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Dupla injúria

por Pedro Correia, em 20.07.15

Um ano depois da  obscena luz verde concedida à admissão da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o país gerido com punho de ferro pelo ditador Teodoro Obiang continua a ser uma das mais ferozes tiranias do planeta. Com todo os opositores encarcerados ou exilados, os partidos políticos ilegalizados, a liberdade de imprensa estrangulada, o poder judicial transformado em mero braço das decisões soberanas do Presidente da República e um sem-número de "execuções extrajudiciais" nos hospitais e nas prisões denunciadas pelas associações de direitos humanos.

Continua a ser um país onde vigora a pena de morte, contrariando todas as promessas do ditador (mas quem pode confiar numa palavra de Obiang?). E continua a ser também um país onde ninguém fala português: no último ano, como hoje escreve a jornalista Ana Dias Cordeiro no Público, apenas houve um curso intensivo do nosso idioma, "durante três meses, dado a sete funcionários públicos" daquele país.

A simples ideia de conceber a Guiné Equatorial como país "parceiro" do nosso parece-me uma dupla injúria - aos direitos humanos e à língua de Camões e de Sophia. Infelizmente é um "facto incontornável", como se diz hoje em dia no jargão político cá do burgo.

Algo que me envergonha como português.

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39 comentários

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De Anónimo a 20.07.2015 às 19:27

Envergonha qualquer português que dê prioridade aos direitos humanos, mas também deveria envergonhar, todos aqueles que mantêm relações comerciais, com tal criatura. Como é possível, um país, governado por dum tirano que não fala a língua portuguesa, pertencer à CPLP? Isto se não fosse real, qualquer um, diria ser anedota. Infelizmente, os direitos humanos existem no papel, muito bonitinho, mas na prática poucos olham para eles. Mundo louco, este, onde o dinheiro, é prioridade e o humano, é por muitos considerado lixo.
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De Pedro Correia a 20.07.2015 às 21:03

Como é que este país, que viola todos os direitos humanos e se está borrifando para a língua portuguesa, pode ser considerado nosso parceiro na CPLP?
Foi uma das etapas mais vergonhosas da nossa diplomacia nos últimos anos.
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De Costa a 20.07.2015 às 21:30

Isto que aqui se assinala, com a vergonha que ninguém de bem pode deixar de sentir, na diplomacia; na cultura - e na história, na defesa do que antes e depois de tudo nos identifica - com o acordo ortográfico de 1990, por sinal tão pressurosamente defendido, aqui na "blogosfera", por certo e tão admirado experiente diplomata.

Não, a diplomacia portuguesa não vive uma época de que se possa orgulhar. O futuro assim o consagrará, estou certo. E tenho pena.

Não tanto pela diplomacia portuguesa (essa passa, como os homens e mulheres que a materializam a cada momento, sejam quais forem as ilusões de cada um, sem merecer mais, no longo prazo e pelo rumo que toma, do que uma nota de pé-de-página em obscuros manuais de academia), mas pelos danos perenes que ficarão para Portugal.

Tão mais perversos por auto-infligidos.

Costa
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De William Wallace a 20.07.2015 às 22:44

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De lucklucky a 20.07.2015 às 21:50

A favor do boicote a Cuba?
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De Pedro Correia a 20.07.2015 às 22:05

Contra. Vigora desde 1961 e apenas serviu para perpetuar a ditadura comunista e condenar o povo à miséria. Obama andou bem em descongelar as relações diplomáticas. Hoje é um dia histórico na diplomacia norte-americana. Mais um.
Mas o que é que Cuba tem a ver com a adesão da Guiné Equatorial à CPLP? Por acaso até haveria mais lógica em vermos Cuba na CPLP: a esmagadora maioria da imigração espanhola na ilha é de origem galega - ou seja, parente próxima dos portugueses. Começando pelo pai dos Castro.
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De Costa a 20.07.2015 às 22:10

E por lá esteve, como cônsul, certo escritor português...

