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Um gigantesco passo à retaguarda

por Pedro Correia, em 07.11.15

CominternIV[1].jpg

 

A insurreição marxista-leninista de 7 de Novembro de 1917 - faz hoje 98 anos - deu início à União Soviética, o Estado totalitário de mais longa duração do século XX, que só implodiu a 31 de Dezembro de 1991, e a um regime político que viria a ser exportado para toda a Europa Oriental, responsável pela tortura e morte de largos milhões de seres humanos.

Foi um regime sanguinário, como ninguém com um mínimo de seriedade intelectual ignora. Mesmo assim ainda surgem defensores ocasionais do totalitarismo soviético, como ficou evidente na última edição do Avante!

Decorridas estas décadas, o jornal oficial do PCP persiste em omitir todo o rasto criminoso da URSS, celebrando o "exaltante exemplo" da tirania comunista e as "conquistas alcançadas" pelos czares vermelhos que esmagaram durante décadas os direitos mais elementares, não só no interior das fronteiras soviéticas como nos países vizinhos que tutelavam com blindados e baionetas, ao abrigo da doutrina da "soberania limitada". 

 

Black%20prisoner%20hands[1].jpg

 

Para assinalar a efeméride, deixo aqui o registo de algumas "conquistas alcançadas" pela chamada Revolução de Outubro:

- Terror Vermelho (1918-1922), promovido pela Tcheca, a brutal polícia política criada pela "ditadura do proletariado" leninista. Entre 50 mil e 140 mil vítimas mortais comprovadas (havendo historiadores que admitem a existência de meio milhão de mortos) neste período.
- Colectivização forçada de propriedades (1928-1940), que incluiu deportações gigantescas de populações rurais e fez a produção agrícola e pecuária regredir três décadas. Cerca de 25 milhões de pessoas foram desalojadas, metade das quais morreram.
- Genocídio ucraniano (1932-1933). Campanha desencadeada por Estaline para esmagar a resistência nacionalista na Ucrânia. Mais de cinco mil intelectuais foram assassinados ou deportados para a Sibéria. A esmagadora maioria da população rural, que viu terrenos e animais confiscados, foi condenada à fome. Objectivo: "eliminar inimigos de classe" através da colectivização forçada. Estimativa do número de mortos: 14 milhões.
- Grande Purga (1936-38). Durante este período, a polícia política deteve 1,548.366 pessoas - das quais 681.692 foram executadas. Média de mil execuções por dia (dados oficiais soviéticos), a partir de confissões obtidas através de tortura. Grande parte da elite dirigente, tanto ao nível do partido único como das forças armadas, foi dizimada neste período, ao abrigo do artigo 58º do Código Penal soviético, sobre "crimes contra-revolucionários".
- Gulag, os campos de concentração criados pelo estalinismo (1928-1953). Pelo menos 14 milhões de pessoas estiveram internadas neste vasto arquipélago prisional durante o quarto de século que assinalou o apogeu do terror estalinista. Pelo menos 1,6 milhões - vítimas de fome, doença e tortura - morreram nestes campos.
- Massacre de Katyn (Maio de 1940). Quase cinco mil oficiais polacos foram assassinados pelos soviéticos no período em que Moscovo se aliara à Alemanha de Hitler para a partilha da Polónia. Os oficiais, que eram prisioneiros de guerra, foram assassinados com tiros na nuca e enterrados na floresta de Katyn. Só após a queda do comunismo Moscovo admitiu a existência deste massacre.

 

Stalin-lenin[1].jpg

 

