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Delito de Opinião

Uma bênção

Cristina Torrão, 28.11.21

Hoje é o primeiro Domingo do Advento. Na Alemanha, devido à proximidade das Igrejas Católica e Luterana, o Advento é uma época de preparação para o Natal intensamente vivida. Para isso, muito contribui a Coroa do Advento, um arranjo com folhas de azevinho ou de pinheiro manso, contendo quatro velas. No primeiro Domingo, acende-se uma vela e, nos seguintes, vai-se acrescentando mais uma, até chegar às quatro, no último Domingo antes do Natal. A Coroa do Advento é uma invenção luterana do século XIX e não falta em nenhuma casa alemã, seja Católica, seja Protestante. O Calendário do Advento, com a mesma origem e, no início, pensado para crianças, é igualmente uma grande tradição.

Vivemos tempos difíceis, com a pandemia mais activa do que nunca, evitando grandes convívios nos mercados de Natal alemães (alguns tornaram mesmo a ser cancelados). Também muitas famílias já se perguntam se será avisado reunirem-se para a Consoada. Devido à tristeza e à falta de esperança, crianças e jovens ligados à Igreja Luterana andaram ontem, no centro de Stade, a distribuir bênçãos.

Vinham na forma de um pequeno saquinho de papel, atado com um lacinho. O Horst e eu também tivemos direito, sem fazer ideia do que vinha lá dentro. Resolvemos abrir só hoje, no primeiro Domingo do Advento. Eu escolhi o lacinho verde (o outro era prateado) e deparei com uma velinha enfeitada com três estrelinhas e um poema, escrito num papel vermelho. A sua autora chama-se Hanna Buiting e eu gostei tanto, que resolvi traduzi-lo, embora seja extremamente difícil traduzir poesia. Mas darei o meu melhor.

2021-11-28 Bênção Advento.jpg

Do que se necessita

Há muito esperada

Envolta em eternidade

Em todo o lado conhecida

E no entanto

Rodeia-te um mistério

A ti, criança do presépio

Início de todos os inícios

Realizadora de desejos

Pessoa-saudade

Como te hei-de receber?

Diz-me

Murmura nos meus sonhos

A tua bênção

Para que ela me envolva

E o Natal aconteça

 

É esta a verdadeira função da Igreja: ser uma luz na escuridão, um sinal de esperança, um momento de reflexão. Obrigada, Igreja Evangélica Luterana de Stade! Obrigada às crianças e aos jovens que distribuíram as bênçãos!

 

2021-11-28 Pirâmide Advento.jpg

A nossa alternativa à Coroa do Advento. Hoje acendemos a primeira luzinha.

Impressões alemãs (2)

Cristina Torrão, 24.11.21

G-Burg Eltz-001.JPG

Castelo de Eltz, no vale do riacho Elz, perto da cidade de Koblenz, Estado da Renânia-Palatinado. Eltz é o nome da família, a quem o castelo pertence há vários séculos. Elz é um riacho com cerca de 60 km de comprimento, afluente do rio Mosela.

Calcula-se que a origem do castelo de Eltz se situe no século XII (não com o aspecto de hoje, fruto de várias modificações ao longo dos séculos, aliás como é habitual).

© 2004 Horst Neumann

Pensamento da semana

Cristina Torrão, 24.10.21

«Poupa o teu latim, que eu não te levo a sério!»

Quando dizemos que não levamos uma certa pessoa a sério, estamos a dizer que ela é uma idiota. Então, porque fica bem dizer que não nos levamos a sério? Pior ainda é dizer «não me levo demasiado a sério». Ou seja: podemos levar-nos a sério, mas só um bocadinho?

Pode ser uma expressão idiomática, mas é bem idiota. Não a levo a sério.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante esta semana

Liguagem inclusiva

Cristina Torrão, 23.10.21

«Elena Ferrante é uma das grandes escritoras contemporâneas».

[The New York Times]

 

Frase impressa na contracapa do livro A Amiga Genial, de Elena Ferrante

(tradução de Margarida Periquito, Relógio d'Água 2011)

 

Esta frase suscita-nos dúvidas. Quando diz «uma das grandes escritoras contemporâneas», engloba escritores e escritoras? É Elena Ferrante apenas uma das melhores entre uma parte dos que escrevem, ou entre todos? Considerando que a frase foi originalmente escrita em Inglês, concluímos que englobará o universo de todas as pessoas que escrevem livros. Mas é preciso considerar o original para tirarmos esta conclusão. À semelhança da maioria das línguas, a nossa, neste caso, não esclarece.

