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Um homicídio "por engano"

por Pedro Correia, em 16.11.17

Um homicídio foi ontem notícia. Mas com uma diferença em relação àquilo que é habitual sabermos: este foi cometido por um elemento de uma corporação policial. A notícia foi divulgada ontem, à hora do almoço, nos telediários de três canais em sinal aberto, cada qual à sua maneira.

Transcrevo aqui as diferentes versões e proponho aos leitores que me indiquem qual entendem ser a mais correcta e porquê. Podendo, naturalmente, comentar outros aspectos relacionados com este crime.

 

SIC, 13.16: «A PSP matou uma mulher por engano durante a madrugada passada em Lisboa. A polícia confundiu o carro da vítima com uma viatura em que fugiam os assaltantes de um multibanco. Este desfecho trágico aconteceu na Segunda Circular.»

 

TVI, 13.18: «Uma mulher foi morta esta manhã durante uma perseguição policial em Lisboa, numa operação destinada a capturar elementos de um gangue que de madrugada tinha assaltado um multibanco em Almada. A vítima mortal não estava relacionada com o crime cometido na Margem Sul do Tejo.»

 

RTP, 13.19: «Uma mulher morreu esta madrugada, em Lisboa, depois de baleada pela polícia. Seguia num carro que não parou numa operação policial que os agentes da PSP tinham montado para deter os assaltantes de um multibanco. Sabe-se agora que a mulher que morreu não tinha nada a ver com o assalto.»


76 comentários

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De Luís Lavoura a 16.11.2017 às 11:02

outros aspectos relacionados com este crime

Seria talvez mais conveniente escrever "este acontecimento".
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De Robinson Kanes a 16.11.2017 às 11:10

Para a comunicação social, sempre que um PSP ou um GNR mata um criminoso (aqui ainda não sabemos claramente se o era) é um crime de lesa-pátria, quando um criminoso mata um PSP ou um GNR é uma coisa normal. Agredir um polícia em Portugal é como dar um pontapé numa pedra, já um polícia desempenhar a sua função é o fim da carreira do mesmo, no mínimo.

Acabamos também de descobrir um novo subcrime de homicídio: o homicídio por engano, sugiro já a alteração do Código Penal.

Se a polícia dá ordem de paragem, o indivíduo não respeita e ainda tenta atropelar os elementos policiais o que é que devemos esperar? Que lhe acenem? Também não acredito que o disparo tenha sido a matar, a sê-lo seria para o condutor e não para quem seguia ao lado.
Independentemente da viatura estar ou não relacionada com o assalto, teve uma conduta imprópria, tivesse respeitado a ordem policial e nada disto tinha acontecido.

Sou a favor que se investigue mas longe e sem influência das notícias manipuladas e manipuladoras de opinião pública.
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De Oscar Maximo a 16.11.2017 às 11:54

Não sei se tentou ou não atropelar a polícia, essa é a versão desta, mas nestes casos, e debaixo duma doutrina corporativa, não me parece fiável. Parece que o tribunal dá mais valor á palavra de um polícia, eu não, já os via a mentir descaradamente em tribunal, sobre acidentes de trânsito.
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De Anónimo a 17.11.2017 às 11:29

E NAO FOI SO VC QUE OS VIU A MENTIR EM TRINUNAL, E ATE JA VI MAIS MAGISTRADOS A MENTIR
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De Anónimo a 16.11.2017 às 14:23

A polícia é paga por nós para nos proteger, e dada a sua má formação, acaba por ser uma corporação perigosa para o cidadão comum, ainda mais agora que adoptou o estilo americano de disparar de ânimo leve. Isto é muito grave, e mostra que, na generalidade, os polícias são pessoas frustradas com o seu trabalho, mal preparadas, e que aproveitam o poder da sua autoridade para agirem através da prepotência e gerarem violência. Isto generalizando, porque em particular há meia dúzia que são competentes e civica e eticamente responsáveis.
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De Anónimo a 16.11.2017 às 15:34

e agora pergunto eu...
De onde vinha o carro?
E porque é que o condutor ligado ao trafico de droga, sem carta e o carro sem seguro não parou?
Porque é que andam a fazer rusgas à residencia do condutor?
...entre muitas outras perguntas...
A classe jornalística quer fazer-nos pensar sempre o pior das autoridades...
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De Anónimo a 16.11.2017 às 17:30