De resto, os próprios comunistas foram os primeiros a experimentar as delícias do "socialismo real" - começando por Trotsky, herói da revolução de 1917, assassinado em Agosto de 1940 por um agente estalinista no México.
Dos 1966 delegados ao Congresso do PCUS de 1934, 1108 foram presos e em larga parte executados nas vastas purgas que culminaram nos Processos de Moscovo (1936-38). O mesmo sucedeu a 98 dos 139 membros do Comité Central.
Estaline mandou executar, nesses anos negros, 5 mil oficiais com patente acima de major, 13 dos 15 generais de cinco estrelas e três dos cinco marechais do Exército Vermelho.
No total, cerca de dois terços dos quadros do PCUS foram liquidados pelo terror estalinista. Incluindo algumas das maiores figuras de referência do regime comunista.
Menciono apenas algumas:
- Lev Kamenev. Figura cimeira da revolução de 1917, presidente do Comité de Moscovo e vice-presidente soviético (segunda figura do regime, após Lenine). Executado em Agosto de 1936.
- Grígori Zinoviev. Um dos sete membros originais da Comissão Política do PCUS em 1917. Responsável pela defesa de Petrogrado na guerra civil, presidente da Internacional Comunista (1919-1926). Executado em Agosto de 1936.
- Nikolai Muralov. Um dos mais destacados combatentes da revolução, herói da guerra civil, comandante militar de Moscovo, inspector-geral do Exército Vermelho. Executado em 1937.
- Nikolai Bukarine. Jornalista, um dos colaboradores mais próximos de Lenine, organizador do levantamento bolchevista em Moscovo, criador da Nova Política Económica leninista, redactor-chefe do Pravda. Executado em Março de 1938.
- Alexei Rikov. Ministro do Interior após a revolução. Na sequência da morte de Lenine ascendeu a presidente do Conselho de Comissários do Povo (equivalente a PM). Executado em Março de 1938.
- Vladimir Antonov-Ovsinko. Jornalista e militar, liderou o assalto ao Palácio de Inverno - um dos marcos da revolução. Chefe do Departamento Político do Conselho Militar Revolucionário. Cônsul-geral soviético em Barcelona durante a guerra civil de Espanha. Executado em Fevereiro de 1939.
- Cristian Rakovski. Presidente do Soviete da Ucrânia e Presidente desta república soviética (1918-1923). Embaixador soviético em Londres e Paris. Executado em Setembro de 1941.
- Olga Kameneva. Irmã de Trotsky e esposa de Kamenev. Foi uma das mulheres que mais se distinguiram na revolução. Responsável pela nacionalização do teatro soviético, que ficou sob a tutela ideológica do partido. Executada em Setembro de 1941.

 

Conclusão: com tanta idolatria póstuma a um dos mais tenebrosos sistemas políticos que o mundo já conheceu, o jornal oficial do PCP, desmentindo o nome que ostenta em título, acaba de dar mais um gigantesco passo à retaguarda.


46 comentários

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De Anónimo a 07.11.2015 às 19:05

É pena que não enuncie aqui, com o mesmo empenho e a mesma ênfase, todos os terrores das ditaduras de direita. Faça alusão aqui, dos horrores provocados por Hitler, Somoza, Mussolini, Franco, do ainda bem recente e cruel Pinochet... Só assim será isento porque mostra a crueldade e brutalidade dos dois lados. Não se esqueça que as esquerdas radicais já não existem, enquanto as direitas radicais estão a ganhar peso e para isso basta-nos olhar para França e para a Hungria. Não me venha com a Coreia do Norte, como gosta de fazer porque essa, não é de esquerda nem de direita, é um país que tem o azar de ser governado por um autêntico e desprezível louco que não se revê em nenhuma ideologia, a não ser a deles que não é nada, a não ser a loucura, a estupidez e a desumanidade em todo o seu apogeu.
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De Pedro Correia a 07.11.2015 às 19:32

Vejo que no essencial se mantém na linha justa, camarada. Mas detecto com pesar algumas críticas suas relativamente à República Popular e Democrática da Coreia, um país verdadeiramente socialista que goza das mais amplas liberdades e aboliu a exploração do homem pelo homem.
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De Anónimo a 07.11.2015 às 20:25

"República Popular e Democrática da Coreia, um país verdadeiramente socialista que goza das mais amplas liberdades e aboliu a exploração do homem pelo homem". Isto foi o Pedro Correia que escreveu, eu escrevi exactamente o posto. Não distorça que fica-lhe mal.
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De Pedro Correia a 07.11.2015 às 21:10

Não me diga que tem sérias suspeitas de que a República Democrática e Popular da Coreia possa afinal não ser democrática. E que possa também não ser popular. E que possa até não ser república.
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De Anónimo a 07.11.2015 às 22:22

Já lhe disse o que penso da Coreia do Norte se não percebeu, lamento, mas fui bem explícito.
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De Pedro Correia a 07.11.2015 às 22:42

