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Desequliíbrios

por Paulo Sousa, em 07.04.20

Há dias lembrei-me de uma conversa telefónica que tive durante os tempos da Troika.

Atendi o telefone a alguém que não fazia parte dos meus contactos e que me perguntou se conhecia quem comprasse móveis usados. Indiquei-lhe um armazém aqui próximo que negoceia espólios de falências, mas não sabia se estavam compradores. A conversa desenrolou-se por mais uns instantes e acabei por ficar a par da situação. Era uma rapariga com vinte e poucos anos que trabalhava numa cerâmica - aqui perto existem umas quantas - e que ia emigrar. Além de referir que recebia o salário mínimo, terminou a explicação do que a tinha levado a essa difícil decisão com a seguinte frase:

- E o meu pai morreu há dois meses e já não me pode ajudar.

 

Depois de engolir em seco, entendi que esta frase resume uma parte silenciosa, esquecida mas significativa do que o Portugal moderno, democrático e europeu conseguiu dar a demasiados dos seus millennials.

A forma como a geração que viveu a mudança de regime anterior definiu as regras com que nos organizamos acabou por levar a que uma imensidão de gente nova não consiga ser financeiramente independente. Não estamos a falar de gente que pede dinheiro aos pais para enfrentar um percalço pontual mas sim de quem o faz sistematicamente como complemento de rendimento.

Os pais, que naturalmente aceitam apoiar os seus filhos, transferem automaticamente uma parte das suas reformas para que os filhos possam evitar o permanente sufoco.

Observando à distância, o que vemos é um sistema em que as gerações mais velhas tem um rendimento assegurado e grande parte das mais novas não. E esse rendimento assegurado é alimentado por elevados encargos sociais que são retirados à economia produtiva e que, também por isso, perde a capacidade de remunerar mais condignamente os mais novos.

Falar nisso tem o risco potencial de poder parecer que se está contra os mais velhos, e nenhuma força política arrisca em antagonizar tão importante faixa do eleitorado. E por isso, este desequilíbrio tem todas as condições para ser um ´não assunto´.

Mas mesmo dentro do universo dos reformados existem desequilíbrios indecentes. Nas terras pequenas, como aquela onde vivo, é fácil fazer um exercício de comparação entre uma pessoa que se reformou como funcionário público e o valor total das reformas da rua onde vive. Posso simplificar as contas dizendo que num universo de sete reformados, a pessoa em causa recebe 50% do valor total.

O sistema de cálculo das reformas é por isso um factor de desequilíbrio social, dentro dos seus beneficiários, e também por comparação com os contribuintes em idade activa.

A crise com que teremos lidar nos próximos tempos não será por isso igual para todos. Isto é um facto, e um dia no futuro quando estudarem a actualidade essa será uma das características do regime fundado pelo 25 de Abril.

Quando a bonança vier

por Paulo Sousa, em 03.04.20

Não duvido que depois de ultrapassarmos esta crise algumas coisas passarão a ser muito diferentes. O teletrabalho, a que agora se recorreu como reacção às limitações de circulação, abrirá portas a que pelo menos em alguns dias da semana deixe de ser necessário ir fisicamente ao local de trabalho. Este efeito não será igual em todos os sectores, mas globalmente as poupanças energéticas e de qualidade de vida serão inquestionáveis. A Covid-19 pode mesmo vir ser a única solução para a IC19.

O ensino nunca mais será igual. Quando o Sr. Mário Nogueira reparar que uma turma de 25 alunos on-line não terá de obedecer ao critério do local de residência, irá ficar irritado, pois esse é o seu argumento para empurrar alguns alunos para escolas desinteressantes e para professores desmotivados.

E se os professores pudessem ser avaliados pelos alunos e isso pudesse ser relacionado com os resultados obtidos nessa turma... e toda essa informação pudesse estar disponível numa plataforma independente do ministério... e se tudo isso pudesse ser combinado com ensino on-line...?

Se o terceiro período arrancar com recurso a este tipo de tecnologia e funcionar razoavelmente, poderá ser como abrir a caixa de Pandora para a tribo da FENPROF.

A vida escolar necessitará sempre da presença física dos alunos e dos professores, mas tal como no que acima disse, pode ser reduzida a menos dias que os actuais, o que até coincidiria com um tema que é tão querido às novas gerações, o School Strike for Climate.

Claramente o novo normal será muito diferente do que era normal.

Sobre a cautela

por Paulo Sousa, em 31.03.20

No tempo em que se começou a ouvir CD's, um amigo explicou-me que os novos leitores dos auto-rádios de então tinham um dispositivo para evitar que quando o carro passasse num buraco o som fosse interrompido. A leitura por laser é tão delicada que à mínima sacudidela a música seria perturbada. Para evitar isso os engenheiros criaram um buffer, que é um amortecedor em tradução directa. Graças a isso o sinal do CD ia sendo acumulado nesse buffer durante uns segundos e se houvesse cortes o som continuaria a fluir nas colunas. A ideia é genial ao ponto de que sem esta explicação facilmente nem nos apercebemos da existência desse dispositivo.