"Para a comunicação social, sempre que um PSP ou um GNR mata um criminoso (aqui ainda não sabemos claramente se o era) é um crime de lesa-pátria, quando um criminoso mata um PSP ou um GNR é uma coisa normal."
Sabe muito bem que isto não é verdade.
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De Anónimo a 16.11.2017 às 11:10

Imagino quão difícil seja manter o equilíbrio entre a eficácia e o excesso das polícias nestas circunstâncias.
João de Brito
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De Anónimo a 16.11.2017 às 17:21

Como diria o Engº. Guterres, é a vida.
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De Anónimo a 16.11.2017 às 11:20

Não foi certamente a PSP ou a polícia que baleou ou matou a mulher. Terá sido um indivíduo, portanto um polícia, e não a corporação inteirinha.
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De Vlad, o Emborcador a 16.11.2017 às 19:53

Você é sempre o mesmo?
Já ando baralhadinho
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De Weltenbummler a 16.11.2017 às 11:21

os jornalistas ainda vão gritar para as Forças de Segurança
'deixa fugir que é ladrão'
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De Pedro Correia a 17.11.2017 às 08:51

Faz-me confusão que esta notícia surja apenas quando já decorreu um terço de tempo útil dos telediários. Como se fosse algo banal.
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De Rão Arques a 16.11.2017 às 11:53

Sem poupar na imaginação a palavra a Marcelo, Costa, Catarina e Jerónimo. Apuramento cabal de responsabilidades, justiça irá avaliar e sentenciar consequências, este modelo de democracia já está a funcionar e verificam-se avanços que são de registar.
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De Pedro Correia a 17.11.2017 às 08:52

Claro. Deixou de ser um caso de polícia para se tornar um caso de justiça.
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De vasco riobom a 16.11.2017 às 12:24

Em resposta à sua pergunta penso que a notícia dada pela TVI é a + correcta.
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De Pedro Correia a 17.11.2017 às 08:56

Não me parece. A notícia da TVI é a que usa mais palavras na primeira frase: trinta. O que me parece exagerado: dá a ideia de querer meter tudo numa frase só.
Escrever curto e simples e claro é fundamental em jornalismo.
Apesar da dimensão da prosa, a frase inicial não inclui uma ideia essencial desta notícia: o facto de a pessoa morta nada ter a ver com o crime cometido horas antes.
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De jj.amarante a 16.11.2017 às 13:21

A da SIC diz que a polícia confundiu o carro da vítima com uma viatura em que seguiam os assaltantes quando essa confusão não existiu, omitindo a causa imediata alegada para os disparos.

A da TVI é equivalente ao omitir a resistência à ordem de paragem.

A descrição da RTP parece-me a melhor. Resta agora esperar por confirmação.
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De Pedro Correia a 17.11.2017 às 08:57

A da RTP também me parece a melhor. Ressalvo que estas são as primeiras notícias, ainda sem os elementos informativos entretanto já difundidos.
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De JG a 16.11.2017 às 13:36

Desta vez a RTP esteve melhor. Ouvindo a TVI não se sabe como faleceu a vítima nem quem lhe provocou a morte. Já para a SIC matar estava bem, só existiu um engano no alvo...
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De Pedro Correia a 17.11.2017 às 09:04

Apenas a RTP, de facto, inclui o verbo "balear" - essencial nesta notícia. A versão da TVI deixa pressupor que a vítima possa ter morrido atropelada ou num choque de automóveis: "foi morta durante uma perseguição policial" é uma fórmula demasiado imprecisa e ambígua.
A SIC também é vaga nesta questão. E opta por um sujeito indeterminado e colectivo: "A PSP matou". Ora não foi a PSP a matar. Terá sido algum agente, não a corporação no seu todo.
Este erro é, aliás, demasiado comum no nosso noticiário televisivo. Em frases como "estradas matam mais gente em Portugal". Ora as estradas não matam.
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De CAL a 16.11.2017 às 13:44

Canal público a, ainda assim, cumprir melhor a isenção que se exige no dever de informar?
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De Pedro Correia a 17.11.2017 às 08:59

Estou de acordo.

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