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Um sábio

por Pedro Correia, em 31.07.20

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Foto: Bruno Gonçalves / Sol

 

Uma entrevista pode ser um grande momento de televisão. Aconteceu na semana passada, no primeiro canal da RTP, no programa Grande Entrevista. António Barreto - um dos genuínos senadores portugueses - pensou em voz alta, durante quase uma hora, sobre algumas das mais relevantes questões nacionais. Com a eloquência habitual e uma notável capacidade de articular ideias. Sem enrolar palavras, sem fazer vénias, sem receio de dizer aquilo que realmente pensa.

Enfim, um sábio. Em diálogo com o jornalista Vítor Gonçalves, hoje um dos melhores entrevistadores da televisão portuguesa. Alguém que está ali realmente para ouvir os entrevistados e não para se ouvir a si próprio - o que vai sendo cada vez mais raro.

Gostei tanto que partilho convosco alguns excertos desta Grande Entrevista. Recomendando, de qualquer modo, que escutem a versão integral. Vale mesmo a pena. Por ser verdadeiro serviço público.

 

.............................................................

 

«A dimensão [deste pacote financeiro de emergência da UE para enfrentar a crise pandémica] é muito superior à do Plano Marshall americano, depois da guerra, para toda a Europa. Haver um plano de recuperação económica que ultrapassa largamente a dimensão financeira do Plano Marshall é impressionante.»

 

«Lamento imenso ouvir pessoas dizer que querem "aproveitar a crise" da doença. Para acabar com o capitalismo, para criar Deus sabe o quê, para resolver os problemas... As crises não se aproveitam: o melhor é tratar delas. Ultrapassar a crise para voltar a adquirir meios para encontrar as soluções.»

 

«Os países do Norte [da Europa] têm razão quando exigem fiscalização e supervisão [das verbas]. Primeiro, e sobretudo, porque é dinheiro deles. Depois porque é dinheiro europeu, de nós todos. E em terceiro lugar porque emprestar ou dar sem saber para que serve é quase criminoso. Dizer isto em Portugal passa quase por traição à pátria, o que não me incomoda.»

 

«Parece uma especialidade nossa: nós perdemos muito tempo com a guerra colonial, com a revolução, com a nacionalização da economia, com a reprivatização da economia. Há cerca de 20 anos que o crescimento português é praticamente nulo.»

 

«Quase todos os países da Europa Central e Oriental que entraram depois de nós [na UE] souberam fazer mais rapidamente as reformas, souberam [criar] economias mais competitivas, souberam encontrar soluções adequadas e não ficaram eufóricos com a adesão. Portugal perdeu muito tempo, muito tempo, muito tempo.»

 

«Precisamos de quantidades enormes de capital de investimento, sobretudo privado. E de investimento produtivo novo, não é chegar cá e comprar o que já existe. É preciso fazer novas empresas, novos produtos, novas indústrias, novos edifícios... Mas precisamos de quantidades colossais. Se só tivermos este balão de oxigénio [da UE], não chega. Daqui a dez anos vamos encontrar a mesma vulnerabilidade, o mesmo tempo perdido.»

 

«[O caso BES] é um dos maiores crimes cometidos na história de Portugal, se tudo aquilo for provado. Crime de roubo, crime de desvio, crime de esbulho do País, das classes sociais que trabalham, esbulho do Estado, utilização intensiva de todos os meios de corrupção, de compra, de venda... Não há na história portuguesa nada que se pareça com isto... Eles contribuíram para dar cabo de Portugal.»

 

«Não devemos esquecer o que se passou nesses dez anos: o ciclo Sócrates mais as crises financeiras, mais a bancarrota (nós ficámos a dias da bancarrota), mais a austeridade, mais toda a questão dos fogos florestais, que parece de somenos mas não é. O BES, por cima disto tudo. E agora a pandemia. Este conjunto de fenómenos em dez anos é destruidor de uma geração, é destruidor do País.»

