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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 17.01.22

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Ana Vidal: «Habituados como estamos a que as televisões nos sirvam mortos e estropiados entre a sopa e o puré, políticos corruptos à sobremesa e catástrofes ambientais ao café, poucas notícias nos fazem já levantar a sobrancelha ou interromper um monocórdico "passa o sal". Mas hoje foi um desses dias de surpresa, de inusitada novidade: hoje assistimos, estarrecidos, à indesmentível cobardia de um comandante, chamado à pedra com todas as letras e aos berros por um capitão de porto.»

 

Ivone Mendes da Silva: «- Pedro Correia, I presume?

- I'm so sorry. Adolfo Mesquita Nunes.

- Don't be sorry: tomorrow is another day.

- Frankely, my dear, I'd prefer today.»

 

José António Abreu: «Poucas coisas nos incomodam tanto como o voluntarismo

 

José Navarro de Andrade: «Rapazes: viola ao saco; já nem na country music, último reduto das camisas de flanela aos quadrados, barba por fazer e cerveja bebida pelo gargalo, estaremos, daqui em diante, postos em sossego. Rendo-me.»

 

Leonor Barros: «O mundo insondável do futebol é isso mesmo, insondável. Para quem como eu continua a ver vinte e dois vestidos de cor diferente, é certo, mas ainda assim vinte e dois homens a correr atrás de uma bola, sem grande noção de passes, trivelas e outros truques de magia, o futebol é um mundo hermético. Um universo cheio de subtilezas mau grado a virilidade dos rapazes, prenhe de códigos a serem decifrados e dotado de uma linguagem muito própria

 

Luís Menezes Leitão: «O Governo desmentiu energicamente ter alguma coisa a ver com as nomeações para o Conselho Geral e de Supervisão da EDP. Já Miguel Sousa Tavares, no Expresso do passado fim-de-semana referiu não acreditar que tivessem sido os chineses a dizer que "pala o conselho de supelvisão da EDP, não vemos ninguém melhol do que o Catloga, o Blaga de Macedo e a Celeste Caldona”. Pois eu acredito piamente na versão do Governo. E digo mais. Começa a tornar-se claro para mim que, depois da aquisição de uma empresa estratégica portuguesa, a estratégia dos chineses passou por lançar a confusão total em Portugal através das nomeações para a EDP.»

 

Rui Rocha: «Fustigado impiedosamente nos últimos dias (circunstância para a qual, reconheça-se, muito contribuiu), sempre apontado como o elo mais fraco do Governo, candidato permanente ao sacrifício numa eventual remodelação, o Álvaro obteve, ao princípio do dia de hoje, uma importante vitória pessoal. O acordo obtido na Concertação Social marca uma nova etapa nas relações do trabalho em Portugal.»

 

Eu: «E Tudo o Vento Levou é uma película cheia de momentos memoráveis. Momentos visuais e também auditivos: as primeiras quatro notas do Tema de Tara, composto por Max Steiner, são ainda hoje reconhecíveis em todo o mundo. Como esquecer as cenas do baile (que serviu de inspiração a outros filmes que deixaram rasto, como O Padrinho e O Caçador), o incêndio de Atlanta, as imagens do fim da guerra e da subsequente devastação que atingiu o sul dos EUA, a morte da criança e a vasta escadaria na mansão da família O' Hara que serve de excelente metáfora das relações sentimentais -- os degraus parecem poucos quando o amor predomina e dir-se-iam intermináveis quando o ódio prevalece)?»

Combate cultural

Pedro Correia, 16.01.22

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Um poema de Semónides de Amorgos acaba de ser proibido na Universidade de Reading, do Reino Unido, devido à sua «misoginia extrema», como alegam os censores, preocupados com o «incómodo» que tais palavras pudessem causar aos estudantes. Parecendo ignorar que o texto foi escrito há 2700 anos. 

