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Não tenho dúvidas de que hoje em dia está na moda dizer mal da União Europeia e de tudo que ela faz e representa. Os políticos europeus estão na linha da frente desses "ataques", muitas das vezes esquecendo-se o que essa mesma União (ou Comunidades, dantes) deu e contribuiu para o progresso e salto civilizacional deste Continente. O povo, naturalmente, vai atrás, criticando sem saber bem do que fala, embora, também se deva dizer que as supostas elites pensantes que pululam pelos meios de comunicação social são mais críticas em relação à UE do que os cidadãos comuns, que, apesar de tudo, são mais justos na análise que fazem aos benefícios e virtudes da Europa Comum. E no meio desta ânsia mediática de se criticar e dizer mal, acaba-se por dar ênfase ao que está errado (e há muita coisa) e ignorar o que diariamente é feito de positivo ao nível comunitário e devidamente comunicado pelas instâncias de Bruxelas. Mas, a questão é que isso pouco interessa às redacções e essa informação não tem espaço nos alinhamentos de comentários dos muitos "especialistas" que se redistribuem pelos vários canais noticiosos. 

 

Há dias, tivemos um bom exemplo disso, com a União Europeia a dar um passo político muito importante na sua história ao ter, pela primeira vez, como um todo, ratificado um acordo internacional, optando por não esperar pelas ratificações nacionais dos Estados-membros. Pouco se ouviu falar sobre isso, mas o que é certo é que os ministros de Meio Ambiente dos países-membros da UE aprovaram no passado dia 30, em Bruxelas, a ratificação do Acordo de Paris, que determina as directrizes universais para o combate ao aquecimento global. A decisão foi aprovada por unanimidade, num raro avanço político na UE. Os ministros aprovaram, na prática, a aceleração do processo de ratificação, sem esperar pela implementação do acordo em cada Estado-membro. De notar que apenas sete países da União Europeia já tinham concluído esse procedimento de ratificação nacional. Entretanto, o Parlamento Europeu também já aprovou a ratificação do Acordo de Paris, estando, agora, fechado o processo político e aberto o caminho para a sua entrada em vigor, no prazo de 30 dias. Sublinhe-se que para entrar em vigor, o Acordo de Paris precisava da ratificação de, pelo menos, 55 países responsáveis por 55% das emissões de gases com efeito de estufa. Até agora já tinha sido ratificado por 62 países, mas estes representavam apenas 52% das emissões, incluindo os dois maiores emissores – a China (20% do total) e os EUA (18%) –, pelo que a ratificação da UE permitirá a implementação do compromisso, 30 dias depois de a mesma ser depositada na ONU.

 

Ora, além da importância óbvia da entrada em vigor do Acordo de Paris (e isso foi noticiado timidamente no meio de tantas outras notícias), existe a vertente política no âmbito do processo europeu e esse enquadramento esteve praticamente ausente da imprensa e televisões portuguesas. É pena, porque este processo é um dos bons exemplos de como a Europa pode estar ao serviço de grandes causas, desde que haja consenso entre os líderes europeus. E era bom que isso fosse explicado e salientado.   


5 comentários

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De Anonimo a 19.10.2016 às 20:14

Uma organização que tem centenas de funcionários a viajar de avião, carro e comboio todas as semanas ... com saudades da família .
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De Anónimo a 19.10.2016 às 22:32

Os funcionarios das instituiçoes terão direito a viajar como os demais, nao?
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De lucklucky a 20.10.2016 às 05:18

Nada de wikileaks não é?

Na Áustria a Democracia está suspensa. Está-se à espera que hajam "ventos favoráveis" para poderem voltar a acontecer eleições. A União está caladinha com esta suspensão da Democracia.

Nos Estado Unidos um Watergate aconteceu.
Mas também não é notícia.
Filmaram membros de organizações apoiantes Partido Democrata a dizer que contratam pessoas incluindo homeless para atacar e provocar encontros de apoiantes de Trump. Além de confessaram fraude eleitoral.
http://dailycaller.com/2016/10/18/exposed-dem-operative-who-oversaw-trump-rally-agitators-visited-white-house-342-times/

Wikileaks nunca mais se ouviu falar pois expõe o corrupto Jornalismo e a Esquerda.
CNN até já "avisou" que é "ilegal" consultar as Wikileaks e que só "jornalistas" o podem fazer...
https://www.techdirt.com/articles/20161019/07004935835/cnn-tells-viewers-illegal-them-to-read-wikileaks-document-dumps-cnn-is-wrong.shtml

Na Ucrânia a guerra continua.

Na Venezuela que os jornalistas portugueses tanto gostaram de noticiar e colocar Chavez na primeira página desde há algum tempo estão calados, entretanto com a falta de electricidade corpos explodem nas morgues.
http://www.maduradas.com/fin-de-mundo-un-cadaver-descompuesto-exploto-en-la-morgue-del-hospital-universitario-de-cumana/
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De Luís Lavoura a 20.10.2016 às 09:47

ratificado um acordo internacional, optando por não esperar pelas ratificações nacionais dos Estados-membros

E isso não é uma ilegalidade, à luz dos tratados europeus?

E, se fôr uma ilegalidade, não deve ser condenada?

E o que acontecerá se um ou mais países da União optarem por não ratificar (e não cumprir) o acordo? Que farão aqueles que optaram por o ratificar?
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De Miguel a 20.10.2016 às 10:35

Talvez essa unanimidade fácil tenha algo a ver com o facto desse acordo ser não vinculativo. Aliás, se o fosse, não passaria no senado americano. Obama insistiu que fosse um acordo (agreement) e não um tratado (treaty).

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