 

«Era bom conseguirmos castigar quem deve ser castigado. E há muita gente para ser castigada. Se a nossa justiça estiver à altura - e eu não sei se está - era bom castigar para dissuadir e para resolver este problema da corrupção, do nepotismo, do favoritismo e do esbulho dos recursos nacionais.»

 

«O BES foi autor, ou ajudou, ou empurrou, ou acarinhou a destruição do que havia melhor em Portugal do sistema financeiro, do sistema industrial e do tecido empresarial. Nas grandes destruições - estou a pensar na PT, por exemplo - esteve sempre o [Grupo] Espírito Santo.»

 

«Daqui a uns anos será interessante ver quem foi na conversa do Espírito Santo. Quase toda a gente: políticos, partidos, governos, empresários (pequenos, médios, grandes), quase toda a gente...»

 

«O Governo está num momento de ausência de oposição quase total, o que é péssimo. (...) Isto não faz bem nem a Portugal nem ao Governo.»

 

«O primeiro-ministro tem conseguido algumas vitórias importantes. Durar, já é uma vitória política. Tem sabido tratar com as oposições todas, tem sabido tratar com o Presidente da República, tem sabido libertar-se do pior deste Governo, que é a terrível herança Sócrates. Agora não tem nenhuma oposição séria, o que é muito mau.»

 

«Nunca vi um parlamento onde se berrasse tanto como o parlamento português. (...) Dar nobreza ao debate parlamentar era uma obrigação dos nossos políticos.»

 

«Vivi 40 anos em Portugal de concorrência institucional entre o Presidente e o Governo, aquilo que se chama - aflitivamente - o semipresidencialismo. Lembro-me dos problemas gravíssimos que houve entre todos os presidente e quase todos os governos. Estes [Marcelo e Costa] decidiram colaborar e cooperar. Aplaudo, acho bem. O País ganha com isso. Onde começa o problema? Da cooperação e da colaboração, é fácil chegar à cumplicidade. E creio que já lá chegámos. Não gosto da cumplicidade. Quero que o Presidente da República tenha recuo, altura, espaço para poder avisar, advertir, controlar, alertar, fiscalizar.»


68 comentários

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De V. a 31.07.2020 às 10:36

Barreto (que admiro verdadeiramente) esqueceu-se de dizer 3 coisas:

- que o Novo Banco só está a ser salvo porque é o banco onde provavelmente os socialistas importantes têm as poupanças

- que a TAP só está a ser salva porque é onde trabalham as mulheres dos socialistas e da burguesia lisboeta

- que o dinheiro que aí vem vai ser todo enterrado em obras faraónicas, nos corredores dos gestores de fundos, na multiplicação de institutos disto e daquilo que compram logo edifícios que depois são vendidos para grupos económicos onde os gestores desse institutos trabalharão quando vier a próxima bancarrota, nos municípios influentes — em vez de ser DISTRIBUÍDO directamente pelas pessoas que têm menos - excluindo os que já têm bons empregos pagas bem acima daquilo que produzem e já compraram as suas casinhas todas. Ou seja, que em vez se ser dada uma possibilidade às pessoas que nada têm e que têm menos para se educarem fora do sistema de ensino público e reconstruírem as suas vidas, vai ser enterrado com aqueles que já têm tudo.
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De Vento a 31.07.2020 às 20:03

Tem razão. Barreto até diz umas coisas importantes. Porém di-las fora de contexto e fora de tempo.
Portugal devia ter sido pensado em tempo próprio e tempo real. Mas o que tem ocorrido é pensar-se Portugal quando não tem solução.
E quando refiro que não tem solução, penso exactamente no momento presente em que nada mais nos resta que mantermo-nos reféns daqueles que verdadeiramente nos governam: um núcleo da UE.

