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Delito de Opinião

Uma enorme vaia

Pedro Correia, 25.06.21

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O governo do partido do senhor Ferro Rodrigues proíbe-nos há 15 meses de assistir a jogos de futebol em Portugal e há poucas horas reiterou essa interdição em toda a Área Metropolitana de Lisboa. Alegando motivos sanitários.

Entretanto, o próprio senhor Ferro incentiva os portugueses, proibidos de frequentar estádios em Portugal, a encher um estádio... em Espanha. Por espantosa coincidência, precisamente na zona de Espanha onde existe maior risco sanitário.

 

Obedecendo a fidelidades tribais, há quem bata palminhas a isto.

Da minha parte vai uma enorme vaia.

7 comentários

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    Costa 25.06.2021

    Enquanto Ferro Rodrigues for quem é na hierarquia do estado (do estado a que isto chegou, de facto), e não consta que o tenham forçado, sob insuportável coacção a sê-lo, é-o em cada instante. Em público, pelo menos. Você, anónimo, esquece-se muito convenientemente deste facto. E não é o único. Mas lembre-se que António Costa o invocou, esse facto, há uns anos para afastar um ministro.

    Bem sei que aqui não estamos no estrito âmbito da hierarquia governamental. Mas estamos no plano dos princípios. Sendo certo que desde então Costa também o esqueceu. Este, pelo menos. Completamente.

    Não se vê onde haja na invocação destes factos a vontade de fuzilar quem quer que seja. A menos que a tanto equivalha pretender, de quem detém por cá vou poder, um módico de decência elementar. Já a leitura do seu comentário gera a sensação de que você tem um espírito de Abril, de facto. Um que antevia com entusiasmo a arena do Campo Pequeno cheia de gente.
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    Anónimo 25.06.2021

    Tinha que aparecer uma virgem ofendida! Quem conhece o mundo dos adeptos de futebol sabe que depois dos jogos a lucidez é um estado mental praticamente inexistente, ainda por cima num adepto do Sporting como o Ferro Rodrigues embriagado e de pança cheia por uma overdose de títulos e festejos pouco católicos. Oh senhor Costa dê a costa não seja cabeçudo ou em Sevilha não há Arco Íris?

    Atenção: Este comentário é apenas um apelo ao respeito e a calma, com a devida higienização da linguagem.

    Ana Isabel
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    Costa 25.06.2021

    D. Ana Isabel, eu suponho que este seu comentário se reporta ao meu imediatamente anterior. Se a senhora pretende enfatizar que o futebol exerce sobre uma parte dos seus amantes um efeito de perturbação mental ao ponto de os privar de lucidez, é uma sua opinião. Absolutamente legítima, aliás, e que - como poderá constatar se se der ao enfado de ler o que ao longo dos anos por aqui tenho comentado - genericamente partilho. O que na matéria nos parece afastar é isso da senhora parecer achar tal estado de demência, mesmo que temporário, absolutamente natural, justificado e desculpável, talvez mesmo de louvar. E eu definitivamente não pensar assim.

    Não pensar assim desde logo quanto ao comum cidadão, a quem nenhuma alegria ou tristeza desportiva (pois que é disso que se trata: de desporto, apenas - e escrever isto em nada memoriza o valor da prática e afeição desportivas -, e não de questões de vida ou morte, de honra ou ruína pessoais) deveria permitir eximir-se impunemente ou com especial tolerância pública a elementares deveres de ordem, respeito, educação, decência. E não pensar assim, e com muito mais severidade, quando em causa estão figuras representativas do topo da hierarquia do estado. Que, insisto, nunca o deixam de ser, mesmo por vezes depois da cessação dos seus mandatos: com o estatuto, seus privilégios, prerrogativas e autoridade vem, deveria vir, acrescida responsabilidade. A tal "gravitas" dos antigos, enfim.

    Quanto ao mais que escreveu, talvez queira fazer o favor de o reformular. Permita-me a observação de que lhe faltará talvez um pouco de clareza.
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    Anónimo 26.06.2021

    Sim e nao...
    Ou seja, nao deveria uma figura de relevo do estado, esquerda, centro ou direita, no calor de "seja-la-o-que-for", fazer afirmacoes imprudentes e insensatas, mas se as fez, deveria de imediato retratar-se e repor o que e correcto, nunca por razoes politicas mas sim por razoes de saude publica.
    Aqui concordo plenamente com a Exma Sra Ana Isabel, nada de extremamente grave e nao "cai o Carmo e muito menos a Trindade".
    O mais triste e infeliz, e por isso respondo ao "Sr. Costa",(e ao autor do texto ja de seguida) e que e em qualquer situacao, tudo tenha aproveitamento politico ou pelo menos indexacao politica.
    O Sr. Ferro Rodrigues foi ver o jogo de Portugal, como pessoal normal (julgo eu...) e nao como Presidente da Assembleia da Republica, e se assim foi, mais grave sera, porque nao percebo porque raio tenha eu que pagar deslocacoes de politicos a jogos de futebol.
    E tao idiota ligar o que disse o cidadao Rodrigues no fim do jogo a qualquer partidarismo ou politiquice, como e para mim completamente ilogico achar que o VAR e composto por gatunos pagos pelo benfica (apesar de ser Sportinguista de coracao...).
    Sff chamem parvas as pessoas sem ter que indexa-las a esquerda ou direita, ao partido no poder ou na oposicao, chamem-lhes "PARVOS, SO PORQUE O QUE DISSERAM E PARVOICE"...
    Mas o que nao percebo no artigo (e no autor) e ainda mais simples:
    - Se fosse permitido ver jogos por nao haver interdicao sanitaria, ja estava tudo bem? na situacao actual?
    E ridiculo alegar a "interdicao em vigor por razoes sanitarias", como razao para a indignacao sobre a imbecilidade que disse o Rodrigues, ou nao sera?
    Ou dito de outra forma, se nao houvesse interdicao, o que o Ferro Rodrigues disse ja nao era uma imbecilidade?
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    Costa 26.06.2021