Lamento vê-lo tão vacilante. Recomendo-lhe a leitura regular do 'Avante!' para dissipar essas dúvidas.
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De Anónimo a 07.11.2015 às 23:54

Não estou vacilante nem tenho dúvidas. Não preciso que me diga o que tenho ou não de ler. Leio o que quero e quando quero.
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De Pedro Correia a 08.11.2015 às 09:26

Não tem dúvidas? É uma frase digna do homus sapiens cavacus, camarada.
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De Anónimo a 08.11.2015 às 13:29

"Não tem dúvidas? É uma frase digna do homus sapiens cavacus, camarada."
Somos dois camarada. O camarada também não tem dúvidas, tem sido isso que tem demonstrado por aqui, somos dois a não ter dúvidas. Consigo estão trinta e tal por cento dos votantes, comigo estão sessenta e tal por cento. Aqueles em quem não tem dúvidas já mostraram o que valem, estes, deixai-os mostrar aquilo que valem. É assim em democracia.
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De Pedro Correia a 08.11.2015 às 16:44

Eheheh. Essa parece a lógica do Luís Filipe Vieira, que começou por ser sócio do Benfica, do Porto e do Sporting. Tudo ao mesmo tempo. Assim podia sempre dizer que ganhava o campeonato.
Você saiu-me um grande açambarcador, ó camarada. Reivindica como seus os votos nos partidos em que não votou.
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De Anónimo a 08.11.2015 às 18:00

Caro camarada não reivindico nada porque nada é meu nem seu, é do país. Já vi que não sabe o que é falar ou escrever em sentido figurado. É pena! Limito-me a constatar factos que o camarada quer distorcer nem que para isso caia no ridículo nos seus contraditórios.
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 00:45

Por acaso sei escrever em sentido figurado. Um exemplo disso é a minha utilização recorrente da palavra camarada, ó camarada.
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De Anónimo a 09.11.2015 às 15:06

Que tem a palavra camarada de negativo? Será que o molesta assim essa palavra, só porque os comunistas a utilizam? Eu não sou comunista e não me molesta nada. Sabe porquê? É que acima de tudo, sou democrata e em democracia entram todos os partidos. O PC português nunca mostrou estar contra os cidadãos, antes pelo contrário, defende-os afincadamente e por isso devia-lhe merecer todo o respeito que é isso que nos diz a democracia.
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 15:42

"Camarada" era a palavra preferida de Estaline. Usava-a sempre quando mandava enforcar ou fuzilar mais um membro da Comissão Política ou do Comité Central.
O camarada Estaline nunca perdia as boas maneiras.
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De Anónimo a 09.11.2015 às 20:35

Pelo que vejo tem uma certa admiração por Estaline. Vê-se que gosta dele e das maneiras dele, está sempre a enunciá-lo. Não lhe gabo o gosto, mas não podemos gostar todos do mesmo.
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 20:56

Não disfarce. Confesse lá a sua admiração pelo bom velho Estaline, o "pai dos povos", "protector da classe operária mundial". Um perfeito cavalheiro.
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De Costa a 08.11.2015 às 17:25

Ah, camarada anónimo, nada como a revolucionária interpretação da verdade! Da esquerda, claro (e há lá outra interpretação autêntica que não da esquerda?). O camarada lá sabe - e tem a certeza revolucionária - de que todos os que não votaram nos vencedores das eleições (ui, que fascista estou!) queriam "isto". Os que votaram nessa coisa chamada PS, desde logo...

É que eu não sei (mas deverei ser um perigoso reacionário) se votar PS significa necessária e naturalmente querer o marxismo-leninismo-estalinismo a decidir por nós. Pensava eu que significava apenas uma peculiar tolerância, ou dependência, perante o mais descarado nepotismo e venalidade...

Costa
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 00:46

O camarada anda muito atarefado a virar a agulha. Agora em marcha acelerada para o PS, o marxismo vira marchismo.
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De Costa a 07.11.2015 às 21:13

Não se preocupe. Esses terrores das ditaduras de direita foram, são e serão exaustivamente recordados, seja por quem genuinamente deplora qualquer regime ditatorial seja por quem - à náusea - dolosamente invoca os males de uma ditaduras para santificar outras.

