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Um sorridente acto de vassalagem

por Pedro Correia, em 19.04.18

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 Foto: João Porfírio/Observador

 

«Para mim, pessoalmente, no dia em que faz dois meses em que tomei posse como presidente do PSD, posso fazer um balanço positivo por, ao fim de 60 dias, ter já estes dois acordos assinados com o Governo.»

Palavras de um sorridente Rui Rio, parecendo viver ontem o mais feliz dia do seu curto mandato como "líder da oposição", que tem passado a cortejar António Costa e a prestar bons serviços ao Governo.

 

Nesta quarta-feira prestou mais três: ao assinar dois "pactos de regime", sobre descentralização e gestão dos fundos europeus, com o primeiro-ministro na residência oficial de São Bento e ao ter aceitado agendar este acto de vassalagem a meio da semana previamente designada pelo seu partido para fazer o diagnóstico do sector da saúde em Portugal e no próprio dia em que a bancada social-democrata no Parlamento interpelava o Governo sobre o mesmo tema, que tanto preocupa os portugueses.

Como seria de supor, estas iniciativas foram totalmente ofuscadas pela operação de marketing conduzida por Costa, com a risonha anuência daquele que só por ironia ainda pode ser chamado "líder da oposição".

 

Em política, os símbolos contam muito. O facto de os acordos subscritos por Rio terem sido celebrados na sede do Governo e não no Parlamento, certamente por amável indicação do primeiro-ministro, demonstra bem quem dita as regras. Entretanto, durante a inútil abordagem às questões da saúde na sala das sessões da Assembleia da República, o líder parlamentar social-democrata geria mal o tempo da sua intervenção e mendigava "trinta segundos" suplementares à própria bancada do Governo.

Em suma: um dia memorável para Costa. Já com a esquerda extrema no bolso, demorou apenas dois meses a dobrar o "novo" PSD e vê a oposição circunscrita ao CDS. Governa, na prática, com a mais alargada maioria de sempre na democracia portuguesa.


18 comentários

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De JS a 19.04.2018 às 08:52

Não há dinheiro, não há palhaços. A incontornável realidade é que desde 1974 -excluíndo os dois anos da "Junta de Salvação Nacional(?)- até aos dias de hoje quem entrega o guião aos politicos são os Ministros das Finanças, o elo de ligação, a linha de comunicação dos credores, como se viu, como se vê. E não é só no minúsculo dependente bairro financeiro que é Portugal.
Nos anos de vacas gordas há Imperadores, Czares, Reis, Presidentes, PMs ...
Nos anos de vacas magras ...
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De Pedro Correia a 19.04.2018 às 09:29

Por mim, que se fundam.
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De Anónimo a 19.04.2018 às 11:36

"Por mim que fundam" ... "Fundam não é com "O"?
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De Pedro Correia a 19.04.2018 às 12:12


Vou ali perguntar à Drª Edite Estrela e volto já.
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De rão arques a 19.04.2018 às 09:32

Até Marcelo perde legitimidade ao celebrar um acordo entre dois figurantes ilegítimos que amarram o país.
Um porque perdeu eleições, o outro porque as urnas ainda não lhe contaram os votos.
Estamos em onda tenebrosa de gente que nem a si própria se respeita.
Em termos de leis e ética, desde César e Ferro passando por toda a casa da deputação, até Marcelo, Costa e afins, que o diabo escolha os ingredientes de tal caldeirada.
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De Pedro Correia a 19.04.2018 às 09:41

Para a segunda figura do Estado português, a ética é a lei.
Não lhe passa pela cabeça que existem leis injustas, existem leis iníquas, existem leis inaceitáveis.
Não lhe passa pela cabeça que existem leis que ferem elementares noções de ética - nomeadamente as que permitem que deputados sejam "reembolsados" por viagens que jamais fizeram.
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De rão arques a 19.04.2018 às 10:15

Só maia um ponto.
Indigno e insustentável que um qualquer fulano se apresente, e o deixem encenar o papel de chefe de um governo numa matéria em que lhe faltam as muletas geringonças que aos solavancos lhe vão arrastando a carroça.
Sem esses penduricalhos à cintura não é 1º ministro nem coisa nenhuma que se veja. e muito menos que se respeite.
Indecorosa burla.
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De Anónimo a 19.04.2018 às 10:47

