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Delito de Opinião

Blogue da semana

Marta Spínola, 25.09.21

Este blogue da semana devia cá ter chegado mais cedo, mas só agora me pude sentar para cá o deixar. Avancemos então.

Descobri o "Casada, fútil, quotidiana e tributável" há umas semanas, e gostei logo do tom de voz. Sempre apreciei a observação do quotidiano e a crítica dos costumes ainda faz as minhas delícias. A Amélia C. escreve bem, observa e retrata o quotidiano. A imprescindível dose de sarcasmo anda por lá, de mãos dadas com a franqueza que faz tantos dos nossos dias. 

É este o blogue que sugiro esta semana.

Blogue da semana

Marta Spínola, 17.01.21

Esta semana, escolhi destacar a Caixa de Costura do André. É ali que se alinhavam relatos do dia a dia, pelas palavras bem escritas do seu autor, que conheço há uns anos do twitter (ao  contrário do que se possa pensar ou se veja nos dias de hoje, o twitter já foi um lugar quase só divertido, onde conheci muita gente de quem gosto até hoje e tento não perder de vista).

Espero que gostem do corte e costura da caixa. 

Pensamento da semana

Marta Spínola, 06.12.20

 

Maradona, Napoli ti ama ma l'Italia è la nostra patria. 

(Maradona, Nápoles ama-te mas Itália é a nossa pátria.)

 

Pensamento inscrito no Stadio San Paolo em Julho de 1990, quando a Argentina jogou a meia-final do Mundial, contra a anfitriã Itália. Nápoles era há seis anos a casa de Diego Maradona, juntos tinham celebrado dois inéditos campeonatos e uma Taça UEFA. Este jogo marca a definitiva cisão com os italianos. Sendo este o meu Mundial de eleição, vejo este jogo envolto em paixões e ânimos que para mim são parte do melhor do mundo do futebol. Nápoles foi glória e desgraça na vida de Maradona. Os dois se confundem na década de 80. 

Será um pensamento prosaico, mas serve para assinalar o desaparecimento d' El Pibe. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Born a Crime. (Audio)li e recomendo

Marta Spínola, 08.09.20

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Tiremos isto do caminho desde já: eu audioleio. Leio, e-leio, audioleio. Gosto de um livro, do seu peso e cheiro, mas quando preciso de andar e desandar, o audiobook releva-se extremamente útil e o e-book muito leve. 

Recomendo a versão audio e original deste livro de Trevor Noah, por ser um extraordinário contador de histórias, no caso a da sua infância e adolescência numa África do Sul onde o Apartheid não tinha lugar para um rapaz nascido de mãe negra e pai branco - o tal crime do título. É um ponto de vista muito pessoal, a sua avó castigava os primos de uma forma diferente por não saber como educar com um rapaz branco (que nem ele nem nós hoje vemos como branco). Contado pelo próprio é como estar à mesa com um amigo que nos conta as suas memórias. 

Não é um livro que pretenda mudar o mundo, mas é um relato muito franco - pois se o viveu -, muito claro e vivo de um dia a dia dos anos 90 em Joanesburgo. 

Destaco o maior comic relief, o capítulo "Go Hitler" - não esse Hitler, um amigo de Noah, mas contar mais estraga esta passagem. É cómico e triste ao mesmo tempo: dois mundos que chocam sem que se percebam um ao outro.

Era isto, é um bom livro e se o puderem ouvir na versão original, tanto melhor, garanto que compensa começar a "audioler" por este. 

 

(adaptado de um post no Da Vida de Pi)

Pensamento da semana

Marta Spínola, 15.03.20

"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

in A Segunda Vida de Francisco de Assis, José Saramago

 

Chegou-me relato sobre alguém de quarentena, que se passeia pela cidade alegremente e cuja reacção perante o reparo "mas a ideia seria ficar em casa...", é elucidativa: "e quem controla isso?". A prioridade não é cuidar de si, ou pensar nos outros, é aproveitar que não se é apanhado.

Não me surpreendeu, infelizmente. 

