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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 18.07.19

 

«Ser livre é depender do que se gosta.»

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (836)

por Pedro Correia, em 18.07.19

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O País do trabalho sem direitos

por Pedro Correia, em 17.07.19

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Férias no Algarve. São 18.30 quando chego a um dos meus restaurantes favoritos, sem marcação prévia. Em busca do peixe bem grelhado de que tanto gosto. 

Atende-me um empregado que bem conheço. Hoje [ontem] parece-me pouco satisfeito.

- Que se passa? - pergunto.

- Falta de folgas. Cansaço. Dias após dias sem folgar.

- Mas ontem [segunda-feira] estiveram fechados, aliás como é costume...

- Sim, mas foi o último dia. O patrão acaba de avisar-nos que durante os próximos dois meses não teremos folgas. Até 15 de Setembro estaremos sempre a funcionar.

- E vão ter alguma compensação financeira por isso?

- Nem mais um cêntimo. É pegar ou largar, disse ele.

- E ele nega-vos mesmo a folga semanal?

- Sim. Ainda tentámos que no desse meia folga, ao menos isso. Mas recusou.

 

Eis um quadro que se vai multiplicando por esse Algarve fora. Acumulam-se os clientes, acumula-se a receita, acumulam-se os lucros - e diminuem os direitos dos trabalhadores, a começar pelo mais básico: o direito ao descanso.

Até Deus, que é omnipotente, descansou ao sétimo dia. Estas entidades patronais, julgando-se num mundo em que são elas a ditar as leis, arrogam-se no direito de explorar até ao tutano quem lhes presta serviço. É o caso deste restaurante, que tem um número fixo de empregados: em vez de reforçar os quadros nos meses de maior afluência de público, adequando a oferta à procura com o recrutamento de trabalhadores temporários, estica ao máximo os recursos de que dispõe, insuficientes nesta quadra, negando-lhes contrapartidas remuneratórias ou as mais que justas folgas de compensação.

Às sete da tarde, as duas salas estão cheias e começa a formar-se fila à porta para jantar. Os empregados correm de mesa em mesa: já ao almoço ocorreu algo semelhante e terão pelo menos mais três horas seguidas neste ritmo frenético.

 

Não é difícil fazer uma estimativa perante tal afluência, multiplicando comensais diários por custo médio de refeição: a meio da semana, neste estabelecimento, já a despesa estará coberta. A partir daí, tudo é lucro. O problema é que estes patrões - que adoram intitular-se "empresários" - mostram pressa em matar a galinha dos ovos de ouro. São cada vez mais frequentes os casos de cozinheiros e empregados de mesa que, cansados de tanta exigência a tão baixo preço, procuram vias profissionais alternativas. 

Tenho um amigo, proprietário de três restaurantes em Lisboa sempre cheios, que se queixa disto mesmo:

- Eles deixam de aparecer, muitas vezes nem avisam. Temos de improvisar tudo, transferindo pessoal de um estabelecimento para outro às vezes em cima da hora de abertura.

- Porque é que vocês não lhes pagam mais? - indago.

- Eh pá, sabes, a vida está difícil para todos...

 

Segue-se o habitual rosário de queixumes da parte de quem prospera a olhos vistos mas só pretende dividir escassas migalhas desses dividendos. Em Lisboa como no Algarve.

Mesmo em férias, vou pensando: eis o País que não mora nas estatísticas nem na propaganda do "Portugal positivo". O País do lucro máximo de alguns à custa dos direitos mínimos de muitos. O País onde é possível trabalhar dois meses sem sequer meio dia de folga diária, quase em regime de servidão feudal. O País do trabalho sem direitos a que partidos que tanto invocam a "classe trabalhadora", como o BE e o PCP, fecham os olhos neste quarto ano contínuo de "geringonça".

Foi para subsidiar patrões como estes que o Governo Costa/Centeno decretou logo no início uma das medidas mais demagógicas de que há memória em anos recentes: a redução da taxa do IVA na restauração. Os restaurantes não baixaram preços nem recrutaram gente: limitaram-se a ampliar as margens de lucro. Enquanto o Estado via diminuir quase 400 milhões de euros a receita fiscal neste sector, que logo tratou de compensar por outras vias, esmifrando os do costume - nós, os contribuintes - com a maior carga tributária de sempre: 35,4% do produto interno bruto.