Paciência, dirão alguns, é assim que funciona a língua portuguesa. E não seria melhor mudar? Não, é a nossa língua, com as suas regras, nada a fazer.

Pois, não me parece! E explico porquê.

As línguas não são entidades autónomas, algo superior que se rege por leis divinas e que existe independentemente de nós. Nós não somos escravos da língua. Somos mais velhos do que qualquer idioma, já por cá andávamos, antes de eles surgirem. As línguas foram criadas e desenvolvidas unicamente pelo ser humano e existem para o servir, não o contrário. Claro que uma língua deve ser respeitada e também desenvolve uma dinâmica própria, mas essa dinâmica está intimamente ligada ao nosso comportamento, às nossas crenças, hábitos, etc. Ela reflecte aquilo que vivemos e em que acreditamos. As regras que a definem foram sendo criadas ao longo dos tempos, a fim de facilitar a comunicação. Nos inícios da nossa nacionalidade, um português do Norte dificilmente compreenderia um português do Sul, havia grandes diferenças regionais (e até línguas diferentes). Ao decretar o Português como língua oficial da corte, um dos objectivos de D. Dinis foi precisamente criar uma língua-padrão susceptível de ser entendida em todos os cantos do reino.

Até, digamos, há trinta anos, passava pela cabeça de muito pouca gente que uma mulher pudesse estar incluída no clube restrito dos melhores escritores mundiais (entre 1901 e 1990, o Prémio Nobel da Literatura foi atribuído a apenas seis autoras, não chega a uma por década). Quando se falava de uma das melhores escritoras, considerava-se, em regra, apenas o mundo das mulheres que escreviam. Por isso, não havia necessidade de clarificar casos destes. Se recuarmos ainda mais no tempo, nem sequer se considerava que uma mulher pudesse escrever livros.

Vivemos, há milénios, numa sociedade patriarcal. As línguas foram desenvolvidas por essa sociedade e projectam isso mesmo. Para dar um exemplo: no galaico-português, não havia género feminino para muitos substantivos, nomeadamente os acabados em “-or”. Por isso se dizia “senhor” mesmo em relação a uma mulher. Na nossa Idade Média, havia “lavrador”, mas não havia “lavradora”. As mulheres não contavam, mesmo aquelas que fizessem o mesmo trabalho de homens.

As coisas vão mudando ao longo dos tempos, mas algumas custam muito a mudar. E é um erro considerar que já chegámos ao fim do processo. Nem preciso de recuar assim tanto no tempo. Tenho cinquenta e seis anos e lembro-me bem do sururu criado, quando, depois do 25 de Abril, Maria de Lurdes Pintasilgo foi nomeada primeira-ministra. Hoje, custa a acreditar, mas não havia, na língua portuguesa, o género feminino para a palavra “ministro”. Nem para “juiz”, já agora (como ainda hoje não há para “bispo”, pois a Igreja Católica, ao contrário da Luterana, não concebe mulheres a exercerem essa função). Quando, em 1979, se instalou a discussão, com gente a ter o desplante de clamar que uma mulher “ministro” devia ser chamada “ministra”, a maior parte da população indignou-se (tive um belo exemplo em minha casa: o meu pai, professor do ensino primário, era profundamente alérgico a termos como “ministra” e “juíza”). A designação “primeira-ministra” era das maiores aberrações linguísticas que essas pessoas podiam imaginar, atingia estatuto de sacrilégio. Os homens (e muitas mulheres) desdenhavam ou zombavam. Achava-se preferível, imagine-se, dizer “a primeiro-ministro”, ou “a senhora primeiro-ministro”, muito à semelhança do “mia senhor” medieval.

Dizer que a gramática não tem sexo e que não é discriminatória é uma falácia. O plural masculino abrangente é de facto discriminatório. Vem igualmente da era medieval, em que as mulheres não contavam. A palavra “portugueses”, usada para se dirigir aos naturais de Portugal, vem desses tempos, em que as mulheres estavam impedidas de tomarem posições e resoluções sociais, porque os homens tomavam por elas. O rei, os condes e os nobres em geral, quando comunicavam as suas resoluções, ou davam as suas ordens no que respeitava ao governo das suas terras, não consideravam dirigirem-se às mulheres. Por isso, “portugueses” chegava muito bem. E chegou, até há quase cinco décadas. Antes de as mulheres poderem votar, que necessidade havia de os políticos se dirigirem às “portuguesas”?

