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Seguras ou não seguras?

por Cristina Torrão, em 02.07.20

Os portugueses estão a usar máscaras “que não protegem o suficiente” da Covid-19 e as autoridades “facilitaram” ao admitirem modelos que oferecem apenas 70% de filtragem, quando existem no mercado “alternativas que superam os 90%”. O alerta, em jeito de lamento, é de Lourenço Aroso, dire(c)tor operacional da empresa PPTex, de Santo Tirso, que produz as máscaras comunitárias Protect Others, com um grau de filtragem certificado acima dos 95%.

Sinceramente, acho as palavras deste industrial um exagero. O artigo, com grande destaque na página principal do Sapo, hoje de manhã, cheira muito a publicidade.

Temos de ter em mente que o uso de máscaras não anula o chamado distanciamento social de, pelo menos, 1,5m. Respeitando-o, as máscaras com 70% de filtragem cumprem perfeitamente o seu objectivo: evitar a circulação livre do ar entre as pessoas, ao respirar. Ninguém precisa de máscaras cirúrgicas, com mais de 90% de eficácia, no dia-a-dia (a não ser talvez, em certos transportes públicos). Na Alemanha, até se aceitam simples lenços a cobrir a boca e o nariz nos supermercados e comboios e a pandemia, neste país, está bastante controlada (o maior problema continuam a ser os matadouros).

Apesar de reconhecer que as autoridades portuguesas cometeram erros desnecessários (e, para isso, baseio-me largamente nos textos aqui publicados pelos meus colegas de blogue), declarar que elas  “facilitaram” ao admitirem modelos que oferecem apenas 70% de filtragem é, na minha opinião, de um grande atrevimento.

Always handsome

por Cristina Torrão, em 01.07.20

Henning Baum (1).jpg

Henning Baum

O passeio dos tristes

por Cristina Torrão, em 28.06.20

O Venturinha lá andou pelas ruas de Lisboa, com a sua meia dúzia de gatos pingados, atabafadinhos nas suas bandeiras, coitadinhos, que estava frio e não tinham casaquinho. Deve ser a isto que chamam o passeio dos tristes.

Entretanto, prático como só ele é, o grande líder arranjou uma nova utilidade para as máscaras: protecção da barbicha contra a poluição. "Portugal não é racista", terá ele dito, "mas poluído é, sim, um bocadinho".

Ventura manifestação.jpg

Imagem Expresso

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Always handsome

por Cristina Torrão, em 24.06.20

Will Smith.jpg

Will Smith

 

Contentor cheio, pratos vazios

por Cristina Torrão, em 22.06.20

Volle Tonne, Leere Teller.jpg

Não costumo falar aqui dos livros que leio. Para isso, tenho um blogue pessoal. Já abri, porém duas excepções, a propósito de policiais escritos por alemães, mas situados em Portugal e de outro, passado em Hamburgo, mas escrito por um português. Hoje, abro outra excepção para falar desta interessante leitura, pois o tema está relacionado com o meu último postal.

O contentor deste título, que traduzi directamente do alemão, é o do lixo, ou seja, aponta para o contraste do nosso mundo actual: contentores de lixo a abarrotar de comida ainda em condições de ser consumida ao lado de gente a passar fome. E, no entanto, o livro não compara a situação da Europa com a do chamado Terceiro Mundo. Este livro limita-se à Alemanha.

No país considerado o mais rico da Europa, há uma instituição chamada Tafel que tenta recuperar o mais possível do que os supermercados tencionam deitar fora, a fim de o distribuir por pessoas que vivem em condições precárias (normalmente, as pessoas pagam um preço simbólico pelos alimentos, mas, em casos que se justifiquem, eles são gatuitos). Com 940 lojas espalhadas pelo país, a Tafel ajuda a sustentar milhão e meio de pessoas, trabalho só possível com o apoio de 60.000 voluntários.

A Tafel contribui ainda para a preservação do ambiente. Na Alemanha, cerca de 18 milhões de toneladas de alimentos aterram anualmente no lixo. Através de parcerias com supermercados, padarias, mercados grossistas e alguns produtores, esta instituição consegue, ainda assim, recuperar quase 300.000 toneladas de alimentos.

