Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Delito de Opinião

Blogue da Semana

Marta Spínola, 19.11.22

Gosto de posts do dia a dia, descrições de quotidianos parecidos (ou não) com o meu, desabafos do cansaço diário, pensamentos e alegrias do trivial. Gosto de posts francos - não têm de ser reais, não o saberemos de qualquer forma. Encontro-os no blog Brainstorming 2.0, "Um blog que é basicamente um consultório de um psicólogo onde se fala de tudo sem restrições ou medos." É esta a minha sugestão de blogue da semana.

Fica como ilustração, a reflexão, diria que intemporal, sobre trabalhar na área para que se estudou, ou, não sendo o caso, gostar-se do que se faz. É provável que sejamos mais a quem isso acontece. É certamente o meu.

Pensamento da Semana

Marta Spínola, 16.01.22

Dia 30 há eleições. Entre programas de cada partido e debates, lá chegaremos. 
Entre eleitores há de tudo: o informado, o que tenta acompanhar ainda que sem grande entusiasmo, o simpatizante que tem referências com 30 anos, mesmo que já tenham mudado, o ministro de bancada.

O desinteressado pode nem aparecer, mas não vamos falar na abstenção. Ou devemos? É geral o desinteresse, desde cedo. É comum o "não me interesso por política" em tenra idade, que se prolonga vida fora. Por não ser próximo? Imediato? Por, simplesmente, não ser emocionante? Por nunca se chegar a acreditar "nos políticos"? Não tenho respostas certas, levanto apenas a questão. Creio que a abstenção vai sempre mais longe que "era dia de praia", ou outras justificações que tentamos encontrar. O desinteresse é geral, não julgo.
Da minha parte, faço o que devo. Desde que fiz 18 anos, não faltei a umas eleições, referendos incluídos. Não sou melhor nem pior, mas quero lá estar sempre, mesmo que com um voto nulo. Não quero que decidam por mim, nem reclamar quando não tive uma palavra a dizer.

Dia 30 há eleições. Faltam 257 debates, lá chegaremos.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Blogue da semana

Marta Spínola, 25.09.21

Este blogue da semana devia cá ter chegado mais cedo, mas só agora me pude sentar para cá o deixar. Avancemos então.

Descobri o "Casada, fútil, quotidiana e tributável" há umas semanas, e gostei logo do tom de voz. Sempre apreciei a observação do quotidiano e a crítica dos costumes ainda faz as minhas delícias. A Amélia C. escreve bem, observa e retrata o quotidiano. A imprescindível dose de sarcasmo anda por lá, de mãos dadas com a franqueza que faz tantos dos nossos dias. 

É este o blogue que sugiro esta semana.

Blogue da semana

Marta Spínola, 17.01.21

Esta semana, escolhi destacar a Caixa de Costura do André. É ali que se alinhavam relatos do dia a dia, pelas palavras bem escritas do seu autor, que conheço há uns anos do twitter (ao  contrário do que se possa pensar ou se veja nos dias de hoje, o twitter já foi um lugar quase só divertido, onde conheci muita gente de quem gosto até hoje e tento não perder de vista).

Espero que gostem do corte e costura da caixa. 

Pensamento da semana

Marta Spínola, 06.12.20

 

Maradona, Napoli ti ama ma l'Italia è la nostra patria. 

(Maradona, Nápoles ama-te mas Itália é a nossa pátria.)

 

Pensamento inscrito no Stadio San Paolo em Julho de 1990, quando a Argentina jogou a meia-final do Mundial, contra a anfitriã Itália. Nápoles era há seis anos a casa de Diego Maradona, juntos tinham celebrado dois inéditos campeonatos e uma Taça UEFA. Este jogo marca a definitiva cisão com os italianos. Sendo este o meu Mundial de eleição, vejo este jogo envolto em paixões e ânimos que para mim são parte do melhor do mundo do futebol. Nápoles foi glória e desgraça na vida de Maradona. Os dois se confundem na década de 80. 