 

Pela primeira vez, confesso, não apreciei o peixe grelhado que comi aqui.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.07.19

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Trump Debaixo de Fogo, de Michael Wolff

Rita Carvalho e Guerra e Pedro Carvalho e Guerra

Política

(edição Edições 70, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 17.07.19

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João Carvalho: «Se o PS não perdoa depressa a João Cravinho a veleidade (leia-se: iniciativa) de propor há três anos um pacote de medidas anti-corrupção e se ele não perdoa ao PS a recusa e enxovalho que recebeu em troca, os socialistas irão apresentar-se a eleições com as mãos sujas. Ou com as mãos lavadas à Pilatos.»

 

Eu: «"De repente comecei a acreditar em Deus. Tá impossível acreditar em qualquer outra coisa." (Millôr Fernandes, na sua coluna da Veja); "Ainda acredito que é possível que os cidadãos voltem a dar ao PS a maioria absoluta." (Elisa Ferreira, em entrevista ao Sol).»

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Canções do século XXI (835)

por Pedro Correia, em 17.07.19

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Frases de 2019 (20)

por Pedro Correia, em 16.07.19

 

«O Presidente da República não é comentador político.»

Marcelo Rebelo de Sousa, falando aos jornalistas no sábado, dia 13

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Um assunto de porteiras

por Pedro Correia, em 16.07.19

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A reprodução descarada e obsessiva da lógica das redes sociais pelos órgãos de informação está a contribuir para o descrédito acentuado do jornalismo que vai restando.

Há dezenas de jornalistas, em quase todas as redacções, que nada mais fazem durante dias inteiros senão escrutinar o que se cochicha e bichana nas redes, acabando por dissociar-se por completo do mundo concreto e do país real. Nas suas prédicas em papel ou no digital, recorrem aos temas e à semântica que pupulam nessas «vias alternativas à informação», como há já quem lhes chame no meio jornalístico, disparando assim contra o próprio pé.

 

Reparem no que acontece naquilo a que ainda é costume chamar «canais de notícias» na televisão. Num curioso fenómeno de mimetismo, generalizou-se o modelo CMTV, absorvido inicialmente pela TVI 24 e agora já vampirizado também pela SIC Notícias: fecham três ou quatro mecos num estúdio durante horas a discutir coisa nenhuma sobre a bola que agora nem rola nos relvados e assim supõem cumprir a missão jornalística.

Mas não cumprem: essas tertúlias de bitaiteiros são meras correntes transmissoras de boatos e rumores. Basta comparar as imagens que reproduzo acima: foram propaladas com escassas horas de intervalo no mesmo canal - a primeira às 18.17, a segunda às 22.32. Sujeitas a esta lógica editorial mais que duvidosa: primeiro imprime-se a lenda, depois (se não chover) imprime-se o facto. Assim duplica-se a audiência (o que não parece ser o caso, longe disso, no canal em causa, a avaliar pelos mais recentes números tornados públicos).

 

Isto já se pratica hoje sem sofisticação nenhuma, como é patente no exemplo que deixo aqui em baixo. Talvez farto de publicar notícias, essa coisa anacrónica e maçadora, um jornal de difusão nacional acaba de instituir uma secção intitulada "Negócios e Rumores". Como se fosse um assunto de porteiras em vez de jornalistas, sem desprimor para as porteiras.

Assim ao menos não ilude ninguém: o leitor, à partida, já sabe que irá mesmo ser enganado. 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.07.19

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O Movimento Operário e Sindical no Distrito de Aveiro (1900-2016), de Quim Almeida

Ensaio histórico

(edição Página a Página, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 16.07.19

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André Couto: «Assistimos nos últimos dias a uma lufada de apoios a António Costa. Ao contrário do que Pedro Santana Lopes atabalhoadamente transmite, não é o desespero de quem tem medo de perder as eleições.»

