Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Fotografias tiradas por aí (434)

por José António Abreu, em 11.11.18

Porto2018_12_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (433)

por José António Abreu, em 04.11.18

Porto2018_11_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (432)

por José António Abreu, em 28.10.18

OH2018_1_600.jpg

Rio Alva, perto de Oliveira do Hospital, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pensamento da semana

por José António Abreu, em 28.10.18

Consideremo-nos felizes ou infelizes, bonitos ou feios, inteligentes ou estúpidos, ou, como é mais habitual, tudo isto em momentos diferentes, a nossa vida parece quase sempre ter menos significado e ser mais incongruente do que a dos outros, em particular se não existir uma qualquer crença (na maioria das vezes religiosa) que simultaneamente a relativize e lhe dê sentido. Seja como for, o principal objectivo da vida de qualquer pessoa é torná-la real; conferir-lhe significado. Quase toda a gente o atinge apenas durante momentos dispersos - entre os quais o que precede a própria morte.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (431)

por José António Abreu, em 21.10.18

Porto2018_10_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (430)

por José António Abreu, em 14.10.18

Mértola2018_2_600.jpg

Mértola, 2018.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (429)

por José António Abreu, em 07.10.18

Matosinhos2018_1_600.jpg

Matosinhos, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (428)

por José António Abreu, em 30.09.18

Mértola2018_1_600.jpg

Perto de Mértola, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (427)

por José António Abreu, em 23.09.18

Porto2018_6_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (426)

por José António Abreu, em 16.09.18

Porto2018_7_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (425)

por José António Abreu, em 09.09.18

Guimarães2018_1_600_v2.jpg

Guimarães, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (424)

por José António Abreu, em 02.09.18

Torrozelo2018_1_600.jpg

Concelho de Seia, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (423)

por José António Abreu, em 26.08.18

Porto2018_8_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (422)

por José António Abreu, em 19.08.18

Porto2018_5_600.jpg

Porto, 2018.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (421)

por José António Abreu, em 12.08.18

Porto2018_4_600.jpg

Serralves, Porto, 2017.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (420)

por José António Abreu, em 05.08.18

Porto2018_1_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (417)

por José António Abreu, em 29.07.18

VilaConde2018_1_600.jpg

Vila do Conde, 2018.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (416)

por José António Abreu, em 22.07.18

Matosinhos2014_1_600.jpg

Matosinhos, 2014. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (415)

por José António Abreu, em 08.07.18

Blogue_Guimarães2018_4_600.jpg

Guimarães, 2018.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (414)

por José António Abreu, em 01.07.18

Blogue_Afurada2018.jpg

São Pedro da Afurada, Vila Nova de Gaia, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (413)

por José António Abreu, em 24.06.18

Blogue_Zagreb1.jpg

Zagreb, Croácia, 2018.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (412)

por José António Abreu, em 17.06.18

Blogue_p_XP1_Porto2018_8.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (411)

por José António Abreu, em 10.06.18

Blogue_Bled1a.jpg

Lago Bled, Eslovénia, 2018.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (410)

por José António Abreu, em 27.05.18

Blogue_p_XP1_Porto2018_10.jpg

Porto, 2018. (Sim, continuo a gostar de batráquios.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (409)

por José António Abreu, em 20.05.18

Blogue_Ervedal2018_1_v3.jpg

Perto de Ervedal da Beira, concelho de Oliveira do Hospital, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (408)

por José António Abreu, em 13.05.18

Blogue_p_Porto2018_1.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (407)

por José António Abreu, em 06.05.18

Blogue_p_XP1_Porto2018_1.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (406)

por José António Abreu, em 29.04.18

Blogue_p_X20_OH2018_2.jpg

Perto de Oliveira do Hospital, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (405)

por José António Abreu, em 15.04.18

Blogue_CaboVerde2007.jpg

Praia, Cabo Verde, 2007. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (404)

por José António Abreu, em 08.04.18

Blogue_p_X20_Águeda2018_3.jpg

Águeda, 2017. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (403)

por José António Abreu, em 01.04.18

Blogue_p_X20_Esposende2018_1.jpg

Estremoz, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (402)

por José António Abreu, em 25.03.18

Blogue_p_Aguieira2017.jpg

Barragem da Aguieira, 2017. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (401)

