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Um salto para a escuridão

por Pedro Correia, em 28.11.19

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No dia 31 de Janeiro de 1933, um jornal católico alemão resumiu tudo numa só frase: «Um salto para a escuridão.»

Com este título – que o futuro demonstraria ser correctíssimo, em sentido real e metafórico – classificava a chegada ao poder, na véspera, de Adolf Hitler.

A frase infelizmente profética é recordada na monumental biografia de Hitler redigida pelo historiador britânico Ian Kershaw, existente em português numa versão condensada de 849 páginas. A versão original está distribuída em dois volumes – Hitler, 1889-1936: Hubris e Hitler, 1936-1945: Nemesis, inicialmente publicados em 1998 e 2000, com um total de mais de 1450 páginas, acrescidas de outras 450 só com notas e bibliografia.

É «a biografia definitiva de Hitler», como assinalou o Los Angeles Times. Com razão.

 

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O que mais impressiona, neste exame minucioso da tomada do poder por Hitler numa das nações culturalmente mais ricas da Europa, é o facto de ela ter ocorrido por vias estritamente legais, cumprindo as regras constitucionais estabelecidas na República de Weimar, implantada em 1919, logo após a Alemanha ter sido derrotada na I Guerra Mundial.

No final da década de 20, Berlim transformara-se numa das cidades mais dinâmicas e cosmopolitas do Velho Continente, albergando uma multidão de intelectuais e artistas que serviam de exemplo ao restante mundo civilizado. Mas tinha também uma das mais ineptas castas de dirigentes políticos de que há memória. As pequenas ambições, os ódios disseminados, as intensas rivalidades pessoais e a falta de sentido de Estado cruzaram-se, à esquerda e à direita, para abrir caminho à tropa de choque nazi que se propunha regenerar a Alemanha das humilhações impostas pelos vencedores da guerra na conferência de paz de Versalhes.

 

Neste quadro, que favorecia a tolerância perante todos os extremismos, Hitler singrou com o seu bando de arruaceiros até o poder lhe ser oferecido de bandeja a 30 de Janeiro de 1933, quando o idoso presidente Hindenburg lhe formalizou o convite para formar governo.

O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães era então a força política mais representada num Parlamento profundamente dividido: obtivera 33,1% nas eleições de Novembro, quando os sociais-democratas conseguiram cerca de 20% e o Partido Comunista conquistou 16,9%. Os restantes votos foram partilhados por forças políticas do centro e da direita moderada, que viviam em permanente clima de contenda civil.

«Foi a cegueira da direita conservadora (...) que entregou o poder de uma nação soberana, que albergava toda a agressão reprimida de um gigante ferido, nas mãos do perigoso líder de um bando de arruaceiros políticos», assinala Kershaw.

 

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O primeiro Governo de Hitler era de coligação. Os nazis só tinham duas pastas ministeriais: a do Interior, confiada a Wilhelm Frick, e a da Prússia, a Hermann Göring – ambas decisivas por tutelarem as forças policiais. Mas nos Negócios Estrangeiros ficou Konstantin von Neurath, que transitara do Executivo anterior, e todas as pastas na área económica foram confiadas a políticos da direita conservadora tradicional, que tinha o seu líder, Von Papen, como vice-chanceler.

Estavam convencidos de que conseguiriam “moderar” Hitler. Foi uma perigosa ilusão.

Pouco depois do meio-dia de 30 de Janeiro, Hitler e o seu gabinete da "direita nacionalista" eram recebidos por Hindenburg, que lhes deu posse, limitando-se a proferir uma frase: «E agora, cavalheiros, em frente com Deus.»

A Alemanha mergulhava num longo pesadelo. Só despertou em 1945, transformada num mar de cinzas.


54 comentários

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De Maria Dulce Fernandes a 28.11.2019 às 11:09

Mais um texto excepcional, Pedro. De fácil leitura, sucinto, incisivo e real.
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De Pedro Correia a 28.11.2019 às 14:41

Eate é um tema infelizmente outra vez muito actual.
(Obrigado, Maria Dulce)
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De Trigueiros a 28.11.2019 às 11:53

O mais impressionante é ele ter chegado lá e as pessoas se terem deixado levar por alguém que não era nada mais nada menos do que um frustrado.