 

Eu: «Conheço a Helena. Sei que não pensará hoje duas vezes nestes insultos com que os adeptos de Costa a brindaram em 2007. Sei também que não se deixará iludir por todos quantos a pretendem agora levar em ombros, transformando-a numa campeã das causas da esquerda "unitária", liderada pelo PS. Ela é uma das personalidades mais bem formadas que tenho encontrado, tanto no plano pessoal como no plano político: impermeável ao insulto, imune à lisonja.»

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Canções do século XXI (834)

por Pedro Correia, em 16.07.19

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Lavourada da semana

por Pedro Correia, em 15.07.19

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«Ficou mal apanhada na fotografia. Com um sorrisinho um bocado idiota, para não dizer de atrasada mental.»

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.07.19

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Agradar e Tocar, de Gilles Lipovetsky

Tradução de Pedro Elói Duarte

Ensaio sobre a sociedade da sedução

(edição Edições 70, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 15.07.19

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Ana Margarida Craveiro: «No passado, defendi o "não" ao referendo ao aborto. Lembro-me bem do tipo de insultos que recebi, e de ver denunciada por toda a parte a minha insensibilidade, intolerância e ignorância, por recear que a lei a debate viesse normalizar uma prática que deve sempre ser evitada.»

 

Leonor Barros: «Não era preciso vir a OCDE constatar isto. Bastava competência, bom senso e um cabal conhecimento do terreno.»

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Canções do século XXI (833)

por Pedro Correia, em 15.07.19

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Leituras

por Pedro Correia, em 14.07.19

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«O Exército de D. Pedro I era comandado quase exclusivamente por generais portugueses. A informação diz muito sobre a independência do Brasil, instaurada de forma rápida e com poucos conflitos se comparada às lutas da América espanhola. Ela evidencia ainda a posição hegemônica do Rio de Janeiro, construída ao longo dos 13 anos em que abrigou a corte joanina (1808-1821), tornando-se sede do Império Português. Nesse sentido, esse perfil era previsível. O surpreendente é constatar o predomínio de portugueses no generalato entre os anos de 1837 e 1850, após a vigorosa política liberal de desmobilização do Exército. Os nascidos em Portugal constituíam, então, quase metade do corpo de generais.»

Adriana Barreto de Souza, num ensaio intitulado "O Exército e a Negociação da Ordem Monárquica no Brasil", incluído na obra colectiva Dois Países, um Sistema - A Monarquia Constitucional dos Braganças em Portugal e no Brasil (1822-1910)p. 237

Ed. D. Quixote, 2018

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Penso rápido (93)

por Pedro Correia, em 14.07.19

A China comunista, que prometia o "homem novo", nada mais tem a oferecer - 70 anos depois da implantação do regime de partido único - do que os mil pecados do homem velho, ampliados pela extensão do território e pela enorme dimensão populacional.

Racismo, xenofobia, intolerância e força bruta. Tudo velho como o mundo.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.07.19

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Mal por Mal, Antes Pombal, de José Jorge Letria

Uma memória de Sebastião José de Carvalho e Melo

(reedição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 14.07.19

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João Carvalho: «Para lá de mais este fracasso do ministério de Maria de Lurdes Rodrigues – um ano depois dos resultados extraordinários que mais não foram do que bolhas de ar para as estatísticas – a actual pretensão da APP parece inteiramente razoável. Dar conhecimento com o detalhe possível das fraquezas dos alunos é o mínimo exigível.»

 

Jorge Assunção: «McNamara remete sobretudo para a sorte o evitar de uma guerra nuclear na situação dos misseis de Cuba. Imaginar que pessoas completamente racionais estiveram em rota de desencadear uma situação explosiva desse género não é lá muito animador. A propósito, McNamara também recorda a reacção do general Curtis LeMay. Quando Kennedy deu o evitar da guerra como uma vitória, LeMay terá reagido com "Ganhámos? Porra, nós perdemos. Temos de os arrasar hoje." Era a loucura dos tempos da guerra fria.»

 

Eu: «Expressões que detesto (25): "É assim".»

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Canções do século XXI (832)

por Pedro Correia, em 14.07.19

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