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Um país onde se lê pouco e mal

por Pedro Correia, em 19.06.18

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Portugal é dos países da Europa onde menos se lê: só compramos, em média, 1,3 livros por ano. Estes péssimos índices, que não merecem qualquer tipo de censura social, ajudam a explicar por que motivo 45% dos alunos do 5.º ano de escolaridade são incapazes de identificar Portugal no mapa da Europa Ocidental - algo que se justifica pelo facto de o ensino, entre nós, estar cada vez mais desprovido de exigência, privilegiando-se o carácter "lúdico" da aprendizagem, que deve merecer a "adesão emocional" das crianças enquanto o esforço se ausenta das salas de aula.

Há tempos, num grupo de cerca de dezena e meia de pessoas da chamada classe média-alta reunidas em Lisboa, perguntei a cada uma delas se tinha comprado algum livro no ano anterior. Excepto num caso, as respostas foram todas negativas. A nossa chamada elite vive divorciada de leituras: é incapaz de comprar um romance ou um jornal, por exemplo. Sai de casa para abancar num restaurante, mesmo caro, mas nem lhe ocorre deslocar-se a um teatro ou um cinema, a um concerto ou a uma exposição.

 

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Em Novembro de 2013, fechou em Lisboa o cinema King. Foi durante anos o que mais frequentei. Lá vi alguns filmes inesquecíveis - vários de Pedro Almodóvar, por exemplo. Em diversas ocasiões não havia praticamente mais ninguém na sala: era fácil antever que acabaria por encerrar. Como encerrara o Londres, em Fevereiro desse ano - outro cinema da capital de que fui visitante assíduo. Nos últimos meses o seu estado de degradação tornara-se de tal modo evidente que não custava antecipar-lhe o fim.

Depois de fechado, muitos do que o votaram ao abandono lembraram-se de pôr a circular um abaixo-assinado entre os moradores da zona exigindo à câmara que não autorizasse a abertura de uma loja chinesa no seu lugar. Ainda me lembro do ar de espanto da senhora que me pôs o papel à frente, pedindo a minha assinatura, quando lhe respondi que me recuso a subscrever petições xenófobas. A loja abriu em 2014 e lá está, sempre cheia, no preciso local onde existia o antigo cinema, quase sempre vazio. Os mesmos que viraram as costas à sala de espectáculos passaram a acorrer ao estabelecimento comercial - incluindo ex-promotores do tal abaixo-assinado prontamente esquecido.

 

Somos assim: deixamos encerrar jornais, cinemas, livrarias. No momento em que fecham, logo surge o habitual coro de carpideiras lamentando o sucedido. Em regra, quem mais chora é quem menos contribui para evitar em tempo útil que o deserto cultural vá alastrando entre nós numa escalada galopante.

Quantos pais, incluindo na petulante Lisboa, nunca oferecem um livro aos filhos? Quantos já os levaram a visitar um monumento ou um museu? Quantos reagem com um resignado encolher de ombros à notícia de que um filho de dez anos é incapaz de apontar Portugal no mapa?

Que modelo de exigência estamos a proporcionar à geração que vai seguir-se?


74 comentários

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De Luís Lavoura a 19.06.2018 às 10:57

o facto de o ensino, entre nós, estar cada vez mais desprovido de exigência, [...] enquanto o esforço se ausenta das salas de aula

O Pedro Correia tem filhos cuja educação acompanhe para poder fazer, com conhecimento de causa, estas afirmações?

Eu tenho filhos e posso afirmar, sem sombra de dúvida, que às crianças são hoje exigidas muito mais aprendizagens do que quando eu tinha a idade delas. Além das matérias usuais que nós aprendíamos têm ainda que fazer montes de trabalhos de casa (que no meu tempo estavam quase ausentes depois da primária) sobre temas específicos que frequentemente estão a milhas do entendimento de uma criança normal.
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De Anónimo a 20.06.2018 às 13:53

