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Um passado não tão remoto assim

por João Sousa, em 14.09.20

A propósito do recente episódio Costa/Benfica, lembrei-me desta notícia que li há sete anos no Público:

«O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, inaugura nesta sexta-feira o Museu Cosme Damião, que retrata mais de 100 anos de história do clube, lamentando as ausências de Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho.

Em entrevista ao jornal do Benfica, Luís Filipe Vieira diz que a inauguração do museu “merecia a presença dos dois representantes do Estado português”.

“Não sei se é estranho, só posso dizer que o lamento, porque acho que a inauguração deste equipamento cultural (e não desportivo) merecia a presença dos dois representantes do Estado português”, refere o presidente do Benfica sobre as faltas de comparência de Presidente da República e primeiro-ministro.

Luís Filipe Vieira lastima também que nem Cavaco Silva nem Passos Coelho tenham marcado presença, a 15 de Maio, na final da Liga Europa, em Amesterdão, que o Benfica perdeu para o Chelsea (2-1).

“Deve ter sido a primeira vez na história em Portugal que tal sucedeu, mas não me cabe a mim fazer juízos de valor, mas é evidente que o lamento. Recebemos sempre bem quem nos visita e apenas podemos estranhar estas ausências em dois momentos tão significativos da vida do maior clube português”, frisa o líder “encarnado”. (...)»


Naquela inauguração, note-se, esteve o então presidente da Câmara de Lisboa António Costa, que já no ano anterior fizera parte da "comissão de honra" de Luis Filipe Vieira e a quem este "lançou o desafio de encontrar um espaço à altura do nome de Eusébio, a grande figura de destaque nesta cerimónia", repto prontamente aceite por Costa: "Eusébio merece muito mais do que uma rua, uma avenida ou uma praça. A melhor forma de homenagear é, em conjunto com o Benfica, um grande parque desportivo que contribua para a formação desportiva, social e cívica dos jovens da cidade de Lisboa".

Não, o que se passou agora não foi um acaso nem um escorregão: foi um sistema.


24 comentários

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De V. a 14.09.2020 às 15:15

Este nojo de colar o Benfica a Lisboa, a Portugal, ao "desporto" e ao Estado — em que até os jornalistas falam da "falta de comparência" de um PR e de um PM.

Nojo absoluto.
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De João Sousa a 15.09.2020 às 08:48

É o regime...
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De Anónimo a 15.09.2020 às 18:00

Jornalistas? Como assim? Foi o Vieira que disse isso. O jornalista reproduziu.
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De Anónimo a 14.09.2020 às 15:15

Ao reforçar, em Benavente, e passo a citar

"Mais uma razão acrescida para que não misture de forma alguma aquilo que são as minhas responsabilidades enquanto agente político com coisas que rigorosamente nada têm ou tiveram a ver com a minha vida política ou funções"

o PM António Costa acaba de demonstrar que não tem a mínima noção de como as funções de PM devem ser assumidas e desempenhadas num país da UE em pleno século XXI nem de como deve comportar-se com um mínimo de decoro e dignidade. A Ana Gomes tem toda a razão.
Por muito menos, outros tiveram a umbridade e o bom senso de se demitirem.
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De João Sousa a 15.09.2020 às 10:11

Em 2017, Costa até pode ter esperado pela extinção dos incêndios de Pedrógão Grande para ir de férias - mas não se foi embora sem encomendar um estudo de opinião sobre o impacto dos incêndios na popularidade do governo. Hombridade? Há páginas do dicionário que há muito foram arrancadas e queimadas.
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De Anonimus a 14.09.2020 às 15:59

Engraçado dizerem que o problema é o Vieira ser suspeito disto ou daquilo, ou ter um calote no novo Banco.
Como se um Primeiro Ministro apoiar uma lista para umas eleições de uma qualquer organização não fosse por si só reprovável.
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De balio a 14.09.2020 às 16:10

Muito bem. Concordo.
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De João Sousa a 15.09.2020 às 08:53

Tem razão. Muitos dos críticos estão-se a focar na árvore quando se deviam focar na floresta. Será uma forma encapotada de justificar, num futuro, a continuação da promiscuidade em "condições normais"?

Mas acredito também que algumas almas generosas, na sua imensa ingenuidade, estão a querer dizer que "pelo menos mantivesse a distância nesta situação".
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De balio a 14.09.2020 às 16:09

A mim não me parece descabido que o presidente da Câmara de Lisboa esteja presente na inauguração do museu de um clube de Lisboa. Tal como não me pareceria descabido que o presidente de outra Câmara qualquer do país estivesse presente na inauguração de umas quaisquer instalações de um qualquer clube do seu concelho.

