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Delito de Opinião

Um resumo de como aqui chegámos

Paulo Sousa, 16.01.22

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O debate da passada quinta-feira entre António Costa e Rui Rio, transmitido pelos canais televisivos generalistas, teve uma grande audiência e, apesar de ainda ser cedo para o sabermos, no futuro poderá vir a ser lembrado como um ponto de viragem na trajectória política do país.

Não vale a pena alimentar a questão de quem ganhou o confronto, pois isso permite apenas saber a simpatia prévia de cada opinador. No pós-debate televisivo isso foi muito claro. Saltando de canal e canal, apanhei uma sequência de comentários na CNN que achei representativa do que de facto está eu causa no próximo dia 30.

Mafalda Anjos:
“Não acho que tenha sido um debate facilmente inteligível para a maioria das pessoas.”

Anabela Neves:
“Rui Rio remete para a situação económica a execução de uma série de políticas, até algum aumento do SMN, ou seja, se a economia ajudar, se não houver inflação, não se compromete com nenhuma meta económica.” (…) “Isso é uma falha do líder do PSD (…) porque está tudo tão dependente da economia que tudo pode ser ao contrário.”

Sebastião Bugalho:
“A grande mais-valia de Rui Rio é a honestidade de dizer que “eu só vou fazer X se a economia o permitir (…) Isso é uma das forças desta campanha. (…) Eu, ao contrário do senhor, não vou prometer o impossível.”

Mafalda Anjos:
“A dúvida é saber se isso é galvanizador para as pessoas.”

Por oposição ao que foi dito nesta pequena sequência, é fácil entender que com o PS no governo as benesses a distribuir estarão garantidas, em qualquer circunstância, mesmo que a economia não o permita.

No tempo do escudo, os aumentos de 10% dos salários eram acompanhados de uma desvalorização da moeda de 20%. Assim se calava quem exigia ordenados mais altos e ao mesmo tempo ia-se-lhe ao bolso de forma indirecta.

Com a política monetária nas mãos do BCE a trapaça acima referida tornou-se obsoleta. As baixas taxas de juro associadas ao euro tornaram-se assim a saída para quem, de bolsos vazios, promete farturas. E assim chegamos a 2022 com duas décadas de estagnação económica e endividados para mais de duas gerações.

Será que este debate foi de facto “inteligível para a maioria das pessoas”? Será que a honestidade de Rui Rio não é “galvanizadora para as pessoas”? Será mesmo uma falha do líder do PSD assumir que “eu só vou fazer X se a economia o permitir”?

No dia 30 saberemos o que os portugueses querem para o seu futuro.

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