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Há dias aqui escrevi um breve postal a propósito das reacções portuguesas às mortes por afogamento  de dois salvadorenhos que tentavam cruzar a fronteira norte-americana, reacções essas que invectivam o governo americano. E comparei-os com as reacções que o mesmo tipo de locutores tiveram aquando da discussão sobre os fluxos migratórios portugueses durante o anterior governo - os quais, já agora, não só eram anteriores como lhe sucederam.

Logo alguns comentários surgiram, com aquela rispidez que aqui no DO se mantém constante, querendo ensinar-me que as migrações oriundas da América Central não têm as mesmas causas e conteúdos das que emanam do nosso Portugal ("o que é que um tipo responde a este tipo de comentários?", resmungo-me. "Nem respondas ...", respondo-me). Outros (de facto, os mesmos) reavivam - como se fosse isso o relevante no meu postal - que o anterior primeiro-ministro mandou os portugueses emigrar, em particular os professores. E assim, entre a reprodução de chavões construídos por políticos e ecoados pelos jornalistas avençados, e a mania presumida de dar lições com a mão na anca, as auto-certezas se vão mantendo e reafirmando. O mero achismo.

Enfim, a única coisa que procurei dizer é que não é inteligente apontar apenas causas norte-americanas às derivas dos fluxos migratórios oriundos da América Central. Que estes terão causas endógenas. E que é estranho que ninguém as refira quando tanto discurso, e tão exaltado, há sobre o assunto. Que, neste caso, ninguém na imprensa, blogs ou redes sociais, surgisse a falar de El Salvador. Eu pesquisei, o assunto da situação político-económica da América Central e de El Salvador é bem secundário no mundo google mas encontra-se algo. Mas a esmagadora maioria fica presa à fúria anti-yankee (ou anti-partido republicano) e nem liga a isso. É uma mundividência. Ignorante. E racista, no sentido de desvalorizar dinâmicas sociais em contextos não "ocidentais", com o pântano nocional que este termo carrega.

E ontem li no New York Times as declarações do novo presidente de El Salvador, sobre o drama daquela família migrante. Certo que é um discurso de quem acaba de chegar ao poder. Mas é significante. Será que os comentadores do DO, em particular os (quase)sempre ariscos, porão as mãos nas ancas diante destas declarações?

Há mais um assunto que quero abordar neste postal cansado. Eu nunca votei no PSD liderado por Passos Coelho. Em 2011 bloguei que votaria CDS, apesar de não ser demo-cristão (se é o que o CDS ainda o era), "porque não tem aparelho autárquico", voraz como todos estes o são. E nas eleições seguintes bloguei que votaria PAN (do que me arrependo agora) exclusivamente porque Passos Coelho acabara de discursar na terra natal de Dias Loureiro apontando-o aos jovens como um exemplo. Entenda-se, num país homogéneo como o nosso (e para os da mão-na-anca, dizer um país homogéneo não é dizê-lo sob uma unicidade sociocultural) as dinâmicas anti-democráticas vêm da degenerescência do sistema político, da sua cleptocratização. Como tal, apoiar Dias Loureiros ou Silva Pereiras não é apenas uma imoralidade ou uma parvoíce clubística, é cumprir (ou deixar cumprir) uma agenda anti-democrática. Por mais meneios que se tenha. Coloco estre intróito para contextualizar o que se segue: não sou um eleitor PSD ou um "seguidor" de Passos Coelho.

Eu fui professor (português) em África (Moçambique) durante quinze anos. Antes disso tive como trabalho a obrigação de acompanhar (não coordenar, mas acompanhar) as actividades dos professores portugueses no país - alguns ainda na figura de "cooperantes"- bem como das escolas locais, que existiam em várias cidades, com paralelismo pedagógico com o sistema português, algumas das quais tinham professores portugueses. Depois, uma década depois, a minha filha estudou durante cinco anos na Escola Portuguesa de Maputo, então já uma escola oficial (instalação a qual acompanhara profissionalmente). Conheci vários professores portugueses dessa e doutras escolas, e com alguns constituí amizades. E ao longo dos anos conheci inúmeros professores moçambicanos, universitários meus colegas, secundários e primários. E trabalhei com professores secundários e primários, tanto como informantes em trabalhos avulsos, como na condição de intérpretes. Após a crise portuguesa de finais da década passada recebi uma assustadora quantidade de pedidos de ajuda e/ou informação sobre como emigrar para Moçambique. Muitos deles de professores. Na sua maioria de gente que não conhecia (muitos contactos vinham através do google, imensos através do célebre "amigo de amigo ..."). Sobre isso escrevi algumas vezes, até em registo sorridente.

