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O apêndice

por Pedro Correia, em 27.10.20

Durante dois dias, imperou o suspense: como iriam votar "os verdes" na proposta de Orçamento do Estado para 2021?

Os meios de comunicação social alimentaram esta cantilena como se não soubessem que o chamado Partido Ecologista Os Verdes não existe: é mero apêndice verde do partido vermelho que lhe serve de barriga de aluguer. Nem tentam disfarçar: criados em 1982, nunca até hoje concorreram isolados a uma só eleição. Legislativa, regional, local, europeia. Nem uma para amostra.

Hoje, veio a confirmação: o apêndice vai abster-se na generalidade, viabilizando o OE 2021. Seguindo o exemplo de quem sempre lhe serviu de farol e guia.

Tanto barulho para quê?

Organização Mundial da Doença

por Pedro Correia, em 27.10.20

 

«A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para o excesso de procura de máscaras e outros equipamentos de protecção contra o novo coronavírus, o que pode comprometer a segurança dos que realmente precisam, os profissionais de saúde.»

7 de Fevereiro

 

«A directora de saúde pública da OMS, Maria Neira, assegurou hoje que é "irracional e desproporcionado" que se esgotem as máscaras e os desinfectantes nas farmácias por medo do coronavírus. Neira afirmou que a medida mais efectiva para prevenir o contágio é lavar as mãos com frequência e insistiu que não se justifica que se esgotem as máscaras e os geles desinfectantes, referindo que a situação se baseia no "medo e na angústia das pessoas", o que deve ser evitado.»

26 de Fevereiro

 

«O director do programa de emergências sanitárias da OMS, Michael Ryan, desaconselhou o uso de máscaras generalizado por causa dos perigos do uso impróprio. (...) "Não há evidências específicas que sugiram que o uso de máscara por parte da população geral tenha algum benefício em particular. Aliás, há até indícios que sugerem o contrário", disse Ryan.»

30 de Março

 

«A OMS admite que o uso generalizado de máscara, quer em espaços públicos, ou privados, pode impedir até 281 mil mortes até Fevereiro do próximo ano.»

15 de Outubro

 

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 27.10.20

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Ana Vidal: «O tuga, exausto e saqueado, que já não acredita no Pai Natal nem na Branca de Neve vai para muito tempo, corre a pegar no comando da televisão para refugiar-se na Casa dos Segredos e meter na veia, embalado pela voz maviosa da Júlia Pinheiro, a doce anestesia de mais uma dose escaldante de meia dúzia de criaturinhas suburbanas entregues às hormonas e à perversão de outra Voz que as transforma em marionetas inconscientes, pobres ratos às voltas numa gaiola forrada a pelúcia. E assim nos vamos afundando alegremente, ou já nem isso.»

 

André Abrantes Amaral: «Foi um dia estranho aquele em que toda a gente, independentemente do que estivesse a fazer, numa reunião no escritório, a falar ao telefone, a conduzir um autocarro, a guiar o seu automóvel, a atravessar a rua, a limpar as sarjetas, a vender jornais e revistas mais os brindes a acompanhar, a conversar, a comer e a beber, parou. Pararam e viram o sol a pôr-se atrás dos prédios, dos telhados, dos candeeiros das ruas, das colinas da cidade, atrás dos vultos que se punham à frente. A luz começou com um amarelo forte, depois alaranjou, ficando vermelho a seguir, um vermelho intenso, o sol redondo como uma bola de neve feita por miúdos e pronta a ser atirada contra quem passasse.»

 

João Carvalho: «Um dos pontos muito discutidos nas conversações entre o Governo e o PSD foi o dos "alimentos humanos", como referiu insistentemente o ministro das Finanças. Parece que alguém queria que tivessem preços populares. Quem seria o antropófago tão interessado em comprar ao preço da chuva "alimentos humanos"? E exactamente que parte(s) do corpo devia(m) ser as mais baratucha(s)?»

 

José Gomes André: «À falência moral (registada há largos meses) este Governo junta agora a sua própria falência técnica. As notícias sobre o absoluto descontrolo das contas públicas revelam uma incapacidade tão gritante que só o mais fanático socialista pode ainda confiar nas capacidades de Teixeira dos Santos & Ca. para resolver qualquer desafio político-financeiro. E falar de negociações e de compromissos com esta gente é o mesmo que dialogar com uma porta: serve para passar o tempo, mas não leva a lado nenhum.»

