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Uma oportunidade para a inovação

por Rui Rocha, em 13.10.18

A passagem do furacão Leslie é uma oportunidade para a Protecção Civil desencadear acções inovadoras. Com tanto vento, podia mandar um sms com o contacto da Carglass ou assim.

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Não sei se com razão ou falta dela, mas parece-me evidente que o Dr. Costa não gosta de socialistas. Vejamos. O Dr. Tozé Seguro era militante do PS ou não era? Era, coitado. E o Eng. Sócrates? Também era. Pois o Dr. Costa não só o renegou como, antes disso, só para o arreliar, foi ao Estabelecimento Prisional de Évora visitá-lo com aquele casaco em tons de verde, aos quadrados, que o Dr. Costa usa nos momentos em que se sente desconfortável com o passado. E a Dra. Maria de Belém não está ainda a pagar as dívidas da candidatura presidencial em que o Dr. Costa apoiou o Dr. Nóvoa? Pois está. E não é socialista? É. Ah que não é bem assim, que o Dr. Costa levou socialistas para o governo. Pois foi. E lá está. Mais uma prova. A pobre da Ministra Vitorino, como se não lhe bastasse aturar o marido em casa, ainda tem que levar com o Ministro Cabrita nas reuniões do Executivo. No cenário hipotético de vosselências estarem casadas com o Ministro Cabrita, gostavam de ainda ter de levar com ele no trabalho? É o que eu digo. E, já agora, quem foi que convidou o Dr. Carlos César para Presidente do PS, quem foi? O Dr. Costa, naturalmente. Vosselências gostavam de pertencer a uma organização presidida pelo Dr. Carlos César? Pois claro que não gostavam. O Dr. Costa faz tudo, tudo, para lixar os socialistas. Se dúvidas houvesse, bastaria atentar na forma como o Dr. Costa discursa sempre que está em reuniões do partido. É nos congressos, é nas comissões políticas, é nos comícios, é em todo o lado onde o Dr. Costa for submetido à provação de falar para mais de dois socialistas. Reparem como nessas alturas o homem está sempre zangado. Berra, ulula, vocifera. Perante terríveis desgraças, o Dr. Costa apresenta invariavelmente um sorrisinho. Salvo, claro, se estiver num encontro do PS. Nesse caso, amofina-se-nos. Sobe-lhe a mostarda ao nariz, fica-nos com os azeites. Pode estar a anunciar as maiores maravilhas, o aumento de cinquenta cêntimos aos pensionistas, o investimento estratosférico em mais quinze enfermeiros para o Sistema Nacional de Saúde, eu sei lá. Mas é sempre como se estivesse com prisão de ventre ou tivesse batido com o dedo pequeno do pé na perna de uma mesa. Repare-se na ‘rentrée’ dos socialistas. O PS organizou um comboio para transportar os militantes entre Pinhal Novo e Caminha. Viste-o no comboio? Nem eu. O Dr. Costa preferiu ir de véspera à xaropada do Festival de Vilar de Mouros só para não ter de se cruzar com os camaradas antes de tempo. Mas nem assim o Dr. Costa conseguiu controlar os maus fígados provocados pela presença de socialistas. No dia seguinte, estavam ali os militantes aos gritos no comício, PS, PS, Costa, Costa, Costa, queremos mais cunhas, queremos mais tachos, queremos mais assessores e directores-gerais, ou lá o que aquela gente berra nos ajuntamentos do PS, e o homem, furioso, de trombas, decidiu prometer uma redução do IRS de 50% para os portugueses que emigraram até 2015. Repare-se como a embirração com os socialistas leva o Dr. Costa aos actos mais diabólicos. A maior parte dos que ali estavam, tirando um ou outro emigrante atraído por engano pelo cheiro a bifanas, são dos que ficaram, dos que alombaram com a troika, dos que, Deus lhes perdoe, colaram cartazes com a cara do Dr. Costa, dos que foram, inclusivamente, ao Congresso de Matosinhos dar 93% dos votos ao Eng. Sócrates depois da bancarrota. E o que faz o Dr. Costa? Pois o Dr. Costa, enxofrado, diz-lhes olhos nos olhos: vocês, cambada de tansos, digo, cambada de camaradas tansos, vocês que ficaram, vão continuar a pagar os impostozinhos todos aqui ao Costa: o das varandas viradas para o Sol, os dos combustíveis, o do sal, o do açúcar, o do camandro e o mais que o Centeno se lembrar e, para aprenderem, o IRS todinho. Agora, aplaudam a medida aqui do Costa. E os tansos camaradas, digo, camaradas tansos, aplaudiram. Note-se que o Dr. Costa não se deteve sequer perante argumentos de inconstitucionalidade ou violações do princípio da igualdade. O Dr. Costa queria a todo o custo atazanar os socialistas que ali estavam e não olhou a meios. Agora, que o Dr. Costa não vá à bola com socialistas e aproveite todas as ocasiões para os vexar, é lá entre eles. O que já não parece correcto é prejudicar terceiros. Vamos que há, entre os portugueses que emigraram, um ou outro que se deixa enganar e que regressa por causa da redução temporária do IRS. Ah e tal que não há quem caia numa coisa dessas. Não é bem assim. Há sempre espíritos mais frágeis que se deixam enrolar. No fundo, na ânsia de aperrear os socialistas presentes em Caminha, o que o Dr. Costa propôs aos portugueses emigrados até 2015 é uma daquelas estratégias típicas dos esquemas de ‘time-sharing’: estás a entrar no campismo de Portimão na tua auto-caravana, com a patroa, os miúdos, a namorada do mais velho que trabalha no Lidl, o cão e a tua sogra, convidam-te para passar uma tarde grátis num ‘resort’ mal-amanhado na Praia da Rocha, enfiam-te um chapéu de palha na cabeça e uma caipirinha pela goela abaixo e, quando dás por ela, tens uma caneta na mão para assinar um contrato Vip Gold por 30 anos, relativo à utilização na primeira semana de Maio de uma fracção virada a norte, no rés-do-chão, sem direito a utilização de garagem e com um aspirador de oferta. Ora aqui é a mesma coisa. Os desgraçados que caírem na esparrela estarão a “poupar” uns cêntimos no IRS durante um par de anos para, ao mesmo tempo, entregarem ao Dr. Costa uma cabazada de impostos indirectos, contribuições para a Segurança Social, taxas para o audiovisual, comparticipação para as eólicas, IMI em tranches ou em fatias e calhando, um dia destes, direito de pernada. Ninguém merece. Mesmo que se trate de emigrantes socialistas.

 

* artigo publicado na edição de Setembro do Dia 15.

