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Um governo fura-greves

por Pedro Correia, em 08.08.19

225627-custo-de-transporte-de-cargas-como-os-camin

 

A ver se a gente se entende: instituir 100% de "serviços mínimos" numa greve significa, na prática, anular a prática deste direito. Além de perverter as palavras. Cem por cento não é mínimo: é máximo.

Se o Governo considera que uma greve prejudica seriamente a economia nacional, tem sempre o recurso de ordenar a requisição civil dos grevistas: existe, desde logo, o histórico precedente criado em 1977, durante a vigência do I Governo Constitucional, quando Mário Soares determinou a requisição por quinze dias dos trabalhadores da TAP.

Distorcer o direito à greve, reduzindo-o a uma caricatura, é que não faz o menor sentido.

 

Tenho aliás verificado que este é o Governo que mais "narrativas" vem desenvolvendo contra movimentos grevistas, sobretudo no último ano. Foi assim com os professores, com os médicos, com os estivadores, com os enfermeiros - transformados em alvos preferenciais do Executivo no seu afã de se mostrar "centrista". Está a ser assim com os motoristas de matérias perigosas, em que se coloca declaradamente do lado da entidade patronal, em colisão aberta com os representantes dos trabalhadores.

Bastou ouvir o ministro Vieira da Silva na bem encenada conferência de imprensa de ontem, já como peça da campanha eleitoral que se avizinha. Segundo afirmou o titular da pasta do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, entre os motivos que levaram o Governo a decretar estes "serviços máximos" inclui-se o facto de a greve «pôr em causa a qualidade de vida das famílias portuguesas e aspectos essenciais da nossa economia». É curioso: nunca estes motivos foram invocados para travar as incontáveis greves nos sectores dos transportes urbanos e suburbanos - dualidade de critérios difícil de justificar. Além disso, tais considerandos inviabilizarão doravante a realização de qualquer greve geral no País - e recordo que já houve dez desde a entrada em vigor da Constituição de 1976.

 

Que tudo isto decorra sem o menor esboço de perplexidade por parte dos parceiros que apoiam o PS na actual solução governativa é algo que não deixa de me surpreender. BE e PCP calam e consentem. Num futuro nada distante, quando perceberem enfim que as restrições severas ao direito à greve se tornaram regra e não excepção em Portugal, já terão acordado tarde. E os protestos que então esboçarem serão sempre confrontados com o pesado silêncio destes dias.


64 comentários

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De Anónimo a 08.08.2019 às 10:04

Percebe-se o silêncio, este sindicato não é "dos bons".

O PS é exímio na novilíngua, não rectificamos orçamentos, não fazem requisições civis, não aumentam impostos...
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 11:21

Ver o governo da "geringonça" erigido em sistemático fura-greves, usando argumentos que interditam a partir de agora qualquer greve geral em Portugal, é outra conquista de António Costa no sentido da irreversível socialdemocratização dos parceiros situados à esquerda do PS.
O BE já se socialdemocratizou, há um par de anos. O PCP está a um curto passo de atingir essa meta, aliás com danos reputacionais evidentes junto do seu segmento eleitoral: depois da queda dos principais bastiões autárquicos que lhe restavam, o partido da foice e do martelo está a perder rapidamente vários bastiões sindicais. Como as greves dos estivadores, dos enfermeiros e esta agora bem demonstram.
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De Anonimus a 08.08.2019 às 12:49

Não foi também o PS que ilegalizou os cortes de vias de comunicação (leia-se, fechar a estrada)?
Não fossem alguns com... fachistas bloquear a ponte 25 de abril
(o anterior pertencia-me)
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 13:18

Foi. Mas isso em nada colide com o direito à greve. Pelo contrário, visa pôr fim a um abuso do referido direito. Foi uma medida justíssima: não se pode condicionar ou encerrar vias de comunicação públicas a pretexto de movimentos grevistas.
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De Anónimo a 08.08.2019 às 13:29

Mera curiosidade.

