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Um tiro de pólvora seca

por Pedro Correia, em 28.09.16

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Parece cada vez mais óbvio que a polémica em torno do novo imposto sobre o património imobiliário anunciado pela deputada bloquista Mariana Mortágua foi um tiro de pólvora seca, precipitado pela preocupação do BE em antecipar-se ao PCP no preenchimento da agenda mediática. António Costa esvaziou-a na primeira oportunidade e dela resulta apenas uma espécie de marcação de território ideológico com matriz identitária – algo que só interessa aos parceiros menores da actual maioria parlamentar.

“Combater os ricos” - caricaturados na propaganda clássica como obesos de cartola, prontos a ceder aos pobres apenas as cinzas dos seus charutos - é uma bandeira da esquerda pura e dura que o PS nunca partilhou.

Há excelentes motivos para o primeiro-ministro se demarcar do debate ideológico em curso, passatempo que nunca seduziu este "moderado social-democrata”, como ele próprio se intitula. Os sinais que as inflamadas declarações de Mariana Mortágua num evento socialista transmitiu à sociedade portuguesa, tão carente de recursos financeiros, são errados. Por demoverem as poupanças, desmobilizarem as aplicações dessas poupanças na economia real e desencorajarem o investimento de que a nossa economia tanto carece em tempo de estagnação.

De resto, “acabar com os ricos" sob o pretexto de que é preciso acabar com os pobres constitui uma mistificação grosseira: nunca pobre algum enriqueceu a partir do empobrecimento de um rico, como as chamadas “revoluções proletárias” do século XX amplamente demonstraram. Eis a maior vantagem do conhecimento histórico: evitar que se repitam trágicos erros do passado.

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48 comentários

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De Luís Lavoura a 28.09.2016 às 12:12

Desde cedo que se tornou óbvio que seria pólvora seca, pois que, se o novo imposto recaísse sobre casas que estão arrendadas, ele seria patentemente injusto (porque desfavoreceria os inquilinos em favor dos que habitam casa própria), enquanto que, se não incidisse sobre elas mas apenas sobre segundas habitações (casas de férias), teria uma coleta residual.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 12:23

Esse é o problema central, para além da retórica demagógica. Se esse novo imposto se destina a "aumentar as pensões mais pobres", conforme foi anunciado, como conseguir que a colecta atinja os 200 milhões de euros necessários para o mencionado aumento?
Primeiro foi-nos dito que seriam abrangidas 43 mil pessoas:
http://expresso.sapo.pt/politica/2016-09-21-Novo-imposto-sobre-o-patrimonio-atingira-no-maximo-43-mil-pessoas
Depois o número reduziu-se consideravelmente, baixando para 8 mil:
http://sol.sapo.pt/artigo/524474/orcamento-novo-imposto-pode-afetar-pouco-mais-de-oito-mil-pessoas-
Dá a ideia de que primeiro se cuida da propaganda e só depois há quem comece a fazer as contas.

Muito mais facilmente tal receita se atingiria - e ultrapassaria - com a reposição dos escalões do IVA para a restauração e hotelaria, como já escrevi aqui:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/que-justica-fiscal-ha-nisto-8778648
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De Ana A. a 28.09.2016 às 12:17


"...nunca pobre algum enriqueceu a partir do empobrecimento de um rico..."

Pelo contrário, um rico faz-se à custa do empobrecimento de muitos!
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 12:25

Tentar pôr fim à pobreza começando por "exterminar os ricos" é o meio mais fácil e seguro de perpetuar a miséria.
Toda a história do século XX nos demonstra isso.
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De jo a 28.09.2016 às 13:19

Estar a confundir um imposto sobre imobiliário com o exterminar os ricos é ligeiramente extremo.

A nossa direita anda com tanto medo de que os ricos sejam exterminados que vê ameaças em todo o lado.

Por esta lógica, como qualquer imposto sobre os ricos é uma tentativa de extermínio, só se devem taxar os pobres e os miseráveis. Porque esses não correm o risco de desaparecer.