Muitas vezes as minhas previsões confunde-se com os meus desejos.
Mas prevejo que Rio, com esta política, acabará, mais tarde ou mais cedo, por ganhar votos.
João de Brito
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De João Espinho a 19.04.2018 às 12:58

Também me parece que é isso que vai acontecer. A propósito: onde anda a líder do CDS?
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De Luís Lavoura a 19.04.2018 às 15:33

Camuflados de análise política imparcial e objetiva, os posts do Pedro Correia mal podem ocultar o seu rancor - bem subjetivo - contra a atual liderança do PSD.
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De Anónimo a 19.04.2018 às 16:39

Os acordos firmados são sobre assuntos de muito longo prazo e sem sustentabilidade real pois a sua efectivação depende de muitas incógnitas.
Faz bem Rui Rio em fazer aquilo que prometeu.
No momento certo dará a estocada na esquerda da direita como já deu na direita da direita.
Tenho a firme convicção que em vez de aumentos e mais despesa optará por prometer ( e vai cumprir) baixar impostos para quem menos tem.

WW
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De Pedro Correia a 19.04.2018 às 19:31

Em dois meses, dois acordos com o Governo. Se mantiver a média, Rio assinará um por mês. Teremos pelo menos uma dezena ao fim do ano em curso.
Entretanto, hoje voltou a apoiar o Governo - entrando em contradição aberta com o seu próprio líder parlamentar - aplaudindo o reposição dos cortes de 5% dos salários dos membros dos gabinetes governamentais.
Tenho procurado alguma palavra ou atitude de oposição da parte dele. Em vão, até agora. Mas prometo insistir na busca.
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De Anónimo a 20.04.2018 às 16:25

Insista na busca que não se perde nada, antes pelo contrário, alguém ganha muito.

" A política só em sentido deturpado se pode confundir com agitação estéril, referver de ódios, estadear de ambições pessoais ou de grupos para a conquista e usufruição de altos lugares. "

WW

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De Pedro Correia a 20.04.2018 às 16:44

Hum. Conheço essa frase de algum lado.
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De JS a 20.04.2018 às 11:15

Estes pseudo pré-acordos sobre regionalização, entre estes dois partidos, PS e PSD, é apenas mais fumo e espelhos para enganar o eleitorado.
Atirar tinta de jornais e multiplicar tempos de antena para convencer o eleitorado de que uma Regionalização(!) -em que a concessão das verbas continua nas mãos de um poder hiper-centralizado exclusivamente partidário, de um PS e de um PSD- é a solução para a qualidade da administração política de este País. O repetido fumo e espelhos.

Regionalização política, consequente, é regionalização do poder politico.
Regionalização política, consequente, é ter na AR só deputados eleitos nominalmente nos seus círculos eleitorais, na sua Região. Que respondem ao seu eleitordo e não ao chefe do partido.
Sobretudo, regionalização política consequente é ter na AR deputados que foram re-eleitos nominalmente na sua região política.
Continuar a ter legisladores que vivem numa torre de marfim, politicamente indiferentes ao como se vive na sua região, não é, politicamente, nenhuma "regionalização".
É o usual fumo e espelhos, inventado por esta pseudo classe política -constitucional é certo- para enganar o eleitorado.
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De Pedro Correia a 20.04.2018 às 16:14

"Acordos" da treta, sem nada de substancial, que servem apenas a propaganda do partido do poder. Costa aplica o direito de pernada sobre o PSD sulcando agora o trilho da "moderação" política.
Rio inaugura um novo estilo de oposição, servindo de batedor ao Governo. A abrir caminho para a maioria reforçada do PS em 2019.
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De Tiago Santos a 20.04.2018 às 13:44

Os passistas estão com dor de cotovelo.
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De Pedro Correia a 20.04.2018 às 16:14

Aplique um boa pomada nesse cotovelo. A dor, como é passista, não tardará a passar.

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