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Delito de Opinião

Uns tontinhos em passo afogueado

Paulo Sousa, 29.12.22

Precisamos de olhar para a Primeira República para entender a longevidade do Estado Novo, da mesma forma que precisamos de olhar para a longevidade do Estado Novo para entender a predominância do PS à frente dos destinos do país.

Os tempos são outros, o zeitgeist, na Europa e no Mundo, estreita as margens do que é politicamente possível, mas não podemos deixar de observar que a sujeição popular ao abuso resulta da comparação feita com os abusos anteriores. Não queremos saber das boas práticas para nada. Soubemos, ou simplesmente tivemos a sorte, de ter conseguido reunir condições que nos teriam permitido estar muito melhor? O que é que isso interessa? Quem não aplaude é fascista. Quando nos recordamos do Estado Novo, aceitamos o abuso, tal e qual como se se aceitou o Estado Novo recordando a Primeira República.

Então e as boas práticas, e os países que repetidamente nos ultrapassam? Isso não importa, porque engrenamos a lenga-lenga de que estamos melhor do que no tempo da outra senhora e isso é suficiente.

Soube há uns tempos de um tontinho que não morava longe daqui e que um dia, cheio de pressa, em passo apertado e quase a correr, ia à Batalha dar um recado, ou resolver qualquer urgência. Alguém que passava de carro reconheceu-o, abrandou e ofereceu-lhe boleia. Ele, o tontinho, afogueado e convicto, recusou a boleia porque… estava com pressa.

Quando olhamos para as boas práticas dos países que nos ultrapassam, e aceitamos todos os abusos socialistas, só porque não nos conseguimos desligar da narrativa da situação, estamos a ser como este tontinho. Com as condições que temos, poderíamos estar muito melhor? Podíamos sim, mas mergulhamos nesta anestesia, nesta vertigem que, sem tirar os olhos dos retrovisores, finge avançar. E quem quiser mais do isto, que emigre.

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