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Post-it

por Fernando Sousa, em 09.11.19

Gente boa, sobra por aí alguma lágrima, pequenina que seja, uma gotita, também pela sem-abrigo cujo filho foi encontrado numa lixeira? Só para saber. Não é para trocar nobrezas. Só para adivinhar em que grau de seca vamos chorando o mundo.  

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Os mete-nojo

por Fernando Sousa, em 08.11.19

Lembram-se do caso dos agentes da PJ acusados de terem torturado Leonor Cipriano no quadro da investigações sobre o desaparecimento da filha? Então também se lembram que o tribunal que os julgou, o de Faro, deu como provada a acusação declarando-se no entanto incapaz de saber quem foi e de o condenar. Pois o corporativismo policial voltou a funcionar: o tribunal de Guimarães absolveu ontem os onze agentes da PSP acusados de agredir um adepto do Boavista, em 2014, deixando-o cego, dando como certa a agressão mas não tendo, também aqui, conseguido saber quem foi, limitando-se por isso a puxar as orelhas a todos. Recado para aquele – ou aqueles – que tiverem as orelhas mais quentes do que os outros: vocês metem nojo.

Post-it

por Fernando Sousa, em 16.04.19

O coração também bate nas pedras. É muito, muito simples. 

Post-it

por Fernando Sousa, em 04.04.19

Estava quase a largar este Javier Marías, este de Quando os Tontos Mandam, mas decidi continuar. Chateiam-me as prosas aristocráticas, moralistas. JM daria um grande bloguista. E decidi isso porque a certa altura o homem, traduzido em mais de quarenta línguas, o que deve querer dizer que a minha irritação vale o que vale, escreve isto: “Se se vetasse o exercício das suas tarefas a todas as pessoas com um antecedente de depressão ou de desequilíbrio leve (crise de ansiedade, por exemplo) não sobraria ninguém apto para trabalho nenhum”. É verdade. Ia na página 49. Vou continuar, mas não prometo nada: o livro, as crónicas que Marías publicou no El País Semanal entre 2015 e 2017, tem 304.

Blogue da semana

por Fernando Sousa, em 24.03.19

Não sou um grande blogonauta. Em geral falta-me o tempo, o jeito e ultimamente até a paciência. Mas quando nada disso acontece revisito um ou outro blogue entre os que acho que valem a pena. É o caso do 2 Dedos de Conversa. Os posts de Helena Araújo são notas frescas, memorandos, impressões vivas sobre concertos ou festivais que precisam de determinados olhares, como a Berlinale 2019. (São tão pouco comuns estes olhares!) Sim, o 2 Dedos é um trabalho notável, tranquilamente culto e maduro "sobre o que nos desaquieta". É um determinado olhar. 

Parabéns, Minerva!

por Fernando Sousa, em 07.02.19

Sabiam que hoje é o Dia de São Lourenço e ainda o das Cinco Chagas do Senhor? Que é Quarto Minguante? Que este mês os dias aumentam em Lisboa 1 hora e 2 minutos e no Porto 1 hora e 8 minutos? Que as mulheres nascidas por agora deverão ser belas e os homens inconstantes? Que é o tempo de semear alface e alhos-porros? Que este é o Ano do Porco, o da Tabela Periódica e ainda o da Moderação? Que o céu rosado ao fim do dia pressagia bom tempo? NÃO SABIA? O tempora, o mores! Não sabia porque não lê o Borda d’Água, que faz anos, 90 anos, quase um século a trazer-nos tudo o que precisamos de saber sobre astros, oráculos, dias de mercado, santos e legumes, com pequenas incursões sobre o que somos e perdemos tempo a fingir. Parabéns Mineeeeerva!! 