..não são exigidas + aprendizagens, são "exigidas," pelos 'sobas' dos ministérios, mais "valências"...
Negligencia-se exigência nos pilares básicos da aprendizagem - matemática, lingua portuguesa, física e quimíca, história, geografia... - que agravam o fosso "social" (para entrar no paleio da xuxalada pedagógica que pespega estas atoardas para justificar as multiplas incompetências..) - para miúdos cujos pais se dão ao trabalho de (ou têm mais disponilidade para) apoiar de modo proximo os filhos e suprir estas negligências básicas e os disciplinam no estudo, aprendizagem e uso metodico do que se aprendeu, resultam os alunos excelentes [que podem ser depois "pastoreados" nos media como mostruario da "geração mais bem preparada de sempre"] que acabam, muitos deles, por na primeira oportunidade, ir trabalhar para o Estrangeiro. Os outros, carambolam entre salas de aula entre processos de aprendizagem que são um "collage" de patranhada e treta de sociologos e politicos da treta que apenas promovem uma cultura de demissão e des-responsabilização - uma amiga professora de física-quimica, conta-me que 70% de alunos do 9o. ano são incapazes de usar de forma rapida e estruturada, uma regra de três simples. E no início do ano, quando perguntados sobre "o que queriam fazer quando fossem grandes", uma boa percentagem (não a "maioria", pelo menos por enquanto..) respondia: "reformado do Estado"!!
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De Luís Lavoura a 19.06.2018 às 11:01

nem lhe ocorre deslocar-se a [...] um cinema, a um concerto

As pessoas hoje em dia vêem mais filmes do que antigamente. Só que, vêem-nos em casa na televisão, não necessitam de ir ao cinema como dantes se necessitava.

Idem em matéria de concertos. Hoje em dia não faltam concertos e, além deles, as pessoas consumem música a toda a hora - em aparelhos portáteis.
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De Bea a 20.06.2018 às 00:07

"consumem", diz muito bem; são em geral músicas para levar sumiço, sumirem no ar dos tempos. Mas algo me diz que os concertos a que se referia o autor do post não são exactamente os mesmos que são consumidos.

E no entanto é verdade que o cinema caseiro derrotou as salas de cinema. Tem razão.
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De sampy a 19.06.2018 às 12:31

Sou do tempo em que nas paredes da sala de aula permaneciam expostos durante todo ano diversos mapas, físicos e humanos, sobre os quais os alunos podiam ser interrogados a qualquer momento ou tirar dúvidas quando necessário.

Sou do tempo em que um atlas era considerado um bem valioso a possuir, e um globo terrestre um objecto a cobiçar.
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 12:47

O desenvolvimento do cálculo mental e da memorização, nomeadamente a memória visual, está definitivamente fora de moda. Os pedagogos de turno consideram que isso traumatiza as criancinhas.
Com os resultados que estão à vista, sem surpresa.
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De Luís Lavoura a 19.06.2018 às 14:29

O desenvolvimento do cálculo mental e da memorização, nomeadamente a memória visual, está definitivamente fora de moda.

Não sei a que se refere concretamente. A aprender a recitar o Corão todo, por exemplo? (É um excelente exercício de memória, não o duvido.) O meu pai tinha aprendido na escola a dizer todos os afluentes do Douro e do Tejo, pela margem esquerda e pela margem direita, e criticava-me por não saber o mesmo. É a isso que se refere? Os meus filhos aprenderam a tabuada de cor e aprenderam diversos métodos de cálculo mental.

Quanto à memória visual, a minha é e sempre foi muito má, apesar de ter andado na escola já há vários decénios. Será que no tempo em que andei na escola já não se treinava a memória visual?
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:51

Você tem a mania de se intrometer nas conversas alheias.
Nunca lhe ensinaram que isso revela falta de educação?
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De Anónimo a 20.06.2018 às 14:05

Esses mapas continuam expostos nas salas de aula. E felizmente já não há retratos do Salazar afixados nas paredes.
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De sampy a 21.06.2018 às 08:34

Desse e do Maomé.
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De Maria Dulce Fernandes a 19.06.2018 às 12:53

Para além de nos obrigar a reflectir na realidade que é a falta daquilo a que antigamente se chamava cultura geral, este texto remete- nos ao cantinho das memórias felizes, ao tempo em que a adolescência se vivia feliz e despreocupada num local lindo da capital, situado entre o Salão Portugal ( actual sede do Comitê Olímpico de Portugal) e o Cinema Restelo ( mais um Pingo Doce) , que apesar de ter sido durante anos um must de elites nacionais e estrangeiras, não escapou ao triste destino a que foram votadas as grandes salas de cinema de Lisboa. Vi por lá muitos fimes que me fizeram comprar os livros dos quais os argumentos foram adaptados e que me ensinaram que um filme nem sempre expressa com precisão a ideia subjacente ao conteúdo do que foi escrito.
Para mim, ler um livro sempre foi natural. É certo que alguns foi por obrigação, mas mesmo muitos desses revisitei por puro prazer, com olhos e percepção mais madura e paciente.
Presentemente os livros são uma chatice. Não têm botões para ligar ou desligar, ou fazer likes ou comentar. Não têm emoticons, nem sons nem notificações. Não são in nem tema para beber um copo ou abanar o capacete...
Os filmes mais tarde ou mais cedo saem numa versão para PS e são muito mais fixes até do que o IMAX.