Como diz Ian Kershaw nessa maravilhosa biografia "As multidões que começavam a acorrer, em 1919 e 1920, aos discursos de Hitler não eram motivadas por teorias refinadas. Para essas pessoas, eram os lemas simples, que alimentavam o fogo da cólera, os ressentimentos e os ódios, que resultavam (...) Portanto, o que Hitler alcançou como orador, o seu intuito principal, foi conseguir popularizar ideias que não eram, de maneira nenhuma, da sua lavra e que serviam outros interesses, assim como os seus."
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De Luís Lavoura a 28.11.2019 às 16:08

Além de ser um frustrado era um preguiçoso e um cabotino, que se levantava às 11 da manhã, trabalhava pouco e quase não estudava os assuntos. Um total incompetente.

Se ler hoje em dia as redes sociais da direita, encontra discursos não muito longe dos de Hitler: "lemas simples, que alimentam o fogo da cólera, os ressentimentos e os ódios" e uma total ausência de "teorias refinadas".
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De Luís Lavoura a 28.11.2019 às 13:24

uma das mais ineptas castas de dirigentes políticos de que há memória

Isso não é bem assim. Na nossa memória estão os dirigentes políticos de toda a Europa que a fizeram mergulhar na Primeira Grande Guerra. Eles eram ainda muito mais ineptos do que esses dirigentes de 1933.

E na nossa memória estão também os dirigentes políticos da Inglaterra e da França da mesma época, que também pretenderam acalmar Hitler. Eles não eram menos ineptos que von Papen e seus confrades.

Enfim, Kershaw é muito bom a criticar os outros, talvez devesse olhar mais para o seu próprio país.
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De Luís Lavoura a 28.11.2019 às 13:28

Isto não me parece muito correto. Em 1933 o presidente Hindenburg fez o que tinha a fazer - deu a chefia do governo ao partido mais votado. Fez exatamente o mesmo que Cavaco Silva em 2015. Nada há a criticar. Ou deveria Hindenburg ter alçado ao poder uma qualquer geringonça dos social-democratas com os comunistas?
Mas, como o Pedro bem diz, o partido mais votado estava em coligação com outros. Hitler somente alcançou o poder absoluto quando se conseguiu livrar desses outros. E isso foi somente em 1934, quando Hindenburg já tinha morrido. A culpa não foi de Hindenburg, a culpa foi de von Papen e colegas, que aceitaram perder o poder que ainda tinham.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 20:24

A diferença foi um questão de idade e de cultura, os Conservadores Alemães eram velhos ou de meia idade, pior eram pós-civilizados e não percebiam como hoje não percebem Kerenskys pelo mundo fora que a violência é parte essencial da civilização.

Os Nazis eram em grande parte jovens.
E os jovens gostam de Totalitarismos.

lucklucky

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De Luís Lavoura a 28.11.2019 às 13:31

Há em Portugal um conjunto de pessoas de direita que gostariam de fazer o mesmo que Hindenburg fez: alçar ao poder uma grande e vasta coligação da direita, abrangendo toda a direita, incluindo o Ventura e seus apaniguados.
Essas pessoas dever-se-iam lembrar desta história de Hitler. Quando a direita conservadora se alia à direita extremista, está última engole ou esmaga a primeira.
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De singularis alentejanus a 28.11.2019 às 15:24

Porventura será assim, mas registe-se que os famigerados nazis chegaram ao poder via eleitoral, o que nunca aconteceu na História com os comunistas.
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De Luís Lavoura a 28.11.2019 às 17:19

Não estou bem certo de que isso seja verdade. A História não é o meu forte, mas creio ter havido muitos casos em que os comunistas chegaram ao poder por via eleitoral. Na França, em 1936. Na Checoslováquia, em 1948. No Chile, em 1970. Na Grécia a seguir à Segunda Guerra (mas os ingleses intervieram para abortar a via eleitoral). Na Venezuela, com Hugo Chávez.
Alguns destes exemplos podem estar errados (repito, a História não é o meu forte), mas não estarão todos.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 18:44