Tenho-me lembrado muito de Saramago por causa do coronavírus, dos seus (des)humanos egoístas e fanfarrões. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

José Mário Branco

Marta Spínola, 19.11.19

Por me chamar Marta, cantavam-me muitas vezes o Casa Comigo Marta. Eu achava graça àquela Marta refilona e teimosa, que não se deixava deslumbrar pelo doutor dom Gaspar até ao fim da canção.

Haverá palavras mais bonitas e eu até conheço mais de José Mário Branco, mas a obra fica para que se ouça e fale sobre ela sempre. Ou não, cada um faz como entender.

Da minha parte, hoje dei uma trégua (e a mão) a Dr. Dom Gaspar.

Blogue da semana

Marta Spínola, 17.11.19

O Atlas de Bolso é mais que um blog de viagens, não desfazendo nessa gama sempre agradável de ler. Já conhecia os seus autores, do twitter, de um tempo em que o twitter era quase só saudável e bem mais feliz que agora. Quando o blogue apareceu, foi fácil começar a segui-lo. 

O destino, o Twitter e mais uns pormenores decidiram juntar dois apaixonados por desporto e por viagens e nasceu a equipa por detrás do atlas de bolso, Sarah e Rui.

Organizado desde o topo, é de uma navegação fácil e objectiva, vai ao ponto sem perder tempo, ao mesmo tempo que nos leva em cada experiência gastronómica ou evento desportivo.

É a minha sugestão para esta semana, Atlas de Bolso

Blogue da semana

Marta Spínola, 16.06.19

Esta semana destaco o Triptofano, um blogue utilizado na biossíntese de proteínas - mais ou menos -, cujo autor nos fala do seu dia a dia como farmacêutico. Entre posts divertidos, vai esclarecendo algumas dúvidas elementares. 

Esta semana destacou-se o post '5 coisas que menos gosto de fazer como Farmacêutico', em que o Trip fala das coisas que menos gosta de fazer na sua actividade profissional. Espero que se divirtam como eu me diverti e lê-lo. 

50 anos de Woodstock (em Agosto)

Marta Spínola, 15.06.19
Eu não contei, mas conto agora, que um dia destes vi o documentário de Michael Wadleigh (cuja edição tem também mão de Martin Scorsese) sobre Woodstock, que teve três nomeações e ganhou o Oscar para melhor documentário em 1970. Não tinha expectativas altas nem baixas, como muita gente, sabia vagamente quem passou pelo palco, e que tinha havido lama, droga e banhos de rio. Felizmente fui surpreendida. 

Senti-me transportada até ao recinto, numa quinta em Bethel, a norte de Nova Iorque. Uma ideia de dois miúdos que podia ter corrido tão mal, onde eram esperadas 50 mil pessoas e apareceram 400 mil (um milhão contando com os arredores), mas com apelos de peace and love constantes, lá se foi dando. Bravo, gerações de 50 e 60. 

Uma chuvada e tanta gente ensopada, a lama do dia seguinte, é claro que tinha de haver banhos de rio a seguir (e antes e durante). 

E o público. Miúdos, graúdos, bebés. A população local, ao contrário de nos filmes, compreensiva com os miúdos, conformada com a invasão e a escassez pontual de alimentos. Pais com um filho no festival outro no Vietname, serenos com toda aquela gente em redor. 

Ver Santana quase menino, rever os gestos de Joe Cocker - só o conheci bem mais tarde, mas os movimentos eram os mesmos -, Roger Daltrey (sempre com Pete Townshend numa perfeita liderança a dois), o único homem do Rock que deu dignidade a caracóis. Ainda Janis Joplin, Jimi Hendrix, Joan Baez, Jefferson Airplane, Richie Havens, Ravi Shankar, Arlo Guthrie, Cannes Heat, Ten Years After, Crosby Stills Nash & Young são nomes a ver e ouvir no documentário. 

