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Uma Mesquita em Lisboa

por João André, em 31.05.16

Não acompanhei o assunto no início e cheguei a ele pelo post do Luís. Depois vi uma partilha do texto de João Miguel Tavares (um comentador de quem não gosto por diversas razões - que pouco têm a ver com as suas opiniões) no Facebook.

 

Deixo apenas o texto que um amigo, o Paulo Granja, colocou na sua página do Facebook e que me pareceu bastante melhor - independentemente das opiniões - que o de JMT.

 

JMT não sabe do que fala

Antes de mais, a intervenção urbana que tem sido reduzida à construção de uma mesquita insere-se numa operação de maior dimensão de requalificação urbana “entre o Martim Moniz e o Intendente, com o nome Praça-Mouraria”, e prevê a criação de um jardim, uma sala polivalente, de uma praça coberta e de uma ligação entre a Rua da Palma e a Rua do Benformoso, para além da referida mesquita (creio que também se prevê a requalificação/integração do Arquivo fotográfico municipal, já existente num edifício contíguo, mas não me recordo agora se o Arquivo será ou não formalmente integrado no projeto), sendo que o interior da mesquita ficará a cargo da comunidade muçulmana (creio que mais precisamente a cargo do Centro Islâmico do Bengladesh). A construção da mesquita neste bairro, e neste local em particular, justifica-se pela forte comunidade muçulmana do Bangladesh aí existente. De facto, já existiram 3 mesquitas em edifícios próximos, estando a última, frequentada por cerca de 600 pessoas, localizada num edifício para habitação, se não estou em erro, no Beco de S. Marçal, compreensivelmente com grande incomodo para moradores e para a vizinhança.

Segundo, o projeto de intervenção insere-se no Plano de Urbanização do Núcleo Histórico da Mouraria (o único ponto em que admito que JMT possa ter alguma razão é na aparente contradição entre a exigência feita ao proprietário/PUNH e a intervenção projetada, mas a legislação prevê que os poderes possam estabelecer exceções às regras e planos que os próprios fizeram aprovar, em nome do interesse público – como creio que foi feito com o PDM para a construção do novo Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia -, mas se isso é bom ou mau é já outra discussão), e está a ser pensado desde 2009, altura em que mereceu apoios do FEDER/QREN. O projeto final de arquitetura foi apresentado a discussão pública e votado favoravelmente por todas as forças partidárias com representação na Assembleia Municipal de Lisboa em 2012.

Em terceiro lugar, sim, a CML também patrocina igrejas, sinagogas e templos de Shiva (se o deveria fazer ou não é outra questão…). Que me lembre, a CML já apoiou o Centro Ismaili, O Centro Hindu, O Museu Judaico e a (re)construção de várias igrejas católicas – estou a lembrar-me da Nova Catedral de Lisboa, a construir perto da Parque Expo. Nalguns casos (Museu Judaico e Igreja Católica), os apoios financeiros chegam também aos vários milhões de euros, já para não falar nas operações urbanísticas envolvidas (creio que no caso do Museu Judaico está prevista a intervenção/requalificação de vários edifícios no centro histórico de Alfama, mesmo ao lado da Igreja de S. Miguel).

Resumindo, não se trata apenas de pagar uma mesquita.
Não houve falta de discussão pública, nem atropelos à legislação e regulamentos camarários – se houve, serão dirimidos em local próprio, os tribunais.
Não foi uma proposta socialista ou sequer de esquerda feita a revelia dos partidos de direita, a direita também votou favoravelmente o projeto.
E sim, a CML, e não o Partido Socialista, apoia financeira e logisticamente, várias outras confissões religiosas.

JMT pode contentar-se em comentar artigos publicados no jornal onde escreve sem se dar ao trabalho de se informar. Isso também eu posso fazer, a diferença é que não sou jornalista e não me pagam para isso.

 

Leitura complementar: A mesquita da Mouraria, o Google e o Facebook.