Será um pensamento prosaico, mas serve para assinalar o desaparecimento d' El Pibe. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Born a Crime. (Audio)li e recomendo

Marta Spínola, 08.09.20

21897119_GvLAN.jpeg

 

Tiremos isto do caminho desde já: eu audioleio. Leio, e-leio, audioleio. Gosto de um livro, do seu peso e cheiro, mas quando preciso de andar e desandar, o audiobook releva-se extremamente útil e o e-book muito leve. 

Recomendo a versão audio e original deste livro de Trevor Noah, por ser um extraordinário contador de histórias, no caso a da sua infância e adolescência numa África do Sul onde o Apartheid não tinha lugar para um rapaz nascido de mãe negra e pai branco - o tal crime do título. É um ponto de vista muito pessoal, a sua avó castigava os primos de uma forma diferente por não saber como educar com um rapaz branco (que nem ele nem nós hoje vemos como branco). Contado pelo próprio é como estar à mesa com um amigo que nos conta as suas memórias. 

Não é um livro que pretenda mudar o mundo, mas é um relato muito franco - pois se o viveu -, muito claro e vivo de um dia a dia dos anos 90 em Joanesburgo. 

Destaco o maior comic relief, o capítulo "Go Hitler" - não esse Hitler, um amigo de Noah, mas contar mais estraga esta passagem. É cómico e triste ao mesmo tempo: dois mundos que chocam sem que se percebam um ao outro.

Era isto, é um bom livro e se o puderem ouvir na versão original, tanto melhor, garanto que compensa começar a "audioler" por este. 

 

(adaptado de um post no Da Vida de Pi)

Pensamento da semana

Marta Spínola, 15.03.20

"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

in A Segunda Vida de Francisco de Assis, José Saramago

 

Chegou-me relato sobre alguém de quarentena, que se passeia pela cidade alegremente e cuja reacção perante o reparo "mas a ideia seria ficar em casa...", é elucidativa: "e quem controla isso?". A prioridade não é cuidar de si, ou pensar nos outros, é aproveitar que não se é apanhado.

Não me surpreendeu, infelizmente. 

Tenho-me lembrado muito de Saramago por causa do coronavírus, dos seus (des)humanos egoístas e fanfarrões. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

José Mário Branco

Marta Spínola, 19.11.19

Por me chamar Marta, cantavam-me muitas vezes o Casa Comigo Marta. Eu achava graça àquela Marta refilona e teimosa, que não se deixava deslumbrar pelo doutor dom Gaspar até ao fim da canção.

Haverá palavras mais bonitas e eu até conheço mais de José Mário Branco, mas a obra fica para que se ouça e fale sobre ela sempre. Ou não, cada um faz como entender.

Da minha parte, hoje dei uma trégua (e a mão) a Dr. Dom Gaspar.

Blogue da semana

Marta Spínola, 17.11.19

O Atlas de Bolso é mais que um blog de viagens, não desfazendo nessa gama sempre agradável de ler. Já conhecia os seus autores, do twitter, de um tempo em que o twitter era quase só saudável e bem mais feliz que agora. Quando o blogue apareceu, foi fácil começar a segui-lo. 

O destino, o Twitter e mais uns pormenores decidiram juntar dois apaixonados por desporto e por viagens e nasceu a equipa por detrás do atlas de bolso, Sarah e Rui.

Organizado desde o topo, é de uma navegação fácil e objectiva, vai ao ponto sem perder tempo, ao mesmo tempo que nos leva em cada experiência gastronómica ou evento desportivo.

É a minha sugestão para esta semana, Atlas de Bolso

Blogue da semana

Marta Spínola, 16.06.19

Esta semana destaco o Triptofano, um blogue utilizado na biossíntese de proteínas - mais ou menos -, cujo autor nos fala do seu dia a dia como farmacêutico. Entre posts divertidos, vai esclarecendo algumas dúvidas elementares. 

