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Não há coincidências

por João Sousa, em 25.06.20

calvin enojado.jpg

No dia em que o país andou a discutir o folhetim do treinador do Benfica, em que os jornais descreveram detalhadamente o esboroar do PAN e em que António Costa veio às televisões anunciar com voz grossa o reaperto de confinamentos - o governo, por entre os pingos da chuva, aproveitou para formalizar num sussurro a nomeação de Centeno para o Banco de Portugal.

A purga

por João Sousa, em 13.06.20

Já houve uma mãe que quis proibir a leitura d'A Bela Adormecida na escola primária do filho porque, argumentou, o beijo do príncipe promovia "um comportamento sexual impróprio".

Já houve bibliotecas e escolas que baniram As Aventuras de Tom Sawyer por causa de "calão racista".

Vai-se lendo, nos fóruns de tecnologia, activistas que pretendem alterar os nomes male/female (como em "fichas macho/fêmea") por "assentarem numa visão binária dos géneros".

empresas tecnológicas que querem mudar, a bem da "inclusão" e por causa de putativas conotações raciais, a nomenclatura whitelist/blacklist - como se esta utilização de white/black não derivasse directamente dos conceitos religiosos de luz/escuridão.

Fica-me a impressão de estarmos a deixar os loucos gerirem o manicómio.

Não há bem que sempre dure

por João Sousa, em 04.06.20

Algo destes primeiros meses de Covid que me vai deixar saudades: não houve futebol.

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Pensamento da semana

por João Sousa, em 31.05.20

Depois de meses a ouvir constantes apelos ao "distanciamento social" nas homilias de pivots de telejornais, nas intervenções de especialistas, nas sessões de propaganda política e nos infindáveis directos jornalísticos onde se gastaram horas a repetir em alvoroço todos os nadas que já tinham sido relatados em directos anteriores, muitos ficarão durante longo tempo prisioneiros de uma debilitante "desconfiança social".

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Vinte e quatro horas

por João Sousa, em 18.04.20

Na quinta-feira:

António Costa, 16-04.png

Na sexta-feira:

António Costa, 17-04.png

Por todos os santinhos, não lhe perguntem nada hoje!!!

Há males que vêm por bem (2)

por João Sousa, em 07.04.20

Nunca antes me despachei tão depressa no Lidl.

Há males que vêm por bem

por João Sousa, em 25.03.20

Descobri agora mesmo, embora já com uma semana de atraso, que o Festival da Eurovisão foi cancelado por causa do Covid-19.

Três migalhas dos nossos dias

por João Sousa, em 25.03.20

António Costa, 23 de Março: "Até agora não faltou nada no SNS e não é previsível que venha a faltar".

António Costa, 24 de Março: "Não digo que não tenha faltado algum bem [no SNS]".

Mundo real, 25 de Março: "Médicos do público vão ao privado fazer testes à Covid-19".

O açambarcamento começou

por João Sousa, em 11.03.20

Quem visse as filas de agora no supermercado do El Corte Inglés e ouvisse os queixumes dos carrinhos de compras esmagados sob pilhas de carnes e peixes e conservas e garrafões de água, pensaria estarmos na véspera de Natal.

Um pacote de batatas fritas

por João Sousa, em 09.02.20

Num degrau de uma das escadas de acesso ao Metro do Cais do Sodré, podem-se ver hoje um pacote de batatas fritas meio derramado e uma garrafa de cerveja vazia. Estão ali, imotos, desde pelo menos sexta-feira de manhã.

As gentes que fazem de conta que gerem os transportes públicos adoram anunciar obras e extensões. A sua utilidade para o utente é, amiúde, pouco óbvia. A utilidade para administradores e governantes, essa, é evidente: oportunidades para distribuir dinheiro - que nunca é o seu - por clientelas; acções de propaganda, generosamente amplificadas pela comunicação social, nas quais se exibem a tesourar fitas físicas e metafóricas - uma fita pelo anúncio do futuro concurso público, uma fita pela efectiva abertura do concurso público, outra pela adjudicação, uma pela primeira pedra, mais uma pelos primeiros carris, uma outra pela inauguração, uma final pelas obras de reparação, e mais algumas de permeio que seguramente esqueci mas a fértil criatividade dos publicitários avençados inventará; e plaquinhas de inauguração deixadas, para iluminação das gerações futuras, incrustadas como fósseis nas paredes e onde se lê um "sua excelência" a preceder o seu nome (e quantas vezes esse nome nega a excelência que o precede).

Eu preferia que aqueles indivíduos, assalariados pelos meus impostos para gerirem um serviço que eu pago e utilizo diariamente, por uma vez começassem por colocar em ordem a casa que têm desordenado nos últimos anos e se preocupassem primeiro com os invólucros, vazios ou não, que conspurcam os chãos durante dias; as baratas que calcorreiam algumas estações e as pulgas que saltitam nalguns barcos; os baldes para goteiras que salpicam corredores e salas de embarque; as escadas rolantes que não rolam e os elevadores que não elevam em dias alternados; as cancelas que validam passes mas não abrem; as máquinas de bilhetes avariadas; as estações sem um único funcionário para auxiliar (se para aí estiver virado) os passageiros...