Admito que, nascida quase dez anos depois de acontecer, a minha ideia de Woodstock reflectia algum first world drama, mas acreditem quando vos digo que um dos pontos altos é a eficácia na limpeza das casas de banho portáteis em 1969. Nem sei se nos dias de hoje é assim por cá, mas há 50 anos não era certamente, estávamos bem longe destas andanças, com outros dias, outros tempos em mãos. Outro exemplo é a resolução imediata e local de problemas como alimentar toda a gente. É possível que se tenha passado fome, mas houve passos dados para pelo menos remediar isso, sem dúvida. Ninguém estava só por si ali. 

O melhor de tudo: ver na assistência do CCB (minha mãe incluída), maioritariamente acima dos 60 anos, cabeças a abanar acompanhando o rock que cá chegava e viviam tão intensamente noutro tempo. Adorei. Acho que amo Woodstock afinal. Peace!

Blogue da semana

Marta Spínola, 17.02.19

Não sei se leitores e autores jogam ou gostam de videojogos, mas provavelmente muitos de nós cresceram com a evolução dos mesmos. Tenho poucas dúvidas que alguém não conheça o mítico Tetris. Pois bem, este jogo tem uma nova versão, o Tetris99, que podem conhecer no blogue da semana: Vida Extra, cuja descrição é auto-explicativa "Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.".

Sobre o Tetris: 

É tão simples que qualquer pessoa o consegue perceber e começar a jogar de imediato, mas é tão desafiante que nos deixa agarrados e a pensar em todas as formas de encaixar as suas peças.

Deixo esta sugestão para quem quiser saber mais sobre o Tetris99, ou videojogos em geral. 

Blogue da semana

Marta Spínola, 18.11.18

Hoje destaco o blogue "Ainda sou do tempo". Desde 2012 o seu autor, Hugo Silva, faz uma valiosa recolha de memórias dos anos 80 e 90, da TV (Ainda sou do tempo...em que davam Desenhos Animados antes dos filmes) aos bilhetes de comboio em cartão duro, literalmente picados pelo revisor, passando por jogos e brincadeiras, músicas marcantes, guloseimas e os tantas vezes relembrados anúncios. Passear pelas tags deste blogue é viajar no tempo. 

Não é um blogue saudosista no sentido de "antes é que era bom", que invoque obrigatoriamente o brincar na rua como a melhor coisa de sempre, como tantas vezes terminam as conversas sobre esses tempos. É um blogue que nos faz reviver esse tempo, como cada um se lembra, e isso já é dizer muito. 

E porque hoje é dia do 90º aniversário do Rato Mickey, escolho para celebrar, este post sobre o Clube Amigos Disney de cujo cartão também fui uma orgulhosa detentora (antes disso fui sócia do Clube do Rato Mickey). 

Blogue da semana

Marta Spínola, 30.09.18

Esta semana o blogue da Moira, Tertúlia de Sabores.

Não é apenas um blogue de receitas, é uma cozinha acolhedora, onde cheira a memórias de cozinhas da nossa infância e o apetite cesce a cada fotografia.  

Estas linhas resumem bem a Manuela:

Receitas favoritas tenho muitas, apesar de gostar de experimentar sabores de outras paragens e também de inovar, as minhas receitas favoritas são sempre as mais simples e tradicionais.

 

Como eu gosto de ver a História

Marta Spínola, 28.09.18

Escrevi em tempo este texto. Reli-me e gostei de voltar a ser quem fui. 

 

