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Pensamento da semana

por Bandeira, em 24.03.19

A decadência dos povos auriculares

Venho reparando em como cada vez mais pessoas usam os altifalantes dos telemóveis em locais públicos. Alguns falam para o microfone mantendo o sistema em alta-voz. Outros, diga-se que de todas as idades, assistem a excertos de vídeo, com o som bem alto, em mesas de café. Outros ainda usam o aparelho em modo videoconferência, e sem reservas de maior: ainda há dias vi como um homem nos seus trintas apresentava à namorada distante, acompanhado de um amigo que ria muito, a casa de banho masculina - e movimentada - de um grande centro comercial.
Não sei bem o que isto significa, mas estou certo de que é importante.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Pensamento da semana

por Bandeira, em 03.02.19

 

Nas cada vez maiores secções de livros de “auto-ajuda” deveria ser obrigatório o aviso dantesco: “Abandone toda a esperança aquele que aqui entrar”.

 

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Festas felizes.

por Bandeira, em 23.12.18

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Pensamento da semana

por Bandeira, em 23.09.18

“Save the plane”, leio na t-shirt da empregada de balcão. Um ligeiro movimento das pregas converte a frase num menos ofegante “Save the planet”. Se perguntar “Que avião?” ainda há pouco me parecia pertinente, perguntar agora “Que planeta?” será talvez tolice—um bocadinho como perguntar “Que avião?” a partir do lugar à janela, sobre a asa, que é onde mais gosto de voar.

 

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Metafísica prática

por Bandeira, em 25.07.18

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 (Prémio especial da Bienal de Penela)

Pensamento da semana

por Bandeira, em 22.07.18

Não me recordo onde li (mas isso pouco importa) que, se os livros académicos nos fazem mais cultos, os de ficção fazem-nos mais sábios.

 

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Cravo & Ferradura

por Bandeira, em 21.07.18

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 (José Bandeira/DN)

Putin global

por Bandeira, em 18.07.18

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Cravo & Ferradura, José Bandeira/DN

Sobre Rosado Fernandes

por Bandeira, em 14.05.18

Na hora da sua morte, Rosado Fernandes vem sendo referido sobretudo como “fundador da CAP”. É certo que o foi e que cada época tem as suas prioridades. Também o epitáfio no túmulo de Ésquilo gloriava o grande dramaturgo apenas enquanto ex-combatente em Maratona. E no entanto, sei que ninguém levará a mal se eu evocar aqui Rosado Fernandes, o classicista, porque é enquanto tal que a muitos de nós vai fazer falta.

Memórias de combate

por Bandeira, em 01.05.18

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("Cravo & Ferradura", José Bandeira/DN)

Pensamento da Semana

por Bandeira, em 01.04.18

O golfe é a prova acabada de que o Homem é incapaz de andar umas centenas de metros sem dar com um pau em qualquer coisa.

 

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Cravo & Ferradura

por Bandeira, em 26.03.18

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(José Bandeira/DN)

Cravo & Ferradura

por Bandeira, em 26.02.18

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(José Bandeira/DN)

Cravo & Ferradura

por Bandeira, em 09.02.18

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 (José Bandeira/DN)

Lá está

por Bandeira, em 15.01.18

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 (José Bandeira/DN)

Da Lua Cheia

por Bandeira, em 06.10.17

O meu bairro, democrata leitor, madrugou com tanques bloqueando-lhe as ruas. O pretexto oficial, esfarrapadíssimo, consiste num desarrazoado sobre a necessidade de lhe deitar fumegante alcatrão nas vias. “Vai demorar uns diazinhos”, informa o guarda com um sorriso que me parece oscilar entre o solidário e o escarninho, consoante se sente mais povo ou mais Autoridade. Adivinho vingança do presidente da Câmara: caiu nas eleições. Que vou eu fazer agora? Preso a cem metros da praia em pleno Outubro, com um tempo que lembra Agosto e as esplanadas fervilhando? Uma Coreia do Norte, é o que isto é, uma Coreia do Norte.