por José António Abreu, em 18.03.18

Blogue_N17_2017.jpg

Entre Gouveia e Celorico da Beira, 2017. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (400)

por José António Abreu, em 11.03.18

Blogue_ruas19_Braga2015.jpg

Braga, 2015.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (399)

por José António Abreu, em 04.03.18

Blogue_p_X20_Afurada2014.jpg

Vila Nova de Gaia, 2014.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pensamento da semana

por José António Abreu, em 04.03.18

Nos sonhos, como nas utopias, não existem compromissos. Quando os sonhos ficam demasiado intensos, acordamos. Estar acordado (mais do que apenas estar vivo) implica aceitar compromissos.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (398)

por José António Abreu, em 25.02.18

Blogue_McCurry_Porto2017.jpg

Exposição de fotografias de Steve McCurry, Porto, 2017.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (397)

por José António Abreu, em 18.02.18

Blogue_pX20_Coimbra2017.jpg

Coimbra, 2017.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (396)

por José António Abreu, em 11.02.18

Blogue_Porto2017_2.JPG

Porto, 2017.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Diário semifictício de insignificâncias (37)

por José António Abreu, em 07.02.18

Vou à estação dos CTT da Galiza (parece que vai encerrar) buscar uma encomenda. Espero cerca de três minutos (um período tão razoável que só pode constituir o motivo de encerramento) e depois sou atendido por um senhor cordato, mas lento. Muito, muito lento. Examina o talão deixado na minha caixa do correio de um lado e do outro, verifica cuidadosamente a data e a hora em que é suposto a encomenda já estar disponível, pergunta-me, em voz baixa e ritmo pausado, se sou o próprio (sou), pede-me o cartão de cidadão (que já coloquei sobre o balcão), não compara as assinaturas mas demora uma eternidade a transcrever o número, levanta-se (devagar), arruma (devagar) umas quantas cartas dentro de um tabuleiro, e segue (devagar) com ele para o interior da estação, onde fica durante quase tanto tempo como o que eu esperei até ser atendido. Regressa finalmente (devagar), com a minha encomenda nas mãos.

Houve um instante, ainda antes de ele se levantar da cadeira, em que estive prestes a irritar-me (sabe-se lá se não o acusaria de constituir o motivo de fecho da estação). Felizmente, apercebi-me a tempo do nome afixado na etiqueta que trazia ao peito. «José Plácido». Como ficar irritado com alguém que se limita a fazer jus ao nome?

 

(Agora que escrevinho isto, apercebo-me de que também se pode ver a coisa por outro ângulo: às vezes a irritação dissipa-se por motivos muito estranhos.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografia tiradas por aí (395)

por José António Abreu, em 04.02.18

Blogue_paisagem53_Pocinho2016.jpg

Perto do Pocinho, 2016. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Diário semifictício de insignificâncias (36)

por José António Abreu, em 31.01.18

Nas últimas semanas tem sido um fartote de gripes à minha volta. Fui apanhado por uma (acho estranho que se diga que nós é que as apanhamos), mas bastante ligeira, o que me deixou satisfeito (gosto quando a minha resiliência me surpreende pela positiva). Agora dizem que o pior já passou. Até ao próximo Inverno, certamente, porque os vírus estão cada vez mais evoluídos e os humanos cada vez mais susceptíveis. Basta constatar a facilidade com que se ofendem. 

Quando alguém espirra perto de mim, digo «Santinho». Toda a gente no Porto diz «Viva». Ou «Biba», dependendo da zona onde cresceu. Noutros pontos do país dizem «Saúde». Gosto mais de «Santinho», apesar da conotação com doenças outrora mortais. É mais incongruente. Como os próprios espirros.