 

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Um jornal de referência

por Rui Rocha, em 21.09.18

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Futuro próximo

por Rui Rocha, em 20.09.18

Em 5 anos, taxistas e motoristas Uber estarão unidos na luta contra os veículos sem condutor.

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Durante séculos, a Humanidade mediu o tempo através da posição do Sol. E, portanto, era natural que o meio-dia não acontecesse ao mesmo tempo para os habitantes daqui e dacolá. Quando os relógios mecânicos apareceram, esta situação de disparidade do tempo não mudou. Por muitos anos, a convenção seguida foi que cada cidade ajustasse o seu tempo em função do meridiano em que se situava. E assim, para vermos um exemplo, quando eram 12h00 em Bristol, seriam 12h10 em Londres. Isto não constituía realmente um problema quando as comunicações de longa distância eram lentas ou inexistentes. Depois, o progresso veio baralhar as coisas. Com a chegada da ferrovia, impôs-se alguma uniformização. Os comboios que partiam de Londres regiam-se pelo tempo de Greenwich. Mas os comboios com origem em Bristol seguiam o tempo do meridiano local. Não é difícil perceber a dificuldade dos passageiros que vinham de Londres em acertar com a hora das ligações ou dos regressos. E vice-versa. Para acabar com o pandemónio, decidiu-se que todos os comboios britânicos utilizariam Greenwich como referência. Daí partiu-se, mais tarde, para um consenso que levou a que muitos países fixassem uma única hora legal dentro do seu território. E mesmo naqueles casos em que a dimensão impõe diversidade de fusos horários, persiste uma determinada organização. Se a hora de Nova Iorque e de Los Angeles não pode ser a mesma, subjaz à situação uma certa racionalidade. Estes princípios de organização do tempo pareciam um adquirido da Humanidade, uma daquelas bases a que se tinha chegado depois de milhares de anos da evolução. Algo tão básico como lavar os dentes depois de comer cebola. Que Diabo: se um tipo está em Braga, independentemente da posição do Sol, do meridiano ou do caraças, sabe que tem a mesma hora que teria se estivesse em Lisboa. Não é? Pois. A verdade é que não é. E isto graças à CP. A CP dos comboios está a contribuir para lixar os princípios de organização do tempo que o próprio transporte ferroviário tinha historicamente contribuído para harmonizar. Vejamos. A CP afirma que o Alfa que parte às 19h00 de Santa Apolónia chega a Braga às 22h25. Mas isso será na hora de Lisboa. Porque a Braga nunca chega antes das 22h40 ou 22h50, hora local. Nos dias bons, que não são assim tantos. Nos dias maus, as coisas são mais complicadas. Veja-se o caso de um passageiro que apanhou o Alfa que parte de Lisboa às 17h00. Entrou no comboio perfeitamente escanhoado e portador de uma vasta melena. Quando passou em Coimbra B já tinha mais barba e menos cabelo que o João Miguel Tavares. Aqui há uns anos, gerou-se grande polémica porque uma determinada classe profissional recebia subsídio para cortar o cabelo. Tendo em conta o tempo que as viagens da CP demoram, os revisores e maquinistas da empresa deviam ter direito a que lhes aparassem as pontas durante o trajecto, sob pena de os familiares não os reconhecerem no regresso a casa. E isto não é uma questão de centralismo. No percurso inverso acontece o mesmo. O Alfa que sai do Porto às 7h45 devia chegar a Lisboa às 10.40. Mas não. Em geral, chega depois das 11h00. Hora local, claro. O Dr. Costa, que ficou famoso por organizar uma corrida entre um burro e um Ferrari durante a campanha para umas autárquicas do século passado, devia promover agora uma competição entre ele próprio e um Intercidades. Em 1993, o burro ganhou. Da maneira que as coisas estão na CP, o Dr. Costa, não desfazendo, tem todas as condições para não lhe ficar atrás. Há mesmo uma possibilidade não despicienda de o material de guerra desaparecido de Tancos estar, afinal, em trânsito numa locomotiva da CP que partiu em 2017 e que ainda não chegou ao destino. Os cientistas afirmam que o tempo é uma grandeza física. Mas não na CP. Na CP, o tempo é uma enormidade. Uma grandiosidade. Nas epopeias portuguesas esteve sempre presente o Oriente. No tempo das Descobertas, como destino. Hoje, se o mar estivesse para cronistas, o Fernão Mendes Pinto dos nossos dias escreveria uma obra-prima baseado numa longa viagem iniciada numa estação ferroviária desenhada pelo Calatrava ali para os lados da Expo. O Adamastor dos nossos tempos fixou residência por alturas do Entroncamento. E muito poucos podem gabar-se de ter dobrado esse novo Cabo das Tormentas à hora prevista. A previsão de horário dos Alfa e Intercidades da CP existe para dar credibilidade à da ponte aérea da TAP. Que, por sua vez, existe para dar credibilidade às dos economistas. Que, por sua vez, existem para dar credibilidade às dos meteorologistas. Mas se isto é assim nos comboios rápidos (ihihihih), a coisa pia ainda mais fino noutros serviços. Na linha do Oeste, até se torna difícil fazer oposição. Em dias consecutivos, partidos políticos tentaram viajar na CP para demonstrar as insuficiências do seu desempenho. Em nenhuma das ocasiões o comboio chegou sequer a partir. Quando a próxima bancarrota chegar, a verdade é que já ninguém nos tira estes momentos de boa disposição. Se quisermos ser sinceros, não temos propriamente caminho de ferro. Temos um caminho das pedras destinado a testar a fibra heróica dos utentes. A situação chegou a tal estado que as contas da CP nas redes sociais são as primeiras a gozar com a coisa. Duas em cada três publicações dedicam-se a ridicularizar o serviço. Os atrasos, a falta crónica de wi-fi , a ausência de climatização, os cancelamentos, as supressões, os milhares de horas perdidas porque os passageiros não chegam a tempo de apanhar ligações. Tem tudo muita piada. Aliás, estou convencido de que o gestor de conteúdos da CP deve ser a mesma pessoa que se lembrou, com evidente optimismo, de chamar material circulante às locomotivas e automotoras da CP.

 

* artigo originalmente publicado na edição de Julho do Dia 15.