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24 comentários

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De Justiniano a 31.05.2016 às 11:57

Caríssimo João André, a CML tem, naturalmente, atribuições de fomento cultural, manutenção do património e reestruturação do património cultural. Considerações históricas e culturais nada obstam, pelo contrário, à existência, manutenção e construção de mesquitas em Lisboa. Ainda Lisboa se não chamava Lisboa e já havia a mesquita de alfama e muito mais. A justificação, contudo, deste especial projecto, não colhe, quanto a mim!! Esta coisa é-me inintelegível "...interior da mesquita ficará a cargo da comunidade muçulmana (creio que mais precisamente a cargo do Centro Islâmico do Bengladesh). A construção da mesquita neste bairro, e neste local em particular, justifica-se pela forte comunidade muçulmana do Bangladesh aí existente." . Haverá, certamente, um lapso nesta justificação, não creio que possa colocar-se a hipótese, ainda que simbólica, ou sobretudo simbólica, de a CML oferecer uma mesquita à comunidade islâmica do bangladesh em lisboa. Não aprecio o reconhecimento jurídico, especial, de comunidades e tenho aversão a subcomunidades.
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De Luís Lavoura a 31.05.2016 às 14:33

Não entendo o que lhe é ininteligível.
Habitam na Mouraria cerca de 600 muçulmanos. Querem ter uma sala de oração na vizinhança. Tal como há igrejas espalhadas por toda a cidade.
Evidentemente, a mesquita não será apenas para pessoas do Bangladeche. Qualquer muçulmano pode rezar em qualquer mesquita, seja qual fôr a sua origem racial.
Explique melhor o que lhe é ininteligível.
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De Justiniano a 31.05.2016 às 15:33

Sim, Lavoura, não pensei outra coisa "Qualquer muçulmano pode rezar em qualquer mesquita" "não será apenas para pessoas do Bangladeche", aliás, mesmo sem ser muçulmano, espero eu!! Essa não é a questão, isso seria um absurdo!!
O que é que não percebeu do meu comentário!?
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De João André a 01.06.2016 às 09:18

Não conheço o caso devidamente e por isso reproduzi o texto de Paulo Granja, uma pessoa que conheço há muito e que sei não dar opiniões não informadas (mesmo que discorde dele). Por isso duvido que haja um lapso.

Quanto a (sub)comunidades, nada tenho pessoalmente contra elas. Tenho contra dividir grupos em etnias, em "raças", nacionalidades, etc. Comunidades reflectem valores comuns que são activamente mantidos (língua, cultura, religião, tradições, etc). Desde que esses não sejam contrários ao país (e a prática do Islão, como da maioria das religiões, não o é), nada tenho contra apoiar essas comunidades.

Faz-me mais urticária que um governo (nacional, regional ou local) apoie religiões, mas se o faz para uma (católicos) também o pode fazer para outros, desde que a comunidade o justifique. Neste caso parece-me que sim, que o justificará, pelas explicações que li.
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De ali kath a 31.05.2016 às 12:28

para quando construir uma igreja cristã ou uma sinagoga em Meca?
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De Luís Lavoura a 31.05.2016 às 17:36

É bem sabido que a Arábia Saudita não é um país que prime pela liberdade religiosa. Felizmente, nem todos os países muçulmanos são como a Arábia Saudita. Seja como fôr, nós não pretendemos imitar a Arábia Saudita; queremos que em Portugal haja liberdade religiosa.
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De João André a 01.06.2016 às 09:20

O habitual comentário ignorante e estúpido. Também deveremos executar apóstatas sauditas?

Além disso, a melhor comparação com a barbaridade que escreveu seria perguntar para quando uma mesquita (ou sinagoga, ou templo hindu, etc) no Vaticano.
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De Anónimo a 31.05.2016 às 14:59

O ponto de JMT, com toda a razão, é a CML financiar templos. O problema não é ser uma mesquita.

E ainda que se queira fazer um templo, com o qual não concordo, ainda mais ridículo é expropiar-se edifícios privados para o efeito. Mesmo com a justificação histórica e de que ali há crentes. Creio não haver muitos no Bairro Azul, mas isso não foi propriamente um problema.
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De Luís Lavoura a 31.05.2016 às 17:41

O ponto de JMT, com toda a razão, é a CML financiar templos.

Pois, mas se JMT quer discutir esse ponto, então seria bom que o discutisse relativamente a outros templos, em particular os católicos. Como é dito neste post, a CML também financia igrejas.

