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Um exemplo construtivo

por João André, em 25.05.18

Não sou sportinguista e assisto à crise dos leões com um misto de precupação e SchadenfreudeSchadenfreude porque como benfiquista é-me difícil não o fazer, mesmo sabendo que é de mau gosto. Mais importante no entanto é a precupação com uma instituição centenária e fundamental ao desporto português e, sim, também ao Benfica.

 

Nesta outra casa do Pedro e outros autores do Delito de Opinião, muitos posts se têm escrito sobre a crise. Vale a pena ir lendo se se tiver tempo. Há no entanto um autor que eu não costumo ler mas que, para mim, tem sido um exemplo nos últimos tempos.

 

O Pedro Azevedo tem aproveitado este período para apresentar as suas ideias para o Sporting, numa série de posts com o título "Há vida para além do défice". Estes posts são um exemplo, não apenas para um Sporting que vive muito de um momento cujo alfa e ómega da discussão é "Bruno de Carvalho fora!", mas para toda a sociedade portuguesa, que vive em estados de sebastianismos permanentes, sempre à espera que alguém apresente uma solução para os seus problemas, idealmente sem que tenham que fazer seja o que for.

 

Seria bom que mais pessoas fizessem o mesmo: apresentassem as suas ideias para os problemas dos quais se queixam. Não precisam de ser soluções perfeitas. Muitas vezes apenas alguns conceitos, por imperfeitos que sejam, servem de excelente ponto de partida para uma discussão construtiva. No caso do Sporting, era óptimo que mais pessoas pegassem nesta discussão e a levassem mais além. O Pedro Azevedo tem dado o seu contributo, espero que alguém pegue nele.

 

Até porque Schadenfreude é uma coisa muito feia...

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23 comentários

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De Meister Von Kälhau a 25.05.2018 às 15:41

Hoje na rádio, alguém, em Aleppo, com falta de dentes, mas com siso, dizia por entre lágrimas, que não de dor:

- Aqui a morte é uma acto de misericórdia!

E depois clamam por defesas a la Sporting.

Vergonha, meus caros!

Quero que o Sporting, e mais o futebol, de fato e gravata, se fodam!
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De João André a 25.05.2018 às 15:49

Na Síria morre-se. No Congo morre-se. No Afeganistão, na Nigéria, no Iraque, na Guatemala... morre-se.

Estou à espera do resto dos comentários.
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De Meister Von Kälhau a 25.05.2018 às 16:07

Morre-se, pela febre do comentário. Morre-se por julgarem, muitos, que uma pena fere como a espada.
Aprendemos a tolerar, num sorriso, a vergonha da nossa cobardia. Outrora escondíamos a nossa vileza, hoje gozamo-nos nela e por ela
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De Sarin a 25.05.2018 às 15:50

Subscrevo inteiramente, vírgulas e espaços incluídos.
Mas alerto que, sendo o meu a limão fraquito, não tenho nada a ver com essa coisa do cha do freud, lagarto lagarto lagarto.

Seriamente, as publicações de Pedro Azevedo sobre as propostas para o Sporting e para o Futebol em geral são realmente muito boas e um excelente ponto de partida para um debate sério sobre a matéria.

Noutras matérias, João, não será tão fácil. As sugestões quase apenas são lidas e debatidas pelos que concordam, as ideias entrincheiram-se e fala-se para os próprios, surdos aos outros.

Pode funcionar e deveria estimular-se, quanto mais não fosse como berço para uma cultura de participação em vez da cultura espectadora em que muitos se criaram ou acomodaram.

Passinhos de infante na paz, corrida contra-relógio quando em revolução.
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De João André a 28.05.2018 às 14:37

Apenas lidas quando lidas de todo. Espero que o sejam, quanto mais não seja para fomentar a discussão e a reflexão não-acusatória.
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De Sarin a 28.05.2018 às 15:08

Acredito que se perdeu a noção do que significa comunicar, hoje que a comunicação tem tantos canais. Ou a noção ou o hábito.
Para haver discussão e auto-reflexão, tem também que se recuperar a comunicação do ruído. Umas dependem da outra.
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De Luís Lavoura a 25.05.2018 às 15:56