Considerado um dos pais da sátira nos estudos gregos clássicos, Semónides chocou as sensibilidades das donzelas do século XXI e dos seus tutores masculinos naquele estabelecimento universitário por ter redigido versos como estes: «Nunca passa tranquilo um dia inteiro / todo aquele que com uma mulher convive.»

Eis quanto bastou para as sinetas da interdição soarem em Reading, à revelia do que deve constituir o verdadeiro espírito universitário, livre por definição e natureza. É mais um triste exemplo da chamada "cultura do cancelamento" que vai fermentando um pouco por toda a parte, com a medrosa cumplicidade dos cenáculos culturais e dos meios de comunicação. 

Maite Rico, ex-subdirectora do El País recentemente integrada nos quadros redactoriais do El Mundo, alude à mordaça agora imposta ao velho Semónides na sua "carta de apresentação" da revista La Lectura, que passa a integrar as edições de sexta-feira do diário madrileno de inspiração liberal.

«Não passa uma semana sem vermos os estragos que vem provocando esta onda de fanatismo neopuritano, com origem nas universidades anglo-saxónicas, que pretende impor pela censura e cancelamentos a uniformidade bem-pensante na academia, na cultura, no jornalismo e na política», escreve a excelente jornalista espanhola. Sublinhando que a nova revista «defenderá o valor da palavra e da liberdade de expressão», frente às «febres identitárias e aos chavões populistas, que usam a chantagem emocional e as queixas para calar quem pensa de modo diferente».

Leio estas palavras, não podendo estar mais de acordo com a linha editorial aqui expressa. E penso como faz falta em Portugal um projecto editorial na mesma linha. Em defesa da liberdade sem adversativas, contra todas as formas de censura - por mais politicamente correctas que se intitulem. Aliás um dos mais urgentes combates culturais tem precisamente de ser feito contra a correcção política. Que multiplica anátemas e tabus, silenciando qualquer opinião que ouse beliscar os novos dogmas.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 16.01.22

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Ana Vidal: «De tanto ouvir Bach, acabou por especializar-se na arte da fuga. A última foi de si próprio.»

 

Leonor Barros: «Sempre me encanitou esta obsessão dos portugueses por bater records. Pais-natais, cachecóis, feijoadas, bolos-rei, paellas, narizes, sardinhadas, a lista é imensa e acredito que infindável. Portugal pode até candidatar-se para os mais peculiares ministros da Economia do mundo. O Pinho e o Álvaro são duas figuras impagáveis e não estivessem à frente do país, um tivesse estado, e ririamos desalmadamente, isto se fossem figuras dos Monty Python ou do Little Britain.»

 

Luís M. Jorge: «Álvaro Santos Pereira foi parar ao Governo porque tinha um blog e morava no Canadá. O método de recrutamento, embora singelo, foi bem intencionado: se ele tinha um blog sabia do que falava, certo? Certo. E se morava no Canadá, com certeza não devia ser ladrão.»

 

Rui Rocha: «O pensamento torna-se límpido. E até colorido e refrescante. O próprio ritmo da frase é outro. E assim, a todos aqueles que estão mortinhos por comentar este post dizendo que Cavaco podia ter feito mais com menos (isto é, mais correcção na utilização da língua com a palavra futuro a menos), digo que poder podia, mas que não era a mesma coisa. No fundo, não seria tão divina a comédia.»

Nós

Pedro Correia, 15.01.22

Nos últimos cinco anos, registámos 2,7 milhões de visitas e 6 milhões de visualizações no DELITO DE OPINIÃO. Confirmando a vitalidade do nosso blogue, já no 14.º ano de existência.

Fica o registo, que talvez interesse aos apreciadores de dados estatísticos. E para mais tarde recordar.

Frase nacional de 2021

Pedro Correia, 15.01.22

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«Já posso ir ao banco?»