E a propósito. Sem surpresa, os meus olhos preferidos pertencem a uma mulher. De um momento para o outro, o meu cérebro nem consegue pensar nuns olhos masculinos dignos de registo. Os do Paul Newman, talvez, que hoje em dia já devem ter perdido grande parte do encanto. Naturalmente, o meu sorriso favorito também é de uma mulher. Há dezenas deles em dezenas delas, para ser sincero. Sorrisos que fazem com que me apaixone durante dez segundos, dez minutos, dez dias. Com vozes, é mais difícil. Tenho - e ouço - mais música cantada por mulheres do que por homens, o que há-de significar alguma coisa, mas certas vozes femininas são instrumentos de tortura que deviam estar cobertos pelas convenções aplicáveis. Os meus risos preferidos voltam a pertencer a mulheres - e ao Ricky Gervais. Contudo, se pensasse no assunto, teria que classificar como meu favorito o espirro de um homem. L., lá do emprego. Tem mais ou menos a minha idade e um espirro by the book. Composto, sereno, sonicamente irrepreensível. A exacta tradução de um balão de banda desenhada: «Atchim!» Tão diferente do meu, espalhafatoso e anárquico.

Mas não penso nisso, claro. Ninguém pensa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (394)

por José António Abreu, em 28.01.18

Blogue_p_Porto2017.jpg

Porto, 2017. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Diário semifictício de insignificâncias (35)

por José António Abreu, em 27.01.18

Uma das poucas coisas que dão satisfação à minha mãe é agora já poder morrer. Até há poucas semanas, se morresse não poderia ser sepultada na campa dos pais. Uma das três irmãs (todas mais novas) antecipara-se. Todavia, agora já passou o número de anos suficiente para que o enterro naquela campa volte a ser possível. Foi a melhor notícia que ela teve nos últimos tempos.

Não sei se me sinta satisfeito por ela (com ela), se deprimido. Frequentemente, eu apanhava-me a pensar que o raio do prazo era o principal motivo para ela se manter viva. Agora, resto eu, que estou quase sempre longe, e, em menor grau, o meu pai, que hoje em dia a preocupa e exaspera em igual medida.

Ainda por cima, sobra-lhe uma irmã. É certo que se trata da mais nova de todas, e que parece andar de boa saúde, mas não deixa de constituir um risco apreciável: a minha mãe não o admite, mas aquilo que neste momento mais a assusta é poder ver-se novamente ultrapassada na corrida à campa dos pais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (393)

por José António Abreu, em 21.01.18

Blogue_p_X20_Águeda2018.jpg

Águeda, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (392)

por José António Abreu, em 14.01.18

L1013632_p_M8_Porto2012.jpg

Porto, 2012. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (391)

por José António Abreu, em 07.01.18

Blogue_Porto2017_1.JPG

Porto, 2017.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (390)

por José António Abreu, em 31.12.17

Blogue_OH2017.jpg

Portugal, 2017. Ou uma última homenagem ao «ano saboroso» de um António Costa certamente mais habituado a locais sprinklados e aos topos de gama que os colegas do partido, bem como os respectivos familiares e amigos, usam para chegar aos empregos que os dois últimos anos lhes providenciaram.

 

(Se fizerem questão de saber: perto de Oliveira do Hospital, há uma semana.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Três álbuns de música clássica lançados em 2017

por José António Abreu, em 31.12.17

 

Antonio Pappano, Saint-Saëns: Carnaval dos Animais & Sinfonia Nº 3 "Órgão".

Edição Warner Classics.

 

Duas das mais famosas obras de Camille Saint-Saëns foram compostas quase em simultâneo e dificilmente poderiam ser mais diferentes. Toda a gente conhece pelo menos excertos de O Carnaval dos Animais, um divertimento para dois pianos e ensemble de nove músicos, que inclui segmentos dedicados, entre outros, ao leão, ao elefante, ao burro, aos «animais de orelhas compridas» (coelhos, lebres), aos galináceos, aos peixes, às tartarugas e (num toque de humor gaulês) aos pianistas. Saint-Saëns compôs O Carnaval dos Animais como um exercício de descontracção durante os trabalhos da sinfonia nº 3. Temendo que prejudicasse a sua imagem de compositor «sério», determinou que a obra apenas poderia ser tornada pública após a sua morte, limitando-se a autorizar algumas sessões privadas (entre as quais uma para o amigo Franz Liszt) e a publicação do movimento "Cisne", adaptado para violoncelo e um único piano. O Carnaval veio finalmente a público em 1922 - um ano após a morte de Saint-Saëns - e depressa se tornou uma das obras mais populares do francês. 