E não é somente a CML. Praticamente todas as igrejas que há neste país são apoiadas financeiramente pelas respetivas Câmaras Municipais. Ou pensa que são somente os católicos quem, com o seu dinheiro, efetua as reparações que vão sendo necessárias nas igrejas?

ainda que se queira fazer um templo, ridículo é expropiar-se edifícios privados para o efeito

Os edifícios não são expropriados para se construir um templo mas sim para se implementar um plano de reurbanização, o qual inclui, entre muitas outras coisas, um templo. Como é que pensa que a maioria das grandes cidades chegaram ao estado em que estão hoje? Muitas delas foram objeto de grandes planos de reurbanização que envolveram a expropriação e demolição de montes de prédios! Paris é um bom exemplo...
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De João André a 01.06.2016 às 09:24

Bem argumentado Luís. Concordo.
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De Vento a 03.06.2016 às 13:21

Na realidade, Luís, são os crentes que financiam as reparações nas igrejas. O estado, ou os organismos públicos locais, só entram a financiar quando o património é de interesse cultural. Aqui toda a comunidade beneficia. A preservação da memória é trabalho comum.
Não esqueçamos também aquelas instituições privadas que ao abrigo da lei do mecenato também contribuem para a reedificação do património sacro.

No restante estamos de acordo.
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De João André a 01.06.2016 às 09:24

O ponto de JMT é o de querer atacar um governo de esquerda. Este aspecto que ele refere é apenas tangencial. É por isso que é mal informado e que o Paulo Granja termina o texto com a insinuação que JMT nem sequer é um bom jornalista.

Se JMT fosse honesto pedia uma maioria qualificada que acabasse com os privilégios de todas as religiões pelo estado (incluindo concordata) ou então pedia para estender os benefícios da IC às restantes religiões.

A construção desta mesquita reflecte o reconhecimento de uma comunidade, não uma religião. Tal como o apoio a estádios de futebol (penso ser uma situação pior) também reflecte a existência de comunidades de apoiantes de um clube.
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De João Pedro a 02.06.2016 às 01:11

Se um determinado estado reconhece uma comunidade, como diz acima, com determinadas características culturais, nomeadamente as religiosas, e lhe concede determinadas regalias, por maioria de razão deve reconhecê-lo ainda mais a uma religião que não só é maioritária com determinou a cultura, os costumes e a própria matriz civilizacional do país (e que até o precede historicamente). Exactamente porque essa religião determina toda uma comunidade é que existe a Concordata. Apoiar a construção de um templo de uma religião minoritária e ignorar olimpicamente, neste caso, o catolicismo, seria um perfeito absurdo e uma discriminação inaceitável.
De resto, uma coisa é a conservação de igrejas por razões patrimoniais - e ao contrário do que se diz acima, são as paróquias que o fazem na sua maioria, como o comprova o caso da igreja lisboeta de S. Cristóvão - ou a apoio a certas entidades pelo trabalho social e cultural que desenvolvem, como os exemplos descritos no texto; outra é o apoio à edificação de templos novos. Nesse caso, não o devem fazer em relação a igrejas católicas (e de resto fui estudar o caso do projecto adiado sine die da nova catedral e verifiquei que não haveria apoios da CML mas perequação de terrenos) nem a outras.
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De T a 31.05.2016 às 18:38

E tratar dos restaurantes do Monsanto? Não é prioridade?
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De João André a 01.06.2016 às 09:25

O único Monsanto que conheço é um colega e nunca me falou de ter restaurantes. Lamento mas terei que lhe perguntar sobre o assunto antes de escrever sobre isso...
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De T a 01.06.2016 às 10:19

Eu ajudo.

http://miseriasdelisboa.blogspot.pt/2015/09/luneta-dos-quarteis.html

http://observador.pt/2015/02/08/panoramico-de-monsanto-o-miradouro-perfeito-de-lisboa/
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De cristof a 31.05.2016 às 19:26

Não acho bem que os dinheiros públicos sejam usados para credos. Acho que J André tem razão em criticar o JMT por ter deixado o sumo da noticia de fora.
Os credos, devem ter toda a liberdade de culto , mas as crianças deviam ser protegidas por lei nacional e impedidos os credos, de lhes impingirem as predicas antes dos 14 anos, e serem eles)crianças) a escolher livremente.
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De João André a 01.06.2016 às 09:32

Caro Cristof, concordo consigo em vários aspectos mas aponto um ou outro aspecto:

1) o texto reflecte a minha opinião, mas não é da minha autoria.