António Costa para Ursula von Der Leyen, 16 de Junho

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«Tenho um excelente ministro da Administração Interna e vivo muito bem com o senhor ministro da Administração Interna.»

António Costa, justificando a manutenção de Eduardo Cabrita no Governo (Maio)

 

«Estou irritantemente optimista.»

Marcelo Rebelo de Sousa, sugerindo que as medidas de restrição impostas pela pandemia iriam ser suavizadas (Julho)

 

«Vejam o parolo que sou.»

Augusto Santos Silva, demarcando-se de Sócrates, com quem trabalhou durante anos (Maio)

 

«Não há vidas insignificantes nem vidas menos importantes. Somos todos seres humanos.»

Gouveia e Melo, ao receber um Globo de Ouro na SIC (Outubro)

 

«Nunca haverá um governo de direita se o BE o puder impedir.»

Catarina Martins, na ressaca do chumbo do Orçamento em que votou com a direita (Novembro)

 

«Eu sou o passageiro.»

Eduardo Cabrita, sobre o atropelamento mortal de um trabalhador pela sua viatura oficial (Dezembro)

 

«O azar de Rendeiro foi haver eleições em Janeiro.»

Rui Rio, numa crítica à Polícia Judiciária que quase ninguém entendeu (Dezembro)

 

«Fiz mal em ir para o Governo, perdi uma fortuna incalculável.»

Manuel Pinho, tentando - sem sucesso - puxar à lágrima em entrevista ao Expresso (Dezembro)

 

«Temos de ir jogo a jogo.»

Rúben Amorim, treinador campeão pelo Sporting ao fim de 19 anos (Dezembro)

 

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

(Almeida Santos)

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

(Pedro Nuno Santos)

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

(Paulo Portas)

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

(José Sócrates)

Frase nacional de 2015: «Temos os cofres cheios.»

(Maria Luís Albuquerque)

Frase nacional de 2016: «Já avisei a famíia que só volto no dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa.»

(Fernando Santos)

Frase nacional de 2017: «Este ano foi um ano particularmente saboroso para Portugal.»

(António Costa)

Frase nacional de 2020: «Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?»

(Ferro Rodrigues)

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 15.01.22

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José António Abreu: «Continuo a ouvir imensa música, até mais do que por alturas da minha adolescência, quando o dinheiro de que dispunha para a comprar era muito limitado, e continuo a procurar música nova, mas reduzi o grau de profundidade com que a ouço. E o mesmo acontece noutras áreas (na literatura, um pouco menos). A quantidade substituiu não a qualidade dos itens mas a da sua fruição; substituiu a profundidade da análise.»

 

Luís M. Jorge: «Os vates lamentam o apagamento do PS, como se um grande silêncio tivesse descido sobre a terra e numa perversão do um-dó-li-tá colasse por capricho as ventas dos cíceros e quintilianos socialistas. Enquanto o país tagarela, dezenas de almas aflitas perguntam ao vento: porque não falas, Seguro — e no dia seguinte, tendo Seguro falado lamentam, oh, porque não te calaste

 

Luís Menezes Leitão: «Em Portugal o Governo não tem estado infelizmente à altura da crise. Desbaratou todo o seu capital político em nomeações controversas enquanto as reformas marcam passo. Ao mesmo tempo o ministro das Finanças conseguiu o prodígio de já estar a falhar a meta do défice de 2012 em 0,9 % do PIB apenas duas semanas depois de o ano ter começado. Isto simplesmente porque se esqueceu de contabilizar os efeitos em 2012 da transferência dos fundos de pensões efectuada para salvar o défice de 2011.»

 

Eu: «O nosso leitor número dois milhões acaba de nos fazer uma visita. Foi aqui recebido como os restantes 1.999.999: sempre com cortesia e até com carinho. Porque o DELITO DE OPINIÃO não seria o que é sem os seus leitores. Mesmo daqueles que protestam, que se irritam e às vezes nos irritam. Por isso fazemos questão de responder a todos quantos nos comentam.»