Assim sendo, e apenas por isso, e ainda que com a cinquentenária consciência das minhas limitações intelectuais e da monumentalidade da minha ignorância global, em 2011, quando Passos Coelho falou de emigração de professores, eu sabia - por razões biográficas e interesse profissional - muito mais, incomparavelmente mais, sobre professores portugueses em África do que a esmagadora maioria dos meus conterrâneos. E, por maioria de razão, do que os comentadores actuais do Delito de Opinião.

Sei que alguns membros do governo de então aconselharam, assim como se que en passant, os compatriotas a emigrarem (ao longo da vida quantas vezes me perguntei, sobre gente no poder ou no topo da administração pública, "onde irão buscar estes bandalhos?". Nunca terei encontrado ninguém mais diminuído intelectualmente do que Vitalino Canas - expliquei aqui - mas há outros que se aproximam ...). Mas ao saber que Passos Coelho falara sobre a hipotética emigração de professores para África fui ler, com enorme interesse e com o tal meu conhecimento privilegiado. E o que era imediata e nitidamente claro é que o homem respondera muito competentemente - até de modo surpreendente para um primeiro-ministro, que tem inúmeros assuntos para apreender. Ele não mandou emigrar nem sequer aconselhou. Explicitou, acertadamente, a situação. Escrevi então sobre isto (até com citação da famosa entrevista), o postal "Passos Coelho e a emigração dos professores.". Caramba, alguém que conhece a realidade em questão que mais poderia pedir de um PM? Bem pelo contrário, só se poderia esperar menor conhecimento e reflexão. Alguns dias depois botei o postal "O Emigrão", sobre o significado do desatino generalizado em torno daquela entrevista. Um desatino demagógico mas, acima de tudo, ignorante.

Porque volto, e de modo tão detalhado, a esta velha questão, despicienda hoje? Porque há decerto imensa coisa que se pode criticar a Passos Coelho sem termos que cair na inanidade de papaguear o que políticos e colunistas avençados então botaram, fazendo as pessoas crer naquilo que não é verdade. E a operação intelectual é exactamente a mesma no que se refere aos migrantes, seja para a Europa, seja para os EUA, seja para a África do Sul (desta temática não se fala, por outras razões), ou para outros pólos de atracção. Não precisamos de ser trumpianos, de crer que muros impedem migrações, de abominar emigrantes (nunca percebi como há portugueses que abominam emigrantes, mas isso é outro assunto). Não precisamos de negar as assimetrias no mundo, os efeitos da velha doutrina Monroe e da sua perenidade. Mas também  não precisamos de papaguear as inanidades, mais ou menos moralistas, que os "teclados arrebitados", tantas vezes mercenários, rabiscam. Sobre os EUA, sobre Passos Coelho. Ou sobre outras coisas, por exemplo a excelência de Silva Pereira, para falar na espuma dos dias.

E isto tudo passa, evidentemente, pela atitude nas caixas de comentários bloguísticos. Apenas como detalhe. Mas também. E são estas que me provocam esta longa jeremíada, até memorialista.

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30 comentários

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De António a 05.07.2019 às 09:39

Fala-se pouco dos 260 mil que já emigraram desde que Costa ligou a geringonça.
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De jpt a 05.07.2019 às 17:43

não cabem na "narrativa".
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De JPT a 05.07.2019 às 09:49

Obrigado pelo link. Dá vontade de ir a El Salvador buscar o presidente e deixar lá aquele que disse em Pedrogão Grande ""o que se fez foi o máximo que se poderia ter feito."Não era possível fazer mais". E parabéns atrasados!
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De jpt a 05.07.2019 às 17:55

Caro maiúsculo, obrigado pelos votos. Quanto ao que diz: discordo totalmente, nada me move contra o povo de São Salvador, para que lhe possa desejar tão infausta imigração.
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De Anónimo a 05.07.2019 às 17:55

Agora sou eu que agradeço, pela gargalhada.
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De JPT a 05.07.2019 às 17:57

Era o JPT maiúsculo (acabado de receber a liquidação de IRS, logo, a precisar de uma gargalhada).
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De Manuel Gonçalves Pereira Barros a 05.07.2019 às 10:00

Silva Pereira sentado ao lado de Sócrates, na AR,passando-lhe as folhas de papel com os elementos necessários ao discurso?
E o riso das bancadas com as contradições dos opositores,em défice de memória? É de pôr os cabelos em pé!
Que saudades dessas barrigadas de riso...
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De jpt a 05.07.2019 às 17:56

É uma desgraça pátria. E saber que em cada 10 adultos há um que vota em silvas pereiras ... Não há nada a fazer.
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De Anónimo a 05.07.2019 às 10:57

Eis o que os ingleses entendem por "decência".
Cpmts.