O conceito no entanto é muito antigo. A lenha corta-se e arruma-se no Outono para gastar durante o Inverno, assim como as sementes são enterradas na Primavera para se colher no fim do Verão. No fundo é como quem faz uma poupança. Os mealheiros clássicos representam um porco exactamente porque criar um porco era noutros tempos também uma poupança, um investimento no futuro, um recurso para os contratempos.

A sabedoria popular recomenda isso mesmo, é razoável um esforço para constituir uma reserva. A fábula da formiga e da cigarra retrata bem a atitude de quem prepara o futuro e de quem se esgota no presente.

Todos nós conhecemos pessoas que são demasiado cautelosas e, pelo contrário, outras que são demasiado imediatistas, inconsequentes e até desmioladas, pois perante a mesma realidade cada pessoa faz escolhas diferentes. O mesmo passa-se com os países.

Há uns anos o governo de turno quis criar uma almofada financeira contra possíveis contratempos, um buffer como o dos leitores dos CD's. Por tal coisa ser aberrante essa ideia foi motivo de gáudio gozo.

Com a falta de cautela própria dos incautos, pouco tempo depois chamaram a obediente imprensa para lembrar a todos que gastar no curto prazo, em vez de poupar, tinha sido uma aposta ganhadora.

Nos dias de hoje já sabemos, ou pior ainda nem sabemos, o que está para vir mas sem buffer a música será interrompida.

As desculpas eram previsíveis. Já se encontraram culpados terceiros para a nossa falta de cautela. A culpa da nossa fragilidade é do repugnante holandês, que nem vogais tem no nome. As palmas estavam sempre garantidas.

Os donos da situação exigem solidariedade ao exterior, mas veremos se internamente existirá solidariedade entre trabalhadores do público e do privado.

Aos repugnados dos últimos dias

por Paulo Sousa, em 30.03.20

A existência ou não dos Corona Bonds dependerá de equilíbrios vários, sendo que, independentemente da abertura que possa vir a haver nos órgãos europeus, cada governante terá de regressar a casa e justificar ao seu eleitorado o que ali terá aceite.

A força política de quem conta, nomeadamente a Alemanha, está limitada não só pela situação politicamente frágil da CDU como pela trajectória eleitoral dos partidos eurocepticos que cada vez estão mais perto do poder.

A existência desse instrumento financeiro tornaria os estados-membros solidariamente responsáveis por essa nova dívida, e isso ainda por cima não encaixa nos tratados europeus. Ultrapassar essa questão formal exigiria uma montanha de formalidades, mas nisso os eurocratas são exímios.

O ponto que se levantaria seria sobre que garantias orçamentais adicionais seriam exigidas aos países financeiramente mais frágeis para que isso alguma vez fosse possível. Não muito metaforicamente o nosso orçamento passaria a ser feito pelos nossos credores.

João Marques de Almeida explica isso com clareza neste artigo do Observador (acesso com assinatura), e quem já cá anda há algum tempo sabe bem que os que mais convictamente agora pedem solidariedade são exactamente aqueles que no dia seguinte se iriam revoltar com a ainda maior interferência de Bruxelas nas nossas contas públicas.

Sol na eira e chuva no nabal é que era mesmo bom. Quem é que não queria?

PS: Estava a escrever o título e lembrei-me de uma certa seita religiosa. E no fundo são mesmo isso, uma seita.

Oh meu!! A tua atitude é repugnante!!

por Paulo Sousa, em 28.03.20

Um fanfarrão que se preze sabe que há combates que não vale a pena travar.

Depois de começar a levar murraças do diabo invisível, aka covid-19, o António Arrasa Pandemias Costa convocou o “focus group” com urgência e foi-lhe recomendado que devia mudar rapidamente de nome artístico.

Foi tudo muito rápido. Ele ofereceu porrada à pandemia num dia e a ordem dos médicos desmentiu-o no dia seguinte. O público esquece as promessas, é certo, mas deviam ter passado mais umas horas.

O Conselho Europeu por video-conferência foi assim a ocasião ideal para fazer esquecer o desaire anterior.

Senhoras e senhores, e a nova estrela chama-se... António Arrebenta Ministros Holandeses Costa.

O bom senso recomenda que não se façam ameaças que não se esteja disposto a cumprir, mas isso não trava o António Arrebenta Ministros Holandeses Costa. Ou recuas ou a UE acaba!!

O público sabe bem que sem o dinheiro da UE para distribuir o PM português nunca teria público, mas a realidade é um detalhe, aqui joga-se com a ilusão. E ele não vacila, de mangas arregaçadas, grita para o écran, através do qual o holandês se protege: Oh meu, lembras-te do golo do Maniche no Euro? Não tás bem a ver com quem te estás a meter!! A tua atitude é repugnante!!