Costa
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De Pedro Correia a 20.07.2015 às 22:18

Essa é que é Eça.
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De sampy a 20.07.2015 às 22:27

Portanto: boicotar Cuba é perpetuar a ditadura; acolher e integrar a Guiné Equatorial é perpetuar a tirania. Baita lógica...
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De Pedro Correia a 20.07.2015 às 23:07

Que conversa de chacha. Num caso aplauso o restabelecimento das relações diplomáticas entre Washington e Havana, que tinham sido rompidas há 54 anos. No outro caso contesto a "parceria" entre Portugal e a Guiné Equatorial na CPLP.
Ninguém defende o corte de relações com a Guiné Equatorial nem nenhum embargo a esse país semelhante àquele que ainda vigora em relação a Cuba e foi decretado pelo Presidente Kennedy em 1962.
Contesto, isso sim, que um país onde ninguém fala português e mantém em vigor a pena de morte seja nosso "parceiro" na CPLP. E fique descansado: também contestaria uma putativa adesão de Havana à CPLP.
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De sampy a 21.07.2015 às 00:00

A adesão da Guiné Equatorial à CPLP trouxe consigo a abertura da embaixada daquele país em Portugal. Um pequeno sinal de como as coisas estão ligadas.

Infelizmente, há quem continue a confundir a CPLP com a Associação Internacional dos Amantes Democráticos da Língua Portuguesa, recentemente filiada na Federação Etimológica dos Amigos da Hélade...

O facto é que todos os outros membros da CPLP votaram favoravelmente a adesão da Guiné Equatorial. E das duas uma: ou se respeita democraticamente a maioria, ou se toma a porta de saída. O tempo da Metrópole já era.

Quanto ao lamento pela falta de docência do português: tem conhecimento de algum projecto elaborado pelas nossas universidades ou pela Associação dos Professores de Português que tenha sido rejeitado por Obiang? Ou acha melhor esperar que o querido ditador imponha o ensino do português e o torne obrigatório, em mais um atentado aos direitos humanos?
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De Pedro Correia a 21.07.2015 às 07:18

Só há novas adesões à CPLP por voto unânime dos países que a integram. Portugal já antes tinha vetado a entrada da Guiné Equatorial. Alegando factos lapidares: o ordenamento jurídico desse país prevê a pena de morte e ninguém lá fala a língua portuguesa.
Infelizmente, na nossa diplomacia, os princípios têm a lógica marxista, tendência Groucho: se estes não servem, arranjam-se já outros. E assim foi.
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De sampy a 21.07.2015 às 14:15

Alardear princípios fica sempre bem.
Até vou ficar arreliado se o Obiang algum dia enfiar dinheiro no Sporting...
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De Pedro Correia a 21.07.2015 às 14:27

Eu não confundo o Estado português com nenhum clube desportivo. Mesmo que seja o clube de que sou adepto.
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De sampy a 21.07.2015 às 14:40

Longe de mim confundir o cidadão Pedro Correia com o sportinguista Pedro Correia. Cada um com os seus princípios.
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De Pedro Correia a 21.07.2015 às 16:48

Exactamente o mesmo princípio. De repúdio pela "parceria" vigente entre o Estado português e a Guiné Equatorial na CPLP. De repúdio por qualquer entrada de capital com essa proveniência na SAD do Sporting, algo que - tanto quanto sei - não aconteceu.
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De sampy a 21.07.2015 às 21:54

Aguardemos.
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De Pedro Correia a 27.07.2015 às 12:31

Aguarde então. E verá que não se arrepende.
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De João Carlos Reis a 21.07.2015 às 20:57

Prezado sampy,
«Alardear princípios fica sempre bem.» é uma grande verdade e em teoria muito linda e bonita... mas pô-los em prática é muitíssimo mais lindo e bonito, pois haveria muito mais justiça social, justiça jurídica e justiça fiscal. Mas as pessoas não querem... e em particular quanto mais poder detêm normalmente menos gostam de princípios... e depois queixam-se...
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De sampy a 21.07.2015 às 21:55

Tente dizer isso em grego...
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De João Carlos Reis a 22.07.2015 às 01:17