Adenda:

Reconsiderei os motivos que levaram a Câmara que preside aos destinos do meu bairro a fechá-lo para repavimentação e beneficiamentos vários. Fez-se (literalmente) luz quando ontem, noite caída, contemplei da janela a lua cheia que passava já acima do tabuleiro da ponte, áurea e colossal primeiro, branca e mais recatada depois, banhando com argentina luz o Mar da Palha: ela subia para mim. Assim a Câmara, os funcionários, a paróquia em peso. Como Madonna em Lisboa, resido aqui não há ainda meia dúzia de meses; alguém, do IRN, da Junta, do Clube da Sueca, que sei eu, espalhou palavra: e em conluio determinou-se que se alindaria o arredor para melhor me receber. Como pude não o ter percebido antes? Saio à rua passando, com um sorrisinho cúmplice, pelos calceteiros que neste preciso momento alegram com os seus martelinhos (os deles) a notável sinfonia das retroescavadoras, dos cilindros e dos sinais sonoros prevenindo velhotas surdas contra uma qualquer marcha atrás. Sem jeito, eles fingem má cara. Como tudo isto é divertido! Faço má cara eu também, pisco-lhes o olho e vou tomar uma bica, fingindo, fingindo sempre que não sei que me amam e que estão felizes por me saberem aqui. É bem verdade quando dizem que, neste século XXI, eu é a pessoa mais importante do mundo.

Pensamento da semana

por Bandeira, em 16.09.17

A magnificamente neurótica jornalista norte-americana Mignon McLaughlin escrevia, em meados do século passado, que "De tempos a tempos encontramos pessoas alegres, gentis, desinteressadas. Geralmente operam elevadores". Não fico feliz, Mignon, por te dizer que isso hoje já não acontece.

 

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Vidas dos famosos

por Bandeira, em 13.02.17

A certa altura, Vincent Van Gogh percebeu que não podia continuar a dar ouvidos ao irmão.

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Factos alternativos

por Bandeira, em 13.02.17

Sucede por vezes que certas ideias incongruentes, talvez por jamais nelas investirmos um pouco do nosso capital reflectivo ou as havermos absorvido em muito novos, se colam ao nosso cérebro, um pouco como cartões de crédito sem plafond às carteiras de administradores de empresas públicas. Por exemplo, eu recordava-me muito bem de haver habitado no 4º andar de certo prédio de Algés; eu nunca pusera em dúvida o facto de haver habitado no dito 4º andar do supracitado prédio de Algés; mas certo dia, passando de automóvel pela rua do prédio de Algés em cujo 4º andar me recordava de indubitavelmente haver habitado, e tendo eu partilhado esse importante dado autobiográfico com os restantes ocupantes da viatura, alguém chamou a atenção para a circunstância de o prédio em questão não contar mais que dois andares bem contados, verdade que, de coração apertado, atestei visualmente alguns segundos antes de ligar para o meu neurologista - não sem antes apreciar o facto de ainda haver alguém que presta atenção ao que eu digo.

Não perguntes

por Bandeira, em 31.01.17

Passo algum tempo no Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social. Algumas caras de assunto perfunctório, outras que podiam ser cavadas num vaso grego. Um homem põe a senha dele a dez centímetros da minha cara. Se faço o favor de lhe dizer em que número vai a senha “C”. O monitor está a dois metros de nós; infiro que não veja os números por estar sem óculos. “Vai no 64”. É o número dele. Observo-o enquanto se atira contra a pesada porta de vidro. Vai aflito. Espero que não perca a casa, o carro, os filhos. Senta-se, a funcionária corresponde aos bons dias. Consigo imaginar o diálogo que se segue. “Enviámos-lhe vários avisos por carta”. “Não duvido, minha senhora, mas vocês ficaram com os meus óculos e eu, sem eles, não sou capaz de ler”.

Não perguntes por quem dobram os sinos.


O nosso livro






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