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Delito de Opinião

Ainda sobre a Carta

João Sousa, 26.07.21

"Convém não esquecer: uma autoridade que se ocupa da mentira acaba por se ocupar da verdade. Uma entidade pública que vigia a desinformação acaba por criar a informação. Pela verdade e pelo nosso bem: o despotismo começa sempre aí."

António Barreto, Público (24/07/2021)

"Melhorar", diz ela

João Sousa, 24.07.21

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Honra lhe seja feita, a deputada socialista Mara Lagriminha nem se preocupa em disfarçar ao que vem. Disse ela ontem sobre o aumento de financiamento da RTP: "Que fique muito claro que, da nossa parte, do grupo parlamentar do Partido Socialista, faremos o que for necessário, trabalharemos para poder melhorar este financiamento através do aumento da CAV [contribuição para o audiovisual]".

O dinheiro, dizia o fundador Soares, há-de sempre aparecer. Sentindo-se incentivado pela bloquista Mariana Mortágua que afirmava, no início do costismo, ser necessário "perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem o está a acumular", o PS actual já nem se envergonha de inventar formas de o ir buscar, para financiar a sua clientela, a quem ainda tenha algum para amostra.

Mas não se pense que o PS está sozinho. Temos também o deputado do PSD Paulo Rios de Oliveira: depois de enxovalhado pela deputada Lagriminha (parece ser este o papel a que Rui Rio limita o seu partido), afirmou-se "refrescado" por ter ouvido "a forma muito sóbria como o presidente do Conselho de Administração admitiu que a RTP tem problemas e tem problemas graves e tem que os ultrapassar."  Recordemos só, para compor o ramalhete, que este "sóbrio", "refrescante" e fresquíssimo presidente do Conselho de Administração da RTP, que ainda a tinta das paredes do seu novo gabinete não secou já vem de mão estendida pedir (mais) algumas pazadas de dinheiro para a RTP, é o inacreditável Nicolau Santos - o mesmo Nicolau Santos impulsionador da farsa "ouçam Baptista da Silva" e que, antes da RTP,  já tinha sido colocado pelo PS na presidência da Lusa.

Isto está bonito!

Vivemos assim em trincheiras

João Sousa, 12.07.21

"Killing Eve (segundas-feiras no amc) é uma boa série britânica no meio do lixo que nos vai inundando, porque tem as medidas certas de humor, suspense e escrita escorreita. (...) Andei a ler umas coisas sobre a série e descobri que na quarta temporada, por via de um menor peso dado à personagem interpretada por Sandra Oh, o povo quase pegou em armas. Resta dizer que Sandra Oh é de origem asiática e terá havido então acusações de racismo à mistura. Vivemos assim em trincheiras, à procura de tudo o que possa configurar desrespeito por uma qualquer identidade. Estamos feitos..."

 

Fernando Proença, Jornal do Algarve (11/7/2021)

Pensamento da semana

João Sousa, 11.07.21

Hoje em dia, qualquer obra artística que não cumpra determinadas quotas ou que não siga determinadas narrativas arrisca-se a ser considerada qualquercoisaógina, qualquercoisaista ou qualquercoisafóbica. Há quem consiga ver racismo no Pulp Fiction, misoginia nos Kill Bill e transfobia no Silêncio dos Inocentes. Estive há poucos dias a rever alguns episódios de Coupling, uma série britânica de humor que segue a vida amorosa e sexual de seis amigos: os seus protagonistas, três homens e três mulheres, são todos brancos e heterossexuais. Vinte anos depois da sua exibição, quantas produtoras arriscariam produzir algo semelhante sem a exigência, à laia de caderno de encargos, de alguma diversidade?

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Der Schwarze Vulkan

João Sousa, 23.06.21

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Saudemos o 70º aniversário de Michèle Mouton: vencedora em 1975 da classe S2.0 nas 24 Horas de Le Mans; vice-campeã europeia de ralis em 1977; vice-campeã mundial de ralis em 1982 (ficando à frente do seu colega de equipa, "um tal" Hannu Mikkola); vencedora em 1984 da classe Open Rally (e segunda à geral) na sua estreia na mítica Pikes Peak; vencedora no ano seguinte da Pikes Peak com um tempo treze segundos mais rápido do que o recorde anterior; campeã em 1986 do Nacional de Ralis da Alemanha, com a particularidade de ter vencido todas as corridas que terminou.

E tudo isto, veja-se bem o topete, quando ainda nem tinham nascido muitos dos que hoje enchem discursos, editoriais e redes sociais com paridades, quotas, representatividades, hashtags e jargões semelhantes.

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(*) "Der Schwarze Vulkan" (o vulcão negro) foi a alcunha que lhe deram na Alemanha devido ao temperamento e longo cabelo preto.

Lido por aí

João Sousa, 18.06.21

"Quase no mesmo momento em que Fernando Medina trespassava todas as responsabilidades aos funcionários camarários, o cardeal Reinhard Marx demitia-se por causa do escândalo da pedofilia na igreja católica. O Cardeal não esteve envolvido em qualquer caso. Mas entendeu que a hierarquia da igreja tinha de “partilhar a responsabilidade” dos abusos e do encobrimento. Porquê? Porque não derivavam de um lapso ou de um erro ocasional, mas haviam sido “sistemáticos”. Tinham, portanto, uma dimensão institucional."

Rui Ramos no Observador

Momento zen do dia

João Sousa, 05.06.21

Lê-se no Observador sobre o congresso do PAN:

Albano Nunes, que é marido de Bebiana Cunha e faz parte da lista para a próxima direcção (e também da actual), ataca com uma “declaração de interesses”. Albano Nunes conta que é judeu e as propostas dos críticos para evitar ‘familygates’ internos fazem-lhe lembrar “as leis de Nuremberga”, pelo que viu aqui um “trigger”: “Começando a progredir, onde é que estas leis vão parar? Como judeu, choca-me muito”.

Eraser

João Sousa, 09.04.21

À mesmíssima hora em que o juiz Ivo Rosa falava ao país, o canal Hollywood transmitia este filme:

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Isto não se inventa!

(Eraser é um título esquecível da filmografia schwarzeneggeriana. Tecnicamente competente mas sem grande rasgo e com apenas um par de one-liners razoáveis, penso que o filme já evidenciava o esgotamento de uma fórmula que tão bem funcionara durante anos. Apesar disso, ficção por ficção, preferi ficar a assistir à do bom velho Arnie.)