 

Luís M. Jorge: «A questão não é se o PSD deve ou não viabilizar o orçamento. A questão é se o PSD ainda tem algum instinto de auto-preservação. Se o tiver, viabiliza o orçamento. Se não o viabilizar, merece morrer como partido.»

 

Eu: «"Sei bem que a minha magistratura de influência produziu resultados positivos", disse ontem Cavaco Silva no Centro Cultural de Belém, em jeito de balanço do seu mandato. Com toda a razão. Se não fosse a sua "magistratura de influência" o País talvez estivesse à beira da recessão, com o maior número de sempre de desempregados, o maior buraco orçamental de que há memória, uma dívida externa astronómica, um recorde absoluto do desemprego e mais de dois milhões de pobres.»

Canções do século XXI (1303)

por Pedro Correia, em 27.10.20

"Arejar um pouco a malquerença"

por Pedro Correia, em 26.10.20

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Num dos seus romances, Os Duros não Dançam, Norman Mailer descreve uma cena que faz lembrar toda a série de pequenas querelas políticas desenrolada a propósito do orçamento do Estado para 2021. O romance situa-se numa zona dos EUA que Mailer conhecia muito bem: a faixa litoral do Massachusetts, onde se concentra a maior comunidade luso-descendente da América do Norte, que na sua maioria se dedicava à pesca.

Segue a transcrição da saborosa cena (tradução de Eduardo Saló):

 

250x.jpg«Numa tarde invernal em que o Bergantim se apresentava invulgarmente pouco frequentado, sentava-se ao balcão um pescador português de uns 80 anos. Setenta de trabalho tinham-no deixado tão retorcido e deformado com um cipreste enraizado num penhasco de uma  costa batida pelo vento. Pouco depois, entrou outro pescador, tão artrítico como o primeiro. Em garotos, haviam brincado  juntos, praticado o râguebi, frequentado o liceu, trabalhado em barcos de pesca, tinham-se embebedado e provavelmente ornamentado as frontes um ao outro com as respectivas mulheres e agora, aos 80 anos, quase não conviviam, excepto nas trocas de socos a que se entregavam em particular. Apesar disso, o primeiro pescador deslizou do banco, empertigou-se e, aos uivos, numa voz tão áspera como o vento de Março no alto mar, disse: "Julgava que tinhas morrido." O outro inclinou-se para a frente, dirigiu-lhe um olhar furibundo e, com uma laringe de sons tão agrestes como os das gaivotas, replicou: "Morrido? Antes disso, hei-de ir ao teu funeral." E tomaram uma cerveja juntos. Tratava-se apenas de um exercício para arejar um pouco a malquerença. Os portugueses sabem falar aos ladridos.»

 

Pouco ou nada lisonjeiro, este retrato dos nossos compatriotas da costa leste dos EUA esboçado por Mailer, que aliás também sabia “falar aos ladridos”. Mas há muito de fidedigno na relação amor-ódio entre portugueses simbolizada nesta cena quase anedótica. Isso nota-se também, a um ritmo diário, na nossa vida política. Até que ponto as batalhas verbais em torno do orçamento não servem também apenas para “arejar um pouco a malquerença”, antes de tudo ficar como estava?

Os duros não dançam. Os moles não fazem outra coisa.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 26.10.20

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Ana Margarida Craveiro: «Foram hoje publicados os resultados de um estudo do International Budget, que apresenta a transparência orçamental em perspectiva comparada. O relatório português foi realizado por Marina Costa Lobo (ICS), Paulo Trigo Pereira (ISEG), Ana Margarida Craveiro (ICS) e Luís de Sousa (ICS). Os resultados não são brilhantes para Portugal: 58 pontos num total de 100, uma das piores prestações na zona europeia. (...) A falta de transparência é também uma das causas do nosso actual problema. Sem conhecermos a situação, como podemos pedir contas ou tentar corrigi-la?»