TPC. Os trabalhos de casa, no meu tempo eram um absurdo, do qual não me arrependo, porque me ajudaram a adquirir uma bagagem invejável. No tempo das minhas filhas deixou de haver tanta exigência. Os miudos transitavam sempre de ano até cumprirem a escolaridade obrigatória. Presentemente grande percentagem dos nossos doutores, engenheiros, arquitectos, etc. Indiscutivelmente bons na sua área, não são muito cultos no sentido de procurarem interesses em outras áreas . História é passado, ciência é futuro, política é aborrecido, futebol é kitsch... livros... pois, talvez quando chegar ao nível 200 do LoL.
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De Sarin a 19.06.2018 às 13:35

Perante tal panorama, como não precisar de formadores de sosquilos para treinar competências como bom senso?!
Mim não ser robot, só ver muita televisão...
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De Maria Dulce Fernandes a 19.06.2018 às 17:40

Formadores de competências... enfim...
Há tempos vi uma reportagem da SIC, se não estou em erro, à porta do Técnico, onde se perguntava aos alunos passantes algo tão básico como a tabuada. 90% errou na resposta.
Precisariam mais formação em aritmética, sem calculadoras ou telemóveis que calculassem x ou y, ou o coseno, ou a raiz quadrada ? Sem sombra de dúvida.
Precisavam sobretudo ter terminado o 12ª ano a saber um mínimo de calculo mental, com bom senso ou não.
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De Sarin a 19.06.2018 às 23:21

As evidências são muitas, quanto a competências e conhecimentos.
Apenas pergunto quanto disto é responsabilidade da Escola e quanto é irresponsabilidade dos pais.
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De Maria Dulce Fernandes a 20.06.2018 às 12:20

Parafraseando o Pedro Correia uns comentários abaixo:

"Quando se fala nestas questões da educação, a base começa a falhar em tudo isto.
Falha em casa, antes de falhar na escola."
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De Anónimo a 20.06.2018 às 12:52

Aquela reportagem em que apenas meteram os alunos que não sabiam responder e ignoraram todos aqueles que sabiam? É que por cada aluno que não sabe "algo tão básico" consigo encontrar dezenas que sabem. É que se não soubessem a tabuada nem uma cadeira conseguiam fazer.
O sensacionalismo não tem limites.
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De Maria Dulce Fernandes a 20.06.2018 às 16:06

Essa resposta faz parte daquilo a que agora se chama alternative facts. Quando algo acerta em cheio e se torna inconveniente, diverge-se a realidade para um universo alternativo...
Curiosamente o aluno que falhou mais respostas até era anónimo...
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De Anónimo a 20.06.2018 às 18:33

"Curiosamente o aluno que falhou mais respostas até era anónimo..."
E vem falar em alternative facts? Durante essa pseudo-reportagem baseada em evidências anedóticas, nenhum dos alunos teve a cara tapada durante a reportagem.
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De Maria Dulce Fernandes a 20.06.2018 às 23:47

Se a reportagem é uma pseudo- coisa com "evidências anedóticas", como pode afirmar que não houve caras tapadas? Afinal viu a pseudo-coisa, não viu, existe, não existe, escondem-se, dão a cara ? Ou é mais um teórico da conspiração daqueles que acham que reportagens chocantes como esta da ignorância de matérias básicos ou até quem sabe, do holocausto, foram esquemas urdidos, pela direita conspiradoura ou pela alta finança judaica ?... putos a armar aos cucos... enfim.
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De Maria Dulce Fernandes a 20.06.2018 às 16:09

É verdade... até se via ao longe uma banca de triagem para os que sabiam a tabuada e para os que não sabiam... uns para a esquerda outros para a direita, como nos campos de concentração.
Tenha juizo, Anónimo...
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De António a 19.06.2018 às 13:24

É uma média baixa, 1,3 livros por ano, mas será fiável? Conheço algumas pessoas que já não dispensam o Kindle, e por exemplo no meu caso - gosto dos livros em papel - compro quase tudo na Amazon, porque os livros em Portugal são caríssimos. Esses casos serão contados?
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De Anónimo a 19.06.2018 às 14:07