E, no entanto, é criticada. Por um lado, a quantidade de mercadoria resgatada é irrisória, em relação à efectivamente desperdiçada. Por outro, a Tafel é acusada de exercer uma função que compete ao Estado, ou seja, está a tirar-lhe responsabilidades. Por isso mesmo, o seu responsável, Jochen Brühl, publicou este livro. Ele diz que gostaria de salvar muitos mais alimentos, mas que as suas possibilidades estão limitadas. E sugere aos críticos da Tafel que encontrem maneiras de contribuir para que se desperdice menos. Em relação a fazer um trabalho que competiria ao Estado, ele contrapõe que a Tafel não pode pura e simplesmente virar as costas às famílias que dela dependem para sobreviver.

Neste livro, Jochen Brühl reúne uma série de entrevistas que fez, tanto a críticos, como a apoiantes, ou mesmo a beneficiários da instituição. Pelo meio, vai dando sugestões de como se pode diminuir a quantidade de lixo e lutar contra o consumismo. Por exemplo: porque têm as frutas e os legumes de apresentar formas perfeitas no supermercado? Será mesmo necessário termos pão fresco a qualquer hora do dia? Porque deitamos alimentos fora, mal tenha passado a data de validade, sem verificarmos se já estão realmente impróprios para consumo? Na verdade, há produtos que nunca perdem a validade, como o mel, ou a farinha (ou outros em pó, como misturas para pudins); o arroz e as massas são comestíveis muito para além do seu prazo e mesmo iogurtes se podem comer fora da validade, se não tiverem cheiro desagradável, sinais de bolor e a consistência ainda for normal (eu própria já comi muitos iogurtes fora da validade). Jochen Brühl apela ainda para que tenhamos mais cuidado a cozinhar, medido bem as quantidades. Enfim, todos nós poderíamos contribuir para diminuir o consumismo, criando uma sociedade mais justa e preservando o ambiente.

De entre os entrevistados, saliento Marianne Birthler, uma política da Alemanha de Leste que esteve envolvida nas manifestações que fizeram cair o Muro de Berlim. Depois da reunificação, foi Ministra da Educação, da Juventude e do Desporto no Land Brandenburg e, entre 2000 e 2011, encarregada, pelo governo federal, de analisar a documentação da STASI, a polícia política da antiga RDA. Resolvi traduzir uma passagem da sua entrevista que me agradou especialmente:

«Tenho esperança num mundo melhor. Que mais me resta, senão essa esperança? Caso contrário, bem poderíamos desistir de viver. Mas esperança não significa que aquilo que desejo se realize. Isto é um grande mal-entendido. A esperança e as utopias são apenas fontes de energia. Elas não existem para se transformarem em realidade, tal como idealizamos, mas sim para nos motivarem a agir. As pessoas sofrem muitas desilusões, porque pensam que aquilo com que sonham tem de se concretizar. Isto é um disparate. Não é para isso que existem os sonhos. Os sonhos são o empurrão para que dêmos o pontapé de saída».

 

Informação adicional: há cerca de 650.000 pessoas na Alemanha sem habitação; cerca de metade são refugiados, ou pessoas à espera da resposta ao seu pedido de asilo, e vivem em abrigos; contudo, e apesar de haver albergues para sem-abrigo, calcula-se que cerca de 48.000 vivam na rua.

Existe muita pobreza no país considerado o mais rico da Europa.

Covid-19 nos matadouros alemães

por Cristina Torrão, em 18.06.20

O mundo actual pode ser caracterizado, entre outras coisas, pelo consumo desenfreado de carne. Nunca se comeu tanta carne como hoje em dia. Dir-me-ão que é bom praticamente toda a gente ter acesso ao seu bife e ao seu assado, já que a carne se tornou barata.

Por acaso, não é bom. Relacionamos o problema da fome com a falta de carne, mas, na verdade, pode-se viver muito bem, e até mais saudável, com pouca carne. Tenham calma, não comecem já a limpar e a carregar as armas! Não sou extremista, não acho que nos devíamos tornar todos vegetarianos, apenas que devíamos consumir menos carne. Esta tornou-se tão barata, que perdeu o seu valor, deita-se fora como se de cascas de batatas se tratasse. Um terço da carne produzida industrialmente vai para o lixo. Se prescindíssemos de um outro terço, ninguém morria de fome, talvez até fôssemos mais saudáveis, deitando por terra o argumento de que é forçoso manter este tipo de indústria, a fim de alimentar a população mundial.