Eu também não sou sportinguista e assisto à crise no Sporting com os mesmos sentimentos que o João André.
E a mim o que me preocupa é, como é que o Sporting pode sobreviver financeiramente a esta crise?
É claro que eu não conheço as finanças do Sporting. Mas entendo que o Sporting está a dever a uns (na generalidade, pequenos) obrigacionistas uma obrigação que já deveria ter sido devolvida este mês. E entendo que o Sporting, para devolver essa obrigação, precisa de contrair uma nova obrigação, para o que vai precisar de convencer mais alguns (na generalidade, pequenos) investidores a emprestar-lhe dinheiro. Está também dependente da emissão dessa nova obrigação a capacidade de o Sporting continuar a funcionar normalmente ao longo de mais um ano. E questiono, como é que o Sporting poderá emitir (com sucesso) essa nova obrigação sem uma direção e sem uma estratégia mais ou menos definidas. E, se não a conseguir emitir, de que é que o Sporting vai viver ao longo da próxima época? Da venda progressiva dos seus jogadores?
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De João André a 28.05.2018 às 14:38

Provavelmente das mesmas fontes que todas as empresas e múltiplos países: de endividamento contínuo e em quantidades cada vez superiores. Um dia alguns dos credores perdoarão dívida para acalmar as coisas e voltarão a emprestar. Infelizmente não são caso único.
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De Vento a 25.05.2018 às 21:51

Com o devido respeito pelas verdadeiras tragédias que vão correndo mundo, estou em crer que ninguém precisa encontrar solução para o Sporting, pois os jogadores e o treinador já o fizeram.
Quero com isto dizer que a destruição criativa, que também faz parte da gestão, já começou: jogadores demissionários e o treinador a pretender sair. Isto foi o que de melhor pôde ocorrer para o Sporting, o também meu Sporting, e para Bruno de Carvalho.

Espero que Bruno se saia bem da campanha que agora iniciou e que vá preparando os olheiros para novos jogadores e para novo treinador. Era isto que o Sporting precisava. Dinheiro não vai faltar, pois nestas coisas do futebol a falência não se conhece.
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De Luís Lavoura a 26.05.2018 às 17:33

Os jogadores e o treinador não podem sair a não ser que pagem (ou que alguém, tipicamente o clube para onde vão, pague por eles) a cláusula de rescisão. Isto não é uma república das bananas, onde cada um viola o seu contrato de trabalho quando quer!
E não podem alegar qualquer "justa causa", uma vez que o empregador, o Sporting, não lhes fez mal nenhum. Quem lhes fez mal foram uns vândalos que assaltaram as instalações do Sporting. Mas esse vândalos, ainda que sejam adeptos, não estavam a mando do Sporting, ou pelo menos não se pode comprovar que estivessem.
Portanto, gostem ou não gostem, jogadores e treinador são obrigados a voltar ao trabalho na data aprazada.
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De Vento a 26.05.2018 às 21:24

Eu não contrario nada do que você comenta. Mas o meu comentário continua válido. Os jogadores e o treinador que se pirem de uma vez por todas. Se não se pirarem alguém os faça sair. Espero que Bruno volte ao podium para que o treinador cumpra a promessa de sair caso este lá fique. Qualquer que venha depois de Bruno só servirá para manter o que está mal: equipa e treinador. Um clube de futebol não pode andar aos caprichos de jogadores. São assalariados e não vedetas. As vedetas são os adeptos e os sócios.
Viva o Sporting e Bruno de Carvalho.
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De Sarin a 26.05.2018 às 22:59

Parte dos especialistas na matéria desdizem a sua afirmação de inexistência de justa causa. O Acuña já rescindiu, aguardemos. O Hugo Leal nunca pagou nada pela rescisão por justa causa devida a assédio moral por parte de Vale e Azevedo - que em matéria de assédio moral era um menino se comparado com Mestre Bruno de Carvalho. Se também era um menino noutras matérias, veremos.

De qualquer forma, identificadas que estão as ligações dos vândalos a uma das claques, e se a FPF atribui aos clubes responsabilidades pelos desacatos dos seus adeptos, como quer agora desvincular tão facilmente a responsabilidade do Sporting sobre desacatos protagonizados por adeptos pertencentes a uma claque orgulhosamente legalizada?! Sem falar das pertinentes questões da porta escancarada e das autorizações de entrada a pessoal estranho à actividade, mas isso está ao cuidado do clube, do poder judicial e veremos se do Tribunal do Trabalho.