Não sei se o não se ler hoje em Portugal tem algo a ver com o ensino de hoje, penso que historicamente Portugal nunca teve bem no que se refere aos Portugueses lerem.
Não foi o livros que me obrigaram a ler no liceu que me levaram a gostar de ler, foi o cultivo da leitura que havia na minha família materna.
Quando crianças e sei que isso já tinha décadas, em casa de meu avô materno muitas pessoas da aldeia iam para casa dele ao serão onde se lia em voz alta livros para os que não soubessem ler tivessem acesso a essas obras. Lembro-me que quando meu avô passou a ter dificuldades de saúde, minha mãe lia no lugar dele.
No meu cantinho no chão lia Blyton, Exupéry e muitos outros autores para públicos infantis e juvenis.
Hoje leio mais de 40 livros por ano de vários géneros.
No liceu lembro-me do sacrifício que foi imporem-me livros que não se adequavam à minha realidade e maturidade... mas a boa formação familiar sobrepôs-se à desformação do ensino.
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:29

Tem certamente a noção de que faz parte de uma minoria absoluta. Mas felicito-o por isso.
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De António a 20.06.2018 às 13:34

Justamente aqui cai a calinada do verbo “tar”. Portugal nunca TEVE bem?
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De Anónimo a 19.06.2018 às 14:10

"ajudam a explicar por que motivo 45% dos alunos do 5.º ano de escolaridade são incapazes de identificar Portugal no mapa da Europa Ocidental"
Isso não será sensacionalismo misturado com "fake news"? É que essa lengalenga do "ai os miúdos de hoje em dia" já é velha.
Um pouco mais de bom senso, Pedro Correia.
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:31

Não sei a que se refere quando alude a "sensacionalismo".
Esta percentagem resulta de um estudo que incidiu sobre 90 mil provas de aferição de alunos do 5.º ano, em 2016 e 2017.
A menos que o Diário de Notícias também seja "sensacionalista"...
https://www.dn.pt/portugal/interior/45-dos-alunos-nao--situam-portugal-no-mapa-da-europa-9408926.html
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De Sarin a 19.06.2018 às 23:59

Ehhh, já foi menos; efeitos do Digital, dizem...


Não resisto a fazer uma curva no caminho: há uns tempos perguntavam-lhe insistentemente se, acorrendo a falange em peso no dia 23, o Pedro meteria a viola no saco; agora, um comentador pergunta-lhe insistentemente se tem filhos... o Pedro faz parte de alguma Kelly Family?
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De Pedro Correia a 20.06.2018 às 12:03

A propósito de insistências e inexistências, Sarin: tem sabido novidades do nosso amigo Doktor Kälhau?
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De Sarin a 20.06.2018 às 12:12

Herr Doktor está em processo de desconstrução ou reconstrução ou algo entre ambos.
Mas mantém-se o mesmo nas visitas que me faz.
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De Anónimo a 20.06.2018 às 15:21

Não existe nenhum meio de comunicação isento de sensacionalismo. Ou já nos esquecemos das armas de destruição maciça, a "fake news" do século?
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De lucklucky a 20.06.2018 às 21:22

As fake news continuam por aqueles que negam:

https://www.nytimes.com/interactive/2014/10/14/world/middleeast/us-casualties-of-iraq-chemical-weapons.html
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De José da Xã a 19.06.2018 às 16:41

Acrescentaria que na matemática se passa o mesmo. Por exemplo ainda ontem um jovem recorreu do telemóvel para fazer uma simples multiplicação. Para ele 6x7 foi uma conta muiiiiiiito difícil.
Mas vai lá dizer ao Nogueira que a culpa é dos professores, vai!
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 18:34

Estamos a formar legiões de analfabetos funcionais, meu amigo.
Com o dinheiro de todos nós.
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De Anónimo a 19.06.2018 às 22:01

"Com o dinheiro de todos nós." De todos nós? Do seu talvez. Com o meu não, eu fujo aos impostos sempre que posso e por isso pago uma ridicularia.
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:32

Você não se limita a fugir aos impostos.
Também foge ao arquivo de identificação.
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De Anónimo a 20.06.2018 às 11:46

"Também foge ao arquivo de identificação." Sou tudo menos burro.
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De Pedro Correia a 20.06.2018 às 12:01

Daqui dirijo as minhas saudações para o seu paraíso fiscal.
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De Anónimo a 20.06.2018 às 12:32