É só uma questão de traduzir para Grego ou qualquer outro idioma...
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De João Carlos Reis a 21.07.2015 às 20:47

Prezado sampy,
«Infelizmente, há quem continue a confundir a CPLP com a Associação Internacional dos Amantes Democráticos da Língua Portuguesa, ...»... bem... só faz confusão a quem gosta de usufruir da Democracia... e os outros que se lixem...
Além do mais, consta nos princípios da CPLP os estados-membros serem democráticos.
No que respeita a «...: ou se respeita democraticamente a maioria, ...» é muito bonito, mas não é isso que consta das regras da CPLP. O que consta é a unanimidade. Mas mesmo assim não equivale a dizer que uma ou outra sejam as mais correctas e/ou justas em todas as situações, mas isso é outra conversa...
«O tempo da Metrópole já era.» é uma grande verdade, mas não é menos verdade que o respeitinho é muito bonito e que nós somos, quer gostem, quer não, «primus inter pares» também é verdade... só é pena os nossos subservientes governantes não assumirem essa prerrogativa...
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De sampy a 21.07.2015 às 22:27

Por partes:
- se eu quisesse ter escrito "Amantes da Democracia", te-lo-ia feito. O que eu queria dizer é que os Correios não são o clube de filatelia. Mais fácil de entender?
- "consta nos princípios da CPLP os estados-membros serem democráticos". A vontade de rir é muita, mas contenho-me.
- "o que consta é a unanimidade". Essa já o Pedro Correia tinha atirado para a mesa. Mas, afinal, não foi o que aconteceu? Há que trabalhar melhor esse argumento...
- "que nós somos, quer gostem, quer não, «primus inter pares»". Já eu preferiria «secundus» e deixaria a primazia para os gregos.
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De João Carlos Reis a 22.07.2015 às 01:17

Prezado sampy,
como dizia o talhante, «vamos por partes»:
- pois... não há nada como escalarecer as coisadas... eheheheheheheh...;
- bem... eu rio-me para não chorar...;
- infelizmente foi o que aconteceu, mas apesar da Guiné Equatorial já ter sido uma colónia portuguesa, a sua admissão na CPLP, pelo menos nas actuais condições, não devia ter acontecido... e não é preciso trabalhar no argumento...;
- é outro assunto, mas também devia ser assim... isto se os nossos governantes e empresários trabalhassem para nos pôr economicamente a par da Alemanha, Bélgica, da Dinamarca, da Finlândia, da França, do Luxemburgo, dos Países Baixos ou da Suécia... aí sim é que devíamos ser «primus inter pares»... mas infelizmente na actual situação prefiro que sejamos «ultimus»...
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De Pedro Correia a 27.07.2015 às 12:37

Se a Guiné Equatorial, por ter sido em séculos idos "uma colónia portuguesa", adere à CPLP com aplausos unânimes, por maioria de razão devem aderir a China (onde existe Macau, ex-território sob administração portuguesa), a Índia (Goa, Bombaim, Damão, Diu, etc), a Indonésia (Flores, Timor Ocidental, etc), a Malásia (Malaca), o Uruguai (Sacramento), o Senegal (Casamansa), o Irão (Ormuz), Marrocos (Tânger, Arzila, etc, etc), as Maldivas (que foram possessão portuguesa no século XVI), a Tailândia (onde tivemos uma feitoria). E por aí fora. Se mais mundos houvera, lá chegara.
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De João Carlos Reis a 28.07.2015 às 07:27

Prezado Pedro Correia,
bem... eu não me importava nada disso... desde que cumprissem, como sempre tenho vindo a afirmar, as exigências dos estatutos da CPLP, o que, como também sempre tenho vindo a afirmar, não é o caso da Guiné Equatorial.
Mas eu também me estava a referir a países, não a parcelas de países. Neste aspecto faltou-lhe a ilha de Taprobana. No que respeita às feitorias, é um caso à parte, pois eram só uma espécie de embaixadas comerciais, e que também tivemos uma em Amesterdão... No caso particular do Reino de Sião convém dizer que o idioma para as relações internacionais daquele reino foi, até início (ou meados, já não me recordo bem) do século XIX, o Português.
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De lucklucky a 21.07.2015 às 12:57