Também não me parece descabido que um governante qualquer esteja, em representação do governo, presente numa final internacional qualquer em que participe um clube português.

Mas parece-me sem dúvida de mau gosto um governante meter o bedelho na vida interna de um qualquer clube, apoiando este ou aquele candidato.
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De Daniel Ferreira a 14.09.2020 às 21:36

«Também não me parece descabido que um governante qualquer esteja, em representação do governo, presente numa final internacional qualquer em que participe um clube português.»

Isso inclui o kickboxing? A canoagem? O bridge? O padel? O gamão? A vela? O andebol? O rugby? o hóquei em patins? O kendo? Ou está a falar apenas da puta da bola?
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De balio a 15.09.2020 às 09:19

Claro que, em princípio, inclui essas modalidades.
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De Daniel Ferreira a 15.09.2020 às 16:55

Não entendeu aonde eu quis chegar. E a bola não merece a atenção de um político sério. Muito mais mereceria um qualquer jogo de futebol entre solteiros e casados.
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De Anónimo a 14.09.2020 às 16:16

No mínimo estranho, parece - me que tanto o Anibal como o Pedro são de alguma forma nostálgicos dos 3 Fs.
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De Costa a 14.09.2020 às 17:12

Os "três f" nunca o foram como agora.

Fátima foi o que se viu nos últimos dias. E tão comentado, desde logo por comparação e como vingançazinha, com a recente manifestação de equivalência religiosa, entre nós, à esquerda. E voltemos ao tema quando as coisas por cá piorarem.

Do futebol é o que sabe. Aliás a nossa "intelligentsia" pode guerrear-se para lá do imaginável, enquanto nos pastoreia para lado nenhum (na melhor hipótese) que quando toca ao futebol logo se irmanam em torno do "seu" Benfica, Sporting ou Porto. O resto, quanto a clubes, parece nem contar, tirando a conhecida e algo solitária inclinação do PR.

Quanto ao fado, foi coisa rasca, marialva e reaccionária. Para alguns será ainda, como agora se diz, machista e "patriarcal" (o novo insulto máximo, parece, que se pode arremessar a alguém). Mas não há da direita à esquerda família bem - de sangue ou outro vínculo, político desde logo - que não tenha entre os seus menino ou menina que cante ou muito aprecie fado ou fadista(s).

Costa
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De xico a 14.09.2020 às 20:09

HÁ COISAS QUE SE COLAM A UNS E NÃO A OUTROS
O regime que Salazar nos impôs ficou para sempre colado aos 3 Fs: Fado, Futebol e Fátima, no entanto aquele ditador não gostava nem de Fado nem de Futebol e desprezava Fátima onde só compareceu para a visita que Paulo VI ali fez, subalternizando Lisboa, mas limitou-se aos cumprimentos sem audiência e não comungou.
No pos salazarismo o Futebol é o que se vê: primeiro ministros e presidentes da Câmara empenhados; o Fado, de canção rasca e decadente passou a património mundial, Amália e Eusébio no panteão, e Fátima já recebeu 4 visitas papais com honras de Estado.
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De Antonio Maria Lamas a 14.09.2020 às 16:24

Há 7 anos ainda havia decência em São Bento e em Belém.
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De Antonio Vaz a 14.09.2020 às 21:05

Antonio Maria Lamas,
2020 - 7 = 2013... 2013 «decência em São Bento e em Belém»? Fala do PPC e do Cavaco, não é? Tenho de confessar que até admiro o seu sentido de humor... vou deitar-me e tentar até esquecer o seu comentário - é que se não o conseguir esquecer, sei que vou passar o resto da noite a rir sempre que pensar na imagem de "decência" dos 2...
Obrigado pelo seu comentário... valeu a noite!
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De João Sousa a 15.09.2020 às 09:07

Alguma. Não esqueço, por exemplo, que ambos mantiveram a relação política com Dias Loureiro quando já se sabia o suficiente para aconselhar a distância. Mas sim, considerando a libertinagem que se vive, é como comparar a água e o vinho: havia pelo menos uma ideia da responsabilidade institucional dos cargos.
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De Bea a 14.09.2020 às 17:15

Digo apenas que fiquei envergonhada por ter assim um PM.
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De João Sousa a 15.09.2020 às 09:30

Quer dizer que ainda tinha expectativas em relação a ele? A Bea deve ser uma excelente pessoa... :)
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De Anonimus a 14.09.2020 às 18:44

Percebe.se o dilema de Costa.
Por um lado há vontade de sair, pois isto vai dar um estoiro valente (sanitário e/ou económico), e o Costa foi desenhado para gerir as vaquitas gordas, não para governar em tempos difíceis.
Por outro lado há vontade de ficar, pois vão cair uns dinheiros extra da UE, e a família socialista precisa de assegurar sustento.
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De João Sousa a 15.09.2020 às 09:48

Sair para fazer o quê? Costa nunca fez outra coisa na vida senão política.