"dirijo as minhas saudações para o seu paraíso fiscal." E eu saúdo-o por permitir (podendo não o fazer) comentários anónimos embora de má vontade e sempre a rabujar. Mas é uma das grandes virtudes do Delito que faz com que eu o leia todos os dias.
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De Contribuinte a 20.06.2018 às 15:43

Caro anónimo da evasão fiscal,

Não se preocupe que evasão fiscal dá direito a homenagens no parlamento. Pergunte ao seu camarada Belmiro.
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De Anónimo a 20.06.2018 às 19:43

Caro Contribuinte:
Conheço bem essa malta toda.
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De Cristina M. a 19.06.2018 às 19:10

e por que não perguntar aos professores se (parte d) a culpa não será do Nogueira e do que ele realmente representa?
vai-se a ver e até diziam que sim.
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:35

É uma boa sugestão.
Eu, se fosse professor, teria alguma dificuldade em sentir-me representado por alguém que não dá uma aula desde 1989 - o ano em que foi derrubado o Muro de Berlim.
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/professores/mario-nogueira-o-ex-escuteiro-que-deixou-a-escola-ha-20-anos
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De Cristina M. a 20.06.2018 às 00:06

precisamente e por exemplo.
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De Pedro Correia a 20.06.2018 às 12:00

Deve ser mesmo caso para 'Guinness Book'. Alguém já se terá lembrado disto?
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De Cristina M. a 20.06.2018 às 13:44

Nogueira teria muita concorrência, a ser assim, e apenas com candidatos aqui do mui nobre retângulo.
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De Anónimo a 20.06.2018 às 14:10

Não dar aulas para ser dirigente sindical, o ultraje!
Se Mário Nogueira quisesse não dar aulas, deveria ter sido deputado ou aceitado um tacho uma empresa qualquer recém-privatizada.
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De Arlety Pin a 19.06.2018 às 23:12

Ah! Então quem tem a culpa pelo facto do jovem não saber fazer contas são os professores o Nogueira?
O Ministério da Educação não tem nada a ver com isso? Nem mesmo quando obriga os professores a escrever páginas e páginas de relatórios em "eduquês", em que têm de justificar porque motivo um aluno que não sabe fazer uma conta de 6x7 não deve transitar de ano? A minha vizinha do 11º, que é professora, já me mostrou um relatório desses e nem consegui acreditar.
É por essas e por outras, que essa mesma vizinha me jura que reza, todas as noites, para que a estupidez, a inveja, a maldade e a ignorância do "português médio" nunca se transformem em água, senão morremos todos afogados...
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:37

Acredite que sou muito sensível à questão que aqui traz.
Quanto ao Nogueira, não faz o menor sentido os professores serem representados por alguém que deixou de dar aulas há três décadas.
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De lucklucky a 20.06.2018 às 21:27

"Ah! Então quem tem a culpa pelo facto do jovem não saber fazer contas são os professores o Nogueira?
O Ministério da Educação não tem nada a ver com isso? Nem mesmo quando obriga os professores a escrever páginas e páginas de relatórios em "eduquês"


Julga que o Nogueira não tem nada que ver com o eduquês? Você julga que a CGTP aceitava uma política de (des)educação que fosse contrária aos seus interesses?
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De Arlety Pin a 23.06.2018 às 12:03

E onde estão as provas de que esse tal Nogueira, os professores, a CGTP (a Opus Dei, a Sociedade Protetora dos Animais, o SOS Racismo e o que mais quiserem acrescentar) têm alguma coisa a ver com o "eduquês"?
É que isto de fazer afirmações avulsas (e sem provas) e colocar tudo no mesmo saco é, no mínimo, indecente.
Não me admira absolutamente nada que haja jovens que precisem de recorrer a uma calculadora para fazerem uma simples conta de 6x7, quando se pode ler a seguinte "pérola de cultura" do Ministério da Educação:
"A evolução do processo educativo dos alunos no Ensino Básico assume uma lógica de Ciclo, considerando-se excecional a retenção dos alunos em anos não terminais (art.º25.º DL n.º139/2012)."
Isto já para não falar daquelas situações em que o Ministério da Educação pressiona os professores a passar alunos com 8 milhões de negativas, desde que - e por contraditório que pareça - estes demonstrem ter desenvolvido as aprendizagens essenciais para prosseguir com sucesso os seus estudos (ponto 5, do artº 21 do despacho normativo 1F/2016).
Sabem o que vos digo? Virgindade, virgindade quem ainda a tem chama-lhe sua. E, normalmente, quem ainda a tem (refiro-me à virgindade, claro) tende a sentir-se moralmente superior aos demais, arrogando-se o direito de lapidar o seu próximo, por dá cá aquela palha. Pergunto-me se será o caso de alguns comentadeiros deste blog, ao vê-los, com ar altivo, a atirar a primeira pedra ao Nogueira e – principalmente – aos professores…
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De Sarin a 19.06.2018 às 23:44