Leituras

Pedro Correia, 14.01.22

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«Sobre O Meu Pipi, fica uma dúvida de resposta difícil: seria hoje possível o aparecimento e propagação deste tipo de escrita, sem que os ruidosos movimentos de combate ao sexismo e à homofobia se entregassem à mais profunda indignação?»

Sérgio Barreto MotaA Blogosfera Portuguesa, p. 102

Ed. Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2021. Colecção Retratos da Fundação

Facto internacional de 2021

Pedro Correia, 14.01.22

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ASSALTO AO CAPITÓLIO NOS EUA

Aconteceu logo no início do ano, a 6 de Janeiro de 2021. Todos assistimos, incrédulos e atónitos. Nunca se tinha visto algo assim: uma turba enfurecida subia as escadarias do Capitólio, em Washington, e invadia o histórico edifício, perante a impotência das forças de segurança, colocando em risco senadores e congressistas. Precisamente quando ali se travava um debate fundamental: o que viria a confirmar em definitivo o resultado da eleição presidencial de Novembro de 2020.

Estes milhares de insurrectos, apoiantes declarados de Donald Trump, invadiram e vandalizaram a sede do poder legislativo dos EUA com a intenção deliberada de castigar figuras públicas como a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, o líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, e o próprio vice-presidente Mike Pence, a quem acusaram de traição por conceder a vitória a Joe Biden, seu adversário político. Algo que Trump ainda hoje não fez.

A sessão foi interrompida, com o mundo a assistir em directo. Mas viria a ser retomada nessa mesma noite, quando a forças da ordem conseguiram travar a multidão em fúria e deter alguns dos cabecilhas, impedindo danos maiores. Com cinco mortos registados, entre eles quatro polícias. 

 

Este brutal assalto ao Capitólio foi para nós o Acontecimento internacional de 2021, com oito votos em 25 emitidos pelos autores do DELITO DE OPINIÃO que participaram nesta escolha. 

Venceu à tangente. Em segundo lugar, com sete votos, foi mencionado o regresso dos talibãs ao poder no Afeganistão, perante a humilhante retirada das forças ocidentais, incluindo as norte-americanas. Aconteceu em 15 de Agosto: foi outro facto que fez chocar o mundo.

Em terceiro lugar, com três votos, a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, fora da data inicialmente prevista: deviam ter acontecido em 2020 e acabaram por ocorrer só no ano seguinte, entre 23 de Julho e 8 de Agosto. Com uma particularidade: as provas desportivas disputaram-se sem público devido às fortíssimas restrições impostas pela pandemia. Facto inédito, a merecer destaque.

 

Houve ainda votos isolados em vários outros temas, que passo a referir:

- Chegada da missão Perseverance à superfície de Marte.

- Escalada dos regimes autoritários e totalitários em diversos países: China, Rússia, Bielorrússia, Afeganistão, Turquia e Nicarágua.

- Tensão crescente na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.

- Falta de capacidade própria da UE em questões de defesa.

- Missão militar SACD em Moçambique.

- Agravamento da crise de cadeia logística desencadeada pela pandemia.

- Itália, campeã europeia de futebol.

 

O debate mais importante

Pedro Correia, 14.01.22

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O que disse António Costa:

«O doutor Rui Rio preocupa-se muito com os números e isso foi-o tornando insensível às pessoas.»

«Se não tiver maioria absoluta não viro as costas aos portugueses, não viro as costas a Portugal.»

«Eu apresento-me a estas eleições não só com um programa de governo mas com um Orçamento do Estado para aprovar imediatamente a seguir ao governo entrar em funções.»

«170 mil famílias da classe média ficarão isentas do pagamento de IRS.»

«Pela primeira vez na nossa história, temos um nível de qualificação que começa a aproximar-se da média europeia.»

«Há uma necessidade nacional de reforçar a confiança dos cidadãos na justiça.»