É interessante que muita gente rejeita a versão “portuguesas e portugueses” (a ordem é indiferente), mas acha muito natural dizer “minhas senhoras e meus senhores”. Entre os defensores e as defensoras da linguagem inclusiva, há reivindicações complicadas, mas não me parece que casos destes sejam difíceis de pôr em prática. Nas missas alemãs, por exemplo, tanto católicas, como protestantes, já é regra dizer “irmãos e irmãs” (a ordem é, mais uma vez, aleatória). E, sim, a actual tradução alemã do Evangelho inclui essa fórmula. No Jornal Católico da diocese de Hildesheim, também se têm operado algumas mudanças, com a preocupação de não tornarem o texto muito complicado. Quando se nomeiam várias profissões, escrevem-se alternadamente no género masculino e feminino, por exemplo: "médicos, advogadas, professores, engenheiras, enfermeiros, escritoras". Havendo consenso em que, escrevendo assim, são considerados os dois géneros nas várias profissões nomeadas, esta modalidade bem se poderia tornar regra em qualquer língua.

Podia dar muitos mais exemplos de como a nossa língua reflecte toda uma postura patriarcal e machista. Mas também considero dever evitar-se radicalizações (ressalvo que não tenho competência para falar em nome de grupos que não se revêm nos géneros tradicionais). Muitas propostas tornam a escrita (e a fala) demasiado complicada. Terá de se encontrar uma solução prática, que, porém, só será atingida através de um debate sério e ponderado. Mas eu acredito na criatividade e na inteligência do ser humano. Não encontrar uma forma praticável de linguagem inclusiva seria um verdadeiro atestado de incompetência ao homo sapiens sapiens.

Vai demorar até encontrarmos um consenso, ou um modelo, que não nos complique demasiado a vida. Estou, contudo, certa de que a mudança acontecerá. Uma língua tem de ter regras, sim, mas somos nós que as fazemos. As leis também se mudam e adaptam ao progresso humano. As regras da gramática mais não são do que as leis da língua.

Resposta colectiva

Cristina Torrão, 14.10.21

Em relação aos comentários a este meu postal, tenho a dizer o seguinte:

Tem muita piada ver nacionalistas do Chega, que propagam a plenos pulmões a supremacia e a heroicidade portuguesas, não ficarem nada ofendidos com um mapa que reclama, ainda hoje, a anexação de Portugal à Espanha. Porquê? Porque se trata de um partido "amigo" do Chega? Não se iludam: para o VOX, Espanha é sinónimo de Península Ibérica. Espanha inclui Portugal. E o Ventura, para eles, é um boneco que logo inutilizariam, se chegassem ao poder.

Com este mapa, o VOX não está apenas a evocar algo do passado, está a marcar uma posição, a dizer como gostaria de ver a actualidade!

Mapas destes pertencem a aulas de História, ou a documentários sobre o assunto. É totalmente deslocado (e até perigoso) em propaganda política.

Além das voltas e reviravoltas que os comentadores deram, a fim de tentarem desculpar algo indesculpável, resta-me agradecer-lhes terem-me ensinado que houve três Filipes que regeram sobre Portugal, na sequência de uma crise de sucessão na Coroa portuguesa. Também me explicaram porque se festeja a Restauração. Com gente tão culta por aqui, aprende-se de facto muito. Mas gostaria de explicar a essa gente culta que esse período dos Filipes não implicou que o reino de Portugal pertencesse ao reino de Castela. A situação manteve-se dúbia e a independência de Portugal não foi realmente posta em causa. Nesse sentido, o mapa usado pelo VOX não é correcto nem sequer do ponto de vista histórico, pois as colónias portuguesas nunca pertenceram a Espanha. O Twitter do VOX não passa assim de propaganda muito, muito rasca.

 

P.S. Como sabem (ou se não sabem, procurem os meus postais sobre História) tenho uma relação muito especial com D. Afonso Henriques. Deixem-me falar com ele, pois é garantido que entrará logo com um exército pela Espanha adentro! Ao contrário dos cheguistas, que se dobram à propaganda dos nacionalistas espanhóis.