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Post-it

por Fernando Sousa, em 06.02.19

Os juízes dos juízes concluíram que o desembargador do Porto, Neto de Moura, esteve mal nos seus infelizes considerandos de há dois anos. Mas ficaram-se por uma advertência registada. Nada mau, quando se chegou a temer que a coisa fosse arquivada ou assim. Mas nada bom quando a decisão foi tomada com muita dificuldade e o juiz-arguido, condenado por ter usado expressões "ofensivas, desrespeitosas e atentatórias dos princípios constitucionais e supraconstitucionais da dignidade e da igualdade humanas", nas palavras do presidente do Conselho Superior da Magistratura, António Piçarra, anunciou que vai recorrer. E quando a justiça portuguesa é criticada pela brandura com que trata a violência doméstica que neste princípio do ano já matou dez mulheres. 

Post-it

por Fernando Sousa, em 29.01.19

O Conselho Superior da Magistratura recusou arquivar o caso do juiz Neto Moura, do Tribunal da Relação do Porto, que em 2017 desvalorizou uma agressão grave praticada pelo marido contra a “mulher adúltera”. Muito bem. Fiquemos agora preocupados por a decisão ter sido tomada por uma diferença de um único voto - oito a favor e sete contra. E receosos ainda por a eventual punição em que o homem incorre poder ficar-se por uma mera repreensão e o correlativo risco de continuação dos actos repreendidos. Neto Moura assinou, com a sua colega Maria Luísa Arantes, um acórdão com considerações tão repugnantes que ainda dão náuseas lembrar. 

Blogue da semana

por Fernando Sousa, em 07.01.19

Estive mais de uma vez para escolher o Horas Extraordinárias nesta rubrica. Por isto ou por aquilo nunca aconteceu. Calhou agora, atraído outra vez pela escrita da autora, a Maria do Rosário Pedreira, uma escrita sincera, limpa de vaidades, limpa de moralismos, para falar apenas de dois dos pecados da blogosfera, e ainda por me trazer novidades como a publicação, para breve, de alguns dos meus maiores, como Frost ou Conrad. Fica reparado o adiamento. 

Parabéns, apesar de tudo!

por Fernando Sousa, em 10.12.18

À vista do que se propôs, e do que aí está, parece um texto morto. E no entanto ninguém pode garantir que sem ela, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, essa velhinha sorridente que faz hoje anos, 70, a coisa não estivesse mais preta. Apesar de tudo nascemos hoje mais iguais em dignidade e em direitos do que em 1948. Os direitos humanos já não são só de barões, de homens, homens brancos, branquinhos e baptizados, e europeus, graças a Eleanor, P. C. Chang, Cassin, Malik e outros, um saco de gatos por quem na altura ninguém deu muito. Faltam ainda muitos direitos no texto, pois faltam, os de terceira e os de quarta geração, e até já se fala dos de quinta, mas eles virão todos, é uma questão de tempo mesmo que não calhe no nosso. E que o direito à busca da felicidade seja um deles pois não somos menos do que o bom povo de Virgínia. Não sei se se andou pouco, sei que se andou um bocado e só não se irá mais longe se a marca de água dos dias que correm, o pessimismo, falar mais alto. Há pactos, ainda hoje vai nascer um em Marraquexe, ainda que coxo, e instrumentos de acompanhamento, e até de castigo, mesmo que pelo meio haja muita música. E há muita! É tudo muito larvar, tudo muito no princípio, tudo muito cheio de armadilhas, olhem só o que aconteceu aos jovens peritos da ONU no Zaire, a Zaira e o Sharp, traídos por quem os mandou para lá! Mas se o caminho não for o começado há 70 anos, é qual? Portanto e por muito que isso custe a relativistas, islamistas e outros istas, parabéns, declaração - apesar de tudo!

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Post-it

por Fernando Sousa, em 05.12.18

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Nelson Mandela

Mvezo, 18 de Julho de 1918 — Joanesburgo, 5 de Dezembro de 2013

Pensamento da semana

por Fernando Sousa, em 25.11.18

«Compreender o mundo é olhá-lo desligado dos nossos sentimentos.»