Urge sim, porque infelizmente parece nunca ser supérfluo, apontar uma e outra vez a assassina actuação, o horror inominável, perpetrada décadas e décadas por comunistas e seus regimes ainda hoje incrivelmente tidos como exemplos máximos do bem, da justiça do progresso.

Quanto a isso de já não existirem as esquerdas radicais, seria hilariante se não fosse de uma ingenuidade aflitiva. Ou de uma perfídia despudorada.

Costa
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De Pedro Correia a 07.11.2015 às 22:08

Do regime soviético poderá dizer-se, vendo bem, que era ferozmente anticomunista. Estaline, por exemplo, mandou matar mais comunistas do que Pinochet, Videla e Franco todos juntos.
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De Anónimo a 07.11.2015 às 22:27

Diga onde andam essas esquerdas radicais.
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De Pedro Correia a 07.11.2015 às 22:45

Algumas andam em contramão. De braço dado com as direitas mais radicais.
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De Anónimo a 08.11.2015 às 01:31

"Algumas andam em contramão. De braço dado com as direitas mais radicais".Esquerdas radicais essas que querem governar para os cidadãos e que se aliaram à direita, "não direita radical", na realidade têm tanto de radicais que se aliaram com as direitas. Que grande contradição a sua! Foram os cidadãos que votaram, então é para eles que têm de governar e não para grandes grupos económicos, agências de rating e outros.
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De Pedro Correia a 08.11.2015 às 09:25

Essa é a linha justa, camarada. Também nessa matéria a República Popular e Democrática da Coreia é o país mais evoluído do mundo. Lá não existe o menor vestígio de "grandes grupos económicos" e muito menos de "agências de rating". As direitas foram todas suprimidas. E, deixando de haver direita, tornou-se desnecessária a existência da esquerda. É o regime perfeito, marxista-leninista puro e duro, o mais genuíno herdeiro da gloriosa Revolução de Outubro.
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De Anónimo a 08.11.2015 às 16:05

Não insista na Coreia do Norte que é perda de tempo e conversa balofa, sem consistência que não o leva a lado nenhum porque a Coreia do Norte como bem sabe, é governada por loucos. As esquerdas radicais por onde andaram foram iguais às direitas radicais, não porque a ideologia de esquerda fosse má, mas porque o homem na sua ganância, destrói as ideologias e usa-as em seu proveito próprio. Parece que se esqueceu dum louco, chamado Hitler que destruiu tudo por onde passou, também se esqueceu de Pinochet que assassinava barbaramente tudo que era de esquerda, principalmente os comunistas. Só mencionei estes dois porque seria maçador, estar aqui a relatar todos os loucos que só utilizaram o seu poder, para destruir e se enriquecerem a eles mesmos. Hoje, as esquerdas radicais não existem, evoluíram com os tempos, em contrapartida, as direitas radicais florescem a olhos vistos, é factual e real. Não aplauda gente que massacra os que trabalham, para os ricos serem cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais escravos dos que os exploram.
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De Pedro Correia a 08.11.2015 às 16:46


Então você prefere a Coreia do Sul, camarada? Olhe que é um país capitalista.
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De Anónimo a 08.11.2015 às 18:22

Não distorça. Tenha um diálogo capaz de ser discutido por todos, apontando os erros duns e de outros. Só assim conseguirmos uma sociedade mais justa, mais digna do ser humano. Parece que ainda não se apercebeu que somos todos iguais, com uma diferença, é que uns são bafejados pela sorte, outros por muito que trabalhem e morram a trabalhar, jamais conseguirão essa sorte. Só uns têm direito a ela porque o homem é um animal feroz, invejoso e mesquinho e incapaz de ver o outro como alguém igual a si mesmo e que o único que sabe é destruir o bem e construir o mal.
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De Anónimo a 08.11.2015 às 18:28

Não distorça. Tenha um diálogo capaz de ser discutido por todos, apontando os erros duns e de foutros. Só assim conseguirmos uma sociedade mais justa, mais digna do ser humano. Parece que ainda não se apercebeu que somos todos iguais, com uma diferença, é que uns são bafejados pela sorte, outros por muito que trabalhem e morram a trabalhar, jamais conseguirão essa sorte. Só uns têm direito a ela porque o homem é um animal feroz, invejoso e mesquinho e incapaz de ver o outro como alguém igual a si mesmo e que o único que sabe é destruir o bem e construir o mal.
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 00:47

Alguém já o avisou que você costuma repetir-se?
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De Costa a 07.11.2015 às 22:50

Você por acaso reparou no "link" para que remete o texto que por aqui comentamos?