O público, que estava retraído já há uns dias (já havia quem dissesse que António Arrasa Pandemias Costa era um fanfarrão) levantou-se numa ruidosa ovação. Isto sim! Política espectáculo!

Agora que já só há futebol na RTP Memória, valha-nos o António Arrebenta Ministros Holandeses Costa para animar as hostes.

Por-tu-gal!! Por-tu-gal!! Por-tu-gal!!

Quantos são? Quantos são?

por Paulo Sousa, em 27.03.20

É vulgar dizer-se que estudar a história ajuda-nos a evitar a repetição de erros cometidos. Faz sentido. Até por ser frequente isso se confirmar da pior forma, quando erros evitáveis acabam por ser repetidos.

Sobre a maneira de lidar com a ameaça que estamos a viver, podemos olhar para trás e procurar em que período histórico algo idêntico ocorreu, e não encontramos nada comparável que se tenha passado em democracia e nem com um volume de actividade económica e envolvimento internacional comparável.

Governantes realistas, que não pretendessem iludir os seus cidadãos, deveriam assumir que a imprevisibilidade do desafio poderia surpreender a todos da pior forma.

Por mais precavido e apetrechado que seja um sistema de saúde existirá sempre um ponto a partir do qual deixará de conseguir responder. Esse ponto varia de sistema de saúde para sistema de saúde, mas todos têm um ponto de ruptura.

Se as coisas assim forem explicadas à população, jogo aberto sem nada na manga, cada cidadão fará o seu juízo. Existem sempre alguns que gostam que lhe prometam impossíveis e por isso continuam a preferir ser governados por mentirosos, mas quando falamos em maturidade democrática importa falar claro e assumir a realidade. Numa hora de ameaça absoluta Churchill não prometeu mais que sangue, suor e lágrimas. E não desiludiu.

O nosso governo, na figura do Sr. Costa, tem se comportado como um fanfarrão à beira de uma rixa de rua com um possível campeão de pesos pesados, a que ainda nem sequer vislumbrou o caparro. Enquanto arregaça as mangas já tem um olho à Belenenses e já começou a gritar que o animal se vai arrepender, pois ainda nada faltou nem é previsível que venha a faltar ao SNS.

Bem sabemos que o esforço feito nos últimos anos para eliminar o défice desguarneceu alguns serviços públicos. Foi uma opção legítima mas que levou a que o ponto de ruptura do SNS estivesse, mesmo sem pandemia, intermitentemente à vista.

Chegados a este ponto, ninguém com seriedade pode garantir que está preparado para a refrega.

Se tivessem lido os antiquíssimos ensinamentos do mestre Sun Tzu na Arte da Guerra, teriam consciência que não conhecem o adversário, nem o terreno e não tiveram a iniciativa. Não garantir apenas um destes pontos pode ser suficiente para ser derrotado.

Mas ele continua voluntarioso a esbracejar para que no final ao menos se venham a lembrar dele como um fanfarrão enérgico. A imprensa amiga irá tentar cozer-lhe os sobrolhos. As baixas serão uma estatística lamentável, mas a deslealdade com que trata os seus soldados, os profissionais de saúde, ficará para memória futura.

Quem se mete com o PS leva

por Paulo Sousa, em 25.03.20

Parece que já foi há tanto tempo mas muitos de nós lembram-se bem do nosso défice oficial de 7,5%, que afinal era superior a 13%.
Esse tempo mostrou bem a regra que faz título a este post. Quem se mete com o PS leva, e isso incluí a matemática.

Vendo bem, essa ciência, ou lá o que é, apenas se baseia em abstrações. Qual ciência exacta, qual carapuça? Não pense essa matematicazinha, mesmo dizendo que representa a realidade, que vai assustar o governo do PS!!
Ainda ontem conseguiram esfregar o nosso glorioso superavit de 0,2% (!!!) na tromba da reacção!! Vai buscar!! Como diriam no tempo do Eça, ter um superavit é chic!.

Não venham agora com números do vírus diferentes dos números oficiais só para querer meter nojo às pessoas de bom gosto. Como é que se atrevem?

Oh, sô polícia! Desapareça!

Memórias de Roma

por Paulo Sousa, em 23.03.20

Itália está a sofrer uma praga bíblica.

Será que podemos observar em Itália o que vai acontecer em Portugal daqui a algum tempo?

Os detalhes são demolidores e dei por mim a lembrar-me das maravilhas de Roma, cidade que visitei com alguma frequência nos últimos anos.

Não pretendo concorrer com os livros de viagens que descrevem os locais onde se tiram as melhores fotos para partilhar, mas apenas colocar por escrito memórias da cidade eterna, um sítio único.

Visitei Roma pela primeira vez de carro, vindo de Portugal. Curva após curva, dia após dia, depósito de combustível após depósito de combustível, fronteira após fronteira, lá cheguei.

