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Pensamento da Semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 24.06.18

A democracia liberal foi uma das maiores conquistas políticas da humanidade, e os países que a adoptaram dispõem de uma sociedade mais aberta, mais plural, com mais oportunidades, com mais qualidade de vida. Ao contrário do que é opinião comum, esses países vivem hoje, como aliás o Mundo vive, melhor do que nunca: os níveis de pobreza, subnutrição, analfabetismo, exploração no trabalho ou mortalidade infantil estão a ser reduzidos a uma velocidade nunca vista, ao mesmo tempo que o PIB per capita e os níveis de qualidade de vida crescem sustentadamente (para os que duvidam deste diagnóstico recomendo a leitura de Progress: Ten Reasons to Look Forward to the Future, de Johan Norberg).

 

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Pensamento da Semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.10.17

Há na política uma disponibilidade para o outro, uma vocação para o bem comum, para fazer do que temos, do que somos e de como nascemos, algo de melhor. Com desvios, com paragens pelas bermas, com erros e muitas tentativas, com tudo isso e com muitas degenerações, mas sempre, no princípio e nos princípios, uma vocação de serviço. Não há política sem a conjugação do altruísmo. Sem os outros, a política é outra coisa qualquer, um desmando, um arrepio, um vício, mas não política.

Mas a política, desde logo no seu quotidiano, mas sobretudo no sopro inicial, é um exemplar caso de egoísmo, de autossuficiência. Há ali uma presunção de comando, de sabermos mais ou melhor do que os outros e de, por isso, nos caber um papel na definição do dever ser. Não há política sem um pressentimento de predestinação, que, nos melhores casos, revela heroísmo e liderança. Há por isso um egoísmo, pelo menos naquela percepção do Oscar Wilde que vê no egoísmo a vontade de regular como devem os outros viver.

Não há incompatibilidade nesta combinação, de altruísmo e egoísmo, até porque ela se impõe, inevitável. Mas ela é, isso sim, susceptível de milhares de variações, com resultados tão dispares quantos os Grandes deste Mundo, os que admiramos e os que odiamos, porque nenhum egoísmo autoriza unanimidade, nenhum altruísmo garante infalibilidade.

(excerto editado de um texto meu, "A política é o mais altruísta dos egoísmos", publicado no número da revista Egoísta dedicado à Política) 

 

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O interior que arde*

por Adolfo Mesquita Nunes, em 22.08.17

Se os fogos que consomem o interior fossem à entrada de Lisboa ou do Porto, com a sua devastação, olharíamos com a mesma complacência para as falhas de coordenação e afectação de meios? Continuaríamos a aceitar que ninguém assumisse responsabilidades? Deixaríamos que as explicações fossem de modo a tratar tudo isto como uma enorme fatalidade que não pode ser evitada?

À hora que escrevo, o fogo anda à solta na Serra da Estrela e às portas da minha terra, a Covilhã. Foi na Covilhã, ainda na parte urbana, que o fogo começou, sem eucaliptos, e dali se espalhou, até em zona de pinhal limpo e ordenado. Na semana passada, o fogo consumiu a bem ordenada Serra da Gardunha, levando uma parte da produção agroalimentar da Cova da Beira.

Conheço as justificações que correm para que tudo isto seja tratado como uma enorme fatalidade num ano extraordinariamente severo com demasiadas ocorrências, muitas delas simultâneas.

Sucede que essas explicações são desmentidas no recente relatório do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que faz uma análise comparativa do período de janeiro a 15 de agosto dos últimos dez anos.