 

Gabriel Silva: «Em finais de 2009 a equipa gerente da mina anunciou que os 10 milhões de portugueses estavam a 9,4 metros abaixo do solo. Muito mais do que os 5,3 metros que a mesma equipa anunciara antes de ser escolhida novamente para dirigir a operação. O engenheiro-chefe disse que agora é que ia ser. Embora fosse operação demorada, anunciou que no final do ano seguinte estariam 1 metro acima, nos 8,4. Seriam precisos sacrifícios, como seja cada um dos mineiros pagar um pouco mais das suas economias. Mas em contrapartida a equipa dirigente diminuiria a despesa, isto é, aquilo que leva a terra acumular-se em cima dos desgraçados. Os financiadores da operação torceram o nariz. Não acreditaram, até porque aquela mesma equipa já tinha revelado igual incompetência antes e com as mesmas promessas. Começaram a pedir juros mais altos.»

 

João Carvalho: «Há um ano tomava posse o actual governo. Aqui fica a nossa lembrança pelo aniversário. Não, não é oferecida ao governo, mas ao país, porque o país, coitado, é que merece. Querem uma boa notícia neste primeiro aniversário? Pois bem: primeiro e último.»

Canções do século XXI (1302)

por Pedro Correia, em 26.10.20

Leituras

por Pedro Correia, em 25.10.20

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«Depois do discurso, alguém ouviu um jovem diplomata francês dizer a um colega, enquanto se encaminhavam para o banquete:

- Não percebo porque o aplaudiram de pé e com tanto ruído e durante tanto tempo.

- Porque - explicou o colega mais velho - detestaram tudo o que ele disse.»

Ian McEwanA Barata (2019), p. 95

Ed. Gradiva, Lisboa, 2019

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.10.20

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Foto: jornal The Guardian

 

«Meu pai faleceu em Julho de 2011. Logo a seguir ao funeral, minha mãe negou-se a estar uns dias comigo antes de regressar à sua casa na Parede.

"Não filho, vou já para casa, a vida continua."

E assim continuou, em casa, com uma senhora uma vez por semana para limpezas e passar a ferro (hoje não se pode dizer mulher-a-dias), tratando da sua alimentação, de lavar a roupa na máquina nova que lhe comprei, tratando portanto da rotina caseira. [Fui] visitando-a em regra uma vez por semana, altura em que vamos ao supermercado, falando-nos ao telefone diariamente. Nos últimos quatro anos passou a ir sozinha ao supermercado: abriu um Continente a cerca de 40 metros de casa, pelo que me dispensou. Literalmente!

Na segunda-feira a seguir à Páscoa de 2019 teve uma crise de arritmia forte, esteve 11 dias no hospital de Cascais, recuperou, e quando a fui buscar para minha casa, logo nessa noite: "Filho, já não consigo estar sozinha em casa, quero ir para o lar onde estava até há poucos dias a minha prima Lana."

E assim está num lar desde 31 de Maio de 2019. Nesse que queria, em Lisboa, e desde 12 de Maio de 2020 num melhor, a poucos metros de minha casa, visitando-a [eu] até há duas semanas na "Box das emoções", onde estamos separados por um vidro.

Completou 95 anos em 8 de Julho passado. Continua felizmente, muito bem de cabeça, com uma lucidez, discernimento e memória extraordinárias. Mas apesar de ser uma senhora muito forte isto vai deixando mossa, devagarinho.»

 

Do nosso leitor António Cabral. A propósito deste texto do JPT.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 25.10.20

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Ana Margarida Craveiro: «O fim das "disciplinas" de Área Projecto e Estudo Acompanhado, definido em Orçamento do Estado, diz muito sobre a desorientação do Ministério da Educação. Não me interpretem mal, ainda bem que acabam essas perdas de tempo, mas mal vai o país em que o currículo escolar é definido pelo Ministério das Finanças.»

 

João Campos: «Desde o sucesso da trilogia "O Senhor dos Anéis", realizada por Peter Jackson, que ouço falar numa futura adaptação para o cinema da prequela "O Hobbit". Neste livro, Tolkien narra a história de Bilbo Baggins, um pacato hobbit do Shire que (com um "empurrãozinho" de Gandalf) se vê no meio de um grupo de anões preparados para recuperar o seu antigo reino a Leste, na Montanha Solitária, em tempos atacada e dominada pelo dragão Smaug. Claro que a viagem não seria assim tão simples, e durante a aventura, os anões e o hobbit perdem-se nas Montanhas Azuis (onde Bilbo encontra Gollum, e lhe rouba o Anel), são capturados por elfos, enfrentam Smaug e acabam por entrar na Batalha dos Cinco Exércitos, contra os Goblins e Wargs de Moria.»