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Pensamento da Semana

por Rui Rocha, em 19.08.18

Vamos lá ver se esta coisa dos incêndios acalma para o Costa organizar uma photo session para nos mostrar como está a gerir os comboios.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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O Kit do Governante

por Rui Rocha, em 06.08.18

Analisemos então o caso do Dr. Siza. O Dr. Costa convidou o Dr. Siza para ir a ministro. E, na véspera de assumir funções, de entre todas as coisas que podia ter feito, o Dr. Siza decidiu constituir uma imobiliária. A constituição da imobiliária está para a função de ministro como a despedida de solteira está para a noiva. Que maluquices não podes fazer depois de casada? Pois isso. Aproveita os últimos momentos de liberdade e não faças prisioneiros. O malandreco do Dr. Siza , em vez de ir para os copos, foi constituir a imobiliária antes que se fizesse tarde. A noiva vai com as amigas para a ramboia. O Dr. Siza foi ao notário. Aliás, o bardina deve ter aparecido na tomada de posse ainda cheio de olheiras e atafulhado de Guronsans. Constituir uma imobiliária no dia imediatamente antes de ir a ministro é capaz de ser a preocupação de nove governantes em cada dez, não acham? E o décimo é o Eng. Sócrates que preferiu deslocar-se à Suiça para abrir uma conta com vista para o Lago de Genebra. Vamos lá ver. Um tipo pode aproveitar a véspera de ir a ministro para comprar uns fatos e uns sapatos para ficar composto nas fotografias. Pode almoçar com a família. Pode dormir. Pode fazer um levantamento de raízes, mas pronto, aí dou de barato porque é preciso ter cabelo. Pode pôr unhas de gel. Pode fazer um envolvimento em algas ou um tratamento de vinoterapia com polifenóis de uva e antioxidantes para combater os radicais livres. Pode inscrever-se num ginásio para não parecer mal ao lado do espadaúdo Dr. Costa. Mas não. O Dr. Siza decidiu passar aquela tarde, pasme-se, a constituir uma imobiliária. Estou a imaginar a conversa do Dr. Siza com a mãe. Mãe, o Costa convidou-me para ministro. Tá bem, filho. Alimenta-te, leva um casaquinho, lava os dentes, não fales com desconhecidos e constitui uma imobiliária. E quando vierem cá a casa pede à Laurinha que traga o tupperware onde levou os croquetes. Tá bem, mãe. E tem cuidado com as más companhias. Tá bem, mãe. Por falar em más companhias, o Dr. Costa é que não está para brincadeiras. Com o Dr. Costa não fazem farinha. Com o Dr. Costa ninguém põe o pé em ramo verde. O Dr. Costa impõe um elevado padrão de conduta aos colaboradores. O Dr. Costa lidera pelo exemplo. Em concreto, o Dr. Costa, inflexível, deu um murro na mesa e exigiu a demissão do Dr. Siza, perdão, do Lopetegui. Isso. A demissão do Lopetegui da Selecção de Espanha. E a elaboração de uma check-list. Isto porque o Dr. Siza não sabia dessa coisa das incompatibilidades. O desconhecimento da lei não aproveita ao cidadão comum mas é invocável a favor dos causídicos amigos do Dr. Costa. O Dr. Siza não sabia e não é por acaso que dizem que a ignorância é atrevida. Em todo o caso, é bom lembrar que a check-list não é a primeira iniciativa do género. Já antes o governo tinha dado ao mundo um Código de Conduta, indispensável para os governantes perceberem que não podem ir à bola com entidades com quem o Estado está em litígio por centenas de milhões de euros. Dá ideia que isto é como no “Velocidade Furiosa”. Depois do Código e da check-list virão mais meia-dúzia de sequelas. Ou me engano muito ou ainda teremos o guia, o inventário, a relação, a tabela e o rol. Apesar disso, a verdade é que estes instrumentos serão sempre insuficientes. O Dr. Costa devia começar pelo princípio: entregar aos ministros os Dez Mandamentos. Ah e tal que estou a exagerar. Não estou. Ora vejamos. Não roubarás, por exemplo. Olhando para a história recente, tinha sido útil ou não que certos governantes soubessem que não é conveniente andar na gatunice? Tinha, claro. Não levantarás falso testemunho. Quantos erros de percepção mútuos se tinham evitado com o não levantarás falso testemunho, não é Dr. Centeno? Pois é. Não cobiçarás a mulher do próximo. Nem a filha, nem o sobrinho, nem a cunhada, nem o avô que este governo é como se fosse uma família. Se um ministro mais atrevidote fizer olhinhos à ministra Vitorino, consorte do ministro Cabrita, como é que ficamos? E se uma secretária de Estado sentir uma súbita atracção pela secretária de Estado Mariana Vieira da Silva, filha do ministro António José com os mesmos apelidos, como é que é? Sem o não cobiçarás um dia destes o Conselho de Ministros ainda nos acaba em tragédia. E é melhor não arriscar, até porque o seguro morreu de velho. Salvo, claro, se estivermos a falar do saudoso Dr. Tozé que, como se sabe, faleceu de uma corrente de ar provocada por uma punhalada nas costas. Tudo somado, o ideal era mesmo oferecer aos membros do Executivo um Kit do Governante. Com uma pen-drive, uma caneca, um diploma de licenciatura (não vá o Diabo tecê-las), um repelente de insectos e um ancinho para roçar mato naqueles dias em que o Dr. Costa vai à floresta de helicóptero, os Dez Mandamentos, um Código de Conduta, uma check-list, dez bilhetes para a Bancada Vip do Estádio da Luz e uma camisola do Benfica autografada pelo Luisão. E depois, com alguns artigos personalizados em função de necessidades específicas de cada governante. Para o próprio Dr. Costa, por exemplo, uma Gramática Elementar da Língua Portuguesa, um Prontuário Ortográfico, toalhetes para limpar o suor da testa e um voucher para umas férias nas Baleares. Aliás, é uma pena que esta coisa da entrega do Kit do Governante logo no início de funções não nos tenha ocorrido antes. Se o Eng. Sócrates tivesse recebido um Código Penal quando foi a primeiro-ministro estou em crer que se tinha poupado muita chatice.

 

* artigo originalmente publicado na edição de Julho do Dia 15.

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O que vos parece?

por Rui Rocha, em 29.07.18

Estou a pensar invocar a doutrina Robles-Martins-Mortágua para recusar o pagamento da prestação do IMI agora de Julho. Tratando-se de um imposto sobre o valor patrimonial, não faz qualquer sentido, né? A minha casa não tem valor nenhum, né? Só se eu vendesse, né?

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Bem prega fei Filipe

por Rui Rocha, em 06.07.18

Numa das piadas que corriam na antiga URSS, dizia-se que Brejnev tinha pedido a vários artistas que pintassem um quadro de Lenine na Polónia. Os pintores, fiéis à estrita escola do realismo socialista, declaravam-se invariavelmente incapazes de pintar sobre algo que nunca tinha acontecido. Desesperado, Brejnev teria recorrido a Levy, um velho pintor judeu que acabaria por aceitar a encomenda. Chegado finalmente o dia da apresentação pública, Levy fez correr a tela que tapava o quadro e a nomenklatura soviética contemplou uma cena em que um homem estava deitado numa cama ao lado de uma mulher muito parecida com a companheira de Lenine. Horrorizado, Brejnev perguntou quem era o homem. É Trotsky, respondeu Levy. E a mulher, Levy? É Nadezhda Krupskaya, a mulher de Lenine, respondeu o pintor. Mas... e onde está Lenine, Levy? Lenine está na Polónia, camarada Presidente.