Em Itália, com o Berllinguer a eleições estavam ganhas, ou quase, até os Democratas-Cristãos ponderaram uma coligação.
E vai daí, apareceu rapidamente o atentado ao comboio em Milão e o rapto e assassinato de Aldo Moro, pela extrema-esquerda.
O problema quanto a eleições coloca-se no seguinte princípio, quando são ganhas pela direita ultra capitalista vem o desemprego, greves e outros protestos até novas eleições, quando são ganhas pela social-democracia a situação fica com cedências ao capital e aos sindicatos, quando são ganhas pela esquerda socialista que mexe com privilégios do capital vem os boicotes económicos, a falta de bens essenciais, os ataques terroristas e os militares a tomar o poder a formarem uma ditadura.
Tem sido sempre assim, os socialistas quando vencem as eleições para ficarem no poder não podem fazer o que prometerem em campanha eleitoral que lhes deu a vitória.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 20:44

Mais construções fictícias.
Quem é que tentou assassinar/dar um aviso a Berlinguer com um "acidente" - Berlinguer ficou ferido, um interprete morto e 2 feridos graves - na Bulgária perto de Sofia em 1973 aquando a ruptura entre o Moscovo e o PCI ?



lucklucky
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De Isabel s. a 29.11.2019 às 00:29

O desemprego aumenta como consequência de crises econômicas ou financeiras, seja qual for a cor do governo. Foi assim com as crises do petróleo em 1973 e 1979, com as crises das bolsas em 1987, 1992, 2001 e 2007. Os efeitos em Portugal chegavam sempre com algum atraso.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 22:32

Lavoura, não seja teimoso como o A.Barreto.
Vá consultar a internet .
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De Pedro Correia a 28.11.2019 às 23:57

Não vale a pena. É tempo perdido.
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De jonhy a 28.11.2019 às 17:49

estás a falar na direita mas deves estar a pensar na coligação de esquerda que governou Portugal no prec e que pretendeu transformar o 25 abril num totalitarismo de esquerda. E olha que bem tentaram….ainda hoje mostram o saudosismo por essa utopia.
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De Luís Lavoura a 28.11.2019 às 18:12

Não estava a pensar nisso, não.
No PREC a esquerda moderada não se aliou à esquerda extremista, pelo contrário, foi a maior adversária dela. A esquerda moderada de Mário Soares combateu arduamente a esquerda extremista.
O que eu digo é que há agora uns tipos de direita que não querem seguir esse exemplo de Mário Soares, pelo contrário, querem fazer uma aliança entre a direita moderada e a direita extremista.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 20:32

No Norte não foi o PS.

E o PS teve de se aliar ao PSD, CDS e "Extrema Direita" para travar a Extrema Esquerda.

Talvez o Luís Lavoura desconheça estranhamente isso.

Talvez também desconheça que foi a ameaça de retaliação em larga escala e a retaliação efectiva em pequena escala contra as agressões da Extrema Esquerda que a parou.

E no fim apesar disso tudo a maior razão para a travagem da Extrema Esquerda foi a Geografia e as suas implicações na logística de uma Guerra Civil.


lucklucky
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De Isabel s. a 29.11.2019 às 00:18

Nos estatutos do ps de Mário Soares, em 1974, estava determinado que o ps só faria alianças com o partido comunista. Era transportar para Portugal a union de gauche pretendida por Mitterrand, em França. O golpe de 11 de março e a vitória do ps nas eleições para a constituição ( que não deram ao pc mais de 13%, embora houvesse o mdp/ cde que lhe era próximo e arrecadou 4% dos votos ), para além da marginalização dos membros ps do governo liderado por Vasco Gonçalves, convenceram Mário Soares e, sobretudo, Salgado Zenha de que não era possível fazer a tal aliança com o pc. Foi só então que o ps virou mais ao centro.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 18:32

Sem dúvida. Alvitraram levar para o Campo Pequeno quem os enfrentasse. Momentos muito confrangedores cujos protagonistas atentavam contra o espírito que norteou o 25 de Abril.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 20:10

O Bloco de Esquerda, o PCP e franjas do PS são os partidos que estão mais próximos de Hitler em Portugal.

lucklucky




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De Pedro Correia a 28.11.2019 às 23:56

Você já tem escrito muitas frases que só merecem repulsa. Mas hoje excedeu-se.
Não abuse do espaço que ainda vai tendo aqui.
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De Anónimo a 29.11.2019 às 19:54

Quem é que tem o Partido Trabalhista Britânico na Internacional Socialista?

Quem é que lê o The Guardian?

lucklucky
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De Anónimo a 28.11.2019 às 16:16

"Ineptos", evidentemente : perderam a guerra...
Kershaw, Hastings ,Beevor , a grande Historiografia britânica actual.