 

 

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Modo de Vida (46)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 21.02.17

Há uns meses, andava eu pelo Porto, encontrei o 'Pensadora das Coisas Pensadas', da Agustina. Comprei-o, que ainda o não tinha, e abri uma página ao acaso, para nesse acaso me fixar na primeira frase que me surgisse. É um hábito antigo, este, o de abrir ao acaso os livros dos autores de que gosto muito, como que para receber uma inspiração, um conselho. Tiro uma fotografia, registo o dia, e procuro onde aplicar o ensinamento. Ontem dei pela fotografia que tirei ao 'Pensadora das Coisas Pensadas', num imprevisto exacto, oportuno: "O mistério da vida cumpre-se em cada homem de uma forma única. A harmonia depende possivelmente de que deveríamos impor menos as fórmulas de felicidade, que é bom senso de raros, e aceitar redimensionando-a pela responsabilidade própria, a incoerência de todos".

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Blogue da semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 20.11.16

Não gosto de acabar de ler ou ver uma entrevista pensando nas perguntas que faltam, naquelas que eu faria se tivesse a oportunidade de entrevistar aquela pessoa ou aquelas pessoas. Não se trata tanto de querer que as entrevistas repliquem aquilo que me pergunto, um atrevimento sem sentido, mas de querer que elas caminhem de tal forma que até eu me esqueço das perguntas que faria. Não sucede assim tantas vezes, mesmo que haja cada vez mais e mais entrevistas, mas sucede muitas vezes com as entrevistas da Anabela Mota Ribeiro, a que volto muitas vezes em dias de chuva como este, por exemplo. 

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Do princípio ao fim (26)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 19.10.16

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Procure-se pelas melhores primeiras frases de livros e lá constará, com certeza, a frase inicial do The End of the Affair, do Graham Greene.

 

A story has no beginning or end; arbitrarily one chooses that moment of experience from which to look back or from which to look ahead.

 

Gosto deste começo, de me saber escritor, aqui também personagem, na decisão sobre o momento certo, o pretexto por onde começar, descobrindo afinal que somos uma extensão de momentos, sem princípio nem fim, porque a nossa história nunca começa ou acaba connosco, nem pode sequer ser lida de forma sequencial (o romance, precisamente, não é assim narrado). Esta percepção do tempo, apesar de me interessar muito, não é a razão pela qual escolho o The End of the Affair. Permitam-me que partilhe o parágrafo todo.   

 

A story has no beginning or end: arbitrarily one chooses that moment of experience from which to look back or from which, to look ahead. I say 'one chooses' with the inaccurate pride of a professional writer who - when he has been seriously noted at all - has been praised for his technical ability, but do I in fact of my own will choose that black wet January night on the Common, in 1946, the sight of Henry Miles slanting across the wide river of rain, or did these images choose me? It is convenient, it is correct according to the rules of my craft to begin just there, but if I had believed then in a God, I could also have believed in a hand, plucking at my elbow, a suggestion, 'Speak to him: he hasn't seen you yet.”

 

A razão pela qual escolho o The End of Affair está nesta continuação da primeira frase, a suspeição de que Alguém nos subtrai o livre arbítrio, se sobrepõe a nós nas nossas escolhas, ou pelo menos provoca as condições em que as fazemos. Terá sido Deus, mesmo um ateu se pergunta, a empurrar o protagonista para este momento inicial, para o primeiro diálogo, para o encontro com o marido da ex-amante? Foi Deus que me colocou aqui, neste país, nesta família, neste ambiente? E se o fez, porquê? E este é um tema que me interessa ainda mais.

 

Todo o livro nos confronta com esta omnipresença e omnipotência de Deus, de tal forma que o protagonista passa o tempo inteiro a querer provar justamente o contrário, que Ele não existe ou que, pelo menos, não exerce qualquer poder sobre ele, ainda que o apanhemos a rezar no final.

 

Neste sentido, há uma certa linha paralela com o Hazel Motes do Wise Blood, de outra escritora de que gosto muito, a Flannery O’Connor, nesta persistência em livrar-se de Deus, de uma autoridade que o anteceda e comande, sendo que aqui Deus exerce uma função rival, quase o antagonista sexual com quem Maurice compete por Sarah. Há por isso uma convicção de que Deus nos dificulta, nos perturba, sendo por isso mais fácil viver sem ele, mas há também uma noção de Deus enquanto nosso adversário, não apenas nosso arbítrio.