Ficamos a saber que é uma afirmação própria da esquerda mais extremistas declarar que quem tem mais riqueza deve pagar mais impostos. E é uma afirmação extremista porque vai contra o prática corrente e aceite.
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De NORTÁGUA- TRETAS AVULSAS a 28.09.2016 às 14:35

"A nossa direita anda com tanto medo de que os ricos sejam exterminados que vê ameaças em todo o lado."
Pois, é que a seguir aos ricos vêm os outros.

Quem tem mais riqueza já paga mais impostos. A questão é, quanto mais é justo que se lhe peça? Há um limite, ou o limite é quando já não for rico?
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De jo a 28.09.2016 às 15:30

Não tem vivido cá com certeza. Os impostos diretos que aumentaram incidem quase todos sobre o trabalho e pensões ou sobre as prestações sociais. E começou-se a aplicar sobretaxas no IRS a partir dos 1000€ mensais. Paralelamente fizeram-se várias amnistias para permitir que quem tivesse fugido com capitais pudesse regressar com eles a taxas reduzidas.

A preocupação da direita com a possível extinção dos ricos só é comparável ao seu medo de que o trabalho tenha aumentos de remuneração.
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De Maria Inês a 29.09.2016 às 02:26

Não ouvi ninguém dizer querer "exterminar os ricos" ouvi que queriam que os ricos contribuíssem com um imposto sobre bens imobiliários, acima do valor matricial de um milhão de euros, uma vez que o dinheiro deles, não anda por cá foge para os paraísos fiscais. A história também nos diz e é bem clara,que nenhum rico o foi, sem os pobres e que os pobres sempre se revoltaram quando os ricos lhes pisavam os pés.
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De Pedro Correia a 29.09.2016 às 09:08

Você não resolve o problema de nenhum pobre abrindo a caça ao rico. Isto está amplamente demonstrado. Daí o apelo do ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos ao ouvir M.Mortágua bradar que é preciso "perder a vergonha de ir buscar o dinheiro onde ele está" (cito de cor).
"Não matem a galinha", disse o ex-ministro das Finanças. Palavras sensatas. Ele bem sabe o que custa governar um país com carência absoluta de capital, sujeito aos juros elevadíssimos dos empréstimos estrangeiros por ausência de tecido empresarial próprio capaz de pôr a economia nacional a crescer.
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De Maria Inês a 29.09.2016 às 14:06

Nenhum empresário deixa de investir por um mísero imposto e a prova está á vista, Cacia e Palmela. As galinhas dos ovos de ouro não têm cá o dinheiro, está bem guardado, como já referi e bem sabe em paraísos fiscais, mas os bens patrimoniais não estão lá porque não andam. Se Teixeira dos Santos que já se viu, gosta dos ricos porque são eles que lhe dão o capital de que tanto gosta, sabe o que é governar com carência de capital, mais uma razão para ir buscar algum a quem tanto tem, mas que ele não foi capaz de o fazer. Pode não ser uma fortuna, mas um euro para si, para mim, para outros, pode não valer nada, mas para um pobre vale muito. Os juros elevadíssimos são assim e serão sempre porque não temos políticos sérios na UE, temos políticos que se alimentam a si mesmos. Temos a prova da Holanda membro da UE, mas que a UE deixa que a mesma tenha leis que proporcionam que os nossos empresários e outros, registem as suas empresas lá, deixando de pagar cá o que deviam pagar. Lá vai o capital ganho em território português para a Holanda, capital esse que deveria ficar cá.
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De Pedro Correia a 29.09.2016 às 14:56

Partindo do princípio de que algum rico manteria propriedades em nome próprio sujeitando-a à dupla taxação estatal, este confisco tributário só resultaria uma vez: à primeira qualquer cai, à segunda só cai quem quer. Como bem sabe François Hollande: quando lançou um imposto extraordinário sobre rendimentos colectáveis acima de um milhão de euros logo no início do mandato no Eliseu, a fuga de capitais foi tão grande que qualquer possível benefício foi anulado pelos custos reputacionais da medida, que acabou por ser revogada no exercício orçamental seguinte.
Todos recordamos o actor Gérard Depardieu, que fixou o domicílio fiscal em Moscovo nessa ocasião. Os "ricos" são assim: têm enorme mobilidade. Daí o apelo de Teixeira dos Santos para que não se mate a galinha. Apelo sensato. Costa, julgo, deu-lhe ouvidos. Mérito dele.
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De Maria Inês a 29.09.2016 às 17:47