Nesta edição, os pianos são tocados por Antonio Pappano e por Martha Argerich. O acompanhamento é providenciado por um ensemble composto a partir dos solistas de orquestra da Academia Nacional de Santa Cecília, de Roma. Da delicadeza e lirismo do «Cisne» à pomposidade do «Elefante», tudo soa perfeito. E, ainda que ela já tenha interpretado «Os Pianistas» várias vezes, é sempre uma delícia ouvir Martha Argerich fingir que está a aprender a tocar piano.

Pappano conduz a orquestra de Santa Cecília na Sinfonia Nº 3 "Órgão", um trabalho numa linha neoclássica, mas cheio de passagens delicadas e sensuais, que a orquestra delineia perfeitamente (e os técnicos da Warner captam de forma igualmente brilhante).

(Não descobri um vídeo relacionado com esta gravação. N'O Carnaval dos Animais, acompanhada por, entre outros, Gidon Kremer, Argerich pode ser vista aqui.)

 

***

 

 

Max RichterThree Worlds: Music From Woolf Works.

Edição Deutsche Grammophon.

 

A melhor música composta para servir de complemento a imagens (sejam elas ao vivo, como num bailado, ou num suporte tecnológico qualquer, como num filme) sobrevive mesmo longe destas. Para apreciar a música que Tchaikovsky compôs para O Lago dos Cisnes não precisamos de ter alguma vez visto o bailado. Para sentir a intensidade d'A Cavalgada das Valquírias não é necessário conhecer a ópera de Wagner - ou o filme de Coppola - onde ela surge.

Na realidade, a melhor música sobrevive mesmo que não se conheçam quaisquer referências a seu respeito. Pode ouvir-se e apreciar-se a Sétima Sinfonia, de Shostakovich, sem saber que é apelidada de «Leninegrado» - e porquê. Pode ser-se fã de Tears in Heaven, de Eric Clapton, desconhecendo o acontecimento que lhe esteve na origem.

Por vezes, não saber demasiado até se revela benéfico. É hoje difícil ouvir Wagner sem sentir estar a partilhar um prazer com Hitler. Na maioria das casos, porém, conhecer as obras para as quais a música foi composta, ou os acontecimentos que a inspiraram, ou as circunstâncias que já a moldaram, permite analisar melhor a obra e constitui um factor positivo de ligação emocional. (Também salva algumas obras menores, que não levaríamos a sério se não estivessem relacionadas com, por exemplo, um filme que nos marcou.) 

Tudo isto para referir que pouca gente conhecerá Woolf Works, um bailado de Wayne McGregor baseado em três livros de Viginia Woolf (Mrs. DallowayOrlando e The Waves), mas que isso não é necessário para apreciar a música composta para ele por Max Richter. A música de Richter é suficientemente forte para dispensar o apoio de imagens concretas ou até o conhecimento da fonte de inspiração. Mas conhecer os livros ajuda. Torna mais fácil perceber por que razão nos temas baseados em Mrs. Dalloway a música é geralmente suave mas está cheia de interrogações; por que razão nos temas inspirados por Orlando a sonoridade é mais variada, com mistura de estilos e de sonoridades (incluindo componentes electrónicas); e porque o único mas longo tema dedicado a The Waves é - perdoe-se-me a falta de imaginação - ondulante, melancólico e extremamente belo. Todo o álbum (que inclui apenas parte dos temas compostos para o bailado) é perpassado por constantes interrogações, por aquela busca incessante, feita a partir de múltiplos pontos de vista, que caracteriza a literatura de Virginia Woolf.

Devo ainda mencionar os segmentos de abertura de cada bloco. Em grande medida, neles procura-se adicionar contexto para os que (ainda) não leram Woolf, e reforçar a ligação à música dos que já leram. Mas também servem para deixar claro qual o tema principal que guiou Richter - e, décadas antes, Woolf: os mecanismos da memória, as suas imperfeições, o modo como molda a história. O primeiro segmento é composto por um excerto da única gravação conhecida da voz de Woolf, no qual ela refere que as palavras da língua inglesa estão cheias de ecos e de memórias do passado, e que isso dificulta imenso a tarefa do escritor. No segundo, a actriz Sarah Sutcliffe lê um excerto de Orlando, igualmente focado nas questões da memória (Memory is the seamstress, and a capricious one at that...). Finalmente, no terceiro, a actriz Gillian Anderson (e como a sua voz inconfundível causa um instante de surpresa inteiramente adequado) lê a nota de suicídio que Woolf deixou ao marido.