Dizer que a produção industrial de carne dá cabo do planeta e da nossa saúde não é uma invenção. Claro que não estou apenas a falar do gás metano. Todos sabemos, por exemplo, que as gigantescas plantações de soja são um desastre ecológico. Ao contrário do que se diz (normalmente, os consumidores de grandes doses de carne), a responsabilidade não é dos vegetarianos e dos vegans. 70% a 80% da soja produzida serve de ração para animais que engordam e vegetam em espaços minúsculos, que se mutilam uns aos outros por puro stress e que não fazem ideia do que é a luz do sol.

Mas estou a fugir ao tema. Não queria falar de animais e, sim, de pessoas. Humanos que adoecem de Covid-19 por causa das suas condições de habitação e de trabalho nos matadouros alemães. Muitos desses trabalhadores são oriundos da Europa de Leste, recebem ordenados míseros e vivem em condições de pouca higiene, quase tão apertados como os animais que esventram e esquartejam todos os dias. Isto tudo, para que a carne chegue barata aos supermercados, coisa que em nada contribui para diminuir a fome no mundo, nem sequer para melhorar a qualidade de vida seja de quem for.

A Alemanha está a enfrentar um sério problema de Coronavírus nos seus matadouros. Depois dos primeiros indícios, a coisa está a descontrolar-se, precisamente, na altura em que se tenta recuperar alguma normalidade. Ontem foram testados mais de 600 casos positivos num matadouro de Gütersloh, uma cidade de quase 100.000 habitantes, bem no centro da Alemanha. As restrições regressaram ao concelho: tornaram a fechar-se todas as escolas e creches e há 7.000 pessoas em quarentena. Hoje, nova bomba: num matadouro da Baviera (pertencente à mesma empresa), foram, até agora, detectados 110 casos.

Quando, há algumas semanas, começaram a surgir os primeiros problemas, houve uma tentativa de início de uma discussão sobre as condições de trabalho desta gente e o nosso consumo de carne (admita-se, ou não, há uma ligação entre os dois assuntos). Essa discussão, porém, logo desapareceu, tão poderoso é o lobby da carne, um negócio de milhões, construído sobre a falta de respeito pela vida no nosso planeta. Agora, não deve haver modo de fugir a essa discussão.

É triste que tenham de surgir desgraças, a fim de que certos temas sejam finalmente abordados. Temos de desenvolver uma nova cultura da alimentação, começando pelas crianças, uma cultura que nos leve a dar mais valor ao que temos no prato. Um bife, ou uma febra, não é a mesma coisa que um pedaço de cartão. Um animal teve de viver em condições indignas, de sofrimento permanente, a fim de ser morto e esquartejado por pessoas a trabalhar e a viver em condições sub-humanas (para não falar nos estragos ambientais). E eu pergunto: na tentativa de modificar este estado de coisas, não seremos capazes de prescindir de carne todos os dias, de comer um bife de 200g em vez de 400g, ou de acabar com orgias de carnes em churrascos? Serão estes sacrifícios assim tão gigantescos, se pensarmos no que está em causa?

Para mim, não. Há muito que reduzi o meu consumo de carne para menos de metade (e assim se relativiza o seu preço). Podem dizer-me que não adianta nada, que sou uma sonhadora. Eu respondo com John Lennon:

You may say I’m a dreamer

But I’m not the only one

 Quantos mais formos, mais podemos modificar.

 

Nota: os artigos citados são em alemão, a tradução é de minha autoria.

Always handsome

por Cristina Torrão, em 17.06.20

Benedict Cumberbatch.jpg

Benedict Cumberbatch

 

Imagem

Always handsome

por Cristina Torrão, em 10.06.20

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Ricardo Quaresma

 