Costa, julgo eu, ainda não ter decidido nada, visto estar tudo em estudo. Os ricos fogem? Deixe-os fugir, a seguir vêm outros. No nosso triste país, os capitais estão sempre em fuga, desde há muito. Se esses ricos fugirem que fujam porque gente dessa que constrói para pagar impostos na Holanda que não querem contribuir para aliviar o seu país e que usam a escravatura do outro, para se tornarem imperialistas, não prestam. Gérard Depardieu quem é esse? Ah!... Um que foi actor, francês e que hoje não passa dum cobarde que fugiu porque não quis ajudar o seu país. O que incomoda é o senhor estar a favor dos ricos e a querer que os pobres e a classe média paguem tudo porque não podem fugir. Coitados dum Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo, Humberto Pedrosa, Mellos...terem de pagar mais uns euritos. Desculpe-me a sinceridade, mas é grave estar a favor dos ricos que não deixam cá nada e tiram tudo que podem, para paraísos fiscais. Não tenha dúvidas que provavelmente a continuarmos assim, isto vai acabar muito mal.
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De Pedro Correia a 29.09.2016 às 18:03

Tão primário, este ódio aos ricos. E nada mais absurdo do que sair em defesa de uma sobretaxa ao património imobiliário daqueles que "não deixam cá nada" sem reparar sequer no tamanho da contradição.
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De Plinio a 28.09.2016 às 13:05

Primeiramente parece-me que não é por acabarem os ricos que os pobres também acabam. Segundo não ponho em causa que alguns podem ter enriquecido à custa de outros. Terceiro os "impostos" não são um direito de nenhum governo, são apenas e só antes de mais um acordo (tácito) entre estado e cidadãos, pelos quais os segundo aceitam entregar parte do que ganham ao estado (não ao governo) para que aquele possa em primeiro lugar sustentar-se no desempenho das suas funções nucleares que são a defesa, a segurança a justiça.
Com o desenvolvimento social, o imposto passou igualmente a ser usado (e bem) para fazer face às despesas com educação, saúde e outras e nessa perspectiva para tentar fazer face a desigualdades sociais.
No entanto não faz sentido dizer que o imposto aumenta para os ricos para dessa forma se pagarem as pensões dos mais pobres. Não, as pensões são pagas pelo orçamento da segurança social primeiramente e só quando falta lá dinheiro é que se recorre ao Orçamento do Estado.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 14:18

Certo. Acresce não ser possível criar uma nova taxa no âmbito do IMI, que é um imposto municipal, supondo que as respectivas receitas seriam canalizadas para o Orçamento do Estado central. Isto implicaria, no mínimo, uma alteração prévia da Lei das Finanças Locais.
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De Plinio a 28.09.2016 às 14:30

Exacto. E para isso parece-me que terá que ser através de uma lei da assembleia da república.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 14:41

De facto assim é. E não apenas a lei como toda a jurisprudência do Tribunal Constitucional têm acentuado que a autonomia financeira dos órgãos autárquicos implica e exige que estes tenham liberdade para traçar o destino das suas receitas próprias.
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De Luís Lavoura a 28.09.2016 às 14:36

Acresce não ser possível criar uma nova taxa no âmbito do IMI

Essa não é uma questão. Porque não se trataria de uma "nova taxa no âmbito do IMI" mas sim de um imposto inteiramente novo, de âmbito nacional.

Pode-se fazer uma analogia com o caso suíço. Na Suíça cada cantão tem o seu imposto sobre o património existente nesse cantão (e as taxas desses impostos são brutalmente díspares de cantão para cantão). Para além desses, há um imposto federal sobre a totalidade do património imobiliário de cada suíço - incluindo, crucialmente, património imobiliário no estrangeiro. São impostos diferentes - uns são cantonais, o outro é federal.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 15:06

Não parece ser esse o entendimento de muitos autarcas, nomeadamente do presidente da Câmara Municipal do Porto.
"Segundo Rui Moreira, "a criação de um novo imposto que incida sobre património imobiliário acima de determinado valor (...) só pode ser considerada como adopção de uma sobretaxa sobre IMI, que é um imposto municipal".
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De Luís Lavoura a 28.09.2016 às 15:15