 

Volto várias vezes a este tema da nossa relação com Deus, quase sempre pela literatura, e talvez por isso goste tanto dos dois autores que refiro neste post. Não tenho por hábito partilhar reflexões demasiado pessoais na blogosfera, pelo que termino o post, sem sugestões, mas com a convicção de que há neste romance do Graham Greene um desenhar de combate que conheço muito bem. 

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(Euro)peu

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.07.16

O Europeu de Futebol, com as suas emoções, é uma -- mais uma, mas bastante elucidativa -- demonstração de que a Europa é feita de nações com histórias, culturas, emoções e percursos próprios. Cada nação a sofrer pelo seu país, a criticar a selecção do lado, a orgulhar-se do seu trajecto, chamando pelos seus, chorando com os seus. Não há qualquer problema nisso, é o que nos sai com naturalidade, sem maldade. E talvez devêssemos prestar mais atenção a essa demonstração, porque ela diz muito de nós, das nossas circunstâncias.

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Só um totalitarismo poderá impedir essa diversidade de percursos, ou pelo menos a sua manifestação. Só uma ditadura nos impedirá de nos sentirmos mais portugueses do que qualquer outra nação a competir pelo título. Só coagidos nos esqueceremos de aplaudir e chorar os nossos golos e as nossas falhas.

 

Qualquer projecto político ou institucional europeu que não dê conta dessa diversidade, que a não integre no seu processo decisório, que não faça dela um activo, só encontrará problemas e criará outros tantos. É evidente que estas nações se unem por valores comuns, e que partilham muito do que as fez sobreviver num Mundo que viu tantos apogeus e tantos declínios. Mas essa partilha, genuína, nunca as fez perder essa individualidade.

 

Num momento em que a Europa enfrenta tantos desafios, talvez fosse bom olhar para o Europeu com olhos de ver.  

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Euro-snobbism

por Adolfo Mesquita Nunes, em 22.06.16

A 15 de Maio de 1992, em Haia, Margaret Thatcher sintetizava, num discurso intitulado de 'Europe’s Political Architecture', os seus principais receios sobre a moeda única e registava a forma como esses receios, as suas dúvidas, que lhe pareciam gritantes, não mereciam, no espaço público europeu, muito mais do que desdém, como se não merecessem atenção, como se fossem umas ideias antiquadas de uma provinciana (chegou a dizer-se que ela queria voltar ao Século XIX).

Aqui ficam, de novo, para que possamos dar-lhes a atenção que então não mereceram. E que pelo menos nos sirvam de lição, não tanto sobre o euro, mas sobre a forma como muitas vezes lidamos, no debate público, com as ideias com que não concordamos (o discurso integral pode ser lido aqui).   

If the European Community proceeds in the direction which the majority of Member State Governments and the Commission seem to want they will create a structure which brings insecurity, unemployment, national resentment and ethnic conflict.

Insecurity — because Europe's protectionism will strain and possibly sever that link with the United States on which the security of the continent ultimately depends.

Unemployment — because the pursuit of policies of regulation will increase costs, and price European workers out of jobs.

National resentment — because a single currency and a single centralised economic policy, which will come with it, will leave the electorate of a country angry and powerless to change its conditions .

Ethnic conflict — because not only will the wealthy European countries be faced with waves of immigration from the South and from the East.

Also within Europe itself, the effect of a single currency and regulation of wages and social costs will have one of two consequences.

Either there will have to be a massive transfer of money from one country to another, which will not in practice be affordable.

Or there there will be massive migration from the less successful to the more successful countries.

Yet if the future we are being offered contains so very many risks and so few real benefits, why it may be asked is it proving all but irresistible ?

The answer is simple.