Quando Barreto afirma "aqueles" que querem acabar com o capitalismo, esquece de acrescentar que esses que "aqueles" falam, sem nunca apontarem para si, são precisamente os subsidiados pelas verbas vindas do exterior: a classe empresarial do estado, a classe empresarial privada, o funcionalismo público, os funcionários partidários e parlamentaristas e não menos importante o núcleo semeado pelo PS e PSD ao longo da dita revolução portuguesa, em particular o clientelismo formado a partir da morte de Sá Carneiro.
O país ficou aprisionado, vilipendiado e esbulhado, em particular, através deste núcleo. E os colaterais, CDS, PCP e BE, combatendo a intentona com palavras, não vão mais longe porque deste caos vivem e sobrevivem.

O Portugal Salazarista em matéria económica e social só difere do Portugal presente na dimensão dos beneficiados/subsidiados - que hoje é mais alargada. E se o povão alguma coisa vai recebendo, e sempre mal e fora de horas, é precisamente para se poder manter essa classe citada dos subsidiados: subsídios que o povão tem pago com língua de palmo.

O problema de Portugal é ter profetas que o são depois dos acontecimentos.
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De Anónimo a 02.08.2020 às 01:08

"O Portugal Salazarista em matéria económica e social só difere do Portugal presente na dimensão dos beneficiados/subsidiados - que hoje é mais alargada. E se o povão alguma coisa vai recebendo, e sempre mal e fora de horas, é precisamente para se poder manter essa classe citada dos subsidiados: subsídios que o povão tem pago com língua de palmo."

Exactíssimamente tal e qual ( o calão é propositado)
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De Carlos Gonçalves a 01.08.2020 às 14:32

Eu acredito que "esqueceu" tudo isso apenas porque não reparou...
Parece-me espartano, não sente necessidade de fazer silêncios...
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De Anónimo a 01.08.2020 às 18:00

O Antonio Barreto e um homem inteligente e o que diz e reflexo disso mesmo.
Vexa nao, e o que diz e tambem, reflexo disso mesmo.
Nao anule comentarios inteligentes, correctos e imparciais com quezilias "pinderico - partidarias" sem sentido, tente ser um nadica como o A. Barreto, inteligente...
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De Antonio Maria Lamas a 31.07.2020 às 10:40

Ele não quer, mas se se candidatasse à Presidência da República, era uma enorme dor de cabeça para o Costa e o Marcelfie.
P.S: Adorava ver a Filomena Mónica como Primeira Dama
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De Pedro Correia a 31.07.2020 às 10:58

Contaria de imediato com o meu voto.
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De António José Sousa Fonseca a 01.08.2020 às 15:11

Curioso. Nunca tinha pensado nisso. Eventualmente seria o único socialista a levar o meu voto.
Marcelo NUNCA MAIS!
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De Pedro Correia a 01.08.2020 às 21:17

Nas presidenciais, mais do que noutras eleições, importa-me sempre mais a pessoa do que o partido a que pertence ou pertenceu.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 31.07.2020 às 12:18

Não simpatizo muito com António Barreto, não o acho profundo, e não lhe aprecio o estilo negro da roupa e do ânimo. Um recém convertido a um conservadorismo escuro. O pensamento dele abarca uma mão fechada. Em Portugal, quem me faz encostar, para ouvir, é Jaime Nogueira Pinto.

Quanto ao Plano Marshall e este, o da covid, é absurdo a comparação se não se levar em linha de conta o valor do dinheiro de então, com o de hoje, e as indústrias daqueles velhos tempos, com as do séc XXI , altamente tecnológicas, especializadas e dispendiosas. Contudo não sei se António Barreto, na afirmação que fez, levou isto em linha de conta.

Depois é óbvio que há um sistema económico vigente que tem sido responsável pela decadência, quer da democracia, quer do capitalismo (os populismos emergiram com a crise de 2008).O BES não é caso isolado. É uma consequência de um sistema que privilegia práticas manhosas. Sim, por vezes é necessário uma grave crise para reformular o sistema (vejam-se as alterações económicas mundiais a seguir à IIGG) . Enquanto os Mercados estiverem blindados e as off shores salvaguardas assistiremos continuamente ao mesmo despudor. Aliás, se há grupos que são grandes demais para cair, então deveriam estar nas mãos dos Estados. É cansativo ver como os Estados têm empregado recursos públicos em empresas privadas que pagam aos seus CEO e accionistas remunerações que um português/cidadão médio nem em três vidas inteiras de trabalho fossado consegue amealhar.