Esta semana destacou-se o post '5 coisas que menos gosto de fazer como Farmacêutico', em que o Trip fala das coisas que menos gosta de fazer na sua actividade profissional. Espero que se divirtam como eu me diverti e lê-lo. 

50 anos de Woodstock (em Agosto)

Marta Spínola, 15.06.19
Eu não contei, mas conto agora, que um dia destes vi o documentário de Michael Wadleigh (cuja edição tem também mão de Martin Scorsese) sobre Woodstock, que teve três nomeações e ganhou o Oscar para melhor documentário em 1970. Não tinha expectativas altas nem baixas, como muita gente, sabia vagamente quem passou pelo palco, e que tinha havido lama, droga e banhos de rio. Felizmente fui surpreendida. 

Senti-me transportada até ao recinto, numa quinta em Bethel, a norte de Nova Iorque. Uma ideia de dois miúdos que podia ter corrido tão mal, onde eram esperadas 50 mil pessoas e apareceram 400 mil (um milhão contando com os arredores), mas com apelos de peace and love constantes, lá se foi dando. Bravo, gerações de 50 e 60. 

Uma chuvada e tanta gente ensopada, a lama do dia seguinte, é claro que tinha de haver banhos de rio a seguir (e antes e durante). 

E o público. Miúdos, graúdos, bebés. A população local, ao contrário de nos filmes, compreensiva com os miúdos, conformada com a invasão e a escassez pontual de alimentos. Pais com um filho no festival outro no Vietname, serenos com toda aquela gente em redor. 

Ver Santana quase menino, rever os gestos de Joe Cocker - só o conheci bem mais tarde, mas os movimentos eram os mesmos -, Roger Daltrey (sempre com Pete Townshend numa perfeita liderança a dois), o único homem do Rock que deu dignidade a caracóis. Ainda Janis Joplin, Jimi Hendrix, Joan Baez, Jefferson Airplane, Richie Havens, Ravi Shankar, Arlo Guthrie, Cannes Heat, Ten Years After, Crosby Stills Nash & Young são nomes a ver e ouvir no documentário. 

Admito que, nascida quase dez anos depois de acontecer, a minha ideia de Woodstock reflectia algum first world drama, mas acreditem quando vos digo que um dos pontos altos é a eficácia na limpeza das casas de banho portáteis em 1969. Nem sei se nos dias de hoje é assim por cá, mas há 50 anos não era certamente, estávamos bem longe destas andanças, com outros dias, outros tempos em mãos. Outro exemplo é a resolução imediata e local de problemas como alimentar toda a gente. É possível que se tenha passado fome, mas houve passos dados para pelo menos remediar isso, sem dúvida. Ninguém estava só por si ali. 

O melhor de tudo: ver na assistência do CCB (minha mãe incluída), maioritariamente acima dos 60 anos, cabeças a abanar acompanhando o rock que cá chegava e viviam tão intensamente noutro tempo. Adorei. Acho que amo Woodstock afinal. Peace!

Blogue da semana

Marta Spínola, 17.02.19

Não sei se leitores e autores jogam ou gostam de videojogos, mas provavelmente muitos de nós cresceram com a evolução dos mesmos. Tenho poucas dúvidas que alguém não conheça o mítico Tetris. Pois bem, este jogo tem uma nova versão, o Tetris99, que podem conhecer no blogue da semana: Vida Extra, cuja descrição é auto-explicativa "Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.".

Sobre o Tetris: 

É tão simples que qualquer pessoa o consegue perceber e começar a jogar de imediato, mas é tão desafiante que nos deixa agarrados e a pensar em todas as formas de encaixar as suas peças.

Deixo esta sugestão para quem quiser saber mais sobre o Tetris99, ou videojogos em geral. 

Blogue da semana

Marta Spínola, 18.11.18

Hoje destaco o blogue "Ainda sou do tempo". Desde 2012 o seu autor, Hugo Silva, faz uma valiosa recolha de memórias dos anos 80 e 90, da TV (Ainda sou do tempo...em que davam Desenhos Animados antes dos filmes) aos bilhetes de comboio em cartão duro, literalmente picados pelo revisor, passando por jogos e brincadeiras, músicas marcantes, guloseimas e os tantas vezes relembrados anúncios. Passear pelas tags deste blogue é viajar no tempo. 