Os professores estão sujeitos a orientações pedagógicas e curriculares que, definidas pelo Ministério da Educação, correspondem àquilo que se convencionou chamar "política educativa" - e que na maioria dos casos se assemelha a experimentalismo avulso.


Por outro lado, os alunos estão sujeitos a famílias... estas, mais ou menos interessadas em formar indivíduos - e entre este "mais" e este "menos" cabe de tudo, dos pais que acompanham a avaliação aos que refilam com a falta de tpc, dos que refilam com o telemóvel desligado na sala de aula aos que pedem satisfações pela "retenção" do anjinho no final do ano...


Não é só dos professores.
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:53

Muitos pais só querem que os meninos consigam o ambicionado "canudo". Seja como for. O grau de exigência é muito reduzido. E, sim, estes problemas começam em casa, na família, antes de se projectarem na escola.
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De Sarin a 20.06.2018 às 00:13

É bom que o vamos recordando, porque as famílias que não exigem aos filhos estão geralmente na linha da frente nas exigências à escola.

E eu todos os dias mandava para a escola uma mãe cheia de energia e recebia uma professora primária quase esgotada.
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De Catarina Duarte a 19.06.2018 às 17:29

Pedro, à lista acrescento que também deixamos encerrar lojas históricas, pastelarias de referência e restaurantes tradicionais. Lembro-me que, quando o Sul América, na Av. Roma, encerrou para dar lugar a um Burger King, caiu o Carmo e a Trindade. Fiquei triste, como fico sempre quando algum local da minha história, onde já fui imensamente feliz, fecha portas, mas ele próprio não reuniu as condições para continuar.
Escrevi sobre isso na altura:
https://insensatez.blogs.sapo.pt/sul-america-90566
E terminei assim:
“Se acho que deviam manter abertos os locais de antigamente, mesmo quando o serviço não é o melhor, mesmo quando a pastelaria já não é estupenda, apenas para não me sentir emocionalmente "substituída" e completamente abandonada? Sim, acho. Mas só porque sou importante. Só por mim. Porque há locais que não se modernizaram. Há locais que não se adaptaram. Há locais que já não existem para a nova fornada de habitantes destes bairros. Mas são locais cuja existência serve para nos unirmos às nossas saudades.
E isso já é muito. E isso já é suficiente.”
Gostei do texto que escreveu mas acho que a “culpa”, para além de quem não frequenta os espaços, é também (e principalmente) deles mesmos, que têm sempre dificuldade em ler o que o mercado pede. E o mercado, Pedro, é mesmo quem dita as regras disto tudo.
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:44

Tenho assistido ao encerramento de muitas lojas nessa zona da cidade, Catarina. Foi o Sul-América, também a Suprema, há pouco fechou a charcutaria Riviera, na Avenida da Igreja. Dizem-me que já fechou igualmente a célebre Biarritz, no largo da Igreja de São João de Brito.
É a minha zona de Lisboa.

A verdade é que, como sublinha, vários destes estabelecimento não souberam acompanhar os novos hábitos de consumo. Como se devessem ser os clientes a adaptar--se a eles.

Recordo-me que no último Natal em que a Sul-América esteve aberta fui lá comprar um bolo-rei. Foi o pior que alguma vez me veio parar às mãos. Literalmente incomestível.
Aldrabaram-me. Mas logo fiz a jura de nunca mais lá entrar. Assim foi. Muita gente, por este ou outros motivos, deve ter feito o mesmo que eu.
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De Anónimo a 20.06.2018 às 18:37

Serão os novos hábitos de consumo ou será a gentrificação?
Um turista americano (ou seja, de um país com 30 vezes a população portuguesa) conhece melhor o Burger King que esses sítios que referiu.
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De Anónimo a 19.06.2018 às 19:44

Segundo Borges, a partir dos 50 deve-se reler...
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De Pedro Correia a 19.06.2018 às 23:38

É um excelente conselho.

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