JSP
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De jpt a 05.07.2019 às 17:56

saudações
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De Anónimo a 05.07.2019 às 11:33

O problema de Passos foi muito mais de Estilo do que de Conteúdo. Quando alguém adopta uma determinada retórica, complementar a uma determinada filosofia económico- politica, é extremamente dificil interpretar o significado do que se diz, do propósito porque se diz.

Lembre-mos que Passos referiu-se ao Desemprego, como "oportunidade", que tentou várias vezes " naturalizar" uma emigração, não livre, no sentido de depender exclusivamente de uma vontade/ambição pessoal, e por isso legitima e merecedora de aplauso, mas de uma outra, bem diversa, que obriga, por desgraça do país, aos que cá querem ficar, a sair, à separação traumática, e por isso de lamento (recordo-me de ver os choros de despedida nos aeroportos). O mesmo Passos que falava aos desempregados, aos atingidos pelo pé da crise, para "sairem da zona de conforto" (um individuo, que segundo se sabe, fez vida, apenas, em empresas de amigos), de "não sermos piegas", da condescendência perante a " destruição (criativa) de empregos e empresas" Lamento, mas como líder de um país, em crise, gostaria de ter visto e ouvido outro tipo de postura, respeito, dignidade e sobretudo empatia.

Vitor Vaz.
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De Anónimo a 05.07.2019 às 13:52

Lembremos e não lembre-mos....

A.T
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De jpt a 05.07.2019 às 17:58

Vitor Vaz eu não estou - e julgo que é explícito - a defender Passos Coelho. A minha questão são os limites de como lemos e interpretamos o mundo (e não só Portugal) nesta era. E a forma como se interpretou o discurso de Passos Coelho é sintomática disso.
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De jo a 05.07.2019 às 11:53

Ninguém está a apontar causas somente norte americanas às migrações. Mas a responsabilidade pela receção dos migrantes nos EUA não é dos países de origem.
Ninguém diz que a emigração se fez somente durante o tempo de PPC. O que é inegável foi que a certa altura ele procurou minorar o descalabro económico que a sua política estava a provocar (aumento do desemprego, descontrolo das contas públicas provocado pela diminuição súbita da massa salarial) incentivando a emigração. Não como política consistente (era pouco adepto dessas) mas como desejo ou solução de recurso.
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De jpt a 05.07.2019 às 17:58

Acho relevante esse "ninguém". Em tempos chamava-se-lhe o "plural majestático".
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De jo a 05.07.2019 às 19:28

É o mesmo processo quando diz que há comentários que afirmam algo que quer refutar sem os nomear.
É possível começar por referir que os "outros" dizem barbaridades mas estão enganados, e a seguir apresentar as nossas ideias. Não vamos aqui dizer que ouve "vozes" com certeza.
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De jpt a 07.07.2019 às 00:08

Não comentador jo, não é mesmo, e isso sabe-o. O postal a cujos comentários aludo está identificado neste meu texto, tem ligação. Basta seguir essa ligação ("clicar") para se chegar a esses comentários. E assim se perceber o tipo de textos que refiro neste meu postal. Comentários que dizem atoardas - e digo atoardas pois nada têm a ver com o que eu escrevera - como esta: "Comparar a migração recente em Portugal com a migração de pessoas que arriscam a vida para passar uma fronteira é não ter noção das proporções.", um comentário assinado por si (presumo). Isto não tem nada a ver com o seu "ninguém". Há vários comentários naquele texto que repisam explicita ou implicitamente o renhanha. Que não serve para nada a não ser para isso mesmo, repisar renhanhas
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De Vento a 05.07.2019 às 13:16

Comentar estragaria a sua posta. Procurei demonstrar, na sua anterior posta, como se transformou o fenómeno (e)migratório natural num pesadelo (o do abandono), devido a inépcias de políticos. Fico por aqui.
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De jpt a 05.07.2019 às 17:59