    Anónimo ou anónima, dir-se-ia que escreve, permita-me a expressão, num "jorro". O que, bem vê, não facilitará o entendimento do conteúdo das suas palavras. Em todo o caso parece que divergimos quanto ao grau de reserva, de ponderação que em qualquer circunstância se deverá exigir do titular de um cargo público. Cargo de particular relevância, desde logo. Ora creio não elaborar numa teoria de conspiração, ou coisa similar, se parecer que ao sr. Rodrigues foi solicitado que prestasse declarações à comunicação social, no final daquele jogo, não por ser o sr. Rodrigues, um amante de futebol e apoiante de uma das seleccōes em campo, mas sim por ser o sr. dr. Ferro Rodrigues, presidente da A. R.. Foi o cargo na hierarquia do estado que suscitou o interesse dos enviados das estações de televisão. Mas está muito bem: admitamos que divergimos e por mim fiquemos por aqui: o que tinha a argumentar já o deixei em resposta à d. Ana Isabel.

    E não, o homem não só não se retractou, não só não pediu rapidamente desculpas invocando por exemplo a emoção do momento (e aí a coisa, não perdendo o que teve de gravemente desastrado, pelo menos, ao menos revelaria um homem dotado de um mínimo de civilidade; coisa que sabemos peculiarmente escassa na figura), como reiterou a sua intenção no encerramento da actividade semanal da assembleia a que preside. Se isto não é birra infantil, é coisa pior. E uma ou outra indignas de alguém na sua posição, pense ele (e nós dele) o que pensar.

    Em todo o caso, do que se sabe hoje, a questão tomou rumo de ainda maior desfaçatez. O sr. presidente da república não vai a Sevilha devido à situação epidemiológica por lá; não é por uma noção de decoro, de respeito, de solidariedade com a muito significativa percentagem de cidadãos portugueses que por estes dias vê a sua liberdade de circulação restringida, os seus empregos e negócios um passo mais perto da ruína, numa opção cuja valia material, atentos os fins pretendidos, está longe de ser pacífica e que, apropriada ou não sob essa perspectiva, é tomada em descarado desprezo pelas normas constitucionais aplicáveis. Não vai a Sevilha, o sr. presidente da república, porque aquilo por lá está mauzinho. E logo ele, catedrático de Direito...

    Ora não indo o presidente da república, o presidente da assembleia da república manda dizer que afinal não vai. Porquê? Porquê a ir seria como convidado do primeiro. E se este não vai... Portanto, a menos que o sr. Rebelo de Sousa pagasse do seu bolso a viagem do Sr. Rodrigues - uma liberalidade que poderia decerto tomar; e portanto até prova em contrário tal hipótese tem sempre que ser admitida - não será especialmente especulativo antever quem o faria.

    Bom, o sr. Rodrigues presidente da A. R. não vai, mas continua a incitar os portugueses a que o façam: que vão em massa à Andaluzia, onde as coisas em matéria da doença (nem é preciso dizer qual, pois por este tempo só há uma com dignidade de atenção pública) estão especialmente sérias. Ide, ide à Andaluzia à vossa vontade e em missão, está visto, de elevado patriotismo. Mas pensem bem, consultem a lista de excepções, confirmem se se enquadram solidamente numa delas, vejam bem se o podem "legalmente" fazer, antes de ir por exemplo de Lisboa às Caldas da Rainha comprar umas cavacas. É que podem acabar muito justamente acusados de pestíferos irresponsáveis.

    De resto, a acreditar na imprensa (e sempre com essa reserva que desgraçadamente os tempos aconselham a tomar), o srs. Sousa, Rodrigues e Costa terão acordado num esquema de representação oficial portuguesa nos jogos do campeonato em curso, definindo quem estará presente em cada jogo da selecção nacional de futebol e enquanto, evidentemente, esta estiver em prova. Esse plano parece prever que chegando-se à final lá estarão os três. E que quanto ao jogo de amanhã, vai o ministro da educação.

    Ou seja, os políticos vão à bola a expensas do erário público, sim senhor; e não é apenas à importante final, é a todos os jogos pois todos pelos vistos têm a dignidade de representação do estado. E o ministro da educação deve ser, por estes dias e atendendo ao buraco sanitário onde parece que se vai enfiar, o membro do governo mais descartável.

    Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira.
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    Anónimo 27.06.2021

    Ferro Rodrigues dá uma sapatada nos detractores da bola e é logo atacado pelas costas pelos dançarinos de salsa que expeditos montam este folclore para ver se o Presidente da Assembleia da República tem uma sincope de vergonha. Na falta de notícia, constrói-se uma notícia e os papalvos ficam de boca aberta.
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