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Uma campanha alegre (2).

por Luís Menezes Leitão, em 15.07.15

 

Já tinha dito aqui que não consigo resistir ao bom humor que me provoca a candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa. Este, porém, ultimamente tem andado a perder a graça, especialmente desde que António Costa lhe tirou o tapete. Já perdi a conta à enésima vez que nos apresenta a sua comissão de honra, composta pelos três ex-presidentes da república, a que agora procura juntar algumas personalidades do PS, a ver se consegue disfarçar o abandono a que foi votado por parte deste partido. Não conseguiu, no entanto, levar Basílio Horta a apoiá-lo, o que não espanta. Basílio Horta conseguiu fazer um percurso extraordinário, tendo passado de candidato presidencial do CDS contra Mário Soares a compagnon de route do PS. Pedir-lhe, no entanto, que apoie Nóvoa já representa um sacrifício superior a tudo o que ele pode suportar.

 

Mas hoje a alegria da campanha vem do anúncio da candidatura de Alberto João Jardim à presidência. O anúncio é tão absurdo que me pergunto se não será mais uma manobra de Marcelo Rebelo de Sousa para travar o avanço de Rui Rio. Na verdade, Marcelo já recorreu a este golpe uma vez, quando quis travar a candidatura de Mota Amaral à presidência da república em 1985. Percebendo o risco de o PSD apoiar Mota Amaral, Marcelo convenceu Jardim de que ele poderia ser candidato presidencial e que o iria apoiar. E de facto, quando o Congresso estava a discutir a candidatura de Mota Amaral, Marcelo vai ao palanque e anuncia que lhe parecia que Mota Amaral era um candidato fraco e que, a optar por um líder regional, o PSD deveria escolher antes um candidato populista, como Alberto João Jardim. Para surpresa de Jardim, os congressistas desataram a rir às gargalhadas, e assim morreu a candidatura de Mota Amaral.

 

Hoje, no entanto, Jardim preocupou-se em arranjar um programa presidencial revolucionário, não por acaso chamado "Tomada da Bastilha". Nesse programa refere que "o Presidente é o chefe do Governo", mas que "não pode ser demitido pela Assembleia da República, salvo incapacidade física comprovada". Teríamos assim uma espécie de sistema presidencial, mas ao contrário do que neste sucede, o Parlamento não teria poder legislativo, mas antes "poderes de vetar os decretos-leis do executivo nas matérias a serem constitucionalmente expressas". Eis o mundo de pernas para o ar. Em vez de ser o presidente a vetar os actos legislativos do Parlamento, é este que veta os actos legislativos daquele e só nalgumas matérias. Resta perguntar porque é que o país elegeria deputados para fazerem tão pouco. 

 

Mas, se o Parlamento perde poderes legislativos, Jardim, como fervoroso adepto da regionalização, admite dar esses poderes a nove regiões com órgãos de governo próprio em que o país seria dividido, ficando apenas na alçada do Estado algumas poucas matérias. Teríamos assim que o país passaria a ter nove sistemas jurídicos diferentes, podendo, por exemplo, o cidadão ter um Código da Estrada diferente a cada 100km.

 

Ainda vamos rir muito com estas presidenciais. 


11 comentários

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De Haja Alegria a 15.07.2015 às 19:31

Julguei que o PR jurava cumprir e fazer cumprir a CdR: está lá escrita com todas as letras a declaração a fazer na posse. Quanto às ideias que sobre ela AJJ tem, é livre de as ter, mas enquanto PR o seu papel é aquele e não outro.

Já o coitado do Nóvoa, que numa sondagem qualquer tem uma pequena vantagem sobre quem nem sequer se apresentou nem mostrou vontade inequívoca de se apresentar, veio com o extraordinário argumento de ser impensável que alguém se apresente com antecedência inferior a 6 meses da data das presidenciais, até pelas obrigações impostas por lei.

Ora, recorrendo mais uma vez à CdR nela se lê que "As candidaturas devem ser apresentadas até trinta dias antes da data marcada para a eleição, perante o Tribunal Constitucional", pelo que o sr. Nóvoa já recolheu decerto as assinaturas todas e já as levou ao TC, que decerto rejeitará, na ideia dele, os que, por não serem reconhecidos por ninguém, ainda não se apresentaram...
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De jo a 15.07.2015 às 22:16

É pena que de Rui Rio nem saibamos se é candidato. Ainda está a fazer contas de cabeça(s).

Isto é que é uma convicção.
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De Luís Eusébio a 16.07.2015 às 10:11

De facto, estas presidenciais parecem uma anedota!
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De Luís Lavoura a 16.07.2015 às 13:21

Segundo li no linque que o LML colocou, A.J.Jardim não anunciou, nem sequer sugeriu, que se candidatará a Presidente da República, contrariamente ao que este post afirma. Portanto, o post está factualmente errado.
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De Luís Lavoura a 17.07.2015 às 09:55

Isso é uma página do Facebook que eu não conhecia e que não estava lincada no seu post.
Essa página demonstra que há quem queira que AJJ se candidate e está a trabalhar nesse sentido. Não constitui, porém, um anúncio de candidatura. Entre os desejos expressos nessa página do Facebook e a realidade, vai um grande passo.
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De Luís Menezes Leitão a 17.07.2015 às 12:24

Acha que o Jardim a todo este trabalho de apresentar manifestos e organizar páginas no facebook se não quisesse ser candidato? Então também acredita no Pai Natal!.
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De Luís Lavoura a 17.07.2015 às 12:31

Que Jardim queira ser candidato, acredito. Mas para o ser precisa de ter apoiantes e dinheiro minimamente garantidos. Só anunciará a sua candidatura se e quando os tiver. Por exquanto não anunciou absolutamente nada.
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De Luís Menezes Leitão a 17.07.2015 às 16:21

Apoiantes e dinheiro garantidos ninguém tem. Nem sequer Sampaio da Nóvoa, o único que até agora anunciou formalmente a candidatura.
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De Luís Lavoura a 17.07.2015 às 16:27

Garantidos não tem, mas pelo menos minimamente garantidos... Ou pelo menos julgar que os tem...
Agora AJJ (que percebe mais da matéria do que Sampaio da Nóvoa e sabe que candidaturas não se fazem só com boa-vontade) nem sequer minimamente garantidos os tem, por enquanto, e naturalmente quer explorar bem o terreno antes de anunciar formalmente qualquer coisa. Até porque anunciar e ser depois obrigado a recuar é muito desagradável.
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De Espelho do Lavoura a 16.07.2015 às 21:26

Quem está SISTEMATICAMENTE factualmente ERRADO sabemos bem qual dos clientes das caixas de comentários é.

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