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Uma semana sem Varoufakis

por Pedro Correia, em 13.07.15

Varoufakis-GR-IBNA1[1].jpg

 

Demitiu-se pela calada da noite e saiu de cena. Faz hoje uma semana.

 

Foi talvez o único momento discreto da brevíssima carreira de Yanis Varoufakis como ministro das Finanças do governo de coligação grego, empossado no final de Janeiro. Enquanto esteve em funções, agiu como uma pop star, entre ovações entusiásticas de alguns comentadores que lhe foram dando crédito.

Por cá, Nicolau Santos aplaudiu-o por ter vindo "estilhaçar o consenso instalado" - algo que não costuma ser apontado como mérito de um titular da pasta das Finanças.  Ana Gomes enalteceu-o por ter "afinfado murros nos talibãs austeritários"(sic). Leonor Moura empolgou-se com a sua "boa imagem". Rui Tavares foi lapidar: "Varoufakis está do lado da civilização." Isabel Moreira, com exemplar poder de síntese, condensou tudo numa frase: "O ministro das Finanças grego é sexy, porra!»

 

O director-adjunto do Expresso tinha razão: elefante em loja de porcelanas, Varoufakis "estilhaçou o consenso instalado". Ao ponto de chamar "terroristas" aos credores da Grécia, parceiros de Atenas no Conselho Europeu. E de gravar secretamente reuniões de alto nível em Bruxelas, talvez já a pensar num futuro livro de memórias que lhe traga ainda mais fama e proveito.

Despediu-se bem ao seu jeito, admitindo na véspera da demissão um "acordo em 24 horas" com as instituições europeias, por efeito de uma inesperada varinha mágica, mal o não ganhasse o referendo plebiscitário convocado por Alexis Tsipras para se legitimar dentro de um partido que ameaçava partir-se em cacos.

Nada disso aconteceu, como era de supor. Mas Varoufakis já não estava em funções para ser confrontado com mais esta bombástica declaração que se limitou a produzir ruído mediático. E foi um dos 17 deputados do Syriza que furaram a disciplina de voto, recusando aprovar o terceiro pedido de assistência financeira da Grécia às instituições europeias. Nessa madrugada de sábado, ele estava longe da sala das sessões do Parlamento. De férias com a filha.

 

Seduzido pelas luzes da ribalta, que produzem um efeito viciante, há-de voltar em breve. Integrando-se no circuito internacional dos conferencistas de luxo, a percorrer os continentes pago a 50 mil euros por palestra. Ensinando ao mundo como se levantam as finanças de um Estado.

E não faltará também então quem acorra a escutá-lo, pronto a beber-lhe a sabedoria.


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