Campanha Takeshy Kurosawa

Blogue da semana

por Cristina Torrão, em 07.06.20

Dando continuidade à divulgação da nossa História e do nosso património, e depois de um blogue dedicado à cidade do Porto, escolho, desta vez, Coimbra. É considerada (erroneamente) o berço da Universidade, mas a importância de Coimbra é bem mais remota. Depois de ter sido definitivamente conquistada para o lado cristão, em 1064, por Fernando Magno (avô de D. Teresa), Coimbra permaneceu a cidade mais importante do Condado Portucalense* e do reino de Portugal, até meados do século XIII. Até à conquista de Lisboa, não havia outra cidade que se lhe igualasse em grandeza. O Porto, apesar da sua importância comercial, era, à altura, bem mais pequena. A arqui-episcopal Braga, a cabeça da Igreja portuguesa, há muita perdera a grandeza da Bracara romana. Quanto a Guimarães, serviu de quartel-general a D. Afonso Henriques, quando ele entrou em conflito aberto com sua mãe, até à Batalha de São Mamede, cerca de ano e meio mais tarde. Porém, foi em Coimbra que o nosso primeiro rei estabeleceu a sua corte, apenas dois ou três anos depois da referida batalha.

O meu blogue da semana é, por isso, A'Cerca de Coimbra.

 

* O condado de Coimbra, instituído por Hermenegildo Guterres em 878, foi perdido para os mouros de Almançor em 987. D. Afonso VI incorporou-o no condado Portucalense em 1093, depois de ter casado a filha D. Teresa com o cavaleiro borgonhês D. Henrique.

Mais uma vez, o racismo

por Cristina Torrão, em 04.06.20

Jerôme Boateng (2).jpg

Imagem daqui

 

Na sequência dos tristes acontecimentos nos EUA, tomou a palavra o jogador da selecção alemã, campeão do mundo, Jérôme Boateng (que até já surgiu aqui na série Always handsome). Boateng nasceu em Berlim, mas tem raízes ganesas e inclusive um irmão jogador na selecção desse país africano. Ele acha que tem havido um retrocesso civilizacional na questão do racismo e gostaria de ver mais empenho dos seus colegas famosos contra este flagelo. «A nossa voz tem peso», diz ele, «seria bom que usássemos o nosso estatuto para defender esta causa». Boateng ressalva, porém, que o facto de um jogador não se empenhar publicamente contra o racismo não significa naturalmente que ele seja racista. «E há quem o faça», acrescenta, «mas um maior número seria desejável».

O jogador acrescenta que há boas iniciativas nas redes sociais, mas igualmente se devia tomar parte activa na vida real, trabalhando, por exemplo, em programas de integração para crianças e jovens. «O mais importante é a educação das crianças», salienta Boateng, pai de duas raparigas e um rapaz. «Tudo tem a ver com aquilo que os pais legam aos filhos. Também devia haver programas escolares sobre este tema».

Nós brancos não podemos sacudir a água do capote, invocando que também há negros racistas. Nunca é boa ideia seguir maus exemplos. Há racistas entre todos os povos. Mas o racismo, seja de que lado for, é uma praga a combater por todos aqueles que não o são. Todos estes se devem empenhar, sejam eles pretos, brancos, amarelos ou vermelhos. Eu não tenho dúvidas de que lado estou.

 

Nota: o artigo é em alemão; a tradução das palavras de J. Boateng é de minha autoria.

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Always handsome

por Cristina Torrão, em 03.06.20

Jude Law.jpg

Jude Law

 

© Getty Images

Miscigenação

por Cristina Torrão, em 28.05.20

A conversa à volta da fotografia de Elyas M'Barek, na rubrica "Always handsome" desta semana, um actor muito popular na Alemanha, de nacionalidade austríaca e filho de pai tunisino, deu azo a conversas que eu não teria imaginado. Nada tenho contra, pelo contrário: as conversas são como as cerejas e é bom trocar informações. Porém, alguns comentários seguiram rumos que sinceramente não aprecio e não posso deixar de referir certos pontos.

 

Depois de quase trinta anos de vida no estrangeiro, não sou de opinião de que os emigrantes/imigrantes portugueses sejam melhores do que os outros, tese criada a fim de distanciar os ilegais portugueses dos anos 1960 de todos os outros ilegais. Quem quiser viver nessa ilusão, pois faça favor! Se há algo que aprendi, nestas últimas décadas, é que, em todo o lado, e oriundas dos mais variados países, há pessoas boas e más, pessoas trabalhadoras e preguiçosas, pessoas honestas e vigaristas.

