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Delito de Opinião

Uns quantos álbuns de 2014 (1)

José António Abreu, 05.01.15

 

Blank Project, de Neneh Cherry.

 

Comecemos pelo que, para mim, foi o regresso de 2014. Há um par de anos, em colaboração com o trio de jazz The Thing (cuja formação foi inspirada pelo trabalho do trompetista Don Cherry, padrasto de Neneh), Cherry lançara um excelente álbum de música muito pouco comercial (ainda que constituída na maior parte por versões), apropriadamente intitulado The Cherry Thing. Em nome pessoal, contudo, já não apresentava um trabalho desde 1996.

Para quem desejava temas com o imediatismo dos velhos êxitos (Buffalo Stance, Manchild, 7 Seconds), Blank Project terá sido uma desilusão. A jovem do final dos anos 80 e início dos 90 foi substituida por uma mulher madura, com prioridades diferentes e outra forma de colocar os assuntos. O primeiro tema, Across the Water (uma maravilha minimalista, com partes que são mais spoken word do que canção, centrada na perda da mãe e nos receios do que o futuro pode trazer às filhas) é um retrato perfeito do que move Neneh hoje em dia mas, colocado a abrir, é também uma uma forma de evitar ilusões. O resto, sendo até mais «normal», permanece pouco interessado em trajectos óbvios, capazes de conquistar rádios e tops. Nem sequer - e disso tenho pena - os tops dos melhores álbuns do ano.