É que aquando do bloqueio tenho ideia de distintos socialistas defenderem o direito à indignação.
Passados uns meses chegam ao poleiro e acabam com essa "arma" do povo.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 18:14

Talvez. Mas a questão agora é outra e julgo que merece ser debatida.
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De Anónimo a 09.08.2019 às 08:50

O Vara é que sabia da poda, um xuxa de gingeira !
É pena que tenha sido dos poucos da leva que integrou a bater com os costados numa cela.

WW
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De sampy a 08.08.2019 às 10:45

Junte-se o triste papel da Fectrans, o sindicato afecto à CGTP que aceitou subir para o dorso do escorpião e se permite ser usado como arma de arremesso pelo patronato neste conflito. A sua "postura de responsabilidade", que tradicionalmente se via associada ao mundo da UGT, e o abandonar os outros sindicatos na sua luta mostra à saciedade como a esquerda radical se instalou efectivamente no poder, sacrificando muitas das suas "vacas sagradas".
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 11:26

A Fectrans de onde provém Arménio Carlos, na peugada do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, também filiado na CGTP, tornou-se a "face amena" do sindicalismo, propícia à conciliação com as entidades patronais. Pastilha engolida pelo PCP por figurar na "geringonça".
Greves a sério, daquelas que não se destinam só a picar o ponto, estão a ser promovidas à margem da estrutura sindical que funciona como instrumento político do PCP.
Curiosamente (ou talvez não), vejo este tema muito pouco - ou nada - abordado na generalidade dos órgãos de informação, que só cuidam da espuma do dia nos intervalos da bola.
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De Vorph Valknut a 08.08.2019 às 11:29

Certíssimo. Estes tempos fazem lembrar os de Afonso Costa, que em nome dos trabalhadores, foi eleito para depois, aquando das greves gerais, os mandar para a choldra. Marx/Hegel historicamente continua ter a razão.


Tudo um dèja vu
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 18:15

Afonso Costa, o racha-sindicalistas?
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 22:54

Bem me parecia. Deixou discípulos.
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De Justiniano a 09.08.2019 às 08:37

E mesmo esse, Afonso Costa, era selectivo!! Para os nossos, a oportuna e tolerante condescendência, para os outros, a face mais dura da lei!!

E a media de referencia oferece-se ao papel indigente de racha sindicalistas, selectiva! Não me recordo de tratamento tão negativo, dado a organizações profissionais, como o oferecido à Ordem dos enfermeiros e a este Sindicato dos motoristas. O mérito das greves, hoje, discute-se não do ponto de vista do mérito substancial, sentido de justiça e oportunidade mas, fundamentalmente, da simpatia ou afinidade dos promotores com o poder e a media!!

Um grande bem haja, caro Vorph.
Deixo também, aqui, um bem haja ao Pedro Correia por não deixar passar incólume mais este exemplo de degradação moral e cultural!!
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De Vorph Valknut a 09.08.2019 às 14:43

Como é que vão essas articulações?
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De Anónimo a 09.08.2019 às 08:54

Alguém tem de vir lá de cima de Braga ou de Bragança pôr ordem na capital !

WW
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De Luís Lavoura a 08.08.2019 às 12:34

O Pedro Correia aqui tem razão: as greves tradicionalmente promovidas pela CGTP e pelos sindicatos a ela afetos destinavam-se sobretudo apenas a "picar o ponto". Não eram greves radicais, prolongadas, destrutivas, fanáticas, como as que eram tradicionalmente promovidas pelos sindicatos anarquistas no princípio do século passado.

Resta saber se o Pedro Correia verdadeiramente aprecia e estima as greves radicais, prolongadas, destrutivas e fanáticas como aquelas que foram promovidas nesta legislatura (pelos professores, enfermeiros, médicos, estivadores e motoristas de matérias perigosas).
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 22:57

Impressionante, esse seu ponto de vista: só as greves promovidas neste legislatura é que são «radicais, prolongadas, destrutivas e fanáticas».

As outras, presume-se, eram greves fofinhas.