Depois quando se fala no Norte, de ser o dinheiro da UE, dinheiro deles, esquece - se que existem países que dependem economicamente de fluxos de capitais dúbios, por serem, eles mesmos, off shores, por terem há anos superávites, em clara violação dos tratados, e por terem beneficiado, como nenhuns outros, da criação do euro (tendo tido como referência o Marco alemão). Enquanto não houver uma política fiscal europeia mais harmoniosa veremos sempre os grandes ficarem maiores. É também relevante ver quem são os principais consumidores dos produtos feitos a Norte. Desconfio que sejam os insolentes do Sul. Talvez por isso a muitos dê jeito este estado de coisas.

Quanto ao desprimor do Parlamento não me recordo de em 20 anos "aquilo" ter sido muito melhor do que é actualmente.

Quanto ao tecido empresarial português ele é fraco e será fraco porque a história conta-nos que para a emergência de novas indústrias, em países de fraco capital, mas não só, é fundamental a intervenção do Estado, via financiamento, e via protecção alfandegária (como sucedeu e sucede nos EUA e como sucedeu durante o Estado Novo. Só assim surgirão no tempo indústrias consolidadas). Contudo tais práticas são proibidas pelos tratados.

António Barreto está datado. Converteu - se tarde e por isso sofre de "neofitismo"
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De Isabel Paulos a 31.07.2020 às 14:53

Apesar de ser uma figura simpática e sensata, concordo. E sim, para perceber onde estamos e para onde vamos, mais vale ouvir/ler Jaime Nogueira Pinto: não costuma chegar tarde à realidade.
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De V. a 31.07.2020 às 17:10

A questão do "Norte" está muito bem mas nem todos têm características de off-shores. Além de serem sítios onde a ética é individual e não há mantos colectivos para esconder os trafulhas, têm é planeamento a sério — e não planos económicos sem uma única conta de somar feitos por amigos do PM que vieram lá do capim de onde ele veio também.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 31.07.2020 às 20:36

A História da Alemanha, da Inglaterra ou da Holanda está cheia de Companhias das Índias. Não há aí grande ética. Há sobretudo pirataria e pilhagem a rodos
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De V. a 01.08.2020 às 00:07

Estava a falar do presente... O passado dos ingleses is a different country. Mas sim.. é claro que na questão recente da bazuca uma parte do problema era a Holanda resignar-se a ajudar Espanha.

Eu pessoalmente considero que todos os países —para serem minimamente saudáveis e abastados— devem ter uma zona off-shore. Sem isso (e é aqui que a ética entra) não é possível ter uma economia que poupe e invista na sociedade civil porque se a sociedade civil for mais forte e independente isso representa a preservação da liberdade económica e da própria zona franca. O contrário é sempre um poço sem fundo, sobretudo em países com a ética e modelos económicos errados.

A alternativa é entregar tudo ao grão-vizir e nós vivemos em barracas e vamos a Meca uma vez por ano. Também dá, para quem gosta muito de andar de camelo.
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De Anónimo a 01.08.2020 às 17:14

Para Vorph:
Miguel

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De Pedro Correia a 02.08.2020 às 12:35

(o Sapo nunca mais instala aqui um ícone sobre vinho...)
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De Anonimus a 31.07.2020 às 12:29

O Plano Marshall era um plano.
Esta bazuca serve ao certo para quê, já se sabe? Ferrovia, portos, economia digital (quê?), economia circular, descarbonização...
Há alguma ideia de colocar a Europa menos dependente da capacidade produtiva da China, por exemplo?