O tempo era pouco e segui para o clássicos dos clássicos. Fui para a fila visitar o Museu do Vaticano. Acabei por não ver o Papa, e assim, recriar o velho ditado. Senti-me exactamente como se tivesse ido a Roma e não tivesse visto o dito.

Mas vi a imensidão de mármores e a incrível concentração de arte e de materiais nobres e raros em tão reduzido espaço. Não me foi automático mas foi possível desligar o interruptor que faz disparar as perguntas entre a mensagem da Igreja e tamanha ostentação. Graças a isso fiquei encantado com tanta beleza. A estética está associada à qualidade, à contemplação e será uma das faces de uma plenitude que ali procuraram construir.

Martinho Lutero não conseguiu desligar esse interruptor e meteu a Europa num sarilho ainda maior que o do covid-19.

Esta riqueza obscena da Igreja contrastou absolutamente com uma outra viagem a Roma em que consegui arranjar umas horas para usufruto pessoal.

Da Via Appia moderna até à Via Appia Antica a distância não é muita. Palmilhei a Antica milha a milha (a cada mil passos encontramos um marco miliário) em direcção às catacumbas da Igreja perseguida.

No tempo de Nero, no início do cristianismo, a mensagem desta nova religião antagonizava com os cânones do império, e era por isso perseguida. Todos os seus membros viviam em modo de sobrevivência, tendo alguns acabado no Circo entregues às feras.

As práticas funerárias romanas baseavam-se na cremação dos corpos e o facto de ali, nas catacumbas, se fazerem sepulturas incomodava os romanos, tornando-os por isso locais razoavelmente seguros para reunião e refúgio.

Antes de lá chegar encontra-se a Igreja de Santa Maria das Plantas mais conhecida por Domine Quo Vadis. Segundo a tradição cristã, São Pedro após a ressurreição de Cristo seguiu para Roma para evangelizar a capital do Império.

Terá sido aqui que um dia, em fuga para as catacumbas, se terá cruzado com Cristo que seguia no sentido de Roma. Perguntou-lhe: Onde vais Senhor? Domine Quo Vadis, em latim. Jesus respondeu-lhe que ia para Roma para voltar a ser crucificado. Então Pedro terá entendido que não podia voltar a negar a sua fé e terá regressado a Roma, onde foi capturado e crucificado. A pedra que Jesus terá pisado nesta aparição ficou marcada pelos seus pés e no chão desta pequena Igreja encontra-se uma réplica dessa pedra. De relance parece que tinha pé chato.

Pedro, por achar que não era digno de morrer como Cristo, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo. O seu pedido foi aceite e isso explica as imagens associadas à sua morte, numa cruz invertida.

Ainda segundo a tradição, os carrascos de Pedro ter-lhe-ão cortado os pés para o descerem da cruz. Os seus restos mortais, que agora se encontram junto das sepulturas dos papas no Vaticano, terão sido identificados de entre outros exactamente pela falta dos pés.

Esta história inspirou o romance com o mesmo nome do nobelizado Henryk Sienkiewicz, que mereceu um busto seu dentro da capela. Ao lado do altar existe também uma imagem do português Santo António que os italianos apelidam de Pádua.

Regressemos à Via Appia Antica. A partir desta pequena igreja em poucos minutos a pé, chega-se às Catacumbas. São várias. Visitei as de São Calisto.

Lembrando a visita às riquezas do Vaticano, o contraste é total e absoluto. Não parece ser coisa da mesma religião. A Igreja das catacumbas é a Igreja perseguida, das práticas secretas, das celebrações para grupos pequenos, das sepulturas dos corpos de quem acreditava na vida depois da morte. Aqui foram sepultados os primeiros papas, cujos restos mortais só mais tarde foram transladados para o Vaticano.

No dia da minha visita celebrava-se ali uma missa, em francês, num espaço de poucos metros quadrados, que constitui a maior capela de todo aquele sistema de túneis de mais de 15 quilómetros. Ali, o espaço exíguo, a penumbra e o silêncio convidam a um recolhimento impossível junto das inúmeras e maravilhosas obras de arte da Cidade do Vaticano.

Vários séculos mais tarde, quando o Cristianismo deixou de ser uma religião perseguida, as catacumbas foram abandonadas como local de culto. Ocorreram algumas derrocadas e foram pontualmente ocupadas por fugidos à justiça e também vandalizadas.

Continuando pela Via Appia Antica para sul, os monumentos seguem-se e coexistem vizinhanças com muitos séculos de diferença. Mausoléus funerários de importantes figuras romanas quase ao lado de um restaurante ou de uma hospedaria. O slogan das autoridades romanas para este espaço é: Una strada, tante storie.

Vou tentar continuar a pôr por escrito mais notas sobre a cidade eterna que hoje vive apenas mais uma das inúmeras crises por que passou ao longo da história.