Não é um blogue saudosista no sentido de "antes é que era bom", que invoque obrigatoriamente o brincar na rua como a melhor coisa de sempre, como tantas vezes terminam as conversas sobre esses tempos. É um blogue que nos faz reviver esse tempo, como cada um se lembra, e isso já é dizer muito. 

E porque hoje é dia do 90º aniversário do Rato Mickey, escolho para celebrar, este post sobre o Clube Amigos Disney de cujo cartão também fui uma orgulhosa detentora (antes disso fui sócia do Clube do Rato Mickey). 

Blogue da semana

Marta Spínola, 30.09.18

Esta semana o blogue da Moira, Tertúlia de Sabores.

Não é apenas um blogue de receitas, é uma cozinha acolhedora, onde cheira a memórias de cozinhas da nossa infância e o apetite cesce a cada fotografia.  

Estas linhas resumem bem a Manuela:

Receitas favoritas tenho muitas, apesar de gostar de experimentar sabores de outras paragens e também de inovar, as minhas receitas favoritas são sempre as mais simples e tradicionais.

 

Como eu gosto de ver a História

Marta Spínola, 28.09.18

Escrevi em tempo este texto. Reli-me e gostei de voltar a ser quem fui. 

 

No comboio, senta-se ao meu lado um homem que parece o meu antigo professor de Civilizações Clássicas. Quero ser um capitel, não me apetece conversar. Tudo o que tenho a dizer do curso, é que continuo a gostar de História, mas assumidamente mais para saber segredos e intrigalhada de alcova. Esta manhã, sou a porteira de Atenas.
Eu não fui uma aluna aplicada, Zeus sabe que não. Nesta cadeira, fiquei com um 16 graças a Esparta, aos bebés fortes que sobreviveram para terem o ventre roído por lobinhos, e ao mega-espartano que era Aquiles e eu venerei em papel. Ai, porque sim, nunca deixarei de ter 15 anos. Na altura, as Termópilas ainda não tinham o Butler como Leónidas, e já me faziam vibrar: In your face, Xerxes, filho de Dário! Não é bem in your face, que os persas ganharam, mas fica a ideia. E os gregos morreram livres, que era o big deal da altura. Mais ou menos isto.
Mais sobre porquê Esparta: sempre sonhei com a máquina do tempo. Na falta de mesma, tendo a transportar-me para tempos e lugares sobre os quais vou sabendo. Às terças pelas 8 (havia mais horas de Civilizações Clássicas, mas é mais fácil viajar no tempo com muito sono), seguia para a Grécia. Sendo mulher, não era uma emoção… mas sempre foi em Esparta que quis estar: entre zelar por bebés fortes que não sejam atirados de ravinas, ou recolher ao gineceu porque a rapaziada vai pensar e amar-se para a acrópole, não hesito.

O 16 à dita cadeira de Civilizações Clássicas veio muito – tenho tanto essa noção, já na altura tive – pelo elogio a Esparta que pus em página e meia. A manipulação da paixão de um professor, podiamos chamar-lhe. Ele também era team Esparta, e deixou-me perceber não só isso, como que a concordância era valorizada. Alinhei, não me custou muito.
Ainda da cadeira, Roma não foi a emoção que eu esperava: a quantidade alarve de informação sobre instituições, cônsules, pretores, senado e quejandos, fez-me perder a ansiedade pelo pão e circo. O meu professor não gostava de Roma, e disse-o em sala. Passei a não gostar dele. Tudo muito pedagógico, portanto.
Entretanto, o homem ao meu lado não era quem pensei. Mas saiu em Belém, o mesmo destino do meu professor naquela altura, e fico a pensar se já os clonam. Posso deixar de ser um capitel.