Isto tem de facto a sua graça. Mas também tem piada se substituirem Lenine pelo deputado comunista António Filipe e a Polónia pelo Serviço Nacional de Saúde.

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A Derrota dos Porcos

por Rui Rocha, em 28.06.18

Era uma vez três porquinhos que moravam na Brandoa. Cresceram e decidiram ir viver para Lisboa. A mãe avisou: cuidado, é lá que vive o especulador mau e não vou poder proteger-vos da gentrificação. Ainda assim, foram. O mais novo arrendou uma assoalhada na Graça. O do meio comprou um prédio em Alfama. E o mais velho uma casinha para restaurar no Largo do Rato, junto ao bar do filho do Dr. Costa. O porquinho mais novo só pensava em brincar. Fez um arrendamento de curto prazo. O do meio pediu um empréstimo avultado. Construiu um anexo onde passou a morar e dedicou o edifício principal ao Alojamento Local. Tornou-se um porco capitalista. O mais velho lembrou-se dos conselhos da mãe. Poupou e reconstruiu com modéstia e tijolo. Só foi brincar depois de terminar a obra. Um dia, quando estavam os três a saltar e a fazer as coisas que os porquinhos fazem para se divertirem, apareceu o especulador mau. Os especuladores maus têm dentes afiados e parecem lobos. Mas são ainda mais ferozes. Às vezes, até andam de Uber. Vendo-o, os porquinhos fugiram, cada um para sua casa. O especulador perseguiu o mais novo: sai daí que vou… Ya, mitra, já sei a tua cena, interrompeu o porquinho. Vais soprar e deitar a palhota abaixo e o caraças. Só que a palhota não é de palha, tás a ver. É mesmo uma casa, tás a ver. “Palhota” é calão urbano, tás a ver. Mas não é mesmo de palha à séria. É como a Eurovisão, tás a ver. É “Euro”, mas a Austrália participa e tá-se bem. É como o Dr. Costa dizer no Congresso que o PS esteve na 1ª linha do combate à corrupção. Só que não, tás a ver. Quando o porquinho acabou, o especulador riu-se e explicou que, agora, só soprava nos casos difíceis. Normalmente, bastava denunciar o contrato de arrendamento. E o especulador denunciou o contrato de arrendamento com tanta força que o porquinho teve de fugir para o anexo do irmão do meio. O especulador não desistiu e continuou a rondar, ameaçador. Preocupado, o Estado decidiu intervir. Estabeleceu quotas para o Alojamento Local. E regulou-o. E taxou-o. E o porco capitalista faliu. Endividado até aos chispes, entregou a propriedade ao Banco Mau. Os especuladores são todos maus. Os Bancos não. Há os Banco Maus e os Bancos Bons. É como o PS. O PS Mau era o do Eng. Sócrates. Tinha os Drs. Costa, Vieira da Silva, César e Santos Silva. Já o PS Bom tem os Drs. Costa, Vieira da Silva, César e Santos Silva. É muito diferente. O certo é que os dois porquinhos fugiram para a casa do irmão mais velho. O especulador, vendo-os juntos, afiou os dentes. Encheu o peito de ar e soprou com força. A casinha não abanou. Aliviados, os irmãos saltaram e fizeram as coisas que os porquinhos fazem quando estão contentes. O especulador é que não se deu por vencido. Tinha feito carreira num call-center, daqueles que ligam para fazer inquéritos de satisfação nos momentos mais inconvenientes, e não desistia assim à primeira. Tentou entrar pela chaminé. O porquinho mais velho, esperto, preparou um caldeirão com água a ferver. Quando o especulador desceu, queimou o rabo e ficou ainda mais furioso. In extremis, o porquinho sábio tirou do bolso uma política de protecção de dados e exibiu-a. Foi como se tivessem mostrado ao Diabo uma cruz. Em pânico, o especulador fugiu no primeiro tuk-tuk que apareceu. Os dois porquinhos mais novos agradeceram ao irmão e aprenderam uma grande lição: a protecção de dados é eficaz na relação entre privados. Estranhamente, não se aplica ao Estado. Os anos passaram e os porquinhos envelheceram. Cansados, decidiram vender a casinha e receberam muitas propostas interessantes. Mas o Dr. Costa bateu-lhes à porta. Que estava interessado, que o xôr porquinho podia vender-lhe, que aquela casinha era o sonho da filha, que assim ficava perto do bar do irmão, que era uma questão de solidariedade, que podia pagar poucochinho. E o porquinho mais velho, um coraçãozinho de banha derretida, vendeu barato. Os três porquinhos, tão velhinhos, pegaram na trouxa e regressaram à Brandoa, onde viveram infelizes para sempre. Já o Dr. Costa, ao fim de dez meses, vendeu a casinha pelo dobro do preço. No Europeu, foi o Éder que prejudicou os franceses. Já os porquinhos, não foi o especulador mau, foi o Dr. Costa que os comeu.

 

* artigo originalmente publicado na edição de Junho do Dia 15.

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Aunteicicluone

por Rui Rocha, em 08.06.18

Anda tudo atrás do Anticiclone dos Açores para ver se o tempo melhora. O problema é que vocês chamam por ele, mas o Anticiclone, como é dos Açores, não vos percebe. Tem de ser assim, ó: Aunteiceicluone, Aunteiceicluone leindo, aunda cáe, eita cousinha máe boneita! Aunda cáe, Aunteiceicluone!

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E tudo vai bem

por Rui Rocha, em 06.06.18

Queixamo-nos, claro. Mas o país vai bem. Nas comemorações de 25 de Abril, o Dr. Ferro garantiu, novamente, que o comportamento dos deputados que acumulam subsídio de deslocação e reembolso de despesas é irrepreensível. É curioso. Na empresa onde trabalho recebo subsídio de alimentação. E quando estou deslocado pagam as refeições comprovadas por facturas. Mas, nesse caso, deduzem o subsídio. É ainda mais curioso porque esta é a prática geral nas empresas e, pasme-se, no Estado. Embirram que não faz sentido acumular subsídio e reembolso de despesas. A própria mulher do Dr. César que, a acreditar na voz do povo, tem de parecer séria, terá muita dificuldade em controlar a risota quando ouve o Dr. Ferro.

É verdade que não convém irritar o Dr. César. Quando o Dr. César e a família entram num bar, a administração pública paralisa. Imagine-se o que seria se o Dr. César enxofrasse e levasse os sobrinhos, os primos e as tias a fazer greve. Mas ver o Dr. Ferro a passar atestados de ética ao Dr. César é o mesmo que ter o Eng. Carlos Santos Silva a auditar as finanças pessoais do Eng. Sócrates.