 

Susan Sontag, in Renascer

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

 
 

Post-it

por Fernando Sousa, em 22.11.18

Primeiro foi o Halloween, agora é o Thanksgiving. A seguir será o Mamby on the Beach na praia de Carcavelos, o Bay to Breakers na Ponte 25 de Abril, o Fun Fun Fun Fest no Meco, o Saint Patricks Day, e, por fim, o 4 de Julho e majoretes na Avenida da Liberdade? Que país tão poroso, raios!...

Post-it

por Fernando Sousa, em 15.11.18

Dia Mundial da Filosofia de 2018: Filosofia e Humanismo: podemos acreditar na Humanidade? Sim, podemos, se queremos acordar melhor amanhã. Só um aviso: cuidado com a moda do relativismo. 

Post-it

por Fernando Sousa, em 13.11.18

Agora sempre que vou à FNAC não encontro o (livro) que procuro. Tenho que andar nos alfarrabistas, e às vezes nem aqui tenho sorte, além de que é um lugar péssimo para a asma. Alguém tem por aí a Ilha dos Condenados, do Stig Dagerman?

 

In Memoriam

por Fernando Sousa, em 11.11.18

Ergueu-se Abraão, rachou a lenha e partiu

E consigo levou a chama e um cutelo.

E quando juntos se quedaram ambos,

Isaac, filho primeiro, assim falou: `Meu Pai

Tudo está preparado, o ferro e o fogo

Mas qual é o cordeiro a imolar nas chamas?`

E Abraão prendeu o jovem com cinturões, correias,

Em redor construiu trincheiras, parapeitos

E empunhou o cutelo para matar seu filho.

Dos céus um Anjo lhe bradou então

E disse: `Não levantes a mão contra esse jovem

Nada tentes contra ele que é teu filho.

Vê! Um cordeiro preso está ali naquela sarça.

De orgulho oferece um sacrifício em vez do jovem.`

Mas por não querer assim, matou o velho o filho

E um por um também metade dos filhos da Europa. 

 

Parábola do Jovem e do Ancião, de Wilfred Owen, poeta inglês morto nas trincheiras uma semana antes da assinatura, há cem anos, do Armistício da Guerra de 1914-18, in Elegias.

Post-it

por Fernando Sousa, em 08.11.18

Uma pergunta: se durante uma lide o touro der uma cornada num desses moços apertadinhos em sedas, adornos, luces, fru-frus, aos gritos de hei, hei, o animal tem direito a palmas, ou fica mal? Só para saber. 

Post-it

por Fernando Sousa, em 07.11.18

Quando a vi agora na imprensa chilena percebi logo que tinha morrido, ela, Ana de Recabarren, que só os anos, 93, e a doença calaram. Conheci-a em 98, em Santiago do Chile, na sede da Associação dos Familiares dos Detidos Desaparecidos, de que fora uma das fundadoras, e nunca mais esqueci o seu olhar já seco e a sua voz apostada: "Vivos mos levaram, vivos os quero!" Em 1976, a DINA levou-lhe o marido, Manuel, dois filhos, e uma nora, grávida. Ana maldisse então tudo o que mexia na terra e no céu mas depressa secou as lágrimas e arregaçou as mangas.E nunca mais baixou os braços. Até há dias. São estas pessoas que são o sal da terra. 

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Post-it

por Fernando Sousa, em 06.11.18

Faz hoje anos, 43, que Marrocos se apoderou do Sara Ocidental, perante a passividade da Espanha franquista. Foi a Marcha Verde. Os sarauis nunca foram ouvidos. Só para lembrar.

O meu "Cinema Paraíso"

por Fernando Sousa, em 06.08.18

Os restos do Sintra Cinema, o meu "Cinema Paraíso". Abbot & Costello, Jerry Lewis, Cantinflas, Tarzan, por Johnny Weissmuller, Robin, segundo Errol Flynn, uma vez ou outra Chaplin, sempre antecedidos das chatíssimas Actualidades e da propaganda do regime. E, pelo meio, cortes e mais cortes, evidentemente assobiados e pateados. No seu lugar vai ser construído um hotel com 54 quartos. 

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