Depois de Philip Glass já ter composto uma excelente banda sonora para o filme The Hours, Richter prova o que qualquer leitor de Woolf consegue sentir: a prosa dela é altamente musical.

 

***

 

 

Barbara HanniganCrazy Girl Crazy.

Edição Alpha.

 

Barbara Hannigan deixa-me sem palavras (e, todavia, desconfio que vou escrever umas quantas). Como soprano, tornou-se o rosto e a voz da incomparável Lulu, de Alban Berg (admitamos que com alguma concorrência por parte de Patricia Petibon), deslumbrou nesse objecto estranho que é Le Grand Macabre, de Ligeti, conseguiu que escrevessem para ela o principal papel feminino de uma das melhores óperas das últimas décadas, fez paródias com pasta dentífrica que incluem lamentos sobre «no more all-night boning», e - convém referi-lo, já que estamos a 31 de Dezembro - ainda se dedicou a festas de passagem de ano. Como comunicadora, revela uma excelente capacidade de expressão e um delicioso sentido de humor. Como mulher, é atraente (vale o que vale, mas não vale a pena esconder que vale alguma coisa). E, desde há alguns anos, é também maestrina. Quando ela canta (postulemos que o termo admite fronteiras amplas) e simultaneamente dirige a orquestra, até Ligeti fica irresistível (bom, quase).

Há cerca de 4 meses, Hannigan lançou Crazy Girl Crazy, um álbum no mínimo peculiar. Inica-se com Sequenza III, de Luciano Beria, que basicamente consiste em nove minutos de exercícios vocais (calma, não se vão já embora). Seguem-se temas de Lulu, quase todos instrumentais (Lulu, a personagem, tem apenas uma canção - nem se lhe poderá chamar ária - em toda a ópera, e é curta). No final, surgem os treze minutos mais sublimes da música de 2017 (não, não exagero e também não admito opiniões contrárias, excepto se provenientes de canídeos ou de outros animais com capacidade para ouvir frequências inaudíveis para os humanos). Dificilmente se classificará Gershwin entre os compositores mais experimentalistas - ou mais pessimistas -, mas ele admirava profundamente a música de Berg, que encontrou em Viena em 1928 e que até lhe autografou uma fotografia. Com a ajuda do compositor e orquestrador Bill Elliot, Hannigan dedica-se a extrair da música do norte-americano um nível de inquietude que acaba por transformá-la numa sequência adequada a tudo o que a precede, sem lhe eliminar o carácter festivo que permite fechar o álbum em tom de alegria e optimismo. E, no fundo, me permite a mim fazer o mesmo em relação a 2017.

(Nota destinada a pessoas simultaneamente observadoras e picuinhas: a versão apresentada no vídeo acima é cerca de um minuto mais curta do que a versão inserida no álbum; a do álbum é ainda melhor.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Câmara de Lisboa. Avenças em gabinetes do PS chegam a aumentar 80%.

 

Lisboa tem excepção que permite mais 96 assessores e ‘plafond’ de 20 milhões.

O Regime Jurídico das Autarquias Locais (RJAL) permite aos grandes municípios (com mais de 100 mil habitantes) terem 22 membros nos gabinetes dos vereadores e do presidente da câmara. Dada a sua dimensão, Lisboa é objecto de uma excepção que é aprovada, mandato após mandato, pelo executivo municipal. De acordo com a proposta de Fernando Medina aprovada em reunião de câmara no início deste mandato — apenas com a abstenção dos dois vereadores do PCP — os vereadores, os respectivos grupos políticos e o presidente podem contratar 96 pessoas para os gabinetes: 71 assessores e 25 funcionários de apoio administrativo. A estes 96 juntam-se os 22 já garantidos. Contas finais: 118 assessores/adjuntos.

 

Um dado já estabelecido, mas que a notícia confirma - ide lê-la, ide -, é o cuidado tocante, nesta época de insensibilidade e egoísmo, que os socialistas revelam no apoio à famiglia. Perdão, à família.

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D