 

Também não sustento a ideia de que os portugueses gostem mais de regressar do que os africanos, pelo menos, no que respeita aos norte-africanos muçulmanos. Conheço portugueses reformados em Hamburgo que aqui se mantêm, desistindo de um regresso definitivo. Quanto às férias: quem viaja de carro entre França e Portugal, em Agosto (e eu, vinda do Norte da Alemanha, tenho de atravessar a França de lés a lés), verifica um verdadeiro êxodo de marroquinos, tunisinos, etc., junto com os portugueses, de regresso aos seus países-natais. No Norte de Espanha (País Basco e arredores) há placas em português e em árabe, assim bem juntinhas (que sacrilégio!), assegurando que esses viajantes não se enganem no caminho. Os norte-africanos são encaminhados para Algeciras, os portugueses para a fronteira de Vilar Formoso.

 

É pena que, em contextos destes, haja tanta compreensão, tanto elogio e tanto carinho, da parte dos portugueses residentes no seu país, em relação aos compatriotas residentes no estrangeiro, e que, na prática, quando os emigrantes invadem Portugal, em Agosto, só haja desprezo e sarcasmo para os "aveques", que se armam ao pingarelho a falar francês.

 

Também acho curioso que aqueles que tanto atacam o machismo dos muçulmanos sejam eles próprios machistas. Se abordo aqui no Delito assuntos feministas (os comentários à minha publicação Upskirting foram bem elucidativos), sou atacada sem dó, nem piedade. Falando-se de muçulmanos, surgem indignações sem limites, defendendo-se os direitos da mulher com unhas e dentes.

 

Conclusão: um actor como Elyas M'Barek é muito melhor aceite em países com fama de racistas do que no nosso jardinzinho plantado à beira-marzinho.

Always handsome

por Cristina Torrão, em 27.05.20

Elyas M'Barek.jpg

Elyas M'Barek

© Reiner Bajo

Pensamento da semana

por Cristina Torrão, em 24.05.20

Quanto vale a vida de uma criança?
Quanto vale a palavra de uma criança?

O valor que os pais lhe queiram dar.

 


Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Always handsome

por Cristina Torrão, em 20.05.20

Hugh Jackman (1).jpg

Hugh Jackman

 

Imagem daqui

Always handsome

por Cristina Torrão, em 13.05.20

Ingo Zamperoni.jpg

Ingo Zamperoni

 

Foto: dpa/Axel Heimken

Música proibida

por Cristina Torrão, em 09.05.20

Diz-se que a música pode ser uma arma. Para mim, que, junto com o meu marido Horst, canto no coro gospel Lightfire, a música é, acima de tudo, alegria e partilha. Além disso, a música é uma “língua” internacional, que pode unir pessoas de proveniências díspares, seja através da participação numa orquestra, seja através da dança, ou do canto.

Pegasus 2019-10-26 (3).jpg

O nosso coro Lightfire. O Horst é o segundo homem, a contar da direita; eu estou mais ou menos a meio, na frente, com um lenço vermelho ao pescoço. A nossa indumentária é livre, desde que se resuma às cores vermelho e preto.

 

Cantar faz feliz. Já todos constatámos que, muitas vezes, basta murmurar uma melodia para esquecer tristezas. Estudos têm igualmente provado que cantar ajuda a libertar o stress, baixando o ritmo cardíaco e a tensão arterial e fortificando o sistema imunitário.

Cantar num coro traz outras vantagens: ensina-nos disciplina, paciência e respeito pelo outro. Ensaiar uma canção a quatro vozes só é possível, tendo em conta estes três factores. Implica muito trabalho, mas o resultado final é sempre compensador. Depois dos ensaios, vou a murmurar, ou mesmo a cantar, as melodias ensaiadas, enquanto pedalo na minha bicicleta, de regresso a casa.

Infelizmente, cantar tornou-se uma actividade de alto risco. Claro que há a possibilidade de cantarmos  sozinhos, em casa. Até podemos fazer vídeos e mostrá-los na internet (no caso de sermos bons solistas, claro, muitos artistas têm optado por esse meio). Mas cantar num coro, ou tocar numa orquestra, principalmente tratando-se de instrumentos de sopro, tornou-se numa actividade perigosa e proibida.