Novamente o fim do mundo

por Paulo Sousa, em 22.03.20

“Gabriel Malagrida assegurava no Juízo da Verdadeira Causa do Terramoto (1756), que só por castigo a face da omnipotência divina se tornara tão horrenda. Hereges, judeus e católicos, todos eram responsáveis pela vingança implacável de Deus. A causa próxima do flagelo radicava, no seu entender, nos mundanos e profanos modos de vida urbana, com os seus ”teatros, as músicas, as danças mais imodestas, as comédias mais obscenas, os divertimentos, as assistências aos touros, sendo tanto o concurso, que enchiam as praças, e as ruas todas; e nas igrejas, nas festas sagradas, nos sermões, nas missões apostólicas, por mais fervorosas que fossem não aparecia uma alma”. (…)

Na generalidade dos casos, o pregador, interpelando directamente os crentes, avoluma os terrores visíveis da destruição e as incertezas do povo em relação ao futuro.”

O Terramoto de 1755, Lisboa e a Europa, de Ana Cristina Araújo

Edição Clube do Colecionador dos Correios

 

Já aqui falei sobre os profetas do Apocalipse e da sua intenção de nos fazer mudar de comportamento. Sempre existiram e sempre existirão.

Querer procurar uma causa humana para algo natural é o cúmulo do antropocentrismo. Usar algo natural como argumento para sugerir o fim da produção intensiva do capitalismo é tão razoável como razoável era a convicção de Gabriel Malagrida.

Já todos vimos nas redes sociais comentários insinuando, ou até afirmando, que o bicho que nos faz ficar em casa era uma criação do homem. Para se acreditar nisto é necessário conseguir também acreditar que o génio humano é mais sofisticado que a natureza, o que é outro corolário idiota de uma visão antropocentrista do mundo.

Não somos assim tão capazes. A impotência em agir perante a realidade sempre foi um estímulo para a espécie humana, e certamente que depois disto a ciência continuará a avançar. E quem protagonizar a solução para este problema será certamente beneficiado pelo seu desempenho e ganhará dinheiro e vantagens com isso. Querer acabar com o capitalismo é discordar que isso assim funcione.

A dimensão da mortandade de outras pestes foi aumentada pelas fragilidades alimentares das populações, especialmente quando estas se seguiam a maus anos agrícolas. Até nesse ângulo, e graças ao capitalismo, nunca a população humana esteve tão bem preparada para lidar com o que está a acontecer.

Por isso, Malagridas dos dias hoje, ponham a viola no saco, olhem para história e lembrem-se que até este devoto pregador do sex XVIII acabou garrotado como herege no processo dos Távoras.

Gostava de estar errado

por Paulo Sousa, em 21.03.20

A história universal é dividida pelo acrónimo A.C. e D.C.
A nossa história pessoal também o poderá ser, mas com um significado diferente.

A chover

por Paulo Sousa, em 20.03.20

A mais longa primavera das nossas vidas começa hoje.

Cheira a pólvora

por Paulo Sousa, em 18.03.20

Além de outras coisas, faço parte da gerência de um negócio familiar que se encaixa no que se costuma designar comércio local.

Teoricamente, o comércio é a intermediação de mercadorias realizada para suprir necessidades. Mas para além disso permite uma relação com o público que, sempre foi e sempre será, uma permanente escola sobre a natureza humana. Estes dias têm acrescentado novos capítulos ao extenso compêndio de um negócio que tem as portas abertas desde 1973.

Desde sábado, dia 14 de março, que alterámos o normal funcionamento. Os clientes são atendidos na rua através do gradeamento, o estacionamento no nosso parque não é permitido e toda a nossa equipa atende de máscara e luvas. De forma a salvaguardar a integridade dos nossos clientes, muitos dos quais pertencem ao chamado grupo de risco, assumimos os custos das entregas ao domicílio. Certamente que esta semana voltarei a ultrapassar a fasquia das 60 horas.

Do lado de dentro do balcão todos partilhamos a responsabilidade para com o público. Estamos conscientes de que vivemos dias realmente especiais e que alguns dos artigos que transaccionamos não podem faltar a quem os procura. Refiro-me especificamente ao gás engarrafado e a rações para animais, domésticos e de companhia.

Como o gás nas cidades é canalizado e os animais das marquises comem do supermercado, este tipo de artigos nunca são incluídos nos serviços mínimos referidos pelos media o que, considerando o seu limitado ângulo de observação da realidade, não surpreende.

A campanha “militar” contra o vírus ainda está a começar. A guerra vai ser longa, e a estatística avisa-nos que alguns de nós não celebrarão o dia da vitória. Por isso, tal como numa maratona, a solução resume-se a colocar um pé à frente do outro. E não parar.

Amanhã continuamos.

PS: Só hoje, à hora de almoço, é que consegui colocar a bandeira em cima do letreiro.

Os dias que vivemos são únicos. Esta poderia ser uma observação banal aplicável a qualquer dia da nossa vida. Mas de facto este fenómeno que nos entrou pelo dia-a-dia a dentro já assumiu contornos que o fará ser lembrado daqui a muitos anos.

