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Um trabalhinho para o engenheiro Guterres

por Inês Pedrosa, em 06.10.16

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As sauditas iniciaram há 90 dias uma campanha no twitter, sob a hashtag #StopEnslavingSaudiWomen, tentando acabar com a prisão masculina a que estão sujeitas para absolutamente tudo, incluindo tratamento médico. Sim, se o "guarda" de uma mulher da Arábia Saudita decidir proibir-lhe a assistência médica, tem esse direito. A Arábia Saudita prometeu na ONU acabar com o sistema de "guarda masculina" para as mulheres em 2009, depois em 2013. Agora atira esse projecto para 2030, e as sauditas fartaram-se de viver nesta hedionda escravatura e iniciaram a corajosa campanha sobre a qual escrevi aqui 

Espero que o novo secretário-geral da ONU use o seu poder e as tais qualidades extraordinárias que dizem que ele tem para pôr fim a esta ignomínia. Se o conseguir, talvez eu consiga encontrar-lhe atenuante para o desprezo que mostrou pela saúde reprodutiva das portuguesas, em 1998, quando substituiu a lei da interrupção voluntária da gravidez aprovada no Parlamento por um referendo que prolongou por mais dez anos o drama da mutilação e morte por aborto clandestino em Portugal.


3 comentários

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De Luís Lavoura a 06.10.2016 às 09:38

Não me parece que deva ser mister do secretário-geral das Nações Unidas o andar a imiscuir-se em assuntos da lei interna de cada país.
E, quanto à Arábia Saudita, há assuntos mais imediatos a tratar por ele, nomeadamente o parar os bombardeamentos que esse país tem feito sobre o seu vizinho Iémen, e o fomento que tem dado à guerra na Síria através do fornecimento de armas a quem não deveria.
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De lucklucky a 06.10.2016 às 12:23

Prender mulheres é mau e de facto é mas ajudá-las a matar crianças é bom.

Não têm voz nem quem fale por elas por isso são lixo para deitar fora.
A saúde delas não interessa.
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De Vento a 06.10.2016 às 13:04

Desconheço que um só feto, nesta saga do aborto, não esteja sujeito a mutilação.
O direito à vida passa pelo direito a viver e pelo respeito que uma e outra condição exigem. Estranha-me sempre tantas contradições.

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