PS. quando vejo os fundos europeus gastos em rotundas, ajardinamentos, as célebres requalificações, estradas transformadas em vias pedonais, novas estradas, ciclovias que vão dar a local algum, equipamentos (que entretanto estão ao abandono porque ninguém pensou no guito para as manter), tudo somadinho...
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De singularis alentejanus a 31.07.2020 às 16:41

Um dos pontos mais importantes da actual situação, que acontece há décadas: a dependência da capacidade produtiva europeia face à China.
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De Pedro Correia a 01.08.2020 às 10:50

Esse é um ponto fundamental.
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De Pedro Correia a 01.08.2020 às 10:49

O Plano Marshall visava contribuir (como contribuiu) para a reconstrução da Europa depois do maior conflito bélico jamais ocorrido.
Situações diferentes, dificilmente comparáveis. A guerra actual é contra um vírus.
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De João Sousa a 31.07.2020 às 12:38

Ainda há um par de dias o Observador publicou uma outra entrevista a António Barreto. Eu vou coleccionando-as no meu computador.
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De Pedro Correia a 01.08.2020 às 10:46

Excelente ideia, João.
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De Anónimo a 31.07.2020 às 12:40

Bom dia Pedro Correia
Respeitosamente, assino por baixo, foi serviço público e de elevada qualidade.
Servi-me da tecnologia para ver, porque não pude visualizar no próprio dia.
E para si uma mais que merecida chapelada aqui do "Chapéus", pois também considero bom serviço público o Pedro Correia chamar à atenção para estas boas pérolas que a espaços aparecem.
Já quanto a ele candidatar-se a Belém, pelo que sei é coisa que nunca desejou, dizem-me.
Bom fim de semana.
António Cabral
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De Pedro Correia a 01.08.2020 às 10:46

Ainda bem que viu a entrevista, meu caro. Um blogue como o DELITO tem o dever de chamar a atenção dos leitores para momentos como este - de verdadeiro serviço público televisivo.
E, sim, António Barreto nunca teve apetência para uma candidatura presidencial. Talvez também por saber que (salvo no caso já distante de Ramalho Eanes) os candidatos presidenciais emanam, em regra, dos partidos políticos. Foi assim com o PS (Soares, Sampaio) e com o PSD (Cavaco, Marcelo). Antes de serem candidatos a Belém, todos eles passaram pelas lideranças partidárias.

Ainda passarão muitos anos, creio, para que termine este monopólio da Presidência da República pelas antigas gerências partidárias que já dura desde 1986. Tempo de mais.
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De Teresa Ribeiro a 31.07.2020 às 13:14

Uma voz que sempre ouvi com muita atenção. Tenho por ele profundo respeito e admiração. Mete a maioria dos nossos "senadores" num chinelo.
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De Pedro Correia a 01.08.2020 às 10:41

A diferença, Teresa, está no pormenor. Que é "pormaior".
António Barreto é senador sem aspas.
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De Anónimo a 31.07.2020 às 14:03

Grande entrevistado e grande entrevistador!
O grande mal deste país é o facto de os traficantes de influências e dos corruptos incompetentes transformarem isto num tal lamaçal fedorento, que afasta - é o propósito - gente decente, como A. Barreto, dos lugares onde deveria estar. Por direito e por generosidade.
Um país que desperdiça gente desta lisura, verticalidade e espessura moral só pode ser decadente e pobre!
Mas não é só de corrupção e tráfico de influências que o país sofre. Sofre também de narcisismo doentio - o que é também deveras motivo de atraso e subdesenvolvimento: compare-se, por exemplo, A.Barreto com essa figura sinistra ( pode ser lido com duplo sentido: em português e em italiano ) e intelectualmente desonesta que é Pacheco Pereira - homens da mesma geração - e facilmente encontramos mais uma causa do nosso atraso económico e social. "O Caso Mental Português", de Fernando Pessoa, é o paradigma da casta que nos pastoreia e do provincianismo que nos rodeia. "A Loucura Universal", de Raul Leal, é o paradigma da (falta de) saúde mental que tanto nos atormenta.
"Tudo isto é triste, tudo isto é fado!"

