos dos amigos portugueses, que gostariam de ver o Estado espanhol pulverizado em várias "repúblicas", talvez para vingar a ilegítima e ilegal anexação de Olivença. Sem perceberem que uma Espanha retalhada em pedaços é lesiva para os interesses estratégicos de Portugal.

Palavras para recordar (60)

por Pedro Correia, em 15.11.19

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EDUARDO LOURENÇO

Diário de Notícias, 25 de Maio de 2008

«PS e PSD são duas alternativas à mesma coisa.»

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.11.19

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Quem é Fascista, de Emilio Gentile

Tradução de Mário Matos

Ensaio político em forma de auto-entrevista

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 15.11.19

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Alinne Moraes

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 15.11.19

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João Carvalho: «Naquele programa que dá pelo nome de Tempo Extra e que devia chamar-se "Tempo Infinito", o bem oleado Rui Santos promoveu um inquérito para auscultar como ficou vista a Selecção Nacional frente à Bósnia: Excelente, Muito Boa, Boa, Razoável, Medíocre, Muito Má. Eu queria votar Má, mas não pude, porque não constava. É verdade que o bom do Rui também desperdiçara Mazinha, Muito Péssima e Completamente Desgraçadinha, mas deixar de fora a nota Má que define, afinal, quase tudo o que é nacional parece-me pouco inteligente. A ideia do Rui Santos? Foi como de costume: Má.»

 

José Gomes André: «Escrevo num blog "generalista", mas elogio e muito os blogs "especializados", pois permitem um acesso rápido e ao mesmo tempo profundo a temáticas que, habitualmente, são abordadas com superficialidade pela imprensa tradicional.»

 

Teresa Ribeiro: «Cresci a ouvir familiares, amigos, colegas, taxistas e até políticos em campanha a perorar contra "eles". Percebi cedo que dizer "sistema" era apenas uma variante lexical para falar "deles". E também me habituei a assistir a pequenos golpes com a abulia de quem segue um boletim meteorológico. Compactuávamos com isto por impotência, inércia ou  conveniência, conforme o lugar que ocupávamos na cadeia alimentar.»

Canções do século XXI (956)

por Pedro Correia, em 15.11.19

No mundo das novas censuras

por Pedro Correia, em 14.11.19

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1. Censura de imagem. Fotografias de um vulgar e suculento cozido galego - muito semelhante ao nosso, mas com grão - foram banidas do Instagram, por decisão de um anónimo comité censório dessa rede social. Alegação: aquelas imagens de enchidos mesclados com vegetais «infringem as normas comunitárias» pois contêm suposta «violência gráfica e linguagem [visual] que estimula o assédio ou nudez e actividade sexual». Um galego de Vigo, que publicou estas imagens em homenagem ao «primeiro cozido da temporada» em casa da mãe, senhora de aparentes virtudes culinárias, não esconde a perplexidade, alegando ter-se limitado a fotografar os alimentos tal como estavam na travessa. Presume-se que a «violência gráfica» do chouriço e do repolho tenha ferido sensibilidades de alguns devotos das religiões vegetariana e vegana.

 

2. Censura de linguagem. A Air Canada anunciou que deixará de dirigir-se aos passageiros recorrendo ao anacrónico tratamento «senhoras e senhores»: evita assim ferir putativas susceptibilidades de género, designadamente das pessoas de sexualidade «não especificada». Passarão a ser designados, uns e outros, por «toda a gente» em obediência ao novo cânone da absoluta neutralidade de género. Falta saber por quanto tempo, pois esta expressão antropocêntrica promete por sua vez ferir as susceptibilidades de alguns animais.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.11.19

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António, o Outro Salazar, de César Santos Silva

Prefácio de David Martelo

Ensaio biográfico

(edição Book Cover, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 14.11.19

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Ana Vidal: «Chego ao meu último dia em Bangkok, já com pena de ter de deixar a cidade. Troco as últimas compras por um programa prometido a um amigo e também muito apetecido: uma visita à embaixada portuguesa, autêntica pérola do nosso património diplomático. Atravesso as ruas num tuk-tuk veloz, que me deposita no portão verde decorado com o escudo português e se afasta, deixando-me sozinha e sem a menor garantia de um “abre-te Sésamo” que me faça ser recebida, já que não avisei previamente da minha visita. Mas tenho sorte (não a tenho sempre, afinal?): é o próprio embaixador quem me recebe, sorridente e solícito.»

 

Teresa Ribeiro: «Ainda é tão cedo e já fiz tanta coisa! Bah! Afinal o que são três horas de sono a menos?! Continua a chover. A velhota do 3º andar já está na rua a passear o caniche. Ela de rosto franzido a trocar as pernas, ele feliz da vida a gozar a frescura do ar, os dois de caracóis cinzentos a pender para a testa, como duas gotas de água. O trânsito flui com a cadência dos fins-de-semana. Está a apetecer-me um croissant da pastelaria. A esta hora ainda estão quentes.»

 

Eu: «Desconheço onde mora agora Lobo Antunes, autor daquela crónica que li em espanhol mas que não hesito em considerar uma das mais belas de sempre da língua portuguesa. Penso nesse texto sempre que passo na Rua D. Filipa de Vilhena. Tento imaginar qual seria o prédio, qual seria o andar. Ignoro. Mas só pode ser um local trespassado de magia. Por ali se ter vivido um tocante, irrepetível e perpétuo amor.» 

Canções do século XXI (955)

por Pedro Correia, em 14.11.19

Palavras para recordar (59)

por Pedro Correia, em 13.11.19

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PINTO MONTEIRO

Diário de Notícias, 21 de Maio de 2008

«Seja político, pedreiro, capitalista ou pobre, como princípio geral não há ninguém impune no País.»

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.11.19

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Estudos Sobre Heidegger, de Mafalda de Faria Blanc

Ensaio, Prémio Pen Clube 2019

(edição Guerra & Paz, 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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