It is that in almost every European country there has been a refusal to debate the issues which really matter.

And little can matter more than whether the ancient, historic nations of Europe are to have their political institutions and their very identities transformed by stealth into something neither wished nor understood by their electorates.

Yet so much is it the touchstone of respectability to accept this ever closer union, now interpreted as a federal destiny, that to question is to invite affected disbelief or even ridicule.

This silent understanding — this Euro-snobbism — between politicians, bureaucracies, academics, journalists and businessmen is destructive of honest debate.

So John Major deserves high praise for ensuring at Maastricht that we would not have either a Single Currency or the absurd provisions of the Social Chapter forced upon us: our industry, workforce, and national prosperity will benefit as a result.

Indeed, as long as we in Britain now firmly control our spending and reduce our deficit, we will be poised to surge ahead in Europe.

For our taxes are low: our inflation is down: our debt is manageable: our reduced regulations are favourable to business.

We take comfort from the fact that both our Prime Minister and our Foreign Secretary have spoken out sharply against the forces of bureaucracy and federalism.

Our choice is clear: Either we exercise democratic control of Europe through co-operation between national governments and parliaments which have legitimacy, experience and closeness to the people.

Or, we transfer decisions to a remote multi-lingual parliament, accountable to no real European public opinion and thus increasingly subordinate to a powerful bureaucracy.

No amount of misleading language about pooling sovereignty can change that.

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Modo de Vida (45)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 13.06.16

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 (sobre estes dias nossos, ocorreu-me este começo da Maria Gabriela Llansol)

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Fora de série (19)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 03.06.16

Explicar por que razão uma série de desenhos animados como ‘Era uma Vez o Espaço’ me atraiu tanto é um exercício de especulação. Foi a minha primeira série, no sentido em que foi a primeira vez que ansiei por novos episódios, em que me sonhei personagem, em que quis colecionar tudo o que existia e não existia sobre os desenhos animados. E a música do genérico é, ainda hoje, uma das canções da minha vida, com força suficiente para me fazer regressar a um tempo em que tudo ainda fazia sentido.

Mas como explicar este interesse, quando tinha 7 ou 8 anos? O que pode justificar este fascínio? Não sei responder com sinceridade, embora hoje possa, revendo e conhecendo melhor a série, perceber alguns dos aspectos que merecem ser destacados. Refiro dois.

Comecemos pelo tema, o espaço, ideal para atrair a atenção de qualquer criança. Havia no enredo uma aproximação aos temas clássicos da ficção científica, um planeta consciente, robôs que se revoltam, civilizações esquecidas, etc…, expostos de uma forma pouco comum nos desenhos animados sobre o espaço.

Havia naquela história, muitas vezes inspirada na mitologia grega, em que as armas não matavam e os bons eram liderados por uma mulher, uma preocupação em explorar os temas de uma forma mais filosófica: democracia, religião, morte, tolerância, diversidade. Talvez por isso, havendo bons e maus, a história se passasse num ambiente apesar de tudo pacificado, em que espécies diferentes conviviam em harmonia, em que a ciência e a razão dominavam como fontes de prosperidade e em que uma das protagonistas não era ariana.

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E agora a música, do Michel Legrand, com orquestra sinfónica, que atravessa toda a série. Poucos desenhos animados se terão dado a este luxo, de juntar um grande compositor e uma orquestra de propósito para acompanhar as cenas espaciais das personagens. Ainda hoje essas composições têm força suficiente para tornar esta série numa série de culto, embora ofuscada por séries como Espaço 1999 ou Gallactica, que na altura competiam também pelo público infantil. Ora escutem.

Não sei se isto ajuda a explicar por que razão esta série me marcou tanto. Mas não deixa de ser uma boa forma de despertar a curiosidade de quem ainda não conhece esses desenhos animados, muito diferentes aliás dos restantes da mesma série ‘Era uma Vez’ (os mais populares, em Portugal, davam pelo nome de ‘Era uma Vez a Vida’). Quanto ao mais, tudo o que esta série me faz recordar, tudo o que nela me inspira, não caberia aqui. 