J M
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 31.07.2020 às 15:13

Sobre o berro nacional, contraponho o berreiro parlamentar inglês : Order!!!!

Bom e vou continuar, com a vossa permissão, pois nada mais tenho a fazer (dentro de 10 minutos irei ver o resto do Batman, do Christopher Nolan)

Países democráticos com dívidas nacionais acima de 100%, que liberdade terão para essas grandes e radicais reformas estruturais? Qualquer reestruturação implica aumento do desemprego, e um acréscimo de despesa com o Estado Social. Sabendo que um governo "dura" 4 anos qual será o Partido político suicidário capaz de levar a cabo dita reorganização? Para haver reformas sérias a democracia precisa de ser suspensa durante bem mais de 6 meses.

Sobre a dicotomia maniqueísta Norte-Sul relembro o escândalo do caso grego onde a comissão mascarou, enquanto pôde, as aritméticas helénicas, onde foram aprovadas ajudas financeiras com a premissa do Estado grego não parasse de comprar submarinos e carruagens de metropolitano "Made in Germany".

Sobre a dívida grega e o frugalismo germânico :

Um estudo do instituto econômico alemão IWH sustenta que a Alemanha beneficiou com a crise da dívida na Grécia pelo pagamento de juros menores na emissão de títulos da dívida.

Desde 2010, o governo alemão já economizou mais de 100 bilhões de euros, afirmaram pesquisadores do IWH. O valor é superior aos 90 bilhões de euros em empréstimos concedidos aos gregos.

Ou seja, mesmo na improvável hipótese de a Grécia não pagar nada de volta, a Alemanha sairá ganhando com a crise.

https://www.google.com/amp/s/amp.dw.com/pt-br/alemanha-ganhou-com-a-crise-grega-afirma-estudo/a-18639284

Aliás, dita conclusão foi secundada por instituições norte americanas.

Sobre os impostos de cá, quem me garante que não são resultado da falta de impostos de lá :

https://www.google.com/amp/s/www.sabado.pt/dinheiro/amp/portugal-perde-236-milhoes-por-ano-para-a-holanda-em-paraisos-fiscais

António Barreto deverá lembrar-se que para aprender é necessário esquecer todos esses lugares comuns, essas sentenças batidas, essa conversa agastada de tabacaria.

Até já
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De V. a 01.08.2020 às 17:38

népias, copy paste de uma cena em brasileiro

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De Vorph "Girevoy" Valknut a 01.08.2020 às 23:33

Mesmo com Bolsonaro, o Brasil parece contar muito mais que a Metrópole. Até nisto Portugal foi original (não, a distância do Reino Unido para os EUA não é tão grande)

DW é um canal alemão, não tendo eu pachorra para traduções
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De V. a 02.08.2020 às 00:52

O problema é eles usarem a nossa língua — um "bilhão" sei lá o que é.

Nisso da crise da dívida não me meto, não percebo do assunto. Mas recordo que o fulano que chamou a troika disse em alto e bom som que a dívida "não é para pagar, é para gerir" e depois caíram-nos em cima sem dó nem piedade.
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De Makiavel a 02.08.2020 às 09:34

Senador de tabacaria, diria eu.
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De Pedro Correia a 02.08.2020 às 12:36

Você anda obcecado com tabacarias. Cheira-me a ex-fumador com sintoma de privação.
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De Makiavel a 02.08.2020 às 16:45

É uma costela pessoana adormecida. Sem privação de espécie alguma.
Aqui para nós, o Barreto está a ficar senil, tipo Medina Carreira 2.0.
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De Anónimo a 31.07.2020 às 16:26

«Parece uma especialidade nossa: nós perdemos muito tempo com a guerra colonial, com a revolução, com a nacionalização da economia, com a reprivatização da economia. Há cerca de 20 anos que o crescimento português é praticamente nulo.»

Não foi nulo, foi negativo, a dívida não parou de aumentar.

Logo deveria tirar a conclusão que pior não foi o BES mas sim a educação dos Portugueses. A educação dos jornais, da escola, dos pais.


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