"(O boicote) Vigora desde 1961 e apenas serviu para perpetuar a ditadura comunista e condenar o povo à miséria. "

Hmm. Então foi o Charlie Hebdo que serviu para provocar o atentado...
As sanções contra o África do Sul também foram erradas...
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De Pedro Correia a 21.07.2015 às 13:00

Que tem a ver o embargo a Cuba decretado por Kennedy há mais de meio século com o Charlie Hebdo? Não consigo acompanhá-lo nesses flic-flacs.
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De jj.amarante a 21.07.2015 às 00:09

Por aqui se constata que a TINA não se aplica a tudo. Há quem considere, por exemplo, que não existe alternativa às políticas económicas impostas a toda a UE pelos países beneficiários do Euro. Já em relação ao "acordo" ortográfico da lusofonia há quem ainda não tenha perdido a esperança que ele seja revogado. E constato agora que também existe gente que considera que existe alternativa ao erro que foi admitir na CPLP a Guiné Equatorial. Só no 1984 é que não havia alternativa a que 2+2 fossem 5. De uma forma geral, para assuntos complicados e incertos existem sempre várias alternativas.
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De Pedro Correia a 21.07.2015 às 07:15

O pior que existe na nossa diplomacia são as famigeradas "cimeiras da lusofonia" em que adoramos levar uma prenda especial aos anfitriões. Assim foi parido o chamado "acordo ortográfico": Cavaco Silva ia ao Brasil, à primeira cimeira da CPLP, e quis levar esse aborto na bagagem para ser recebido (pensava ele) com um sorriso mais rasgado pelo inquilino do Palácio do Planalto. O mesmo aconteceu em 2008, por ocasião de uma visita de Sócrates ao Brasil: como o AO estava hibernado desde 1990, descongelou-se o dito à pressa para servir de prendinha em Brasília. Isto apesar de os brasileiros se estarem olimpicamente nas tintas para o tal acordo, que não serviu para nada a não ser instituir a anarquia ortográfica deste lado do Atlântico.
Com o ditador Obiang repetiu-se o procedimento: Portugal entendeu que não devia ser desmancha-prazeres em relação aos anfitriões da cimeira de Díli, em 2014, e optou por levantar o certíssimo veto que antes impusera à adesão da Guiné Equatorial à CPLP.
Sempre o mesmo padrão. Sempre a mesma diplomacia agachada.
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De Luís Lavoura a 21.07.2015 às 09:40

Quando chega o verão, a classe política portuguesa põe-se a discutir assuntos como a morte de touros em Barrancos ou a pertença da Guiné Equatorial à CPLP.
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De Pedro Correia a 21.07.2015 às 11:22

Não tenho ouvido a "classe política portuguesa" discutir touros. Só se for o Minotauro, lá na Grécia.
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De Makiavel a 21.07.2015 às 11:15

Completamente de acordo.
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De cuco a 21.07.2015 às 18:41