Aliás, a relação entre os dois continua a surpreender. Nas gravações que a SIC transmitiu, o Eng. Sócrates, além de reconhecer que foi sustentado pelo amigo, afirmou que o Eng. Silva pagava as férias e ele os jantares. Mas como é que faziam? Não, ó Zé, deixa estar, eu pago o jantar. Nem pensar, ó Carlos. Não, ó Zé, pago eu. Não, ó Carlos, pago eu, pá. Pronto, ó Zé, paga lá tu. Ó Carlos, pá, então empresta-me aí umas fotocópias. Era assim? A coisa dos empréstimos é a história mais mal contada depois das pulseiras do equilíbrio. Era mais credível o Eng. Sócrates dizer que a massa vinha de um Príncipe da Nigéria ou assim.

É certo que o país vai bem. Mas há muito a fazer. Uma coisa que impressiona no Processo Marquês é perceber que até as organizações mais dadas à informalidade reproduzem os estereótipos heteropatriarcais. Os fulanos ocupam-se a reconfigurar os sectores público e privado da economia e as senhoras, mesmo as conhecidas activistas da causa feminista, fazem-se de tontas, têm memória de peixe e fazem recados.

Mas o país vai bem. O Dr. Costa prometeu que havia outro caminho e era verdade. Fui pagar impostos numa repartição de finanças perto de casa e nota-se grande evolução. Quase não havia fila. Simpatia e eficiência no atendimento. No caso, foi na PRIO. Mas há relatos semelhantes sobre a GALP, a BP ou a REPSOL. O país vai bem, mas é uma sorte não termos de fazer uma revolução. Com as cativações do Ministro Centeno, os tanques não chegavam a sair do quartel por falta de combustível. E, com a gestão do Ministro Azeredo, nunca se sabe onde andam os lança-granadas.

O país vai bem e o Dr. Rio contribui para isso. Prometeu um banho de ética e, viu-se no caso Feliciano, tem cumprido. Esqueceu-se foi de avisar que o tal banho era um mergulho na praia fluvial de Vila Velha de Ródão logo a seguir a uma descarga da Celtejo. Para além de banho, o Dr. Rio deu ao país um governo-sombra. A média de idades do gabinete é de 60 anos. Para o apoiar, o Dr. Rio nomeou especialistas em comunicação. Cada ministro tem, assim, um porta-avós.

Mas o país vai bem e beneficia da diversidade de posições do Bloco. Diz-se que nos Açores existem as quatro estações num único dia. O Bloco consegue aprovar o Orçamento e criticar as suas medidas na mesma tarde. Não foram só os Simpsons que previram eventos futuros com precisão. Ivone Silva também andou bem quando antecipou que uma personagem faria simultaneamente de patroa e costureira. Sabemos agora que o verdadeiro nome dessa personagem é Catarina Martins. As posições do Bloco são tão contraditórias que, às vezes, dá ideia que a Mariana Mortágua tem uma irmã gémea.

Já o PCP continua igualzinho. Jerónimo entusiasma-se com Cuba. Entre os dois, os irmãos Castro não encontraram um tempinho para organizar eleições democráticas durante mais de 58 anos. Pode ser que Diaz-Canel se lembre de fazer umas ainda durante o século XXI.

Mas o país vai bem. Podia ir melhor? Podia. Mas era preciso que cada português tivesse saúde sem ter de recorrer ao SNS, amor e um amigo como o Eng. Carlos Santos Silva.

 

* artigo originalmente publicado na edição de Maio do Dia15.

 

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Blogue da semana

por Rui Rocha, em 03.06.18

Histórias, viagens, fotografia, tudo na primeira pessoa, como o próprio nome indica. O Blogue desta semana é o "António Luís Campos". Desfrutem.

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Atenção

por Rui Rocha, em 17.05.18

Não é necessário estar a favor de um para ser contra o outro. Podemos exigir simultaneamente a demissão de Bruno de Carvalho e Ferro Rodrigues.

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Então é isto, não é?

por Rui Rocha, em 05.05.18

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O Prémio Pulhitzer/Sakhanov

por Rui Rocha, em 05.05.18

Encurralado nas entranhas do seu distúrbio de personalidade, José Sócrates ainda não percebeu. Mas o movimento dos envergonhados é não só a estratégia possível para o PS, mas também aquela que mais lhe convém a ele próprio. A descolagem encenada do PS da figura de Sócrates é condição indispensável (embora eventualmente não suficiente) para tentar uma maioria expressiva nas legislativas. Uma maioria expressiva, desejavelmente absoluta, é condição indispensável (embora eventualmente não suficiente) para o PS poder mexer os cordelinhos necessários a que ninguém se magoe no Processo Marquês. O movimento dos envergonhados é como um xarope de óleo de fígado de bacalhau. Tem sabor intragável, a criança Sócrates esperneia quando o bebe, mas o pai extremoso PS sabe que no longo prazo lhe vai fazer bem. Assegurado esse contexto, e dando tempo ao tempo, chegará o dia em que se poderá pensar até numa reabilitação púbilica controlada. Criar, por exemplo, um prémio Pulhitzer ou Sakhanov para distinguir a vasta obra que Sócrates tem publicada ou a sua luta pela liberdade.

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Os Telefonemas da Proximidade

por Rui Rocha, em 01.05.18

Em declarações recentes, a Ministra da Justiça manifestou o seu entusiasmo com a evolução da actividade dos Juízos de Proximidade. Os números são de facto impressionantes. Estão a funcionar neste momento 43 unidades. No primeiro trimestre de 2018, realizaram-se 364 Julgamentos de Tribunal Singular. Em média, realizaram-se 2,8 Julgamentos por Juízo de Proximidade por mês. Mas a coisa não fica por aqui. Nestas unidades, praticaram-se, no mesmo trimestre, 55.831 actos. Nestes incluem-se, designadamente, actos praticados no Citius, registo de actos avulsos, fases informativas, conta/liquidação, actualização de intervenientes, emissão de registos criminais e cumprimento de despachos. Se tivermos em conta que os Juízos de Proximidade contam com uma equipa de dois funcionários, cada um deles praticará, em média, o arrepiante número de 10 actos por dia útil de trabalho, sem contar com o preenchimento do euromilhões às 3as e 6as feiras. É claro que, de acordo com dados oficiais do Ministério da Justiça, está incluído nestes o atendimento telefónico de mais de 13.000 chamadas. É algo surpreendente que o atendimento telefónico que, por natureza pode ser feito em qualquer local, conte para os números deste serviço de proximidade. Mas isso devo ser eu que não valorizo suficientemente a vantagem de um cidadão de Ansião ser atendido por um funcionário que tem o sotaque da terra. Ou o de a Dª Fatinha do Cadaval ligar para o Juízo de Proximidade e ter o seu primo Tonico a fazer-lhe uma consulta no Citius. Em todo o caso, se expurgássemos as chamadas telefónicas dos actos de proximidade, os diligentes funcionários deste serviço teriam praticado ainda assim 8 actos diários, sempre sem contar com o preenchimento do euromilhões. Uma canseira. Felizmente, hoje, Dia do Trabalhador, podem estar calmamente nas suas casas, sem terem de passar o dia com a angústia de inventarem formas de ocupar o tempo.