Se fosse há um ano, quando a maquilhagem das contas orçamentais já mostrava algumas fendas (em Janeiro, as insolvências de empresas aumentaram 20% e a criação de novas empresas diminuiu em 20%), acredito que sim, que ele e Centeno quisessem sair antes de as castanhas que foram deixando no lume lhes rebentassem nas mãos. Mas agora? Agora, para todos os efeitos, nenhuma responsabilidade lhe(s) vai ser atribuída: todos os problemas que começavam a ser evidentes, e mesmo aqueles que já existiam como a decadência dos transportes, a míngua dos serviços estatais e o permanente atraso do SNS, vão simplesmente ser diluídos na grande desculpa "Covid".

E, como diz, vêm aí mais uns quantos milhares de milhões para distribuir pelas clientelas - como, por exemplo, a empresa da mulher e sogra do secretário de Estado da Mobilidade que, formada alguns dias depois da tomada de posse do primeiro governo de Costa, já facturou dois milhões de euros em contratos com o Estado.
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De Antonio Vaz a 14.09.2020 às 20:51

Ó JS, desculpe-me lá estar a recorrer ao seu "post" como (aparente único) bobo da corte (relativamente a todos os outros "posts") sobre o mesmo assunto: é que este blogue começa a parecer o "Trio de Ataque" (e só menciono este programa de variedades “futebolísticas” porque só tenho acesso à RTPi)?

Eu sou dos que, em 1980, se inscreveu no Benfica de Viseu para poder ter acesso à carta de campista (na altura, o campismo era ainda - herança do passado - como que uma activade subversiva que precisava de ser enquadrada oficialmente – confesso que não sei se ainda hoje o é?) apesar de toda a minha família mais chegada, na sua vasta maioria (99,8%), até ser do Sporting... na verdade, provavelmente por ser um desses portugueses nascidos angolanos, anti-fascistas mas acima de tudo, anti-colonialistas, nunca consegui "viver" o "futebolismo" como (acabei por descobrir nos poucos anos em que vivi em Portugal como) qualquer português deve viver: no café da rua, à segunda, eu era um extraterrestre acabado de aterrar no planeta para me deliciar com o "nonsense" das conversas dos terrenos!

Quando é que, neste blogue, até poderemos voltar a falar de assuntos (um pouco mais) sérios? É que, para mim, um PM apoiar a candidatura de um (até suposto) criminoso, para presidente do seu clube é apenas uma idiotice a que ele tem direito mesmo que nem abone muito a favor da sua inteligência mas lá está, não é menos idiota dos que não gostam dele porque ele (inscreva aqui a verdadeira razão para tal) e depois recorrem a esse suposto "crime" a que qualquer cidadão até tem direito, no exercício da sua cidadania, para criarem um suposto “escândalo político”...
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De JPT a 15.09.2020 às 10:21

Achar que o Dr. António Costa teve um momento de "idiotice", devido a "paixão clubística" que nunca ninguém lhe conheceu (antes de chegar à CML), parece-me uma absoluta ingenuidade (ou falta de sinceridade). É que a única qualidade que é unanimemente reconhecida ao Dr. António Costa, é a sua a “habilidade”, ou, seja, a capacidade de actuar no seu interesse, sem estados de alma nem escrúpulos (por exemplo, ao assumir o cargo de PM depois de o eleitorado o ter rejeitado - a ele, pessoalmente - e após ter derrubado o seu antecessor devido às vitórias "poucochinhas"). Assim, a única explicação lógica para um indivíduo calculista e previdente se atar de pés e mãos à sorte (previsivelmente péssima, a médio prazo) do Sr. Luís Filipe Vieira é, a meu ver, ele já estar já atado de pés e mão à sorte do Sr. Luís Filipe Vieira. O que, conhecendo o passado e presente do Sr. Luís Filipe Vieira, é muitíssimo preocupante.

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