Gostei do discurso do deputado Ricardo Baptista Leite. A mensagem foi colocada a um nível bem superior do que tinha sido dito até então. Colocou o foco onde ele deve estar, não em apontar culpas mas em unir esforços.

Portugal está em estado de guerra! Nunca tinha ouvido esta mensagem durante os meus dias de vida. Mas efectivamente vivemos um momento em que todos temos de aceitar uma mudança radical nas nossas rotinas de forma a minimizar as baixas.

Por muito menos que isto já forrámos as janelas e os automóveis com bandeiras. Desta vez é a vida de milhares de portugueses que está em risco, e isso é algo por que vale a pena lutar.

Se todos re-colocássemos na varanda aquela bandeira que temos na arrecadação, guardada desde uma qualquer competição desportiva, mostraríamos que estamos disponíveis para este combate e que aceitamos as consequências de cumprir as medidas necessárias. A coragem não é mais do que isso e ficar no sofá é muito menos do que foi pedido a muitos outros, sem os quais não seríamos o que somos.

Desde hoje à tarde, a minha bandeira regressou à janela.

Oiçam este tipo

por Paulo Sousa, em 11.03.20

Ao ouvir esta excelente intervenção do Carlos Guimarães Pinto no âmbito das Convenções do Movimento Europa e Liberdade, lembrei-me da Escola da Minha Terra, de que já aqui vos falei, e das voltas que foram dadas até ser necessário o seu alargamento.
O caso que ele relata é de maior gravidade e por isso deveria causar mais vergonha aos nossos governantes. Mas isso só seria possível se a tivessem.
Recomendo que oiçam todo o discurso, mas este é o excerto em que CGP fala da escola da terra dele.

 

Sobre as quotas

por Paulo Sousa, em 01.03.20

O nosso colega João André postou aqui há dias em defesa das quotas. A questão é mais contemporânea que pertinente. Ele já foi contra elas, e já não é; eu continuo a não as defender. O problema não se prende com o objectivo a longo prazo, que é louvável, mas com a clareza dos critérios a adoptar e o potencial de enviesamentos que a falta dela pode criar.

Qual o critério que deve prevalecer quando se pretende contratar quadros para um conselho de administração exemplar? O sexo da pessoa, o seu grau de deficiência ou a cor da sua pele?

A questão da deficiência faz claramente parte da lógica das quotas. A própria lei já o contempla. Se o objectivo das quotas é incluir minorias nos órgãos de topo, devem os deficientes ter ou perder prioridade em relação às pessoas de pigmentação não caucasiana, ou em relação às mulheres? Antes de avançar com tais medidas importa definir a hierarquia de minorias. Deve dar-se prioridade a candidatos não brancos, a deficientes ou a mulheres?

O João André dá o exemplo de uma micro-empresa onde trabalham dois homens que, por serem poucos, estarão dispensados de contratar uma mulher para respeitar as quotas. Então importa definir o número de funcionários das micro e pequenas organizações a partir do qual esta flexibilidade deixa de ser aceitável. E a partir de quantas pessoas na empresa será obrigatório contratar pessoas de pigmentação não caucasiana? E se a maioria já for de pigmentação não caucasiana, quantos ou até quantos brancos deverão ser contratados? Um funcionário deficiente e de origem africana poderá contar em duas categorias?

Defender flexibilidade de interpretação para uma lei que se quer geral e abstracta pode criar efeitos contraproducentes. Se perante uma dúvida temos de recorrer ao bom senso para conseguir aplicar uma lei mais vale não a decretar, pois o bom senso continua a dispensar regulação.

Obesidade mórbida

por Paulo Sousa, em 26.02.20

Olhando para o site da Direcção Geral do Orçamento e comparando a relação de grandeza entre o total da despesa pública e o PIB no ano de 2019, podemos afirmar que a riqueza produzida no país deixou de ser consumida pelo estado apenas no dia 23 de agosto pelas 12 horas e 14 minutos.

Neste rectângulo à beira mar plantado nunca o contribuinte luso foi chamado a contribuir com tanto para os cofres do estado. Podemos por isso afirmar com toda a propriedade que vivemos tempos históricos.

Esta data é simbólica mas serve para provar o excessivo peso do estado na vida dos seus cidadãos. Infelizmente não inclui todo o esforço que temos de despender para cumprir com todas as burocracias que nos são impostas.

A título de exemplo basta imaginar quantas horas terão sido gastas nestes últimos dias a conferir e validar facturas no portal das finanças? Cada contribuinte ou agregado terá consumido no mÍnimo duas ou três horas a fazê-lo, e a partir daí basta fazer as contas.

Fosse o estado um daqueles clérigos glutões tão bem descritos por Eça e estaria à beira de uma apoplexia.

Sobre a Eutanásia (3)

por Paulo Sousa, em 15.02.20

Surpreende-me a convicção dos intervenientes do debate sobre a Eutanásia, e digo isto em relação aos dois lados da barricada.