Sim, eu li as declarações de Rui Moreira, as quais exibem uma grave incompreensão da natureza do novo imposto.
Mas o facto de Rui Moreira não (querer) compreender não justifica nem desculpa o Pedro cair no mesmo erro. Os erros dos outros são para corrigir, não para copiar.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 16:15

Nas palavras de Mariana Mortágua, trata-se de uma "taxação adicional para património imobiliário de elevado valor".
Uma sobretaxa ao IMI, portanto.

http://www.jn.pt/nacional/interior/be-diz-que-novo-imposto-sobre-patrimonio-imobiliario-exclui-toda-a-classe-media-5390442.html
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De Carlos Duarte a 28.09.2016 às 22:48

Pedro Correia, já existe o tal do imposto/taxa e foi introduzido pelo Governo anterior, só que em sede de imposto de selo (Código 28 do Imposto de Selo):

http://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/informacao_fiscal/codigos_tributarios/selo/ccod_selo_tabgiselo.htm
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De Luís Lavoura a 28.09.2016 às 14:39

as pensões são pagas pelo orçamento da segurança social primeiramente

Isso só é verdade para um parte das pensões.

Há também as pensões para pessoas que nunca descontaram para a Segurança Social, fosse porque tinham trabalhos informais, fosse porque trabalhavam na agricultura de subsistência, fosse por outros motivos.
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De Anónimo a 28.09.2016 às 14:56

Mas presumo, talvez mal, que mesmo nesses casos quem paga é sempre a S.S. através do respectivo instituto, e não qualquer outro organismo estatal. Por isso o dinheiro vem primeiramente da S.S. e só depois do orçamento do estado.
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De Tiro ao Alvo a 28.09.2016 às 13:22

Registe-se a prontidão com a Ana veio lembrar de que os ricos são feitos à custa dos pobres.
Todavia, não temos a certeza de que a "Ana" seja Ana, pois pode ser "anão"...
Infelizmente, alguns anões invejosos o que mais desejam é que a "fada" corte as pernas a toda a gente; aumentar as pernas do anão, é o que não lhes interessa.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 14:15

Foi pena ela ter chegado e partido logo. Nem me deu tempo para lhe perguntar a quantas situações de pobreza seria possível pôr fim se o Bill Gates, por exemplo, fosse expropriado de todos os seus bens.
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De jo a 28.09.2016 às 15:36

Também poderíamos perguntar quantas situações de pobreza se poderiam evitar se não se tivesse de pôr dinheiro dos nossos impostos para pagar os desmandos da família Espírito Santo e do restante crédito malparado dos bancos.

Isto de admitir que toda a riqueza é virtuosa é tão estúpido como afirmar que todo a riqueza é roubo.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 15:47

Que eu saiba ninguém aqui escreveu que toda a riqueza é virtuosa. Eu escrevi - e mantenho - que o fim de um rico não torna nenhum pobre menos pobre, por mais que certas ideologias sustentem o contrário.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 16:19

Inversamente podemos dizer que o fim de alguns ricos tornaria alguns pobres mais pobres.
Por outras palavras: um mundo de onde tivessem desaparecido os Bill Gates, os Mark Zuckerberg, os Jeff Bezos e os George Soros, por exemplo, seria inevitavelmente mais pobre.
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De jo a 28.09.2016 às 17:29

Um mundo onde a banca - "segura séria e confiável" - , como os nossos comentadores se fartaram de dizer não subsista através de subsídios dos nossos impostos, teria menos banqueiros ricos e seguramente menos pobres.

No entanto a banca foi durante anos beneficiada com impostos mais baixos do que as restantes empresas porque era uma atividade essencial e tinha de haver alguma proteção. No fundo dizia-se: são ricos mas não os podemos taxar porque deixarão de ser produtivos. Viu-se!

Tem aqui um exemplo onde acabar com alguns ricos fazia diminuir o número de pobres. Não foi preciso procurar muito.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 17:48

Não se iluda: a derrocada do sistema financeiro, tenha a proporção que tiver, aumenta sempre o número de pobres. Mesmo que alguns ricos - ou pseudo-ricos - também vão na enxurrada.
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De Pedro Correia a 30.09.2016 às 18:47

Além disso, diabolizar os grandes grupos privados é via rápida para multiplicar a pobreza. O Grupo Sonae, por exemplo, é o maior empregador português fora do âmbito do Estado. Quantos Belmiros de Azevedo seriam necessários para gerar os cerca de 40 mil empregos que a Sonae hoje assegura?
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De anónima a 28.09.2016 às 13:54

Entretanto, uma no cravo e outra na ferradura ...