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Sexo, mentiras e vídeo

por Rui Rocha, em 23.04.18

Em artigo publicado no DN, Fernanda Câncio debruça-se sobre o registo de imagem e som em diligências no âmbito do processo penal. Como o faz a partir da sua experiência pessoal, acaba por incorrer numa série de equívocos. Importa recordar que o Processo Penal é regido por alguns princípios e que a decisão judicial resulta sempre não de um processo matemático e infalível mas da convicção do julgador formada a partir dos factos que constam do processo. Concretizando, o Processo Penal rege-se, entre outros, pelos princípios da oralidade e da publicidade. A gravação de som e imagem aproveita a ambos. O princípio da oralidade diz que o meio privilegiado de transmissão de informação por arguidos e testemunhas deve ser a palavra falada. É um princípio ligado à eficiência e celeridade processual. Se tudo tivesse de ser reduzido a escrito, os processos seriam ainda mais longos. Mas o princípio da oralidade tem um problema: a palavra falada perde-se. Por isso, tornava-se necessário um compromisso entre a celeridade e a certeza e muitas diligências acabavam por ter de passar-se a escrito de forma mais ou menos resumida. A gravação de som e imagem resolve este problema. Os depoimentos e testemunhos podem ser consultados as vezes que for necessário sem necessidade de assegurar processos longos de transcrição. Já o princípio da publicidade tem um objectivo fundamental: assegurar a imparcialidade do processo e do julgador. Estando os acto disponíveis para consulta, é mais fácil sindicar a conduta dos órgãos judiciais. A gravação do som e imagem reforça essa garantia de imparcialidade. O contacto com a informação não é feito de forma mediata, através de transcrição ou resumo, mais susceptível de enviesamento e distorção, voluntários ou não. Agora pode ver-se e ouvir-se exactamente o que foi dito. Mas também do ponto de vista da formação da convicção o som e a imagem, ao contrário do que Câncio parece entender, são úteis. A linguagem não verbal, a consistência, a atitude durante a prestação de declarações são importantes para avaliar a sua credibilidade. Um depoimento transcrito não permite avaliar estas dimensões, reforçando a subjectividade da decisão. Em geral, a gravação de som e imagem não diminuem as garantias dos intervenientes, pelo contrário, reforçam-nas e asseguram um processo mais justo. A questão, que Câncio aparentemente confunde, é então entre a publicidade do processo, essencial à garantia da imparcialidade, que a gravação da imagem e do som reforçam, e a publicação abusiva fora das situações previstas na lei. Mas impedir esta não implica prescindir daquela. Seria o mesmo que paralisar toda e qualquer investigação porque há situações recorrentes de violação do segredo de justiça. Mas Câncio vai mais longe e coloca a questão ao nível do direito à informação e do direito à imagem: quando presto depoimento gravado devo ser informado do facto e, no limite, posso recusar porque o direito constitucional à imagem mo permite. Quanto ao direito à imagem, parece difícil que este, por si só, justifique uma recusa. O próprio direito à liberdade não impede, inclusivamente, as autoridades judiciais de decretar a prisão preventiva em casos justificados. A questão não é portanto de direito de imagem mas de direito ao silêncio que está consagrado. Portanto, pode ou não falar-se e isso é um direito. Mas quando alguém fala, deve existir gravação de som e imagem do depoimento. Já no que diz respeito à informação, percebe-se o ponto, mas a verdade é que a gravação de som e imagem está prevista na lei. E está prevista na lei quer para o interrogatório de arguidos, quer para o depoimento de testemunhas. Mais, atendendo à garantia adicional de imparcialidade que traz ao processo, deve ser esse o modo normal de registo. Quem participa no processo, mesmo que não tenha ido ao cabeleireiro, deve ficar agradado por existir um registo fidedigno do que disse e fez. As diligências judiciais não são eventos sociais em que se pretende que as câmaras apanhem o nosso melhor lado. A ideia de consentimento para um registo que reforça as garantias do processo e do próprio interveniente parecem excessivas quando tal está previsto na lei. No fundo, teremos aqui provavelmente uma questão geracional. Para quem nasceu e vive na idade do vídeo, tudo isto é normal. Arcaico seria que tudo fosse dito e tivesse que ser passado a escrito. Perecebe-se, todavia, que a pessoas mais idosas como Fernanda Câncio a situação possa causar algum desconforto.

 

* não há aqui sexo, mas se eu não tivesse dado este título vocês não liam, pois não? 

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Vamos lá ver. O que está em investigação no Processo Marquês é uma situação gravíssima de corrupção e tráfico de influências. A Fernanda Câncio pode afirmar que não sabia de nada, que não participou em nada. Sim ou não, já veremos ou eventualmente nunca saberemos. Sobre tudo isso, podemos formar um juízo mais ou menos informado, mais ou menos parcial. Agora, há uma coisa sobre a qual não podem existir dúvidas. Num caso destes, a responsabilidade de um cidadão é colaborar com a Justiça. Dizer o que se sabe, responder com seriedade. O papel a que Fernanda Câncio se prestou nos interrogatórios, sonsa sempre, tonta quando lhe conveio, rufia quando lhe faltou melhor, é impróprio de alguém que faz da vida um sermão permanente sobre a sua superioridade moral. Se a toda a hora Fernanda Câncio se proclama séria, nos interrogatórios perdeu uma boa oportunidade de parecê-lo.

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Imaginemos então a seguinte situação. A final do campeonato do mundo joga-se entre o BES (Betinhos do Espírito Santo) e a SONAE (Sólida Organização Nortenha de Actividades Empresariais).

 

Estão em jogo mais de mil milhões de euros. O jogo é fundamental. O Presidente do BES sabe. E não quer arriscar um milímetro.

 

Para o BES, perder a partida significaria expor um conjunto de fragilidades internas. Há salários em atraso, activos do plantel sobrevalorizados, aquisições falhadas, esquemas tácticos muito duvidosos.

 

Antes do jogo, o clima de tensão cresce. Há adeptos indecisos. Uns apoiam a SONAE. Outros apoiam o BES. De um lado e de outro há quem vá mudando de opinião. Ainda faltam umas semanas para a partida decisiva.