A dimensão humana e civilizacional do assunto não permite uma visão a preto e branco.

Se eu tivesse certezas sobre a proibição absoluta da eutanásia agarrar-me-ia aos argumentos que são queridos a muitos dos seus defensores. Quantos dos que defendem a liberalização desta práctica não rejubilaram quando o Tribunal Constitucional travou as medidas do governo da Troika, dizendo que defender a CRP era defender o regime e a democracia, 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais, Grândola Vila Morena, etc...

A esses defensores da CRP lembraria apenas o seu artigo 24º - 1. A vida humana é inviolável.

Se por outro lado eu defendesse a liberalização da eutanásia e conseguisse ignorar a rampa deslizante que comprovadamente ocorreu e continua em curso nos países pioneiros desta práctica, argumentaria que independentemente da convicção de cada um a questão não se levanta se o devemos fazer, mas sim se aceitamos que quem o pretenda o possa fazer.

Emmanuel Kant defendeu a separação entre a moralidade e o direito, e é esse o mundo em que vivemos. Aceitamos que seja legal multar um camionista em 800€ por ultrapassar o limite de carga em 20Kg, ou que um chefe de família que recebe o ordenado mínimo seja multado em 150€ porque não é acompanhado da factura da compra de uma bilha de gás, apesar de todos concordarmos que estes dois casos são absolutas imoralidades. Aceitamos que o aborto seja legal mesmo que o achemos imoral. Na mesma linha se eu tivesse certezas absolutas, que não tenho, defenderia que mesmo que eu recusasse a eutanásia para mim e para os meus, poderia aceitar que outros, mesmo violando o art.24º da CRP, decidissem de forma diversa.

Não vejo ninguém a usar estes argumentos e, mais uma vez, fico surpreso com tanta certeza exibida num assunto tão propício a dúvidas.

Tudo aponta para que os deputados defensores da eutanásia despachem o assunto num espírito de "another day in the office" ignorando uma máxima do bom senso que consiste em dar a cada coisa da nossa vida a devida proporção. A vida, mesmo para quem sofre irremediavelmente, tem muito mais importância do que a que lhe estão a dar num debate de esguelha assim como quem vai a caminho de um almoço importante.

Para questões difíceis como esta importa especialmente definir um critério duradouro que possa ser explicado e válido daqui a várias gerações. Nos dias de hoje recorrer aos dez mandamentos em busca de um critério cobriria, obviamente, de ridículo quem o fizesse, mas o art. 24º da CRP é claro e sucinto. Sem que seja reescrito, alterado ou modernizado, como preferirem, sou desfavorável a este arranjo parlamentar.

Sobre a Eutanásia (2)

por Paulo Sousa, em 14.02.20

Os Xás da dinastia Pahlavi da Pérsia, actual Irão, pretendiam modernizar e ocidentalizar o país. Sabiam que isso iria criar uma grande fricção com os sectores mais tradicionalistas mas não vacilaram. Ainda antes da Segunda Guerra Mundial exigiram que as mulheres deveriam ter no mínimo 15 anos para se casarem, passaram a permitir os divórcios, e deram iguais direitos de acesso à educação aos dois sexos. Além disso, proibiram o véu islâmico.

Quem é que nos dias de hoje, observando estas medidas com os olhos de 2020 aqui encontraria desequilíbrios? Acontece que a proibição do véu islâmico levou a que inúmeras mulheres preferissem não sair de casa a ter de o fazer com a cabeça descoberta. E isso levou a que ficassem dentro de casa durante os resto dos seus dias.

Algumas décadas mais tarde, as senhoras que sobreviveram a esta proibição, os seus filhos e filhas, celebraram efusivamente a Revolução dos Aiatolas.

Este é um exemplo de como uma medida que pretendia “modernizar” um país, imposta rigidamente de cima para baixo, sem respeitar as convicções dos seus cidadãos, acabou por marcar negativamente uma geração. As mulheres iranianas vivem agora sufocadas com uma proibição simétrica.

Lembrei-me disto agora que esta maioria de circunstância quer aproveitar o momento para impor uma prática sobre a qual o país não está claramente decidido. Está tão convicta que é “agora ou nunca” que não aceita um referendo. Tal como o Xá Pahlavi não duvidam que as suas convicções devem ser a convicções dos cidadãos e desprezam quem não pensa da mesma maneira.

No minuto seguinte lembram-nos que devemos combater os populistas, que criticam a classe política por viver desligada das convicções dos cidadãos.

Sobre a Eutanásia (1)

por Paulo Sousa, em 13.02.20

Sempre que mais um tema dos chamados fraturantes regressa ao debate, lembro-me imediatamente da cabeça de vaca de que já aqui falei.

Há outra imagem que pode ilustrar o que se está a passar. Quando os criadores de gado sul-americanos transportam uma manada e têm de atravessar um rio com piranhas lançam um boi velho ou doente à frente e, enquanto o cardume o devora, eles sorrateiramente aproveitam para passar com a restante manada. Chamam-lhe o boi de piranha.

