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Delito de Opinião

Uma decisão pouco cristã

Sérgio de Almeida Correia, 29.07.20

Sobre o que aconteceu com o académico Éric Sautedé deu-se oportunamente conta, há mais de seis anos, em O regresso da idade das trevas, O regresso da idade das trevas (2) e O regresso da idade das trevas (3).

Ontem, Peter Stilwell prestou declarações no âmbito do processo judicial ainda em curso na primeira instância (não é só em Portugal que a justiça é lenta e tardia).

Entre outras coisas revelou que "o despedimento do académico Éric Sautedé da Universidade de São José (USJ) foi sem justa causa", que "não houve nenhum processo disciplinar", "nem [há] qualquer dúvida sobre o bom comportamento de Éric Sautedé enquanto professor".

Não vou comentar as suas declarações, nalguns pontos bastante discutíveis, mas registo o seu acto de contrição e a honestidade do depoimento, que só confirmou o que todos sabiam e não houve na altura coragem de dizer. 

Qualquer que venha a ser a decisão final, uma coisa é certa: a vergonha e o sofrimento infligidos ao visado e à família, com filhos menores e obrigados a mudarem de vida e de local de residência, jamais terá reparação.

E tudo isso, o despedimento e o que se lhe seguiu ao longo destes anos, independentemente da ilegalidade e de outras considerações que se possam tecer sobre a liberdade académica e a liberdade de expressão, ou o injustificável, foi muito pouco cristão, o que não se pode deixar de lamentar, mais a mais vindo de quem veio.

O tempo apaga muita coisa, é verdade, mas não apaga a dor, nem o erro.

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