Ao cantar, expulsamos o ar a grande velocidade e respiramos de maneira diferente. Antes dos ensaios, além de treinos de voz, fazemos muitos exercícios de respiração, pois torna-se frequente o inspirar fundo, o que, em tempos de Covid-19, é especialmente perigoso, já que o vírus pode assim entrar profundamente nos pulmões. Também os aerossóis são um problema, os especialistas dizem que as gotículas microscópicas de saliva que expiramos mantêm-se bastante tempo suspensas no ar.

Tudo isto anula o efeito benéfico do cantar na nossa saúde; cantar tornou-se tão perigoso como tossir, espirrar e rir, mesmo respeitando distâncias de segurança. Prevê-se que fazê-lo em conjunto e/ou em público se manterá proibido durante muito tempo, o que não afecta apenas quem a isso se dedica, seja em forma de hobby, seja a nível profissional. Também o cantar na igreja continuará tabu, mesmo que se comecem a celebrar missas sob condições especiais.

A nossa tristeza é imensa; para cantores e músicos profissionais pode mesmo significar a pobreza. Restam-nos as recordações e a esperança de que a situação, algum dia, mude. Enquanto isso não acontece, permitam-me deixar-vos com uma actuação nossa, gravada em áudio no Outono de 2017, na igreja luterana dos Santos Cosme e Damião, em Stade, a qual aproveitei para fazer um vídeo ao estilo de “slide-show”. Trata-se da canção Look at the World, de John Rutter, e é acompanhada apenas ao piano.

Always handsome

por Cristina Torrão, em 06.05.20

Moussa Marega (1).jpg

Moussa Marega

 

Imagem daqui

Always handsome

por Cristina Torrão, em 29.04.20

Mats Hummels.jpg

Mats Hummels

 

Nils Schwarz Photograpy

Último reduto

por Cristina Torrão, em 26.04.20

Em mais um dos meus passeios solitários, dei com uma inscrição a giz, no passeio. Uma passagem da Bíblia, mais propriamente, do Evangelho segundo São Mateus.

2020-04-23 Bíblia no Passeio (1).JPG

Traduzido à letra: “Vinde a Mim, quando tudo se torna pesado (ou difícil) demais”.

Fui procurar a versão portuguesa, pois todos sabemos como são problemáticas as traduções da Bíblia. Tive inesperada dificuldade em encontrar a passagem, só com a ajuda da internet lá fui, devido a um pequeno erro na inscrição. Não se trata de Mt 11,18, mas de Mt 11,28. E, como tenho duas Bíblias portuguesas, deparei com duas versões diferentes (uma da Difusora Bíblica, na sua 15ª edição, de 1991; outra intitulada “a Bíblia para todos”, tradução interconfessional, publicada entre nós pela Sociedade Bíblica de Portugal, numa edição de 2009):

“Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei”.

“Venham ter comigo todos os que andam cansados e oprimidos e eu vos darei descanso”.

No fundo, estas diferenças não são relevantes. O importante é aquelas palavras me terem feito parar, olhar para elas durante momentos, fotografá-las. Quando me resolvi a continuar, não imaginava que depararia com mais duas citações bíblicas (a qualidade das fotografias não é boa, as condições sol/sombra não facilitaram). Desta vez, vou usar apenas a tradução da publicação mais recente. Da primeira Epístola de São Pedro:

2020-04-23 Bíblia no Passeio (3).JPG

“Confiem-Lhe todos os vossos problemas, porque Ele se preocupa convosco.”

1 Pe 5,7

E a passagem bem conhecida do Salmo 23 (que até estava ilustrada):

2020-04-23 Bíblia no Passeio (6).JPG

“O Senhor é meu pastor, nada me falta”.

Deus é o nosso último reduto. Perante situações que nos ultrapassam, é a Ele que apelamos. E a verdade é que regressei a casa mais calma, com menos receio de que não ultrapassássemos esta crise. Como se tivesse encontrado pelo caminho alguém que me garantisse que Deus está connosco.

Deus não é uma máquina de resolver problemas, nem é o génio saído da garrafa que nos satisfaz desejos. Ele apenas nos ampara, nos dá força. Em vez de pedirmos a Deus que nos tire os obstáculos da frente, devemos pedir-lhe força para lidar com eles. E, quando as adversidades nos ultrapassam, ajuda pensar que a solução talvez não esteja nas nossas mãos. "Eu dou o meu melhor, o resto é com Deus" - por vezes, basta este pensamento para nos sentirmos mais aliviados e corajosos.


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