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Blogue da semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.05.16

A blogosfera começou, para mim, por ser política. Estávamos em 2003 ou 2004 e nela encontrava, ou começava a encontrar, outras formas de pensar os factos e a história que não vinham nos jornais. Fossem de esquerda ou de direita, pensassem ou não como eu, os blogues políticos serviram-me, anos a fio, como leitura primeira do dia, antes mesmo dos jornais. E desses tempos ainda hoje guardo amigos, de vários cantos. Mas a chegada de novas plataformas, para onde muitos dos seus autores migraram, fez com que a política deixasse de ser, para mim, o principal motivo de leitura da blogosfera. É hoje raro, muito raro, perder minutos na blogosfera, para além da leitura dos blogues liberais com que me identifico, para descobrir análise política que me interesse. Mas há excepções, e escolho uma delas para blogue da semana: o Gremlin Literário. Uma análise acutilante e com um enorme sentido de humor a que regresso com muita frequência.

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Modo de Vida (44)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.01.16

“Eu gosto que a escrita se dissipe, e volte texto” ficou-me como uma maldição, da primeira vez que li o Ardente Texto Joshua. Um texto que não se encontra na literatura, para além da minha capacidade de discernimento, que justifica a procura, como uma missão. Tudo o que tento é escrita, não volta. Não chego lá, não chegarei lá, e é essa a maldição.  

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Blogue da semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 04.01.16

O Bruno Garschagen é um professor brasileiro de teoria política, podcaster, tradutor e escritor, para além de ser mestre em ciência política e relações internacionais pela Universidade Católica Portuguesa/Universidade de Oxford.

Lançou há uns tempos um livro de que gostei particularmente, Pare de Acreditar no Governo, onde o autor evidencia um paradoxo que poderia bem aplicar-se por cá: os brasileiros atribuem ao Estado um papel crescente na sociedade e economia brasileira mas detestam os políticos que o compõem.

No fundo, o livro explora a ideia de que não há Estado sem políticos e que a demanda por mais e mais Estado resulta sempre em mais e mais políticos.

É, pois, o blogue do Bruno que destaco como blogue da semana, à conta de afinidades liberais, mas que serve essencialmente para vos dar conta do divertido e interessante livro: http://www.brunogarschagen.com/

 

 

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Modo de Vida (43)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.12.15

Hoje fiquei sem uma amiga. Sem aviso, sem premonição, fiquei sem ela. E há um sentido inaugural nesta absoluta perda, a primeira que me chega sem cumprir qualquer lógica, consequência ou ordem natural; e que por isso me apanha à socapa, onde mais me dói. Hoje fiquei sem uma amiga. Não é este o momento para escrever, nem saberia o quê, que só me ocorre esta frase, uma e outra vez: hoje fiquei sem uma amiga. Mas não quero deixar passar o dia, quero marcá-lo. Da última vez, há poucos dias, falámos d’O Número dos Vivos, de que ambos gostámos muito. Abro a primeira página e encontro: “existira na bênção saudável e pesada que cobre as flores e os homens a quem o sol desperta e a noite faz horror”. Basta isto. Um beijinho muito grande, Catarina.

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Modo de Vida (outra vez o 20)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 20.12.15

Por quem sofremos primeiro quando abraçamos um grande amigo que acaba de perder o pai? Por ele, que enfrenta a morte e chora no nosso abraço, ou por nós, que somos chamados a enfrentá-la de novo? 