 

O Presidente do BES sabe. Com todas as fragilidades, talvez seja possível ganhar o jogo. Mas o Presidente do BES sabe. E não quer arriscar um milímetro. Decide avançar com uma sondagem junto do árbitro. Estará disponível para ser corrompido?

 

O árbitro está disponível. O esquema de corrupção avança. Uma soma avultada faz o seu caminho percorrendo várias offshores até à conta de um primo do árbitro que, por sua vez, a fará chegar a um amigo do árbitro.

 

Chega o grande dia. O BES tem o jogo controlado. Defesa sólida, ataque agressivo. Tudo corre bem. O BES marca dois golos. Nada a temer. Lá mais para o final do jogo, o árbitro cumpre a sua parte. Vai marcando faltas a meio-campo para pôr gelo no jogo.

 

Se fosse preciso, o árbitro marcaria um penalti inexistente. Mas não é. Está tudo controlado até ao apito final.

 

Uns anos depois, a situação está em investigação pelas autoridades judiciais. O árbitro, o Presidente do BES e alguns intermediários afirmam que a tese da corrupção não faz sentido porque, afinal de contas, o árbitro nem teve de influenciar o jogo.

 

Na bancada, alguns comentadores conhecidos pela sua inteligência e clarividência, acenam a cabeça em concordância e afirmam que este é um belo argumento.

 

Ao mesmo tempo, estes comentadores, que não consideram a tese da corrupção credível (muito fraquinha, pá, o árbitro nem teve de fazer nada), admitem como plausível que o amigo do árbitro lhe empreste um milhão de euros, em numerário, na sequência de dezenas de conversas em código.

 

Como diria o próprio árbitro, porreiro, pá!

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- Não, ó Carlos. Deixa estar. Eu pago o jantar.

- Ó pá, Zézito, nem pensar. Eu pago.

- Não, pá, eu pago.

- Não, Zézito, a sério, pago eu.

- Eu insisto, Carlos. Não me vais fazer agora a desfeita de não aceitar.

- Mas não há necessidade, Zézito. Eu pago, pá.

- Não, ó Carlos. Já pagaste as férias. O jantar é comigo.

- Pronto, Zézito. Se insistes... paga lá tu.

- Emprestas-me dinheiro?

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PEC

por Rui Rocha, em 14.04.18

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Entretanto, em Paris

por Rui Rocha, em 11.04.18

- A propósito, Premier Costa: como se chama aquela zona ali quem vai para o Estádio Nacional?
- Linda-a-Velha, Presidente Macron.
- Concordo, Premier Costa. Mas como se chama aquela zona ali quem vai para o Estádio Nacional?

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Literacia

por Rui Rocha, em 04.04.18

Não temos a certeza se é melhor receber o ordenado anual em 12 ou 14 meses. Não conseguimos determinar se a carga fiscal diminuiu ou aumentou em 2017. Mas sabemos que o Ronaldo se elevou exactamente dois metros e trinta e oito cêntimetros para fazer um pontapé de bicicleta contra a Juventus.

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Que susto, caramba

por Rui Rocha, em 03.04.18

Um tipo lê que faleceu a antiga companheira do líder histórico, perseguido, preso político e pai do desenvolvimento sócio-económico do seu país e pensa: queres ver que... Mas não. Foi a Winnie. A Fava, a Fernanda, a Célia, a Lígia e a Sandra estão bem.

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Para que a terra não esqueça

por Rui Rocha, em 26.03.18

Em Agosto de 2016, em Pedrógão Grande, depois de um incêndio de grandes proporções, Marcelo Rebelo de Sousa afirmava: "Eu próprio acompanharei muito de perto para ter a certeza de que no pino do Inverno ninguém se esquece do que aconteceu no Verão". Apesar desta promessa, em Junho de 2017, Pedrógão Grande chorava a morte de dezenas de pessoas num incêndio trágico. Logo de seguida, em Outubro, e com todos os avisos e alertas, o Estado foi incapaz de proteger mais algumas dezenas de portugueses que encontraram a morte noutros incêndios. Marcelo, pelo meio, desancou António Costa quando este adoptou um comportamento miserável (dirão os mais cépticos que o fez apenas porque intuiu que a desgraça podia afectar a sua própria imagem) e desdobrou-se em manifestações públicas de afecto, mensagens e sublinhados. Entretanto, a acção do Presidente nesta matéria confluiu com a do governo durante o último fim-de-semana, numa operação mediática de sensibilização ou, dirão outros, de propaganda. Agora que os fogos do próximo Verão são ainda uma ameaça que parece longínqua, é importante afirmar isto: em matéria de incêndios, não é só o governo que esgotou o seu crédito; a credibilidade política de Marcelo nesta matéria também chegou ao seu limite.

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É que ninguém esperava, Jerónimo

por Rui Rocha, em 11.03.18

Nas últimas horas, algumas almas têm manifestado indignação por Jerónimo de Sousa ter afirmado que as mulheres que importam não estão no CDS. A estes, vou contar um segredo: Jerónimo defende regimes responsáveis pela violação de liberdades elementares e pela chacina de milhões de pessoas. Pronto. Agora já sabem. Guardem só para vocês.

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Acabou a paródia à custa do Benfica

por Rui Rocha, em 10.03.18

A partir de 2ª feira deixam de oferecer camisolas do Eliseu e do Douglas.

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Gonçalves, o proletário

por Rui Rocha, em 09.03.18

Há um par de dias, o Paulo Gonçalves era o "braço direito" de Luís Filipe Vieira. Passou rapidamente a "assessor jurídico" do Benfica e, agora, já vai em "assalariado" do departamento jurídico. Não tarda, sindicaliza-se e aparece-nos nas manifestações da CGTP a lutar pela semana das 35 horas.

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Piçarra, twelve points?

por Rui Rocha, em 27.02.18

Não é de agora que levar o Diogo Piçarra à Eurovisão é uma aposta de alto risco. Aquela coisa do funcionava bem. Já  não sei, digam vocês.

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Blogue da semana

por Rui Rocha, em 18.02.18

Uma praia de lucidez e serenidade em tempos revoltos, mesmo quando o espaço é ocupado pelo cantinho do hooligan. A Origem das Espécies do Francisco José Viegas é o nosso blogue da semana.