No comboio, senta-se ao meu lado um homem que parece o meu antigo professor de Civilizações Clássicas. Quero ser um capitel, não me apetece conversar. Tudo o que tenho a dizer do curso, é que continuo a gostar de História, mas assumidamente mais para saber segredos e intrigalhada de alcova. Esta manhã, sou a porteira de Atenas.
Eu não fui uma aluna aplicada, Zeus sabe que não. Nesta cadeira, fiquei com um 16 graças a Esparta, aos bebés fortes que sobreviveram para terem o ventre roído por lobinhos, e ao mega-espartano que era Aquiles e eu venerei em papel. Ai, porque sim, nunca deixarei de ter 15 anos. Na altura, as Termópilas ainda não tinham o Butler como Leónidas, e já me faziam vibrar: In your face, Xerxes, filho de Dário! Não é bem in your face, que os persas ganharam, mas fica a ideia. E os gregos morreram livres, que era o big deal da altura. Mais ou menos isto.
Mais sobre porquê Esparta: sempre sonhei com a máquina do tempo. Na falta de mesma, tendo a transportar-me para tempos e lugares sobre os quais vou sabendo. Às terças pelas 8 (havia mais horas de Civilizações Clássicas, mas é mais fácil viajar no tempo com muito sono), seguia para a Grécia. Sendo mulher, não era uma emoção… mas sempre foi em Esparta que quis estar: entre zelar por bebés fortes que não sejam atirados de ravinas, ou recolher ao gineceu porque a rapaziada vai pensar e amar-se para a acrópole, não hesito.

O 16 à dita cadeira de Civilizações Clássicas veio muito – tenho tanto essa noção, já na altura tive – pelo elogio a Esparta que pus em página e meia. A manipulação da paixão de um professor, podiamos chamar-lhe. Ele também era team Esparta, e deixou-me perceber não só isso, como que a concordância era valorizada. Alinhei, não me custou muito.
Ainda da cadeira, Roma não foi a emoção que eu esperava: a quantidade alarve de informação sobre instituições, cônsules, pretores, senado e quejandos, fez-me perder a ansiedade pelo pão e circo. O meu professor não gostava de Roma, e disse-o em sala. Passei a não gostar dele. Tudo muito pedagógico, portanto.
Entretanto, o homem ao meu lado não era quem pensei. Mas saiu em Belém, o mesmo destino do meu professor naquela altura, e fico a pensar se já os clonam. Posso deixar de ser um capitel.

Blogue da semana

Marta Spínola, 05.08.18

Sigo a Ana no twitter há vários anos, já lhe pedi uma outra opinião, e recebi até umas simpáticas amostras para aferir o que me tinha sido dito. O blog: The skin game

Pragmática e descomplicada, a Ana fala clara e abertamente no que a sua formação em Farmácia, atrevo-me a dizer paixão, lhe ensinou e vai ensinando diariamente. Percebe-se o empenho e entusiasmo na aprendizagem constante. Para conhecer um pouco mais da Ana é ler aqui

Desta vez a Ana põe o dedo na ferida. Perante um disparate de alguém com 40k seguidores, a Ana avançou e desmistifica os medos sobre protectores solares

Deixo a parte técnica para a Ana. Mas além desse lado, é importante salientar uma vez mais a irresponsabilidade com que se fala para 40k pessoas. Dir-me-ão que se seguem merecem, mas infelizmente não me parece assim tão simples. Nem todo o influenciador é uma boa influência. O sentido crítico está adormecido em muita gente, e isso é assustador. 

Saibamos seguir, ouvir e tirar as nossas conclusões. E já não é pouco. 

Ontem voltei a ver o meu poeta preferido

Marta Spínola, 10.06.18

Foi a segunda vez que vi Chico Buarque ao vivo. Doze anos separaram uma vez de outra, mas ambas valeram cada segundo. 

Gosto de Chico Buarque há muitos anos, na família materna sempre se ouviu MPB, posso dizer que cresci a ouvir génios como Jobim, Vinicius, Toquinho, Chico ou Caetano, para mencionar apenas alguns. Das vozes às letras há uma serenidade, e uma quase ingenuidade, que sempre me comoveu. Sempre me foram passados como temas engraçados, simpáticos, numa língua que nos era muito (literalmente) familiar. 

Tenho pena que não cante alguns dos êxitos mais antigos, os que me levam à infância, aos discos em capas de papelão, tenho pena que a versão de "Partido Alto" partilhada com Caetano Veloso nunca se ouça, mas é uma pena egoísta. Ouvir Chico vale sempre a pena. 