Tome cuidado com as aftas na língua.
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De Luís Lavoura a 08.08.2019 às 11:19

as incontáveis greves nos sectores dos transportes urbanos e suburbanos

Não é uma comparação adequada. Embora as greves dos transportes (sub)urbanos afetem muito as populações (sub)urbanas, não representam um perigo de paralisação para o país como um todo: os supermercados continuam abastecidos, as forças de segurança funcionais, etc. Uma falta generalizada de combustíveis ameaça o país na sua totalidade, e não somente o conforto e a possibilidade de ir trabalhar das populações (sub)urbanas.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 23:07

Segundo o seu parecer, a pobre e quase exangue entidade patronal é que tem razão no braço de ferro com os opulentos trabalhadores, esses malandros que só pensam em ganhar fortunas.
Acha portanto você muito bem que "privilegiados" motoristas que conduzem matérias perigosas, trabalhando por vezes mais de doze horas consecutivas, com risco da saúde e da própria vida, passem a receber apenas 700 euros de salário mensal - e só a partir de 2020.
https://eco.sapo.pt/2019/05/08/antram-pre-acordo-com-motoristas-assenta-em-salario-base-de-700-euros-a-partir-de-2020/

Você daria um bom porta-voz da ANTRAM, sem dúvida. Mas convém tomar cuidado com a cervical.
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De Luís Lavoura a 08.08.2019 às 11:22

qualquer greve geral no País - e recordo que já houve dez

Todas essas dez greves gerais tiveram apenas um dia de duração. A greve dos motoristas de matérias perigosas não tem prazo definido, e é isso que a torna especialmente dura. Se eles fizessem greve por somente um dia, o país passaria bem sem eles, e o governo não imporia medidas anti-greves tão gravosas.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 23:14

Brilhante raciocínio.

Uma greve infra-sectorial, que paralisa o transporte rodoviário de mercadorias perigosas devido à intransigência da entidade patronal que quer continuar a praticar salários de miséria, é "especialmente dura".

Dez greves gerais, que em dez ocasiões diferentes paralisaram o país inteiro (incluindo o mesmíssimo sector do transporte rodoviário de mercadorias perigosas) por motivos estritamente políticos e não laborais, são irrelevantes.
Talvez até giras e fofinhas.

Tome cuidado: corre o sério risco de tropeçar nos próprios pés.

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De Justiniano a 09.08.2019 às 08:58

O Lavoura tropeça na cabeça e pensa com o pé que estiver mais à mão!!
O Lavoura é o mais pungente e expressivo retrato, nestas páginas, da ética de geometria variável!
Este "nosso" Lavoura investe à bruta, com mais ou menos assombro, mas sempre sem a crueldade dos táticos. Joga ao ataque, sem cautelas defensivas, futebol total, futebol espetáculo!!
A media de referencia, por outro lado, está repleta de Lavouras mais ou menos subtis, insidiosos e cheios de tática manhosa!!!
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De Vorph Valknut a 08.08.2019 às 11:26



Uma hipocrisia sem fim. Por aqui se vê como dá jeito a força do PC.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 18:16

A geringonça enfraqueceu mais o PCP do que todos os governos da chamada "direita".
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De Vorph Valknut a 08.08.2019 às 18:38

A geringonça causou na esquerda uma cratera. O PS já sabíamos o que era. Agora ficamos a saber o que são o PC e o BE "no governo". Zero. E na Direita, nada. Deixamos de ter alternativas politicas. Tudo igual
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 23:18

Os sindicatos instrumentalizados pelo PCP foram hoje, vergonhosamente, ao beija-mão à ANTRAM.
Comportaram-se como sindicatos amarelos, dobrados perante a entidade patronal. Sabotando a luta da esmagadora maioria dos trabalhadores deste sector.
Uma vergonha, este "desvio de direita" do Partido Comunista. Não admira que esteja em recuo acelerado no mundo sindical.
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De sampy a 08.08.2019 às 11:30