Pensamento da semana

por João Sousa, em 09.02.20

Se há gadget próximo da perfeição, esse gadget é o papel: é barato; nunca fica sem bateria; é biodegradável e reciclável; não estala ou avaria com uma queda de dois palmos; não fica infectado com malware nem precisa de actualizações de segurança ou para correcção de falhas; não "pendura" a meio de um documento de seis páginas que nos esquecemos de gravar; não demora um minuto a ligar; não se transforma num tijolo quase inútil quando falha o sinal wifi ou 3g; e se dermos por nós sem espaço para gravar mais informação, basta entrarmos numa qualquer papelaria e resolvemos a questão com uma moeda de euro.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

... e é isto.

por João Sousa, em 24.11.19

flamengo

Sic-Notícias, RTP3 e CMTV (dou um desconto à Sport-TV por razões óbvias): todos estes canais estão a transmitir em directo a viagem do autocarro de uma equipa brasileira de futebol. E a TVI24, seguramente, só não o faz porque está encalhada com um jogo de hóquei...

Pensamento da semana

por João Sousa, em 24.11.19

C. disse-me certo dia que o meu pessimismo já era uma fé pessoal. Percebi onde ela queria chegar, mas expliquei-lhe onde estava o seu erro: fé é crença. Ora um pessimista não é um crente - é um descrente.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Temporariamente, frequentemente

por João Sousa, em 10.11.19

Hoje de manhã, por volta do meio-dia, estava este aviso num dos elevadores da estação de Metro do Chiado:

metro chiado 20191110.jpg

Considerando a regularidade com que encontro aquele elevador avariado, nuns dias com aviso e noutros sem ele, acho que mais valia o Metropolitano de Lisboa passar a colocar um aviso apenas quando o elevador está a funcionar. Algo como: "Equipamento temporariamente em funcionamento".

19 Ministros e 50 Secretários de Estado

por João Sousa, em 27.10.19

Hacker: Who else is in this department?

Sir Humphrey: Well briefly, sir, I am the Permanent Under Secretary of State, known as the Permanent Secretary. Woolley here is your Principal Private Secretary. I too have a Principal Private Secretary and he is the Principal Private Secretary to the Permanent Secretary. Directly responsible to me are ten Deputy Secretaries, 87 Under Secretaries and 219 Assistant Secretaries. Directly responsible to the Principal Private Secretaries are plain Private Secretaries, and the Prime Minister will be appointing two Parliamentary Under-Secretaries and you will be appointing your own Parliamentary Private Secretary.

Hacker: Can they all type?

Sir Humphrey: None of us can type. Mrs Mackay types: she's the secretary.

Yes Minister, Série 1, Episódio 1

Dois (mais um)

por João Sousa, em 27.10.19

Vou lendo por aí que os membros do governo, ontem, viajaram em dois autocarros da Carris (com um terceiro de reserva) fretados para tal acção de propaganda. Para transportar tanta gente, imagino que os autocarros usados tenham sido deste modelo:

autocarro da tomada de posse

Abstenção

por João Sousa, em 06.10.19

A SIC parece ser a única televisão cujas projecções apontam para a possibilidade de o PS chegar à maioria absoluta. A SIC era também aquela que previa a maior abstenção. Acho que as duas coisas não são coincidência. Ainda há um par de meses eu disse a um conhecido estar convencido de que, se Costa chegasse à maioria absoluta, isso resultaria mais da abstenção do eleitorado descontente dos outros partidos (os do PCP e Bloco descontentes com as cedências feitas, os do PSD com a excessiva complacência da oposição de Rio) do que de transferências em massa de outros partidos para o PS.

Sondagens

por João Sousa, em 06.10.19

A TVI começou por anunciar que a abstenção iria ficar entre os 35,41% e 39,41% (como ainda se pode ver pelo endereço do link). Agora mudou: já garante que irá estar entre 43,4% e 47,49%. Das duas, uma: ou alguém na redacção da TVI estava com falta de cafeína, ou alguém da Católica, preocupado com a diferença entre os números que apresentou e os das outras empresas de sondagens, telefonou à pressa para a TVI e inventou outros em cima do joelho para não destoar tanto.

Plausible deniability

por João Sousa, em 27.09.19

António Costa, jura-o, não sabia de nada.

Uma quantidade não negligenciável de material bélico foi roubada de Tancos; foi montada uma encenação para justificar a sua devolução (e com juros, uma espécie de campanha "roube 4 e devolva 5"); o ministro da Defesa, que antes, durante e depois multiplicou-se em declarações atabalhoadas sobre o assunto, sabia da encenação e nem teve, pelos vistos, pejo em confirmá-lo por SMS a um badameco deputado do PS; mas o mesmo ministro não achou por bem informar o seu chefe de governo dos progressos em assunto tão melindroso.

António Costa diz que não sabia de nada, não viu nada, não ouviu nada e ninguém lhe disse nada. E o aparelho de propaganda do PS, que não brinca em serviço, já fez chegar às redes sociais esta pequena gravação de um Conselho de Ministros da época na qual vemos Costa a dizer, explicitamente, isso mesmo - que não sabia de nada do que iria acontecer:

... e é isto.

por João Sousa, em 02.09.19

540.jpg

Desde pelo menos as cinco da tarde que um dos canais televisivos de informação vem apresentando, com regularidade, um programa onde cinco cavalheiros, sentados à volta de uma mesa, debatem ao minuto as peripécias deste último dia de transferências no futebol. Falam de jogadores contratados, recusados, dados, vendidos e emprestados - mas vendo o ar grave e concentrado daqueles cinco cavalheiros sentados à volta de uma mesa, pensar-se-ia estarem a comentar a invasão do Iraque.

Ridículo.


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