«O programa do PSD é muito perigoso relativamente à justiça.»

«Faça um telefonema ao doutor Paulo Rangel para ele lhe explicar porque é que a Comissão Europeia abriu processos contra a Polónia e a Hungria.»

 

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O que disse Rui Rio:

«Todos queremos a maioria absoluta. Mas a probabilidade de termos maioria absoluta é muito próxima de zero.»

«O doutor António Costa não tem condições de reeditar a geringonça mesmo que seja o mais votado.»

«Se o PS ganhar teremos outro primeiro-ministro que não o doutor António Costa e aí tudo leva a crer que é o doutor Pedro Nuno Santos e aí teremos o Bloco de Esquerda mesmo dentro do governo e com ministros do BE.»

«Prioridade: criação de  riqueza. Depois, distribuição. Porque quero o futuro dos portugueses, não quero só o amanhã.»

«Desde 1995, o doutor António Costa teve cargos de responsabilidade em todos os governos do PS. Com António Guterres foi ministro dos Assuntos Parlamentares e ministro da Justiça, com José Sócrates foi ministro da Administração Interna e n.º 2 do governo, e agora é n.º1 do governo. Toda esta linha que foi seguida, que deu os resultados que nós sabemos, com Portugal na cauda da Europa, é a linha que vai continuar.»

«O doutor António Costa quer obter resultados diferentes com a mesma política que sempre seguiu.»

«Agora exibe o Orçamento do Estado para 2022, que a seguir à descoberta do caminho marítimo para a Índia deve ser a coisa mais importante que vai ficar na história de Portugal.»

«Há mais funcionários públicos do que havia e os serviços públicos estão muito pior.»

 

Esta noite, em simultâneo, nos três canais generalistas

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 14.01.22

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Ana Vidal: «Segundo Eduardo Catroga - que aparentemente ninguém consegue calar - foi essa a lógica que presidiu à escolha das nomeações na EDP. Se é assim, sugiro esta espécie de Dona Urraca do carnaval de Loulé para a próxima privatização. Não se pode dizer que não é uma cara conhecida

 

Leonor Barros: «Vida de professor é feita de papéis, papelinhos, destacáveis, comprovativos e tudo o que tenha a ver com papeladas, burocracia sem fim. Nos intervalos de tudo isto sou professora e faço aquilo devia fazer e que o tempo em volta dos papéis me rouba.»

 

Luís M. Jorge: «É a confissão da semana nos blogs liberais. De um dia para o outro a direita portuguesa encheu-se de cheerleaders loiras e alheadas.»

Facto nacional de 2021

Pedro Correia, 13.01.22

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VACINAÇÃO EM MASSA

Quase todos nós passámos por isto entre Janeiro e Dezembro: fomos vacinados contra a covid-19. Em dose dupla, na grande maioria dos casos. E ainda com reforço, em boa parte, à beira do fim do ano. A vacinação em massa foi considerado o Acontecimento Nacional de 2021 em eleição democrática no DELITO DO OPINIÃO, seguindo uma tradição aqui iniciada em 2010.

Graças à unidade de missão liderada pelo almirante Henrique Gouveia e Melo, Portugal passou do quinto lugar mundial em número de infectados na relação com o número de habitantes e do oitavo posto em óbitos também nesta escala registados no início de Fevereiro para o estatuto - reclamado pelo Governo - de país proporcionalmente mais vacinado no globo, já em Novembro, quando 86% da população nacional tinha recebido vacinas. 

A memória colectiva tende a diluir-se. Eis, portanto, o momento de lembrar como este caminho foi muito tortuoso. Em Janeiro, chegámos a ser o país com mais mortes e mais novos casos de coronavírus por milhão de habitantes, quando havia 11 pessoas a morrer por hora de Covid-19. O panorama alterou-se, para muito melhor, graças em boa parte à intervenção de Gouveia e Melo, a quem o Expresso, em Junho, chamava "o almirante salva-vidas". Num só dia, 6 de Julho, foram ministradas mais de 154 mil vacinas.