 

João Carvalho: «Por ocasião do PEC2, o PSD aceitou a recolha de receitas agravadas se o montante fosse igual ao das despesas cortadas pelo Governo até ao fim deste ano. Agora com o Orçamento, o Governo aceita um corte nas despesas para o próximo ano se o PSD apresentar receitas que respeitem um saldo igual ao previsto. Portanto, ambas as partes concordam sempre desde que tudo seja igual. Só as armas são desiguais: apenas uma das partes toma conta das receitas e das despesas. Precisamente aquela que nunca cumpre, sonega informação e pinta a realidade.»

 

Sofia Bragança Buchholz: «Um dia, a curiosidade foi mais forte do que eu e segui-o. Depois de o ouvir, colei o olho à mira da porta, espiando as escadas do prédio. Vi-o descer descontraído, assobiando, aliviado. Vi um homem alto, entroncado, ligeiramente calvo, mas de viris braços peludos, aquele mesmo que um dia, à entrada de casa, vira roubar um beijo à cinquentona inquilina de cima e percebi finalmente o porquê de todo aquele clamar: aquele grito de dor, de aflição, de tormento, mais não era do que o orgasmo histriónico do histriónico namorado da vizinha.»

 

Teresa Ribeiro: «Os melhores salários para um dos piores desempenhos. Segundo um relatório da Comissão Europeia é esta a relação custo-benefício desta casta de funcionários do Estado [juízes], a mesma que anda a chorar os cortes salariais determinados pelo novo O.E. e a tributação do subsídio de residência.»

 

Eu: «Esta é já, para mim, a frase do ano. Foi proferida por um dos 33 mineiros libertados por um prodígio de tecnologia após 69 dias de cárcere imprevisto 700 metros abaixo de terra. "Estuve con Dios y estuve con el diablo. Me pelearon y ganó Dios, me agarré de la mejor mano." É esta a frase, proferida pelo extrovertido Mario Sepúlveda, o segundo mineiro que regressou à superfície naquele já inesquecível 14 de Outubro, o primeiro de dois dias que fez colar mil milhões de pessoas aos ecrãs televisivos em todo o mundo. "La mejor mano" possibilitou que esta história, ao contrário de quase todas que nos vão chegando ao domicílio, tivesse um final feliz. Mais emocionante, mais empolgante, mais cheia de imprevistos e com muito melhor elenco do que a esmagadora maioria da ficção televisiva e dos reality shows que se produz actualmente.»

Canções do século XXI (1301)

por Pedro Correia, em 25.10.20

Quem fala assim... (19)

Júlio Isidro: «Canto ópera no duche»

por Pedro Correia, em 24.10.20

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«Aquela parte [do hino nacional] em que se fala de marchar contra os canhões não me agrada muito. Prefiro marchar contra a mediocridade»

 

É o mais antigo profissional de televisão em actividade entre nós: podemos vê-lo regularmente na RTP Memória, conduzindo entrevistas muito interessantes. Desta vez foi ele o entrevistado: respondeu sem hesitar a todas as perguntas que lhe fiz ao telefone. Sem nunca perder o sentido de humor.

 

Qual foi a maior decepção que sofreu até hoje?

Ter entrevistado a Jamie Lee Curtis, ter faltado a luz durante essa entrevista, ter estado 15 minutos às escuras sem ver a Jamie Lee Curtis e voltar para casa sonhando no que teria acontecido se estivesse às escuras com a Jamie Lee Curtis. Não aconteceu nada.

Gostaria de viver num hotel?

Tive essa experiência durante oito meses, no Porto. Fiquei com a certeza de que nunca quererei repetir a experiência da Beatriz Costa. Um hotel às vezes até parece a casa da gente. Mas não é.

A sua bebida preferida?

Ice tea.

Que número calça?

Depende: 42 em formato normal, 43 em ténis.

Que livro anda a ler?

Leio sempre vários ao mesmo tempo. Estou a terminar A Fórmula de Deus, de José Rodrigues dos Santos: aquilo não é um livro, é uma arma de arremesso, que pesa cerca de meio quilo! Leio também as Confissões de uma Liberal, de Maria Filomena Mónica, um livro de crónicas de António Lobo Antunes, e Bocage - A vida apaixonada de um genial libertino, de Luís Rosa.

A sua personagem de ficção favorita?

Lili Caneças.

As aparências iludem?

No caso vertente, não.

A sua cor preferida?

É o azul, apesar de ser sportinguista dos pés à cabeça.