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O Delito foi à apresentação do(s) Presidenciáveis

por Adolfo Mesquita Nunes, em 02.12.15

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O Pedro Correia é o Presidente do Delito. Não foi eleito, é certo, mas foi aclamado uma e outra vez, em liberdade e com mérito. Foi ele que nos juntou, que nos descobriu cumplicidades, que encontrou a geometria das diferenças. É nele que o Delito começa e foi com ele que todos aqui chegámos e ficámos. O Delito é de todos nós, que a presidência não confere ao Pedro qualquer direito acrescido, mas todos nós lhe devemos a alegria de nos ter colocado na vida uns dos outros. E não é pouco, isto de nos sabermos parte do percurso de quem gostamos.

E porque o Pedro publicou um novo livro, lá fomos, os que pudemos fazendo inveja aos que não puderam, à sua apresentação, como se testemunha na fotografia. Se foi um pretexto para estarmos juntos, foi também uma oportunidade de mostrar ao Pedro o apreço que lhe temos e de lhe falarmos do orgulho que sentimos ao ver uma parte do Delito transformar-se em livro.

Vale a pena reler os posts do Pedro, agora em livro. E vale a pena fazer parte do Delito. 

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Blogue da semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 25.05.15

É meu o encargo de destacar o blogue da semana. Deixo-vos com o Imprensa Falsa, o melhor jornal satírico português que conheço, e que não tem o destaque merecido. Qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade. 

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Blogue da semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 21.12.14

Sei bem que este espaço é para blogues e que não é blogue o que hoje venho destacar. Em minha defesa vos digo que o que hoje destaco já foi, e por bons anos, um blogue. Mas cresceu, acho que quase se multiplicou, e virou site. Não há mal nenhum em se ser site, digo eu, quando de um blogue se nasceu. E quando, talvez mais importante e por isso mesmo aqui em destaque, se não perdeu alguma da generosidade ou ingenuidade iniciais. Deixo-vos com Altamont, um dos melhores sites de música de que conheço. Podem lá ir sem medos.  

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A playlist de AMN (6)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.11.14

Hoje temos Chico Buarque e a canção Basta um Dia.

Descobri um dia, por acaso, o vinil da Ópera do Malandro lá por casa, e o meu padrasto não me deixou continuar sem o ouvir. Fiquei siderado. Daí até continuar pelo Buarque fora foi um ápice, e do Buarque até toda uma constelação que não passava nas novelas um ápice foi.

Há muito para gostar em Chico Buarque, das letras aos compassos, mas fico-me agora pela capacidade metafórica de fintar uma censura e uma ditadura. Escolho por isso uma canção da peça Gota d’água, baseada na tragédia grega Medeia, de Eurípedes, passada no subúrbio do Rio de Janeiro e centrada nas suas dificuldades habitacionais.

A canção chama-se Basta um dia e é, de certa forma, o clímax da peça, através da qual a protagonista, Joana, indicia que prefere a sua própria morte, e a dos seus filhos, a ter de viver a tragédia brasileira.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

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A playlist de AMN (5)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 25.11.14

Hoje temos Chava Alberstein e a canção Chad Gadya.

A canção que vamos ouvir agora vem de Israel e chama-se Chad Gadya. Foi lançada no início de 1989 e entrou directamente para a lista de músicas mais vendidas. Depois de algumas semanas, o governo de Yitzhak Shamir proibiu a canção de ser tocada, e ficou proibida até ao início dos anos 2000.

A letra é uma alegoria da política externa de Israel naqueles tempos, especialmente a frase, que traduzo livremente, que diz o seguinte: "Eu costumava ser uma ovelha e um cordeiro pacífico, hoje eu sou um tigre e um lobo à caça”. No fundo, trata-se de uma profunda crítica política utilizando para o efeito vários motivos pascais.

A proibição não impediu esta música de fazer o seu caminho; é uma das canções pacifistas mais conhecidas e cantadas em Israel, de tal forma que é hoje um clássico, tenho feito parte da banda sonora de Free Zone, com Natalie Portman, acompanhando a cena mais emotiva do filme, e que está no vídeo que seleccionei.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

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