Costa
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De Pedro Correia a 08.11.2015 às 16:40

Olhe que não, olhe que não. Vê-se bem que não reparou.
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De lucklucky a 08.11.2015 às 04:18

O anónimo ainda não tem vergonha.
A Coreia do Norte nada se distingue da União Soviética.
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De lucklucky a 08.11.2015 às 04:31

Hitler e Mussolini de Direita? Socialistas sim.
A Itália de Mussolini era o segundo país a seguir à União Soviética com mais empresas nas mãos do Estado.
E só não foram mais porque Mussolini não tinha todo o poder. A Monarquia travava os desejos mais revolucionários.
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De Maria Dulce Fernandes a 07.11.2015 às 19:13

Devo ter lido "Você Pode Confiar nos Comunistas" de Fred Schwarz em 78, 79... antes de 80 quase de certeza. É muito esclarecedor.

Nós por cá devemos ter os Comunistas mais retrógrados da Europa, sendo o seu arauto o mais pródigo em desinformação político-partidária.
Também, esperaríamos o quê de um jornal afecto a um partido político que nunca conseguiu sair da órbita de um sol apagado ?
Eu conheci a URSS no antes, quando ser socialista era um orgulho.


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De Pedro Correia a 07.11.2015 às 19:35

A leitura do 'Avante!' é imprescindível, Dulce. Genuína literatura de museu. Faz-nos regressar sempre aos inolvidáveis dias da Guerra Fria, quando a União Soviética era vanguarda e farol dos trabalhadores de todo o mundo e o capitalismo estava pronto a ser lançado no caixote de lixo da história.
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De Anónimo a 07.11.2015 às 22:44

Mas que idade tem???? Nós estamos em 2015!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"Criancinhas ao pequeno almoço"????? O que o P.P.C./P.P. fizeram nos 4 anos foi,tirar o pequeno almoço ás criancinhas e aos velhinhos também!!!!
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De Pedro Correia a 07.11.2015 às 22:52

Que idade tem o PCP? 94 anos. De facto, como diz, já não deve ter dentição para comer "criancinhas ao pequeno-almoço".
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De lucklucky a 08.11.2015 às 04:24

Estamos em 2015 e o PCP continua totalitário como todos os Comunistas só o podem ser.
Senão deixavam de ser Comunistas.
Ditadura do proletariado, Marxismo Leninismo, Controlo dos meios de produção - incluí claro controlo pelo Partido da imprensa e das artes.
Censura total.

Nada disto o PCP abandonou ou mudaria de nome como muitos mudaram.
É simplesmente o que é o Comunismo.

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De Diogo Câmara a 07.11.2015 às 23:31

Paranóia, amigos :)
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De Sem Norte a 08.11.2015 às 00:06

Paranoia é ver deputadas do pcp afirmarem que nunca ouviram falar em gulags.
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De Alfacinha a 08.11.2015 às 11:54

Exactamente, na circunstância a Srª deputada Rita Rato - uma confrangedora "cassete".
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 00:48

O rato roeu a rolha da memória da senhora deputada.
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De lucklucky a 08.11.2015 às 05:02

Ainda faltam os crimes religiosos e os crimes racistas do Comunismo.

Religiões perseguidas.

Populações e etnias inteiras deslocadas e perseguidas, tártaros, cossacos, judeus.

Isto sem falar da população dos países conquistados pela União Soviética.
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De Pedro Correia a 08.11.2015 às 09:06

Claro, falta imensa coisa. Se me pusesse a fazer um inventário exaustivo dos crimes do regime implantado pela chamada 'Revolução de Outubro' não tinha um texto de blogue: tinha um livro.
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De Filipe Arede Nunes a 08.11.2015 às 11:15

Caro Pedro,

Vejo com imensa preocupação a forma acrítica como se discute a presente situação política mas, ao mesmo tempo, fico satisfeito por, finalmente, algumas vozes surgirem no sentido de recordar os mais incautos dos perigos de algumas ideologias que, mesmo depois de dezenas de anos de experiências negativas na sua concretização prática (sem esquecer que, na construção teórica, já mostravam ao que iam), continuam a merecer de uma grande parte da opinião pública uma tolerância que, para mim, é difícil de compreender.