Jsp
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De Pedro Correia a 28.11.2019 às 22:32

Sem dúvida.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 16:20

Muito bom. Nunca é demais relembrar, mesmo que inutilmente.
"... O que mais impressiona, ... é o facto de ela ter ocorrido por vias estritamente legais, cumprindo as regras constitucionais estabelecidas na República de Weimar,...".

As Constituições são apenas documentos que qualquer elite política sempre saberá utilizar em seu proveito.
Não são as sucessivas "constituições" (Tratados) da União Europeia que evitarão -como já se constata- a ocorrência de óbvios problemas neste Continente.
As elites políticas nunca foram tolhidas por documentos, democraticamente ratificados ou não. E os Povos, esses, têm as suas idiossincrasias ancestrais.
PS- Enquanto se proclama publicamente um fútil motivo para mobilizar a esta UE (o clima!), concretizam-se paulatinamente somente os interesses egoístas das elites.
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De Pedro Correia a 28.11.2019 às 23:54

Temos todos o dever de não deixar apagar a memória colectiva. Para que os erros e os crimes do passado não se repitam no futuro.
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De Makiavel a 28.11.2019 às 17:24

«Foi a cegueira da direita conservadora (...) que entregou o poder de uma nação soberana, que albergava toda a agressão reprimida de um gigante ferido, nas mãos do perigoso líder de um bando de arruaceiros políticos»

Cristalino.
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De Bea a 28.11.2019 às 17:27

e que não volte a suceder mal semelhante.
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De Pedro Correia a 28.11.2019 às 18:01

Nunca estamos livres disso. Basta não aprender as lições da História.
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De AP a 28.11.2019 às 18:46

E logo por azar a qualidade do ensino e o interesse dos garotos em aprender andam de mãos dadas pelas ruas da amargura...
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De Fernando Antolin a 28.11.2019 às 19:18

Estou a ler um livro chamado The German War, de Nicholas Stargardt, uma belíssima análise de como a sociedade alemã encarou o início da guerra e o seu comportamento ao longo dela.

É perturbador constatar a resignação, o fatalismo com que se deixou conduzir e até a maneira como foi encarando/ignorando o destino dos judeus e outras minorias.

E incrivelmente resistiu e julgou possível a vitória ou uma solução de compromisso com os Aliados, uma saída airosa para aquela tragédia. Recomendo vivamente.

Grande abraço
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De Pedro Correia a 28.11.2019 às 22:33

Obrigado pela sugestão de leitura, meu caro Fernando.
Abraço amigo.
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De Luís Lavoura a 29.11.2019 às 11:54

Esse Strargardt é mais um histopriador inglês que deveria criticar mais o seu próprio país em vez de criticar os dos outros. É que, ele vive num país que é muito militarista e que passa a vida a meter-se em guerras. Em vez de se interrogar como é que o povo alemão suportou a Segunda Guerra, ele deveria interrogar-se como é que o povo inglês suporta todas as guerras em que se mete.
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De Fernando Antolin a 29.11.2019 às 20:33

Portanto, na sua douta opinião, um historiador e académico distinto, filho dum judeu alemão e duma australiana, que nem sei se será de nacionalidade inglesa, mas ainda que o seja, só deve falar/escrever/estudar/... sobre a Grã-Bretanha, esse país militarista e agressor...

Mutatis mutandis, o douto Lavoura, português de gema, se um dia escrever alguma coisa, sobre história ou qualquer outra realidade, deve cingir-se à de Portugal, única realidade que verdadeiramente deve conhecer.

Olhe, eu quando quero ler algo divertido, prefiro os textos do Art Buchwald , do Jô Soares ou de alguém parecido, poupe-me aos seus devaneios.

Obrigado
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De Anónimo a 28.11.2019 às 20:16

Claro que vai acontecer mal semelhante. A maioria das pessoas é Socialista.

Veja-se o poder que Bea e outras pessoas acredita que a Religião Política deve ter sobre as pessoas.


lucklucky

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De Anónimo a 29.11.2019 às 20:47

E as maiores probabilidade de vir a acontecer hoje serão pelo Grün Reich.

São os "ambientalistas" que querem censurar, perseguir, impedem pela violência conferências como recentemente na Alemanha - sim na Alemanha.
E claro a polícia nada faz e os jornais nada dizem.

lucklucky





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De Anónimo a 28.11.2019 às 19:21

Muito Bom.

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