 

A pandemia continua connosco, agora com carácter quase endémico e um surto de infecções menos letal. Mas não esquecemos o pesadelo destes quase dois anos nem o combate que lhe foi sendo travado neste país agora com 19.181 mortos oficialmente registados, vítimas do vírus que veio da China. E ainda não é possível baixar a guarda. Ontem Portugal registou um máximo de novos casos em 24 horas: 40.945. Apesar das vacinas e de todas as outras precauções que nos dominam o quotidiano. 

Não por acaso, o acontecimento nacional do ano destacado pelo DELITO em 2020 já tinha sido o novo coronavírus. Nota-se uma linha de continuidade neste destaque de 2021, que mereceu dez dos 25 votos da tribo "delituosa". 

 

O segundo lugar, com sete votos, coube ao colapso da geringonça, associado (três votos) ao chumbo do Orçamento do Estado, o primeiro ocorrido desde sempre em quase meio século de sistema democrático. 

 

Depois, cinco outros factos, cada qual com um voto. Passo a enunciá-los para ficarem devidamente lavrados em acta:

- Atropelamento do trabalhador Nuno Santos pela viatura ministerial em que seguia o ex-ministro Eduardo Cabrita.

- Decisão do Governo de "investir" na TAP com dinheiro dos nossos impostos.

- A rocambolesca fuga para a África do Sul do ex-banqueiro João Rendeiro, já condenado por sentença definitiva em Portugal.

- Sporting campeão nacional de futebol 19 anos depois.

- Queda de Luís Filipe Vieira, confrontado com uma sucessão de investigações judiciais que o levaram a abandonar a presidência do Benfica.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Facto nacional de 2016: Portugal conquista Europeu de Futebol

Facto nacional de 2017: Portugal a arder de Junho a Outubro

Facto nacional de 2018: incúria do Estado

Facto nacional de 2019: novos partidos no Parlamento

Facto nacional de 2020: o vírus que nos mudou a vida

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 13.01.22

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Ana Vidal: «Acabo de receber, de uma amiga escritora brasileira, este video sobre o encerramento da Livraria Camões do Rio de Janeiro, uma importante ponte cultural entre os nossos dois países.»

 

Cláudia Köver: «Não sei o que me espera nos próximos dias em Lisboa (no livro, digo eu), mas sei que sempre que estou “lá por fora” sinto a falta desta cidade e de muita coisa que se representa neste livro: o vintage, o velho, o local remoto, romântico e por vezes esquecido e abandonado pelos seus próprios habitantes.»

 

José António Abreu: «Rotunda da Boavista, há cerca de uma hora. Um Ford Focus encontra-se parado na faixa interior, junto ao passeio. Lá dentro, um casal de idade. O homem, sentado atrás do volante, tem o braço esquerdo de fora, tão estendido quanto lhe é possível. Agarra pelos fundos um saco plástico que começa a sacudir. Caem bocados de pão no piso empedrado. De imediato, alguns pombos surgem junto ao carro. O trânsito não é intenso e os outros condutores vão-se desviando. Ninguém apita.»

 

Leonor Barros: «Nunca devia ter ouvido o meu pai, a minha mãe, os meus professores. Para quê queimar as pestanas? Mais vale ser motorista. Das pessoas certas, obviamente.»

 

Patrícia Reis: «O ordenado de Eduardo Catroga equivale a 7 anos de ordenado mínimo. O valor de mercado do senhor não sei, mas deduzo que o mesmo só possa ser avaliado se tiver um chorrilho de ofertas para trabalhar aqui e ali. Será o caso? Duvido muito.»

 

Rui Rocha: «E assim, de repente, parece-me que o Natal já foi há muito, muito tempo.»