2) não concordo com esse "período de nojo" em relação à escolha de confissão religiosa. Qualquer pessoa pode mudar de religião num país livre. Pessoalmente prefiro dar a liberdade aos meus filhos para escolherem como entenderem, mas compreendo que pais possam querer baptizar filhos, ou introduzi-los a outras fés. Podem sempre sair delas ou mudar.
O essencial seria que as crianças não fossem endoutrinadas numa religião (há maior possibilidade de escolherem a religião dos pais se forem introduzidas nela a fundo), mas tem que haver liberdade ds pais para educarem os filhos de acordo com os seus valores e a religião é indubitavelmente um deles. Nisto não se pode de forma nenhuma mexer.
Assim escreve um ateu.
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De Vento a 31.05.2016 às 20:39

Há uma coisa que ainda não entendi. Será que o facto do estado ser laico significa que a laicidade deve ser implantada entre as gentes de tal estado?

Pois se as gentes de tais estados não são laicas, financie-se tanto quanto possível a cultura e a religião de cada gente.
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De João André a 01.06.2016 às 09:34

Caro Vento, não diria "tanto quanto possível", mas no essencial concordo. Também financiaríamos uma exposição de arte religiosa de outras religiões (imaginemos uma exposição de ícones ortodoxos, que são belíssimos e foram importantes para influenciar o Renascimento).

Há quem não compreenda a diferença entre laicidade e ateísmo.
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De Vento a 03.06.2016 às 13:43

Caro João,
sempre combati o racismo cultural. Já deixei por aqui textos que revelam este combate, e também contra o imperialismo dogmático sobre a democratização das gentes de outras paragens.

A arte do renascimento tem tudo a ver com a influência judaico-greco-romana-cristã. Mas também não podemos deixar de abordar o renascimento português que se torna bem patente no lirismo e na epopeia camoniana.

A visão teocêntrica mescla-se com o antropocentrismo, que muito vai ao encontro do que já por aqui referi: "o instinto religioso do homem não é histórico. É o desenvolvimento desse instinto que constitui um excelente registo histórico".
No fundo o renascimento revela um dos primados do cristianismo, ainda que o ambiente em muitos sectores também seja constituído pela denominada fé cega.

Hoje compreende-se, quem compreende, que a razão é iluminada pela fé, mas a razão está lá. E a ciência, à falta de respostas para o sentido da vida e de uma vida com sentido, vem descobrindo que o sentido da fé permite a visão do Homem todo e de todos os homens. A ciência tornou-se vaidosa e sectária, e começa a descobrir o quanto ainda ignora.
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De Anónimo a 01.06.2016 às 01:03

"E sim, a CML, e não o Partido Socialista, apoia financeira e logisticamente, várias outras confissões religiosas"
.
Lisboa deve deixar de ser a Capital de Portugal...A Capital de Portugal a apoiar a Islamização de Portugal!!?? Madrassas na Mouraria !!!???...Num momento tempo de ataque a Civilização Cristã em Portugal, Lisboa manda Construir uma Madrassa na Mouraria e manda destruir as escolas Católicas..Lisboa agora segue a escola de Londres !!!??? persegue os Católicos e promove os Judeus-Protestantes-Mecca....
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De João André a 01.06.2016 às 09:34

Mais um comentário estúpido, ignorante e trollista.

Nem merece mais resposta.
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De Anónimo a 01.06.2016 às 13:15

Houve discussão pública em 2012? De facto houve, no papel e na vida corriqueira de quem se acha dono e senhor da razão. Mas na realidade não, não houve! A discussão pública acontece agora, quando finalmente todos ficámos a perceber o que se pretende fazer, ou pelos jornais, televisão ou internets, e mesmo assim não se percebe bem. Qual mesquita? Onde é que está o estudo para podermos ver? E porquê demolir os prédios do tal particular? O resto do espaço não chega? Tem mesmo de ser uma praça quadrada? Pois é, é a nossa sociedade quadrada, é mais um excelente exemplo típico da "discussão pública" que os nossos governantes tão amavelmente nos presenteiam, exactamente da mesma forma que o Bruno Nogueira nos propunha na TSF as "sugestões para o fim de semana que passou".

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