 

Adenda: Peço desculpa ao meu colega de blogue por o ter confundido com um comentador que assinou JPT.

Ibéria unida

Cristina Torrão, 13.10.21

Espanha tem muito que celebrar e nada a arrepender-se”.

Espanha Imperial.JPG

No Dia da Espanha, o partido de extrema-direita VOX publicou no Twitter uma ilustração de um mapa-mundo com os territórios que pertenceram a Espanha durante o período colonial sinalizados a vermelho, entre eles Portugal, assim como Cabo Verde, Moçambique ou até a Guiné-Bissau.

(E eu acrescento o Brasil, ou é dos meus olhos?)

Ó Venturinha, os teus compinchas espanhóis andam a gozar contigo! Tens de os pôr na ordem! Ou só berras na nossa Assembleia?

“Mãe de reis e avó de impérios, vela por nós!”

Cristina Torrão, 19.09.21

- Acaso achais que haja alguém que sofra mais do que eu com o rumo que nossas vidas tomaram? Desejo a paz. Desejo o melhor para a minha família e para a minha terra, as duas cousas que mais amo. E é em nome desses amores, pelo seu bem-estar, que vos peço que intercedais junto do papa, a fim de anular o matrimónio de Fernando Peres de Trava com Sancha Gonçalves.

Ergueu as sobrancelhas em grande espanto:

- Anular o matrimónio de D. Fernando? A que propósito?

- Pensei que o motivo era inquestionável. Carrego o fruto da minha união com o filho do conde de Trava e não desejo continuar a viver em pecado. D. Fernando e eu pretendemos casar. E seria do interesse de todos que a situação se regularizasse.

- Não desejais viver em pecado? Pois deveríeis haver pensado nisso antes de pecar!

- D. Paio Mendes, somos as duas maiores instâncias deste condado. Não ajamos como se fôsseis vós um pároco de aldeia e eu uma lavadeira que se deixou encantar pelas palavras de um mancebo de estrebaria! Está em causa a nossa terra, que herdei de meu pai. Pretendo engrandecê-la e só o poderei fazer se remarmos todos juntos.

- Estais à espera que eu, os bispos e os barões pactuemos com mancebia e incesto? A vingança de Deus cairá sobre vós, D. Teresa. E o castigo será gigantesco!

Engoli em seco, como que prevendo as desgraças que estavam para vir. Recusei-me, porém, a mostrar fraqueza:

- Tal não sucederá, D. Paio, se vós derdes ouvidos a vossa rainha e tudo fizerdes para que ela possa desposar o pai de seu futuro filho.

- Não se pode usar o poder da Santa Igreja a seu bel-prazer, minha senhora, lavando pecados mortais, apagando-os como se não houvessem existido!

- Não me façais rir, arcebispo! Bem sabeis que a Igreja anula matrimónios a pedido de reis e príncipes, a fim de legitimar bastardos, ou repudiar esposas incómodas e estéreis. A vossa Igreja não se escusa a pactuar com os tais pecados que referistes, quando se trata de homens!

- Ensandecestes, D. Teresa? Quereis vós, herdeira da Eva pecadora e tentadora, medir-vos com os excelsos varões deste mundo?

Memorias de Dona Teresa.jpg

Este diálogo não passa de ficção, mas foi escrito a fim de realçar as dificuldades enfrentadas por D. Teresa apenas por ser mulher. Já sei, vão acusar-me de anacronismo, que a mentalidade daquele tempo era essa, etc. e tal. Acontece, porém, que D. Teresa foi muito maltratada pela História, ao longo dos séculos. Nos últimos vinte anos, tem-se vindo enfim a recuperar a sua imagem, mas enfrentando a resistência de muitos, isso sim, verdadeiro anacronismo.

Desde sempre se convencionou considerar D. Afonso Henriques o sucessor de seu pai, continuando a sua obra, como se os dezasseis anos em que D. Teresa esteve à frente do condado Portucalense não existissem. Ela é considerada um acidente de percurso, uma mulher promíscua, que queria “vender” o condado aos galegos. Valeu-nos ter um filho justiceiro, que pôs tudo em ordem e recuperou o bom nome do pai.