O Pedro refere aqui alguns exemplos daquilo que foi o modelo soviético mas - e porque de facto de outra forma seria um livro - deixa por referir outros modelos históricos igualmente relevantes, não apenas na Europa mas em África, na Asia ou na América do Sul e Central. O comunismo ou marxismo - e as suas derivações - é, na sua essência ideológica (bem sei que o Raymond Aron e o Daniel Bell se esforçaram por afirmar o seu fim), uma doutrina anti-individual e por consequência colectivista e antidemocrática logo ditatorial (basta ler a Hannah Arendt para o compreender de forma clara). As poucas alterações que em Portugal sofreu conduziram ao surgimento de partidos ou agremiações políticas mais radicais (basta lembrar o que aconteceu nos anos sessenta com a dissidência de Francisco Martins Rodrigues que resultou no surgimento de um conjunto variado de movimentos marxistas-leninistas que se diziam mais próximos da doutrina original) pelo que é de supor e admitir que as actuais posições assumidas pelo PCP correspondem ao que se sabem ser os famosos recuos tácticos.

Há, no entanto, uma inacreditável tolerância perante comunistas e suas derivações. Objectivamente, estes construíram uma narrativa (que corresponde, no entanto, a um mero exercício retórico) onde parecem usar determinadas palavras próprias do modelo demo-liberal no mesmo sentido que são usadas no mundo ocidental desde os gregos clássicos. Sendo verdade, por exemplo, que os comunistas falam de democracia importa frisar que o conceito não tem o mesmo significado que o mundo ocidental lhes atribuiu. Basta ler, por exemplo, os textos de Lenine de 1917 ou a famosa entrevista de Álvaro Cunhal à jornalista Oriana Fallaci em Junho de 1975. Eleições? Que é isso? As eleições não valem nada! A participação dos comunistas no jogo eleitoral (dentro de uma interpretação sistemático-histórica) só pode ser um recuo táctico. De outra forma é uma cedência aos movimentos sociais-democratas e revisionistas!

Os mais tolerantes às ideias perpetradas pelos comunistas ficam sempre incomodados com as citações dos crimes praticados pelos regimes de inspiração marxista afirmando, quase sempre, que existem outros modelos (dizem eles de direita) que também cometeram actos terríveis. Falácia n.º 1: os conceitos de Direita e de Esquerda não significam nada. O comunismo não é de direita nem de esquerda. O fascismo não é de direita nem de esquerda. O nazismo não é de direita nem de esquerda! Todos são regimes totalitários. O que os aproxima é muito mais do que os distingue! Falácia n.º 2: por regra, quem critica os regimes marxistas e identifica as práticas criminosas ocorridas durante essas experiências políticas, não se revê no nazismo, no fascismo, no franquismo ou no salazarismo. É que, talvez seja importante referir, o mundo não é a preto e branco. Achar que o comunismo é uma doutrina miserável não significa considerar que qualquer uma das outras que referi é melhor! Falácia n.º 3: não existem partidos de referência, em Portugal, que se filiem no pensamento doutrinário do nazismo, fascismo ou salazarismo mas existem vários que se revêm nas doutrinas marxistas. Só se pode, portanto, comparar o que é comparável.

Por último: a tolerância que existe (presumivelmente fundada num encantado e estulto romanismo ideológico) perante os comunistas e as suas ideias goza do beneplácito de uma suposta elite cultural que domina, há décadas, os instrumentos de comunicação social em Portugal. Isto porque, supostamente, aqueles que se filiam no pensamento demo-liberal serem intelectualmente incapazes. Não é assim! Essa ideia corresponde apenas a mais um mito que o status quo tem procurado exaltar à exaustão mas que não tem adesão à realidade. Excelente texto! Obrigado por tê-lo escrito!
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De Pedro Correia a 08.11.2015 às 16:38

Eu é que agradeço essas palavras tão calorosas e tão bem fundamentadas, Filipe.

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