E a música da sua vida?

Sem dúvida Bridge Over Troubled Waters, de Simon e Garfunkel.

Costuma cantar no duche?

Canto trechos de ópera e canções napolitanas.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Gosto do hino. Mas aquela parte em que se fala de marchar contra os canhões não me agrada muito. Prefiro marchar contra a mediocridade.

Que pecado capital pratica com mais frequência?

Objectivamente, a preguiça. Sou um preguiçoso frustrado. Gostava de não fazer nenhum.

Gosta de gravatas?

Gosto muito. Tenho imensas.

Com quem gostaria de jantar?

Primeiro convidem-me. Depois direi se aceito.

Qual o seu maior sonho?

Jamais conseguirei concretizá-lo, porque estou casado e sou feliz: era estar casado e ser feliz com a Sigourney Weaver.

O maior pesadelo?

Imaginar que os presidentes dos Estados Unidos podiam candidatar-se a um terceiro mandato.

O que o irrita profundamente?

Irrita-me a atitude "intelectual fresca" daqueles que me olham como se eu nunca tivesse lido em toda a minha vida outra coisa além do Tio Patinhas.

Em equipa que ganha não se mexe?

Mexe-se. Convém estar atento: nada se mantém sempre a ganhar.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?

Tratando-se do automóvel, gosto de conduzir. Na vida, adoro que me conduzam.

Casamentos gay: de acordo?

Estou de acordo com as uniões de facto gay.

Um exemplo de mulher bonita na política?

Em termos internacionais, a Ségolène Royal. A nível nacional, Teresa Caeiro: é muito bonita e tem muita graça natural.

O que faria se fosse milionário?

Dava a volta ao mundo com a minha família num avião particular. E organizava o maior campeonato do mundo de aeromodelismo. Muito privado, só meu.

Acredita no paraíso?

Acho que sim, desde que não seja um voo charter para a República Dominicana. Definitivamente, a República Dominicana cheia de charters não é um paraíso.

Tem um lema?

Aguenta-te, Júlio.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (14 de Julho de 2007)

Blogue da semana

por Pedro Correia, em 24.10.20

É um blogue que cultiva o bom gosto. Nas imagens que escolhe, nas poesias que selecciona, nas aliciantes receitas que nos vai proporcionando, na interacção que estabelece com leitores. Não admira que tenha conquistado adeptos fiéis e um núcleo alargado de visitantes.

Merece destaque aqui no DELITO. Liberdade aos 42 é o nosso blogue da semana.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 24.10.20

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Ana Vidal: «Se temos mesmo de aguentar as medidas esmagadoras que aí vêm para deixar-nos a todos - famílias e empresas - praticamente agonizantes, não poderíamos ao menos ser poupados ao descaramento deste arrogante irresponsável, que ajudou em grande medida a que chegássemos a esta tristíssima situação? Será que ainda temos de ser gozados a este ponto? Será que aguentamos tudo?»

 

Bandeira: «Jamais se arrependa do que escreve: outros se arrependerão por si.»

 

João Carvalho: «Este blogue foi a este blogue fazer um link através da cópia de um excerto do texto. Uma cópia? Uma cópia não. Pegou no infinitivo do verbo «despir» e inventou (uma, duas, três vezes) algo extraordinário: o "plural do infinitivo". E ficou todo satisfeito por ter emendado o original.»

Canções do século XXI (1300)

por Pedro Correia, em 24.10.20

Leituras

por Pedro Correia, em 23.10.20

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«Em todo o homem há o homem e o fantasma, e o fantasma é que é o nosso verdadeiro ser

Raul BrandãoEl-Rei Junot (1912), p. 29

Ed. Círculo de Leitores, 1991. Colecção Obras Completas de Raul Brandão, n.º 4

Tantos que não servem para nada

por Pedro Correia, em 23.10.20

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1

Existe em Portugal, desde 2016, uma coisa chamada Conselho Nacional de Saúde (CNS). 

Serve para quê?

Segundo a página oficial deste organismo, para «apreciar e emitir pareceres e recomendações sobre temas relacionados com a política de saúde», por iniciativa própria a solicitação do Governo. «Produz e apresenta ao ministro da Saúde e à Assembleia da República um relatório sobre a situação da saúde em Portugal, formulando as recomendações que considerar necessárias». E visa «promover uma cultura de transparência e prestação de contas perante a sociedade» . 