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O Luso-portuguesismo

por Rui Rocha, em 12.02.18

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Em 13 de Fevereiro de 2016, a seleção espanhola de futsal sagrou-se campeã europeia. No dia seguinte, os 3 jornais de referência do país tinham grandes manchetes de primeira página sobre tão extraordinário feito, certo? Errado. Não lhe fazem, sequer, uma minúscula referência. Compare-se isto com o que se pode ver hoje no DN, no JN ou até no Público, ou nas aberturas dos jornais televisivos. Com as homenagens, as condecorações e as recepções a que já assistimos ou que já foram ameaçadas nas últimas horas. Uma das características de sermos pequeninos, não de geografia mas de cabecinha, é não termos a mínima noção da real e relativa importância das coisas. Outra, que no fim é a mesma, é este entusiasmo infantil com qualquer sucesso, por irrelevante que seja, em que se ostente a nossa pobre bandeira. Cada vez que um luso-canadiano, um luso-francês, um luso-nepalês ganha na carica, o país abana em espasmo. Quando a gesta é daqueles portugueses mesmo daqui, quase caímos todos ao mar. No sábado, o fulano que exerce de primeiro-ministro, com apenas 5 minutos de jogo decorridos na primeira parte, já festejava um golo no twitter. Dói ser-se tão tacanho. Dói esta doença a que podemos chamar luso-portuguesismo.

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Sim, porquê?

por Rui Rocha, em 28.01.18

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Um manto de espuma no Tejo

por Rui Rocha, em 25.01.18

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Sim, Senhor Pinheiro Ministro

por Rui Rocha, em 24.01.18

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Sapatinho à fosga-se, casaco verde e meia a fazer pandã.

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"Não quer dizer que o pinhal não vá ser pinhal. O pinhal vai ser pinhal e só é pinhal se tiver pinheiro. Mas, para nós termos um bom pinhal e um bom pinheiro que seja, também ele, resistente ao fogo, é preciso que este pinhal não seja só de pinheiro e tenha a boa composição e o bom ordenamento que ajude à sua resistência".

António Costa, 22 de Janeiro de 2018

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O salto tecnológico

por Rui Rocha, em 21.01.18

Um vírus? Agora as escutas foram danificadas com um vírus? Porra. Ainda sou do tempo em que o Pinto Monteiro tinha de cortar as escutas do Sócrates à tesoura.

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Orientar uns bilhetes

por Rui Rocha, em 08.01.18

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#2018

por Rui Rocha, em 31.12.17

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#2018

por Rui Rocha, em 29.12.17

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Bitchcoin

por Rui Rocha, em 21.12.17

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- Estou sim?
- Boa tarde. Estou a falar com o Senhor Rui Rocha?
- O próprio...
- Boa tarde, Senhor Rui Rocha. O meu nome é ***** ******* e estou ligar-lhe para efeitos de controlo de qualidade da linha da Via Verde.
- ...
- O Senhor Rui Rocha ligou para a linha da Via Verde em Agosto. Está recordado?
- Bem vê, estamos em Dezembro. Passaram três ou quatro meses...
- Então o Senhor Rui Rocha não se lembra?
- Lembro, claro. Estava a brincar consigo. Nunca me esqueço das chamadas que faço para a linha da Via Verde. Era só o que faltava.
- Nesse caso, vou pedir-lhe que responda a algumas perguntas.
- Muito bem. Mas vou precisar que aguarde uns momentos para eu consultar o meu caderninho onde aponto as coisas importantes que me acontecem na vida por ordem cronológica. Não desligue.
- Er... muito bem Senhor Rui Rocha.
(2 minutos)
- Senhor Rui Rocha?
- Sim.
- Estava só a confirmar que continuava aí. Já tem as informações?
- Ainda não. Acabei de passar Novembro. Estou mesmo a entrar em Outubro. Menos mal qua a chamada não foi em Maio ou em Fevereiro. Mantenha-se em linha.
- (2 minutos)
- Senhor Rui Rocha?
- Sim.
- O Senhor Rui Rocha não está a consultar um livrinho, pois não? Está só a gozar connosco, não está?
- Estou. Mas vocês é que começaram.
- Muito obrigado, Senhor Rui Rocha.

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Os verdadeiros herdeiros da parada

por Rui Rocha, em 13.12.17

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- Ouve esta, ó Mário, tu ouve-me só esta.
- Conta, Tó, conta!
- Vou à Ana Paula Vitorino e digo: já viste que o José Eduardo dos Santos tinha a família toda metida em altos cargos?
- Ahahahah!
- Depois vou ao marido da Ana Paula Vitorino... ai como é que se chama o gajo?
- O Eduardo Cabrita?
- Isso. O Cabrita. Vou ao Cabrita e digo: já viste esta coisa da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou ao Vieira da Silva e digo: já viste esta história da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou à filha do Vieira da Silva... ai como é que se chama a filha do Vieira da Silva?
- A Mariana, a Secretária de Estado?
- Isso. A Mariana. Vou à Mariana e digo: já viste aquilo da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou à Sónia Fertuzinhos e digo: o Eduardo dos Santos e a família...
- Ahahahah!
- Depois vou à Ana Catarina Mendes e digo: já viste isto da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou ao irmão da Ana Catarina Mendes...
- O que é Secretário de Estado?
- Esse! E digo: e esta coisa da família do Eduardo dos Santos, hã?
- Ahahahah! 
- Depois vou ao Zorrinho...
- E quê, Tó, e quê?
- E digo: e aquilo da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois, ligo à Rosa Matos Zorrinho a desejar-lhe boa sorte nas funções de Secretária de Estado e digo: e aquela coisa da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah! Que sacana. E depois, Tó, e depois?
- Depois fui ao Carlos César.
- Ahahahah!

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Ensaio sobre a cegueira

por Rui Rocha, em 12.12.17

O ministro Vieira da Silva esteve ao lado de Sócrates mas não viu. Foi membro dos órgãos sociais da Raríssimas mas não descobriu. Queira Deus que nunca tenha recebido um mail do Príncipe da Nigéria.

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Há vidas tristes

por Rui Rocha, em 08.12.17

De entre estas, as daqueles que passam o tempo à espera que aconteçam tragédias nos fogos da Califórnia ou em qualquer outro local para justificar ou desvalorizar o que se passou em Portugal em 2017 são particularmente miseráveis.

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 02.12.17

Não façamos da situação do Infarmed um drama. Em regimes que o simpático Jerónimo e a aguerrida Catarina apoiam, estas deslocalizações de centenas de pessoas por decisão unilateral do Estado são comuns. E nem sempre para locais tão agradáveis como o Porto.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Dos anos terríveis

por Rui Rocha, em 01.12.17

Vamos lá ver, pazinhos. Em 2016 disseram que estava a ser um ano terrível porque morreram o Prince e o Bowie. Agora dizem que 2017 está a ser um ano terrível porque morreu o Zé Pedro. Na verdade, não é bem isso. À medida que o tempo passa, é natural que desapareçam os ícones. Os anos não são nem mais nem menos terríveis. Estamos é a ficar velhos.

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