Na verdade, D. Afonso Henriques continuou mais a obra da mãe do que do pai. D. Teresa fez muito mais pela independência de Portugal do que o marido, ao recusar aceitar sua meia-irmã D. Urraca como a única herdeira do pai de ambas. D. Teresa insistiu na divisão da herança: Leão e Castela para a irmã, Galiza e Portucale para ela. E a sua luta deu frutos, colhidos pelo filho que, afinal, não era tão avesso à ideia de juntar Galiza a Portucale, pois, assim que assumiu o poder, andou, durante cinco anos, a tentar conquistar territórios galegos. Se nos guiarmos pelas fontes históricas, em vez de por preconceitos e lendas medievais, constatamos que D. Afonso Henriques colaborou com a sua mãe até ao ano de 1127, ou seja, só um ano antes de S. Mamede ele decidiu fazer-lhe oposição, ao contrário dos barões portucalenses, que começaram a abandonar a corte de D. Teresa já por volta de 1121.

Afonso Henriques é venerado em Portugal (e com razão), mas onde está o nosso reconhecimento pela obra de D. Teresa? Foi, por isso, com muito agrado que vi esse reconhecimento numa pequena vila portuguesa, onde ela é venerada como uma rainha (a própria aliás assinava os documentos da cúria com esse título e foi inclusive assim tratada pelo papa Pascoal II). Eu já sabia que em Ponte de Lima havia uma estátua dela, mas é importante vê-la ao vivo, admirá-la, a fim de assimilarmos melhor essa homenagem.

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Adorei a estátua, faz-lhe toda a justiça. D. Teresa segura na mão o foral que concedeu à vila, em 1125, ainda antes de Portugal existir.

2021-09-16 Ponte de Lima mit Manfred + Birgit 040.

Uma homenagem mais do que merecida.

Autárquicas transmontanas

Cristina Torrão, 13.09.21

Rui Rio esteve hoje em Macedo de Cavaleiros (e nós com ele).

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Chegada de Rui Rio à sede do PSD de Macedo de Cavaleiros, hoje, pelas 11h 30m. Foto © Horst Neumann

O Nordeste Transmontano sempre foi um baluarte do PSD. Mas as coisas estão a mudar. Há quatro anos, o PSD perdeu autarquias tradicionalmente suas para o PS, como Mirandela e Macedo de Cavaleiros. Talvez por isso, a intervenção, hoje, do chefe de partido, nesta sede de concelho, acompanhando o candidato do PSD à Câmara local: Nuno Morais, veterinário (que, por acaso, tratou a minha cadela Lucy, quando ela adoeceu gravemente, há três anos).

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Rui Rio com Nuno Morais, candidato do PSD à Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros. Foto © Horst Neumann

A vinda de Rui Rio entusiamou, sobretudo, o meu pai, que, em 1990, fez parte da lista encabeçada por Aguiar-Branco, concorrente às eleições da Comissão Política Distrital do Porto, e na qual Rui Rio, com 32 anos, era um dos Vice-Presidentes. Aqui, a foto de apresentação dessa lista.

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O meu pai, José Manuel Torrão, é o terceiro a contar da esquerda, em pé

Infelizmente, hoje, o tempo não ajudou. Começou a chover, ainda Rui Rio e Nuno Morais andavam a fazer a ronda pelo comércio local e não se chegou a concretizar a volta pelas ruas do centro, contactando com os transeuntes. Os brindes de campanha ficaram quase todos por distribuir.

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Rui Rio com Nuno Morais, candidato do PSD à Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros. Foto © Horst Neumann

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A minha mãe, Margarida Pinto, e eu (ainda antes da chuva). O meu pai conversa com dois senhores, em 2º plano. Foto © Horst Neumann

Por acaso, há quatro anos, também eu cá estava, durante a campanha das Autárquicas. António Costa veio apoiar o seu candidato, num dia de sol radioso. O PS acabou por surpreender, ganhando a Câmara.

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Autárquicas 2017, Macedo de Cavaleiros. Foto © Horst Neumann

Hoje, uma acção de campanha a acabar de forma repentina e tristonha - espero que não seja um mau prenúncio.

 

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Rui Rio prepara-se para entrar no carro, debaixo de chuva, interrompendo a acção de campanha. Foto © Horst Neumann

 

Espero também que, daqui a dois anos, Rui Rio não me obrigue a votar noutro partido...