O factor cabeça de vaca, ou se preferirem boi de piranha, é perfeitamente conhecido do nosso hábil Primeiro-Ministro. No Governo de José Sócrates, em que António Costa era o número dois, o casamento gay teve esse mesmo efeito. Todos debatíamos e elaborávamos sobre princípios e critérios enquanto o país acelerava convicto rumo a mais uma falência das finanças públicas.

Em 2020 novamente enquanto durarem os rígidos rituais do debate, desta vez sobre a eutanásia, não se falará de:

Sobre os pesticidas

por Paulo Sousa, em 08.02.20

Já ouvimos aqui e ali que as autoridades monitorizam o consumo de cocaína a partir dos efluentes urbanos. Quer isso dizer - surpresa!! - que as substâncias que ingerimos depois de circularem dentro do nosso organismo acabam por ser devolvidas ao meio ambiente.

É fácil entender que também os banais paracetamóis, ibuprofenos e demais medicamentos para gripes, digestões difíceis, irritações da garganta, depressões, ou até quimioterapia ingerida ou injectada, levam a que ocorra a libertação de parte destes compostos químicos nos efluentes urbanos e por aí regressam à natureza.

Os puristas dos alimentos bio, macrobióticos e outras variantes e tendências, que já deixei de me esforçar por memorizar, ainda não se lembraram de se manifestaram contra esta forma de “poluição”.

A conservação da natureza é determinante e deve ser permanentemente considerada em toda a actividade humana. Apesar disso, qualquer posição equilibrada sobre este assuntos tem de partir de uma base de que a poluição óptima não é nula.

É claro que cada um de nós poderá defender um ponto de equilíbrio diferente para o binómio sustentabilidade/bem estar. Até que as dores ou doenças nos aflijam, ou aos nossos, é muito mais fácil ser purista.

Toda esta introdução para fazer um paralelismo com a produção agrícola.

No tempo em que o meu pai era criança os anos de míldio eram anos de dificuldades. Outra forma de relatar este facto era como sendo anos em que havia pouca fartura, mas no fundo isto não são mais que metáforas para dizer que eram anos de fome.

Quando se plantava uma saca de batata e no dia da colheita se colhiam apenas três ou quatro, em vez das trinta ou quarenta potenciais, o regresso a casa era triste e cinzento.

As famílias eram numerosas e as mais de setecentas refeições previstas num ano exigiam colheitas generosas. Ratear poucos ingredientes para muitas refeições a servir a muitas bocas de crianças e jovens em crescimento, que não passavam o dia imóveis agarrados a écrans, era um exercício difícil e ingrato.

Olhando a partir de hoje, com as prateleiras dos supermercados cheias, pode parecer estranho mas a introdução da cultura do milho, cereal muito mais produtivo que o centeio, teve como consequência um aumento da população. A história do vinho verde também está ligada a esta revolução agrícola, mas isso são contas de outro rosário.

Os pesticidas, agora designados tecnicamente como produtos fitofármacos, foram e são os medicamentos que se administram às plantas e que previnem este exercício ingrato de ouvir os filhos a pedir comida e não a ter para lhe dar.

A nossa geografia, exposta à humidade atlântica, é excepcionalmente propícia ao aparecimento de míldio e de outros fungos que apreciam humidade e temperaturas amenas. Os fungicidas, introduzidos há muitas décadas, foram a solução para travar fomes como a Grande Fome na Irlanda, que deixou atrás de si um país arrasado.

Numa economia aberta como a nossa, os anos de míldio deixaram há muito de serem anos de fome. Nos anos de fraca produção nacional as batatas aparecem igualmente cruas, empacotadas já fritas ou processadas em puré instantâneo no supermercado, ou cozidas sob um fio de azeite no restaurante da esquina. A globalização anulou o binómio míldio/carência alimentar.

Para quem nunca soube, ou já esqueceu, da realidade que aqui descrevo é fácil concordar com o mantra de que os pesticidas são a origem de todos os males. As doenças que não conseguimos controlar (que são apenas um ínfimo número das com que já lidamos na história) são o resultado dos pesticidas com que envenenamos os alimentos e o ambiente.

Como referi acima, a poluição óptima não é nula, assim como o uso de medicamentos óptimo não é nulo e também o uso de pesticidas óptimo não é nulo.

É natural que o crescimento exponencial da população humana em curso leve a uma maior procura de alimentos. A forma de travar a conquista de mais áreas, agora selvagens e não cultivadas, passa por aumentar a produtividade dos solos actualmente dedicados à agricultura. Só maximizando a produção de cada parcela permitirá que o natural aumento da procura global de alimentos não tenha como consequência um aumento das áreas dedicadas à agricultura.

Podemos por isso dizer que a conservação dos espaços naturais depende da produtividade agrícola com base cientifica, e por isso do uso dos pesticidas.


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