A minha relação com as letras de Chico Buarque é um caso de amor. Os sambas, os desamores, as felicidades ao luar, os boleros, os amantes, os fait divers cantados numa voz grave e tão calma (na voz tranquila só Jobim o bate), são talvez o happy place em que nunca penso quando alguém fala nisso. Quis guardar a sua voz na memória mais uma vez, o que, mesmo sabendo as letras, me fez ficar em silêncio só para o ouvir cantar. 

É seguro dizer: "Foi bonita a festa, pá, fiquei contente."

Eurovisão. Fui lá espreitar

Marta Spínola, 14.05.18

A Eurovisão para mim é da infância, remete-me para os anos 80 e o video beta que havia lá em casa. Tinhamos alguns festivais gravados e eu via-os de enfiada, cantarolava e dançava o que podia. Lembro-me de algumas músicas improváveis como a da Holanda em 86 (quatro miúdas, na altura mulheres para mim, que pareciam vestidas pela Migacho), ou a Turquia em 85 (Didai didai didai) que eu cantava destemidamente sem pensar se percebia a língua, numa ousadia típica de criança. Já não falo do hinos da minha infância que foram "Sobe sobe, balão sobe", "Playback" e "Bem Bom". 

Não sou, nem vou agora fazer-me passar por pessoa que segue a Eurovisão todos os anos, de há muito tempo para cá. Vou sabendo quem é a música portuguesa, sei depois vagamente quem ganhou, ou no limite, se estou em casa, acompanho a final como barulho de fundo. Claro que o ano passado, até porque me calhou trabalhar nessa dia, vi a vitória do Salvador Sobral cheia de nervos no twitter, onde muita gente como eu, não estava habituada a estas votações com público e tudo.

Falemos das pontuações. Já não há júri a dizer todos os pontos que dá a quem. Ainda há um júri que fala por cada país, mas só referem os ambicionados 12 pontos, twelve points, douze points. O resto é acompanhar no ecran como se puder. E é aqui que começam países a desandar sorrateiramente na tabela se não se estiver antendo. Mas piora quando chegam os pontos do público porque os valores são outros e há concorrentes que dão pulos enormes até ao podium (foi o caso da Itália ontem). O ano passado foi divertido e com muitos nervos porque havia mais gente no twitter com atenção à votação, e quando chegou a esta parte, nós, os que ignorávamos como funcionava, íamos tendo uma síncope. O final, é sabido, foi feliz para Portugal. Foi uma boa noite de twitter.

Mas tudo isto para dizer, que tive oportunidade de ir assisitir in loco à final organizada por Portugal, e gostei muito. Como evento é espectacular. Muita luz e cor, tudo a funcionar ao minuto, um ambiente feliz e de festa, pessoas de todos ou quase todos os países em prova a circular por Lisboa durante a semana. Gostamos muito disto. Ou gosto eu. No Euro2004, na websummit, na Eurovisão, perceber de onde vê e para onde vão.

Uma coisa que pude verificar é que apesar de virem com as cores dos seus países, não torcem necessariamente só por estes. Durante as actuações havia reacções unânimes à música da Austria, da Estónia, de Chipre, Israel, Espanha, Austrália e Reino Unido, por exemplo. Também se verifica este comportamento durante as votações. Há uma diplomacia admirável. Ali estava eu, habituada a escolher o lado e ser-lhe leal até ao fim, meio amudadinha com a falta de pontos para Portugal mesmo gostando de outras canções, e os habitués aproveitavam, aplaudiam, gritavam de exctiação cada vez que alguém se adiantava no primeiro lugar. Saudável esta forma de ver uma competição, sem dúvida. Só quando Montenegro deu 12 pontos, twelve points, douze points à Sérvia se ouviu um "buuuuu" geral, mas até isso foi curioso de perceber. 

No fim como sabemos, venceu Israel com aquele espalhafato todo. Não sou contra, a votação até já conta com o público, e foi o público que catapultou Netta e o seu Toy para o primeiro lugar. Mas dificilmente nos lembraremos das outras 25 daqui a um ano.