Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

Um outing no Muppet Show

jpt, 20.09.18

piggy.jpg

 

Vai para aí um arraial feliz, na notícia que dois bonecos Marretas saíram do armário. E logo os mais estupores percorrem a galeria de personagens BD e animação, declarando risonhos "outings" na galeria dos heróis - o pacto de leitura que estes letrados cometem mostra-os bem limitados,  até descendentes daquele tão fora de moda "neo-realismo", não há volta a dar, é o triste fado.

Após 1989, com o final do genocidismo, a esquerda europeia gringou-se e nisso virou identitarista. A sacra aliança operários-camponeses virou mulheres-homossexuais, os livros de Marx foram para as arrecadações e Foucault passou a "ficar bem" na decoração de interiores.

Agora mesmo, com todas estas saudações festivas ao casal de fantoches, ocorre-me - na enevoada memória, pois não vejo um episódio dos Marretas há 40 anos - que a única personagem feminina ("pessoa do género feminino e da comunidade branca", como a descreveria um antropólogo se escrevendo no Público) era a vaca da porca Piggy, uma megera, desleal ninfomaníaca, egocêntrica, obesa desafinada e que, pior do que tudo, azucrinava a cabeça do seu pobre e sofrido namorado ("pessoa do género masculino e da comunidade verde, como o descreveria um antropólogo se escrevendo no Público). Um "must" em termos de estereótipos sexistas ...

Camaradas feministas estamos à espera de quê? Agora que todos louvam a pertinência dos fantoches Marretas não exercerão a vossa crítica ideológica, não apontarão a série como uma vil manobra anti-pessoasdogénerofeminino? Ou a aliança de classe, perdão, de identidades sobreleva-se, a bem da unidade do Partido, coisa do centralismo democrático? E ficar-se-ão no elogio ao casalinho fantoche?

 

12 comentários

Comentar post