Estragar não estragaria. Saudações
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De Miguel a 05.07.2019 às 17:12

Mas ninguém aponta culpas somente aos norte-americanas, até pela simples razão de que todas as malfeitorias que eles para lá fizeram e fazem têm sempre a colaboração das oligarquias e máfias locais.
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De jpt a 05.07.2019 às 17:59

Como disse acima, e repito, "acho relevante esse "ninguém". Em tempos chamava-se-lhe o "plural majestático"."
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De Miguel a 05.07.2019 às 19:53

Não, senhor. Na verdade é completamente irrelevante, o resto da frase é que importa.
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De Miguel a 05.07.2019 às 22:35

Já no que diz respeito a Hiroshima e Nagasaki não há "plural majestático" que lhes valha.
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De Anónimo a 05.07.2019 às 22:30

Antes de mais, como escrevo sobre si e sobre mim, creio que isto deve ficar 'só entre nós'.

jpt, o seu post de hoje levou-me a tentar 'conhecê-lo'. Já o lia no DO mas pensava que era mais uma pessoa, calma e educada. Coisa, aliás, rara no DO, por muito que o Sr. Correia não aprecie reparos.

Eu já vou no 77o ano de uma vida 'vivida em calma' e cheia de coisas grandes e de coisas pequeninas. Vivi-a com o cuidado com que a educação recebida me moldou.

Espantou-me, estranhei, a sua prosa. O facto de se abrir a quem quiser lê-lo.
E a sua segurança que julgo ser fruto de saber, de saber ser e de saber estar.

Não sei como jpt era 'antes de Moçambique'. Eu senti em todos aqueles que conheci — nascidos e/ou vividos em Moçambique — uma força, um saber viver a liberdade, como não encontrei em mais ninguém.

Matutei se seria da luminosidade, da proximidade da Natureza, enfim... nada concluí, nem nada perguntei.

Tudo isto para lhe escrever que de si deve irradiar o bom exemplo. Combateu o bom combate.

Obrigado,
oliveira
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De Pedro Correia a 06.07.2019 às 15:29

Chiça. Aqui está um leitor que, tanto quanto sei, nunca se me dirigiu. Mas aproveita um elogio a um colega de blogue para me dar uma canelada. Com aldrabice.
Basta consultar o longo arquivo deste blogue, que permanece inalterado e consultável a qualquer momento por qualquer um.
Sempre houve críticas, sempre polémica, sempre houve réplicas, sempre houve atmosfera plural.
Nada de comentários fechados (como no Abrupto ou no Causa Nossa). Nada de monolitismos.
Da minha parte nunca deixei um leitor sem resposta.

Dizem que a idade traz sabedoria. Nem sempre, infelizmente. Como bem fica demonstrado.
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De jpt a 07.07.2019 às 00:11

Não percebo o teu espanto camarada coordenador, o nosso prezado comentador apenas segue a antiga e prestigiada tradição portuguesa: um elogio (neste caso que me tem como objecto, algo que agradeço ainda que o pense exagerado) apenas se explicita como forma de criticar outrem. Caso contrário até parece mal ...
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De Anónimo a 07.07.2019 às 15:56

Cá está o Sr. Correia e os seus melindres.

Graças a Deus que o DO (ainda) tem colaboradores de nível.

Anos de DO levam-me a elucidá-lo: deixei de lhe endereçar escritos por causa da censura (mui democrática) ou por as respostas (mui reles).

Nem sabe comer bem no Algarve... Só nos chiques.
Passe bem, com saudinha, Sr. Correia.

oliveira
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De Pedro Correia a 07.07.2019 às 19:52

Vá pela sombra, oliveirinha (seja lá você quem for).

E cuidadinho com as correntes de ar. Não se constipe.
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De Anónimo a 08.07.2019 às 13:21

Eu diagnostico facilmente quando uma pessoa é ordinária. Até o Eu nos DELITO há dez anos. Só cagança e ilusão de posse.
Para reles só lhe faltam as asas, Pedrito.
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De jpt a 08.07.2019 às 13:38

Ora bolas anónimo, eu li-lhe o comentário para o publicar e julguei que estava a assinar pedrito e a chamar-me ordinário a mim. Assim não vale, vir comentar num texto meu para insultar o camarada coordenador. Não é por ele, que tem fama de dormir placidamente, é mesmo por mim, um desmerecimento, um gajo aqui a teclar e nem uma porrada, um sarcasmo, um insulto, só há atenção para o outro ... raisparta

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