GOVERNO CONCESSIONA 30 EDIFÍCIOS HISTÓRICOS E ESPERA 150 ME DE INVESTIMENTO PRIVADO
(http://24.sapo.pt/noticias/nacional/artigo/governo-concessiona-30-edificios-historicos-e-espera-150-me-de-investimento-privado_21316035.html)

Ou, como investir em imobiliário sem pagar IMI.

Ainda na mesma notícia.
"O Turismo de Portugal já tem linhas de apoio a este tipo de projetos, como a linha de Apoio à Qualificação da Oferta, lançada em 2016, que privilegia a reabilitação urbana, ..."

O Governo quer incentivar a reabilitação urbana. Cria apoios e incentivos. Depois de reabilitado (valorizado) o prédio ... pumba, cobra IMI acrescido!
Este Governo é esperto, os investidores privados é que são uns tapadinhos.
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 14:13

A total imprevisibilidade do nosso sistema tributário é um dos sintomas do nosso atraso estrutural. Assim não é possível atrair investimento sustentável.
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De anónima a 28.09.2016 às 14:22

GOVERNO CONCESSIONA 30 EDIFÍCIOS HISTÓRICOS E ESPERA 150 ME DE INVESTIMENTO PRIVADO
(http://24.sapo.pt/noticias/nacional/artigo/governo-concessiona-30-edificios-historicos-e-espera-150-me-de-investimento-privado_21316035.html)

Ainda a propósito desta notícia (e da “a linha de Apoio à Qualificação da Oferta, lançada em 2016, que privilegia a reabilitação urbana”) queria deixar uma sugestão ao Governo: realizar, para potenciais investidores, uma sessão conjunta de apresentação deste projecto (1ª parte) imediatamente seguida de um debate acerca do novo imposto (2ª parte). A segunda parte podia ser moderada pela Mariana Mortágua.
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De anónima a 28.09.2016 às 14:40

Não é só imprevisibilidade (o que já é suficientemente grave), é pura esquizofrenia: apoios e incentivos financeiros à reabilitação, penalização da reabilitação com impostos especiais sobre o património reabilitado!
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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 22:07

Esquizofrenia tributária: parece-me uma boa definição.
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De Luís Lavoura a 28.09.2016 às 14:44

como investir em imobiliário sem pagar IMI

Não se trata de "investir em imobiliário", uma vez que o imobiliário não passará para a propriedade do investidor, que portanto não o poderá revender com lucro. O investidor também não poderá fazer com o imobiliário o que muito bem lhe apetecer - as intervenções serão controladas pelo Estado, que permanece o proprietário.

Tratar-se-á apenas de concessão da exploração turística desse imobiliário.
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De anónima a 28.09.2016 às 15:20

Tem razão, mas eu utilizei a expressão "investir em imobiliário" num sentido mais lato: um investidor privado tem capital e investe esse capital no setor imobiliário, nomeadamente na "reabilitação, preservação e conservação" de edifícios históricos, através de uma concessão, retirando proveitos (lucros) desse investimento. Precisamente por se tratar de uma concessão, e de o património reabilitado não ser dele, não pagará IMI sobre esse investimento/património. Pagará, presumo eu, IRC (?).
Ou seja. Partindo do princípio que esse investidor planeava investir no sector imobiliário comprando e reabilitando edifícios (pagando o novo IMI no final), pode agora investir no sector imobiliário sem pagar esse IMI (através desta nova alternativa que o Governo propõe). Até a Mariana Mortágua se lembrar de uma nova taxa sobre utilização de edifícios históricos reabilitados!!!!!
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De Luís Lavoura a 28.09.2016 às 15:33

Partindo do princípio que esse investidor planeava investir no sector imobiliário comprando e reabilitando edifícios, pode agora investir no sector imobiliário sem pagar IMI