A piada: o preço do barril de Brent está em queda e pode esperar-se uma redução substancial nas bombas a partir da próxima semana. Com o açambarcamento nestes últimos dias, o governo esfrega as mãos de contente...
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 13:19

Governo sortudo mesmo.
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De António a 08.08.2019 às 11:34

O que me surpreende, muito, não é o PS, não é o BE, não é o PCP. É o resto.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 13:19

A mim não surpreende, meu caro. Como tenho escrito várias vezes aqui também.
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De Justiniano a 09.08.2019 às 09:03

A mim deixa-me um amargo estupor!!
Ou como diria Torga, destes políticos, deixam-me a esperança sem argumentos!!
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De Cristina Torrão a 08.08.2019 às 11:59

Excelente texto, subscrevo totalmente. Aliás, estava a pensar escrever neste sentido, mas o Pedro disse tudo o que eu tencionava dizer e melhor do que eu o faria.

Um governo socialista que se «coloca declaradamente do lado da entidade patronal, em colisão aberta com os representantes dos trabalhadores» não lembra ao diabo! Onde estão o PCP e o Bloco? Incrível! A prova mais que provada de que os interesses próprios estão bem à frente dos interesses do país e do seu povo.

Os motoristas vão apresentar queixa contra o Estado no Tribunal Europeu e eu acho muito bem!

https://eco.sapo.pt/2019/08/08/motoristas-vao-apresentar-queixa-contra-o-estado-no-tribunal-europeu/
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De Cristina Torrão a 08.08.2019 às 12:23

Essa coisa de instituir 100% de serviços mínimos, instruindo 500 militares no ofício de conduzir matérias perigosas, não passa de um grande "show"! Vi ontem no Telejornal e não queria acreditar! Um representante do sindicato dos motoristas declarou ser impossível que os militares aprendessem alguma coisa em condições em três dias. O governo sabe disso, os militares nunca entrarão em acção. É só mesmo para impressionar, para dizer que fazem tudo para proteger a pobre população dos grevistas perversos!

Manipulação pura e dura. Simplesmente inenarrável.
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De Vorph Valknut a 08.08.2019 às 13:08

Cristina, recomendo, como devota de Clio

https://youtu.be/PG1-OF8WPyo

Está cá tudo.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 13:20

Obrigado, Cristina. Registo com muito agrado esta nossa sintonia.
Julgo aliás que há muita gente a pensar também assim.
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De Justiniano a 09.08.2019 às 09:19

Sem dúvida, cara Cristina! Este Governo, cujos efeitos perniciosos, nefastos e subversivos far-se-ão sentir durante longos e longos anos, é versadíssimo na patranha e nas artes do engano e da mentira!!
Subscrevo-a sem vírgulas!!
Um bem haja,
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De Luís Lavoura a 08.08.2019 às 12:41

Onde estão o PCP e o Bloco?

Vale a pena perguntar também onde está a direita. É que, vendo este post e os comentários a ele, da Cristina e do Pedro, parece que a direita está do lado dos grevistas. O que é exatamente tão curioso como o PCP e o Bloco não estarem do lado dos grevistas.

Aparentemente, para a direita, tudo o que cause engulhos ao atual governo é bom - incluindo nesse "tudo" greves radicais e prolongadas.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 23:19

O PCP está do lado da ANTRAM.
E você também.
Será que a ANTRAM é "de esquerda"?
As coisas que a gente aprende com os seus dislates.
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De Anónimo a 08.08.2019 às 12:39

Como alguém ontem dizia na RTP3, os maiores ataques aos direitos dos trabalhadores foram sempre aplicados por governos do PS.
Depois usam aquele argumento que são duas entidades "privadas" logo não podem fazer grande coisa tipo sindicâncias...
Esta seita do PS ainda tem gente que vota neles e perdendo ganha, vá-se lá entender.

WW
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 13:21

Não foi seguramente Rui Rio quem disse isso.
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De gato a 08.08.2019 às 13:14

Pedro Correia,
vá lá um post bom.
Cumprimenta
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 13:21

Não faço ideia quem seja, mas agradeço à mesma.

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