É composto, espantosamente, por 30 membros. Reunindo em plenário pelo menos duas vezes por ano e sempre que for considerado necessário, por decisão do presidente deste mesmo órgão ou de um terço dos seus membros, ou em qualquer ocasião a pedido do Governo. Beneficia do apoio permanente de um conjunto de peritos.

Fui à página oficial do CNS, cliquei em "a[c]tas das reuniões plenárias": a mais recente remonta a 4 de Julho. Podia ser pior: ainda não se cumpriram quatro meses de intervalo. Menos actuais são os  "relatórios de a[c]tividades": a contabilidade parece ter parado em 2018.

Enfim, senti curiosidade em perceber que notícias tinha produzido este órgão de consulta do Governo durante todo o Verão pandémico. Nada. Lembrou-se há dois dias de dar sinal de vida, interrompendo um pesado sono para parir uma "reflexão" em dez pontos. Em forma de decálogo e com a linguagem solene e desajustada da realidade a que os burocratas nos habituaram.

Lá surgem inanidades como esta: «Definir e implementar urgentemente um plano nacional de retoma da prestação de cuidados de saúde, que contemple estratégias de resposta à epidemia de COVID-19, assim como estratégias dirigidas ao cuidado das outras doenças agudas e crónicas e da promoção da saúde. Este plano deverá ser inclusivo e ter especial atenção às pessoas mais afe[c]tadas pela pandemia e às em situação de maior vulnerabilidade.» Ou esta: «Reforçar e investir em estratégias de promoção da saúde física e mental e de prevenção da doença, contribuindo para a literacia em saúde e a resiliência da população, envolvendo os recursos disponíveis em entidades governamentais, profissionais de saúde, media e redes sociais para a criação de espaços seguros e promotores de saúde, nomeadamente em escolas, lares e locais de trabalho.»

Fiquei esclarecido: isto não serve mesmo para nada.

 

2

Já havia este Conselho Nacional de Saúde. Mas o Governo, não satisfeito com isso, decidiu criar em Janeiro um Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP). Outro organismo de consulta, este especificamente destinado a emitir recomendações «no âmbito da prevenção e do controlo das doenças transmissíveis». 

Segundo o despacho ministerial que o criou, na tal linguagem pastosa e burocrática que menciono acima, o CNSP «integra representantes dos se[c]tores público, privado e social, incluindo as áreas académica e científica, pretendendo-se eclé[c]tica e abrangente, mas operacional e a[c]tuante».

Não fazem a coisa por menos: este órgão integra 20 membros, aqui enumerados - incluindo um pleonástico assento destinado ao presidente do Conselho Nacional de Saúde. 

O CNSP existe, fundamentalmente, para «análise e avaliação das situações graves, nomeadamente surtos epidémicos de grande escala e pandemias». Pensaríamos, portanto, que teria reunido diversas vezes desde que o surto epidémico em curso provocou a primeira vítima mortal no nosso país, a 16 de Março. Pura ilusão: não reuniu vez nenhuma.

Esta galeria de sumidades juntara-se apenas uma vez, antes dessa triste data, e manteve-se posta em sossego - como a doce Inês de Castro nos versos de Camões - até agora. Mais de seis meses depois, volta a reunir-se esta tarde com a ministra, por vídeo-conferência, para analisar a «implementação de medidas de saúde pública». A anterior reunião havia ocorrido a 11 de Março. E produziu uma inútil recomendação, que o Governo fez bem em não seguir, pronunciando-se contra o encerramento das escolas no âmbito do combate à pandemia.

 

3

Balanço de tudo isto: já havia um órgão inútil, criado por este Governo. Desde Janeiro, passou a haver dois. Enquanto a pandemia alastra a um ritmo avassalador, já com mais de três mil infecções diárias, esta gente nem se dá ao incómodo de fingir que mostra serviço.

Estão lá para quê?

Belles toujours

por Pedro Correia, em 23.10.20

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Ellie Rowsell

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 23.10.20

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João Carvalho: «"Visite os Açores com voo incluído" — diz o imaginativo anúncio televisivo. Bem visto. Pode parecer-vos um exagero, mas olhem que não é. Pelo contrário: dá sempre imenso jeito viajar para os Açores de avião. A sério. É a melhor maneira. Vão por mim.»

Canções do século XXI (1299)

por Pedro Correia, em 23.10.20


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