Eu não veria as coisas assim. Estas concessões destinam-se a investidores que tencionavam à partida investir no setor turístico, não investir no setor imobiliário. O investidor no setor imobiliário compra, reabilita, e depois revende com lucro. O investidor no setor turístico reabilita e preserva com vista à exploração para fins turísticos, não com vista à revenda.
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De lucklucky a 28.09.2016 às 22:44

Boa parte PS mostrou que está com o Marxismo puro e duro e o seu Primeiro Ministro António Costa reforçou-o a citar uma das frases mais Anti-Liberdade que existem responsável por um Poder do Estado sem limites e por milhões de mortos:

1 -De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades

Depois tivemos como como cereja no cimo do bolo para justificar o controlo da vida dos cidadãos sem limites:

2- Quem não deve não teme

Nunca um Primeiro Ministro de Portugal disse um conjunto de frases tão Totalitário, tão Violento, tão Opressivo.


Primeiro eles vieram buscar os ricos...e ninguém falou...


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De Pedro Correia a 28.09.2016 às 23:20

"Nunca um Primeiro Ministro de Portugal disse um conjunto de frases tão Totalitário, tão Violento, tão Opressivo."
Tem a certeza que escreveu mesmo isto?
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De V. a 30.09.2016 às 17:53

Quem não deve não teme. Acabo de ouvir essa novamente na TV, dita por um psicopata fascista meio-careca (provavelmente vegan) do BE — claramente equivocado sobre a NATUREZA daquilo a que chamou "maioria absoluta" como se representasse o voto directo dos Portugueses e não um arranjo parlamentar que a "esquerda" forjou para passar leis que vão CLARAMENTE contra a VONTADE da maioria dos cidadãos portugueses.

Estes gajos são perigosos e são só 5% da indolente massa proletária nacional — e aproveitam-se de maiorias falsas e tentam mistificar permanentemente a natureza da coligação imunda e facínora que impuseram ao povo.

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De Anónimo a 29.09.2016 às 12:04

"...nunca pobre algum enriqueceu a partir do empobrecimento de um rico, como as chamadas “revoluções proletárias” do século XX amplamente demonstraram."
Pelo que se está a ver, também pobre algum enriquece a partir do maior enriquecimento dos que já são ricos.
É que os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos.
Lógico!
João de Brito
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De Pedro Correia a 29.09.2016 às 12:58

A queda de Portugal em oito lugares no índice mundial de competitividade é que não vai seguramente tirar ninguém da pobreza.
https://www.publico.pt/economia/noticia/portugal-cai-oito-lugares-em-indice-mundial-de-competitividade-1745407
Infelizmente para nós os chavões ideológicos não fazem crescer a economia.
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De Nuno a 29.09.2016 às 13:48

"É que os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos."

Esta frase oca continua a fazer caminho.

Pegue em qualquer medidor de qualidade de vida (saúde, educação, nutrição, acesso a água potável, quente e fria, climatização, informação, mobilidade, lazer, etc) e compare os pobres de hoje com os pobres de há 10, 20, 50 ou 100 anos e veja se as condições de vida dos pobres melhoraram ou não.

Excepção feita a casos verdadeiramente dramáticos, aos quais a sociedade tem a obrigação de acorrer, qualquer habitante do mundo ocidental vive melhor que um milionário de há 100 anos atrás.

Em vez de nos preocuparmos antes de mais por garantir que conseguimos estender a nossa qualidade de vida aos milhares de milhões de habitantes menos afortunados do nosso planeta, estamos preocupados com a meia dúzia de bilionários que o sistema (que em 50 a 100 anos nos tirou a todos do que hoje consideramos a mais abjecta pobreza) produziu.
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De Pedro Correia a 29.09.2016 às 15:02

Todos os índices contemporâneos que permitem medir a qualidade de vida desmentem essa alegação de que os pobres estão cada vez mais pobres, excepto nos países afectados por guerras e/ou epidemias muito graves.
Portugal, por exemplo, está incomparavelmente melhor em alfabetização, mortalidade infantil, saneamento básico, esperança de vida, etc, etc, etc.
Isto atrapalha o discurso dos profetas da desgraça, mas é um facto. Há um século, o português médio vivia com o equivalente a um euro diário - algo que só existe hoje nos mais miseráveis países do continente africano.

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