Eu aguardo para ver como agirá quem de direito. Aconselhá-lo-ia a fazer o mesmo, mas não me daria ouvidos.
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De Luís Lavoura a 28.05.2018 às 10:39

Eu concordo consigo, devemos aguardar.
Mas repare, um jogador sai de um clube e não quer ficar no desemprego, quer arranjar outro clube. E que outro clube quererá ir ficar com um jogador sem saber claramente qual é a situação dele, se ele está livre ou se ainda virá a ser preciso pagar por ele uma cláusula de rescisão?
Suponhamos que agora o clube X contrata o Acuña "a custo zero" e que no futuro um tribunal do trabalho decide que Acuña não tinha justa causa para se desvincular do Sporting e que portanto o seu contrato com o clube continua válido e que portanto o clube X terá que pagar ao Sporting a cláusula de rescisão, e possivelmente ainda mais uma indemnização qualquer? O clube X arrepender-se-á...
E se o clube X quiser inscrever Acuña na UEFA, será que a UEFA aceitará?
Enfim, eu não sou jurista, muito menos jurista de trabalho, mas se eu fosse jogador do Sporting pensaria muitas vezes e aconselhar-me-ia muito bem antes de ousar ir-me embora...
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De João André a 28.05.2018 às 14:43

Tenho comentário abaixo, mas aqui resumo a conclusão: não acredito que um único jogador saia através de rescisão por justa causa. Isso será usado apenas como um mecanismo de negociação.
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De Sarin a 28.05.2018 às 15:28

Não sei onde o afirmei, mas creio que outras causas haverá para a rescisão, sendo a justa uma delas.

Nenhum jogador cabeça-de-cartaz trocará, a meio do contrato e por valores semelhantes, um clube onde se sente bem. São profissionais, sabem que o seu valor depende das suas capacidades mas também da sua credibilidade. Os jogadores são mercenários, mas não figuradamente.
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De João André a 28.05.2018 às 14:41

O uso da rescisão por justa causa não passará de um método para negociar uma saída mais simples do clube. Eles agitam essa possibilidade, a qual teria que ser resolvida pelos tribunais. No período intermédio eles poderiam (ou não) jogar, mas o clube teria de continuar a pagar-lhes.

Risco para o clube: ter jogadores que não jogam mas a quem tem de pagar ou, se jogam, que não têm bom desempenho. Entretanto vêem a sua imagem e os seus activos desvalorizarem-se, o que custa dinheiro.
Risco para os jogadores: ficarem sem jogar durante uns tempos se o clube decidir arriscar.

Solução mais fácil para todos: o clube aceita a saída dos jogadores a preço abaixo do mercado. A isto chama-se chantagem, antes que o comente depois.
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De Sarin a 29.05.2018 às 09:31

Desculpe, João André, mas concordando com muito do que diz, não posso concordar com o termo Chantagem.

Esqueçamos que é o SCP, universalizemos a qualquer relação laboral. Chantagem seria se tentassem obter resultado diferente, mas o objectivo é o mesmo: rescindir.
Seria chantagem para, por exemplo, exigir outras regalias para ficar. Mantendo-se a vontade de sair, será apenas uma via para a rescisão: a bem ou a mal.
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De João André a 28.05.2018 às 14:38

Destruição criativa é outra coisa.
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De José Teixeira a 26.05.2018 às 13:16

Muito bem visto Por lá até já estive para comentar "Pedro Azevedo à presidência" Mas aquilo entre nós anda tão abrasivo que me coibi de comentar
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De Sarin a 26.05.2018 às 21:08

Já estive para o dizer, mesmo sendo Benfiquista. Mas temi que Pedro Azevedo pensasse ser piada mal intencionada. Não é. Discordo de algumas abordagens noutras matérias, mas são inegáveis os seus empenho e conhecimento e preocupação e visão. Nada conheço sobre a sua capacidade operacional, mas com uma equipa de gente profissional e comprometida acredito que ficariam muito melhores do que nos (muitos) últimos anos.
Já o disse a amigos sócios do SCP, que desesperam por uma solução mas esperam credibilidade e não oportunismo. Pedro Azevedo parece encaixar.


Claro que para o SLB seria pior - mas no bom sentido.
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De João André a 28.05.2018 às 14:45

Não iria tão longe, mas espero que os putativos candidatos peguem nas ideias que ali estão e as discutam. Ou alguém nas respectivas equipas. Mesmo que não adoptem nada (não sei se são boas ou más), pelo menos seriam bons pontos de discussão, que é coisa que vai faltando, como bem apontas...
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De João André a 28.05.2018 às 14:44

A discussão está interessante sobre o Sporting, mas a verdade é que o post só usava isso como ponto de partida. O ponto de chegada era o facto de haver quem apresente propostas construtivas...
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De Sarin a 29.05.2018 às 18:05

No meu comentário inicial, por "outras matérias" referia-me não ao Desporto, mas à discussão generalizada de Água a Zimbro.

Há poucos dias, a propósito de um postal do Pedro Correia, falávamos exactamente da incapacidade em ouvir. Aqui vamo-nos ouvindo, mas as propostas concretas são raras - nascem abafadas pelo sibilino som da análise e pela insidiosa certeza do exercício académico. É que o diacho da partidocracia é autista.

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