Eu pergunto-me se os vários comentadores têm algum conhecimento in loco da Guiné Equatorial?
Já porventura estiveram até em outros países Africanos, sei lá: Angola, Senegal, Cabo Verde, Togo, Gana, Tanzania,... já estiveram no Brasil??
É que a opinião formada, somente com base em opiniões publicadas (na leitura de blogs, livros, televisão, etc) é muitas vezes errada. Não desvalorizando a opinião publicada é bom ter experiência real e práctica.
Meus caros, com algumas poucas excepções, África não está preparada para a democracia, que só "funciona" para níveis superiores de educação.
O regime que funciona é a ditadura e por vezes tem de ser musculada. Perguntem aos cidadaos Libios e aos Iraquianos se é melhor o presente ou a época das respectivas ditaduras!
A Guiné Equatorial é dos poucos países Africanos onde se caminha tranquilamente nas ruas sem medo.
Na ilha do Bioko, onde fica a capital Malabo, nunca passei numa estrada de terra batida nem de empedrado... Não vi pessoas a passar necessidade como se vê em grande parte dos países de África nem os bairros de lata tipo musseque.
A nivel de infra-estruturas experimentei rede eléctrica e de distribuição de água a funcionar. Sabem qual é o standard emÀfrica!!??
Existe uma institucionalizada cultura do líder é facto. Também acredito que quem disser mal do líder pode sofrer graves consequências.
Mas eu pergunto: quem é mais livre?
-Aqueles que podem circular livremente e em segurança mas que não podem dizer certas coisas,
- ou aqueles que podem dizer tudo, mas fechadinhos nas suas casas ou nos seus circuitos de conforto, sem poderem por um pé num local um bocado desconhecido, em que o medo da bandidagem é uma sombra constante?
Quanto a pertencer à CPLP, acho muito bem. Existe uma grande proximidade a São Tomé e também uma crescente proximidade de interação com Cabo Verde.
A CPLP beneficia com a integração da Guiné Equatorial no grupo e pode assumir um papel de aculturação da Guiné Equatorial.
Entre a CPLP, está-se numa fase muito avançada de relacionamento entre 3 continentes e Portugal é até (como o país Europeu do grupo) o que mais pode beneficiar.
Existe um pré-conceito dos Guineenses muito anti-europeu, que resulta da administração e ingerência de Espanha. Portugal pode mostrar que é diferente, que funciona num comunidade de países Africanos, Europeu e Sul-Americano, numa lógica de igualdade e respeito (e valorização) das diferenças, como "pessoa de bem".
Como país pequeno que somos, a nossa única força é a rectidão de conceitos e valores e a lisura de procedimentos. Esta postura granjeia, a seu termo, retorno:
- negócios
- aculturação
- referência para a organização social

A Guiné Equatorial é uma oportunidade, levada por bem.

Digam-me lá que efeito teria um boicote de um país com quem temos zero transações?


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De sampy a 21.07.2015 às 23:20

Plenamente de acordo.

Algumas achegas:
- "Existe um pré-conceito dos Guineenses muito anti-europeu, que resulta da administração e ingerência de Espanha." A que se soma o ressabiamento gaulês por Obiang resistir continuadamente à assimilação francófona. Mais a dor de corno da esquerdalhada europeia por a bandeira guineense não ostentar a foice e o martelo.
- "Existe uma grande proximidade a São Tomé e também uma crescente proximidade de interação com Cabo Verde." Para países ilhéus, é essencial contar com uma base continental. A opção pela Guiné não é apenas geográfica; a verdade é que, como foi referido, o regime ditatorial originou uma estabilidade política e de segurança que, em África, é de um valor precioso.

E há ainda a questão do petróleo e das potencialidades de uma aliança entre a Guiné, Angola, Brasil e Timor. A guerra no sector intensifica-se de dia para dia. O que estão a fazer à Petrobras não é de forma nenhuma inocente (mesmo que se tenha de reconhecer que os seus responsáveis se deixaram apanhar com as calças na mão).
Sem falar do avanço do islamismo e da ameaça terrorista, que torna urgente os que ainda resistem tratarem de se aliar e se proteger mutuamente (e podemos dar já Bissau por perdida)...
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De Pedro Correia a 22.07.2015 às 15:45

O petrol justifica o portuñol. Fica tudo dito.
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De sampy a 22.07.2015 às 20:32

O maldito petrol paga os salários dos milhares de trabalhadores lusófonos actualmente radicados na Guiné Equatorial.
E, estou em crer, qualquer um deles faz mais diariamente pela expansão da língua portuguesa que 1000 posts do avergonzado Pedro Correia.
Tenho dito.
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De Pedro Correia a 27.07.2015 às 12:32

Olhe que não, olhe que não. Tal como o dinheiro não tem cheiro, como ensinou o imperador Vespasiano, o petróleo pode ter aroma mas não tem idioma.

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